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17/09/2012

O GRANDE SUSTO


Um certo dia de Setembro de 1984, tem o Bruno Miguel 4 anos feitos em Abril, frequenta os tempos livres na “ Associação Pró-Infância Santo António”, ali na Almirante Reis, nos Anjos, costuma ser a mãe, o pai ou alguém delegada por nós a ir buscá-lo à escola, nessa vez foi a mãe, que o foi buscar à tardinha, encaminhando-se para o Metropolitano de Lisboa como era rotina, sem antes de ir dar um alô à loja do chinês já dentro da estação do Intendente, quando olha para o lado, pois tinha deixado a mão do Bruno livre, já não o vê. Aflita começa a chamar por ele e à procura por tudo que era canto, chama a Policia e faz a ocorrência do acontecido.

Enquanto a mãe, mais alguns populares e a Policia procuram o Bruno, este com as rotinas diárias, enquanto a mãe falava com a chinesa dona do Quiosque das flores, ele continuou o seu percurso e meteu-se dentro do comboio do metro , saindo na estação da Avenida onde morava-mos na altura.

Eu a essa hora trabalhava como part-time no Restaurante Bar o “ Galo “ no Parque Mayer, fiquei um pouco surpreendido de ver chegar o Bruno muito caladinho e sozinho e perguntei:

E a mãe onde está?

Não me respondeu, estava com ar comprometido e continuava mudo, e sentou-se dentro do balcão nos barris da cerveja e ali ficou.

Perguntei se queria comer uma sandes e beber um sumo?

Novamente não respondeu e continuou quietinho.

Não liguei, pensei a mãe deve estar ai fora a conversar com alguém.

Nesse espaço de tempo, a mãe os populares e a Policia, continuavam no Intendente à procura do Bruno, foi quando um Policia se lembrou e disse:

Não terá entrado no comboio do metro e ter ido para casa? Os miúdos agora são bastante inteligentes. Queira deus que sim disse logo a mãe e acompanhada de um Policia vieram a casa e nada, não viram o Bruno, foram ter comigo ao Bar e à entrada a mãe olha para mim a chorar e diz toda triste e desesperada:

Zé, o Bruno desapareceu!!!

Aí percebi porque é que o Bruno estava tão calado.

Olhei para a mãe e para o Policia e disse:

O Bruno está aqui. Apareceu-me aqui à meia- hora atrás e tento falar com ele e ele não diz nada, está mudo.

A mãe sorriu e o choro já foi de felicidade por estar a ver o filho

À meu malandro que deste um grande susto à mãe, e andam todas as pessoas amigas à tua procura, não voltes a fazer o que fizeste, sempre ao pé de mim ou do pai, a mãe ficou bastante preocupada.

O Policial disse que tinha que se retirar, e que dentro da situação correu tudo bem. Agradecemos pois o policia era da Esquadra dos Anjos , e lá foi ele para a sua área de serviço.

Claro que tive uma conversa com o Bruno sobre a situação, dizendo-lhe, que nunca mais se perdesse das pessoas que o iriam buscar à Escola.

Lá sorriu aliviado mas com vergonha pelo que tinha feito, nunca mais a mãe ou eu tivemos preocupações, como a que aqui narrei,


ZÉ ANTUNES

1984

30/08/2012

URGÊNCIAS HOSPITALARES



Num Sábado, de Março, ao final da tarde, minha esposa sentiu-se mal com uma forte dor no peito. Como estávamos numa festa perto do Cacém, decidimos ir às urgências do Hospital Amadora Sintra.

A nossa odisseia começou aqui:

Demos entrada nas urgências por volta das 18h30 e fomos atendidos pelo médico de serviço por volta das 23h10. Até aqui tudo bem. A triagem seleciona logo as doenças mais urgentes, etiquetando os utentes com uns autocolantes de várias cores.

Depois de observá-la, o médico pediu um raio-x ao tórax e umas análises ao sangue. Lembro-me claramente de ouvir a minha esposa perguntar se, aquela hora (23h25) o raio-x estava aberto ao que o médico respondeu afirmativamente. Passei pela receção para perguntar onde eram o raio-x e o laboratório de análises clinicas e depois de me dar as indicações que precisava a rececionista concordou comigo que era melhor fazer primeiro a recolha de sangue e só depois o raio-x, enquanto esperávamos os resultados.

Naturalmente, não me ocorreu voltar a perguntar se o raio-x estava aberto ou não, uma vez que a rececionista concordou com os meus planos. Feita a recolha de sangue, disse ao analista que íamos voltar a descer porque ainda precisava-mos de fazer um raio-x. Novamente, o analista concordou. Chegamos ao raio-x e a porta estava fechada.

Bati várias vezes sem resposta até que apareceu uma enfermeira vinda da área das urgências a dizer que o raio-x aquela hora estava fechado. Dirigi-me novamente à recepção para perguntar como é que ela não sabia que o raio-x estava encerrado. Mas o raio –x de um hospital tem que estar sempre aberto responsi eu, pois mas os radiologistas foram comer, também são filhos de Deus respondeu a enfermeira, enfim..............

Para azar nosso, o turno tinha entretanto mudado e a rececionista já não era a mesma. Mesmo assim reclamei junto da “nova” rececionista pela falta de conhecimento/profissionalismo da rececionista anterior, do médico e do analista.

Como é possivel que um médico e um técnico de laboratório de serviço nas urgências num Hospital não saibam que tipo de serviços estão disponíveis nesse mesmo Hospital. Dá a impressão que as pessoas respondem à toa, o que revela uma gritante falta de profissionalismo e consideração pelos pacientes. Nem sequer me dou ao trabalho de comentar sobre a rececionista...

Como minha esposa precisava mesmo de fazer o raio-x, lá apareceu uma funcionária que pareceu-me mal humorada lá tirou o raio x

Felizmente depois desta pequena história fomos muitíssimo bem tratados/atendidos. Demorou algum tempo (cerca de 1/2H) porque havia outros doentes à nossa frente, mas em momento algum se questionou a espera, mas que para urgências é muito tempo.

Como tudo tinha corrido tão bem até então, não poderia ficar melhor: o médico que pediu as análises ao sangue e o raio-x já se tinha ido embora e estava de serviço um outro que olhou para as análises e para o raio-x umas 3 vezes e acabou por dizer que ainda precisava duma análise a urina. Se tudo isto não fosse trágico, só poderia ser cómico.

