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28/03/2012

VIAGEM PARA ANGOLA DE MEU PAI




Esta é a história resumida contada por meu pai quando viajou para Luanda e para a Barragem de Cambambe no Alto Dondo

Lisboa 11 de Setembro de 1956 do cais de Alcântara parte o navio Moçambique rumo a Angola com carga e passageiros numa viagem prevista de 11 dias, com paragem na Madeira. Como passageiros uma centena de pessoas com rumos diferentes no interior de Angola, e moçambique, mulheres casadas por procuração iam ao encontro de um homem sem o ter conhecido antes, a não ser por fotografia, outras casadas por procuração, essas tinham namorado no Continente e só agora poderiam finalmente juntar à pessoa com quem tinham casado visto ele não se poder ou não querer deslocar ao Continente. Mulheres casadas com ou sem filhos que finalmente se iam juntar aos seus maridos que tinham partido muito antes na tentativa de conseguir uma vida melhor do a que tinham no Continente. Homens que partiam também à procura de melhor vida alguns numa completa aventura outros já com carta de chamada de amigos ou familiares que já lá se encontravam e lhe arranjavam a tal carta de chamada que implicava uma grande responsabilidade para quem a arranjava que o tornava responsável por essa pessoa, a maior parte era gente humilde do interior do Território que nunca tinham visto um navio ou mesmo o mar.

De entre todos esses passageiros meu pai ia para a Barragem de Cambambe. A bordo era tudo muito estranho e diferente de tudo a que estava habituado, a começar nas refeições e acabar nos porões onde dormia um salão enorme cheio de beliches uns em cima dos outros, atravancados de cestos, garrafões de vinho, de azeite, chouriços, salpicões, presuntos, fruta e outras coisa que as pessoas queriam levar consigo que impregnava o ambiente insuportável de cheiros e odores, a par dos cheiros das suas roupas e corpos por lavar, misturado com cheiro de urina de putos que nunca tinham utilizado uma casa de banho na vida deles, e por isso urinavam para o primeiro canto que encontrassem. Na primeira refeição a bordo foi um autentico desastre com as pessoas a tentar comer o que vinha para a mesa, misturando tudo numa gula desenfreada, resultado, aliado ao balanço do navio passado um bocado era o pessoal todo a vomitar por todos os cantos do barco, dia e meio depois de ter partido de Lisboa chegou à Madeira, o navio ficou ao largo, e alguns passageiros foram a terra a bordo de uma lancha, os outros ficaram abordo, pequenas embarcações acercaram-se do navio com lembranças da Madeira, trabalho artesanal que vendiam, os passageiros atiravam o dinheiro para as embarcações e através de uma corda as lembranças eram então içadas para bordo, outros pequenos miúdos, pediam que lhe atirassem moedas para a água, que eles logo mergulhavam e iam em busca delas a caminho do fundo do mar em grandes mergulhos para delírio de todos debruçados na murada do navio, assim se passaram as horas de paragem na Madeira.

O resto da viagem à excepção da passagem do Equador, no qual fizeram um exercício de por colete de salvação e ir para a uma baleeira de salvação como se o navio estivesse a ir ao fundo com banho de água à mistura o que resultou numa grande confusão pois muitos pensaram que era a sério, tudo acabou em bem, o resto dos dias foram sempre iguais até à chegada a Luanda em 1 de Outubro de 1956, numa manhã muito cedo, a sua ansiedade era muito grande, para saber como iria ser a tal falada África dos pretos como se dizia em Portugal.

Muito lentamente o navio lá se ia aproximando do cais as pessoas iam-se tornando cada vez mais visíveis. Tudo com muita lentidão à mistura com empurrões todos a quererem ser os primeiros, finalmente chegou a hora de sair e pela primeira vez pisou solo africano, sentiu uma sensação muito estranha de sons, cheiros e vozes e à mistura uma embriaguez em que se sentiu tonto e sem reacção.

Os Europeus num tom de pele muito tisnado, mesmo amarelo torrado num contraste de vestimentas brancas e muito suados, em contra partida os negros calmos pachorrentos transpirando muito e com os olhos muito abertos olhando as cenas de chegada dos abraços, dos beijos, eram os bagageiros que transportavam as malas para os carros que os levariam, enfim para os locais que cada um iria habitar.

Postas as malas na carripana que o foi buscar, e com os olhos muito abertos olhando numa ânsia desmedida de querer mirar tudo numa só vez, marginal fora que encanto de Avenida ladeada do lado direito por Palmeiras junto ao mar formando então a tal famosa Baía de Luanda, um dos muitos locais que muito o marcaria para o resto da sua vida. Deixou para trás a avenida e seguiram directos para Cambambe.

Algumas picadas eram somente os sulcos que os carros deixavam ao passar, um pequeno desvio e lá ficava um enterrado isto sem contar com os grandes buracos que quando chovia formavam grandes lagos que eram a alegria de muitos negros miúdos que chafurdavam nesses lagos de uma cor avermelhada com tons de castanho, e que serviam como Piscinas. Água canalizada era um luxo para alguns, essas lagoas serviam também para nascer e criar milhões de mosquitos que eram uma das maiores pragas que cedo teve de começar a enfrentar, começando logo por tomar comprimidos contra o paludismo, camoquine todos os dias e resoquine todas as semanas, águas fervidas e passadas pelo filtro um bonito aparelho de louça com uma vela também em louça por onde a água teria de passar e ser então filtrada saindo através de uma torneira metálica era uma água fresca e saborosa, depois de muitas peripécias lá chegou ao seu destino.

