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17/06/2013

AMIGOS, VIZINHOS DO Bº. DA CUCA



O tempo devora tudo menos as nossas memórias, por isso aqui recordo a família Santos Pereira, meus vizinhos do Bairro da Cuca.

No regresso da Barragem de Cambambe, onde meu pai estava a trabalhar, e onde residíamos, acabada a empreitada da Barragem, no regresso a Luanda, meu pai falou com o Senhor Calisto Santos, padrinho de batismo de meu irmão Victor e alugamos a casa que o Senhor Calisto possuía no Bairro da Cuca, casa situada atrás do colégio João de Deus.

Nossos vizinhos nessa altura a família dos Santos Pereira, ao qual o Senhor Manuel dos Santos Pereira era dono de uma pequena Empresa de Constução e o Genro de uma Transportadora de Mercadorias.

O transporte de Mercadorias, que eram originalmente carregadas no Porto de Luanda e distribuídas para as mais diversas cidades de Angola.

O Senhor Pereira tem três filhos, a Teresa a mais velha no ano de 1966 teria 30 anos, o Joaquim ( Quim ) com 27 anos e o António ( Tó ) com 16 anos de idade. A Teresa já estava casada com o Manuel Dias, eles trabalhavam todos para o Manuel Pereira ( filhos e genro ).

No dia 30 de Abril de 1966, o Quim e o Tó, (tinha feito os 16 anos no dia anterior) depois de visitarem os pais que estavam no hospital devido a um acidente na Gabela, regressam á cidade de Carmona no Distrito do Uije, onde estavam a trabalhar e na viagem ao kilómetro 44 tem um aparatoso acidente com um veiculo militar. O Quim ia a conduzir a novíssima Saab que já a conhecia bem, ou por distração ou por ter adormecido, não se sabe, embateu no veiculo militar e despistou-se, caiu numa ribanceira, o automóvel ficou todo danificado.

O Quim logo ali sucumbiu ao acidente, pelo que foi dito quando chegaram os primeiros socorros, e como se sabe nas estradas de Angola naqueles tempos era demorada a assistência a acidentes que aconteciam, diz-se que os primeiros socorristas chegaram umas 5 horas depois do acidente.

O Tó teve várias fraturas e estava em coma, foi transportado primeiro para a cidade de Carmona e depois de avião para Luanda e para a Casa de Saúde de Luanda, ficou vários dias em coma.

Quando o Tó acordou do coma, a preocupação dele foi saber do irmão, e como ele estava muito debilitado, a conselho médico, a família não disse que o Quim tinha falecido.

Mais tarde com o consentimento dos médicos, começaram a prepara-lo psicologicamente, e então disseram-lhe que o irmão tinha falecido no acidente. 

Até aos dias de hoje não se sabe como se deu o acidente, qual a causa do despiste. O Tó entrou em depressão e ainda esteve mais de 3 meses internado na casa de Saúde de Luanda, lembro-me de eu e a minha família, irmos várias vezes visitá-lo.

Recordar ainda que a família Santos Pereira recebeu de todos os amigos, família e vizinhos, todo o apoio e muito carinho naquela hora trágica. 
O senhor Manuel dos Santos Pereira faleceu em Angola no ano de 1968 de doença. A esposa faleceu já em Portugal no ano de 2001.

Passados uns anos em Julho de 1975 a família Santos Pereira regressou a Portugal, devido aos acontecimentos de Angola, e seguiram para a Venezuela para refazer as suas vidas, onde se encontram até aos dias de hoje.

O António Pereira ( Tó ) meu amigo de longa data desde os tempos que era miúdo, lá nos vamos falando e trocando noticias através das redes sociais.Vive presentemente na Cidade do Barreiro - Portugal.


ZÉ ANTUNES

1975

24/05/2013

SNACK – BAR “ PIC – NIC “


No dia seguinte ao meu aniversário convidei alguns amigos para no famoso Snack bar Pic-Nic, festejar-mos, para beber-mos umas cervejolas e comer uns quitutes.
Meu amigo Américo foi logo me informando:



Hotel Metrópole em baixo o pic-nic


Zé Antunes o Pic-Nic está fechado, está em obras. O Café Nicolas comprou-o e vai abrir como Café Italiano venda de (Pastas e Massas ).

Segundo o "Diário de Lisboa" de 03 de Novembro de 1969, o primeiro snack-bar do País surgiu em 1954 no Rossio, em Lisboa, o Pic-Nic.

Uma outra geração, a nova, justifica a existência e a inauguração constante de snack-bares. O snack-bar está dentro do futuro, escrevia o jornal em 1969.

E é a partir de 1975 que o Snack Bar Pic-Nic tem as maiores clientelas da época, em virtude da vinda dos retornados de Angola que se concentravam ali para saber de novidades de familiares ou dos amigos que ainda não tinham chegado, as pessoas acotovelavam-se gentilmente e ali ficavam tardes inteiras a contar as sua aventuras vividas em Angola.

O Pic-Nic fica ao lado do célebre Café Nicola, situado em lugar previlegiado. Ao lado, do Nicolas na entrada para a pensão Santo Tirso o nosso amigo Santos o ( Arrumadinho ) que trabalhou em Luanda na Papelaria Argente Santos, montou uma banca de jornais e revistas, onde todos nós lá ia-mos comprar os jornais, revistas e cigarros, ficando na esplanada do Pic-Nic a ler as noticias e a beber uns finos na companhia dos amigos vindos de Angola.



Esplanada do Pic – Nic


Foi no Pic-Nic no tempo do Sr. Luis que houve uma grande confusão entre manifestantes que passavam e as pessoas vindas de Angola, palavra puxa palavra, palavras revolucionárias e ofensivas, de repente só se vêm cadeiras da esplanada pelo ar, os mais novos entraram na disputa, e muitos dos mais velhos refugiaram-se na cave.

Passados uns anos o Pic-Nic fechou por causa das obras do metro, reabrindo mais tarde com nova gerência, o Jorge e o Pai que tinham ido de Angola para o Brasil regressando a Portugal, e a Lisboa, assumiram a gerência do Pic–Nic.

Muitos anos se passaram, muitas pessoas passaram por lá, todos nós que frequentava-mos o Pic-Nic tinha-mos uma relação de amizade com todos os funcionários.

Hoje o Pic-Nic, um dos primeiros Snack Bar em Lisboa está fechado, está para obras.

ZÉ ANTUNES

2013

OS MEUS 58 ANOS























Os meus 58 anos foram festejados a 12 de Maio, com a família e alguns amigos, fiz uma pequena festa em casa, um almoço que depois se prolongou por toda a tarde. Tendo os convivas conversado sobre os mais variados temas, ressalvando claro está as nossas traquinices da juventude. Alguns convidados ainda ficaram para uma pequena ceia, tendo depois cada um regressado a suas casas.

Desde que festejei o meio século de vida, agora só peço um ano de cada vez, e tento viver esse ano intensamente, como que fosse o último, para o próximo que seja igual ou melhor.

Depois dos 50 anos a vida fica mesmo muito mais saborosa. Mais descomplicada. Mais autêntica. Sou apaixonado, por viagens, por novas culturas e novas vivências, por pessoas, amizades.

Fazer 58 anos é, antes de mais nada, ter construído muitos caminhos e atalhos, ter desmontado muitas armadilhas, ter carregado pedras, ter cruzando muitos rios para chegar até aqui. É lembrar todos os momentos, principalmente os bons, e as grandes amizades que até hoje perduram.

Completar 58 anos significa também que temos menos pedidos pessoais a fazer na hora de apagar as velas do bolo, a nossa individualidade, está cada vez menos nítida, envolvida por vários rostos e problemas múltiplos.

Aos 58 deveríamos ser mais pacientes, mais tolerantes, todavia nossa personalidade ainda está em pleno vigor, portanto, isso dependerá de cada um. O que acontece com maior frequência é que deixamos de supervalorizar coisas pequenas, pois hoje já sabemos que não vale a pena tanto incômodo, já que a resolução desses problemas do dia-a-dia geralmente é bem mais simples do que quando jovens, imaginamos.



Aniversário com dois bolos


Com essa idade, os vícios vão sendo substituídos por remédios e o travesseiro passa a ter espinhos, as noites encurtam, as madrugadas começam mais cedo, pelo menos para os que ainda não tomam nenhum tipo de remédio “milonga”.

Nesta fase da vida parece que já não conseguimos ter grandes desejos, grandes frustrações, grandes expectativas. É tudo mais ameno, menos apaixonado, menos caloroso, a gente gosta mais do que “adora!”. Nem grandes alegrias, nem tantas deceções. Parece que a adrenalina sumiu das nossas veias, ou só aparece nos sustos.

É comum que se tenha mais paciência com o filho, mais ternura por ele e um carinho infinito por nossos pais, caso ainda os tenhamos ao lado, eu infelizmente já não tenho os meus.