O nosso conselho era: evitem recorrer a serviços de urgência do Hospital Amadora Sintra aos fins de Semana, mas vamos recorrer a quem? Conclusão depois de ser medicada saímos do Hospital ás 02h30 da manhã.



2010

24/07/2012

VIDA DIFICIL


Depois do 25 de Abril de 1974, a vida em Angola não foi fácil para ninguém. Houve um período em que todos os “brancos” eram considerados “persona non grata” e por isso assistiu-se ao abandono em massa de cerca de 300 mil que regressaram a Portugal e aqui foram designados por “retornados”. Também para os angolanos, aqueles dias não foram melhores, porque logo se iniciou uma feroz guerra civil entre os movimentos de libertação. Quais os cenários possíveis para os ex-combatentes angolanos que lutaram ao nosso lado? Poderiam ter sofrido as consequências por serem considerados traidores; poderiam ter sido “recrutados” pelos movimentos ou fugido à guerra que assolou o país. Não sei o que lhes aconteceu, mas certamente a vida não foi fácil para eles. O auge desta guerra entre o MPLA e a UNITA, viveu-se depois das primeiras eleições que decorreram em 29 e 30 de Setembro de 1992.



Cidade do Kuito ( antiga Silva Porto )

Durante 10 meses, de Janeiro a Outubro de 1993, a cidade de Kuito (antiga Silva Porto) foi cercada e bombardeada pela Unita que a tomou de assalto. Os mortos foram cerca de 45 mil e mais de 50 mil feridos. Do que foi esta batalha, aqui se transcreve um relato:



Cidade do Kuito ( antiga Silva Porto )



Particularmente grave era a situação na cidade do Kuito, cercada pela UNITA. A população estava submetida a bombardeamentos diários, desde o início do ano. Chegavam-me relatos dramáticos, através de esporádicas comunicações via rádio, dando conta de toda a sorte de privações na capital biena, onde cadáveres, abandonados nas ruas, eram devorados por cães esfaimados. Não havia uma única casa de pé. Os habitantes, com medo dos bombardeamentos e dos tiros, escondiam-se entre as ruínas, deixando muitos mortos por enterrar. Só dali saíam para procurarem alguma coisa para comerem, como ratos, lagartos, raízes e folhas de arbustos, enfim, tudo o que encontrassem. Quando esta fonte se esgotou, começaram a alimentar-se dos cães que comiam os cadáveres humanos!
Testemunho de grandes amigos que desde mais ao menos 1993 deixei de ter os seus contactos. O Zé Manel era natural do Cuando-Cubango (Menongue antiga Serpa Pinto) o Tomás do Bié (Kuito antiga Silva Porto), zonas onde a guerra civil foi muito intensa e por isso receio muito pelo que eventualmente lhes possa ter acontecido. O Nené, era natural de Namibe (antiga Moçamedes), uma zona onde a guerra foi mais “suave”. Conheci-os em ( Bailundo antiga Vila Teixeira da Silva) no Monte Belo na estrada que ia para o Kuito. A estes três companheiros, grandes avilos em qualquer lugar onde estejam, presto a minha homenagem. Se forem vivos, terão cerca de 70 anos, “muito velhos”, para um país onde a esperança média de vida é de apenas 42,7 anos.

ZÉ ANTUNES
1993.
Testemunho de Manuel Serrote ( Néné )

20/07/2012

HOSPITAL


O Hospital de Santa Cruz, que comemorou em 2005 o seu 25.º aniversário, iniciou a sua actividade a 23 de Abril de 1980, nas instalações de uma clínica privada criada nos anos 60 e que se encontrava desactivada na sequência do 25 de Abril de 1974. O projecto que esteve na sua origem era o de colmatar as carências que se faziam sentir em Portugal, nessa época, em termos de procedimentos altamente diferenciados nas áreas da cirurgia cardíaca e da nefrologia, situações em que era frequentemente necessário recorrer ao estrangeiro.Foi lá que fiz as cirurgias ásd minhas hénias inguinais.
                        Hospital de Santa Cruz em Carnaxide

As hérnias mais frequentes são as congénitas, produzidas por uma debilidade da parede abdominal possam surgir posteriormente devido a uma esforço excessivo, vómitos, esforço para tossir ou prisão de ventre.

O inchaço pode inclusive estender-se até à zona do saco escrotal. O diagnóstico de uma hérnia não deve suscitar receio porque, embora seja preciso operá-la, a sua detecção precoce é fundamental para combatê-la.



As causas
A hérnia inguinal surge na maioria dos casos quando o canal inguinal não se fecha completamente.

Diagnóstico precoce

Quando a hérnia é detectada tem indicação para ser feita uma cirurgia, para que a parte do intestino que provoca a hérnia seja recolocada na cavidade abdominal e o orifício por onde passava seja encerrado. A sua urgência dependerá do tamanho, características e evolução.

Uma hérnia inguinal é um problema frequente

A cirurgia

Regra geral o doente não fica hospitalizado mais do que umas horas, podendo regressar a casa no próprio dia. O facto de o doente necessitar de realizar uma intervenção cirúrgica após o diagnóstico, é muitas vezes causa de alarme, fica-se aterrorizados com a ideia de ter de se submeter a uma cirurgia. No entanto, estas intervenções são praticadas sem o menor risco, mesmo nos mais pequenos. A cirurgia - clássica ou laparoscópica - é a melhor solução para erradicar a hérnia, uma vez que esta tende a aumentar com o passar do tempo, podendo ocasionar consequências graves.

Na 5ª feira dia 07 de Outubro de 2010 fui submetido a uma Cirurgia de Ambulatório a uma Hérnia Inguinal (acho que é assim) do lado esquerdo ás partes moles, e tenho curiosidade em saber se a recuperação é morosa? dolorosa? Quanto tempo até poder andar de novo de bicicleta?

São questões que coloquei ao médico naquela 5ª feira. Recuperação após cirurgia a Hérnia Inguinal. Conselhos do meu médico!

Os primeiros dias são um pouco dolorosos! Na casa de banho então... ui ui... Se tiveres muitas dores, toma paracetamol.

Força!! Daqui a algum tempo já nem te lembras disto!!!

Na primeira semana, deveras passar grande parte do tempo deitado, sem esforços. No entanto, umas pequenas voltas a pé, dentro de casa, ajudam muito. Cuidado para não te constipares. Espirros e tosse nesta altura são uma desgraça!

