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29/07/2013

VIDAS NO BAIRRO


Praticamente nasci nesse recanto da cidade de Luanda, Bairro Câncio Martins, ou mais conhecido por Bairro Popular nº2, fui para lá morar tinha pouco mais de 6 anos de idade.

Nos anos 1960 e 1970, como grande parte da cidade a vida resumia-se do centro da Cidade de Luanda, aos Bairros periféricos, Vila Alice, Terra Nova, Bairro Popular nº 2, Cazenga, Bairro da Cuca, Bairro Salazar, Prenda, Samba e outros. Nossos pais a trabalhar, os filhos logo aos 15 para 16 anos, quem não seguia os estudos empregava-se, outros seguiam os estudos, não dava tempo para ficar stressado, não existia "trabalho infantil " infrator, óbvio que com poucas exceções, pois como um dos moradores do bairro, acompanhei esses companheiros dos anos 1960, e sua transformação, esses moradores na sua maioria conseguiram êxito na vida com seu trabalho digno.

Ainda encontro nas ruas, muitos filhos e até netos dos moradores da época de meu pai, e a pergunta de sempre, e teu pai como vai? Ah, ele já faleceu há muitos anos, foi no ano de 1978, ah o meu também, esquecemos que já estamos na casa dos 60 anos e para os outros ainda somos novos, velhos são os outros, interessante, pois sou amigo de muitos de minha idade, crescemos juntos e meu pai foi amigo do pai desses amigos, essa foi uma das vantagens de morar-mos sempre no mesmo bairro e acreditem, muitos netos se identificam dizendo aos outros meninos, meu avô conheceu teu pai e assim por diante...

Vejo hoje essa malta dos anos 1960, quase todos reformados já com netos e na sua grande maioria tiveram bons exemplos. Quem sempre morou no mesmo bairro como eu e cresceu com ele, pode desfrutar e lembrar de como era, e esperando sempre que alguém mande fotos ou relate de como está o Bairro e mesmo aqueles que vieram embora para Portugal, e quando voltam podem verificar a transformação, com muitos deles nosso contato é constante e outros em menor escala, mas a conversa é sempre de saudade, antigamente o Bairro era assim, agora está doutra maneira ou melhor ou pior.

Alguns fatos interessantes que não é possível esquecer, era que nada acontecia de novidade na época no bairro, sempre aquela vidinha, escola para casa, trabalho para casa, às vezes íamos caçar passarinho, nadar nas linda praias da Ilha ou na Corimba e nos fins de semana futebol no campo do Clube do Bairro ou no Preventório, trumunos na Defesa Civil de futebol de salão.

Os divertimentos em casa era ouvir o jogo de futebol dos Campeonatos de Portugal, pelos profissionais da rádio, ou músicas do nosso tempo, ir ao cinema no Cine São João, ir a outros cinemas da cidade, Restauração, Império, Avis Tivoli, Miramar, Kipaca e outros sem pensar se era longe ou caro, tinha malta amiga, mais cotas que gostavam de contar histórias, e anedotas geralmente à noite, no muro do Matias ( alguém o batizou de Nosso Poleiro ).

Aos 15 ou 16 anos os pais já procuravam encaminhar os filhos para o trabalho e aí acabava as brincadeiras para muitos, escola só à noite. Muitos iam para a Escola Industrial, aprender mecânica, em tornos, engenhos de furar, fresas, época gloriosa financeiramente para quem era torneiro, fresador, hoje são apenas saudades, as máquinas computadorizadas tomaram conta de tudo, e assim como os desenhadores, hoje temos o CAD. (Desenho Assistido por Computador).

Os pais nos fins de semana ora trabalhavam em casa, pequenas obras, e depois iam beber uns finos ao Bar São João e conversar com os amigos. 

A vida era tão calma que parecia também que ninguém morria, lembro-me só uma vez de um velório, na antiga capela de Santa Ana, mas não fui ver, o pavor era grande, lembro-me que só entrei num cemitério pela primeira vez com os meus 17 anos, mais ou menos, em Santa Ana , em compensação hoje em dia vemos uma morte por dia no mínimo aqui em Portugal.

Nesse Cemitério a maioria dos sepultados era de morte por doença, de idade avançada e muitos jovens, de acidentes de moto..

Quando fui para o Bairro as ruas ainda eram de terra batida, mais tarde foram alcatroadas, as ruas projetadas eram na maioria paralelas, ruas com denominações de cidades de Angola e de Portugal.

Afinal, todas as cidades, começaram um dia como uma pequena Vila, com os seus moradores, e se hoje conhecemos, por exemplo, a história oficial ou oficiosa da cidade de Luanda, dos seus bairros, é por que alguém há 500 anos escreveu, fotografou sobre a vida na cidade. O primeiro padre, o primeiro morador, a primeira família, geraram o que somos e fazemos hoje, assim caminha a vida que depois se transforma em metrópole, mas nunca esquecendo dos verdadeiros heróis que foram os primeiros moradores, a razão de tudo e graças àqueles que têm a capacidade de passar para o papel esses fatos para eternidade. Penso fazer o que me compete, recordar o que foi a minha, nossa juventude e os belos momentos vividos.

ZÉ ANTUNES

1970

11/06/2013

VIZINHOS DO BAIRRO


Sou Zé Antunes, ex-residente da Rua de Serpa 102 do Bairro Popular nº 2 em Luanda, Angola, há mais de 3 décadas a residir em Lisboa. Vivi lá muitos anos, até aos 20 anos, quando vim para Portugal, embarquei no dia 21 de Junho de 1975.
As famílias, minhas vizinhas na nossa rua, viviam praticamente a meio-caminho entre a Vala que ia para o Bairro Palanca e o Largo do Bairro. Caminhando ao longo da nossa rua, quem descia à esquerda, tínhamos a Escola Primária nº 176, o Cinema Cine São João, a Igreja de Santa Ana, a Capela de Santa Ana, mais tarde foi construído uma camarata para as irmãs Vicentinas e finalmente até ao fim da rua o Preventório Infantil de Luanda.

Também me recordo muito bem de ir à rua da Gabela para comprar o pão. Na Padaria ao lado, primeiro da Peixaria , mais tarde da Sapataria do Surdo.

Lembro-me da vala, quem ia para o Bairro Palanca, e de vários materiais de construção novos ao fundo da rua - enormes manilhas gigantes de cimento que foram mais tarde colocadas no saneamento básico nas ruas do Bairro, e todas as ruas do Bairro alcatroadas.

As lembranças são mais que muitas, algumas já pouco esclarecedoras, mas lembro-me muito bem que me juntava com os meus familiares e outros jovens da vizinhança , depois da escola, e todos juntos andavámos de bicicleta ao longo da rua até ao entardecer. Subíamos às arvores de frutos tropicais, carambolas, goiabas e mangas, e era só colher e comer. E mesmo sem lavar sabiam bem. Mais tarde era a concentração, em frente à minha casa, dos amigos e das motas, e ali ficávamos a conversar.

Quando cheguei a Portugal fiquei a viver em Lisboa, onde ainda me encontro a residir, e meus irmãos , um está na Alemanha, os outros dois no Brasil.

Nessa habitação onde vivia na rua de Serpa no Bairro Popular nº2 em Luanda, durante muitos anos, as famílias mais próximas eram o Sr. Teixeira e a Dona Emília com os filhos António, Joaquim, Emília e Francisco, e os netos, a Mila, e o Zeca da parte de cima, e na parte de baixo o Sr, Acácio e a dona Conceição, e os seus três filhos Virinha, Dininha e Cacito, da parte de trás da minha casa, na Rua da Gabela, vivia o Casal Mário Mota e a esposa Dona Irene, com os filhos a Bela Mota e o Quim Mota.

Na Rua da Gabela residia a Família Ventura, que durante alguns anos, depois da Independência, ficou a residir em Luanda, até 1984. O senhor Ventura geria os Supermercados Angola e a Pastelaria Versailles, no Largo da Portugália, a filha do senhor Ventura a Helena casou com o Carlos Abreu ( Passarinho ), quando regressou a Portugal foi viver para Rio Maior onde a visitamos de quando em vez, e nos encontramos nos almoços do Bairro Popular nº2.

