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14/11/2014

A N G O L A /// L U A N D A


Um PEQUENO DESABAFO, nesse tempo chuvoso e frio!

 "Tenho vontade de chorar...quando me lembro de Angola...."


É verdade! Sinto fome de ti Luanda. Das palavras livres, proferidas pelos "miúdos" da minha sanzala! Estou farto, saturado mesmo, de palavras que apenas dizem o que podem dizer, e que...Não me dizem nada! Tenho ânsia de viajar com as palavras por dentro dos imensos infinitos da linguagem. Quero saborear os "ditongos" e os "substantivos" da minha Lavra, que são adocicadas pela cana do açúcar. Tenho ânsia de ser um "pimplau" (pássaro) impossível que recusa as palavras que dizem apenas o que querem dizer. Estou farto de palavras direitas e certas, controladas por essas leis burocráticas. Palavras "amarradas", carregadas de vocábulos difíceis de entenderem e que dizem o que toda a gente diz...NADA! Sinto fome de liberdade, de correr e levar "berrida" no interior dos meus becos; sinto saudades dos meus Amigos "Kandengues" e dos nossos "mais velhos" da Ilha, no bairro dos pescadores! Sinto fome e sede, de comer o meu "funge" numa cubata de pau-a-pique e de beber daquela água da "moringa", filtrada na pedra até à "sanga"! Fome do fascínio das mulatas, e do poder embriagador que envolve a beleza "achocolatada" da Negra...Ai que saudades..."Gana Zambi"! Tenho fome de soltar este surdo grito que está dentro de mim, carregado de saudades e que me tem "aleijado", dia e noite, esta minha alma já desgastada de tanto chorar. 

Até quando meu Deus!?? Sinto por dentro de mim esta liberdade enclausurada, que as palavras livres oferecem, sinto esta divina transgressão que me seduz até à medula da minha alma. Para que é que hei-de dizer sempre o essencial, o fundamental, ou o que se pensa que está certo para toda a gente? Grito sozinho à noite, suplicando à Nossa Senhora da Muxima, que não me deixe morrer aqui, nesta terra de palavras que nada me dizem! Eu não entendo nada destas palavras, acreditem! Porque não experimentar a liberdade desta transgressão? 

Gostaria de ser como o Poeta de verdade, que arranca dos monstros do "não-sentido", as mais belas crianças desejosas de nascer...Crianças nunca vistas, flores nunca sonhadas, gritos que a curta visão do presente procura levianamente matar na sua dimensão de futuro.

Sinto fome de palavras, provindas do "Kimbundo", que são palavras livres, soltas e grandiosas de poesia, que o Poeta fecunda e desentranha de um dizer imenso, onde a humanidade inconscientemente se espraia, sonha e espera...

"TENHO VONTADE DE CHORAR...QUANDO ME LEMBRO DE ANGOLA"!! ( canção do duo Ouro Negro )


BANGA NINITO

"Tenho vontade de chorar...quando me lembro de Angola...."


 A saudade é uma coisa lixada, basta ás vezes olharmos para um feito, ouvirmos uma música, tantas vezes uma conversa e lá está a saudade a alojar-se dentro de nós num cantinho do peito destinado ás boas memórias ( alguém disse: a saudade não tem braços mas que aperta aperta ) ás vezes aperta tanto que sufoca e quando já não cabe no peito escorre pelos olhos, tenho saudades tuas, disto e daquilo, daqui e dali saudades de Angola de Luanda que hoje 11 de Novembro celebras 39 anos da tua independência, hoje é o teu dia de todos os angolanos e daqueles que lá viveram. Por tudo isso sinto saudades da minha Angola, do meu Bairro, dos meus amigos.

Eu sei que num silêncio ensurdecedor que se instala no nosso coração, durante estes anos todos existe aquele sentimento ambíguo. Sentimento que sentimos quando vemos partir aqueles que fizeram parte das nossas vidas, aqueles a quem considero amigos do peito.

Tudo nos aconteceu de um dia para o outro, tristezas pela separação de amigos quando fomos bombardeados na guerra dos senhores e dos interesses estratégicos, e tivemos que abandonar a terra que mais amava-mos.


Continuo a ter saudades tuas LUANDA e a gostar de ti ANGOLA, sinto como sempre um nó na garganta quando penso em tudo que vivi nos meus anos de infância e juventude.

Parabéns Angola por mais um aniversário da tua independência.

 
ZÉ ANTUNES

11-11-2014

05/11/2014

O DRAMA DA SOLIDÃO NA VELHICE!


Tem esta a finalidade de satisfazer alguns pedidos, oriundos de alguns elementos de instituições de caridade, sobre o desfecho pesaroso que muitos dos nossos "Seniores" estão a passar e que são verdadeiras "condenações de solidão" e de outras "atrocidades" ao seu bem-estar. Por essa razão, foi-me solicitado que publique, com a brevidade que me seja possível, esta pequena contribuição, no sentido de "aliviar" esse pesado "fardo", que todos nós, depois de velhos, estamos sujeitos a suportar.

Tem, ultimamente, chegado até nós, através dos meios de Comunicação Social, tristes e pesarosas notícias, alusivas ao desaparecimento de alguns idosos (a maioria sofrendo de Alzheimer), de outros a viverem sós e doentes, enfrentando “espinhosas” e consternadas batalhas de solidão, tremendamente aflitiva. Seguem-se aqueles que morrem sozinhos, em suas casas, sem um braço amigo ou uma palavra de conforto, que os possa aliviar ou socorrer. naquelas horas derradeiras de maior aflição. São esses dramas melancólicos, que ultimamente se têm registado, e que têm provocado estados de depressão e de revolta, a todos nós.