À medida que vais recuperando, vai aumentando um pouco as voltas a pé. Na segunda semana já te vais sentir melhor. Embora te sintas com vontade de sair, não o faças pois, o risco de algo acontecer fora de casa que te obrigue a um esforço mais intenso pode ser prejudicial.

Começas a fazer a tua vida normal, no final da terceira semana. Na quarta, começas com as tuas voltinhas de bicicleta mas, só em estrada plana. O risco aqui são as quedas que podem comprometer a recuperação.

A partir daqui , é sempre a evoluir e, ao final de dois meses, voltas aos montes!

A partir dos 2-3 meses começas a fazer uns abdominais de forma consistente e evolutiva para fortalecer essa zona. O meu médico sempre me disse que, antes de 3 meses, não deveria fazer nenhum esforço!

Sempre me surpreendeu que jogadores da bola (Pedro Barbosa, Nuno Gomes, Nani, etc) operados a hérnias inguinais, uma semana depois, já tinham voltado aos treinos!!!!

Em relação aos futebolistas e outros desportistas de alta competição, realmente não sei como são operados ou como recuperam, mas a verdade é tal como se diz, com maior ou menor sacrifício 3 ou 4 semanas depois estão como novos.

Curiosamente na 5ª Feira dia 29 de Setembro de 2011, fui submetido a nova cirurgia de ambulatório, desta vez a hérnia inguinal do lado direito das partes moles, estou já bem elucidado de tudo que me possa acontecer e estou confiante.

Na entrevista preliminar com a médica anestesista e com o medico cirurgião foi dito que já estava elucidado pois era igual a primeira cirurgia que tinha feito, mas mesmo assim foi-me dito tudo como se fosse a primeira vez.

De ressalvar que praticamente a equipa que me operou na 1ª vez foi a mesma da 2ª vez só mudando o médico cirugião, na altura João Granho e agora Paula Magro

Recepcionista Célia santos , cirurgia ambulatória: Enf. Fátima, Susana e auxiliar Manuela Zorro, bloco operatório: Paula Magro, João, Cristina e anestesista Vitória no recobro, Enf. Hugo, Iracema e auxiliar Felicidade. Cirurgia decorreu bem e desta vez a anestesia foi Raqui ( Raquidiana ) com histórias contadas por alguns dos intervenientes fui para casa para recuperação desta 2ª cirúrgia.Regressei dia 14 de Outubro para retirar os pontos, estando marcada uma consulta para dia 13 de Dezembro. Agora só me resta ir recuperando.



ZÉ ANTUNES

2011

17/07/2012

TABACO


Na altura a FTU fabricava a saber: AC, LUANDA, INFANTE, EMBAIXADOR(estes com filtro) MARINA E SWING sem filtro e para vender avulso tinha CARICOCOS e NEGRITOS, pelo menos destes eu ainda me lembro.
O  swing era sem filtro e maço era branco com um par de dançarinos estampados, depois também havia o BAIA e o AC, e havia o DELTA o BELMAR, o MC. E o  365, e outros. Vou contar-vos que quando apareceu à venda o BAIA, por volta de 1972/1973 logo as letras foram, conotadas como B= boa A= altura I= independência A= Angola e o MC quando o Marcelo Caetano chegou ao poder MC= Marcelo Caetano, Rodava-se o maço de cigarros aparecia MC na outra face MC=merda continua.   
Meus amigos fumavam e eu achava que era bom acender o cigarro e soltar aquelas baforadas, com ar de gente grande.
Naquela época havia muita publicidade de cigarro na rádio e no  cinema, o que estimulava muito os jovens a se iniciar neste vício.
Um dia, sozinho, em casa, sem nada para fazer, tinha um cigarro e experimentei. Não gostei confesso, detestei. Mais tarde voltei a experimentar e até comecei a descobrir-lhe um certo prazer. Um prazer solitário (isto não soa lá muito bem), um momento para mim, adorava o sabor do cigarro depois do jantar, à noite, à janela, a ouvir e sentir o pulsar da cidade, no escuro total, a ver o fumo do cigarro a dançar à minha frente. Durante anos o tabaco era apenas isso, um prazer solitário, localizado no tempo e no espaço. Era apenas isso. Comecei a fumar sempre às escondidas. Durante anos mantive este hábito, estes momentos de solidão ou acompanhado, mas momentos localizados, e esporádicos. era o prazer do fumo, foi a altura em que tive a melhor relação com o tabaco. Comecei a fumar mais quando fui estudar para a Escola Industrial, tinha já 16 anos, a partir desse momento nunca mais deixei de comprar cigarros, mas mesmo assim o tabaco ainda era um hábito, não um vício, fumava nos momentos que tinha anteriormente, e fumava na escola,  no café em frente com um café, pouca coisa
Comecei a fumar aos 11/12 anos. No início eram barbas de milho seco e um cigarrito pedido aos amigos, depois comecei a ir a pé para a escola e gastava o dinheiro do maximbombo 22  nos cigarros, comecei a trabalhar e «já tinha dinheiro para o vício. Há 40 anos atrás, ainda jovem, a trabalhar num mundo de adultos, fumar «era um sinal de afirmação e de machismo.

Aos 40 anos fumava dois maços por dia. Ainda solteiro e em noitadas de fim-de-semana fumava ainda mais. A seguir ao almoço, enquanto sentia o sabor do café, fumava quatro ou cinco cigarros seguidos. Fumava compulsivamente, sem parar.
Um dia, no final da festa de Natal, em Guimarães. e ao deslocar-me para Lisboa, senti-me completamente intoxicado. Comecei então a mentalizar-me que tinha de parar e deixar de fumar, e decidi: Não fumo mais. E assim foi.
Não bati com a cabeça na parede,  engordei, limitei-me a fazer algum exercício físico. 10 anos depois de ter acabado com o tabaco não tenho dúvidas: Ganhei saúde.

 
Fumar é uma escolha! Um vício! Um prazer!
Para quem não fuma e é alérgico ao tabaco, é um verdadeiro suplício.
Para quem já fumou, sabe que tal acto é um verdadeiro prazer.
Para quem está entre as dez e as onze, tanto pode lidar com gregos como com troianos.

Se é certo que o tabaco incomoda, também o é saber que o fumador é tratado como um proscrito.
Convenhamos no entanto que é tão mau, para quem não fuma estar ao lado dum tabagista, como para quem fuma estar ao lado dalguém que nem lhe suporta o cheiro.