Na nossa casa nos anos 70 aquando da minha vinda para Portugal para estudar, alugámos a casa ao Sr. Correia e Dona Arminda (com os olhos muito azuis, cabelo claro, muito magra e normalmente vestida de preto) que tinham dois filhos, o Telmo e a Alice, ele era Sargento do Exercito Português, e presentemente estão a viver em Caldas da Rainha.



Ao fundo do quintal, meu pai transformou a garagem numa pequena Carpintaria porque era um entendido em Carpintaria / Marcenaria. Lembro-me de meu pai fazer as grades de madeira para transporte de Cervejas, para a Fábrica da Cuca, e fazia outros trabalhos em Madeira. Um dia eu ao ligar a serra elétrica, levei um choque, que fui projetado contra a parede.

No nosso quintal convivíamos em festas que se organizavam para a juventude, fechava-se os muros com loandos e fazíamos as festas e várias celebrações, (Natal, Fim-de-Ano, Carnaval, Pascoa, etc.). Também íamos muitas vezes para casa do Zé Avelino assistir a sessões de cinema grátis que o irmão mais velho o Ferdinando, projetava, à noite , no topo da habitação, no enorme terraço, (diretamente numa parede branca, e por vezes num ecrã feito em pano branco e montado no cimo do terraço) aonde muitos jovens de toda a vizinhança iam muito entusiasmados, por vezes carregando as suas próprias cadeirinhas de praia, outras vezes sentando-se em mantas no terraço para ver os filmes em “8 & Super-8”, desde os cómicos do “bucha & do estica”, os “mudos do chaplin” até’ vários filmes de cowboys. 

Essas noitadas de cinema grátis, que o irmão do Zé Avelino adorava projetar, eram sempre um ótimo convívio e espetáculo para toda a criançada e jovens da vizinhança (talvez por isso a nossa família de 4 jovens ficou a conhecer vários vizinhos das mesmas idades). 

Na parte de trás da nossa casa meu pai fez uns anexos, onde mais tarde vivíamos nós, alugando a casa a várias pessoas, entre muitas delas o Passarinho, o Baltazar, o Miguel, o Paquito, o Reis, o Guerra, o Artur, o Amilcar e outras pessoas que não me lembro dos nomes, da maioria dessas pessoas ainda hoje temos os seus contactos e nos vemos para recordar a vida dos anos 70.

Lembrar que o Reis, o Guerra e o Amilcar eram militares na época.

Outra família militar, a viver na casa ao lado da Betty, de um lado , e da dona Florinda do outro, era a família Mendes, penso que eram originários da região de Trás os Montes. O Sr. Mendes, que era sargento do Exercito Português, era baixo, magro e tinha cabelo e bigode escuro, usava “billcream” no cabelo pois sempre tinha aspeto molhado. Apesar de me recordar muito bem das feições da esposa, recordo do nome dela, pois era um nome pouco usado, Ermelinda. O Sargento Mendes recordo-me que era muito severo com a filha. A filha, que tinha nascido entre 1958-60, que se chamava Paula (e nós a chamavámos de ‘Paulinha’, era alourada, cabelo curto ondulado, e usava já óculos). Recordo-me que o pai, o Sargento Mendes, era mesmo ríspido, e ela tinha um certo medo do próprio pai. Eu já não me recordo se a Paulinha frequentou o Liceu Feminino (D. Guiomar de Lencastre) ou a Escola Comercial Vicente Ferreira. Às vezes a Paulinha apanhava boleia connosco ou com outros vizinhos para ir para as aulas. Mais tarde esta família Mendes mudou de habitação para o Bairro da Vila Alice aquando das confusões, no ano de 1975.

Existiam também outras famílias na nossa rua do Bairro Popular nº2 , das quais me recordo muito bem, Sr. Vicente e Dona Lurdes que tinham duas filhas a Celina e a Arlete ( Chú ), o Dativo e seus pais, a família Barbara, a Família Sabino, seus filhos a Betty e o Litó, a Família do Jorge, que os pais tinham uma fazenda no Quibaxe, o Manuel João, que morava na última casa da Rua, o Juca e a Irmã que faleceu num acidente de avioneta.

A família Azevedo que tinham três filhos e era originária da região do Porto, presentemente mora na Maia, a mãe lavava roupa para os militares , o Armando casou com a filha do Zé do Talho - a Ana Maria, o Henrique que casou já em Lisboa com a Gina, e a Cândida que é muito minha amiga, está reformada e vive também na Maia.

Outra família de que me recordo , que estava a viver na casa ao lado da família Vicente, era o Sr. Domingos e a Dona Florinda, era uma família que tinha dois filhos, o mais velho o Manelito e a mais nova era a Linô penso que nascidos nos anos 61-62). O senhor Domingos trabalhava no Banco Comercial de Angola e mais tarde colocou o meu irmão Victor como funcionário do Banco.

Em Portugal esta família , vinda de Angola, foi viver para Oliveira do Bairro.

Na casa a seguir ao Sr. Acácio vivia o João rapaz da nossa idade, bom de bola, mas o pai que era Enfermeiro no Hospital de São Paulo era muito mau para ele, não gostava que ele andasse connosco devido a cor da pele, dizia que um dia os branco seriam corridos de Angola.

Na Rua de Moura vivia a família do Carlos Alberto, o Pai era taxista, e a esposa muito simpática, sempre com boa aparência, morena e sorridente. O Carlos Alberto tinha um irmão mais novo que não me recordo do nome. Belos trumunos no largo entre a rua da Gabela e a rua de Moura, também moravam ai na rua de Moura o José Manuel Pinto Ferreira e o Carlos Malta. Sei que o Carlos Alberto foi viver para o Brasil mais propriamente Rio de Janeiro.

Ao lado da casa do Carlos Alberto vivia a Família Mateus - o Sr. Mateus era um senhor muito devoto à igreja, e frequentava a igreja de Santa Ana sempre, ele e a Esposa. Tinham 4 filhos, três meninas e um rapaz , a mais velha era a Lili, depois a São, o Fernando e mais tarde uma menina muito bonita, chamada Maria José ( Zeza ).

Espero que ao fazer toda estas descrições com alguns detalhes das memórias que ainda permanecem na minha mente, ao fim de quase quatro décadas da minha partida de Luanda - Angola, e detalhes das pessoas de que ainda me lembro na nossa rua , onde vivi pelo menos 15 anos (até á minha partida de Angola em Junho de 1975 ), assim talvez também outros ex-residentes da mesma rua, do mesmo bairro e da mesma cidade de Luanda em Angola, possam reconhecer ou refrescar as suas próprias memorias do local e dos seus ex-residentes.
E estes detalhes de que ainda me lembro bem , ficarão escritos e recordados para o futuro. 

 E se alguém tiver fotos antigas ou mesmo fotos recentes desta rua e deste bairro para repartir, então também serão , sem dúvida , muito apreciadas por mim.
Aproximadamente quatro décadas passaram, mas as minhas recordações da infância e adolescência, da Rua de Serpa do Bairro Popular nº2 antigamente chamado de Câncio Martins hoje de Neves Bendinha, de Luanda, e de Angola, ficaram para serem relembradas à distância do tempo e à distância geográfica desde Portugal!

ZÉ ANTUNES

1975



 

18/12/2012

RUA MACHADO SALDANHA



Rua Machado Saldanha do nosso glorioso “Popular” (era lá no meu tempo de miúdo que viviam as miúdas mais bonitas de Luanda) é um dos novos “teatros de guerra” onde o Estado angolano tem estado a ser batido todos os dias por uma “conspiração” de comerciantes estrangeiros/nigerianos que contra todas as normas e portarias transformaram aquela emblemática artéria num infecto/insalubre/engarrafado espaço de venda de sucata automóvel importada.

A reportagem publicada pela última edição do NJ retrata bem a dimensão desta “fascinante” (ou humilhante?) derrota, que está a ser duramente sentida pelas populações autóctones.

