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22/10/2016

ANA PATRICIA


Olá boas tardes

Vim ao largo e estou á espera do maximbas 22 para ir até ao amazonas beber uns finos.

Pois é Passarinho já fiz isso mas posso tentar de novo aqui vai então os dados da Ana Patricia
Ana Maria de Sousa Patrícia ( Patty ) deve ter 53 anos vivia no Bairro Popular nº2  na rua de Serpa ( rua do cinema São João e da igreja ) nº 24 e 26 era minha vizinha assim com da Mila da Celina da Virinha do Dativo do Bronson do Manuel João ela era muita amiga doe dois irmãos  que moravam no Sarmento Rodrigues,   o irmão dela era o Alberto ( Beto ) ao que sei já falecido o pai era alfandegário no Porto de Luanda  também já falecido. A Patty das  últimas noticias dela são do ano de 1986,  pois ela era professora do ensino básico numa escola primária, ) já pedi a minha amiga Teresa Andrade para ver nos agrupamentos escolares, onde ela se encontra.
quem souber do paradeiro desta Garina favor contactar aqui o mazungue.
Beijoca especial para as garinas que se debatem em luta contra o lobo mau, principalmente a nossa amiga Nixa as melhoras a todas restantes garinas beijocas

avilos Kandandus

deste amigo

ZÉ ANTUNES

Depois de uma dica do Minguitos sobre um edital de uma expropriação de um terreno em que aparece o nome da Patty  e a morada actual, escrevi esta missiva e mandei o estafeta da Refer entregar, mas pelos visto errou no endereço, e não tive resposta.

Essa missiva rezava assim:

Lisboa, 14 de Novembro, de 2010

Ana Maria de Sousa Patrícia, venho por meio desta e depois de longas pesquisas e de ter a equipa do Bairro Popular nº2  a procurar pelo teu paradeiro, pensamos que finalmente te  poderemos contactar.

Eu sou o Zé Antunes, amigo da Mila que casou com o Minguitos da Celina que casou com o Zé Tó, da Virinha e Dininha irmão da Melita amigo da Chú que casou com o Nonocas, amigo do Paquito, Lili, Henrique.

Há vários anos que nos temos reunido e só faltas tu. Por noticias de uns e de outros soubemos que  morreu teu pai, tua mãe e o teu irmão Beto, eu sabia que davas aulas numa  Escola primária onde andou o meu filho até á 4ª classe com o professor Marques da Silva, mas depois não soube mais de ti,  disseram-me que foste para um agrupamento Escolar.

Querida amiga se realmente és a Patty e se  receberes esta missiva, que vou mandar para esta direcção contacta-me

José Antunes Gonçalves

Telefone .........

Telemóvel  .........

Ou

Estação de Santa Apolonia – sala ….

Largo dos Caminhos de Ferro

1100-105 Lisboa

Um grande Beijo de Saudades e um grande Kandandu ( abraço) da Nossa Luanda e do Bairro Popular nº2,

Certo é que  a Patty foi a Santa Apolónia a minha procura e ai disseram que eu não estava, e eu nunca soube da  ida dela a Santa Apolónia, depois uns meses mais a frente recebo um telefonema a dizer que aquela carta não era para aquele endereço e que  a senhora que me telefonou é empresária em Nova Yorke e que só vem a Lisboa de quando em vez, acabou-se ai a minha esperança de encontrar a Patty.

Minha irmã vem a Lisboa por altura do nosso almoço anual e dias depois fomos até ao Norte e fomos visitar o Minguitos e a Mila assim como restante familia, falamos de tudo e mais alguma coisa, recordações memórias e falamos novamente da Patty como era bom o grupo  estar quase todo reunido, faltando só dos amigos mais chegados o Reis e a Patty.

Despedidas e venho para Lisboa, dois ou três dias depois recebo um mail do Minguitos a dizer onde efectivamente a Patty dá aulas.

Não demorou muito,  naquela tarde fui lá, mas goraram-se as espectativas de a ver pois o horário dela , não dava para estar aquela hora na escola, pedi então se no dia seguinte haveria possibilidade de a encontrar.

A senhora de Serviço á portaria disse-me que sim e eu no outro dia lá estava a espera de ver a nossa Patty.

Grande emoção de nos encontrarmos  precisamente 38 anos depois. E ai troca de mails e telefones, e dia  07/07 /2012 iremos fazer um grande almoço de confraternização com quase toda a malta que morava ou frequentava a Rua de Serpa.

2012

ZÉ ANTUNES

29/06/2014

VIDAS ( AMIGOS )



Joaquim Costa meu amigo de infância desde Luanda, conheci-o no Bar São João na Vila Clotilde em Luanda a quando do nosso regresso a Portugal, o I.A.R.N. aloja-o numa pensão ali para os lados da Rua dos Correeiros.


Estando em Lisboa lá nos íamos encontrando e quase todos os dias ao fim da tarde era ponto de encontro para beber uns finos nos Bares da Baixa Lisboeta, Bessa, Pic – Nic, Leão Douro e Pingo Bar onde copo atrás de copo íamos recordando dos nossos momentos anteriormente vividos em Angola principalmente em Luanda, e também desabafando o nosso dia a dia na Tuga.

Esplanada na Rua Augusta ( foto net )

Falava-se muito das Províncias Ultramarinas do regresso dos nossos amigos para onde iam, onde estavam, enfim queríamos saber noticias. 

Nessa altura eu e ele fomos trabalhar no que nos iam aparecendo, eu já estava no Teatro Variedades, e a convite do meu irmão Fernando o Quim Costa vai trabalhar também para o Teatro Variedades, teatro de Revista que ia estrear a “ Aldeia da Roupa Suja” Revista com um grande elenco. 

No teatro tinha uma politica óptima que era na altura dos recebimentos, recebíamos á semana o que era bom pois tínhamos sempre dinheiro para os gastos.

Teatro Variedades ( foto net )

Nos jantares principalmente ao Domingo entre a sessão da tarde “matinée“ e a sessão da noite a “Soirée” íamos todos jantar ao Riba Douro, Águia de Ouro, “Júlio das Miombas” e muitas vezes ao “Ferreira” tudo ali perto do Parque Mayer.

Muitas figuras do elenco, Ivone Silva, Nicolau Breyner, Camilo de Oliveira, Mafalda Drumond, Natália de Sousa e muitos outros e também as bailarinas, iam jantar connosco e nesses jantares existia uma amizade entre todos, inclusive a Ivone Silva foi convidada para Madrinha de uma bebé de um funcionário do Teatro.

Ivone Silva ( foto net )

Amizade que no caso de Quim Costa e da Bailarina Patrícia deu namoro.

Minha mãe gostava do Quim e um dia disse-lhe:

Joaquim meu filho não te iludas, isso é sol de pouca dura, e realmente o namoro durou pouco tempo, pois a Patrícia depressa desapareceu com a ilusão de promessas que nunca foram cumpridas ( promessas de que iria para um grande programa da nossa R T P, o que nunca aconteceu quiseram foi aproveitar-se da ingenuidade dela, com vergonha nunca mais a vimos.

Joaquim Costa recompôs-se dessa situação.

No ano de 1977 nos Santos Populares, numa das festas Populares da Praça da Figueira, entre sardinhas assadas, saladas mistas, broa de milho, caldo verde e muito vinho, sangria e cerveja e muita animação, numa troca de olhares , lá estava o Quim e a Maria Manuela a dançarem durante toda a noite, foi ai que conheceu a mulher e mãe dos seus dois filhos. 


Santos Populares ( foto net )

Nestes anos todos de vivência ainda trabalhamos juntos na “FISIPE” Fábrica de têxteis sintéticos, comprada em 1975 pelos Japoneses, altura conturbada da nossa politica onde imperava o “ PREC “ Plano Revolucionário em Curso.

Meu amigo Quim, mais tarde é integrado numa companhia Holandesa de Reparações e Manutenções de Navios Cargueiros onde se encontra actualmente a trabalhar.

Nas suas vindas a Lisboa, faz um esforço para se reunir todos os seus amigos e com saudades combinamos todos uma jantarada que passa a fazer parte dos Convívios da Confraria do Penico Dourado de que ele também é membro.

Confraria do Penico Doirado

Sempre com esta animação, também nos entristecemos quando sabemos da ausência de algum nosso amigo. Teria muitas histórias para contar dos bons e alguns maus momentos que vivemos naqueles dias a seguir ao nossa vinda de Africa, tempos onde reinava também uma certa anarquia em Portugal.


ZÉ ANTUNES

1976






16/04/2014

MERCEDES NOVO


No ano de 1973/74 a mãe do Carlos pediu-lhe para ele ir comprar uma botija de gás. Ele pega no carro novo do pai um Mercedes- Benz, que mais tarde se iria transformar em Táxi, e em vez de ir ao Sr. Amaro comprar o gás, Carlos chama o Zé Barata que era seu vizinho e lá foram eles em direção ao embarcadouro do Kaposoca e do Kitoco que faziam a ligação Luanda - ilha do Mussulo, grande aventura ( imaginem ele sem carta), chegados ai á entrada tinham que virar a direita para descer até ao parque onde se estacionam as viaturas .