É certo que tenho muito mais paciência com a neta, com suas travessuras e até com as primeiras demonstrações de gênio ou teimosia. O que me irritava no filho faz-me sorrir diante da neta, porque vejo aquele ser pequenino, ainda tão novinha, tão inexperiente achando que já sabe tudo e pode tudo também.

As pessoas da minha idade costumam olhar bastante para o passado, reconheço que ficou muita coisa por fazer, para ser vivida, mas as diabruras da vida não deixaram.

Mas está próximo o dia de me aposentar e se calhar vai-me sobrar tempo para folhear os álbuns de fotografias, aproveitar para fazer aquela infinidade de coisas para as quais nunca tinha tempo e não saía da minha lista de prioridades.

Ou então continuo a trabalhar para não sair da vida ativa, para não perder os colegas, para não me sentir vazio.

De minha parte, optei por ajudar a criar minha netinha e ainda não cheguei há fase de reler os livros preferidos, porque não dou conta de ler tanta coisa boa que os escritores do mundo inteiro continuam produzindo.

Como tudo na vida, há exceções, a este padrão de cinquentão, que estou a caminho do sessentão, eu não fujo a esse padrão. Sempre quis exercer plenamente meu Patriarcado e chego aos cinquenta e oito anos com saúde, graças a Deus, uma esposa compreensiva, um filho maravilhoso, uma nora adorável e uma neta espetacular!



Foto de caneca comemorativa retirada da net

ZÉ ANTUNES

2013

06/05/2013

AUTOMÓVEL ROUBADO


Numa de muitas tertúlias da Confraria nos anos de 1996, em que na baixa Lisboeta ainda não havia parquímetros e as viaturas que estacionavam na Praça do Comercio já tinham sido retiradas, era difícil estacionar. Muitos de nós estacionava-mos num parque da Refer atrás do Hotel Americano, que estava em obras e que dois Romenos controlavam e a troco de umas moedinhas, sempre arranjavam um lugarzito para estacionarmos.

Nesse ano, um belo dia de verão o nosso amigo José Cunha, estacionou a sua viatura no dito Parque e foi para o Bar Leão d`Douro onde já se encontravam outros confrades.

Convívio salutar, com muita cerveja e petiscos, amena cavaqueira sobre os mais variados temas.

Pelas vinte horas, depois de uma sugestão emanada pelo grande grão mestre da Confraria, resolvemos ir jantar a um Restaurante que abrira à poucos dias atrás, na Rua dos Douradores, Restaurante “O BESSA “.

O nosso bom amigo José Cunha, para não voltar ao Rossio, resolveu levar a viatura para a Rua dos Douradores, aquela hora deveria haver lugares já disponíveis, mas teve dificuldades em estacionar corretamente, deixando-a em cima do passeio.

Acabado o jantar e o convívio que durou até perto da meia noite, fomos em debandada cada um para suas casas, antes primeiro alguns de nós viemos para o parque de estacionamento no Rossio para reaver as nossas viaturas ali parqueadas.

O nosso amigo José Cunha veio também, connosco, não se lembrando mais que já tinha retirado o seu automóvel do Parque e estacionado na Rua dos Douradores. 

Chegando ao Parque não vê a sua viatura, nas maiores das calmas diz:

Roubaram-me o chiante, vou ali à Policia apresentar queixa.

Roubo participado, eu levo-o a casa.

No outro dia acorda todo sarapantado, e lembra-se de tudo o que fizera no dia anterior e sabe onde deixou a viatura estacionada, vem ao local na Rua dos Douradores, ai vê o automóvel, e constata que já lhe tinham passado uma multa de estacionamento proibido. Alguns de nós aconselhamos que ele fosse à Esquadra da Policia e dizer que a viatura já tinha aparecido.

Retira a viatura e estaciona-a no parque habitual e dirige-se à Esquadra do Rossio, explica ao agente que a viatura apareceu e que tinha uma multa.

A Policia diz-lhe para ele fazer um requerimento, relatando tudo o que se passara e um pedido para não pagar a multa, e para o processo ser arquivado, assim fez e foi-lhe perdoada a multa e o respetivo processo arquivado.

Curioso na altura de ele fazer o relatório da ocorrência ninguém perguntar que danos a viatura tivera, pois a viatura logicamente estava intacta.

O nosso amigo José Cunha, quando se lembra desta história e nos conta os pormenores é um fartote de risada, o certo é que até aos dias de hoje , ele nunca mais se esquece onde deixa o seu automóvel estacionado. 

ZÉ ANTUNES
1996



14/04/2013

FLIPERS



Quem não se lembra das famosas flippers. As máquinas do poker eletrónico.

No ano de 1985, Lisboa , bem como outras cidades do Pais, foram inundadas com tais máquinas, que fez que muito boa gente, gastasse o seu salário, deixando os seus familiares a passar dificuldades, conheci várias pessoas viciadas no que as tais máquinas de flippers podiam proporcionar.


Máquina Flipers ( Poker )
Nessa ocasião trabalhava como part-time das 19h00 às 24h00, no Restaurante “ O GALO “ situado mesmo ao lado da Porta principal do Parque Mayer,

O concessionário, na altura, vamos chamá-lo de Manuel, comprou e instalou várias máquinas no estabelecimento, mas sem antes de as programar para dar poucos bónus ( prémios em dinheiro ).

Com um esquema bem engendrado, um cliente, vamos chamá-lo de João, com uma moeda de 10$00 soldada a um arame flexível, com a moeda e com o arame escondido dentro do casaco, ás escondidas de todos ia introduzindo a moeda na ranhura da máquina, e ia puxando e introduzindo, bem encostado á máquina, jogava duas ou três vezes, e depois ia receber os bónus que a máquina mostrava no mostrador.

O nosso Manuel andava desconfiado à bastante tempo, como é que as máquinas dava tantos bónus? Andava intrigado!!!

Vigiava as máquinas num ponto estratégico, na sala do bar, e uma certa noite, vê o João a montar o esquema, dá um pulo de onde estava, puxa da pistola, dispara para o teto e diz:

“Ah!! meu malandro que te apanhei.”

Nisto vê-se o João com o braço todo cheio de sangue, pois o projétil disparado bateu no ferro da viga do teto e fez ricochete atingindo o braço do João.

Gerou-se logo ali um burburinho, chamou-se a ambulância e o João foi transportado para o Hospital de São José.

O Manuel foi a tribunal e ainda teve que pagar uma indenização ao João, e as máquinas do Poker ( Flipers ) foram recolhidas para um armazém.

Tempos depois saiu uma lei, que proibia tais máquinas em estabelecimentos que não estivessem licenciados para tal fim.

Penso que só mesmo agora se encontram em alguns casinos.

Anos mais tarde encontrei o João, e ele mostrou-me como ficou o braço esquerdo, sem vida, pois a bala perfurou os tendões, ficando com uma grande deficiência no braço.

O Manuel sei que fechou o “ Restaurante Galo “, abriu outro estabelecimento do mesmo ramo, mas sem mais aventuras do género.

Muitos dos frequentadores dessas máquinas de Poker ( Flippers) dedicaram-se ao jogo clandestino.


Máquina Flipers ( Poker )

ZÉ ANTUNES

1985


04/04/2013

RELÓGIO


Corria o ano de 1986, fim de uma tarde de Março, sábado, vivia na Avenida da Liberdade em Lisboa.

Depois de uma tarde em ameno Convívio gastronómico e báquico, com os habituais amigos, regresso a casa, subindo a Avenida da Liberdade a pé, entro no prédio, prédio onde nas águas furtadas vivia o cabo-verdiano, o Sr. Morais, cota mais velho que era amigo de todos, e deu guarida a um tal de “ zarolho “ que tinha saído da prisão.

Começo a subir os primeiros lanços de escada e vejo a minha esposa a Marinha a descer toda aflita, pois tinham-lhe roubado o relógio, diz-me com sofreguidão:
Foi o Zarolho, foi o Zarolho.
Acalma-te que eu vou já a Praça da Alegria, à Esquadra da Policia, que ali existia e participo o roubo, chegando lá o agente da autoridade quis acompanhar-me até ao Prédio onde acontecera a ocorrência, e deteve o Zarolho.

Zarolho era um cadastrado que tinha saído da prisão, e deambulava pela cidade e vivia de pequenos furtos que vendia no Rossio ( na pedra ), era assim que se chamava a praça Dom Pedro IV onde se traficava de quase tudo.

Dirigimo-nos ao prédio, e o policia foi buscar o zarolho e levou-o para a esquadra para ser interrogado, acompanhei-os para concluir a queixa apresentada.

Na identificação do zarolho, para elaborar o relatório, o agente da autoridade começou a enumerar os delitos praticados pelo zarolho, ao que ele sempre ia negando.

O Policial dizia: Estás a chamar-me mentiroso?

Não, Não, Não dizia ele.