Se nesta cidade há um local de referência onde a qualidade de vida desapareceu completamente por força de uma aliança entre o comércio selvagem e a falta de autoridade pública/cumplicidade/conivência/corrupção, a Rua Machado Saldanha é já um caso de sucesso e de estudo.

PS- Ou será que agora o Governo quando se trata de garantir a qualidade de vida dos cidadãos, só pensa nas novas centralidades/condomínios/talatonas?


Rua Machado Saldanha - Bairro Popular nº 2
http://morromaianga.com/as-batalhas-que-o-governo-esta-a-perder-ou-ja-perdeu-mesmo#.UL3lR3X82Wc.blogger

01/10/2012

O NOSSO BAIRRO



Mais um tema agora debruçado para "novos olhares sobre o atual ex-"nosso" bairro". Aqui fica mostrado, para quem ainda tinha algumas dúvidas, de que África é assim e obviamente Angola/Luanda/Bairro Popular nº2 não poderia contrariar esse "modus" de estar e de viver dos africanos no seu meio ambiente, no seu habitat. Se é assim, que assim seja. O que quer dizer que neste assunto, que não é novo, mas sim velho de séculos. Veja-se como ficaram todos os países africanos que ao longos dos anos se foram libertando do chamado colonialismo europeu, embora agora estejam sujeitos ao neo-colonialismo africano. Mas sempre foi agradável ver de novo ruas por onde andamos e estabelecimentos da nossa infância, nesse ex-bairro Popular nº2 que, tanto quanto penso, agora está agregado e inserido na "comuna do Kilamba Kiaxi ". que segundo noticias o nosso Largo vai ser todos remodelado. Recordar, entre outras, a entrada do portão do cine São João (onde trabalhei no bar) e vislumbrar o largo onde de um lado tinha a sapataria que antes era uma peixaria, a casa de moda casa Confiança do Sr. Novo e ao fundo o Talho e a tabacaria do outro lado a mercearia do Sr, Amaro, o Bar São João do Jorge e do Matias ao fundo a casa de gelados , a Escola Primária, a Capela e a Igreja, o Proventório Infantil de Luanda, o mercado e as suas lojas assim como outros estabelecimentos.

". Num outro aspecto tèem razão, é que Luanda não era só marginal, baia e praias que é aquilo que sempre se encontra quando se pesquisa imagens sobre Luanda. Luanda era alicerçada em todo o conjunto dos seus bairros que iam desde a Boavista até à Corimba, da Ponta da Ilha até ao Bairro do Cazenga.


BANGA ZÉ

30/08/2012

KILAMBA KIAXI (Bairro Popular, Palanca, Golfe e Camama )



Luanda - O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, foi informado sobre o estado de implementação do Projecto Urbanístico do Kilamba Kiaxi ( começa no Bairro Popular nº2 e vai até Camama) que albergará mais de duzentas mil pessoas.

Este facto ocorreu quando recebeu os vice-presidentes do CITI GROUP e do Banco ICBC, ambos da China, respetivamente, Tian Guoli e Yi Huiman.

Trata-se do executor e financiador do projecto que, segundo Tian Guoli, se encontra em fase de conclusão, prevista para o próximo ano.

Neste projecto foram investidos dois biliões e meio de dólares ao abrigo de uma linha de crédito aberta pelo ICBC, um dos maiores bancos comerciais do mundo.

Angola é um país com um grande desenvolvimento, asseverou o bancário, “dai a razão da nossa participação”.

O maior projecto habitacional do País está a ser erguido no município do Kilamba Kiaxi, em Luanda, onde estão a ser construídas cerca de 3 mil apartamentos para albergar mais de 500 mil famílias angolanas.

O projecto contará com três fases e ocupa uma área de 880 hectares, qualquer coisa como 880 campos de futebol com uma população prevista de 160 mil habitantes. Na segunda fase, serão 12 mil km para dar moradia condigna a mais de 170 mil habitantes.

Quando tudo estiver pronto, a nova cidade do Kilamba Kiaxi vão viver 500 mil famílias. Para além das áreas residências, o Engenheiro Flor, responsável pela parte angolana, fez saber que o projecto irá contar tudo que uma cidade pode ter. “Temos que ter lojas, hospitais, super mercados hotéis, restaurantes, por tanto, temos que ter tudo”, frisou o responsável. Para além disso serão construídas 24 creches, 9 escolas primárias, igual número de escolas secundárias, um hospital para 200 camas, bombas de combustível, clínicas e centros culturais. No local, ninguém trabalha sem o capacete e luvas. Assim faça chuva ou sol, se constrói um país que precisa de dar o mas cedo possível casas ao seu povo.



2010

BAIRRO DA SAMBA



Do que me lembro da Samba?

Da esplanada do Lobo da Costa, onde havia para além de uma mini pista de Kart's, uma bela esplanada que era muito frequentada nas noites Luandenses.
Lembro-me que era o local onde podia-mos ver os famosos Lutadores de Luta Livre que se deslocavam a Angola para lutar pelo cinturão (???).
É claro que era muito míudo (10 anos) e só me lembro de alguns nomes.
Também vi alguns combates ao vivo e a cores no estádio dos coqueiros, e recordo-me de um combate entre o Zé Luis (português) versus um Búlgaro que pesava mais 50 Kg que o primeiro, mesmo assim a vitória coube ao Português.
Depois do espetáculo ia ao Polo Norte para beber uma carbo sidral.

Já agora lembram-se do filme que inaugurou o TIVOLI??-Laurence d' Arabia.
Eis alguns nomes da malta daquela geração: Mário Tirapicos, falecido com a namorada num acidente com a Honda 350; os irmãos Camilo; Necas, Tonecas e irmãos, primos do Pingo; Nelo e irmão; Carlitos, irmão do Rolito; dois Luíses, um morava em frente da padaria e outro na Júlio Lobato, dono da Honda 350 Scrambler; o Tino; o Jaime Sossega e irmãos. O Juca, o Brasileiro e outros chegaram bem mais tarde. Ah, falta o Luíz Gonzaga, irmão da Mimi. Quem conheceu a pista de dinky toys desenhada sobre o urinol do parque? Quem conheceu a Isabel Barata, a Isabel Lobo da Costa, a Conceição irmã do Jorge Velhindo, a Cristina, Geny, Irene, Magda? Por último, alguém lembra do Negresco?

Recordando o Tivoli, após o Laurence da Arábia parece que entrou em cartaz o Doutor Jivago. Lembro que a rapaziada saiu correndo para comprar camisolas de gola alta para imitar o look do Omar Shariff. Bigode mesmo era para poucos.

Estávamos numa das nossas farras de "quintal" em casa da Ilma, penso que se chama assim, irmã do Jorge Pamiés Teixeira vulgo "Careca", a mãe era espanhola, e o João Corte Real mais velho, a pessoa que tinha um maior "caparro", pedi-lhe ajuda para endireitar o volante da Honda SS50Z de escape para cima, que ficou assim devido a uma queda que dei numa curva, por ter batido num cão, quando ia para essa festa. A casa deles ficava perto da Sagrada Família, no largo do Colégio Algarve. Lembro-me como se tivesse passado hoje.

Lembro bem do "Pita-buzinas" ou "Toca-buzinas", como também era conhecido. Tinha um tique nervoso (ou seria um distúrbio obsessivo-compulsivo?) e pontuava cada frase com um "puííím..." feito com o canto da boca.
Dos antigos da Samba gostaria de lembrar do "Ferramenta". O "Ferramenta" era guarda livros da Flor da Samba e recebera esse apelido por andar sempre com três ou quatro ferramentas no bolso; assim que via um parafuso ou uma porca ía lá tentar apertar ou desapertar, conforme o caso.

Lembro de outros apelidos famosos: o "Sarapintas", por ter sardas no rosto; o Idéias, assim conhecido por discutir com a motorizada, isso mesmo, com a motorizada! E da "Maria das Pressas", quem lembra dela e da razão desse apelido?