De repente o automóvel deu uma escorregadela de traseira e o nosso amigo Carlos inexperiente na arte de conduzir pisou a fundo nos travões, o carro derrapou e desceu a ribanceira a direito, Carlos aflito e com o pé nos travões, parou a um metro de uma árvore, ficando a viatura enterrada até a abertura da porta.

Carlos na altura ficou aflito, pois a hora do almoço estava a chegar e o automóvel não estava na garagem, seu pai iria dar por falta da viatura.

Começou-se a juntar pessoas na parte alta da ribanceira fazendo os normais comentários quando senas destas acontecem:

Alguém se feriu!!! Perguntaram…

Tudo bem só o automóvel é que ficou aqui na areia enterrado!!! Respondeu…

Apareceu o fornecedor que enviava o pão para a Ilha do Mússulo, e com a boleia dele vieram para Luanda e foram ter com os Bombeiros ( naquele tempo não existiam telemóveis )

Lá conseguiram que os bombeiros os fossem socorrer tiveram que levar uma grua para içar o belo Mercedes-Benz ladeira acima.

Nosso amigo Carlos chegou a casa sem o gás, encostou o automóvel junto á parede da garagem, porque tinha amassado a parte da embaladeira debaixo da porta do pendura, tomou um banho rápido de mangueira no quintal,

O pai do Carlos só deu conta dois dias depois, da parte acidentada do carro, e só soube da história quando chegaram ao Brasil.

( história do Carlos Alberto )

 
Zé Antunes
1973

29/03/2014

ALCUNHA

 
Uma alcunha é uma designação não-oficial criada através de um relacionamento interpessoal, geralmente informal, para identificar uma determinada pessoa, objeto ou lugar, de acordo com uma característica que se destaque positiva ou negativamente, de forma a atribuir-lhe um valor específico.

São também sinônimos de alcunha as palavras apodo, antonomásia, cognome e epíteto. A designação apelido pode causar potencialmente alguma confusão de sentido, visto que em sua origem significa o nome de família, embora na linguagem técnica a palavra mantenha seu significado original.

São fontes de inspiração para os apodos alguns ofícios (padeiro, leiteiro, pedreiro) e o local de origem (alemão, japonês, angolano, carioca). Em Portugal, no passado, diversos apelidos (nomes de família) tiveram esta origem.

Algumas alcunhas comuns têm normalmente origem em características físicas do indivíduo, como aleijadinho, manco, maneta, quatro-olhos. Deve-se considerar ainda que as alcunhas podem prejudicar psicologicamente o seu alvo, quando assumem caráter pejorativo, evidenciando uma característica que o mesmo desaprove. Wikipédia.

A palavra alcunha deriva do Árabe al kunia e qualquer dicionário de Português informará que se trata de apodos, cognomes ou apelidos.

No meu tempo de kandengue, na nossa meninice, no convívio com os nossos avilos muitos eram os amigos do Bairro e colegas de escola que foram simpaticamente baptizados muitas vezes pelos diminutivos e também com alcunhas, com mais ou menos sentido. Alcunhas essas que se agrafaram à pele e se mantiveram ao longo dos tempos. Havia muitos avilos que já não eram tratados pelos verdadeiros nomes ( muitos de nós nem os sabiam...), apenas pelas alcunhas. 

Cada alcunha tem sempre uma ligação a um facto concreto, filiação, profissão, inclinação artística, qualidades físicas ou morais, lugares, casas, palavras ditas em certos momentos e tantas outras

Algumas Alcunhas dos amigos de Luanda, principalmente dos Bairros Popular, Sarmento Rodrigues e Palanca. 

James Béu Béu ( agente secreto ) --- D'Jango ou Cú de Lado --- Bamba --- Perninhas --- Chico Maia --- Zé do Talho --- Bia --- Vaca Loura --- Zé da Mina ou Zé das Cenas --- Massemba --- Gindungo --- Paraquedista --- Vira o Disco --- Toalhinha --- João Bala --- Bom Moço --- Bolinhas ou Cú de Chumbo --- Cornos Grandes --- Luis Gordo ( já falecido ) --- Pasteleiro --- Das Kuarras ( Putas ) --- Pinguiço (já falecido) --- Dentolas --- Passarinho --- Cacepita --- Pompelix ( já falecido ) --- Pincel --- Sapateiro --- Rojão --- Camaláú --- Gambuzino ---   Madeirense --- Dificil --- Tirone --- Taúta --- Fritas ou Esfrega (já falecido) --- Timano --- Filho do Chui --- Policas --- Comprido --- Victor Russo --- Six Foot --- Menina --- Bacalhau --- Copito --- Caspuluca --- Doutor --- Avicuca --- Brinca na Chica --- Madié --- Sanguito --- Desliza --- Escaqueirado --- Canhangulo --- Guimas --- Zé Ideias --- Micas --- Bino --- Castelo --- Lâmina --- Toringa --- Paquito --- Bomba ( já falecido ) --- Sem Cú --- Carocha --- Mestre --- Faisca --- João da Tudor --- Tino da Cola --- Comando --- Roberto Carlos (já falecido ) ---Transmontano --- Zé Banqueiro --- Russo da Garelli --- Manito --- Guimas --- Magriço (já falecido) --- Suta --- Ampere --- Pimpim --- Saratoga --- Sandy Show --- Joao Cabof Cob --- Capacete --- Pantera Negra --- Carriço --- Stop --- Algarvio --- Bacalhau --- Escorrega --- Tião Abaterá --- Cuanhama --- Cri Cri --- Gugu ou Gorila  --- Yogurt ---Mamoeiro --- Cambuta --- Renhenha --- Doméstico --- Jipão --- Mário --- Tramagal ---Chanocas --- Bronson ou Piassá ---Tomate --- João Mulato ou Bob Dylan --- Mário Bébé ---Rabietas --- Carniceiro ---Fininho.

 



 
ZÉ ANTUNES
 
2014

17/09/2013

TRIPLA DESGRAÇA...!!

  

José Francisco, transmontano de Mirandela, naquele tempo depois de findar a 2ª grande guerra, as dificuldades eram tantas que só imigrando se conseguia trabalho, ele com uma carta de chamada de um conterrâneo seu, nos anos de 1950 vai para Luanda – Angola.

Primeiro vai trabalhar para uma mercearia, depois estabelece-se por conta própria com o seu negócio de carnes.

Monta um Armazém frigorifico e ao lado a respetiva loja de carnes verdes nos arredores de Luanda mais precisamente no Cacuaco.

A vida é-lhe abençoada e a custo de muito trabalho consegue dar os estudos Universitários ao seu único filho, o meu grande amigo Pedro José que entrando no Serviço Militar em 1967 e numa emboscada nos Dembos, fica com o braço direito paralisado e com estilhaços de granada, estando o braço morto. Vem a ser submetido a várias intervenções médicas no hospital Militar na Estrela, onde depois de muito tempo consegue uma aposentação por invalidez e ruma a Luanda onde estavam seus pais, e vai ajudando no que consegue, e pode.

Nos acontecimentos do 25 de Abril, de 1974, vão para a África do Sul, mas regressam a Lisboa em Setembro de 1975, sem dinheiro e sem roupas, com a ajuda de alguns familiares e amigos e com um empréstimo difícil de obter, mas consegue o tão desejado empréstimo, para a compra de uma Quintinha em Pontével no Cartaxo, e dedica-se á criação de animais ( cabritos , porcos e duas vacas leiteiras, assim como algumas aves), tem terreno também para se dedicar á vinicultura.

O filho o Pedro José vai com a esposa para o Brasil.

Meu pai amigo de longa data do José Francisco, eram vizinhos em Trás os Montes em Mirandela, meu pai da Aguieiras , o José Francisco da Bouça.

Em Outubro de 1976 é convidado a reparar o telhado da habitação e dos anexos, empreitada que vai até perto do Natal desse ano.

José Francisco vai trabalhando, a vida sorri-lhe apesar dos seus 58 anos, diz que com o que tem já pode morrer, pois Dona Esmeralda é mulher para continuar com o trabalho na Quinta, e que ele não precisa de trabalhar tanto.

Numa bela noite de Verão do ano de 1987, Francisco José já com quase 70 anos de idade, e porque alguém andava a surripiar durante a noite as uvas e alguns frutos , e inclusive um Cabrito que desapareceu sem deixar rasto, o José Francisco andava de tocaia e a desgraça, veio nessa noite.

Um rapazito com 12 anos entrou na vinha, mas para fazer uma necessidade fisiológica, Francisco José dispara dois tiros da Caçadeira e baleia o miúdo que quando chega ao Hospital já está morto, o José Francisco logo ali vê a desgraça em que está metido, e só diz:

Eu só o queria assustar, eu só o queria assustar.....