O Agente da autoridade, mostrava-lhe o dedo mindinho e dizia:

Este dedo, adivinha tudo e sabe porque é que estiveste preso estes anos.
Roubaste ou não roubaste o Relógio da Senhora Dona Marinha.

Não, Não roubei nada dizia ele!!

Tudo bem, agora vais lá para dentro e depois conversamos, vai pensando e pensa bem para não termos problemas.

Mandou-nos embora a mim e à minha esposa, mas ainda ali ficamos na conversa, e eu só ouvia uns gritos que o zarolho lá dentro da esquadra dava.

Mal tínhamos chegado a casa, passados poucos minutos tocam à campainha e fui abrir, era o policial com o Zarolho que vinha entregar o relógio à Dona Marinha e pedir desculpas. Retirei a queixa e ficou tudo resolvido, ficando o zarolho até mais simpático sempre que nos via.

Fiquei foi sempre com o enigma, o que lhe terão feio? Eu só ouvi uns gritos!! Só os deuses devem saber, eu desconfio, mas………… posso estar enganado, que deve ter levado umas boas chibatadas, terá levado.

ZÉ ANTUNES

1986

06/01/2013

OS TEATROS


Ano de 1978 trabalhava no Teatro Variedades na Revista “ ALDEIA DA ROUPA SUJA” como técnico de Palco, funções que eram as montagens dos adereços e cenários na teia era o descer e subir cenários em telões. Trabalhava eu, o meu irmão Fernando e o Fernando Caravau (Zé Banqueiro) quando recebi um convite para fazer as gravações de uma série com vários artistas de Revista entre eles o Nicolau Breyner, Ivone Silva, Camilo de Oliveira entre outros.



Cartaz

Nessa época, faziam-se vários programas para a Televisão Portuguesa de onde se destaca como sucesso a série "O Espelho dos Acácios",
Nessas gravações que se realizavam num estúdio em Belém eu fiz de figurante em vários squetchs. O Guionista era o falecido César de Oliveira. No intervalo das gravações convivia-se com todos, desde as primeiras figuras, artistas secubdários, Bailarinos e o pessoal Técnico, Carpinteiros, Electricistas, Contra Regra, Costureiras, Pessoal da Orquestra e o Ponto ( colaborador que ficava no fosso a corregir as deixas dos textos.

Mais tarde fui trabalhar para o Teatro Monumental na Comédia “UM ZERO À ESQUERDA “, com Laura Alves Rodolfo Neves, Arminda Taveiro, Eduardo Viana e Victor Rosado, era eu que iniciava o espetáculo projetando slides e sicloramas. Acompanhei este espetáculo, até a última sessão em Lisboa, indo depois para tourné, esta comédia era dirigida pelo saudoso António do Cabo.
Fez furôr em Lisboa e no País, pelo titulo e pela época em que aconteceu.
Não foi um êxito de bilheteira, no computo geral mas no inicio mas bateu os records de permanência em cena e movia multidões.




Prospeto  Publicitário

Um espetáculo bem controverso e de muita polémica esteve três anos consecutivos em cena entre Lisboa, Porto e tourné! Saudades do majestoso Monumental

Nos anos 1988 fui trabalhar para o Bar do teatro ABC. Onde se estreava a Comédia “ Pijama para seis “ com Octávio Matos, Maria Tavares, Luís Mata, António Semedo, Isabel Alvarez e Isabel Damatta. Original de Marc Camoletti. Encenação e adaptação de Carlos César.

No teatro Monumental trabalhou comigo o Eduardo Garcia Pires, que era meu colega nos Caminhos de Ferro Portugueses, infelizmente já falecido, a minha homenagem a este amigo que trago sempre nas minhas recordações.




 



















Teatro ABC

Deixei estas lides teatrais em 1986 com a minha mudança para o Cacém, pois não me restava tempo para poder continuar.

Guardo boas recordações de todos que conheci.


ZÉ ANTUNES

1986

28/12/2012

ANO NOVO VIDA NOVA


Ano novo, resoluções de ano novo, novas! Eu não sei, mas tenho planos incríveis para o meu paladar e estômago neste 2013 de década nova. Sabem aquele monte de coisas que tu queres fazer e ficas adiando? Isso. E ainda que nem todos sejam muito realistas, vale a pena registar... Assim posso ir marcando com xis quando cada um deles for alcançado ao longo os próximos 12 meses. Será que dá? A crise está ai, e que crise, mas vamos ver se tudo o que estará marcado na agenda se concretiza.

1 - Comer hamburguer

Hamburguer é um menú sensacional. Não era, nem sou fã, mas…. Pão, carne, saladinha para quebrar a gordura, catchup para dar um toque de acidez. Em 2012 fiquei amigo das versões mais "sofisticadas", com pão especial, brie, foie gras, da Marinha & Dedeiras, come-se um hamburguer à crioula que é de chorar por mais, e não fiquei pobre e sem paciência... Haja carteira para bancar estes Hamburgueres, com suas batatinhas fritas. Tudo o que sei sobre a M D Bar, me animou. Acho que é lá!

2 - Tomar café da manhã no Tivoli

Ovos, bacon, panqueca com maple syrup? Sempre gostei dos pequenos almoços nos hotéis, e descobri o bufê matinal do Hotel Tivoli. Desde então, venho sonhando com ele sábado sim, sábado não...

3 - Provar o menu do Gaúcho

Anos e anos morando em Lisboa e reclamando da imaginação escassa das cozinhas locais. E é só eu sair para negócio andar! O Gaúcho abriu há mais ou menos dois anos. Rodizio fantástico. Quem cuida são os chefes que vieram de Porto Alegre - Brasil, que se conheceram e resolveram abrir o Restaurante. O que me deu água na boca foi a Picanha no especto, tudo reforçado com saladinhas feitas por dona Rosa.

4 - Voltar ao Tico Tico

Já tentei várias vezes o cardápio do Restaurante Tico - Tico , mas o que mais me marcou no Tico-Tico foi o Bife á casa, degustação que comi junto com a turma da confraria do penico dourado no fim de 2009. Não consegui esquecer aquele suculento Bife, deixando escapar os cheiros de carne e temperos que passaram horas a se conhecer melhor. Nem o caldo, uma sopinha de camarão me demoveu de comer tão belo manjar. Quero de novo e vou.

5 - Ir aos sete mares

Tudo já foi dito sobre essa super cervejaria. Passarei por lá por volta das 20 horas e preparo-me para beber umas boas imperiais ( finos ) e uma boa sapateira...com alguns avilos da banda. Normalmente é lá que o pessoal se encontra depois de mais um dia de trabalho.

6 - Provar as receitas dos amigos

Tem muitos lugares que eu quero ir nessa vida, como dá para perceber. E alguns desses lugares, é a casa dos amigos. Tenho uns amigos de quem eu gosto muito e que eu sei que cozinham bem, e, ainda assim, não como o que eles fazem tanto quanto gostaria. Este ano vai ser melhor.

7 - Almoçar no Faz Figura e Jantar no Charrua.

Dizem que o universo conspira a nosso favor quando temos um objetivo claro. Não precisa nem saber alcançá-lo Então esse é o meu universo, Tenciono almoçar no Faz Figura e Jantar no Charrua, belos locais e que servem bem para um almoço e um jantar especiais.

8 - Almoçar no Tromba Rija

Não é que o Tromba Rija abriu uma casa nas docas ali a Santos. Bom local para nos reunirmos e fazer ou uma almoçarada ou uma jantarada com o máximo possível de confrades.

Será que este 2013 conseguirei obter estes meus objetivos!!!!!!!!!!

ZÉ ANTUNES

2012

18/12/2012

NATAL





MEUS CAROS E BONS AMIGOS / AMIGAS/FAMÍLIA

Hoje em dia, na época do Natal, é costume as crianças, de vários pontos do mundo, escreverem uma carta ao S. Nicolau, mais conhecido como Pai Natal, onde registam as suas prendas preferidas. Nesta época, também se decora a árvore de Natal e se enfeita a casa com outras decorações natalícias. Também são enviados postais desejando Boas Festas aos amigos e familiares.

Em Angola – Luanda também fazíamos o Presépio. A palavra Presépio deriva do latim praesepium, que quer dizer curral, estábulo ou lugar de recolha de gado.

Na tradição Portuguesa, as figuras que se colocam no presépio, além da Sagrada família (S. José, Maria e o Menino Jesus), dos pastores e alguns animais, e dos três Reis Magos, também encontramos figuras como o moleiro e o seu moinho, lavadeiras, e outros personagens típicos da cultura portuguesa.

Tradicionalmente feito de barro, podemos encontrar ainda peças de diversos materiais, desde tecido ou madeira até porcelana fina.

Não esquecer os doces, as rabanadas, as filhoses e demais iguarias tradicionais nesta quadra. Minha mãe tinha prazer em fazer estas iguarias para enfeitar a mesa de Natal.