Chegado à casa que viría a habitar até 1959, a sua excitação era enorme, descarregadas as malas começou logo por atacar bananas num cacho dependurado á porta de casa, um grande cacho de grandes e maduras bananas, percorridas as duas divisões da casa e um grande anexo que ficava na parte de trás da casa. De referir que a casa era feita de aduelas dos Barris de vinho e forrada a papel. Foi apresentado ao casal que tinha providenciado a habitação o Sr. Raminhos e a Dona Aninhas. O casal tinha dois filhos, que teriam 3 e 4 anos de idade, foi então apresentado ao casal. Viveu ai sozinho pela primeira vez depois de casado por 3 meses, pois sua esposa só haveria de chegar em Janeiro de 1957.


1956

27/03/2012

PORTUGAL NA 2ª GUERRA MUNDIAL



ESCASSEZ DE ALIMENTOS Entre os anos 1942/1945 tempo da 2º guerra mundial em Portugal na base das lajes nos Açores foram abastecidos os aviões militares e comerciais dessa época.
Quando tocavam as sirenes (sinal indicativo de provável bombardeamento) previamente a população colocava uma fita em cruz para evitar que se partissem os vidros.
Em Portugal devido à guerra não havia produtos alimentares para consumo, pois os nossos produtos portugueses iam para as “tropas aliadas” como sobejos de Portugal, logo os portugueses tinham que comer aquilo que vinha de outros países que por norma não gostavam dos alimentos, pois lá fica a nobre frase do Salazar:

“Livro-vos da guerra mas não da fome”.


Carta de racionamento de Géneros

Racionamento em Portugal

Pela altura da segunda guerra Mundial, Portugal sofreu com a falta de muitos bens essenciais, o governo de Salazar decidiu racionalizar alguns bens alimentares tais como: Açúcar, azeite, leite, pão entre outros, existiam por essa altura umas senhas que eram distribuídas pela população para comprarem esses mesmos bens.
Uma boa parte da população era muito pobre e as famílias muito numerosas, pelo que se viam na necessidade de dividir uma sardinha para três pessoas o que por vezes provocava alguns conflitos pois todos queriam a parte do rabo da sardinha (foi-me relatado este facto pelo meu pai) que viveu nesta época, e muitos tiveram que emigrar para as colónias ultramarinas ou para o Brasil e nos anos 60 para França.
Portugal não foi atingido pela guerra directamente mas indirectamente foi afectado por causa da falta de alimentos pois Salazar disse: “Livro-vos da guerra, mas não da fome"

Portugal não participou no conflito que ensanguentou a Europa. Todavia, isso não impediu que os efeitos da guerra se fizessem sentir duramente no nosso país. O aumento desenfreado da inflação; a escassez e o racionamento dos géneros de primeira necessidade; o mercado negro e a especulação; o congelamento dos salários e o aumento da jornada de trabalho de 8 para 10 horas diárias, seis dias por semana, tais são os efeitos da guerra em Portugal. Entretanto, Lisboa torna-se o paraíso dos espiões.


Comercialmente, Portugal exportava produtos para os países em conflito, como açúcar, tabaco, e volfrâmio. O volfrâmio cujo preço subiu em flecha desde o início das exportações, sendo que para a Alemanha, a exportação foi interrompida em 1944 por imposição dos Aliados. Até ao final da guerra as exportações para a Alemanha foram pagas com ouro canalizado via Suíça.

No entanto há problemas de escassez de géneros (Portugal era deficitário quanto a alimentos) e a inflação dispara. O Governo recorre, embora tardiamente, a racionamento de géneros e fixação de preços e aumenta a corrupção do aparelho corporativo. Estalam várias greves que são reprimidas pela polícia política e pelo Exército, estando a situação controlada em 1944. Estou-me a referir ao Racionamento derivado da Guerra Civil Espanhola, e depois, da 2ª Guerra:

Muitos portugueses sofreram na pele e no estômago as consequenciais da guerra civil de Espanha nos anos 30 e nos anos 40 com a II Guerra Mundial, passando fome e privações. Os anos 30 e 40 foram marcados pelo “racionamento alimentar”.

Muitos idosos recordam uma afirmação de Salazar: “Livro-vos da guerra, mas não vos livro da fome”. E assim foi… grande parte dos produtos alimentares produzidos em Portugal eram exportados para os países envolvidos no conflito. Muitos portugueses viveram um cenário de escassez de produtos e fome

A Sopa do Sidónio


Muitos idosos recordam-se de irem em miúdos de madrugada para as filas com as senhas de racionamento e, por vezes, voltavam de mãos a abanar para casa porque os produtos não chegavam para todos. Como as pessoas tinham muitos filhos e não tinham o que lhes dar de comer, recorriam à Sopa dos Pobres, que forneciam sopa e pão às famílias mais necessitadas de acordo com o n.º do agregado familiar (comprovado mediante a apresentação de um cartão).

Muitas vezes eram as próprias crianças que a mando dos pais iam buscar a sopa ao meio-dia, carregando uma lata (antigas latas de 5 kg de atum das mercearias que eram reutilizadas) que servia de panela. A sopa era feita com massa, feijão ou grão e com “peles” ou apenas “cheiro de carne” como nos relataram alguns idosos. Mas “como a fome é o melhor tempero”, foi um auxílio importante à sobrevivência dos mais pobres, que Salazar era o Demónio.

Com o final da guerra, o governo de Salazar decretou luto oficial de três dias pela morte de Hitler aquando da sua morte, em 1945.

Quando a guerra acabou tinha meu pai 15 anos e passados poucos anos veio para Lisboa tendo emigrado para Angola no ano de 1956.


1956