Entrega-se à Guarda Nacional Republicana, vai a julgamento e o Juiz sentencia-o a 20 anos de prisão.

Dona Esmeralda sua esposa também já com 70 anos, não aguenta a solidão e em 1989 com uma depressão vem a falecer.

O Pedro José vem a Lisboa, com a esposa e dois filhos, ao funeral de sua mãe e tem um acidente de Viação em Santarém, que o atinge mortalmente, já no ano de 1990, sua esposa e filhos regressam ao Brasil

Francisco José com 7 anos de prisão efetiva, é internado no Hospital de Santa Maria, vindo a falecer em 1995.

Francisco José, Pedro José e Dona Esmeralda, pessoas de quem eu gostava, estejam onde estiverem, estejam em PAZ.

ZÉ ANTUNES

1995

11/06/2013

AMIGOS, MIÚDAS E LIAMBA..!



As minhas memórias da adolescência com amigos, principalmente com o Ângelo e o Artur amigos do Bairro da Cuca, e outros amigos, leva-me a sitios bem distantes no meu imaginário, das boas companhias das boas farras e dos momentos em que acampavamos na ilha de Luanda.

Havia dois elos de ligação entre mim e o Ângelo, nomeadamente as nossas mães que eram amigas ( a mãe do Ângelo a Maria Marques tinha uma banca de legumes no mercado do Kinaxixe, em que minha mãe foi primeiro empregada, mas depois a mãe do Angelo passou a banca para a minha mãe ) e mais tarde no desporto nos jogos de futebol de 11 na Escola Indústrial de Luanda. Eu e o Ângelo costumavamos jogar juntos na Escola ( ambos frequentavamos o Curso de Aperfeiçoamento de Serralheiro ) apesar de eu já nessa altura residir no Bairro Popular nº2.

Também possivelmente conhecia-o melhor, porque era com quem eu saia no inicio da decada de 1970 depois do meu regressoa a Luanda. E foi sempre as nossas familias, o elo de ligação entre nós. O Ângelo casou já na Póvoa de Varzim no ano de 1976,

Luanda na época era um lugar fantástico, porque havia muita coisa a acontecer. Muitas miúdas, muito rock`n`roll, também para desgraça de muitos, havia muita liamba.

Olhando para trás, dou-me conta de que era um grupo de amigos imensamente talentosos. Éramos um um grupo de adolescêntes movidos pelas harmonas que tiravamos o máximo partido do que Luanda tinha para oferecer em termos de diversão.

Recebemos uma educação muito despreocupada de quase classe média. Recordo esses anos de adolescência com muito carinho.... amigos fantásticos, eventos fantásticos, experiências muito iluminadoras e, claro miúdas, música e farras.

Nessa altura o Artur era um rapaz normal, era apenas mais um no grupo e, naquela altura ainda não tinha dado sinais do seu talento.... isso só aconteceria mais tarde. Tanto quanto me lembro ele na Escola Industrial estudava pintura decorativa, ele tinha muita graça e pintava bem, mas o seu talento era ele em qualquer festa, ou farra, com a sua guitarra, dois acordes e começava a cantar, não tinha uma grande voz, mas tinha sempre miúdas á sua volta. Penso que aos olhos delas, ele era tão misterioso e vulnerável, como bem parecido e talentoso.

É preciso não esquecer que embora o Artur se viesse a tornar venerado, famoso e respeitado pelo seu trabalho, eu não mantinha uma amizade próxima com ele desde que ele acabou o Curso na Escola Indústrial, iamos-nos falando, e vendo, ainda fui em Luanda ao seu casamento com a Manuela, ia o vendo, até ao momento, já em Lisboa, em que se foi abaixo.

Quando eramos adolescêntes ele era um rapaz, com as suas paranóias não era mais ou menos normal, era um rapaz perturbado.

Frequentamos a mesma Escola mas em cursos diferentes e ele era mais velho, conviviamos pouco, mas ele era nuito bom a tocar guitarra pelo que foi aceite no nosso grupo. Claro que anos mais tarde isso viria a tornar-se irritante pois começou cada vez, e com mais frequência a fumar uns charros, e a embrenhar-se no mundo da droga.

Falar do Artur não é um dos meus temas preferidos, lamento dizer, e fico triste quando me apercebo que faleceu muito jovem (maldita droga).

Deste dois amigos que conheci muito jovem no Bairro da Cuca, o Ângelo que está em Póvoa de Varzim ainda mantemos contacto e quase sempre que eu vá ao norte é pretexto para nos encontrarmos e fazermos uma almoçarada.


 ZÉ ANTUNES

1975



21/05/2013

“ A PRISÃO “


Na vinda das colónias Portuguesas no ano de 1975, nem todos conseguiram se integrar na sociedade portuguesa.
Alguns para sobreviverem, enveredaram por esquemas de candonga e de tráfego de estupefacientes.

Jaime Silva em Angola trabalhava numa gráfica como linotipista, devido ao chamado verão quente de 1975, Jaime não conseguia emprego. É Jovem tem 27 anos.

Nesta história está o drama que a contas da compra e venda de droga, alguém não paga a mercadoria, nosso amigo Jaime na altura sem dinheiro para sustentar dois filhos menores e a esposa, perde a cabeça e de arma em punho, dispara dois tiros certeiros que matam o seu amigo.

Preso, julgado, é-lhe aplicada uma pena de 20 anos de cadeia.
A esposa Rosa Silva vinda também ela de Angola, trabalhava como dactilógrafa numa pequena fábrica em Viana cidade satélite de Luanda, vê-se sozinha com os dois filhos, na época por intermédio de um tio que tinha uma frota de táxis na cidade de Lisboa, trabalhava como motorista de táxi, penso que foi uma das primeiras mulheres a ser motorista de táxi, com a ajuda de alguns amigos lá vai sobrevivendo mais os filhos.

No táxi conhece muitas pessoas, muitas histórias, e um belo dia recebe uma proposta tentadora, apesar de o Jaime estar preso devido a ter morto um amigo por causa de negócios de droga, a proposta é ser correio de 2.5 kgs. de droga para o Brasil. Tudo acertado, os filhos entregues a uma pessoa amiga, faz as malas, fundos falsos coloca a droga, e dirige-se para o Aeroporto da Portela para embarcar diretamente para São Paulo.
Antes mesmo de entrar no aeroporto é presa, vai para tribunal e o juiz sentencia com 5 anos de prisão em Tires.

Com os filhos menores vive na cadeia até ser libertada. Em 1985 é libertada, Rosa viveu tempo suficiente na Prisão para saber, que para a sociedade o fim do castigo ou da pena não são conquistas, reconhece isso ao procurar emprego, e ao dar as suas referências, no pensamento dela, diz a muitos amigos que a sociedade a marginaliza.

Nas visitas que faz ao Jaime, diz-lhe o que vai fazer, ele reprova essa absurda ideia que a atormenta.

No Rossio compra uma arma, dias depois entrega os filhos, a Andreia com 8 anos e o André com 6 anos a uma amiga de confiança dos tempos da sua juventude, dizendo que vai ao Porto, por causa de uma proposta de trabalho.
Refugia-se em casa e poe termo à vida com um tiro na boca, morreu jovem.

O Jaime Silva saiu da prisão no ano de 1995

Em liberdade refez a sua vida, arranjou trabalho numa gráfica, casou de novo e vive com seu filhos.

O que o faz viver e pensar neste anos todos que poderia ser feliz junto dos filhos e da Rosa, muitas vezes culpa-se pela morte da Rosa
Hoje os filhos crescidos estudaram e emigraram para a Austrália onde está um irmão do Jaime.
Ele está a espera da sua reforma


ZÉ ANTUNES
2013

MATARAM DONA ARMINDA



É muito fácil falar de Dona Arminda, sua mãe foi amiga pessoal de minha mãe, dos tempos do Mercado do Kinaxixe onde minha mãe tinha uma banca de legumes, mas eu só a conheci pessoalmente quando certa vez, eu e minha mãe fomos ao hospital Maria Pia e ai vi como ela era generosa e afável Dona Arminda, uma pessoa alegre, bem disposta, dedicada mas delicada com todos.

Dona Arminda era de uma bondade angelical, de uma delicadeza de princesa, de uma serenidade, de um amanhecer e de uma calma de monge. Muitas vezes ao entardecer, minha mãe visitava-a e ficavam ali na conversa até muito tarde.

Como diz o poeta, ela deveria ser eterna. 

Dona Arminda gostava de ouvir no seu rádio de pilhas em cima de uma pequena mesa na cozinha coberta com uma linda toalha de plástico xadrez amarelo e azul, quando começavam a transmitir a rádio novela “MARIA” e o início era sempre assim: Luanda são 17 horas, a linda música que antecedia o início da rádio novela fazia-a viajar pelo mundo através da voz do grande locutor e descobrir mundos e lugares jamais imaginados por sua mente. 