A Consoada é celebrada sobretudo em
Portugal, no dia 24 de Dezembro de cada ano, o dia de véspera de Natal. Esta tradição leva as famílias a reunirem-se à volta da mesa de jantar, comendo uma refeição reforçada. Na véspera, depois da refeição tradicional que em nossa casa era o bacalhau cozido com batatas, couves e o polvo cozido.

Por ser uma festa de família, muitas pessoas percorrem longas distâncias para se juntarem aos seus familiares.

Na tradição católica os fiéis participavam, ao final da noite, na
Missa do Galo.

O Natal em Angola, Luanda, é um Natal diferente. Sem frio, sem neve. Natal na época do calor, Mas é (era) um Natal vivido com grande religiosidade e sem o desenfreado consumismo que agora há ( havia). Celebrava-se à meia noite a Missa do Galo, deixando a refeição festiva para o dia seguinte. Normalmente o Português era o Cabrito Assado no Forno. Os Cabo-Verdianos costumam fazer um cozido, enquanto os Moçambicanos preferem um assado de cabrito e os Angolanos comem pratos vegetarianos com mandioca. Bem que muitas famílias já degustavam o fiel amigo.

Enquanto os nossos pais e famílias iam à missa do Galo, a Juventude ia para a Ilha Luanda. Tomar banho nas belas praias, Era engraçado, o tomar banho de mar à noite, no Natal.

Lembro-me do meu tempo de criança eu e meus irmãos ficávamos frenéticos e ansiosos. Na véspera como manda a tradição lá se colocava o sapatinho no Fogão pois não tínhamos lareira com os pedidos elaborados por nós e a nossa mãe a dizer as dicas do que seria melhor para cada um de nós.

"Sempre irá existir aquela criança que acredita no Pai Natal!!! Lembro-me quando tentava acordar cedo para ver se via o Pai Natal!!! era mágico quando acordava e no sapato estava a minha prenda!!! Minha mãe nunca deixou o sapatinho sem, nada!!! Isso era mágico!!! Era Natal!!! Vou voltar a viver essa magia agora que sou Avô !!! Volta tudo como era!! é o ciclo da vida!!! Natal sempre Natal!!!!"

Mais um natal…Mais um ano!

O NATAL é bonito, é colorido, é um dia diferente, dia da família, mas…não deixa de ser uma confusão! Perde-se imenso tempo a fazer doces e decorações, a gastar dinheiro na compra de presentes, a suportar toda essa "trapalhada" dos cartões de boas-festas, dos mails, dos “embrulhos” ornamentados, das refeições de família, etc.!

Além desta canseira, desta correria louca às lojas comerciais, aos Super e Hiper-mercados, estão mesmo no centro do mistério supremo que nos leva ainda hoje a celebrar o Natal, porque o Verbo de Deus assim o determinou.

É verdade, mais um Natal…mais um Ano! Mais pobres, é certo, mas…sempre com aquele espírito Natalício, que sempre nos uniu. E, participar no Natal é amar o próximo, mudar de vida, entrar no Amor. Mas se não o fizermos, mesmo que não o queiramos fazer, ao menos participamos no Natal repetindo a canseira, despesa e trapalhada que foi desde o princípio.

Nesta Quadra Festiva, DESEJO A TODOS UM FELIZ NATAL e um FELIZ ANO NOVO para 2013, com muita Saúde, Prosperidades e Pleno de Realizações.

Um abraço / muitos beijos e que DEUS vos dê as maiores Felicidades (bem como a todos os vossos ente queridos), muita Saúde e muitos êxitos!


UM SANTO E FELIZ NATAL!






ZÉ ANTUNES

2012

16/12/2012

O ROQUE SANTEIRO



Luanda estava povoada de vendedoras de fruta, peixes e legumes, que desciam à cidade vindas do mercado Roque Santeiro (um dos maiores mercados a céu aberto do mundo), com alguidares à cabeça recheados de suculentas mangas, ananases ou carapaus. Ao fim da tarde, quando aumenta o trânsito nas ruas congestionadas da capital e não havia lugar para estacionar e ir á padaria, surgiam os convenientes sacos de pão fresco para levar para casa.

Todos estes vendedores eram geralmente afáveis e humildes, sem assediarem demasiado os passantes, como em certos países do Norte de áfrica. Apenas não gostavam que lhes tirassem fotografias, por medo de represálias por parte da policia, que passava o dia a persegui-los de um lado para o outro. Só as vendedoras de frutas e legumes beneficiavam de alguma tolerância e condescendência. O nome deste mercado surgiu por causa da novela do Roque Santeiro, que tal como em Portugal também gozou de grande popularidade em Angola.


Roque Santeiro

Dizem que o Mercado do Roque Santeiro era o maior mercado de África e o sítio onde se movimentava mais dinheiro em Angola.

Nesse mercado encontra-se de tudo, desde produtos básicos, como pão e vegetais, aos produtos mais estranhos, diamante, droga, armas ou mesmo contratar capangas para matar alguém, vendia-se de tudo: sexo, cigarros, bicicletas, moedas, filmes, perfumes, bebidas, roupas, comidas e remédios.

Havia de tudo, só era preciso saber procurar. Pepetela escritor Angolano dizia que se no Roque não tem ainda não foi inventado.

Havia quem se decidia a conhecer este lugar, principalmente o turista, ou quem já lá esteve nos tempos da colonização portuguesa, apesar dos constantes avisos para se manterem afastados, mas que contribui para aumentar ainda mais a curiosidade.

A entrada do mercado fazia-se pelo musseque do Sambizanga, Casa Branca, que nos manda para uma realidade fora do nosso mundo, onde sentiam que eram olhados como estranhos mas ao mesmo tempo exercia um fascínio por estarem a conhecer uma realidade que nunca antes tinham visto de tão perto.

Aos domingos, o dia mais fraco do mercado, existia gente por toda a parte a comprar e a vender o mais diverso tipo de produtos. Misturamo-nos com a multidão para ver de perto o que o mercado tinha para oferecer e eventualmente comprar alguma coisa que nos desperta-se a atenção.

Passeava-se por entre bancas de musica, colares, roupa, vegetais, frutas, carvão, carne…Tudo exposto de uma forma muito crua e pouco elaborada mas que, juntamente com a o reboliço das pessoas, despertava no visitante um conjunto de sensações que os deixava absolutamente deslumbrados com o que os rodeava.

Normalmente o passeio acabava sem que nada se compra-se, mas nas suas mentes ficava uma imagem forte do famoso mercado a céu aberto do Roque Santeiro.

Só para dizer que o Governo Angolano acabou com o Roque Santeiro.


Roque Santeiro
NOTICIAS DE ANGOLA

2008

11/12/2012

LIAMBA E SEXO


Após o 25 de Abril de 1974, o País sofreu profundas alterações estruturais nas suas componentes Políticas, Sociais e Econômicas.

Muitos dos Portugueses que até ai viviam de um modo acomodado, aproveitaram a Revolução dos Cravos para darem largas à sua, em alguns casos, abusada liberdade, e de uma forma descontrolada procederam a excessos vários como foram as ocupações “selvagens” de propriedades rurais, fábricas, instituições bancarias, órgãos de comunicação social e praticamente tudo quanto no entendimento dos “cabecilhas” dos movimentos revolucionários, eram mais que muitos, poderia dar algum lucro direto e ao mesmo tempo a uma nova classe política em formação e que necessitava de status social para se afirmar na sociedade e por outro uma nova classe; os chamados novos ricos.

O ambiente em Lisboa era muito diferente daquele a que estava habituado na calmaria de Luanda por onde me movia: a coisa era mais urbana, mais nervosa quase me sentia numa grande Capital.

Nessa época dourada ou se era fascista, ou anti-fascista e portanto assumia-se como democrata todo aquele que batia forte no peito e gritava “eu nunca fui do antigo regime”. Era o antes e o depois de 25 de Abril de 1974, mas o mais estranho era que quase ninguém assumia ter sido apoiante do regime deposto, tendo surgido assim milhares de democratas, anti-fascistas, de aviário, auto-fabricadas da noite para o dia, e que surgia de tudo quanto era canto.

Saber perdoar é realmente uma grande virtude dos homens, ou de alguns homens, mas esquecer não deve ser uma regra para ser seguida, pois quem um dia ajudou a lançar nas masmorras do regime, homens e mulheres, só pelo simples facto de pensarem diferente, nunca pode ser alguém confiável, passem os anos que possam vir a passar sobre os acontecimentos.

Para Portugal Continental ficou reservada a parte de leão de acolher dezenas de milhares de portugueses espoliados e escorraçados das antigas colônias, quantos deles nascidos já em solo de Angola, Timor, Moçambique, Guiné, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, e que assim eram banidos das suas terras e recambiados para Portugal, na sua maioria com uma mão á frente e outra atrás, deixando para o passado das suas vidas uma memória de realizações e muitos sonhos não concretizados, com uma vida perfeitamente alterada e destruída de um dia para o outro.

