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11/09/2015

TORRES GEMEAS


Faz hoje exatamente 14  anos que o mundo assistia de forma perplexa o desabamento das famosas Torres Gêmeas, o Word Trade Center, após os choques consecutivos de dois aviões comerciais. Não se tratava de um mero acidente aéreo – o que muitos podem ter pensado após o choque do primeiro avião – mas sim da execução de um plano encabeçado por Osama Bin Laden. Somando-se os dois ataques às Torres, o ataque ao Pentágono e o avião que caiu na Pensilvânia no mesmo dia, quase três mil pessoas morreram. Desde aquela manhã de 11 de setembro de 2001, não apenas a história dos Estados Unidos, mas a de todo o mundo, nunca mais seria a mesma.
Foto net   
                          
 
Fotos postadas na internet revelaram um fenômeno curioso. Ontem dia 10 de Setembro de acordo com a rede ABC, um arco-íris surgiu no exato local onde ficavam as torres gêmeas, derrubadas após atentado terrorista no dia 11 de Setembro de 2001, em Nova York.

Foto net     


Eu estava em Lisboa em Santa Apolónia, a hora dos atentados estava a trabalhar e á hora do almoço fui almoçar a um pequeno restaurante nas proximidades e estava a televisão ligada. Quando comecei a ouvir as notícias do primeiro avião que embateu nas torres gémeas fiquei estupefacta, vi o segundo avião a ir contra a outra torre. Fiquei paralisada a ver as notícias sem acreditar no que estava a ver. Claro está que esse almoço demorou um pouco mais pois eram noticias atras de noticias .
 
 
ZÉ ANTUNES
 
2015



14/11/2014

A N G O L A /// L U A N D A


Um PEQUENO DESABAFO, nesse tempo chuvoso e frio!

 "Tenho vontade de chorar...quando me lembro de Angola...."


É verdade! Sinto fome de ti Luanda. Das palavras livres, proferidas pelos "miúdos" da minha sanzala! Estou farto, saturado mesmo, de palavras que apenas dizem o que podem dizer, e que...Não me dizem nada! Tenho ânsia de viajar com as palavras por dentro dos imensos infinitos da linguagem. Quero saborear os "ditongos" e os "substantivos" da minha Lavra, que são adocicadas pela cana do açúcar. Tenho ânsia de ser um "pimplau" (pássaro) impossível que recusa as palavras que dizem apenas o que querem dizer. Estou farto de palavras direitas e certas, controladas por essas leis burocráticas. Palavras "amarradas", carregadas de vocábulos difíceis de entenderem e que dizem o que toda a gente diz...NADA! Sinto fome de liberdade, de correr e levar "berrida" no interior dos meus becos; sinto saudades dos meus Amigos "Kandengues" e dos nossos "mais velhos" da Ilha, no bairro dos pescadores! Sinto fome e sede, de comer o meu "funge" numa cubata de pau-a-pique e de beber daquela água da "moringa", filtrada na pedra até à "sanga"! Fome do fascínio das mulatas, e do poder embriagador que envolve a beleza "achocolatada" da Negra...Ai que saudades..."Gana Zambi"! Tenho fome de soltar este surdo grito que está dentro de mim, carregado de saudades e que me tem "aleijado", dia e noite, esta minha alma já desgastada de tanto chorar. 

Até quando meu Deus!?? Sinto por dentro de mim esta liberdade enclausurada, que as palavras livres oferecem, sinto esta divina transgressão que me seduz até à medula da minha alma. Para que é que hei-de dizer sempre o essencial, o fundamental, ou o que se pensa que está certo para toda a gente? Grito sozinho à noite, suplicando à Nossa Senhora da Muxima, que não me deixe morrer aqui, nesta terra de palavras que nada me dizem! Eu não entendo nada destas palavras, acreditem! Porque não experimentar a liberdade desta transgressão? 

Gostaria de ser como o Poeta de verdade, que arranca dos monstros do "não-sentido", as mais belas crianças desejosas de nascer...Crianças nunca vistas, flores nunca sonhadas, gritos que a curta visão do presente procura levianamente matar na sua dimensão de futuro.

Sinto fome de palavras, provindas do "Kimbundo", que são palavras livres, soltas e grandiosas de poesia, que o Poeta fecunda e desentranha de um dizer imenso, onde a humanidade inconscientemente se espraia, sonha e espera...

"TENHO VONTADE DE CHORAR...QUANDO ME LEMBRO DE ANGOLA"!! ( canção do duo Ouro Negro )


BANGA NINITO

"Tenho vontade de chorar...quando me lembro de Angola...."