É que, é muito fácil estar do lado do contra, seja ele qual for, só que o nosso egoísmo apenas nos faz olhar para as nossas opções.
Eu, que já fumador fui, ainda hoje tenho alguma saudade  dumas boas fumaças. Assim a saúde o aconselhasse e o medo de males maiores no ar não pairasse.
O que faz mal não é fumar, o que faz mal é o exagero!
Parafraseando um amigo, dizia-me ele – eu vou morrer doente e tu vais morrer com saúde. Assim fosse! Tão simples como isto!

Já tinha deixado em 1976, mas foi sol de pouca dura pois no baptizado do meu afilhado Ricardo em 1977, depois de uns valentes copos, para a brincadeira fumei um charuto, no outro dia estava a comprar um maço de SG gigante que era o tabaco que fumava antes, outra vez depois de estar doente em 1994 deixei de fumar mas retomei em 1999, deixando definitivamente no natal de 2003.
Na qualidade de ex-fumador posso dizer que foi a melhor opção que tomei nos últimos dez anos (quase, faltam 6 meses para fazer dez anos). O tabaco estava a prejudicar a minha saúde. Foi uma decisão difícil, adiada várias vezes, mas finalmente "deu-se o clic" - como costumo dizer - e deixei!
Nunca me senti tão tranquilo em relação ao cigarro. Parece que toda a memória da nicotina desapareceu. A ansiedade, o medo de não resistir a determinados ambientes e situações...
Hoje, posso dizer com firmeza que nunca estive tão distante do cigarro. Excepto, é claro, antes de fumar o primeiro, há muitos anos.
Estou-me sentindo poderoso em relação à minha vontade. Como se nada pudesse abalar minha determinação de não fumar. Para ser sincero, o cigarro me é absolutamente indiferente.

Caramba, não fumo um cigarro há dez anos... Ou seja, está na hora de tomar cuidado, muito cuidado.
Mas, por enquanto, deixem eu curtir meu barquinho navegando nas águas mais calmas do mundo. É muito bom me sentir livre.

Conheço algumas pessoas que na mesma situação ficam absolutamente insuportáveis tornam-se antitabagistas ferrenhos (e incomodativas!!!)
Não sei porquê  talvez porque sou, por natureza, tolerante, não me incomoda minimamente que fumem ao pé de mim.
De qualquer modo compreendo que possa ser muito desagradável, para quem não fuma, ter que suportar o fumo do tabaco. O fumo não só me incomoda pelo cheiro mas provoca-me logo uma falta de ar. 
Mas... se vamos a falar de direitos... penso que os direitos são iguais, e a convivência tem que ser feita na base da compreensão e da boa educação.
E que não se esqueçam, os não fumadores, que não é fácil deixar de fumar; pelo contrário, é muito, muito difícil. Eu ainda hoje fumo em sonhos ;)))))))))))))
Parar de fumar é o sonho da maioria absoluta dos fumadores. Essa mesma maioria, acham que é uma empreitada super difícil ficar um só dia sem fumar. Esse medo é que impede que os fumadores  dê o primeiro passo.
Depois de superado esse medo e dado o primeiro passo, vem o primeiro dia sem fumar, o segundo, o terceiro... uma semana! Agora é só alegria, euforia, comemoração, nesse momento o fumador percebe que consegue viver sem cigarros.


O que mais motiva os ex-fumadores  a se manterem sem fumar são os elogios, as felicitações da família e amigos, só que depois de algum tempo as pessoas tendem a diminuir os elogios,  as pessoas que antes te felicitavam, admiravam, agora já se acostumaram contigo sem fumar e parecem ter "esquecido" que tu ainda está a esforçar-te enormemente para te manteres  sem fumar.

                Meu ultimo maço de cigarros                      

16/07/2012

CHIADO

                                                        Estátua de Fernando Pessoa no Café a Brasileira




Percorri anos a fio a Avenida da Liberdade, em Lisboa!

Nos anos quentes da «revolução dos cravos», no tempo do PREC, morava na Avenida da Liberdade, junto ao Parque Mayer e fazia sempre o mesmo trajeto, Parque Mayer, Largo dos Restauradores, Largo do Rossio… Era por ali que ia à procura dos avilos do Bairro Popular nº 2 e de uma maneira geral de Angola, à procura de informação da «nossa terra», da Luanda onde tivera que deixar a «alma», o pensamento, parte da (minha) história da minha juventude… Depois fui colocado em Santa Apolónia, nos Caminhos de Ferro Portugueses, onde ainda estou á 30 anos. No tempo em que se interrompia o trabalho durante duas horas para o… almoço! Tempo para ir ao Rossio, almoçar na Mó ou noutro qualquer Restaurante previamente selecionado, tomar um café no Pic-Pic, ir ao fim da tarde, ao Leão D`Ouro, ao Bessa, ao Zé da Adega do Rossio, beber um copo e estar na cavaqueira com os avilos de Angola…

Foi quando numa noite de fados e vindo do Bairro Alto para a estação do Rossio, que contemplei o incêndio que permitiu mais tarde a remodelação e reconstrução da nova «face» da zona do Chiado… Na década de 1980, devido à mudança nos hábitos dos Lisboetas e à inauguração do centro comercial Amoreiras, o Chiado ficou decadente. Em
1988, na madrugada do dia 25 de Agosto, entre as 3 e as 4 da manhã, deflagrou um incêndio nos edifícios Grandela, que viria a tomar grandes proporções alastrando-se a mais dezassete edifícios. Os carros de bombeiro não conseguiram entrar na rua do Carmo, reservada aos peões cuja obra polémica se deve ao mandato executivo de Nuno Abecassis, o então presidente da Câmara Municipal de Lisboa, tendo o fogo propagado rapidamente aos edifícios contíguos à Rua Garrett. O Chiado ficou destruído e a sua reconstrução levou toda a década de 1990, ficando o design a cargo do arquiteto Álvaro Siza Vieira.