O Portugal de 1975 não tinha estruturas nem condições políticas, Sociais, Geográficas e Econômicas entre outras para conseguir com o mínimo de condições absorver todos aqueles milhares de Portugueses, a quem pomposamente desde logo batizaram de “retornados”, bem como, muitos militares que passaram à disponibilidade.

Todo o país sofreu profundas transformações e Lisboa não foi exceção, na receção de muitas centenas de “novos” portugueses que vinham tentar adaptar-se ás condições do continente e por seu lado o próprio continente teve que se adaptar a esta nova realidade social e econômica.

Esta nova formula de vida que transformou Portugal de um dia para o outro num centro de acolhimento de desalojados que chegavam carregados de novas culturas e formas de vida, e obviamente como seria também de esperar, de muitos fatores nefastos para a sociedade, nomeadamente e em especial, a toxicodependência, até então praticamente inexistente em Portugal e que num ápice explodiu em termos de qualidade e quantidade.

Da simples “Maconha - Liamba”, passaram para outras ervas, para o L.S.D. para os ácidos, foi a explosão de uma geração para uma nova realidade em principio popularmente aplicada em termos culturais, mas que por detrás escondia os muitos jovens que fumavam Maconha - Liamba, tomavam os comprimidos de ácidos variados, etc, etc, e a escalada foi rápida e silenciosa, com efeitos terríficos e incontabilizáveis em termos de perdas e custos reais para o País, até aos dias de hoje, pois esta escalada nunca mais teve fim.

De forma alguma se pode acusar os alegados “retornados” pelo facto de que Portugal é um País tão igual a todos os outros em termos de toxicodependência, pode-se isso sim ter a certeza de que apenas diminuíram o tempo de surgimento e concretização desse processo de uma forma determinante.

Aquela geração, saída daqueles históricos acontecimentos, pode bem apelidar-se para alguns, sem ofender ninguém, de “Geração da Liamba e dos Ácidos!”

Enquanto em Luanda se começavam timidamente a fumar uns charros de erva; ( liamba ), nome Angolano, pois com a descolonização alguns dos retornados das províncias ultramarinas trouxeram como carga nos caixotes alguns quilos do vegetal, num país onde tinham chegado de mãos a abanar. E, de repente, a calmaria de Lisboa foi sacudida por aquela substância ilegal (cujo nome, unificador e botânico, é Cannabis sativa), que inundou a cidade em tal quantidade que nos anos entre 1975 e 1976 era mais rápido comprar erva em alguns cafés de Lisboa principalmente no Rossio do que um maço de cigarros!

Em Lisboa encontrei um ambiente diferente, não faltava o sexo. Recordo até hoje uma amiga, que estudava com uma prima minha, que na melhor oportunidade convidou o Fernando para uma ida a sua casa, que redundou numa tarde de estudos anatômicos e corporais, que culminou com a grande satisfação da sua vida, ou seja ter-se tornado mulher.

Nessa altura o Fernando teria 25 anos e a jovem adolescente 16 ou 17 e o Fernando não escondia que ficou com o ego de “macho” elevado, mas por outro lado ficou deveras constrangido, assustado mesmo, com o ocorrido, e ela maravilhada, diria mesmo extasiada como tudo tida decorrido, na verdade nessa época o Fernando já tinha tido aquelas maravilhosas lições da Espanhola, e portanto achava-se o homem mais experiente e conhecedor dos segredos de alcova do mundo. Ela não se conteve e contou para algumas amigas, tendo como resultado imediato um grande assédio por parte de outra sua colega que, ao seu contacto para esse fim, ele recusou, por manifesto medo dos resultados posteriores.

Anos mais tarde em 1986 aconteceu um encontro casual com essa pessoa, e ela acabou por me confessar que tinha ficado curiosa e frustrada, ia-se casar e que para ela, só o facto de agora poder concretizar esse seu sonho a podia de alguma forma compensar daqueles dias de tristeza passados no ano de 1976.

Lá estava o rock’n’roll (com a música brasileira e o jazz embutidos), mas, no que diz respeito a drogas, o panorama era mais pesado. Nalgumas garagens e arrumos do rés-do-chão das entradas de prédios degradados, havia gente que tratava por tu a coca e a heroína e, para grande arrepio meu – a quem as agulhas davam um terror gelado – não apenas fumada, mas injetada. E, com angústia de permeio (nomeadamente nalguns membros da família), havia depois os amigos de Angola completamente agarrados àquilo na bela idade da Juventude.

Em 1976, quando isto se passou, eu tinha 21 anos de idade, e esses foram os meus primeiros contactos com quem estava agarrado á droga ( Zé Huila que era empregado bancário em Sá da Bandeira e deambulava pelo Rossio embrulhado num cobertor e já só se alimentava com um bolo de arroz esfarelado e metido dentro de uma garrafa de coca cola, já falecido no ano de 1981, eu e mais amigos conversávamos sobre isso, e se aquele caminho seria um caminho tão legítimo como qualquer outro para se chegar à idade adulta, à sabedoria, sabe-se lá onde... Nem nós sabíamos bem por onde ir nem de que era feito o mundo. O Toguta que diambulava ali nas tascas da Rua do Arco Bandeira, sempre pedrado, uma vez vi-o tão pedrado que comia uma maçã, bebia uma cerveja, dormia em pé e arrumava carros, e sempre que tinha 500 Escudos até de táxi ia a meia Laranja no casal Ventoso comprar a dose, faleceu em 2006.

Os metralhas que arranjaram maneira de vender e consumir, eram três irmãos e um deles matou o próprio irmão à facada já nos idos anos de 1983, os outros dois faleceram em 1985, nesse ano também faleceram os irmãos o Tico e o Teco, filhos de uma ilustre família vinda de Angola que moravam no Estoril.

Disso tudo fizeram parte os excessos (de drogas leves e duras e álcool), avilo da Vila Alice, tivesse os defeitos que tivesse, o Tó Zé ( c…. de égua ), esteve no Canadá, voltou em 2009, as impurezas das drogas duras, muitas vezes misturadas com outros produtos, sobretudo quando injetadas, entopem o filtro que é o fígado. O facto de se usarem agulhas, muitas vezes em condições de esterilização duvidosa e partilhadas com outros, atrai o vírus da hepatite C, doença que deixa marcas permanentes no fígado e o torna num tecido cicatricial que vai perdendo a habilidade de filtrar seja o que for. Ah! e o álcool, a tequila – por exemplo, faz um efeito sobreponível ao da hepatite C: transforma um organismo vivo e vital para nos livrar das impurezas que o nosso canastro produz num courato sem préstimo, parecendo uma isca requentada de roulotte de porta do Campo Pequeno. Por todos estes excessos, que se potenciam uns aos outros, o fígado do Tó Zé deu o berro, é hospitalizado em 2010, e de um modo tão definitivo que tiveram de fazer uma cirurgia e trocar o fígado por outro, mas houve rejeição e faleceu.

No caso concreto da cidade de Lisboa, na segunda parte dos anos 70 as escolas tornaram-se um alvo apetecível para espalhar uma cultura de alegada modernidade, que vinha acompanhada de novos ritmos musicas, novas modas de vestuário, uma auto-colonização a nível da linguagem, a que a memória desses tempos não mata expressões como: Maningue, Bué, Avilo, Yá meu, Fixe, Bunda, Frique, Ok; e uma abertura a novas realidades de convívio social com a importância da “curtição” como polo determinante da sociabilização entre os jovens, quem não se adaptava a estas novas regras de convivência e conduta adotadas pela maioria era logo designado como “careta!”

Nesta época tornou-se perfeitamente normal, “curtir”, ou seja namoriscar com várias garotas ao mesmo tempo, e em especial as mais atualizadas/modernizadas, já iniciavam a utilização dos meios anti-concetivos para não existirem novidades, por outro lado alteraram-se profundamente os hábitos de decisão e muitas vezes as jovens decidiam por sua livre iniciativa levar um relacionamento afetivo mais além em termos de liberdades, consumando o ato com quem elas decidiam ser o “macho” mais adequado para esse importante passo nas suas vidas, e quantas vezes nós os potenciais “Machos Latinos” ficávamos como que encavacados com alguns convites mais ousados, que a nossa mentalidade da época mandava ter prudência para evitar novidades indesejáveis de formação de famílias de um modo precoce.

Com a chegada dos jovens das ex-colonias chegaram também ás escolas os novos hábitos do tabaco e da bebida com fartura.

Na bebida misturavam-se refrigerantes para atenuar as largas quantidades de álcool, especialmente encontradas no vodka que se diluía em sumo de laranja em quantidades generosas, de acordo com os resultados a obter, desde que fosse ingerido com fartura.

No tabaco misturavam a “maconha” de um modo que só mesmo o cheiro intenso e de alguma forma adocicado deixava transparecer a preparação para uma passa, que corria de mão em mão dos apreciadores.

