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21/10/2014

OS CALOIROS


No ano de 1967, nas férias escolares estava eufórico com os exames de admissão ás Escolas Técnicas e aos Liceus.

Antecipadamente já sabia que iria para uma escola Técnica caso fosse aprovado nos exames, meu pai desejava que os filhos homens seguissem profissões técnicas e que a filha mulher seguisse uma profissão administrativa.

Isto tocou a uma grande parte de todos nós, estudantes do ensino primário. Nesse ano as férias grandes foram ligeiramente mais curtas. Tive que fazer três exames: o da 4ª classe e os de admissão, às Escolas Técnicas e aos Liceus.

Como estudava na Escola Primária nº.176 no Bairro Popular nº. 2, foi na Emídio Navarro (antiga João Crisóstomo), ali na Vila Alice perto da Fábrica Imperial de Borrachas ( Macambira ), que tive que fazer os exames de admissão ás escolas técnicas. Tudo correu bem, tive que ir à oral – penso que era obrigatório.

Nas orais, lembro-me que na prova de Português foi sempre o mesmo texto nos três exames “A camaradagem” do livro de leitura da 4ª classe, foi no exame da Escola Primária nº. 176, na Escola Preparatória Emídio Navarro e no Liceu Nacional de Salvador Correia.

Outra coisa que me ficou presente na memória. O professor que me fez o exame no Liceu Salvador Correia era bem conhecido de muitos alunos, para me meterem medo me disseram logo “ Estás tramado esse professor é do piorio”.

Mas aí estava eu aprovado e com três opções a meu bel-prazer. Escolhi a Escola Preparatória João Crisóstomo, naquele tempo as aulas começavam só a 1 de Outubro.

Mas, no Bairro Popular nº 2 onde eu residia, os amigos e alguns colegas mais velhos do que eu, iam-me informando o que poderia acontecer-me.

Sabes, lá na João Crisóstomo ninguém se chama pelo nome! Todos têm um número atribuído, dizia um! Logo outro “Eh pá, vais apanhar uma carecada do caraças! Faz mas é tudo o que dizem pra fazeres, senão… tás lixado, ainda te fazem umas picadas pela cabeça toda!”.

Com estes avisos todos, inicio do ano lectivo, no dia 1 de Outubro fui no Maximbombo 22 com vários amigos do bairro que também iam para a João Crisóstomo, descemos nos Maristas, depois seguimos o descampado ( uma picada de terra batida ) ai existente até chegarmos á novíssima João Crisóstomo (foi inaugurada nesse ano de 1967). 

Logo ali vi o grande movimento à entrada da Escola, com uma maior concentração à entrada e no espaço interior. Entrei no grande portão e o filme que me tinha sido contado pelos mais velhos tornava-se agora mais real, podendo ouvir-se um movimento de “algazarra” no amontoado de estudantes, quase todos rapazes, do lado exterior. “Ó miúdo és do 1º ano?!..” Era a caça ao caloiro.

E lá me mandaram colocar a jeito, baixando a cabeça, enquanto um bramia a tesoura de contentamento, dando-lhe aqueles movimentos entusiasmados que produziam o som metálico de abrir e fechar repentina e constantemente a tesoura, outro ensaiava a técnica da circunferência perfeita, colocando um escudo angolar na coroa da minha cabeça, desenhando uma circunferência com a esferográfica no couro cabeludo... bem ao meio

Depois era só cortar o cabelo que constituía o círculo até fazer uma careca, tão ou mais perfeita que a de um seminarista, ou padre capuchinho.
Hagh! O executante, após a feitura da coroa, pegava na sua Bic e rubricava a obra de arte, apondo um carimbo à moda de um punho assente de cima pra baixo na mesma.

Caloiro… Baixa a Careca!! E lá baixava eu a tola! E eles, que andavam em grupo, lá malhavam com os dedos todos unidos neste novo caloiro.
A obediência e a simpatia que cada caloiro demonstrasse era meio caminho andado para que tudo corresse normalmente, porque quem espigasse estava tramado. Apanhava forte e feio, com a palma da mão, com pequenos sacos com sal grosso, ou com as colheres de pau, algumas lindamente decoradas a cores, para que o caloiro medisse e refletisse, antes que se armasse em corajoso protestante!

Mas o melhor mesmo, por segurança, era arranjarmos um padrinho, um mais velho de preferência conhecido, daqueles considerados, ou com algum status, e não importava o tipo de status entre os mais velhos, tinha era que ter peso. Foi o que me aconteceu quando entrei na Escola Industrial de Luanda, conhecia alguns avilos mais velhos como o Tomané (António Manuel dos Santos Diniz) que era dado aos Karts e com mais amigos do Bairro.

Hê malta!!.. Este é meu conhecido, meu afilhado!” Aí ficava tudo bem melhor e as palmadas na careca era não mais que um cumprimento.
Alunos do meu tempo… O Piteira, Amílcar, Alberto Rodrigues, Carvalho, Gomes, Camilo, Ernesto, Nelson, Francisco Pereira, Walter Sério e outros,,,,

ZÉ ANTUNES

1975



 

20/02/2014

RECOLHER OBRIGATÓRIO

Na noite de 10 para 11 de Julho de 74 dão-se os primeiros incidentes violentos em Luanda. Os merceeiros dos musseques, Sambizanga, Mota, Lixeira, Marçal, Rangel (o mais populoso), Adriano Moreira e Cazenga (o mais extenso). Calemba, Cemitério Novo, Golfe, Catambor e Prenda, são expulsos.
 

Agosto de 1974 é decretado o primeiro recolher obrigatório em Luanda, estabelecido o recolher obrigatório de toda a população de Luanda, entre as 21 horas e as 6 horas do dia seguinte, até ordem em contrário (referindo-se os casos excecionais não abrangidos por tal medida).


A chegada de Agostinho Neto a Luanda, na manhã de 4 de Fevereiro de 1975, data simbólica, é apoteótica. Nunca se viu, antes, nada assim, tão espontâneo, tão sentido, tão exaltante. Calcula-se que estiveram mais de cem mil pessoas, no aeroporto e na pista de aterragem, invadida mal o avião parou. Quem esteve lá guarda esta recordação e de que quem a viveu falará sempre.






Nesse mesmo mês de Fevereiro de 1975 em Luanda ocorrem os primeiros confrontos entre tropas regulares do MPLA e da FNLA. 
 
Neste novo sobressalto do dramático processo de descolonização que, mau grado os compromissos assumidos ao mais alto nível e a imposição do recolher obrigatório não se extinguiu naquele dia, ficou a pairar a suspeita de que o delírio de fogo que mantivera Luanda angustiada durante toda a noite de 28 e parte do dia de 29 de Abril de 1975, se teria devido a uma manobra de deceção do MPLA com vista a encobrir a descarga de um navio jugoslavo.
 
Quarta – feira, 30 de Abril de 1975, novos distúrbios graves em Luanda, é imposto novamente o recolher obrigatório.
 