Lembro-me da Lurdes “a Boneca”, lembro-me dos irmãos dela, Tino e o Diniz , o Diniz salvo erro era sargento da Força Aérea, Lembro-me do falecido Luciano. O Luciano tinha uma NSU Cavalinho vermelho e era bem quisto e respeitado por todos do bairro. Penso que não há mal algum lembrar uma famosa bebedeira dele junto com o Leandro. O Leandro deitou-se num banco do jardim completamente grogue enquanto o falecido Luciano, tripulando a Thriumph 350 do Leandro, curava a bebedeira dando voltas ao parque com o acelerador ao fundo.

Da família Camilo lembro-me bem, a casa deles era engraçada, pintada de verde claro e dava a impressão que ficava num alto, ele vivia com a mãe, o irmão mais velho do Carlos fugiu para a Áustria muito novo para fugir á Pide e á tropa, ( dizia-se que era comunista), o que na altura para mim era chinês, mas estava-mos proibidos lá em casa de pronunciar essa palavra, sob pena de levarmos os meus pais á cadeia, lembro-me de ouvir os meus pais dizerem que eles eram vigiados pela pide por isso.

Vários kandengues decidiram construir uma caverna no morro da Samba? A caverna desabou e um dos Miúdos ficou lá soterrado, sendo resgatado no último minuto por um corajoso da malta. Lembro-me ainda das miúdas da Samba que iam para a praia da Corimba e com os espelhos das motas faziam sinais aos Avilos que ficavam um pouco mais distantes.

Outro acontecimento marcante nessa altura foi o aparecimento da Coca Cola em Luanda e o concurso que fizeram. Tinha-mos de coleccionar caricas de 0 a não sei quantos e os números 13 e salvo erro o 8 em 100 só saia 1. Era muito difícil ganhar e começaram logo a fazer trafulhices, apagando números das caricas e desenhando os que faltavam à colecção.

Lembro-me tão bem desta cena! A Teresa tinha os números todos, só lhe faltava o 13 e num domingo, antes de sair para um piquenique, a mãe retirou as caricas das garrafas para ver os números e eis que lhe sai o 13! Foi uma festa, mas veio de lá o pai dela todo zangado e muito aflito, pensando que a mãe e ela tinham feito a dita trafulhice. Foi preciso muito para o convencer que o 13 era original e lá lhes saiu uma bicicleta. Lembro-me que nessa altura a Teresa era uma grande amiga, mas perdi-lhe o rasto. Nunca mais soube nada dela.

Há ainda o caso dos cheques visados falsos, protagonizado pelo Bertino e pelo Figueiredo. Uma fraude espectacular, o enredo daria um bom filme. Por que será que um assunto desses ainda não foi explorado? Poderiam surgir novas revelações. Eu, por exemplo, não sabia da possível conexão entre a morte do José Barata e esse caso. Sabia apenas que alguém queria silenciar o Barata. Uma vez alguém colocou uma cobra venenosa de bom tamanho no jardim da casa dele; felizmente o pai dele viu a cobra e ele e o malogrado Barata mataram-na a tiros de pistola.

E a tareia que um assaltante levou da casa do Márito !!!: a mãe do Márito quando viu um homem no primeiro andar da sua casa e pôs-se aos gritos... como aquela hora só havia mulheres e crianças, foram todas as mulheres com o que se tinham á mão, panelas, tachos vassouras...agarram o dito e deram-lhe tamanha coça que ele só pedia para chamar a policia que as mulheres ainda o matavam!!!isto pelos anos 71, foram todas acudir a mãe do Márito, sem se lembrarem que tinham os filhos em casa a dormir!!

Penso que o Lobo da Costa era uma pessoa conhecida e querida por todos nós. Ele era empresário, atleta e até artista de cinema. Eu, penso que ele participou num filme dos anos 40, rodado em Portugal. Em Luanda, anos 50, ele exibiu-se como lutador no Circo Ferroni, eu só ouvi a filha a Isabel Lobo da Costa contar e penso que poucos serão capazes de se lembrar deste circo mas certamente lembrarão dos torneios de "luta-livre americana" dos anos 60-70, nos Coqueiros, com Milano, Dimarcos, Taúta, Grilo, Rocha, La Barba, Vilaverde, Landro, King Kong (o falecido Taborda), dentre outros. O Lobo da Costa organizava e participava destes torneios. E mantinha uma pequena feira de brinquedos infantis na Restinga, Ilha de Luanda. Depois abriu o Restaurante Ganso, nas instalações de uma antiga lavandaria industrial a caminho da praia da Samba. Devem ter experimentado o "bife à Lobo", não? Mas apesar do sucesso o restaurante teve vida curta.

Por volta de 63-64 o Lobo da Costa construiu a pista de kart na Samba. Na inauguração da pista eu estava no prédio da padaria. Algumas dezenas de pessoas tentavam ver as competições do alto de um imbondeiro, junto ao rio seco. Um galho quebrou e várias pessoas cairam de uma altura de 4 a 5 metros. Foi um deus nos acuda.

Antes do Lobo da Costa construir a pista de carting, o local acolhia feiras de diversões itinerantes. Lembro do poço da morte do Max, motociclista veterano, do qual se dizia ter mais platina na cabeça do que miolos. O equipamento do Max era velho, a começar na moto e a acabar na madeira do poço, cheia de remendos. O show atraía poucos espectadores e o Max deixava entrar os putos de graça sob a condição de que estes o aplaudissem e fizessem bastante gritaria. A cada volta, volta que ele dava naquela Jawa barulhenta era um coro de "uaaaá, uaaaá, uaaaá".

De qualquer forma, obrigado pelo show, grande Max!



HISTÓRIAS DOS MAIS VELHOS



2008

BAIRRO POPULAR



Devo falar de um bairro – o Câncio Martins – simplesmente por ter morado nele a família Antunes. Nada de comparações, sempre odiosas, com outros lugares: melhor, pior... Até porque os Antunes poderiam residir em qualquer outro bairro popular.

O Bairro Popular nº 2 – cujo nome de Batismo é Câncio Martins – é um bairro popular como tantos outros no mundo: casas simples, gente descontraída trocando dois dedos de conversa no portão, bares onde a cerveja e o petisco correm soltos, vias largas e estreitas, praças, travessas, cantos e recantos retilinios e despreocupados de lógica urbanística, o motorista aventureiro que se mete pelo bairro sempre retorna ao ponto de partida, ou ao Largo que é sempre ponto de referência.

No comércio local, lojas de roupas, sapatarias, oficinas, mercearias e padarias. No Bairro tem Clube para no fim de semana se reunir o maralhal e se divertir ao som de uma boa música.

Como todo bairro popular, o Bairro Popular nº 2 tem velha fofoqueira, tem briga de marido e mulher, tem repreensão sobre um filho malcriado, tem kandengues jogando bola na rua e meninas pulando ao jogo da corda. Se cada cantinho de chão traz seu traço, o do Bairro Popular é a proximidade com o centro da cidade...

Sendo tão perto do centro da cidade, o Bairro Popular nº2, não poderia deixar de sofrer a influência da cidade. Daí que um garoto nele nascido tem infância duplamente vivida e saboreada: a descontraída e preguiçosa do bairro, e a aguerrida e laboriosa da cidade, onde é necessária certa dose de malícia e esperteza para se viver.

No Bairro Popular nº 2, e na cidade, tudo se adquire à força do trabalho, pois nada sobeja livre na natureza – bastante alterada pelo homem. Na periferia, uma rua com pouco tráfego ou alguma várzea sempre agasalha um campo de futebol.

Os garotos dos musseques periféricos ao Bairro Popular nº 2 prematuramente se põem a ganhar a vida para poder vivê-la: engraxar sapatos, vender doces de ginguba e revistas velhas na calçada; catar papéis, latas, garrafas e fios de cobre para vendê-los ao ferro-velho, além de recados, são operações comerciais que rendem alguns trocados para a garotada ir vivendo.

No Bairro Popular, como em tantos bairros, há tempo de tudo: tempo de coleção de cromos, tempo de jogar à bola , tempo de pião, tempo de passear nas torraites e ver as garinas, tempo da festa de São João... Bonito mesmo é o tempo de empinar o papagaio, pois exige destreza para driblar fios elétricos e vivendas que comprimem o bairro! Ali se aprende de verdade essa nobre e secular arte de rasgar os céus com papagaios multicoloridos.