Gosto particularmente dessa zona de Lisboa! O Chiado é um dos bairros mais emblemáticos e tradicionais da cidade de Lisboa. Localiza-se entre o Bairro Alto e a Baixa Pombalina. Em 1856, com a criação do grémio literário, um clube dos intelectuais da época, o Chiado tornou-se o centro do Romantismo Português, ponto de passagem obrigatório para quem queria ser conhecido na cidade. O escritor Eça de Queiroz na sua obra "Os Maias" fazia grande referência ao Chiado e ao Grémio literário. O Chiado divide-se pelas freguesias do Sacramento e dos Mártires, duas das mais pequenas de Lisboa. Hoje o Chiado voltou a ser um importante centro de
comércio de Lisboa, sendo uma das zonas mais cosmopolitas e movimentadas da Capital Portuguesa.

Não imaginei que, tantos anos mais tarde, o Chiado voltasse a ter tanto significado para mim. Por uma razão quase sem importância, no mundo em que vivemos, cheia de notícias, de acontecimentos, de manifestações culturais (e das «outras» também…). “Fui ao Chiado, num dia do ano de 2008, ao entardecer, sentir o coração de Lisboa, e ver a apresentação do novíssimo Fiat 500 no Largo Luis de Camões “ Depois, alegria das alegrias, jantámos na Trindade, o bife à moda da casa, em alternativa à Tasca aonde nos dirigimos, no Bairro Alto, que estava a abarrotar, com gente à espera, eu, a minha mulher e o meu filho, o que já não acontecia há tanto, tanto tempo...

Quando em vez vou ao Chiado para viver assim momentos de felicidade, seja o pretexto de algum evento, seja tomar um café com um amigo, seja para revisitar a história, seja para voltar a jantar com quem amo tanto…


Zé antunes

GAMBUZINOS



Em Luanda havia alguns adeptos de uma caçada que era organizada para rececionar os recém chegados da Metrópole chamada caçada aos gambuzinos. Um grupo de brincalhões convencia a vítima a participar dessa caçada que teria que ser no período noturno

Afinal o que são gambuzinos ?. Alguém já os viu

Gambuzinos não existem sendo, portanto, seres imaginários. Os convidados em participar dessa caçada eram normalmente pessoas ingénuas, a vítima era levada para um lugar ermo, longe de áreas povoadas normalmente na Estrada do Golfo e convidada a bater em uma lata, cujos batimentos ouvidos pelos gambuzinos, eram atraídos para aquele local. A vítima destas brincadeiras era convencida de que a turma munida com sacos e estrategicamente escondida capturavam esses seres. Na verdade nós regressávamos para o Bairro e o desgraçado cansado de tanto bater na lata quando se apercebia que tinha sido ludibriado com uma brincadeira, parava de tocar regressando ao Bairro ou então era recolhido após algum tempo pelos próprios amigos.

Pois meus amigos, fui muitas vezes ao "Panguila" caçá-los, juntamente com outros "Mávilos" Luandenses e não fazem ideia a loucura de sabor, que esses petiscos têm?!! E que Saudades meu Deus! Então "grelhados" na brasa e acompanhados de Cacusso com feijão de óleo de palma...MEU DEUS, não vos digo nada!

Mas...não é com o bater de latas que se caçam?!!! Quem é que vos disse isso, enganaram-vos! Eles são bons, muito saborosos mesmo, quando são apanhados junto ao rio...no escuro e em silêncio!! Leva-se um saco de mateba, com um "rabo de junco" lá dentro, preso por uma patita; Abre-se o mesmo e coloca-se perto do rio...Afastamo-nos para uma distância cerca de 10 / 15 metros. Depois, muito devagarinho, cantamos uma das músicas do Elias Diá Kimuezo e, simultaneamente, rezámos 2 avé-marias à Nª. Srª. da Muxima. ÉH!! Vais vê-los...a entrar no saco, às centenas!! É claro que depois temos que separá-los e selecioná-los! Os que têm o ventre amarelo, são altamente, venenosos; os de barriga vermelha, fazem mal aos intestinos mas não matam um gajo....Mas, aqueles que têm o bucho AZULADO! Porra...não vos digo nada!! Uma loucura! Nem churrasco, nem mesmo o leitão, sabem assim tão bem!
Uma vez, eu, e um grupo de 6 avilos, comemos cerca de 150 Gambuzinos (cada um), bem tostadinhos, assados por aquelas "aleijadinhas" (irmãs gêmeas) do BÊ-Ó, que acompanhamos com um Palheto (Banga-Sumo), comprado na tasca do "Campinos"...que só Deus é que sabe?!! Gambuzinos daqueles nunca mais encontrei nenhum! Um dia, disseram-me que num restaurante da Costa da Caparica, havia-os lá e muito bons. Fui, mais uns "Deguebos"...porra, nada que se parece! Já estavam todos queimados do gelo....eram provenientes de
Moçambique...Grande M…..!!!

Mas...se estiverem interessados, tenho aqui um amigo que trabalha na Judite, um Inspetor-Chefe, que costuma ir a Angola, dar instruções à DISA e o fulano, se eu lhe pedir, com toda a certeza trás-me aí cerca de 10 kilos...só que temos que depositar já cerca de 100 euros...se quiserem, podem enviá-lo pelo correio, que dentro de 15 a 20 dias...estão cá e...fresquinhos.



PS:
Aguardo o dinheiro. Não se esqueçam???