E o imenso arsenal voltou a estar ativíssimo no próprio "Dia do Trabalhador", 1º de Maio de 1975, cujas festividades haviam sido canceladas a fim de se evitar o pior, ou seja, a repetição dos violentos afrontamentos da antevéspera.
 
Aquele dia, contra tudo o que se esperava e desejava, foi marcado por um novo surto de intenso e descontrolado tiroteio e por um autêntico delírio de saques, espancamentos e buscas indiscriminadas, não autorizadas, provocando um número avultado de mortos e feridos de que, oficialmente, se registaram: Hospital de S. Paulo, 10 mortos e 139 feridos; Hospital Maria Pia, 3 mortos e 87 feridos; Hospital Militar, 31 feridos, entre os quais três militares portugueses.
 
No dia 12 de Maio de 1975, o MPLA e a FNLA iniciam uma confrontação armada de larga escala.
 
Luanda, na época, era palco de permanentes incidentes, entre militares/militantes do MPLA E FNLA, que espalhavam medo, terror e sangue pelas noites e chãos da cidade, pelos musseques e onde bulisse alma de gente de qualquer cor. O recolher obrigatório era quase sempre desrespeitado e multiplicavam-se os conflitos, as palavras de ordem anti - tudo e todos. 
 
Com o recolher obrigatório os problemas com a Policia, pela noite fora nas discotecas começaram a complicar-se.





















Manifestação em Luanda 1975 ( Foto da net )


A violência alastrava-se e a propaganda desenhava-se e escrevia-se nas paredes e no asfalto da cidade, pouco pacífica e, pior, inspiradora de ódios. Os tiroteios, principalmente de noite, con

fundiam-se com o rebentar de granadas e morteiros. Ainda me lembro, de, à noite, ver o fogo a cruzar os céus da cidade, que eu via do terraço da minha casa no Bairro Popular. Estranhamente, ou talvez não, a esmagadora maioria da população parecia indiferente a isso tudo. A cidade de Luanda, cosmopolita, cheia de luz, ciosa e atraente, parecia matar todos os medos.
 
Tudo parecia funcionar, como se nada se passasse.
Assim por lá passei os últimos dias, entre os prazeres das praias na Ilha, e no Mussulo, das Cervejarias do Restinga, do Amazonas e da Portugália, da Paris Versailles e da Mutamba, os cinemas e as discotecas à noite, e o contacto com os nossos amigos. Mesmo assim a nessa altura, a população branca ainda acreditava que podia ficar.
 
De qualquer modo, todos os luandenses se aperceberam do gigantesco arsenal acumulado pelos três Movimentos, não só pela dimensão e duração do tiroteio, bem como pela variedade do armamento utilizado, perfeitamente denunciado pelos sons das rajadas ou pelo rebentamento das granadas.
 
Notícia do Diário de Lisboa, sobre a Luanda de 8 de Agosto de 1975. 


A 7 de Agosto de 1975, forças do MPLA expulsaram 300 militantes da FNLA de Luanda.

ZÉ ANTUNES
 
1975

10/01/2014

LOJA DO MUSSEQUE

Na noite de 10 para 11 de Julho de 74 dão-se os primeiros incidentes violentos em Luanda.
Manuel da Silva, vivia no Bairro Popular nº 1, na rua que ia até ao mercado que existia (praça do Largo) que confrontava com o Bairro da Madame Berman. 

Ele tinha uma pequena mercearia onde vendia variadíssimos artigos tais com Roupas, Panos, candeeiros Petrómax, vendia tudo até as famosas bicicletas, as chamadas (pasteleiras).

Foto do Google

O que ele vendia mais era a cerveja Cuca e Nocal, e vinho que recebia de Portugal mas que era logo acrescentado com água, vendia milho e a farinha de mandioca ( fuba de bombom ).

Aos fins de semana, o nosso amigo Manuel, no seu quintal com um gira-disco daqueles tipo mala, a tampa era a coluna de som, punha a tocar umas merengadas e rebitas e era ver o povo feliz por estar na funguta do Kota Manuel e ele a facturar com a venda de bebidas, tabaco e comida, ele queria era ver o povo feliz e ver o kumbu a entrar na gaveta.

Todos sabiam que ele na balança da mercearia tinha um prato mais pesado, tinha no fundo um disco de chumbo com aproximadamente 200 gramas, o que cada kilo era só 800 gramas do produto pesado.

A vida sorria ao kamba Manuel, e lá ia vivendo com o seu negócio.

Mas na noite de 10 para 11 de Julho de 74 dão-se os primeiros incidentes violentos em Luanda. No musseque Rangel, às primeiras horas da madrugada de 11 de Julho, aparece o corpo de um taxista branco degolado, um grande burburinho, tiros para um lado, tiros para o outro, expulsão violenta dos comerciantes brancos, dos roubos, saques e incêndios dos seus estabelecimentos e casas.

E o kota Manuel da Silva foi apertado por aqueles que lhe queriam mal, principalmente pelo Zé Grande, que se fazia de grande avilo, mas todos sabiam que lhe queria ficar com a loja.

Mandou a mulher para casa do irmão que vivia na Vasco da Gama perto da igreja do Carmo.

Manuel da Silva foi encurralado na Loja, fechou-se a sete chaves, sem alternativa para fugir. A vizinha Maria Josefa, uma mulata toda bonita e boazona que era sua amante, pelas traseiras da loja escondeu-o em sua casa, e á noitinha vestiu o kota Manuel com os seus panos e levou-o vestido de mulher para o Bairro Popular nº 2, onde pediu ajuda a um familiar, que nessa mesma noite o levou para a baixa da cidade de Luanda, para casa do irmão.

No dia seguinte estava a embarcar para a África do Sul.

No ano de 1984 regressou definitivamente a Portugal estando a residir em Almada.


ZÉ ANTUNES

1975



19/11/2013

TORNEIO CUCA


Foi o Dr. Manuel Vinhas, grande industrial, e fundador da Companhia de Cervejas União de Angola, CUCA. Esse homem tinha uma grande visão no relacionamento das suas importantes empresas, com as populações. A Cuca e o Dr. Manuel Vinhas patrocinavam a realização do Torneio Popular de Futebol CUCA, com equipas dos vários Bairros da Cidade, que acorriam com muito entusiasmo. No final do Torneio, a CUCA oferecia um almoço a todos os atletas e Dirigentes das equipas participantes, onde havia muita confraternização. A cidade de Luanda tem uma dádiva de gratidão para com o Dr. Manuel Vinhas, pelo seu grande contributo pelo desenvolvimento industrial e social do país. Para além de fábricas de Cerveja em Luanda e no Huambo, tinha outras empresas, como a fábrica de Chapas de Zinco para cobertura de habitações e armazéns, Aviários para abastecimento de pintos aos outros aviários, etc., etc. Este benemérito merecia que o seu nome fosse dado a uma bela avenida na zona da Cuca.