Não é para espalhar por aí – a Câmara Municipal de Luanda não sabe disto –, mas as ruas do bairro pertencem mesmo aos kandengues, que diambulam de cá para lá, de uma rua para outra, imperando no seu território, onde jogam futebol, brigam, riem, andam de carrinhos de rolamentos, patins, bicicleta; brincam jogos de guerreiros e heróis, cabra-cega, apanhada, salto a corda e macaca. A rua é palco de contrastes onde se vê de tudo: kandengue bom e kandengue ruim, kandengue forte e kandengue covarde, sãos e viciados, atinados e vadios.

Nos finais de tarde, os velhos se acomodam nas varandas e conversam tanto que a rapaziada não bota na cabeça como aguentam ficar parados um vida de tempo assim. Mas o fato é que ali ficam, e se divertem vendo a criançada retornar da escola e os pais regressarem do trabalho... Isso é privilégio de bairro que convive sadiamente e não teme desgraças.

A criançada da rua é feliz. A muitos kandengues a pobreza excita a criatividade e nessa escola se improvisa de tudo: se não tem bola de catchú, a malta se vira com bola de borracha. Cachorro de raça é muito caro? Cada vira-lata bacana a garotada consegue! Brinquedos de marca, qualquer carrinho feito de lata de sardinha serve.

O kart é substituído com vantagem pelo carrinho de rolamentos. Carrinhos de todos os tipos, para levar gente. São de causar inveja aos donos dos carros de verdade, que passam e se admiram. Ali no bairro ainda se veem carrinhos com rolamentos conseguidos no lixo das oficinas mecânicas, e com direção hidráulica à base de arames por baixo do chassi de madeira e ligados ao eixo da direção, e assento com encosto para o piloto feito de cadeira velha sem pernas... Travão? Ah, o travão pode ser de mão, com um pedaço de pau na lateral do carrinho; ou de pé, à base de sola de sapato ou pneu velho pregado ao eixo da direção que, pressionado contra o solo pelos calcanhares, faz o veículo travar cantando o aço dos rolamentos.

Brincadeira velha e gostosa que a tradição arrancou da boca voraz da modernidade, mantendo-a viva em bairros modestos, é disparar pela rua com um pneu velho de bicicleta, ou de automóvel fazendo-o deslizar ágil, equilibrado apenas por uma vareta de gancho na ponta e encaixada ao pneu quase rente ao chão; ou correndo velozmente e tangendo o rasto do pneu com um pedaço de pau, e zigzeguiando postes e pessoas.

E assim, na pobreza inventiva, a garotada vai vivendo sem carrinhos eletrônicos e sem traumas por abstinência de consumo.

2008

12/08/2012

OUTROS BAIRROS

Meus kambas, temos que "alimentar" a criança que ainda habita em nós, com estas pequenas recordações...que já não voltam mais!
Recordar outros bairros como  o  "Bê-Ó", (Mana Fató era dona delas ), Sambizanga, Bairro Marçal, Bairro Zangado, Lixeira, Samba, Praia do Bispo, Maianga, Vila Alice, Vila Clotilde, Bairro de São Paulo, ( aiuê Zé Ideias, Sousa e o Banga Ninito) Bairro da Cuca, Bairro Popular nº 1 e 2,   Bairro  N`gola , Bairro Sarmento Rodrigues ,Bairro  Palanca...Enfim, todas aquelas ruas, becos e avenidas, que ficarão para todo o sempre na nossa memória. Recordar...Mas, recordar o quê?! Somos uns "Matumbos  chapados", p'rá aqui desprezados, entregues ao "Deus dará", "corridos" como ladrões da nossa própria Terra! Calvos, gordos, magros, velhos, novos, endinheirados, pelintras, "homens sérios" em manga de camisa, de fato completo, militares e marinheiros...
MAS...Porquê nós?
E quando vinha alguma companhia teatral com amáveis e prestimosas coristas, a cidade toda tremia de emoção: velhos e novos, de preferência, sozinhos, ou com as "patroas", caíamos no velho "Nacional" no “Miramar” e no “Avis “ mais tarde o Imperio (os  cinemas "dus branco de 1ª", os  outros eram  o " São João " no Bairro Popular ou o " N`gola" ou ainda o "Colonial", no Bairro dos "Kapangas"...o São Paulo! Éh cuidado Mano...Aí "soprava" o perigo das "Kibionas (dedo na bunda), apalpadelas na escuridão, corte de fita, intervalo, e, o próprio Sabú do Cononial  na refinada e meticulosa fiscalização:
-Éh pá, Tu aí, mostra-me o teu bilhete se é "Superior" ou "Geral"! Se for Geral, passa lá prá frente, prá aqueles bancos de cimento ou madeira cheios de percevejo, meu "Liambeiro dum raio", meu "Kamanguista", "Pilha Galinhas", "Mutut..... de m****"!!
Mas aquilo eram só "Bafos" à Mucequeiro, até porque o Fernando Sabú só tinha "Es'plingue de Sanzala". Era exibicionista quando estava junto das "garinas"...só para meter estilo e "paleio de chimba"! Filho da Mãe...Fiteiro do Caraças!! Pai dele tinha sido "Cipaio" do "Poeira" (Chefe do Posto do Sambila...filho da p..., reaccionário e racista de m****)!  O Alfaite mucequeiro  o  Pacavira ( BOM MOÇO ) lá apaziguava as questões entre eles.
Eu lembro-me bem até dos inevitáveis boatos, por todo o nosso bairro, por toda aquela cidade, acerca do ricaço "tal" apanhado na estrada de Catete ou do Cacuaco  com a bailarina "tal",  a conhecidíssima Laurinda , ou a corista, ao pé do "Morro dos Veados" amandar a sua "Q.... desportiva"...Éh estes "gajos" eram lixados!!
Lembro-me bem do "Balsemão" (o Porfírio, nome de baptizado) "afinfar" grandes "bocas" nos "Kaingas" (Chuis), alegando que conhecia OPAN, qualquer coisa como "Organização Pública Administrativa da Nação", e eu a olhar de soslaio p'rós rostos "Boamados" da "Bófia"!
Tempos que vão...e que se vão, diluindo nesta saudosa existência de vida. "Malhas que o Império tece...Jaz morto e arrefece / O Menino de sua Mãe"!
Um abraço a todos os Sanzaleiros;
Um abraço a todos os nossos Irmãos Angolanos / Portugueses!
Um abraço a todos os nossos "Kandengues" (jovens);
Um abraço a todas as nossas "Garinas", dispersas por lá e por cá!
Um abraço a todas aquelas Mulheres (com "M" grande) Um abraço a todos aqueles que "tombaram" e que ficaram "depositados" ou no Cemitério do "Alto das Cruzes" ou no "Cemitério Novo" (Santa Ana ) da "Estrada de Catete"! Um abraço a todas as nossas "Quitandeiras"!
Um abraço à Zita Soares, do Bairro São Paulo, à São Costa Pereira e ao Passarinho do Bairro Popular um Kandandu ao Esteves e ao Paiva da Escola Industrial , que tudo têm feito para juntar todos estes nossos Manos nos almoços anuais (Mucequeiros, paranóicos, gente fina, gente grossa, gente que merece respeito, Vovós (Kotas), Papás, Mãezinhas, Filhas e Netos, toda esta gente, este nosso Povo ("Tugas" e "Kamundongos"), numa só IRMANDADE!!