09/07/2012

BENFICA

Sport Lisboa e Benfica é um clube multidesportivo sediado em Lisboa. O seu eclectismo, historial e forte base de adeptos fazem do Benfica um dos maiores clubes de Portugal e um dos mais prestigiados a nível mundial, tal como os outros clubes portugueses pertencentes aos "três grandes". As estimativas em relação ao número de adeptos apontam para cerca de 14 milhões espalhados por todo o mundo. Segundo o Guiness, o Benfica é o clube do mundo com mais sócios activos, cerca de 160.000, na altura, atingindo agora os 230.000 sócios. Foi considerado pela IFFHS como o nono melhor clube do século XX[ Além do futebol, este clube distingue-se também noutras modalidades. Utiliza como cores principais o vermelho e o branco e como símbolo uma águia, chamada Vitória.
Em 28 de Fevereiro de 1904, um grupo de ex-alunos da Real Casa Pia de Lisboa (24 elementos de onde se destacava a figura de Cosme Damião), criou, nas traseiras da Farmácia Franco, na zona de Belém, o Sport Lisboa (com uma única secção, a de futebol). Nessa reunião histórica, ficou definido que o novo clube jogaria de vermelho e branco e que teria no emblema uma águia e o mote          "E Pluribus Unum".
O primeiro campo de jogos foi na Quinta da Feiteira, mas os tempos eram difíceis. Devido a problemas financeiros, vários jogadores da primeira equipa abandonaram o Benfica para o mais abastado Sporting,  o que contribuiu para a fusão do Sport Lisboa com o Grupo Sport Benfica (que tinha como prática o Ciclismo), levando à origem do actual emblema (com a introdução da roda de bicicleta) e o nome definitivo: Sport Lisboa e Benfica, na data de 1908, a real data de fundação do Clube.
Contudo, as dificuldades mantêm-se. Nestes primeiros tempos, o Benfica salta de campo em campo. Em 1913 muda-se para Sete Rios, mas devido à elevada renda, quatro anos depois o clube vê-se obrigado a mudar para o campo de Benfica, onde em 1919 efectua, pela 1ª vez em toda a península ibérica, jogos nocturnos. Em 1925 o Benfica compra uns terrenos nas Amoreiras e fica pela 1ª vez proprietário de um estádio, com capacidade para 15.000 espectadores. É neste estádio que o Benfica conquista os primeiros títulos nacionais.
O número, a 30 de Dezembro de 2006, oficial de sócios pagantes era de 161.410, o que faz actualmente do clube o maior do mundo nesta área. Neste dia, o clube entrou para o Livro Guiness dos Recordes pelo feito alcançado.
Nasci de uma família benfiquista, tanto da parte do pai como da parte da mãe, da parte da mãe só o meu tio José Martins defendia dois clubes o Torreense e o Sporting, a irmã do meu pai a  Esperança benfiquista, mas o marido o André do Patrocínio,  Portista dos sete costados. Minha tia Algiza Branca benfiquista ferrenha, pagava as cotas a alguns  sobrinhos, a saber Paulo, Mónica,  Zé Manel e Pedro, solteirona, pois o primeiro e único namorado que teve quando se confessou Sportinguista foi corrido por ela e nunca mais apareceu, faleceu solteira.
Dos meus irmãos e ficariam todos benfiquistas de não fossem as brincadeiras de garotos nos jogos de futebol de mesa com caricas e com as caras de jogadores, para cada um ter a sua equipa, o Fernando escolheu o Sporting e é sportinguista até hoje e o Victor que ficou com o Porto e é portista também até  aos dias de hoje.
Nesta época nos anos 50, o Benfica estava no topo tinha vencido em 1950 a Taça Latina frente ao Bordeus de França após prolongamento 3-3 no tempo útil de jogo 2-1 no prolongamento, A Copa Latina ou Taça Latina foi uma competição realizada entre 1949 a 1957 por clubes da França, Itália, Espanha e Portugal. Durante o início dos anos cinquenta, a Copa Latina foi um dos mais importantes torneios europeus, organizado pelas respectivas federações. Esta taça nunca teve o reconhecimento oficial da FIFA, por não se respeitarem as regras de jogo, assim como nunca foi incluída em alguma base de dados estatística do organismo máximo do futebol mundial.
A 15 Junho de 1953, uma grande romaria em Carnide, com uma multidão entusiasta e vibrante a festejar o princípio das obras no estádio do Benfica, e começou ai a construção do Estádio da Luz. Em 1954 esse ano particularmente importante para o Benfica termina com a inauguração do Estádio da Luz, também conhecido por Estádio de Carnide. Foi 1 de Dezembro de 1954 e ficaria como a grande vitória do presidente Joaquim Bogalho, o «homem do estádio», cuja força de vontade bastaria para consumar um sonho. A 9 de  Junho de 1958, inauguração da iluminação no Estádio da Luz.  
Nessa época dos anos 60  quase todos eram do Benfica,  clube que recebia dinheiro do seu presidente Mauricio Vieira de Brito que tinha grandes investimentos em Angola na área do café e do algodão. Meu pai torcia pelo Mirandela sua terra natal mas como  veio novo para Lisboa e foi morar antes de ir para Angola no Poço do Bispo, ai ficou do Benfica, onde conheceu o José Macedo Vitorino Encarregado Geral da Empresa SONEFE  que o haveria de levar para Angola, para a Barragem de Cambambe no Alto Dondo,   e diz a família,  que acompanhava a minha tia Branca ferrenha do Benfica desde sempre e que morava na Rua Castilho e era empregada do Comendador para o Ultramar “ Dr. Lopes Alves” e que lhes arranjavam bilhetes para assistirem aos jogos no Campo da serração no Lumiar que era propriedade do Sporting  onde o Benfica  estava antes de se mudar para o novíssimo  Estádio da Luz.
No ano seguinte nasci eu, e o meu pai embarcou para Angola, quando da minha vinda a Portugal em 1970, minha tia branca ofereceu ao Benfica a campanha do azuleijo em que inscreveu o nome de toda a família (Manuel, Esperança, Madalena, Júlio, Algiza Branca e Delmar) e ofertou a quantia de 5.000$00 que na época era muito dinheiro. Da família da minha esposa também são todos benfiquistas, eu sou sócio à mais de 25 anos e recebi já o emblema de prata. E a  geração futura meu filho é sócio do Benfica á mais de 25 anos também com emblema de prata, e a minha netinha Beatriz também já é sócia do Glorioso. Desde Outubro de 2010.
Na década de 60 foram as Taças dos Campeões europeus O domínio do Real Madrid chega ao fim através de seu maior rival doméstico, o Barcelona, na primeira fase do torneio de 1961. O Barcelona foi até à final nesse ano no Wankdorf Stadion em Berna, na Suíça, onde foi derrotado pelo Benfica. O Benfica, capitaneado pelo avançado José Águas, tendo como líder no meio-campo Mário Coluna de Moçambique, que juntamente com Eusébio, na época seguinte, defenderam o troféu vencendo o Real Madrid 5x3 na final no Olympisch Stadion, Amsterdão, Países Baixos, num dos jogos mais incríveis da história da Champions League; O Benfica, vindo de Portugal, país que ainda possuía à data uma vasta população devido às suas possessões coloniais, conseguiu surpreender o Mundo numa fantástica corrida ao título de campeão Europeu de clubes e tornou-se num dos 11 clubes lendários classificados pela FIFA.
O Benfica chega então à sua terceira final consecutiva em 1963, mas desta vez perde a primeira de duas finais para o Milan. Esta grandiosidade do Benfica evoluiu o futebol interno em Portugal, dando assim a selecção Portuguesa condições de chegar ao terceiro lugar na Copa do Mundo composta toda pelos carismáticos jogadores do plantel do Benfica, alguns nascidos nas colónias portuguesas, que vieram a fazer parte da equipe titular no Mundial de 66… Mas quem dava nas vistas nos anos seguintes era o rival de Milão, Internazionale que venceria o troféu em 1964 e 1965 ganhando ao Real Madrid e ao Benfica, respetivamente. A semifinal de 1965 foi memorável devido a controvérsia entre a Inter de Milão  e o Liverpool, que resultou em alegados subornos e o resultado combinado para a equipe italiana que a jogar em San Siro venceu por 3 a 0.
Esta era foi terminada pelo Real Madrid, que desta vez levou a melhor sobre a Inter na semifinal de 1966. O outro finalista foi o Partizan Belgrado que saiu derrotado por 2-1 no estádio Rei Baudouin, em Bruxelas. O Real conquista assim a sua sexta final da Taça dos Campeões, da qual apenas Paco Gento jogou todas as finais.
Um ano depois, o Manchester United  tornou-se a primeira equipa da Inglaterra a vencer a competição, batendo o Benfica por 4 a 1 no prolongamento no Estádio de Wembley, em Londres, Inglaterra. Esse jogo foi incrivelmente equilibrado e apesar do Manchester ter feito três golos no tempo extra, o Benfica poderia ter ganho o jogo no tempo normal quando o extraordinário Eusébio da Silva Ferreira perdeu uma chance fácil nos segundos finais. Jogo relatado na Emissora Nacional pelo falecido radialista Artur Agostinho. Ai vi meu pai a chorar por esta final perdida,  chorou ele e chorou o nosso vizinho o Sr, Mário Mota, que ainda hoje é vivo e  adepto do Glorioso.
Meu pai não ia muito a manifestações desportivas, lembro-me de irmos ao Estádio dos Coqueiros para ai no ano de 1968 a quando de um sarau desportivo da escola onde atuei,  todo fardado de branco com os famosos ténis da Fábrica da Macambira, e com bandeirinhas, fazíamos várias figuras todos conjugados e alinhados,  assistindo depois ao jogo da seleção de Luanda – Seleção de Cabinda em futebol de 11 e onde o meu irmão Victor disse a  celebre frase  “ o que vale é a bola ser redonda,  olha se fosse quadrada”. Ainda assistiu a 10 de Agosto 1969 ao jogo Benfica Sporting, que para mal o Benfica perdeu com o Sporting por 5 - 2, mais tarde em 1973 e a convite do Sr. Figueiredo padrinho do meu irmão Fernando, fui com meu pai e com o Sr. Manuel Resende e outras pessoas  assistir nos Coqueiros  ao jogo do torneio Tap entre o Benfica e o América do Brasil, resultado final 1-0 o  Benfica perdeu,  tendo o América ganho o troféu.
BENFICA CAMPEÃO 2009/2010
São 32 os campeonatos ganhos pelo SLB, mais que qualquer outra equipe portuguesa. O Benfica será sempre uma referência do futebol nacional pois foi, é e será sempre o Maior queiram ou não os que tudo fazem para denegrir as vitórias aquém e além fronteiras que o meu clube alcançou durante tantos anos. O Benfica é um colosso do futebol mundial.
Mais um Campeonato ganho e os vencidos em vez de deixarem festejar a nação benfiquista tudo fizeram para que isso não acontecesse. A violência gratuita de que foram sujeitos os benfiquistas em Braga e no Porto é própria de vândalos que não sabem estar na vida, que se quer de confraternização pois um jogo não é mais do que vinte e dois jogadores a darem pontapés numa bola. Mas há quem faça de um simples jogo a essência da sua existência. São os frustrados da vida. Eles existem em todas as equipas e não só nas outras. No Benfica também os há, infelizmente!