Desde o ano de 1966 que estava no auge o Torneio organizado pela Companhia de Cervejas União de Angola ( CUCA ) Entre as várias equipas está o Perdidos da Bola Futebol Clube, que tinha sede no Bairro Popular e é nela que jogou o famoso Jacinto João que viria a notabilizar-se no Vitória de Setúbal.


Nos campos de distintos bairros de Luanda, a Académica Social Escola do Zangado, vencedora em 1968 do Torneio Popular Cuca, a mais importante competição extra - oficial do futebol angolano de então. Historia da Academica Social Escola do Zangado

Os 11 Perdidos da Bola, o seu maior adversário foi sempre o Escola do Zangado, de Joaquim Dinis, vulgo Man Dinas, Antoninho Parte os Cornos, Artur da Cunha, Lourenço Bento, Júlio Araújo, Firmino Dias, entre outras feras do futebol suburbano. Em 1966, durante a primeira edição do referido Torneio Cuca, em pleno campo da SIGA (Nocal), os 11 Perdidos da Bola Futebol Clube, com a sua principal estrela, Jacinto João, sucumbiu diante do Escola do Zangado, de Man Dinas, jogador que também se notabilizou no ASA e Sporting de Portugal. Porém, na época de 1972/1973, os 11 Perdidos da Bola Futebol Clube, com treinador principal Mestre Paixão da Escola Indústrial de Luanda, tal como um clarão de um relâmpago, iluminaram, se súbito, o cenário do futebol suburbano de Luanda e lançaram sobre os seus adeptos uma onda de incontornável euforia. Presença assídua no popular Torneio Cuca, o clube tinha sede no Bairro Popular e efetuava os seus jogos no campo da Fefa. 

Ao princípio, ninguém reparou na equipa dos 11 Perdidos da Bola. As melhores formações eram as do Juba, Cazenga, Escola do Zangado e Benfica de Kalumbunzi. Com o decorrer do torneio, os 11 Perdidos da Bola, desmentindo o seu próprio nome, impôs o seu futebol, demolindo tudo o que lhe apareceu pela frente. A equipa cilindrou o seu eterno rival Escola do Zangado por 3-0, não havendo reticências na vitória. Pai II, mais tarde Tozé da TAAG, com o seu fabuloso pé esquerdo, “brincou” com os defesas do Escola, marcando dois soberbos golos. André Costa, uma pérola do futebol luandense e que também despontou no Atlético e Ferroviário, ambos de Luanda, confirmando as suas qualidades de goleador, marcou o outro tento da equipa, falhando, de seguida, um lance que poderia ter aumentado o score. Eu na altura torcia pelo Benfica de Kalumbunzi, mas depois que o mestre Paixão foi para Treinador, fiquei adepto dos 11 Perdidos da Bola, e a sede era ali no Bairro Popular. Bairro onde residia.

Em 1972 o “ Andorinhas” de Benguela, ganhou o torneio CUCA a nível de Benguela e foi disputar a final do célebre torneio Cuca, em Luanda, no campo do São Paulo contra as equipas do Benfica do Kalumbunzi, Escola do Zangado e Sporting do Calomanda do Huambo. 

Recorda-se as goleadas sofridas nessa final, de 1972. O Andorinhas ganhou à Escola do Zangado por 5 - 4 através da marcação de penaltys pois o resultado final foi de 0 – 0, e na final, o Andorinhas levou uma surra do Kalumbunzi. O Andorinhas perdeu por 5-0. 

Na altura existiam equipas de vários bairros de Luanda, com destaque para os 11 Perdidos da Bola , Benfica do Kalumbunze, Benfica do Kinzau, Juba, Académica do Ambrizete, os Palmas, Bravos do Prenda, Barreirense da Barra do Dande, Cazenga, Escola do Zangado, Bangú, eram das equipas mais fortes que disputavam entre si os lugares cimeiros do torneio Cuca na altura, o grande papão era o Cazenga.

O Cazenga apresentava bons jogadores que eram quase todos oriundos das tropas Portuguesas que prestavam serviço militar em Luanda.

Nessa época a revista de cultura e espetáculos "Noite e Dia", o jornal que noticiava todas as noticias sobre o Torneio Cuca, mas mais tarde o “Província de Angola” e o “Diário de Luanda” já divulgavam também noticias sobre o evento.


ZÉ ANTUNES

1972

OPVDCA

(Organização Provincial dos Voluntários da Defesa Civil de Angola) 

Corpo de voluntários de ambos os sexos. que prestavam auxílio às Forças Armadas e garantiam a defesa civil das populações. 
A OPVDCA constituía uma organização do tipo milícia, subordinada diretamente ao governador-geral ou governador da província. 
Em 1975, na noite de 2ª para 3ª feira de Carnaval, mais precisamente no dia 10 de Fevereiro. Tinham começado as lutas sangrentas entre o MPLA e a FNLA, o recolher obrigatório, a falta de alimentos e de bens essenciais...já se faziam sentir em toda a Luanda.


Este é o recorte, de um anúncio, que foi publicada num jornal de Luanda
em 8 de maio de 1974. ( net )


Começara entretanto uma verdadeira caça às armas e instalações da OPVDCA (Organização Provincial dos Voluntários da Defesa Civil de Angola) uma espécie de guarda rural criada no início dos anos 60, já durante a guerra, e que iria ser desativada. Diariamente chegavam informações de mais uma ocupação de qualquer um aquartelamento desta organização e o apresamento do respetivo armamento. 

No Bairro Popular passou-se o mesmo e a OPVDCA, a única organização que poderia lutar, foi sumariamente desarmada pela tropa às ordens de Rosa Coutinho. O que se seguiu foi a fuga aterrorizada da população branca. 

Tratava-se duma corrida desenfreada entre os três movimentos que foi impossível travar. A Defesa Civil instalada no Bairro Popular não fugiu á regra, e foi entregue pelo seu Comandante à F.N.L.A..

Um dos dias marcantes da minha vida foi, depois da sua ocupação pelas tropas da F.N.L.A, estava um dia solarengo, fui trabalhar nessa manhã e como era habitual nos últimos tempos, vinha a casa almoçar, e depois ia beber o tradicional cafezinho ao Bar São João ( Bar do Matias ) estava a tarde toda programada, primeiro iria passar na Estrada de Catete, onde meu pai estava encarregue do Projeto da futura imprensa de Angola, na altura Boletim Oficial de Angola que tinha as suas instalações na Cidade Alta.

Preparava-me para me por a caminho, quando de repente, depois da trégua da hora do almoço como já era habitual, começaram os tiroteios intensos com morteiradas e bazucadas, o M.P.L.A. estavam a tentar desalojar a F.N.L.A. o que conseguiram, ocupando a Defesa Civil. umas das fações do M.P.L.A. instalou-se e confiscou tudo que lá estava.