Vim para Portugal em 1975 e nunca mais ouvi falar nela, sei que ficou em Luanda, e neste ano de 2013 pesquisando na net reparei neste escrito que transcrevo na integra.

Nossa amiga das noitadas naqueles mufetes dançantes, que invadiam os centros recreativos de S. Paulo, Ginásio, Maxinde, Escrequenha e Perdidos. Ela partiu, deixando um grande vazio entre nós, exatamente quando tinha-mos planeado mais uma vez festejar, o seu aniversário, numa das salas da (Liga Nacional Africana ) mesmo por detrás de sua casa. Ainda me lembro como se fosse hoje, da aquela senhora branca sem kigila, como ela própria se definia. Ela morreu numa tarde de sexta-feira ( junho de 1976 ), cravada com um tiro na cabeça, quando pretendia abrir a porta, para um suposto amigo. Foi duro, ver seu corpo feito escombros dois dias, deitada no corrimão, daquele 1°- andar no Zé-Pirão.
 
Ela descansava, depois de mais um dia de trabalho, no hospital ( Maria Pia ) onde exercia medicina, quase 20 anos. Ela era um grande encanto para todos que a conheciam, e alegria das crianças, daqueles tantos vizinhos, que viam nela um grande exemplo de humanismo, carinho e amor. Quantas vezes, distribuiu rebuçados e balões para aquelas tantas crianças, que se prendiam á sua saia, mal estacionasse o seu Ford-Capry cor de laranja. Que pena !!!
 
Em Angola ela sempre, sentiu-se, como se estivesse em casa, pois de portuguesa, nascida na pátria de Camões, Mário Soares e tantos outros, ela até já tinha perdido o sotaque. Mulher alegre, sempre presente e participativa, quando fosse chamada. Respeitada e admirada pelos seus colegas de trabalho, que não hesitaram em indicar seu nome para chefiar a comissão sindical de trabalhadores do hospital, dado a sua competência e qualidade profissional.
 
Aos fins de semana, lá estava ela com seus melhores amigos ,ora na Palhota saboreando um bom churrasco ou no Maxinde dançando o semba em passadas largas, que ela adorava e escutava sempre no seu carro. Era impressionante, a alegria daquela mulher, que sabia viver todos os dias e tirava o máximo de rendimento das oportunidades que a vida lhe oferecia. Lembro-me dela como se fosse hoje, do brilho de seus olhos e das vezes que vibrava quando o ( ASA ) sua equipa de coração, entrasse em campo, ou quando no seu caro escutasse ,os brindes de ; David Zé, Urbano de Castro ou de Roberto Carlos.
 
Raramente viajava para Portugal, no seu período de férias. Tinha familiares em Benguela onde viajava sempre que pudesse. Arminda foi duro para nós ver-te partir daquele jeito, tão brutal e cruel. Os corações daqueles, que te conheciam e das crianças com quem tantas vezes brincaste, escrevem em letras de sangue, lágrimas e dor o teu nome inesquecível "Arminda " Amiga, tua imagem continua bem viva em nossa memória. Aquelas ontem crianças, hoje pais, mães e avôs ainda se lembram de ti e dos bons momentos que passaram mergulhadas em teus braços.
 
Descanse em paz, Arminda...Foi revoltante saber que teu assassino de nome ( Zé Manuel ) pouco depois tinha sua liberdade, suas armas nas mãos, para fazer novas vítimas, destruindo outras amizades, e deixando outros órfãos. 

Quem era Zé Manuel ? ----- Um jovem corpulento ( negro chocolate) como era conhecido, no meio feminino, dono de tantas garotas, charmoso, carapinha brilhante, mergulhado na fama de ser engatatão. Zé Manuel, sobrinho querido de um então, pesado major de patente, de uma importante brigada de transporte rodoviário. ( B.T.R ). Seu tio de nome conhecido "Nga Kumono ", homem arrogante, de um sorriso furioso e falso, gostava de ter a fama de ser bruto e poderoso. Não tinha filhos daí, o sobrinho ser o mais querido e protegido de tudo e todos. Para além, dos defeitos que ele considerava como virtudes, Nga Kumono era considerado um dos homens mais ricos do bairro onde nasceu ( Katepa ) em Malange. Tinha de tudo o que queria sem o menor esforço. Em Luanda morava numa das melhores, mansões da cidade, coberto por um equipamento eletrónico de vigia, piscina com mármore dourado, criados vindos do sul de Angola, muitos deles curiosamente até andavam descalços.
 
Tinha cozinheiras, Mercedes de luxo e falava-se, que era um dos maiores traficantes de diamantes no momento, e sócio de um hotel em Malange com seu conterrâneo o famoso (Paulo Stop ).Importa dizer que tal hotel chamava-se: " Kigima " também na cidade de Malange. Nga kumono tinha uma das suas mansões em Luanda, exatamente no coração entre a Vila-Alice e o bairro do Maculusso. Seu sobrinho Zé Manuel muito cedo foi identificado como o assassino de nossa amiga, pois era pessoa que frequentava o prédio. Uma vez militar, foi levado para a PM \"Policia Militar \"e segundo testemunhos, bastou dizer que era sobrinho de major Nga Kumono, os policias começaram ,a olharem-se uns para os outros.
 
Zé Manuel, não precisou confessar, pois tinha sido visto a fugir, depois do disparo mortal que levou nossa amiga para sempre. Nga Kumono, correu para a PM e lá soltou seu sobrinho, perante o olha inconformado de "Escorpião, Jacinto Lima e Veloso" que eram responsáveis da unidade militar. Onde estavam os direitos humanos ? A grande injustiça é que perdemos a nossa amiga para sempre e o assassino foi posto em liberdade como disse, delicerando familiares e amigos com a dor da perda que sentimos. Nossa dor minha amiga. Pesadelo, a família e os amigos delicerados, descrentes de tudo numa Angola, dos nossos governantes perdidos, olhando para o nada.
 
Ficamos com nossas feridas no peito, que não cicatrizarão até ao fim dos nossos dias. Juntos conhecemos o verdadeiro significado da palavra amizade. Tu partiste. Tivemos que começar tudo de novo. Nossos planos eram compartilhados. Tudo fizemos, para defender tua honra, acabamos abafados e intimidados. Juntamo-nos fizemos abaixo-assinado e acabamos por ser marcados. A quem haveríamos de recorrer? Policias e tantas outras instituições, só nos diziam que, nada havia a fazer, pois o major era forte e bem protegido. Houve até policias, que nos diziam que estavam a meter suas posições em risco, pois o major tinha cunha em todo setor, público e político. Meus irmãos, a perda de nossos amigos não pode ser em vão. Essa dor muda completamente nossas vidas e que, sabemos, nos acompanhará pelo resto dela no pode ser atoa.
 
Foi dos crimes mais bárbaros de que, alguns que moraram no Zé Pirão, tiveram conhecimento. Acredito que essa atitude monstruosa seja fruto da impunidade que já reinava em nosso país, onde nada é levado a sério e as inúmeras mortes que ocorrem de forma semelhante são encaradas apenas como números em algumas estatísticas. Irmãos, se nada for feito, amanhã poderá ser você, sua mãe, tio, amigo, irmão, vizinho, conhecido ou outro compatriota.



Fernando Vumby


2013

29/04/2013

CANCRO


Ao escrever este tema dedico-o a todas as mulheres que lutam com o  “clicaLOBO MAU aqui "
 

O nosso almoço anual de confraternização dos moradores dos Bairros Popular, Sarmento e Palanca que está prestes a realizar-se e ao consultar os nomes e moradas bem assim como os contactos telefónicos para anunciar e informar do próximo almoço, vi na inscrição de algumas amigas a palavra falecida. E eu sei de que é que algumas de vocês faleceu.

A nostalgia apoderou-se de mim e em desespero comecei a escrever sobre vocês amigas do coração.

Não é fácil falar de vocês que se foram embora, vou lembrando-me dos dias em que conheci muitas de vocês. Umas pacatas outras extrovertidas, outras alegres e ainda algumas tímidas, algumas como se fossem rapazes, outras de cabelos longos a esvoaçar ao vento a conduzir a sua mini mota Honda, a passear no Bairro, fazendo com que muitos rapazes se apaixonassem.

A quando da nossa vinda de Angola muitos de nós separamo-nos, contingências da vida, cada um para seu lado.

Mais tarde deu-se e vai-se dando o encontro de muitos de nós nos encontros dos almoços anuais comemorativos dos Bairros onde vivíamos e também os almoços anuais das escolas que frequentava-mos, onde tentamos estar sempre em contacto uns com os outros.

Particularmente segui de perto a Luta de uma amiga que de repente me confessava as suas maleitas, principalmente a luta com o tal de Lobo Mau, que se apoderara do seu seio.

Portou-se
bem no inicio, retirou-se o tumor, mas o Lobo Mau ficou à espreita, malandreco, regressando com mais força, e ela galhardamente, heroicamente combateu-o, mas ele lá ia fazendo as suas malandrices.