E PARA TODOS VÓS, QUE ESTÃO SEMPRE PERTO DO MEU CORAÇÃO, AQUI VAI AQUELE "KANDANDU" DE PEITO!!   
QUE SAUDADES!!!!!!!!
  AIUÉ meu Irmão...que saudades!! Saudades da "Bitacaia", do "Calulu", dos
"Quimbadas", dos "Candengues", da "Kitaba", do "Kiabo", "doce de Jinguba",
"Mufete", "Kimbombo", dos sacrificados "Monangambés"...Ai ué
"Gananzambi"...que saudades...!!!   Banga NINITO


ESTAMOS JUNTOS
ZÉ ANTUNES 
 2008

BAIRROS DE LUANDA

MEUS AVILOS... (um trecho  para recordar os Bairros de Luanda)

Falar em pão quente é recordar o Bairro Popular, era na padaria no largo ao lado da sapataria do surdo que as meninas iam lá e ficavam na fila ao sábado a tarde para comprar o pão para domingo, e está-se mesmo a ver que o maralhal com as suas torraites iam para lá para dar um dedo de conversa, ou mesmo namorar, outros era rua da Gabela a baixo rua da Gabela a cima, e outros mais exibicionistas a dar grandes voltas ao largo e a fazer cavalinhos claro que está de vez em quando era bassaúla na certa.  Recordar o Bairro Popular é recordar as farras nos Clubes do Bairro Popular,  do Sarmento Rodrigues,  as particulares no quintal de qualquer um de nós  ( grandes  farras na casa da Goretti ,  da Ivone,  do Zé Antunes ,  Na casa do Pompeu e do Salvador, na casa do Passarinho na Rua da Gabela e  em especial na Serração do Salgueiro)
Recordar ainda,  os trumunos que fazíamos nos terrenos do Preventório Infantil de Luanda quando jogávamos a bola até  mesmo de noite, Tó e Rui  Barata, Fernando,  Victor e Zé Antunes, Beto , Galiano, Dário, miúdo Agostinho ,Carlos Perninhas e irmão,    ( alguém tirou  dinheiro do pai que era taxista e com esse dinheiro fomos comprar uma bola de catchú ) ,  Carlos Capacete já falecido,  Américo  e muitos mais,  são as Corridas que faziamos de mota a volta do Largo  ( com os invariáveis despistes na casa do Cid),  isso é lembrar o Toalhinha, o Vasco Leite, o Perninhas, o Bronson, o Gaspar, o Zé Antunes (Russo) que uma vez  para não ficar debaixo do maximbombo 22 foi para cima do FIAT 124 do Moedas e a mota para debaixo do maximbas e  outra  vez bateu no Toyota Celica de um mais velho do Sarmento e ai teve que ir para o Hospital de São Paulo com a cana do nariz fracturada. é recordar as idas aos casamentos,  baptizados e festas  afim  como penetras ( sempre havíamos  sido convidados ou éramos convidados da noiva ou do noivo consoante o que nos parecia melhor ).  Tempos que vão... e que se vão,  diluindo nesta saudosa existência de vida.
Recordar o Bairro Popular é recordar ainda kandengue, as idas  até ao Bar São João ( do Matias e do Jorge ) e os mais cotas tais como o Necas ( Nascimento guarda redes do ASA suplente do Cerqueira ), o Garrido, o Pita –Grós, o Nogueira , o Américo Nunes, o João Doutor, o miúdo Lobo, o Carlos Enfermeiro, o Sotero,  o Manel Zé, o falecido Alberto ( Gugu ), o Moedas, o Zé das Senas,  o Fernando e o Nelo Caroça, os Vandúnem, o Zeca Dificil, o Bronson, o Cruz, o Barros,  (os irmãos Borges  - Zé, António. Chico, Carlos e o João  ) e  muitos outros avilos  que pagavam uns finos cá ao menino, está-se mesmo a ver que depois  de  beber  dois  ou  três  finitos  levavam-me  a  casa  e  a  tia  Carmitas  ( minha falecida mãe ) barafustava com a malta pois dizia ela que me queriam matar com a cerveja, " temos que nos irmos recordando com estas pequenas lembranças...que já não voltam mais!
É recordar ainda  as idas ao cinema São João ( eu e meus irmãos e o Chico meu cunhado  trabalhávamos no bar ( sr. Reinaldo era o gerente  ) só para ver o filme sem pagar ) e depois no fim das sessões iamos para o muro do Matias e estavamos ali até ás 4 da manhã a contar anedotas " ás vezes era com cada susto pois o Matias vinha á janela e com a pistola de alarme afugentava o pessoal" ou então quando colocava alcatrão no muro (ao qual chamávamos carinhosamente de o nosso poleiro ) para não nos podermos sentar .
Recordar o Sarmento Rodrigues era ir para o Tirol ou o Pisca Pisca e petiscar uns pipis com mocotós e moelas e beber uns finos junto da malta.
Lá aparecia o Brinca na chica que farto de andar de bicicleta pedia para dar uma volta na minha torraite e eu dizia xê canuco vai lavar a cara e vestir uma camisa e umas calças limpinhas. Xê este branco é mesmo carrula.
malta da Banda Kaluandas do Bairro é recordar a loja do Dias onde o Munhungo  também chamado Cassequel,  o maximbombo 23 fazia a inversão junto ao imbondeiro. Nesse maximbas era mais barato e o maralhal ia nele e as vezes não pagava, o falecido Zé Pinguiço uma vez ficou todo arranhado pois  a fugir do cobrador  e com o maximbombo em andamento caiu na estrada de Catete junto aos Maristas .

Recordar o Bairro Palanca e o Golfe ( Lagoa do Roldão ) é recordar as corridas de moto – cross que ai se realizavam,  meu grande amigo Carnapeto do Desportivo União de São Paulo  que organizava os moto crosses antes de ser nas Barrocas do Miramar , artilhava-se as torraites fazia-se o moto cross e ainda tínhamos tempo para ir ás  Matinés  no Cine S. João  para estar com as  Garinas.
Lembro- me  perfeitamente do negrão  Vai a Lua  com uns  pés  enormes  e era  Cambaio   que tinha uma deficiência numa perna  e  que queria sempre jogar a guarda - redes!!!
Lembro- me de matar sardões à pedrada no Jardim do Preventório, de brincar as corridas de automóveis "dinkitows"  com o Manelito  filho da Dona Florinda (alguns "dinkitows"  gamados no Quintas e Irmão deixávamos as caixas vazias) com uns amigos de que me recordo alguns nomes ou alcunhas e moradas: O Manelito tinha uma irmã a Linô  que moravam  na casa ao lado do  Sr. Vicente  pai da Celina e da Chú, lembro-me de passar tardes inteiras a jogar monopólio  com os meus irmãos na casa dele .
Os Teixeiras  que moravam  na Rua de Serpa mesmo ao meu lado ( António, Quim, Chico e a sobrinha Mila que mais tarde casou com o Minguitos da Terra Nova ).
Lembro-me do Carlos Capacete  um kandengue  (quer dizer, um jovem ) um madiê que tinha um cabelo muita espetado e muita forte,  que quando crescia, parecia mesmo um capacete, razão porque lhe puseram tal alcunha? Tinha uma  TORRAITE uma Honda SS50Z, faleceu pouco depois de vir de Luanda.
Lembro-me das nossas brincadeiras com trotinetes e carrinhos de rolamentos que arranjávamos nas oficinas de automóveis (da Renault da Sabb e da Robert Hudson representante da Ford).
Lembro-me dos Pára-quedistas  que saltavam no Golf. Íamos lá para tirar o fio que era bem resistente e um dia numa  dessas largadas, em que houve uma menina "pára" que por ser muito leve, foi arrastado pelo vento, tendo ido cair em cima (e depois dentro) de um galinheiro no Sarmento.  Perto da Serração do Salgueiro, e uma outra que o paraquedas não abriu e ela morreu.
COMO GOSTARIA AGORA DE FAZER E ORGANIZAR UMA CORRIDA DE CARRINHOS COM AS PISTAS DESENHADAS NO CHÃO COM GIZ !!!
 Lagoa do Roldão bem atrás do aeroporto  na carreira de tiro dos comandos  já bem afastado do Golfe ia lá correr nos motocrosses  mais o Zé Tó  com a minha Honda SS 50  Z,  desmontava a mota  e aplicávamos o  escape livre  (tinha feito um escape cónico tipo corneta o chamado mega ) era cá uma barulheira. Depois no fim montava tudo e chegava a casa,  o meu Kota ia ver se a mota estava suja mas nada tinha sido bem lavada,  um bom banho  para não se notar a lama.  Para a Lagoa do Roldão ia-se  acampar e fazer "aquela famosa caçada noturna" caça dos gambuzinos e ai entra o Luis Gambuzo tinha acabado de chegar a Luanda e ao Bairro nos anos 72 ou 73, conversa de Gambuzinos e nós a picarmos e ele curioso quis saber como era e nós como bons amigos quisemos ensinar-lhe como se caçava , e lá o levamos para o Golfe  com o saco de sarapilheira e a lanterna e o deixamos a espera que ele enche-se o saco com gambuzinos e piramo-nos dizendo que os íamos afugentá-los  para a direcção dele indo claro está para  o bar do Matias , passadas duas horas ele todo danado pois ficou lá sozinho  e nada de gambuzinos foi uma rizada de partir o coco,   ficou conhecido pelo Luis Gambuzo, e  com vergonha da alcunha mudou-se para a Madame Berman.
 Para a Lagoa do Silvares, que era mais pequena,  ia-se apanhar os passarinhos, com os arames com o visgo extraído das mulembeiras e depois de muito mexer com os dedos, enrolando o leite da dita cuja arvore.
Lembro-me de um senhor muito forte, negro  enfermeiro que morava ao lado da casa do Sr. Acácio das camionetas pai da Virinha, Dininha e Cacito., batia no filho a toda a hora pois o kandengue queria jogar a bola com a malta mas o pai queria que o miúdo estudasse para ser médico, dizia que nos prendia a todos,  pertencia ao M.P.L.A .
Já agora ainda me lembro de um rapaz que treinava no Benfica  o José Luís Cordeiro e que me queria levar para essas andanças do Atletismo, mas eu nessa  altura queria era motas .
 Lembro-me da mercearia do Sr. Amaro , da casa de Moda do Sr. Novo, da Sapataria do  sr. Silva  ( mudo ) do Sr.  Matias e Jorge do Bar São João, do sr. Pinto Ferreira do Talho,  da Padaria  da Rua da Gabela, da Tabacaria na Rua de Porto Alexandre, da casa de Gelados na Rua de Ourique, da loja do Cravo, da Loja do Dias  onde comprávamos ginguba, do Colégio Santo Expedito . Lembro-me de uma senhora onde íamos comprar gelados feitos de gelo  ou era a mãe do Garção ou do Carlos Buritty.