Ficamos por ali no Bar do Matias enquanto o tiroteio decorria ora espaçadamente ora continuo, e sendo assim, demora-se sempre com esta indecisão se deveríamos ir embora ou não, fomos ficando e só já ao anoitecer o tiroteio acabou.

Ninguém sabe ou nunca ninguém quis divulgar quantas pessoas faleceram dentro do quartel da OPVDCA do Bairro Popular, mas dizia-se que muitas.


ZÉ ANTUNES

1975

17/10/2013

ESPLANADA BARRACUDA



A esplanada do Barracuda, a última antes da ponta da ilha e logo depois da Praia dos Russos, era o corolário de um percurso de catorze quilómetros de praias magníficas, (sete para cada lado) de apelidos sugestivos, imaginativos, folclóricos e algumas vezes mordazes. A esplanada suspendia-se sobre a praia, e abarcava não mais de dezoito a vinte mesas, rijamente disputadas pelos poucos afortunados que podiam pagar absurdamente, até para os padrões Europeus, a eficiência e um serviço de restaurante de qualidade máxima, numa cidade onde à grossa maioria faltava o mínimo. A visão deslumbrante do reflexo do Sol Africano no mar cálido, onde, não raro, se avistavam numerosas famílias de Golfinhos, convidava a mergulhos frequentes ou à contemplação entremeada de conversa fácil. As kivitas, que ficavam ali na praia, as mais bonitas mulheres de Luanda vinham à Esplanada da Barracuda banhar-se de Sol, preparando a pele para impressionar nas noites da “Discoteca do Hotel Panorama.”



Esplanada da Barracuda

Madié Joaquim Belo ( Quimbel ) era da malta UÍ, ( diziam-se não ser hippies) aqueles que se vestiam de túnica branca e tinham como lema “Make love not war” desde 1968, com as revoluções estudantis e com os festivais de Woodstock, virou anarquista. Contestavam tudo e todos, a maioria era do contra, mas com paradoxo não deixavam de viver a vida dos pais e dos amigos, foi o boom da moda hippie, e ele dedicou-se ao artesanato, que cá fora no passeio da Barracuda, de banca montada vendia as suas criações feitas de missangas e arames, bem como as roupas, com lantejoulas, aos visitantes e a muitos turistas.

Maio de 1975 dia 28, dia solarengo, com uma temperatura a rondar os trinta graus, e na minha hora de almoço sempre que podia ia até a ponta da ilha e entabulava uma conversação com o madié, Quimbel ficava deveras feliz por ter os amigos ao seu redor.

Em frente ao Barracuda existia um Largo de terra batida onde se fazia a inversão de marcha, nesse Largo existia mesmo defronte ao Barracuda um quiosque de baleizões ( sorvetes ).

Eu era amigo do Quimbel desde os tempos da Escola Indústrial de Luanda. Nesse dia fui até á ponta da ilha, e ele ao me ver aproximou-se de mim e com toda a lenga lenga, que o negócio estava mal e que estava sem comer, cravou-me logo uma vintena ( nota de vinte escudos ).

Nesse espaço de tempo aproximaram-se de nós dois elementos das FAPLAS, que integravam as tropas de intervenção, que rondavam nos carros Hanimogs , junto da tropa Portuguesa e dos outros movimentos, aproximaram-se e já vinha com ar ameaçador e exigem ao Quimbel que lhes pague um Baleizão.

“ Como é camarada!! Pagas ai um baleizão para nós” !!!!

“ Não tenho cumbú, pedia aqui ao meu avilo Banga Zé uma nota para para os morfes, e além do mais não ando a roubar” !!!

O que o Quimbel disse!!!!!!!!

Exército Angolano ( Faplas )

Os madiés das FAPLAS, ficaram furiosos, engatilharam em simultâneo as kilunzas (kalashnikov), Quimbel quando vê o aparato, quase se urina pela calças a baixo. A tropa Portuguesa que integrava essa tropa de intervenção, nem mexeram uma palha, ficaram impávidos e serenos.

Quimbel todo nervoso e cheio de medo justificou-se:

Calma meus avilos eu sou Mangolé e sou da Paz, não quero maka nenhuma, me desculpem ai então.........

Estes brancos colonialistas, pensam que ainda estão na terra deles, vêm aqui ofender, fica bem, olha que estamos de olho em ti, vais–te portar bem, senão..........te varremos com estas mesmo que estás a ver aqui ( eram as kalashnikov ).

Quimbel arrumou as suas bicuatas, que estavam na Banca em frente ao Barracuda, ainda ofereceu uns colares de missangas aos madiés das FAPLAS para eles oferecem ás namoradas, esperou por um amigo que tinha um chiante e bazou, só parou mesmo nas Ingombotas, onde residiam os pais.

Ai eu falei com os madiés das FAPLAS, desculpando o QUIMBEL.

Olha aí, o madié é nosso avilo é um pouco malaiko, não lhe vistes as farrapeiras que vestia, saiu-lhe mal a resposta que te deu, e é verdade eu lhe dei uma ventoinha para ele comer uma sandes , estaca com bué de fome.

Estamos juntos, estou um coche atrasado, vou bazar para o meu salo, ainda tenho que bumbar toda a tarde, fiquem bem.

Peguei na torraite e bazei direitinho ao Largo Serpa Pinto onde estava o meu estaminé.

Praia da Barracuda

Nessa noite no Bairro do Café no TUTTI FRUTAS, falei com o Quimbel e ele o que me disse, foi .....

Porra meu. Vi a minha vida a andar para trás , me mijei todo quando engatilharam as armas, esses FAPLAS não brincam em serviço.

Eu falei então, a partir de agora com esses madiés tem que dar a gasosa, pois aquilo lá na ilha foi para te amedrontar, para ficares com cagunfa.

Claro que o tema de conversa de toda a noite foi o Quimbel, quase se mijando todo, fartamo-nos de rir perdidamente com a situação.

Quimbel com um ar mais sério disse..........

“ Os cotas estão a pensar ir para o Puto, vou com eles não dá mais para viver aqui. Certo é que mais tarde encontrei o Quimbel em Lisboa e claro está que nos fartamos de rir com a história, os planos dele era ir com os pais para o Canadá, o que acabou por acontecer.

Até hoje fica esta recordação do Barracuda.

ZÉ ANTUNES
1975




02/07/2013

MUNDIAL DE HOQUEI EM PATINS














 

 




 
Publicidade em 1974
A realização de um Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins em terras africanas ganha agora forma, com a atribuição do Mundial 2013 à Federação Angolana de Patinagem. Será o 41º Mundial e decorrerá entre os dias 20 e 28 de Setembro.






Numa realidade completamente diferente, avizinha-se para Angola um futuro próspero, aparentando ser a par da França e da Alemanha o único país com capacidade para um sério investimento na modalidade e consequente expansão da mesma pelo globo. 39 anos depois do sonho do Mundial 1974.