Amiga minha fizeste tratamentos arriscados, quimioterapias, e outros tratamentos mais, quantas milongas tomavas. Combate inglório.
De repente foste embora, mágoa minha não ter ido ao teu funeral, soube já tarde a tua partida. Acredita que chorei, fiquei com saudades, saudades do nosso tempo de Luanda e mais tarde de Lisboa de Carcavelos, dos pequenos convívios, e dos cafés, que quando ia ter contigo, já não os saboreavas, lembro-me de me dizeres “ QUANDO FOR PARA OUTRA DIMENSÃO LEMBREM-SE DE MIM”.

Amiga descansa em paz, que teus amigos e amigas verdadeiros estão sempre a lembrarem –se de ti.

A todas as amigas que lutam heroicamente com o Lobo Mau que se restabeleçam rapidamente,

Muita coragem e Amor
 ZÉ ANTUNES

 2013

 

22/03/2013

FALAS NOVAS




Estória de um Angolano.

Depois de ter sapado pra tuga voltei pra banda porque lá tava malaike. Tava bué ansioso pra ver os mos bradas, mos tropas, mos kambas, mos avilos e também queria marar a minha mboa. Akele kawele da tuga já tava me bondar malaike coxito a coxito. No caminho pró kubiko o nduta do ndomblé foi penteado por um catorzinho. Eu não cai porque seria bué rijo apanhar outro. A espera foi dura porque tava sentado ao lado duma kota que tinha uma dizumba bué malaike e ainda por cima o kobéle era um uí bué boelo que só tava a falar bué de mambos malaike ( dibuca). Quando cheguei no mo Gau controlei que tinham me estendido de milhões. Os pipous já tavam a pensar que eu tava bossanga, que tinha virado nguvulu. Eles nem sabiam que eu tive de paiar os meus mambos para poder voltar. A minha mamoite preparou já uns páiter bem esperançosa que o puto dela agora tinha kumbú. Quando lhe dei a dica que tava paiado ela meteu as mãos no nguimbo, disse que tinha lhe facado porque ela já tinha feito uns kilapis a contar com a minha massa. A kota ficou lixada me disse para bazar da house dela e eu disse tass.

Mais tarde fui ter com os meus alós pra saber das novidades. Eles me galaram e perguntaram onde é que estavam os grifes e o popó que eu falei que ia trazer. Não deu, eu disse. Eles me contaram tudo que tinha rolado e a pior foi ouvir que a minha dama tava com outro mwadié. Me disseram que ela afinal gosta de partir braço e que não maia quando o assunto é kumbú. Que ela agora tá a tchilar com um papoite que tá a lhe dar vida mulata. Fikei bué fox e só pensava em dar umas sandalhas no trolo mas os meus cambas me disseram que a garina tinha um guardilha bué caenche e que ele ia me pancar tipo sou filho dele. aceitei só. Nakela noite sapamos numa boda pra festejar a minha volta. Chupei, papei e tarrachei tipo nada, ainda tava pra perar uma xkindoza mas ela saiu pra dar uma sussa e já não voltou. Acho que me deu um jajão. Na hora de voltar eu é que fui o nduta, dei bué de mbaias, os meus tropas pensaram que íamos parar mas eu canguei bem aquele 2012.

Dia seguinte comecei a banzelar acerca da minha laife: não tou a amarrar, não tou a bumbar, não tenho mboa, já não sou ndengue, não tenho os faz-me-rir, não sou um granda mwadié, tou bué fininho tipo vou dar o caldo e não me aparece nenhuma fezada. Daki a pouco já nem vou poder matabichar, vou akabar por fikar tarla e por se bondar. O pior é que no meu komba nem vai ter uma gti se ker porque vai ser o komba dum granda fobado. Epá vou dar a tiroza.

OBS: se entendeste tudo é porque és 100% angolano, ou melhor, mwangolé. Caso contrário és um langa disfarçado. Esse mambo não fui eu que duzi, um kamba me passou...mas como kuiou, tipo que também vai te kuiar quando galares bem esse biolo bué fixe! se tiveres a travar com a tradução dá o tok que para muitos isso não é kunga é sempre kuioso safar um(a) sangue!
Juro mesmo! Fiquei quase na mesma.

T´Chingange

António Monteiro escreveu

Postado no sanzalangola e no facebook por Paulo Robalo
ZÉ ANTUNES

2013


14/02/2013

JOSÉ FARIA




A LUANDA QUE ELE CONHECEU

Quando o meu grande amigo José Faria se apresentou no Quartel do Grafanil em Março de 1970, fez um telefonema a meu pai a dizer que estava em Luanda, visto ele ser de Mirandela e ainda ser primo do meu pai,

Como era amigo do meu tio André do Patrocínio que esteve em comissão no N.R.P. Vasco da Gama no ano de 1964 a 1967, foi com essas referências que ele chegou a Luanda para procurar a Família Antunes Gonçalves, depois do telefonema, meu pai foi ao Grafanil, ao seu encontro, foi ai que eu o conheci. Em Abril de 1970 meu pai foi para a África do Sul e eu, meu irmão Fernando e minha mãe viemos para Portugal onde se encontravam meus irmãos Victor e Melita.

José Faria ficou a viver em casa dos meus pais sempre que vinha de fim de semana, meu amigo não tinha carro, durante esses primeiros tempos, não saía muito. O Quartel do Grafanil ficava distante do Centro da cidade e mesmo do Bairro Popular nº 2 onde residíamos.

Só quando tinha boleia ia até ao Bairro Popular nº2 e depois, utilizando o machimbombo, que o levava do Bairro Popular nº 2 ao largo da Mutamba, no coração da cidade, aventurando-se depois ou a pé, ou á boleia, ia para a Ponta da Ilha, praia que era a mais frequentada, e era complementada por um frequentadíssimo bar. “A Barracuda“ onde muitos madiés vendiam o seu artesanato. Também ia, por vezes, comer um gelado ao Baleizão, à Versalhes ou à Pólo Norte, na avenida Salvador Correia, mas muitas vezes o seu destino era a encantadora ilha do Mussulo que ficava um pouco a sul de Luanda e era local obrigatório para muita gente visitar nos fins-de-semana, tendo ele passado parte de uma tarde de um domingo com outro soldado e pessoas amigas a percorrer o mar circundante, indo até a ilha dos Padres, dentro de uma pequena lancha motorizada por mero prazer lúdico.

Luanda já era uma cidade, grandiosa, propriamente dita e de Musseques nas zonas periféricas. Nas várias zonas da cidade do asfalto e do cimento, habitadas essencialmente por brancos e mestiços. Existiam importantes vias como as avenidas dos Combatentes da Grande Guerra, Avenida do Brasil, Avenida dos Restauradores de Angola, Avenida do Brasil, Alameda D. João II e a bonita marginal (Avenida Paulo Dias de Novais) que limitava a lindíssima baía de Luanda a leste, percorria toda a estrada da ilha do Cabo, ia passear ao largo da Mutamba e ao Largo de Diogo Cão, junto da zona portuária no extremo norte da marginal, passeava na zona da igreja da Sagrada Família, gostava muito de ir à Maianga, e pelo estádio dos Coqueiros.

Mas também viu vários musseques, manchas de pobreza na periferia da progressiva cidade que era Luanda naquela época, e habitados essencialmente por negros. Musseque dos Pescadores na Ilha, o Marçal, o Prenda, o Sambizanga, o Bairro Operário e outros nomes que se foi habituando a ouvir enquanto por lá esteve. Os musseques eram um amontoado de pequenas habitações feitas de lata, madeira e barro, tendo tectos de Lusalite (fibrocimento), zinco, latão ou folhas de palmeira, com estreitas ruas de terra batida, sem água canalizada nem saneamento básico.

Confessou-me um dia que se ficava com uma péssima impressão da cidade, mas não demorou muito tempo que começou a encantar-se com aquele mundo.

Na altura, Luanda tinha 600.000 habitantes e era a segunda cidade de Portugal depois de Lisboa. Hoje tem cerca de 6.000.000.

A zona da Boavista onde ficava as refinarias de petróleo, e que limitava a baía a norte, a zona do Cacuaco também era visitada, para saborear o belo marisco. Mais tarde comprou uma Mota marca Honda CBR 350

À noite, muitas vezes ia dançar (ou ver dançar) o merengue, a rebita, ia aos bailes nas zonas dos bairros Populares. Principalmente gostava de ir ao Desportivo União de São Paulo, ao Clube do Sarmento Rodrigues e ao Clube do Bairro Popular nº 2, outras vezes ia ao cinema: lembra-se de ver filmes no Miramar, um cinema ao ar livre mas com uma cobertura por causa das chuvadas tropicais, que ficava numa zona alta e rica, e tinha uma vista deslumbrante sobre a Baia e a Ilha de Luanda. Mas havia também o Colonial, o Tropical, O Império, o Avis, o Restauração e outros.