Um largo grupo de amigos da minha geração derrapou nesta “nefasta” nova realidade sócio-cultural, e se alguns conseguiram de alguma forma acautelar o seu futuro e jogar com a realidade, outros infelizmente entraram nesse túnel escuro e húmido de onde nunca mais conseguiram sair, continuando a viver muitos deles dentro desse pesadelo como foi o caso do já citado Zé Huila, um autentico farrapo humano, que vivia “vegetava” de esmolas e deambulava ali no Rossio só com um cobertor a servir de roupa.

Outros companheiros de juventude, conseguiram gozar a vida à sua maneira e manter posteriormente uma distância considerável desse sub-mundo, com uma postura correta e normal perante a sociedade, tendo vivido esse período pós vivencia atribulada de um modo normalíssimo.

Felizmente que a maioria dos nossos amigos, nem sequer chegou a entrar por esses caminhos, da descoberta das luzes brilhantes e vindas do além diretamente para a imaginação de cada um, dos fumos que davam “Bué de pica”, das passas que deixavam entorpecidos os músculos e os sentimentos, e os únicos vícios que realmente nos levaram a andar muitos dias e noites nas “borgas” foram a loucura pelo futebol, pelas garotas, e por uns bons petiscos acompanhados por umas boas canecas de cerveja bem fresca.

Nenhum de nós pode esquecer que de qualquer forma pertencemos a esta geração construída debaixo dos efeitos da Revolução dos Cravos e da Liamba que chegou em quantidades industriais trazidas da África Colonialista, e que tudo isto nos ajudou a formar e nos tornou nos homens que hoje somos e que quando olhamos para trás realmente como que se nos torna o passado florescente aos nossos olhos, mas pelas melhores razões, de saudades de uma infância e juventude muito bem vivida, apesar de todas as condicionantes que circulavam em nosso redor.
1976

02/12/2012

AVENIDA DA LIBERDADE



A Avenida da Liberdade, liga a Praça dos Restauradores à Praça Marquês de Pombal e é considerada um dos lugares mais elegantes da cidade de Lisboa, ponto de eleição de escritórios, árvores centenárias, lojas de moda de renome internacional, centro de cortejos, festividades, manifestações e local de passagem de milhares e milhares de trabalhadores diariamente.
Após o grande terramoto de 1755, foi este o local eleito pelo Marquês de Pombal (Ministro do Rei D. José I na altura do terramoto, que estabeleceu todo o plano urbano, reconstrutivo e reorganizativo da cidade) para favorecer a classe que muito cooperou para o seu plano urbanístico, criando neste espaço, mais propriamente na área ocupada pela parte inferior da Avenida da Liberdade e Praça dos Restauradores, o então chamado “Passeio Público”, rodeado por muros e portões por onde só passavam os membros da alta sociedade. Lugar de eleição da elite nobre e burguesa, teve os seus muros derrubados em 1821 aquando a subida ao poder dos Liberais, que assim fizeram jus ao “Público” deste Passeio, tornando-o aberto a todos.

A Avenida que hoje se pode ver foi construída entre 1879 e 1882 no estilo dos Campos Elísios, em Paris, compreendendo cerca de 90 metros de largura e pavimentos decorados com padrões abstratos, sendo hoje em dia a 35ª avenida mais cara do mundo, conservando alguns dos seus edifícios e mansões originais, e repleta de hotéis, cafés, teatros, universidades e lojas de luxo.

Muitos dos edifícios originais da avenida foram sendo substituídos nas últimas décadas por edifícios de escritórios e hotéis. Hoje a avenida ainda contém edifícios muito interessantes do ponto de vista artístico e arquitetónico, sobretudo do século XIX tardio e século XX inicial. Há ainda estátuas de escritores como
Almeida Garrett, Alexandre Herculano, António Feliciano de Castilho e outros, e um Monumento aos Mortos da Grande Guerra (Primeira Guerra Mundial) que foi inaugurado em 1931, obra de Rebelo de Andrade e Maximiano Alves, e que se situa perto do Parque Mayer.

Concedendo agradáveis passeios por entre árvores centenárias, fontes e esplanadas magníficas, encontram-se ainda alguns monumentos, como o de homenagem aos que morreram na Primeira Guerra Mundial.

A avenida da Liberdade é ainda o palco principal dos desfiles tradicionais das festas da cidade que se executam na noite de véspera da festividade de
Santo António de Lisboa (noite de 12 para 13 de junho), em que os bairros de Lisboa competem entre si pela "melhor marcha". Texto retirado da net.

E foi nesta avenida que vivi no nº. 141, hoje 131 da Avenida da Liberdade, pois na época o 131 era a entrada da Loja de eletrodomésticos Dardo, 139 a entrada da tabacaria, o 141 a entrada para o Prédio Ala Sul e Ala Norte, o 143 era A Ginjinha da Avenida, 145 e 147 era da Loja de eletrodomésticos Dardo, antes ainda de eu residir neste prédio e no ano de 1970 a quando de umas férias em Lisboa o que é hoje o Hermenegildo Zegna era o Café Lisboa onde se reuniam as várias tertúlias dos teatros do Parque Mayer e mesmo das touradas, frequentei muito esse famoso café.

Quando do Retorno a Lisboa devido à descolonização das colónias, por intermédio da comissão de moradores de São José e Madalena, fez-se um contrato de Arrendamento, com a minha mãe para vivermos no 5º andar lado Norte do dito Prédio, ficou acordado em contrato próprio da Junta de Freguesia, que a renda seria de 60 Escudos, e fez-se esse contrato para se puder requisitar os contadores da Água e da Eletricidade, mesmo assim teríamos que ter um fiador que foi o meu tio Martins que na altura tinha uma mercearia na rua de Santo António da Glória, andamos a pagar a renda durante dois anos á ordem do Juiz do Tribunal Civil de Lisboa, na Caixa Geral de Depósitos no Largo do Calhariz, pois os proprietários eram os Condes de Lafões e tinham o Edifício hipotecado, as lojas, a pensão e os moradores assim como o Porteiro não sabiam no que iria ser o futuro do Prédio. Como o prédio precisava de obras e não havia proprietário tinha que ser os inquilinos a fazer as obras, lá fomos arranjando os vidros das janelas as portas e o telhado, a quando do verão quente de 1975 depois de ter colocado alguns vidros nas janelas, eis que rebentam duas bombas em frente ao Hotel Vitória onde estava sediado o Partido Comunista Português, tendo os vidros que eu tinha colocados e mais alguns se estilhaçado, lá se gastou mais um pouco de dinheiro que era pouco na altura, para se repor novamente os vidros nas janelas. Vivi no Prédio até 1986. Nesse ano recebi uma missiva do Tribunal a dar a noticia que a Caixa Geral de Depósitos ia por o prédio a leilão, o que veio a acontecer, tendo o Espanhol dono do Restaurante a “ MÓ “ na rua da Madalena ganho com a melhor proposta, dizem que foi de 400 mil contos na altura, hoje seriam 2 milhões de euros. Como nesse ano já tinha comprado casa no Cacém e ficou lá a viver o meu amigo Zé Banqueiro, ele teve que sair e recebeu uma casa com uma renda de 20 mil escudos e foi viver para a Rua da Glória.

Passados seis meses, o prédio foi vendido a uma empresa espanhola atual proprietária do Edifício a “REVILHA” pelo dobro do preço, que elaborou logo um projeto de remodelação do Edifício, e no ano de 1988 começaram as obras tendo sido concluídas em 1991, onde se instalaram vários escritórios, e entre eles o famoso ABN AMRO BANK Banco da Holanda, ocupando o 4º 5º e 6º Pisos, curioso em Outubro de 1998 fui trabalhar para esse Banco no 5º Andar e claro estava diferente pois era um open espace e eu dizia aos colegas “ pois é amigos vivi aqui neste andar todo, meu filho andava aqui de bicicleta”, eles riam-se.

De lembrar que sempre que alguns dos meus amigos se deslocavam a Lisboa pernoitavam em minha casa pois a dita tinha 11 assoalhadas e era uma festa receber as amizades.

                                    Vivi  no 5º andar  Avª da Liberdade 141 Norte
                                                          de 1975 a 1986 )

1986

05/11/2012

“ O SOL NASCE PARA TODOS”

No ano de 1994 como sócio do Centro Cultural e Desportivo “ O Sol Nasce Para Todos” integro uma lista que ganha as eleições, para os Corpos Diretivos para o triénio de 1994/1997 desta coletividade de Bairro de Mira Sintra, onde a principal fonte de receitas é a exploração do Bar e de donativos diversos.

Para poder continuara com a equipa sénior que nesse ano foi campeã da 2ª Divisão Distrital de Futebol de 5 ( Mais tarde o futebol de cinco deu lugar ao futsal que se joga hoje) e que por imperativos da regulamentação aprovada pelos clubes, o Clube subindo de Divisão teria que ter uma equipa dos escalões jovens. O que aconteceu, inscrevemos uma equipa de Juvenis.