Quem não se lembra de ir  apanhar  mangas, bananas, pitangas, fruta pinha  e cajús na horta do Preventório    
Quem não se recorda do pão quente da Padaria da Estrada de Catete? Quem ia para O bairro da Terra Nova depois do  ABC
Uma história gira que recordo,  Da garrafa de vinho do porto do Nelo Caroça,  mas ainda assim bastante divertida... Penso que terá acontecido no Natal de 72 ou 73... A rapaziada do Largo e das motoretas, já não recordo todos os que faziam parte do grupo... resolveu nesse Natal visitar todas as capelinhas, ou seja a casa de todos os amigos... Então em cada casa que passávamos para dar as Boas Festas, os pais dos ditos amigos, faziam questão que comessemos das suas iguarias e bebessemos dos seus vinhos... - Resultado lógico... uma ganda bezana...
Assim quando calhou a vez de visitar a casa do Teixeirinha, que ficava lá prás bandas do Palanca, ao subir a "avenida"  de terra batida que dava acesso ao dito Bairro, aconteceu apanharmos uma curva, em que "estranhamente" havia "alguma" areia e o tipo da mota da frente espalhou-se ao comprido e, em consequência disso, todos os que vinham atrás se foram espalhando igualmente em cadeia. Na mota do Zé Antunes ia à pendura o Bacalhau que ficou ali deitado a chorar e a dizer “ ai minha mãe que morri “, Resultado... uma risada geral e a festa continuou...
Pra fechar a noite o Zé Avelino resolver gamar a garrafa de Porto que o Nelo Caroça  tinha levado para o Largo para partilharmos mais tarde na noite e "mamou-a" sózinho às escondidas, tendo sido depois atacado por uma crise de tristeza e de choro, confessando-nos que o pai não gostava dele e acabou debruçado na janela da casa dele, a vomitar tudo o que tinha comido e bebido... Cenas dos tempos...
Lembras-te Nelo Caroça
Meu Deus !!! RECORDAR É VIVER !!! ESTAMOS JUNTOS


BAIRRO DOS COQUEIROS

Será que cheguei tarde para falar do meu bairro? Sou novato neste sitio, estou a navegar à toa, mas vou segurar o leme da embarcação. Sou do Bairro dos Coqueiros, morava na Rua Avelino Dias, ao lado do Colégio Infante D. Henrique, pertinho da mercearia  Oliveira. Os meus "avilos" são tantos que quero reportar alguns para avivar memórias. A familia do Manél Teddy Boy, pai da Mariza Cruz,"a kiduxa do euro milhões", eram vizinhos nossos. (eu e o Teddy  sempre tivemos uma relação de amizade mesmo cá em Portugal). Meus "cambas". Falando do pessoal do "cú-tapado" Quem se recorda de Doutel Pinto, Fernando Ervedosa, irmãos Areias e os Marroquinos. Os Garridos, do Largo do Pelourinho. Bilocas. Luis Burrié, irmão da Alda Peyroteo,  Garnachos. Lima paraquedista. O "bumbo" mais branco do nosso bairro: Catarino. Vilaverde,"o madié que aprumava" com a Sra. que morava no prédio Alfredo de Matos. Não cito o nome! (estou nos anos 60!) Estou  só a dar uma dica para ver se alguém se recorda de mim... As nossas reuniões eram no Jardim do Canhão Roto, frente ao Alfredo de Matos.

Américo penso que sejas o filho da D. Laura que morava pegado ao colégio onde andei e lembro-me bem de ti. Eu morava no prédio de esquina com a fabrica de papel e conheci essa malta toda que falas. Tenho estado com a Alda irmã do Luis. Ele vive no estrangeiro.

Olá Bitucha! Acertaste na MOUCHE. Sou eu mesmo, filho da Laura.  Se moravas no prédio frente à fábrica de papel, é óbvio que te conheço! Deixa eu meter os miolos a funcionar para, "timidamente", dizer BINGO! A minha mãe é viva, mora em Bicesse, Alcabideche, e recomenda-se. Está fixe para os 80 anos que tem. Eu moro em Lisboa, nos Anjos, e embora me mantenha solteiro, tenho um filhote com 15 anos que vive comigo desde que nasceu. A minha filha mais velha, hoje com 41 anos foi para o Brasil em 1977 com a mãe dela.. .( Nasceu na Vila Alice mas tem nacionalidade e mentalidade "brasuca"). Tens uma boa memória! A professora (dona) do Colégio era a D. Mercedes, certo? As noticias de quem não vemos "à bué" caem bem. (Não ligues à maneira como me expresso, continuo a ser brincalhão e bem humorado!) Não conhecia este site, caí aqui por mero acaso. Todavia foi bom porque de imediato encontrei alguém  que se lembra de mim. " Moras em Cascais hein? ( também  és TIA? )"  Não me quero alongar demasiado para não te chatear. Dá noticias tuas, ok?

Nando. Vê se te recordas de mim. Era amigo do Garrido, que morava no Largo do Pelourinho. Moravas por cima da camisaria Brasilia . Eu morava na Rua Avelino Dias. Os meus "cambas" eram o Fernando Ervedosa, Doutél Pinto, manos Peyroteo,  Garnacho,etc...etc... Também estive em França, em Nancy, já lá vão uns anos. Lembraste do Fanecas,"gago", que arranjava máquinas de escrever, morava na travessa da Sé? Meu avilo. Dá noticias, valeu? Recebe um abraço


Como é meu avilo. Estou a ler a tua mensagem e a rir-me. Sou eu mesmo, Américo.