Campeonato do Mundo de seniores masculinos no ano de 1974 em Luanda, que esteve inclusive na origem da construção da Cidadela Desportiva, na Cidadela ainda hoje a catedral angolana do Hóquei em Patins, onde o evento devia ser realizado, que só não foi devido às convulsões que deram origem à Independência do País, fez com que o hóquei em patins passasse a existir na altura em todos os bairros urbanos e suburbanos de Luanda.
Seria o primeiro mundial realizado em solo africano, contudo, a história política tudo alterou.

O Mundial de 1974 nesse ano mudou de sede, para Lisboa devido à situação delicada que se vivia em Angola com a revolução e todo o legado português no que diz respeito ao hóquei angolano foi praticamente aniquilado.

No ano de 2006, a cidade de Luanda foi palco na segunda quinzena de Setembro, do primeiro campeonato do mundo de clubes em hóquei em patins em seniores masculinos. Portugal esteve representado pelas equipas do Benfica e FC Porto, Espanha pelo Barcelona e Réus, Itália pelo Follonica e Bassano, Alemanha, Argentina, Brasil, e França, pelos seus respetivos campeões.
Petro de Luanda, campeão nacional, e uma formação por indicação da Federação representaram as cores do país.

Este Mundial de 2013 será o primeiro evento de grande vulto em Angola, em hóquei em patins, depois da tentativa de organizar o campeonato do mundo em 1974. Terá como palcos as cidades de Luanda e do Namibe

Na apresentação do 41º Mundial de Hóquei em Patins em Angola, foram dadas explicações sobre o ponto de situação da construção dos dois pavilhões, para o mundial em Luanda, com capacidade de doze mil espetadores, e do Namibe, para três mil espetadores.

Patrícia Lara da Costa, é par de Maria António as únicas “profissionais do apito” árbitras internacionais de Hóquei em Patins, habilitando-se a serem indicadas como uma das duplas de três árbitros que Angola pode eleger por organizar o 41º Campeonato Mundial de Hóquei de 20 a 28 de Setembro próximo.

O 41º Mundial de Hóquei em Patins contará com a anfitriã Angola, Portugal, África do Sul e Chile (Grupo C), Moçambique Itália, Estados Unidos e Colômbia (Grupo D), Espanha, Brasil, Áustria e Suíça (Grupo A), Argentina, França, Alemanha e Inglaterra (Grupo B).









ZÉ ANTUNES

2013

24/05/2013

A MARMITA ( TERMO )



Hoje estava mudando os canais na televisão, fazendo zapping para encontrar um programa de desenhos animados para minha netinha assistir, ela gosta muito do Panda e do Disney, quando repentinamente deparei com um programa de culinária, destinado às donas de casa, que estavam a ensinar a preparar marmitas, também chamados de ( termos ) e lancheiras, fiquei por alguns instantes no programa e deu-me uma vontade imensa de escrever umas simples lembranças sobre a bela época da minha juventude, quando eu ia ao Bar do Matias buscar o comer na marmita, passo a descrever a história:

As primeiras marmitas, também chamados de ( termos ) que eu ia buscar ao Bar São João, o Bar do Matias, no Largo do Bairro Popular, em Luanda, foi quando minha mãe e meu pai foram para a África do Sul, meu pai foi trabalhar com o meu tio Manuel numa empreitada de abastecimento de água potável e minha mãe para ser operada, uma pequena cirurgia.

Eu na época tinha 17 anos de idade. As marmitas ( termos ) eram de alumínio, com tês andares ( sopa, carne ou peixe e o conduto ).

Perto do meio dia, lá ia eu ou um dos meus irmãos buscar o comer, que vinha quentinho e então era só pôr no prato e começar a comer, confesso que no primeiro dia fiquei um pouco constrangido, mas com o passar dos tempos e sempre que não havia alternativas ao almoço, ou jantar, lá ia buscar o comer com a marmita. Mais tarde foi formada uma empresa “ A Paparoca “ que levava a marmita a casa dos clientes. Eu ainda hoje às vezes levo a lancheira, e sei todos os nuances de como preparar, carregar, aquecer e comer os alimentos acondicionados nos " Tupperwares ".

Vezes sem conta ficava muito envergonhado de vir com a marmita ( termo ) a descer, desde o largo, toda a Rua de Serpa até casa. Passados alguns dias deixamos de ir buscar a marmita ( termo ) e com o dinheiro que nossos pais deixavam para pagar a marmita começamos a comprar os alimentos e valha-me a minha irmã com 12 anos cozinhava para nós e era muito mais saboroso, comíamos cada pitéu que ela fazia que era de chorar por mais. Com aquela idade ela era já uma excelente cozinheira.

Até á bem pouco tempo, eram raras as pessoas, que levavam as tradicionais marmitas de alumínio para os seus empregos, pois começaram a utilizar os "Tupperwares" e depois que inventaram o tal Ticket Restaurante, a nossa tão querida marmita ( termo ) caiu no esquecimento de todos, mas presentemente nos tempos atuais só se vê pessoas levando as tradicionais lancheiras, marmitas ou os também célebres " Tupperware " com os seus almoços.


Termo de 3 andares

E ainda falam que levar marmita ( termo ) para o trabalho ou para a escola é coisa de pobre, pobre nada, a criseassim obriga, mas o mais importante é mantermos as nossas barriguinhas cheias e que se dane, todos os que criticam aqueles que levam a lancheira, quem nunca levou uma marmita ( termo ) para o trabalho ou para a escola, pois não terá uma história engraçada como esta para contar!

Bela recordação!


ZÉ ANTUNES
1972

11/05/2013

VIAGEM DE MOTO

Hoje, decorridos que são quase quarenta anos, foi em Agosto de 1973, da minha primeira viagem de moto, uma Honda 350 Scrambler, de Luanda a Nova Lisboa, vou aqui dizer como foi essa maravilhosa viagem em 1973. Comecei a trabalhar na Represental, Lda, no dia 01 de Agosto desse ano e logo nessa 6ª feira dia 03 e 2ª feira dia 06, pedi Licença para poder ir nesse fim de semana á tão desejada viagem.