O Clube teve que pedir apoios e foi apoiado pelas verbas da Camara Municipal de Sintra que todas as coletividades tem direito depois de apresentar o relatório das suas atividades e também foi patrocinada por várias empresas que ajudaram muito nos pagamentos das inscrições e seguros dos jogadores, também os exames médicos que foram oferecidos pelo médico já falecido que era nosso amigo e vibrava com o futebol de 5.

A direção do Clube convidou o Moura que era jogador sénior do Clube da equipa principal para treinador e convidou o Zé Antunes que era da Direção para seu adjunto.

Nessa época futebolística de 1994/1995 inscrevemos vários jogadores que era a primeira vez que iriam competir como atletas federados, Jogadores que nessa época integraram “ O Sol Nasce Para Sempre” Kengue e Jordão guarda redes, Ruizinho, Bruno Gonça, Bruno Xavier defesas, Tiago, Joel e Djaló médios e Xipocas, Paulinho e Nelo avançados.

Os jogos eram realizados normalmente ao Domingo de manhã ás 11h00 no Pavilhão da Escola Secundária de Mira Sintra, também lá jogavam os Seniores.

Para deslocações a casa do adversário utilizava-mos os nossos próprioa veículos, chegava a fazer duas viagens para transporte dos jogadores, mais tarde o Clube com um crédito Bancário comprou uma Carrinha Toyota Hiace de 9 lugares, carrinha essa em segunda mão e que ainda trouxe várias despesas ao Clube.

Enquanto treinavam e jogavam os jovens portavam-se bem e estavam ocupados. Não andando em más companhias, Claro que nos jogos que realizavam era importante ganhar, a sua auto estima valorizava-se e quando ganhavam tinham como prémio um lanche ( a sandes e o sumo ). De vez em quando lá se fazia uma almoçarada ou uma petiscada e eram convidados para com a equipa seniores e elementos da Direção conviverem enquanto se dava a degustação do pitéu.

Nos anos que estive na Direção, nas duas épocas que integrei a equipa de Juvenis de futebol de 5 do Centro Cultural e Desportivo “ O Sol Nasce Para Todos “ muitos foram os jogos emocionantes.

Lembro-me da equipa ir ganhar ao São Brás na Amadora por 4-3 , ao Damaiense na Damaia por 1-0 e em Mira Sintra goleamos os Académicos de Alfragide por 8-0, tivemos várias derrotas como por exemplo na Damaia contra o Moinhos e Juventude que perdemos por 7-2 e falo nesta derrota porque o Moinho e Juventude era a equipa superior a todas as outras, tinha jogadores que para a idade eram mesmo craques e bons de bola.

Os jogos mais problemáticos que a equipa teve foi um em Mira Sintra no nosso terreno contra o Alto da Eira em Sapadores em que ganhamos por 5-2 mas durante todo o jogo o árbitro não teve coragem de expulsar o capitão da equipa do Alto da Eira que fazia faltas mesmo com a intenção de magoar os nossos jogadores, no final do jogo quando se dirigia para o balneário partiu uma porta a pontapé. No joga da segunda volta em Sapadores todos os jogadores nervosos, com provocações, perdemos por 4-3, também o árbitro se deixou intimidar pelas atitudes em campo dos jogadores do Alto da Eira prejudicando o nosso Clube em dois lances capitais dois penaltys que não existiram, errar é humano mas……

Jogo emocionante foi em Carcavelos no Clube Desportivo “Quinta dos Lombos” em que o resultado foi de 5-5, a equipa adversária era superior mas o Sol Nasce Pata Todos bateu-se bem.

Ao escrever este texto, é mais para falar da juventude dessa época que muitos deles já não tinha objetivos de vida e com a chamadas más companhias iam cair no mundo da droga que era o flagelo das nossas comunidades, sinto orgulho e passados estes anos todos e apesar de alguns já fumarem o seu cigarrito, todos enquanto representaram o Clube, foram sempre disciplinados e cumpridores dos objetivos delineados e até aos dias de hoje penso que nenhum deles se perdeu por caminhos sinuosos que só iam dar à toxicodependência.

Num jogo de seniores, O SOL NASCE PARA TODOS contra OS ECONÓMICOS não tendo comparecido a equipa de arbitragem, reuniram-se os delegados ao jogo e foi decidido que o Zé Antunes arbitraria o jogo, ganhou o “Sol Nasce Para Todos” por 7-3. A equipa adversária contestou a minha arbitragem, reconheço que terei errado em dois lances que foram mal julgados por mim mas até foram a favor do adversário, penso que não tira o mérito da minha exibição e do meu empenho, nem está em causa a vitória do “Sol Nasce Para Todos”.

Na altura dos Juvenis eu e a Direção tínhamos a preocupação com os estudos dos jovens e ia-mos falar com os pais para saber-mos da vida estudantil e ouvir as suas opiniões.

O clube “ O Sol Nasce Para Todos” por decisão unanime da Direção deliberou que o Futebol de 5, acabaria tanto nas categorias de Juvenis como nos Seniores, pois as despesas eram mais que muitas e o clube não comportava tamanha despesa as receitas eram poucas.


ZÉ ANTUNES

1994                                                          

20/10/2012

UM DIA BEM PASSADO-ZÉ CUSTÓDIO



Dezembro de 1978 o Zé Custódio vem da Argélia para passar o Natal com a família, está na Argélia num trabalho que tinha arranjado como Serralheiro, chega a Lisboa e vem ter comigo, para pernoitar naquela noite pois no dia seguinte iria para Guimarães.

Nesse tempo depois do meu casamento com a Marinha, vivia com minha mãe ( meu pai tinha falecido em junho de 1978 ) e com os meus irmãos na Avenida da Liberdade ( a casa era tão grande que sempre que malta amiga vinha a Lisboa já sabia onde se alojar ) e o Zé Custódio convidou-me a mim e à Marinha para irmos almoçar ao Solmar, estava com saudades de uma bela refeição,

Esta cervejaria-marisqueira ao estilo retro dos anos 50 é decorada com motivos aquáticos nas paredes e serve alguns dos melhores pratos de marisco da cidade que fizeram dela um clássico da restauração lisboeta. O espaço é muito amplo, escolhida a mesa, começamos por ver o cardápio:

Peixe: Paelha, Marisco ao Natural, Paella,

Carne: Javali, Veado, Faisão, Bife à Solmar

Doces:Tarte de Maçã e Pudim à Solmar

Começamos por degustar uns camarões como entrada. Eu de seguida comi uma sopa rica de peixe, muito boa e a Marinha um creme de marisco mais caldo do que creme. O Zé Custódio ficou-se só pelos camarões, e depois mandou vir uma parrilhada de peixes, eu e a Marinha ficamos com o famoso Tornedó à Solmar, acompanhados de uns finos ( cerveja ) era nosso hábito beber cerveja nas refeições, ainda não tinha-mos aprendido a gostar do néctar fabuloso que é o vinho. Para os doces degustamos uma tarte de maçã que estava divinal.


 
            Zé Custódio, Marinha e Zé Antunes

Depois do almoço fomos beber um café ao Pic Nic onde encontramos malta de Luanda que por ali parava, para sabermos novidades e lembramos as nossas estórias e as nossas vivências, de Luanda, acabando por passar uma óptima tarde, a noite chegou depressa, e fomos jantar a minha casa num jantar feito pela Carmitas minha mãe, pois o Zé Custódio iria lá dormir e no dia seguinte seguiria para Guimarães, para se encontrar com a família.

O meu irmão Nando conhecia o decorador da novíssima e recém inaugurada discoteca “CAVE DO ADÃO “ e que tinha sido convidado mais a esposa, a convite dele lá fomos beber uma bebida e ouvir um pouco de música num ambiente agradável. Claro está que só fomos para casa ás tantas da manhã.

                    Zé Custódio, Nando, Fátima, Marinha e Zé Antunes

 ZÉ ANTUNES
1979                                                                                  

13/10/2012

"AFRICA TENTAÇÃO"




O nome dos Africa Tentação foi inspirado após o espectáculo na Ericeira, em 1976, África Tentação é um grupo musical africano formado na década de 70. Editaram diversos discos e cassettes de músicas originais que nos anos 70/80 tiveram o objectivo de implementar em Portugal e na Europa a música angolana. Os África Tentação foram na época um dos principais pioneiros da música africana em Portugal e viram recentemente reeditadas em CD várias obras suas e distribuídas em Portugal, Cabo Verde, S. Tomé, Angola, e E.U.A.

O conjunto África Tentação foi criado em 1977, com um projecto elaborado por dois dos seus fundadores, José Paulo Serrão e Joka Serrão, na construção de temas musicais com raízes de origem na sua terra, mais propriamente a região de Bailundo, Angola. Com o arranque deste projecto, o conjunto formou-se com alguns elementos inicialmente, tendo-se mais tarde completado com os restantes intérpretes.