 A saudade é uma coisa lixada, basta ás vezes olharmos para um feito, ouvirmos uma música, tantas vezes uma conversa e lá está a saudade a alojar-se dentro de nós num cantinho do peito destinado ás boas memórias ( alguém disse: a saudade não tem braços mas que aperta aperta ) ás vezes aperta tanto que sufoca e quando já não cabe no peito escorre pelos olhos, tenho saudades tuas, disto e daquilo, daqui e dali saudades de Angola de Luanda que hoje 11 de Novembro celebras 39 anos da tua independência, hoje é o teu dia de todos os angolanos e daqueles que lá viveram. Por tudo isso sinto saudades da minha Angola, do meu Bairro, dos meus amigos.

Eu sei que num silêncio ensurdecedor que se instala no nosso coração, durante estes anos todos existe aquele sentimento ambíguo. Sentimento que sentimos quando vemos partir aqueles que fizeram parte das nossas vidas, aqueles a quem considero amigos do peito.

Tudo nos aconteceu de um dia para o outro, tristezas pela separação de amigos quando fomos bombardeados na guerra dos senhores e dos interesses estratégicos, e tivemos que abandonar a terra que mais amava-mos.


Continuo a ter saudades tuas LUANDA e a gostar de ti ANGOLA, sinto como sempre um nó na garganta quando penso em tudo que vivi nos meus anos de infância e juventude.

Parabéns Angola por mais um aniversário da tua independência.

 
ZÉ ANTUNES

11-11-2014

02/09/2013

BOM DIA LUANDA


Bom dia, Luanda. Tu és rica. Ficas à beira mar, tens uma praia de areias brancas, és cheia de música e o teu clima é tropical. Os teus habitantes são orgulhosos e belos. Quando se vai passear, ao fim da tarde, pelas tuas ruas,

fragmentos do seu português misturam- se com a música que retumba algures de um altifalante. Para quem quer acreditar nos prognósticos económicos, vais ter um futuro próspero. Então, porque é que as pessoas não gostam de ti? Porque é que não te conhecem? Porque é que tratas mal os teus visitantes?

Porque é que não te compreendem? Efetivamente, não é fácil conhecer-te.

As tuas ruas estão cheias de poeira e, muitas vezes, também de lixo. Buracos nas ruas do tamanho dos pneus de um camião, tampas de esgoto sem qualquer proteção já alguma vez uma criança caiu dentro de algum desses buracos?

Os engarrafamentos permanentes nas tuas ruas acabam todos os dias com os nervos das pessoas. E ter que ficar horas e horas na fila da bomba de gasolina, apesar das enormes reservas de petróleo frente à tua costa, não facilita o gostar de ti.

Mesmo assim, tu consegues ser charmosa, consegues inspirar, relaxar, enfeitiçar.

Por exemplo, quando no centro da cidade, atrás de um dos teus gigantescos estaleiros, se entra no «A nossa Sombra », um pequeno jardim com uma esplanada-restaurante, para tomar um cafezinho e sentirmo-nos como num oásis.

Quando se está sentado na praia para ver o pôr do sol, a cidade nas costas, a música Kizomba no ouvido, o vento quente, levando consigo a pressão do dia, com a consciência de que algures, do outro lado do mar, está o Brasil.

Quando se vai de barco ao mar, ver os golfinhos deslizando na água. Quando se é convidado para ir a uma festa numa casa lá no alto, com vista sobre os telhados da cidade, observar as suas luzes a brilhar, não se quer estar em nenhum outro lugar do mundo.

Porque é que se sabe tão pouco de ti? Já tens 436 anos. Acabas de fazer anos. Em 1575, o comandante do navio português Paulo Dias de Novais veio com o primeiro grupo de colonos portugueses. Passaste por muita coisa desde então. Pela colonização portuguesa. Pelo fim do regime colonial. Pela guerra civil. Paz. Pessoas que fugiram. Pessoas que voltaram para construir o país e participar no boom económico. E hoje? Hoje as opiniões divergem. As pessoas ou te odeiam ou te amam. Dizem que és a cidade mais cara do mundo, reclamam contra a tua corrupção, e a maior parte das vezes só falam mal de ti.

Para te compreender e talvez até gostar de ti é preciso conquistar- te e descobrir-te. É preciso ir para o lado menos elegante da Ilha e comer peixe na Tia Luísa. Ela deixa marinar o peixe em sumo de limão antes de o pôr na pequena grelha encostada à parede, o quintal com telhado de zinco feito «restaurante », transforma o peixe no mais delicioso que alguma vez se comeu.

Sentar no parque ao lado da casa do Presidente no Miramar onde à tarde a rapaziada do bairro vem jogar basquetebol.

Ouvir a música do tempo antes da independência, em 1975, que os mais velhos voltam a tocar ao domingo à tarde no café. Abrir os olhos. Descobrir os azulejos dos letreiros das ruas do tempo dos portugueses. Divagar pelos teus cinemas ao ar livre que se podem visitar, mas que já não funcionam. Escutar o teu barulho.