Em diversas ocasiões ia beber um copo ou ver um espetáculo a casas noturnas como a Gruta, ou o Tamar na restinga, mesmo à entrada da ilha, à esquerda. À direita ficava o fino Iate Clube. No interior da cidade havia, por exemplo, o Maxime ou o Copacabana.

A ilha do Cabo era separada da parte continental por uma estreita faixa de água atravessada por uma ponte. Imediatamente antes da ponte e do lado da cidade, à esquerda, erguia-se a Fortaleza de S. Miguel.

Mas, o que se repetia noite após noite eram as cavaqueiras, com os amigos e com uns finos de Cuca ou Nocal na mesa e a apanhar um ar mais fresco, principalmente no Restinga Bar.

O José Faria no tempo que esteve no Serviço Militar esteve no Grafanil sendo mais tarde transferido para o R.I. 20. Fez duas comissões no Leste de Angola. Muitas histórias tem ele para contar, mas essas ficam para outra ocasião.

Como todos que estiveram em Angola sabem que o clima de Luanda era aprazível. Há duas estações: a das chuvas ou verão, com o sol sempre aberto, mais quente e mais húmida, que durava de Setembro a Maio, e a do cacimbo, em que o calor era menos intenso e decorria em Junho, Julho e Agosto.
José Faria confessou-me que se ia apercebendo, que não havia racismo digno desse nome. A segregação era essencialmente económica.

Um caso curioso e que atesta bem a forma de sentir e pensar dos nativos foi-me contada da seguinte forma: um operário negro (que ele conheceu ), especializado, já de meia-idade e que trabalhava na reparação de automóveis na Casa Americana, vivia no musseque. Katambor, como ganhava razoavelmente, o Silva que está hoje nas oficinas da EMEF, e o pessoal da Oficina convenceu-o a alugar uma vivenda na zona da Madame Berman. Ele assim fez mas, ao fim de poucos meses saiu e regressou ao sítio onde estavam as suas origens e onde se sentia bem, o musseque Katambor.

Também se lembra perfeitamente de ter visto negros e branco a laborar juntos em obras de construção civil e outros trabalhos, e até a serem os nativos a darem ordens aos ditos colonos.

Nos últimos meses de Serviço no Exercito Português, foi à Refinaria da Petrangol, oferecer os seus préstimos. A sua candidatura foi muito bem vista, mas só se poderia concretizar depois de se desvincular do Exercito Português.

Numa festa no Clube Transmontano, cuja causa já não se recorda, travou conhecimento com uma funcionária dos antigos Correios, Telégrafos e Telefones ( CTT ) de Luanda. A Isabel Costa que era mais velha do que ele, sete ou oito anos, cabelos loiros e curtos, franzina mas muito ativa, com um magnífico Fiat 850, separada do marido, com dois filhos e vivendo só num apartamento de três assoalhadas duma torre situada no Bairro Prenda perto do aeroporto. Não passou muito tempo e já lá estava a dormir e a fazer vida com ela. Saiu do Exercito no ano de 1973, e empregou-se numa empresa de Cimentos a “ Secil “.

Em 1974 dá-se o 25 de Abril e tudo começou a mudar, ao princípio lentamente mas em 1975 os acontecimentos iriam precipitar-se de forma dramática em Luanda, cada vez mais queria acompanhar melhor o desenrolar dos acontecimentos na Metrópole, nomeadamente pela leitura dos jornais “A Província de Angola” e “O Diário de Luanda”, mais o primeiro, e do semanário “Expresso” que ainda ia de Lisboa e chegava a Luanda ás 2ªs Feiras.

Mas a situação nas colónias, nomeadamente em Angola, também era alvo da sua atenção, pois tinha bons quadros, apesar da sua ideologia pró-comunista. Rosa Coutinho encarregou-se de dar uma preciosa ajuda para a sua reabilitação. prática, desarmado a população principalmente branca.

Em Luanda, a população branca, que manifestava a intenção de não abandonar o território, ia-se alinhando de forma mais ou menos explicita com os movimentos de libertação: os mais ricos com a FNLA, a média burguesia mais direitista com a UNITA, a gente de esquerda com o MPLA.

Sobretudo depois dos acordos do Alvor e de o general da Força Aérea Silva Cardoso ter assumido as funções de alto-comissário, grupos armados dos três grupos que reivindicavam cada um para si os maiores contributos para a independência, cuja declaração já estava aprazada para o dia 11 de Novembro de 1975, infiltraram-se na cidade e foram abrindo delegações, especialmente em pontos estratégicos.

E foi aí que, aos poucos mas de forma imparável, começou a guerra civil.

As populações negras, de várias etnias, viram-se forçadas a deixar Luanda pois a situação ativou, de forma notória, os ódios tribais. Como a etnia predominante na zona eram os quimbundos, aos quais o MPLA estava umbilicalmente ligado, os apoiantes deste movimento eram os que iam ficando na cidade.

As populações brancas, que não foram molestadas, salvo casos pontuais, de alguns merceeiros e de taxistas, viram-se envolvidas pelo fogo cruzado dos tiroteios que, muitas vezes, saíam dos bairros negros e vinham para o asfalto. E o pânico apossou-se da maior parte das pessoas que decidiram abandonar Luanda, procurando fugir para Portugal Continental, mas também para o Brasil e para a África do Sul que, ao tempo, ainda vivia em regime de apartheid.

Foi o tempo dos caixotes de madeira contendo os bens que era possível tentar transportar e da gigantesca ponte aérea. E as lutas e o pânico foram-se estendendo a todo o território angolano.

Entretanto, a debandada dos colonos continuava e cada vez mais intensa. Quando ele diz colonos está a ser redutor, pois muitos negros e mestiços também abandonaram a cidade. Mais…todo o território.

José Faria recorda-se de uma bela e elegantíssima negra, muito bem vestida que, passava sempre à mesma hora em frente ao Restaurante onde almoçava, diz ele que estava enfeitiçado pela garina mas com os acontecimentos e estando a viver com a Isabel Costa, nunca a abordou,

Lembra-se que numa tarde, uma estudante branca (ele referia-se sempre à cor da pele pois isso era importante para se perceber melhor o que era a Luanda daquela época) muito conhecida, não por mim, estava no jardim perto de sua casa, sentada, na Vila Alice a estudar, quando foi atingida mortalmente por uma bala perdida. Foi uma ocorrência triste que ainda fez aumentar mais o pânico na população de raça caucasiana. Muitas pessoas deixaram Angola logo no mês de Maio de 1975.

Conta ele que uma vez, a Isabel Costa resolveu cozinhar muamba, um prato à base de galinha mas com uma série de condimentos africanos que o poderiam tornar muito picante e lhe davam um paladar desconhecido para ele, que ele gostou e ainda hoje passados estes anos todos, quando vem a minha casa pergunta pela Muamba!

A sua companheira, a Isabel Costa entretanto, vendeu o Fiat 850 e comprou um pequeno Mitsubichi Colt. Com medo de ficar só no seu apartamento afastado da baixa citadina e sobretudo pelas zonas perigosas que tinha de atravessar ao ir para o trabalho ou para o centro, também largou o T2 e alugou um outro apartamento na baixa. Ele vendeu a mota Honda CBR350 .

Entretanto, a cidade que ele conhecia tornava-se cada vez mais descaraterizada. Como estava mais triste e feia… Restava a vista sempre linda da baía, e da Marginal.

Nas montras não se via artigos para vender, e nas ruas cada vez menos pessoas e menos tráfego automóvel. Era uma cidade moribunda, quase fantasma. Viam-se muitas camionetas com caixotes, em direção ao Porto de Luanda.

Pouco antes a Isabel disse-lhe que estava grávida. Decidiram que não era nada oportuno ter um filho naquela altura e assim se cumpriu.

A Isabel continuava a pensar em continuar por lá, mas os acontecimentos precipitaram-se e resolveram embarcar, para Portugal. Começava a escassear os produtos alimentares.

O fim do mês de Setembro aproximava-se e o José Faria, depois de a companheira ter embarcado, começa a ir todos os dias para o Aeroporto afim de arranjar vaga nos voos da Ponte Aérea, embarca no dia 15 de Outubro de 1975.

Regressou a Portugal com a ideia de voltar, e foi viver para Mirandela- Aguieiras sua terra natal. Já em Portugal contactou a Petrangol. Ao fim de pouco tempo disseram-lhe para fazer uns exames médicos e preencher a papelada para poder ser admitido a ir trabalhar na refinaria.

Gozou umas merecidas férias. Foi para Luanda em Janeiro de 1976 e vinha a Lisboa de 6 em 6 meses.

A Isabel Costa também voltou a Portugal, em 01 de Outubro de 1975, ainda na Ponte Aérea, e foi viver com a avó e os filhos numa localidade perto de Mirandela - Mascarenhas. A relação com o Carlos manteve-se durante cerca de dois anos. Passado esse tempo a relação deles acabou.