Passaram pelo grupo os seguintes músicos: Henrique (Bateria), Mário Bernardo "Sofia" (Voz, Percussão e Trompete), Freitas (Bateria), Zé Morais (Baixo), Joka Guitarra-ritmo), Zé Paulo (Guitarra), Botto (Teclado), Jaime Inácio "Bolinhas" (Congas), Nelo Carvalho (Voz e Guitarra), Nelson ( Guitarra ) e Nando Quental (Voz).

Conheci alguns elementos da banda, principalmente o Nelson, Zé Morais, Nelito e o Jaime.
O Nelson estudou comigo na Escola Preparatória de “João Crisóstomo “ em Luanda, casou com a Gina filha mais velha do Norberto de Andrade.
O Nelito vim a conhecê-lo em Lisboa, pois seus familiares moravam no 41 da Avª Álvares Cabral em Lisboa, onde EU morava depois que comecei a trabalhar.
O Jaime Inácio era do Bairro Popular. Era conhecido de quase todos do Bairro. O Zé Morais nas farras no 1º andar do número 69 da Avenida da Liberdade. Muitas Farras Angolanas eu fui e  a base da música era os África Tentação. Salão do Clube Desportivo dos Fanqueiros, Cave S. José, Pavilhão de Paço d'Arcos. Os temas mais conhecidos são: Sofia Rosa, Autocarro 45, Garina, Moreninha da Costa, Quando Fui a Benguela, Ufeka Yeto, Kissange Saudade Negra, Mutamba, Mulher de Angola, Fantasia de Tchingange, Coladera Bacana, Bananeira da Ilha e muitos outros.

Infelizmente por motivos que desconheço, a banda terminou, e ficaram 5 álbuns de originais. Talvez se voltem a juntar um dia, e matar as saudades que todos temos da sua magnífica música.Não esquecer que o Nélito e o Nelson ainda tocaram no Conjunto Raizes e acompanharam o Raul Indipwo num programa da R.T.P.
Entretanto o Zé Morais, o Hélio Neves e o Botto formaram  
Trio Áfrika - Tentação
Grupo musical descendente do antigo conjunto África Tentação, baseado num reportório de música africana. Uma época do tempo... que nos fazem lembrar os grandes momentos em que este grupo se dedicou com alma ao seu público, transmitindo-lhes carinho e humildade.

              Africa Tentação 1977 ( foto net)





ZÉ ANTUNES
1977

04/10/2012

SONHO


Mélita esteve em Lisboa por altura do almoço dos antigos moradores dos Bairros Popular nº2, Sarmento Rodrigues e Palanca, veio com o Rogério seu esposo para ele ver como era o convivio de um bairro unido, e conversa puxa conversa fomo-nos lembrando de como era nossa juventude em Luanda, e ela foi vendo como seus amigos agora estão mais velhos, enfim recordando.
Incrivel como as conversas sobre aquilo que não vemos mas que amigos nossos nos vão contando, sobre Luanda nos desperta o nosso consciente. Depois do encontro emocional da Betty com alguns moradores e frequentadores da Rua de Serpa no Bairro Popular nº2 hoje chamado de Neves Bendinha, e de ver as fotos recentes que a Graciete na sua viagem a Luanda tirou.

Fui para casa, deitei-me e adormeci.

Nessa noite eu levantei-me às 5 h30m da manhã, a luz já entrava de mansinho pela janela, olhei para a rua, o sol estava a nascer, lindo como sempre (tal e qual como eu me lembrava). Como ontem a chuva fez uma visita, as rãs nas enormes poças de água, inventaram uma música maluca que cantavam desenfreadamente... por cima da minha cabeça um mosquito resolveu acompanhar-me e zumbia feito louco dentro do quarto.

Por momentos, pensei reclamar por causa do barulho mas depois acabei por sorrir, fechar os olhos e adormecer, afinal eu estava com saudades de todos estes sons... e sonhei, eu sonhei que a Mélita:.......

Acordou ás 7 horas, levantou-se rapidamente e tomou um banho de água fria (o esquentador estava lá como sempre esteve, mas também desta vez não era necessário...banho de água fria é mais fixe) lavou o cabelo e passou-o por água e vinagre para ficar macio e brilhante (sim porque o amaciador é coisa que ainda não foi inventada)... ao mata bicho, pão comprado no depósito de pão na Rua da Gabela ao lado da Sapataria do Mudo, leitinho delicioso e toca a andar a caminho da paragem do maximbombo 22.

Bata branca como se tivesse sido lavada com Omo, mas que foi apenas lavada com sabão azul e branco e esteve a corar depois da famosa sabonária quente que Dona Maria do Carmo sua mãe fez (tão famosa como as das outras mães) …

Os príncipes cheios de estilo e banga, na passada chegavam também à paragem do 22, e com olhares atrevidos faziam comentários do tipo "abençoadas mães de tão bonitas filhas" e coisas ainda mais parvas, mas que as faziam sorrir. Não sei como é que conseguiram entrar todos no maximbas, por momentos deixou de ver o Henrique, devia estar a apanhar alguma caneta que caiu aos pés da Betty. Chegou à paragem em frente à 7ª esquadra, livra...mais gente...quero outro banho já (e também um frasquinho de perfume para atirar ao ar) finalmente a João Crisóstomo... motas que cantavam, carros, gargalhadas, batas misturadas com camisas cintadas, calças “ la finesse “ em danças de beijos, borrachinhos...tudo no portão da entrada, de repente admirada vê rapazes do bairro, o Zé Antunes cheio de banga, pergunta ao Litó como pensava chegar ao Salvador Correia a tempo da primeira aula e ele respondeu que tinha borla de horário, o menino Albuquerque, com a maior das latas disse com ar solene "hoje fuguei na escola"...a Mélita como não podia faltar nem tinha borla ao 1º tempo teve que ir para as aulas. aulas...aulas...mais aulas...finalmente hora de regressar a casa, a amiga São o pai foi buscá-la de Lambreta, ela nem queria acreditar...na paragem do maximbombo 22 estavam mais de 20 pessoas, chegou o maximbas e só levou 3 pessoas, 15 minutos depois outro maximbas e só 5 pessoas, quando pensava que só ia chegar a casa no dia seguinte lá veio um que levou todos para casa, entrou na rua de Serpa, e viu logo a vizinha Mila em cima do muro feita maria rapaz e o irmão o Zeca a abrir rua abaixo no carrinho de rolamentos.

A Virinha convidou-a para ir dar uma volta com ela, ela respondeu que sim mas só depois do almoço. Compraram uns pirolitos e depois de algumas voltas e conversas, brincaram com arcos, papagaios de papel, macacas, bolas de click clack, barra do lenço, dá-me fogo, escondidas, jogos do elástico...voltaram para casa, estava na hora de fazer os trabalhos de casa e depois jantar...ficou combinado que voltaria mais um cochito na hora de flitar a casa... antes do jantar, sentou-se no muro, a trincar um bocado de cana de açucar, aquela de suco doce que faz ir até ás nuvens, enquanto mordiscava a cana, ia mexendo o corpo ao som do majuba que tocava em casa da Betty... sentia-se feliz e nem os dois mosquitos que a tentavam picar a conseguiam irritar, a sua mãe mandou-a por a mesa e foi jantar, era dia de quinino mas até esse desgraçado comprimido lhe soube bem, o jantar estava bom mas o mamão acabadinho de apanhar do mamoeiro do quintal estava divinal.

Ouviu a Celina a chamar por ela, pediu à mãe para a deixar ir lá para fora um pouco, a mãe olhou para ela de cara torcida mas acabou por dizer que sim. Na rua a animação era grande, já lá estavam a Chú, o Lili, o Minguitos, o Ze Antunes, o Nando, o Domingos, o Carlitos, o Paquito, o Miguel, o Pinto Ferreira, o Chico, o Zeca, o Cacito, a Virinha, a Dininha, o Victor, a Celina, o Quim Mota e a Linô, outros chegaram depois. o Litó continuava a por musica em casa (devia estar apaixonado) e todos ficavam ali a conversar embalados pelas canções do Roberto Carlos, nem deu pelas horas mas a verdade é que já era tarde e as mães começaram a chamar, apesar de contrariadas e de vários pedidos para ficarem mais um pouco, tiveram mesmo que ir para a cama.

Deitou-se, apagou a luz e fechou os olhos, quase imediatamente adormeceu, estava cansada...acordou às 07 h 30 da manhã...estava frio...levantou-se... tudo escuro e silencioso...não queria acreditar...aquela não era a sua janela... aquele não era o seu quarto...aquela não era a sua casa...aquele cheiro que ela amava já não se sentia no ar...já não estava a pisar o chão da sua terra adorada...tudo tinha mudado...ou foi apenas um sonho? não! não foi um sonho...ela esteve lá...com os seus vizinhos antigos... com os seus vizinhos novos... foi lindo... Eu sonhei.............


ZÉ ANTUNES

2012
Dedicado à Nixa