Resolvemos eu e mais um grupo de avilos Jorge com a Honda 350 CB, Carlos com uma Yamaha 250, Mário com a Honda 350 CB e o Anacleto com uma TRIUMPH Trophy 650 e ainda o Victor Russo com Honda 350 CB, irmos a uma farra num fim de semana, onde estariam alguns amigos e amigas de Luanda, Nesse fim de semana 03, 04 e 05 de Agosto de 1973, também se realizavam as famosas seis horas de Nova Lisboa em Automóveis. As Garinas e outros avilos foram de automóvel, mais os pais de alguns, nós resolvemos fazer a viagem de moto. Pelos bons amigos tudo fazemos.  Lá me convenceram e fui


.
Honda CB 350 do Jorge a do Victor Russo era Verde Garrafa



Honda CB 350 do Mário

Posso dizer que, apesar da distância foi maravilhoso. Saimos de Luanda dia 03 de Agosto, pela manhã, e em Catete paramos, para tomar o matabicho numa mercearia onde trabalhava o Alfredo que tinha uma mota YAMAHA 650, que depois mais tarde vendeu ao Carlos Barbara, mais conhecido por BRONSON que morava na Rua de Serpa, matabicho degustado, motas abastecidas e ao fim da tarde chegamos ao Alto Wama. O cansaço estava a ser mais forte do que nós, resolvemos ir pernoitar á bela Cidade Teixeira da Silva ( Bailundo ), onde alguns de nós tinha-mos amigos, e em Nova Lisboa deveria estar tudo super lotado por causa do evento desportivo, que se realizava nesse fim de semana. Fomos a uma pensão, indicada pelo irmão do Gama, tendo o seu proprietário dito para estacionar-mos as motos junto das janelas dos quartos, no exterior, encostadas à parede, com os cadeados postos. A Pensão era num rés-do-chão, assim o fizemos. Após termos bebido umas cervejas, eu cansado que estava recolhi ao quarto para descansar até chegar a hora de ser servido o jantar. Deitei-me em cima da cama, e lá adormeci, só tendo acordado por volta das sete horas da manhã do dia seguinte. Dirigi-me à receção, a fim de pagar a estadia, e ao mesmo tempo tomar o pequeno-almoço. Onde já estava o pessoal, todos prontos para seguir-mos para Nova Lisboa.

Honda CB 350 Scrambler do Zé Antunes

Todavia foi-me perguntado, porque motivo não tinha comparecido para o jantar.

Tendo eu respondido, não compareci, porque vinha muito cansado e só acordei à poucos minutos, adormeci.

A viagem não terminou aqui, pelo que continuamos estrada fora em direção a Nova Lisboa. A distância no velocímetro
indicava termos percorrido 630 quilómetros. Mas, valeu a pena.



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                   Yamaha 250 do Carlos


s
Triumph trophy 650 do Anacleto

No dia 04 de Agosto lá fomos á farra, onde se dançou e se bebeu umas Cucas e Nocais, onde estivemos com as garinas de Luanda e outras de Nova Lisboa.

Dia 05 de Agosto assistimos ás corridas.


Selo de Correio alusivo ao evento ( Foto da net )




Bilhete para o ingresso das 06 H 00 de Nova Lisboa ( Foto da net )


Dormimos em Nova Lisboa e na Segunda feira de manhã, já estávamos de regresso a Luanda, nas calmas, tivemos que parar na Cela ( Waco Kungo ) pois a Yamaha do Carlos, teve uma avaria, partiu-se o cabo do acelerador, reparada a avaria, dirigimo-nos para a Gabela onde paramos para almoçar, tendo também parado no Dondo onde jantamos.



Cidade da Cela (Waco Kungo )

Chegamos a Luanda ao Posto de Combustível da Shell na Estrada de Catete o chamado 24 horas, ás 22 horas. Cansados mas felizes.

Foi a minha primeira grande viagem de moto.

Tudo o que é bom acaba depressa.

ZÉ ANTUNES

1973

28/03/2013

PÁSCOA


Páscoa é um evento religioso cristão, normalmente considerado pelas igrejas ligadas a esta corrente religiosa como a maior e a mais importante festa da Cristandade Católica. Na Páscoa os cristãos católicos celebram a Ressurreição de Jesus Cristo depois da sua morte por crucificação que teria ocorrido nesta época do ano em 30 ou 33 d. c.

Os eventos da Páscoa teriam ocorrido durante a data a em que os judeus comemoram a libertação e fuga de seu povo escravizado no Egito.

A palavra Páscoa advém, exatamente do nome em hebraico da festa judaica à qual a Páscoa católica está intimamente ligada, não só pelo sentido simbólico de “passagem”, comum às celebrações pagãs (passagem do inverno para a primavera) e judaicas (da escravatura no Egito para a liberdade na Terra prometida), mas também pela posição da Páscoa no calendário, segundo os cálculos que se indicam a seguir.

A Páscoa católica-ortodoxa celebra a ressurreição de Jesus Cristo. Depois de morrer na cruz, seu corpo foi colocado em um sepulcro, onde ali permaneceu por três dias, até sua ressurreição. É o dia santo mais importante do Catolicismo.

Muitos costumes ligados ao período pascal originam-se dos festivais pagãos da primavera. Outros vêm da celebração do Pessach, ou Passover, a Páscoa judaica, que é uma das mais importantes festas do calendário judaico, celebrada por 8 dias e onde é comemorado o êxodo dos israelitas do Egito, da escravidão para a liberdade. Um ritual de passagem, assim como a "passagem" de Cristo, da morte para a vida.

A última ceia partilhada por Jesus Cristo e seus discípulos é narrada nos Evangelhos e é considerada, geralmente, a refeição ritual que acompanha a festividade judaica, se nos ativermos à cronologia proposta pelos Evangelhos. O Evangelho de João propõe uma cronologia distinta, ao situar a morte de Cristo por altura da hecatombe dos cordeiros do Pessach. Assim, a última ceia da qual participou Jesus Cristo (segundo o Evangelho de Lucas 22:16) teria ocorrido um pouco antes desta mesma festividade.

A festa tradicional, segundo as conceções católica e ortodoxa, associa a imagem do coelho, um símbolo de fertilidade, e ovos pintados com cores brilhantes, representando a luz solar, dados como presentes. De fato, para entender o significado da Páscoa cristã atual, é necessário voltar para a Idade Média e lembrar os antigos povos pagãos europeus que, nesta época do ano, homenageavam Ostera, ou Esther – em inglês, Easter quer dizer Páscoa.

Texto baseado em diversas fontes.., da net

Das Páscoas da minha infância, no Bairro Popular, em Luanda, guardo apenas algumas recordações. Resumem-se a lembranças que envolvem atos religiosos, sei que se enfeitavam as ruas onde o Padre Costa Pereira ia com a cruz. Entrava em todas as casas que desde manhã cedo já o esperavam, com um tapete de flores à porta.  

O compasso passa, ouve-se a campainha sonante a avisar. Vem aí a Cruz, correm os donos das casas a abrir as portas!

À chegada do padre, todos diziam em uníssono:

- Aleluia, aleluia! Cristo Ressuscitado, Feliz Páscoa, aleluia, aleluia!.

À volta da sala estava a família. E o sacristão segurava orgulhosamente, a Cruz com a imagem de Cristo, engalanada com fitas coloridas. E as famílias, comovidas, beijam-na e beijam-se, trocam mimos entre si, numa alegria realmente sentida...

Em cima da mesa, sobre a toalha de linho branco, havia amêndoas e bolos, e o respetivo envelope para ajuda da paroquia. 