Recebeu uma proposta melhor e foi para uma plataforma de extração de Petróleo na Venezuela, e nunca mais viu a Isabel Costa.

Meu grande amigo José Faria nunca mais voltou a Luanda, e sempre que vem a Lisboa é com os amigos da Confraria do Penico Dourado, que nos reunimos e fazemos umas jantaradas para recordar estes momentos passados e presentes. Foi num desses encontros que ele me deu estes pequenos apontamentos dos cinco anos da sua estadia em Luanda, dois dos quais ao serviço do Exercito Português.

ZÉ ANTUNES
1970



06/02/2013

MARINHA



NAVIO NRP VASCO DA GAMA


Foram criadas as chamadas "Instalações Navais", as de Bissau (Guiné), da Ilha do Cabo (Luanda) e de Metangula (Lago Niassa), nas quais estavam instalados os aquartelamentos, as oficinas, as messes e outros órgãos de apoio logístico.

No rio Zaire, fronteira natural de Angola, com fortes correntes de 4 a 8 nós, foi sempre utilizado pelos movimentos de libertação para as infiltrações no território. Ao longo das 90 milhas de margem fronteiriça, cabia à Marinha, com um dispositivo naval de Lanchas e Fuzileiros a fiscalização de margens e múltiplos canais.os fuzileiros embarcam na fragata “Vasco da Gama” que larga das Instalações Navais das Ilha do Cabo (INIC) em Luanda, com armas e bagagens, rumo ao norte, numa viagem que os levará aos diferentes postos de vigilância do rio Zaire.

Depois do transbordo para uma LDM – Lancha de Desembarque Média, esta unidade continuará para montante do rio, rendendo nos diferentes postos os camaradas que completaram as suas missões: Quissanga, Pedra do Feitiço, Puelo, Macala e Tridente.

Ao longo do percurso são visíveis os vestígios gravados no tempo pelas guarnições que ali passaram: “Cais construído pelo Destacamento n.º 11 FZE – os Rangers, Maio de 1965”.Mais a montante “Homenagem dos que partem aos que ficam na defesa das fronteiras de Portugal eterno – Destacamento n.º 6 FZE”, num obelisco ali construído. No posto do Tridente também os sinais da passagem do DFE 13. Foram dezenas os oficiais da Reserva Naval que ali cumpriram as suas missões em Unidades Navais (Fragatas, LFG’s ou LFP’s), Destacamentos ou Companhias de Fuzileiros. A própria fragata “Vasco da Gama” é também disso um testemunho com a passagem do 2TEN RN Luis Lourenço Soares de Albergaria Ambar, 5.º CEORN que, desde 27.10.63 pertenceu à guarnição daquela unidade naval que, mais tarde, cumpriu uma comissão em Angola de Agosto de 1964 a Abril de 1966. Meu tio André do Patrocinio esteve nesta comissão. Era o barbeiro do navio. O navio era comandado pelo então CFR Rui Ferreira Molarinho do Carmo. Houve ainda uma outra comissão da fragata “Vasco da Gama” em Angola, de Maio de 1970 a Agosto de 1970, sob o comando do CFR António de J.B.B. de Carvalho. Ai esteve o meu grande amigo Carlos Bastos.

Elementos pesquisados na net

1970

25/09/2012

OS MEUS COLEGAS DE ESCOLA

ESCOLA INDUSTRIAL DE LUANDA

1º e 2º anos de Curso formação Serralheiro

- Ernesto Telles, ainda me lembro dele era um rapaz de meia estatura, mulato claro, calmo tanto no andar com as pernas arqueadas tipo Garrincha, como na fala. Determinadas ocasiões faltava às aulas, e ai mestre Paixão dizia-lhe que no fim do ano o “ chumbava” . Era bom de Bola.


-Francisco Simas, primo do Ernesto era o oposto muito responsável, um pouco estudioso e disciplinado. Mais tarde após o término do Curso de Aperfeiçoamento de Serralheiro ingressou nos quadros dos Caminhos de Ferro de Luanda como mecânico.


-Manuel Oliveira, outro colega que optou em isolar-se de contactos apesar dos meus esforços, para saber so seu paradeiro, que respeito, era um rapaz que sempre demonstrou espírito de liderança foi nosso sub-chefe de turma, era bom de bola nosso avançado na equipa de Futebol, mais tarde, com o apoio do então Eng. Vagueiro foi convidado para ir trabalhar para o seu gabinete de desenho.


-Diniz Marques ( o minha senhora ) era do tipo trapalhão meio desengonçado mais velho que nós e promovido a chefe de turma do 2º ano. Após o término do Curso de Serralheiro Mecânico ingressou nos Quadros de Funcionalismo Público da Câmara Municipal de Luanda como fiscal de obras. Trabalha em Lisboa numa Repartição de Finanças


-Costa Ferreira - tive o imenso prazer de contactar com este grande amigo graças ao nosso Grupo. Ele ainda era estudante na Escola Industrial de Luanda quando resolveu mudar-se para Portugal. Perdi contacto com ele e passados uns anos talvez em 2007 consegui saber que se encontra em Felgueiras.


-Salvador , rapaz de baixa estatura que morava no Bairro da Cuca , soube que também veio para Portugal, para Braga como retornado, de vez em quando encontrava-se com o Fernando na Baixa de Lisboa e há pouco tempo soube pela irmã que já faleceu. Foi sempre camarada participando de todas as brincadeiras.


-José António , encontrei-o em 1976 na Rua de São Ciro trabalhava no I.A.R.N. depois perdi o contacto. Ele era bom no que se propunha fazer no CENTRO COMERCIAL DE MAFRA , alugou o cinema e antes de ir para o Brasil facturou boas maquias de dinheiro.


-Aniceto Monteiro , era o mais traquinas e só queria galhofa, cedo o pai lhe deu uma moto 250 cc que fez o último motocrosse internacional de Luanda nas Barrocas do Miramar, mas teve que vir para Portugal cedo devido aos conflitos nas mercearias de muceque, seu pai foi expulso do Bairro Indigena, está em Chaves é mecânico de motos


-José Antunes , considerava-me um aluno médio. Topava qualquer tipo de brincadeira ou actividade, Tímido, sou do tipo que enrubescia quando alguma menina me dirigia a palavra. Por esse motivo pouco namorador levando a sério os meus relacionamentos amorosos por sinal muito poucos. Normalmente a duração deles era de uns dois meses, pois qualquer deslize da menina era motivo de rompimento. Pouco alto e franzino, cabelo liso meio loiro ( dai a alcunha do Russo ).


-António Gilberto (Togy), nosso guarda-redes no futebol era por intermédio dele que ás 3ª feiras liamos o Jornal a “BOLA” para sabermos e comentarmos as crónicas sobre os jogos realizados no domingo anterior, principalmente para sabermos noticias do glorioso benfica, ele antes de chegar a Escola Indústrial passava na casa Travassos e comprava o jornal. Depois da Dipanda só nos viemos a encontrar em 2009 num jantar de malta amiga, Costumo estar com ele a quando dos jogos do Benfica.


-Tino da Cola, Não o vejo desde junho de 1975, quando faziam a feira de Fardos ( roupa usada ) em frente a defesa civil, tenho estado com o irmão e sei que mora para os lados de Viseu, gostaria de o visitar e lembrar as nossas brincadeiras quando viajavamos no munhungo ( maximbas 23 ) que saia do largo em frente à loja Dias.


-Tavares,  nunca mais o vi, ou soube algo dele, gostaria de um dia o encontrar.


-Calé, nunca mais o vi, soube que veio para Olhão, gostaria de um dia o encontrar e lembrar as nossas historias, principalmente quando estavamos numa aula de Oficinas e ele atirou-se para cima de mim e eu baixe-me. e ele caiu , deslocando o braço esquerdo.

- Augusto ( Alá ) nosso chefe de turma do 1º ano


-Sancho, Umas das actividades desportistas que praticávamos era futebol. Mas o Sancho era mais para a Vela, e mais tarde no ano de 1974 foi presidente do Clube Naval de Luanda, e ainda se manteve nesse posto até a visita do papa foi ele que se comprometeu a pintar as igrejas de luanda a quando da visita do PAPA. Fez um contrato com a camara municipal de Luanda.


-Pinguiço, Era muito calmo, queria era paródia, iamos a pé do Bairro Popular para a Escola Industrial para poupar o dinheiro do machimbombo para irmos para a esplanada São João atrás do Liceu Feminino para estarmos com as meninas e beber a nossa Coca - Cola. Faleceu em 1976 acidente de mota na via norte a caminho do emprego, era o seu primeiro dia de trabalho no Porto.

-Amilcar Fonseca, rapaz atlético vivia para o Andebol era o único da nossa turma que jogava Futebol , Andebol e Basquetebol e nas três modalidades se saia bem, vive em Lisboa costumamos nos encontrar e por a conversa em dia.