Falas bué da malta, tens boa memória. O Marito tinha uma mana "cambuta" usava óculos, mas toda quique. Os Areias, Marroquino, Douttel Pinto,"bumbo" Catarino, Camané, filho da Virginia, o pai tinha "bumbi", que morava no Alfredo de Matos, e o Vilaverde também pertencia à familia! A irmã era a Amélia, tinha uma prima que morava na Praia do Bispo. Falas no Ribeiro sapateiro que tripulava uma bicicleta de corridas, o filho nem me lembro do nome. Luis Buorrie, irmao da Alda.  O Lima paraquedista.  Joca irmão do Tarzan, o pai era dono da Farmácia Restauradores. Os pacotes de farinha muceque C/ açucar que a malta comprava na mercearia do Silva. As nossas lutas nas barrocas que faziam traseiras com o cu tapado, o ringue foi construido pelo Catarino, lembras? Também na praia faziamos os nossos combates com bué de assistência. Não te esqueças do Bilocas, o tipico bangão, morava numa casa ao lado da fábrica de papel, mãe era solteira e tinha uma mana toda "vaidosa". Não passava cartucho à malta. A Magy, morava na casa de esquina frente ao merceeiro Silva. Mercearia do Oliveira, padaria dos Coqueiros onde a malta arranjava cumbu  para comprar  pão quentinho. As nossas reuniões à noite no Jardim do Canhão Roto. Essa da malta ir ao Quintas & Irmão orientar os dinki toys, deixando as caixas vazias, era obra de artistas.  Moro em Lisboa/centro. Não reparei onde vives mas vamos marcar encontro para reviver os nossos "velhos tempos
(  Américo Barroso  )
 2010

20/07/2012

RECORDAÇÕES DO Bº. POPULAR Nº2

Cinema S. João

Cine São João, Rua de Serpa no Largo do Bairro Popular nº. 2 cinema que marcou muito a minha infância. Olho as fotos e parece que estou a viver as matinés ao Domingo. Entrada de portão de ferro do lado direito à esquerda as bilheteiras entrada com um grande Hall e o bar atrás das bilheteiras e atrás do Ecran eram os sanitários de um lado homens e do outro mulheres, ecran esse com um pequeno palco para variedades. Esta descrição é do cinema novo, porque o velho era com bancos de madeira e não tinha declive na plateia. Quantos filmes vi neste cinema, ( pedi ao sr. Reinaldo gerente do cinema para trabalhar no bar só para assistir aos filmes). Num belo domingo fui ao fim da tarde a uma matiné mais a minha namorada que é hoje minha mulher vim directo do moto – cross e como tinha dado uma bassula estava todo dorido e não me sentia bem, fiquei doente nessa noite, a garina perguntava o que é que eu tinha e eu para me mostrar forte dizia que estava tudo bem.

                                                               2005 – Cine são João


O Bar S. João ( Matias e Jorge )
Bairro Popular nº 2, Bar São João no Largo, Matias e Jorge os seus proprietários,  a acompanhar as Nocais , as Cucas e os finos, lá vinham uns pratinhos de ginguba e tremoços ou uns pratinhos da famosa dobrada com gindungo  que era para se beber mais uma cervejolas para apagar o quente do picante. Um dos empregados que eu  me lembro era o Joaquim sempre na berrida a servir as mesas pois o pessoal gostava de bebê-las bem fresquinhas.

Curioso ninguém bebia  água. Era neste bar que o maralhal se reunia e convivia no  dia a dia, contando as suas histórias.

Mesmo com a guerra civil já dentro de Luanda, o Bar São João estava sempre cheio e como a cerveja já não abundava, tinha-se obrigatóriamente que ser acompanhada com pratinhos dos ditos cujos e bitoques tudo a pagar. Eram pratos cheios que voltavam para a cozinha,  porque a malta queria era beber porque a sede apertava e o calor era imenso.

Muitas vezes estavam aos tiros M.P.L.A e F.N.L.A  e nós só saiamos quando parava o tiroteio, parecia que estava tudo combinado, e lá saiamos e cada um ia à sua vida.

 
As Farras





Tempos em que no Sábado à noite se ia dançar ali para o clube do Bairro do Sarmento Rodrigues, do Clube do Bairro Popular nº 2, na Boavista, na Textang, no Ferrovia, no Clube da Terra-Nova, Casa do Alentejo, Casa do Minho ou no Transmontano e dançar ao som do Nelson Ned. E outras músicas  soul, para estar bem agarradinho. Depois, no Domingo de manhã pegar na toalha e ir desfrutar das águas cálidas do Atlântico, na praia da Floresta, na de S. Jorge, no Restinga, na Tamar, na Praia do Sol, na Barracuda,  até o sol se afundar no mar e ouvir o silvo como se ele fosse esfriando para esse mesmo sol se transformar em Lua.
 
                                                Espanhola, Zé Antunes, São Ribeiro, Paquito, Rosário 
                                                e de costas a Bety Sabino ano de 1973



 


ZÉ ANTUNES

   

SANTA ANA



Santa Ana ou Sant'Ana foi mãe de Maria, avó de Jesus Cristo.
Veneração por – Igreja Católica Romana, Igreja Ortodoxa, Igreja Anglicana
Festa Litúrgica – 26 de Julho
Atribuições – Menino Jesus, Sagrada Família
Padroeira – Viúvas, Carpinteiros, Avós, Rendeiras, Navegantes

Mulher nazarena que apesar de não ser mencionada nos Evangelhos, pela tradição da Igreja Católica seria a mãe da Virgem Maria e, portanto, avó materna de Jesus Cristo. De acordo com a tradição, era filha de Natã, sacerdote belemita, e de Maria, e foi a mais jovem de três irmãs bíblicas. Suas outras irmãs mais velhas seriam Maria de Cleofas, mãe de Salomé, e Sobé, mãe de santa Isabel, que geraria são João Batista. Casou-se com são Joaquim e por muitos anos permaneceu estéril, só dando a luz a Maria em avançada idade. Teria morrido pouco depois de apresentar Maria no Templo, consagrando-a a Deus, quando a filha contava apenas três anos de idade. Seu culto difundiu-se no Oriente, e no século VI o imperador Justiniano mandou erguer-lhe um templo em Constantinopla. Nos séculos seguintes a veneração expandiu-se também pela Europa. Em uma bula (1584) o papa Gregório XIII instituiu que sua festa seria comemorada no dia 26 de Julho, mês que passou a ser denominado mês de Sant'Ana. Venerada como padroeira das mulheres casadas, especialmente das grávidas, cujos partos torna rápidos e bem-sucedidos, é também protectora das viúvas, dos navegantes e marceneiros.

Paróquia de Santa Ana no Bairro Popular nº 2 em Luanda. E uma paróquia urbana, com bairros suburbanos. Dessa paróquia já nasceram três paróquias, com estruturas físicas feitas pela Igreja, escolas, salas para catequese e outro tipo de formação. Para além duma equipa de leigos comprometidos deixámos duas comunidades de irmãs que muito trabalham na pastoral e na promoção social escola, saúde, alfabetização.

                Santa Ana  ( foto net )
Neste momento a paróquia tem uma superfície muito reduzida mas com muita gente, cerca de 100.000 habitantes. Aqui trabalham os Padres Orlando Martins e António Frazão. Santa Ana pertence agora ao chamado Bairro Neves Bendinha.

Até aos anos 70 do século xx era o Páraco Costa Pereira que geria a paróquia e fazia-se as procissões de Santa Ana que percorriam algumas ruas do Bairro Popular com muitas pessoas a integrar o cortejo.

  Procisão  de Sant`Ana ( foto net )
  Procisão de Sant`Ana( foto net )


Boas festas no largo ainda kandengue, lembro-me que todas as ruas ficavam bonitas.

Estas festas em honra de Sant'Ana eram lindas!
Havia a parte religiosa onde a procissão era o "prato forte" e havia o arraial, à noite, onde todo o mundo se divertia nos bailaricos, cadeiras giratórias e os carrinhos de choque, o carrocel eram o que mais gostava, barraquinhas com os mais diversos jogos e tasquinhas com os mais diversos sabores (fazia lembrar, em ponto pequeno, a famosa Feira Popular). O espaço escolhido era mesmo o Largo em frente à Igreja, que naquele tempo era amplo.

Nos Santos Populares, eram as fogueiras em frente a igreja quem tivesse mais lenha e pneus fazia a maior fogueira.

       Largo do Bairro ( foto net )




ZÉ ANTUNES