Enquanto a família beijava a Cruz, o Padre benzia as famílias,

Também me familiarizei com alguns costumes usuais da quadra Pascal, e que até ali pouco não me diziam respeito ou simplesmente desconhecia, como seja por exemplo a tradição da oferta das ( amêndoas ) aos afilhados. Meus irmãos tinham sempre uma prendinha dos padrinhos pois todos estavam em Luanda. O meu padrinho estava em Paris nunca o conheci, madrinha conheci mas estava na altura em Portugal.

Mas o que os Kandengues queriam depois das guloseimas, e deste ato religioso, era aproveitarem a pausa escolar para correr, brincar e jogar á bola.

A todos, uma Santa e Feliz Páscoa

ZÉ ANTUNES

2013



 

25/03/2013

FROU FROU



No ano de 1974, depois do 25 de Abril e após a saída do Parque Mayer e conseguinte retirada do teatro, Sérgio de Azevedo idealizou e concretizou, noCampo Grande, ali ao lado da Churrasqueira, o Café Concerto "Frou-Frou", foi o primeiro a ter um Bar Café Concerto, depois das revistas teatrais, quase todos os artistas se reuniam para tomar um copo, conversar e assistir aos grandes espetáculos,mais tarde considerada a melhor sala noturna da Península Ibérica , do qual empreendimento este que viria a ser espoliado.

No ano de 1976 eu e o Nelo Madruga fomos convidados para assistir a um show de fado nesta casa de espetáculos, ali para os lados do Campo Grande, de nome "Frou-Frou". e, o certo é que apesar da crise e do tempo do PREC a casa estava quase sempre cheia, tempos depois voltei lá com o Mário Dias. Muitos anos depois era ali que se realizava o Bingo do Sporting, hoje é um passeio que vai dar ao novo edifício da ZON e que dá acesso à estação do metropolitano de Campo Grande.

Aceitámos o convite e lá fomos. Para os anos 76, o "Frou-Frou" era uma casa moderna, com um palco elevatório e espetáculos para todos os gostos. Antes do fado, havia, nada mais, nada menos, do que striptease. Lembro-me de a artista austríaca entrar em palco através de uma língua gigante, que pendia numa boca que fazia parte do cenário. Do outro lado do palco havia um pénis com dois metros de altura, que servia de varão para a dança sensual.

Quando o strip acabava, as luzes eram desligadas, o aderecista retirava a boca e o pénis, e colocava duas cadeiras, para os guitarristas. Eles entravam no palco às apalpadelas para dar início à sessão da fado, que começava com as cortinas a abrir e a Fadista a cantar.

“ Crazy Horse “ produzido pelo empresário no seu café Concerto “Frou – Frou “, foi considerado o espetáculo de nu artístico mais bonito apresentado em Portugal. Integraram-no bailarinas de dez nacionalidades.

ZÉ ANTUNES

1976

16/12/2012

ANOS 1970

Não é, que agora com estes anos todos passados, e já são 37 anos , após o meu regresso de Luanda, me deu na cabeça para procurar, matérias, fotos, contactos de amigos e temáticas relacionadas com Angola e principalmente com Luanda e mais em particular as zonas por onde andei... Bairros de Luanda e seus musseques, Bairro Popular nº2, aqui mais em permanência, pois foi para esta zona que depois de sair do Bairro de São Paulo, fui viver. Enfim recordar os anos 70.

Vou tentar recolher dados de amigos , que entretanto vou tentando localizar, afim de documentar este espaço, que com garra estou a criar e tentar incluir aqui acontecimentos, fotos para que se possam recordar bons e maus momentos, trocar ideias e tudo o mais que a seu tempo se verá.

Talvez os “anos 70” tenham começado, na verdade, em 68, 69 ou até mesmo em 71. Os limites de tempo/espaço, em relação a acontecimentos históricos, não são rígidos. Os anos 60 terminaram com o “Maio de 68”, em Paris.


Movimento Estudantil Maio de 1968 - Paris
Este poderá ter sido o marco histórico que, em si, foi uma rutura e que acabou por expandir o espírito dessa mesma rutura da qual foi símbolo. Será que esta década de 70 teve início, nesse caso, com uma greve estudantil, em universidades e escolas secundárias, que alastrou a outras camadas sociais, contra o governo gaulista? Fica a questão. A maioria dos manifestantes partilhavam ideias esquerdistas, comunistas e anarquistas, com o intuito de abanar os velhos costumes da sociedade e apelar aos princípios da educação, relacionada com o sexo e o prazer. Eis o início de algo.


Led Zeppelin
No início dos anos 70, no que é conhecido como
rock progressivo. Diversos artistas se reuniram na proposta, sendo os de grande destaque Pink Floyd, com The Dark Side of the Moon, John Lennon, Genesis, Yes, Jethro Tull, Emerson, Lake & Palmer, King Crimson, Mike Oldfield, Van Der Graaf Generator, Gentle Giant, no terreno britânico. Também caíram no gosto bandas germânicas (Can, Faust, Neu!, Tangerine Dream, Amon Düül e Kraftwerk) e italianas (Le Orme, Formula Tre e Premiata Forneria Marconi). Canadá (Rush), Bélgica (Univers Zéro) e Holanda (Focus) também dão sua contribuição.



Pink Floyd,
Simultaneamente, a “Primavera de Praga”, na antiga Checoslováquia, e as suas reformas políticas acompanharam o início dos “anos 70”


Ocupação da república Checa
A 20 de Julho de 1969 Neil Amstrong pisou pela primeira vez o solo lunar. O módulo lunar da missão Apolo 11 pousou serenamente no mar da tranquilidade, tendo a bordo dois astronautas americanos, Amstrong e Aldrin. Um terceiro astronauta Collins, aguardava seus companheiros em órbita ao redor da Lua. Um pequeno passo para o Homem um gigantesco salto para a Humanidade.
A chegada do Homem à Lua, em 69, seria o impacto que abriria a porta para a missão a Marte, o computador pessoal, o videojogo e a popularização da televisão a cores.


Neil Amstrong a colocar a bandeira em solo lunar
Antes de a década chegar oficialmente e, em Agosto de 1969, houve o “Woodstock Music & Art Fair”, o festival dos 3 dias de paz e música, durante o auge da guerra fria, com uma forte presença da cultura hippie. Os moradores locais opuseram-se mas, ainda assim, “Woodstock” aconteceu, na localidade rural de Bethel, Nova Iorque.


Jimi Hendrix no Woodstock 1969


Woodstock 1969
O festival foi um marco para esta contracultura. Entusiasmou toda uma geração com sonhos e esperança no futuro da sociedade humana, mas sem esquecer maldades como a Guerra do Vietname, terminada em 1975, sob o mandato de Richard Nixon


Guerra do Vietname HelicópeterosHelicópteros
A Guerra e o escândalo “Watergate” viriam a sujar toda a sua pintura.