-Alberto Rodrigues, também muito calmo, morava no Cazenga, nosso defesa direito com ele a defender não passava nada, ( Barrabás ) trabalha na Segurança Social tive o prazer de lhe fazer o projecto para a moradia dele, encontramo-nos ás vezes e pomos a conversa em dia.


-Camilo, Morava na Terra Nova, nunca mais o vi, mas por meio das redes Sociais vamos nos falando, gostaria de um dia o encontrar e lembrar as nossas historias, da Escola Indústrial, do Suta do Leirós, nossos mestres das aulas de Oficinas, das idas à Piscina de Alvalade quando fugavamos às aulas de Oficinas, e ele no dia a seguir dizia : Vocês vão para a praia de Alvalade, mas eu no fim do ano f....... ( lixo-vos).

1970

12/08/2012

LUCAPA - CAFUNFO


Ano de 1994 , mês de Março alguns avilos embarcam numa aventura de aceitarem um contrato de oito meses para fazerem segurança ao Perimetro da Empresa de diamantes de Angola a “ Endiama “ no Lucapa terra longinqua das Lundas, ao fazerem esse contrato foi na base de os garimpeiros já estarem a garimpar dentro dos limites da Endiama, e que cada vez havia mais garimpeiros pois era um modo de subsistência, só se via buracos nas ribeiras , tanto no Lucapa como em Cafunfo.

Lucapa ou Lukapa é uma cidade e um município da província da
Lunda Norte, em Angola. Antiga capital da província (passou a ser o Dundo), o município tem cerca de 85 mil habitantes e é limitado a Norte pelo município de Chitato, a Leste pelo município de Cambulo, a Sul pelo município de Saurimo, e a Oeste pelos municípios de Lubalo e Cuílo.

Tudo tratado, vacinas em dia, visto de entrada, passaporte e bilhete de avião e embarcam nessa viagem, primeiro para Luanda onde estarão dois dias e hospedam-se no Hotel Universo, Gerente Sr. Albergaria, uma das melhores unidades hoteleiras de Luanda, no tempo colonial agora só o quarto 32 tinha águas correntes, os outros todos quem quisesse tomar banho tinha que ser com uma canequinha.

Chegam ao aeroporto 4 de Fevereiro pela manhãnzinha, e ainda dentro do avião ao sobrevoarem Luanda puderam ver a extensão dos casario que cerca a Capital de Angola, para alguns avilos que já tinham estado em Angola e muitos até nasceram lá foi dificil de perceber e situar-se nos bairros que outrora conheceram, para outros que era a primeira vez que viajavam para Angola era novidade.

Desembarque efectuado, malas na posse de cada um, entraram para as cinco viaturas que os esperavam e os transportaram para o hotel. Foram acomodados e descansaram até a hora do almoço que foi servido no hotel.

No período da tarde foram dar um passeio e conhecer a Luanda Nova que se estava a desenvolver-se a um ritmo acelerado, muitos prédios novos e muita construção de infraestruturas, foram visitados alguns sítios conhecidos de alguns tais como: Baleizão, Largo da Portugália, Mutamba e com elementos que já estavam em Luanda foram jantar a um restaurante na Maianga.

No dia seguinte depois de se reunirem nos escritórios da empresa com os responsáveis, para receberem as directivas de como se iria processar todo o processo de alojamento e dos serviços em Lucapa, nessa tarde foram conhecer os arredores de Luanda e verem in locco como Luanda cresceu em aglomerados de habitações sem condições de habitabilidade, pois a cidade estava estruturada em 1975 para um milhão de pessoas e de repente vê-se com seis milhões.

Na antiga Estrada de Catete hoje Deolinda Rodrigues, os vendedores ambulantes no meio das faixas de rodagem vendem de tudo, fazendo ai o seu negócio, tudo serve para se ganhar algum dinheiro para a sua alimentação.

No terceiro dia de estada em Luanda, dirigiram-se para o Aeroporto e embarcaram num topolev russo do tempo da maria cachucha para a cidade de Malange, chegados ai tiveram que fazer o resto da viagem até ao Lucapa de GEEP, chegados ao local foram acomodados numas casas pré-fabricadas, mas com todas as comodidades, eram cinco casas e cada uma tinha um quarto grande com dois beliches para quatro pessoas, uma saleta de descanso e Quarto de Banho, havia ainda uma casa que era o refeitório com uma boa cozinha e o armazém de viveres, bem como uma secção para outro material de trabalho, assim como o armazém dos combustíveis e peças das viaturas.

O perímetro de Segurança era efectuado vinte e quatro horas, com postos pré definidos de 10 em 10 kilometros, as ligações entre todos os intervenientes era executadas via rádio.

Nesta altura a guerra nas Lundas entre a UNITA e o MPLA estava bem agudizada diz-se que quando apareceram 200 garimpeiros mortos, a UNITA acusava o MPLA de estar a matar povo inofensivo que só andava no garimpo para arranjar dinheiro para comida, entretanto o MPLA dizia que fora a própria UNITA que dizimara aquelas pessoas para culpar o adversário. Entretanto com tamanha instabilidade as populações queriam era vir para Luanda, e no aeroporto com um avião Antonov a sair por dia as populações aglomeravam-se e todas queriam entrar no avião que tinha lotação reduzida, geravam-se alguns conflitos, que eram logo sanados com uns tiros para o ar, e ai se mantinha a calma.

Neste entretanto passaram-se oito meses, com histórias incriveis que um dia de certeza se irão narrar para conhecimento de todos. Salientar que as populações civis apoiavam em tudo o que pudessem e conviviam, como se trata-se da mesma familia.

Muitos não gostaram desta experiência, saudades da família, muito tempo longe dos seus ente queridos, outros adoraram e alguns estão já radicados em Luanda a viver e a trabalhar.

O garimpo de diamantes em Angola está parcialmente legalizado, desde 07-07-2011. Em breve, garimpeiros ilegais terão certificados. A intenção é lutar contra a migração ilegal em zonas de grande produção de pedras preciosas.

De agora em diante, garimpeiros angolanos ilegais vão ter certificados. O início do projeto foi no leste de Angola, na Lunda Norte.

Garimpeiros no cafunfo



ZÉ ANTUNES

1994

CASAMENTO DO PAULO JORGE



Ano de 1975 Luanda capital de Angola

Paulo Jorge Figueiredo Queirós, morador no Bairro da Vila Alice, hoje chamado de Nelito Soares na Rua Eugénio de Castro ali ao lado do Prédio onde o pai do Mabeco tinha a Ourivesaria, colega de meu sogro pois ambos trabalhavam para o Despachante oficial Serra Coelho, mas depois ingressou nos quadros da Empresa “ AVICUCA”.

Esta foi a odisseia do casamento do Paulo.

Em Luanda vivia-se já há alguns meses momentos bastantes agitados e conturbados, e o Paulo mais a sua namorada, resolvem casar no dia 13 de Julho desse ano de 1975, na Igreja do Carmo.

O Convento e Igreja de Nossa Senhora do Carmo de Luanda é um complexo monumental localizado na capital de
Angola. Construído no século XVII, por missionários carmelitas, é considerado o monumento mais importante de arquitectura religiosa em Angola, dada a qualidade e conservação da estrutura e decoração. Actualmente a igreja encontra-se em bom estado de conservação, enquanto que o convento é, em grande parte, uma ruína.


Igreja e Convento do Carmo


Casamento realizado, mas enquanto decorria a cerimónia religiosa ouviam-se umas rajadas de metralhadora e umas morteiradas, pois era usual na altura os movimentos políticos se guerrearem. O padre lá procurava desanuviar a situação da tensão, e disse a todos os presentes para terem calma, e como sabíamos tiros e morteiradas faziam parte do dia a dia em Luanda.

No meio de tanta insegurança lá se tirou as fotos e o copo de água realizou-se na “Pérola de Luanda”, no Largo das Imgombotas, de referir que todos os comes e bebes vieram da Estalagem Leão, na Estrada de Catete, oferecidos pelo Sr. Celestino que foi o Padrinho do Noivo, transportados numa chaimite do Exercito Português. Na melhor forma possível a Funguta ( o Baile a farra, foi só até ás 21 h 00, pois havia recolher obrigatório até ás 06 h 00 da manhã.

Os Recém casados dirigiram-se para o hotel Katekero onde foi a sua noite de núpcias, era naquela altura um dos mais recente e remodelado hotel em Luanda e muito bonito, o Paulo guarda gratas e boas recordações.


Prospecto do Hotel


Já naquela época uma noite ficava em 340$00 já com todos os impostos incluídos.


Factura de uma noite no Hotel KATEKERO
No dia seguinte foram ambos trabalhar pois teriam muito tempo depois para gozarem a sua merecida “Lua de Mel”. Pouco tempo depois regressaram a Portugal como todos nós pois a luta pelo poder era enorme e regressou ficando aqui pela grande Lisboa.
ZÉ ANTUNES

2012