As ruas são lugares estranhos. As pessoas cruzam-se distraídas, de olhar abstrato e, nem sequer olham para aquilo que vêm. Uma senhora mais velha ou mais nova, pode tropeçar e cair, sem que ninguém pare, para a ajudar. Assusta perceber a indiferença nos outros. Deixa-nos vulneráveis, perplexos e, simultaneamente confusos, perante essas indiferenças. Perguntamos: mas…de onde vem tanta frieza, tanta inércia e negligência? “Quem são os responsáveis por esses nossos idosos?” Quando as relações com a família estão cortadas, deverão ser os vizinhos a ter essa preocupação, por uma questão de solidariedade? Existem associações ou entidades que possam prestar assistência a estas pessoas, sem fins meramente lucrativos? Também, nem todas as famílias têm disponibilidade para acompanhar o envelhecimento dos seus familiares. E é aqui que se levantam outras questões: devem estes idosos ser colocados em instituições onde, à partida, terão um melhor acompanhamento a todos os níveis, ou será uma egoísta transferência de deveres da família para uma instituição? O que leva a família a optar por esta solução privando, muitas vezes, o idoso do relacionamento familiar? Será, na verdade, uma solução válida, ou puro abandono de responsabilidades? E até que ponto estarão essas instituições preparadas para fazer face às necessidades dos idosos? Um escritor e psiquiatra francês (não me recordo o nome), escreveu sobre a “nossa bela civilização de sprinters”, para sublinhar esta espécie de corrida contra o tempo (e contra tudo e todos) em que vivemos, e nos deixa sem margem para olhar, para quem passa ao nosso lado. Sem capacidade de olhar e ver, de atender às necessidades dos que nos procuram, de parar e vermos (com olhos da alma), perdermos um “pedacinho” de tempo, para com o nosso semelhante. “Hoje eles, Amanhã nós!” Esta imensa passividade (ou sofrimento) que se instalou à nossa volta contraria as leis da natureza. Pelo menos, as da natureza do ser humano. Por tudo isso, é essencial ter presente, que os idosos não passam de um número, de uma mensalidade a mais a receber, em que apenas lhes é proporcionada uma cama, alimentação e pouco mais. E não são raros os casos de maus tratos e falta de condições. De qualquer forma, quem optar por essa solução, deve acompanhar, sempre que possível, os seus familiares, manter-se informado sobre a forma como são tratados, e constatar que realmente se sentem bem. Acima de tudo, é uma questão de amor – de cuidar e zelar pelo bem-estar e qualidade de vida daqueles que, um dia, já o fizeram por nós!
BANGA NINITO 

2014

03/11/2014

ESTAMOS PREPARADOS PARA UMA INVASÃO MILITAR?


A elite Europeísta, composta pelos seus soberanos magnatas capitalistas, têm vivido, única e exclusivamente, preocupadíssimos, com os dividendos e lucros obtidos pelos milhares de milhões de “Juros” acumulados dos empréstimos, do que pela tão propalada “ajuda financeira” (ajudas?) aos países mais pobres. Mas…que ajudas afinal temos tido com esses “auxílios”, se estamos, cada vez mais pobres! Essa elite europeia, especializada em relações internacionais vive dominada por uma escola de pensamento apolítico que assenta no paradigma pós-estatal, que tem vindo a anular a realidade por decreto ideológico. Consequentemente, essa mesma “aristocracia”, ao lutar ideologicamente contra a realidade e contra o “realismo”, perdeu o contacto com os instrumentos conceptuais, que permitem ver os fatos da política internacional. Portanto esta filosofia da mentira, mais não é do que o “suicídio” duma união falida, que desde o início, nunca ligou (pessoas) por laços afetivos e sociais. O que sempre fez, foi esconder e trocar a dignidade humana, pelo vil metal, esquecendo-se até (pasme-se!), da sua própria segurança militar. Por norma, as críticas dirigidas à Europa mencionam a falta de vontade política para empregar o poder militar. Daí a pergunta, dos Europeus mais céticos:“ Estaremos nós preparados, para enfrentarmos uma invasão área, ou terrestre em “grande escala”? “O que andam a fazer os russos, no nosso espaço aéreo português”? Que Forças Armadas temos, para a proteção deste frágil país: Portugal? Bom! A questão do “Poder” não se esgota no uso da força militar. Existe uma segunda dimensão do “Poder” – raramente salientada no debate europeu– que não está relacionada com o uso político da força militar, mas sim com uma questão intelectual situada a montante, a saber: a sensibilidade estratégica, ou seja, a capacidade para pensar através de conceitos como Estado, Potência, Sociedade de Estados, etc. Aqui, estamos no campo da sensibilidade (que falta a estas magnatas: Sensibilidade!), para compreender que uma “segurança duradoura” não depende da ajuda ao desenvolvimento ou do combate ao terrorismo, mas sim, da “observância de um certo padrão comum de moralidade” entre as grandes potências do momento. Isto porque a Europa, se continuar (só com as preocupações ligadas às obtenções dos lucros provenientes dos juros) e recusar os conceitos realistas, corre o risco de ficar afastada do processo de elaboração da “ordem mundial mínima”, bem como desprotegida de qualquer “invasão” militar. Em suma, se continuar a recusar as mudanças conceptuais e políticas impostas pelo mundo “pós-atlântico”, a Europa corre o risco de ser uma “peça secundária na política mundial”. “Um mundo sem europeus”!
 


Cruz dos Santos 

2014