Watergate (Bob Haldeman, John Mardian,
Kenneth Parkinson,John Ehrlichman,
John Mitchell), Dec. 30, 1974

Nas vésperas da revolução democrática de 1974, Portugal vivia uma conjuntura bastante desfavorável. Em primeiro lugar, colocava-se a questão de uma guerra colonial prolongada e inconclusiva. A tardia e pouco eficaz abertura do sistema político promovida pelo governo de Marcelo Caetano desde 1968 e o desgaste das estruturas institucionais do Estado Novo, com um núcleo político incapaz de resolver o impasse a que o país chegara, geravam um governo caracterizado pela lenta agonia da luta pela sobrevivência, extremamente debilitado perante a comunidade internacional. Em segundo lugar, a insatisfação geral e as dificuldades económicas e sociais da população caracterizavam a realidade isolacionista de um país que se revia ainda na famosa expressão "orgulhosamente sós", comandado por uma classe dirigente dependente de valores políticos e ideológicos ultrapassados.


Cartaz do 25 de Abril 1974

A rutura foi lenta, mas foi feita. Os “anos 70” continuaram-na. Aqui, os “anos 70” começaram quando se perdeu "a inocência e a crença nos ícones e bandeiras dos anos 60” - na opinião de Fernanda Mayer, colaboradora do “Folha Online”. Ainda assim, nem toda a rutura significou corte - houve também continuação.

O feminismo, os direitos das minorias ou a luta contra o racismo subiram de tom, ininterruptamente, vindos das décadas transatas, com fortes marcas a médio prazo.


Passeata Feminina
Continuaram manifestações, mais subtis e menos ingénuas, coloridas, à medida que a experimentação da estética hippie se generalizava, mas não só. A moda hippie, das calças à boca-de-sino, roupa unissexo ou mini-saia (lançada nos “anos 60”),


Moda Hippie


Calças à boca-de-sino
Alternou com uma onda disco, e com uma outra metálica e futurista, com David Bowie e ainda com a contracorrente “punk”.


David Bowie




Puro hedonismo!!! ;)

O hedonismo ( prazer supremo ) dos festivais ao ar livre, alternativos, com flores, droga e manifestações de amor à mistura, começava a concorrer com o prazer em locais fechados, espaços de festa e de cocaína durante toda a noite, de sexo descomprometido, como só as discotecas podiam oferecer. O lado negro da noite, com os assassinos em série, florescia para caçar vítimas e vidas.


Direito à liberdade
O direito à liberdade e às alegrias simples da vida, ao som dos “Beatles” ou “Bee Gees”. Os desejos de uma ordem social hipócrita, pequeno-burguesa e injusta, substituída por uma nova, igualitária e mais verdadeira. A geração d' ”os 70’s”, que criou ruturas e continuou lutas, deixou-nos o mito do “faça você mesmo”, “seja você mesmo”, e do "constrói o mundo à tua imagem", fora do “sistema” e da sua margem. Tu és tu, simplesmente.


   Beatles                                                     Bee Gees
Talvez os “anos 70” não tenham terminado em 1979, nem tenham perdido a força do mito - levando, sim, a força da utopia.
Principais acontecimentos dos anos 70
Desporto
21 de junho de 1970 - Brasil tri-campeão do Mundo em
Futebol, competição realizada no México.

Benfica após mais uma
Taça de Portugal em 1969/70 venceu na final sobre o Sporting por 3–1

Em 1972, são realizados os Jogos Olímpicos de
Munique (República Federal da Alemanha) - O Massacre de Munique também conhecido como Tragédia de Munique teve lugar durante os Jogos Olímpicos de Verão de 1972, em Munique, quando, a 5 de Setembro, 11 membros da equipe olímpica de Israel foram tomados de reféns pelo grupo terrorista palestino denominado Setembro Negro.

Em
1972/73 o Benfica torna-se no mais perfeito campeão da história do futebol português. 28 vitórias, dois empates, zero derrotas, 101 golos marcados, apenas 13 sofridos, o primeiro campeonato invicto da história do futebol português

Em 1976, são realizados os Jogos Olímpicos de Montreal (Canadá). Carlos Lopes fica em 2º Lugar ( medalha de prata )
Ciência e Tecnologia
15 de novembro de 1971 - A Intel lança o primeiro microprocessador do mundo, o Intel 4004.

Em janeiro de 1972 é lançado o Odyssey 100, primeiro
videogame do mundo.

1975 - A missão espacial Viking I explora o planeta
Marte. A televisão em cores começa a se tornar popular no final dos anos 70.
Guerras, Golpes Militares, Revoluções e Conflitos
11 de setembro de 1973 - golpe militar no Chile, liderado pelo general Augusto Pinochet, derruba o governo de Salvador Allende.

Com derrota dos Estados Unidos, termina a
Guerra do Vietnam.

25 de abril de 1974 - Revolução dos Cravos em Portugal acaba com o regime FASCISTA que estava implantado desde 1928.

Abril de 1975 - começa a Guerra Civil no Líbano.

Abril de 1979 - Revolução Iraniana.
Política
15 de março de 1974 - O general Ernesto Geisel assume a presidência do Brasil.

9 de agosto de 1974 - Após o caso Watergate, Richard Nixon renuncia à presidência dos EUA.

15 de março de 1979 - o general João Baptista Figueiredo assume a presidência do Brasil.
Economia
1973 - Crise mundial do petróleo -
OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) aumenta o preço do barril em mais de 300%.

1973 - Início do projeto do Eurotúnel e lançamento do primeiro Airbus. Início da década de 1970 - Brasil vive a fase do "Milagre Econômico".
Música
Março de 1970 - Depois de muito sucesso, acaba a banda dos
Beatles.

16 de agosto de 1977 - Morre o rei do rock,
Elvis Presley.

Bandas de sucesso da década de 1970:

Deep Purple, Black Sabath, Rolling Stones, Led Zeppelin, Kiss, Aerosmith, AC/DC, Sex Pistols, The Clash, The Ramones, Bee Gees, Queen, Iron Maiden, The Police, Pink Floyd,
Músicos que fizeram sucesso:
Gilberto Gil, Roberto Carlos, Caetano Velos, Elis Regina, João Gilberto, Gal Costa, Tom Jobim, Erasmo Carlos, Rita Lee, Chico Buarque, Clara Nunes, Jair Rodrigues, Jorge Ben Jor, Raul Seixas, Tim Maia, Vinicius de Moraes, David Bowie, Elton John, John Travolta, Donna Summer, Elvis Presley, Rod Stewart, John Lennon, Bob Marley,
Televisão
Programas que fizeram sucesso:

Nacionais ( Zip-Zip, Domingo Desportivo, TV Rural, Espelho dos Acácios, Bom dia Domingo, Magazine 7 e Retrato de Familia,

Internacionais ( Hulk, Cyborg, As Panteras, Havai 5.0, Chico City, Vila Sésamo, Sítio do Pica-Pau-Amarelo, A Grande Família)

Desenhos que fizeram sucesso:

Speed Racer, Pica-Pau, Pernalonga, Piu-Piu, Tom e Jerry, Gaguinho, Os Herculóides, Homem Pássaro, Popeye.

1970

Zé Antunes