Este domingo foi o Benfica o Campeão, para o ano poderá sê-lo de novo ou não. Há que honrar os vencedores e vencidos. Mas a tribo do futebol terá sempre que se comportar como animais irracionais e voltarão as agressões seja quem for o campeão. Enquanto isso, o Governo aumenta o IVA, diminui o salário real, vão-nos ao bolso todos os dias mas isso que se lixe, o importante é o pontapé na bola. Pobre Nação que tais filhos tem.
O Benfica ganhou, é o Campeão!!! VIVA o BENFICA!!!
Época de 2011/ 2012
Boas perspetivas para esta época, começo com um empate no campo de Gil Vicente e também um empate na casa do adversário Porto ambos por 2 a 2
Mas um Golo em fora de jogo no jogo Benfica Porto no Estádio da Luz ditou a derrota do jogo por 3-2 e a perda do titulo.

01/07/2012

PROIBIDO FUMAR




O Zé Antunes entra no Comboio da Linha de Sintra, que se dirige para o a sua residência no Cacém e se senta cansado de calcorrear a baixa de Lisboa. Almeja paz e serenidade no percurso de regresso a casa, mas pressente confusão ao ver que um tipo de cabeça fresca acender o cigarro dentro da carruagem . Ainda não é proibido fumar nos transportes públicos, mas vai havendo já uma consciencialização para os malefícios do tabaco. Em baforadas profundas, o fumador aprecia a estação do Rossio pela janela. Nisso, um zeloso passageiro, diante de tamanha intoxicação de fumo e insubordinação, diz:

- É favor deixar de fumar pois o fumo do cigarro está a incomodar-me. Apague o cigarro. E já é proibido fumar em recintos fechados e nos transportes públicos.
- Não apago.

Então o zeloso vai até ao factor ( Revisor ) , e se ouve a voz do fumador: provocante

- É proibido falar com o pica bilhetes.


Então, alguns passageiros decidem apoiar o do cigarro e vários cigarros são acesos. Ao olhar para trás, o reclamante se irrita com o desaforo e ordena ao factor:

- Chame já o Chefe da Estação, pois nãp viajo neste comboio com este fumo todo não se respira aqui.

O reclamante desce para a gare e se põe a parlamentar e a gesticular junto do chefe da estação, chama dois policias de serviço na estação do Rossio, e retorna à carruagem do comboio acompanhado das autoridades.

Ao entrar, ninguém fuma: um lê o jornal, outro aprecia distraidamente a Estação e o vai e vem de outras composições que chegam à gare, e outro finge dormir... Indagados sobre o fumo, o silêncio é absoluto. Alguns passageiros torcem o queixo e fazer bico com os lábios a modo de "Este senhor está louco?".

Então, o zeloso cidadão evidenciando-se por estar acompanhado da autoridade diz ao seu desafeto:

- Fume agora, vamos!

- Não fumo. Não estou com vontade.

Sem provas, o policial diz:

- Meu caro senhor, não posso dar flagrante e não há corpo de delito (as piriscas e as beatas jazem na gare da estação). Foram atiradas pelas janelas. Não há como dar voz de prisão, e a lei aprovada só proibe fumar dentro dos transportes públicos.

Então, o policial desce e o chefe da Estação dá a partida ao comboio que segue o destino. Não mais incomodado, o zeloso volta à sua poltrona e o maquinista segue viagem. Mais adiante, na Estação de Benfica o comboio para, e pela janela o não mais incomodado pelo fumo vê um bando de crianças a pedir esmolas. Mas como aquilo não o afecta directamente, não se sente indignado e segue de consciência tranquila e orgulhosa de si.

Poucos anos depois era proibido fumar em recintos fechados, era proibido fumar nos transportes públicos, e era proibido fumar em alguns restaurantes.

Zé Antunes


2008




C. A. R. GUIMARÃES

Depois de casar e vir para Lisboa residir para a casa da Avª da Liberdade ainda estive a trabalhar na Ginginha e no Teatro Variedades, e a Marinha arranjou um part-time, de ter algumas horas a cuidar de pessoas idosas e de crianças, sendo que depois em Outubro de 1979 rumamos a Guimarães, para por contas própria explorar um Snack Bar de uma a colectividade de Guimarães, o Circulo de Arte e Recreio ( C. A. R. ).

Coletividade essa que como sócios tinha ilustres personalidades de várias quadrantes, tais como artistas de belas artes, desportistas, politicos, intelectuais e músicos jovens que na irreverência das suas idades animavam muitas vezes os convívios com belas canções.

Do pouco tempo que lá estive gostei e granjeei boas amizades.

Sendo que na altura a Marinha ( São ) foi trabalhar para a mesma fábrica de onde tinha saido, a Darfil, onde e contra os seus principios o Sr. Alvaro Fernandes não admitia nenhuma funcionária grávida e a Marinha encontrava-se nesse estado há precisamente dois meses e foi admitida sem restrinções, indo ocupar o mesmo cargo de outrora.

No C.A.R. de manhã abastecia-se de tudo que viesse a ser consumido, á tarde era mais movimentado, depois dos almoços bebiam os seus cafézinhos e ficavam ali a jogar os mais variadissimos jogos de cartas ( sueca, canasta, ramy, loba ) ou ao xadrez e damas, badmington de mesa ( pingue-pongue ) , paciências, etc.etc. tendo sempre pessoas até muitas vezes as duas e três horas da manhã.

Nesse pouquissimo tempo que estive na gerência do snack e a pretexto de uma qualquer comemoração, aos sábados a noite havia sempre mais movimentação e servia-se mais bebida e comida que os presentes degustavam. Tenho a agradecer que nesses convivios tinha a preciosa colaboração da familia e amigos.

Sempre tive a ajuda da Marinha, da Nélita, bem assim como a Dona Tercilia que cozinhava umas pataniscas de Bacalhau de comer e
chorar por mais.

Em Janeiro de 1980 e em virtude de ter entrado para os caminhos de ferro portugueses ( C.P. ) o primo da Marinha, o Zé Custódio ficou ele a comandar a gerência do bar do ( C.A.R. ). O pouco tempo que estive nesta gratificante missão, guardo-o com imensa saudade.

´Zé Antunes

1979

26/06/2012

A CHAMADA

Carlos Clara chega ao Rossio, mais precisamente, junto ao conhecido Café Piquenique, ao lado da Caixa Geral de Depósitos ( antigo BNU), local onde os Retornados outrora  se reuniam, para alguns dedos de conversa sobre vidas passadas e dificuldades presentes, contando cada um o seu drama que daria para vários romances.
Quase todos os regressados das ex-colónias singraram neste país, ou no caso de Carlos Clara no Canadá para onde foi em 1980,  começando pelos degraus mais baixos das carreiras profissionais, casos  da Fernanda, professora eventual habilitada com o antigo sétimo ano dos liceus que foi integrada como dactilógrafa da letra”U” [a última letra do alfabeto dos funcionários a dos contínuos, sem desprimor para a classe, para a qual era apenas exigida a quarta classe]. Outros mesmo com novas profissões!
Um administrador foi reclassificado como chefe de secção e, para atingir o lugar de chefe de repartição, a que já teria direito aquando da Revolução de Abril, teve de concorrer treze vezes, e, finalmente, venceu os vinte e muitos candidatos para uma vaga posta a concurso.
Mas como vos ia contando, encontrei o Carlos Clara, anos depois, na zona do Rossio, transfigurada com as obras do Metro e com a população dos Retornados transferida para a Praça da Figueira, local onde se viam mais africanos que naturais da metrópole.
A minha pergunta, depois de lhe dar um forte kandandu (abraço) de amizade, foi no sentido de saber da sua saúde, e dos seus familiares. Carlos Clara, olhando a esplanada do Piquenique, de lágrimas nos olhos, estava em Lisboa porque seu pai tinha falecido,  foi fazendo uma surda chamada:
O Fernando Transmontano?  Aquele funcionário dos Seguros, O Jorge Fraquitelas? O Fernando Ribeiro ( das Quarras )?  O Chelas ( chefe de  Posto) ?  O Xabregas  tio do Chelas? O Bamba ( filho do Sequeira Alves)? O Jaques ? O Américo Nunes ?  O Miquinho primo do Banga Ninito?  Um que era do Bairro da Maianga, de nome Virgílio, grande poeta e que escrevia bons contos e belos poemas? O Manel Teddy Boy   ( pai da Mariza Cruz)?
Silêncio. Os pardais chilreavam nas despidas árvores da Praça...
As lágrimas vieram aos olhos dos presentes...
Faleceram todos..., morreram todos! Tão novos!  Estão, para sempre, nos cemitérios de Benfica, Feijó, Abóbada e no Alto de S. João... e no nosso pensamento.
Gaivotas que voam.......... ouviu-se da boca do poeta Andrade, quebrando o silêncio da nostalgia!
2010