Os pregões das peixeiras e o ronco dos motores, permanentemente ligados, dos carros estacionados para que os motoristas sentados lá dentro se possam refrescar no ar condicionado. Sentir o teu cheiro, o oceano e o aroma fresco da terra depois de um aguaceiro, tanto como o lixo presente em quase todo o lado.

Encontrar os teus habitantes e falar com eles. Os teus artistas, pensadores, pintores, poetas, atores, músicos. Ouvir as suas histórias e as suas vidas.

Luanda, precisamente. Cidade portuária. Cidade do petróleo. Cidade do boom. E logo depois de São Paulo e do Rio de Janeiro a terceira maior cidade lusófona do mundo. Tu mexes com as pessoas. Vale a pena o esforço de te conquistar.

Recebi via mail

Christiane Schulte
Diretora do Instituto Cultural Alemão /
Goethe-Institut Angola

2013

08/07/2013

A MINHA CIDADE DE LUANDA



A cidade de Luanda é para poucos. Ela reduz qualquer um à sua insignificância ao mostrar-se grandiosamente assustadora. Joga no chão o teu orgulho, a tua prepotência, os teus títulos, envolvendo-te no anonimato. Torna-te invisível, isto a partir do momento em que tu cruzas os portões do musseque aonde se vive confinado, e se deixa levar como parte daquela multidão que esbarra, tropeça, aperta e parece surgir do nada.

Em Luanda tudo é "top", é " in", é " must", envolvente, sufocante, ruidosamente real. Trânsito caótico, maximbombos, carros, motos, numa dança infernal, sinais luminosos nos cruzamentos que mudam de cores rapidamente e tornam o cruzar das ruas uma espécie de salve-se quem puder e de anjos da guarda que nos socorram.

A maioria chega, e qual aves de arribação partem para algures, para os arrabaldes da cidade Luandense, para os musseques, excomungados a este caos nosso de cada dia. Agora, os que ficam, despojados de toda ou qualquer condição, estes nunca mais a deixam porque tornam-se guerreiros, de aço.

Isto porque, quando a tarde começa a declinar, e o sol a pôr-se e as estrelas, uma após outra, começam mostrar-se no céu cinzento e poluído, Luanda se acende em mil cores e néons. Com o cheiro de gasóleo dos geradores a funcionar E se mostra tal qual uma encantadora mulher, brilhante, cintilante e imperdível diante da gama de programas e diversões que nos proporciona.

Luanda antiga, Luanda Nova, ela é única, envolvente, saudosa e inesquecível. Quem gosta da cidade de Luanda jamais a esquecerá.

ZÉ ANTUNES
2013

30/05/2013

LUANDA



 




















BRAZÃO DE LUANDA

No Bairro de S. Paulo, quem é que não conhecia a "FOTO BELEZA" do pai dos amigos Fernando e Henrique?




Da "Fábrica de Borracha", no Macambira, junto à Rua Eugénio de Castro na Vila Alice ( hoje Bairro Belito Soares ) onde trabalhei nas Férias do 2º ano de Curso de Formação da Escola Indústrial no ano de 1971. Luanda tinha a Curbol, que fabricava botas e quedis e estava prestes a produzir os sapatos “Campeão Português”, o topo de gama da época.





As padarias Leão, Monte Sinai, Santana e Sopão,

A famosa "Pastelaria Vouzelense" dos irmãos Tojal.







A "Marisqueira Amazonas", com a sua esplanada na Avª

Restauradores





Das Farmácias Dantas e Valadas na Baixa, junto ao Largo da Portugália







E da casa saratoga onde se comprava as camisas ás mil flores cintadas e as famosas calças LA FINESS






 dos Supermercados Angola, Pastelarias Paris e Versailles do Cosme J. Martins Varandas & cº. Lda. Geridas pelo sócio gerente senhor Ventura




A Decorang, que fabricava as tintas Dyrup,







A Tudor, das baterias e pilhas



E do Benfica de Luanda do qual era sócio






E da boa Cerveja tanto em garrafa como em fino ou mesmo do Canhangulo, bem fresquinha, que eram das fábricas cervejeiras CUCA ou NOCAL






E dos filmes, ia-mos ás matinés para namorarmos e roubarmos uns beijos no escurinho do cinema, Império, São Paulo, Avis, Restauração, cine São João e muitos outros.





E os postos de combustível da Texaco na avenida de Lisboa, da Mobil na Vila Clotilde e da Shell na Estrada de Catete








Na zona Industrial estava a Mabor General, a maior fábricade pneus de África








As fábricas de refrigerantes (mission, coca-cola ) Refrinor, e a Dussol





A fábrica de fósforos, IFA, que exportava para o continente




Os camiões e tratores Berliet Tramagal correspondem inteiramente à exigências de um exército moderno.

Mobilidade, robustez, economia, segurança. Viaturas tácticas, viaturas de transporte geral, veículos especiais

Metalúrgica Duarte Ferreira (Angola) S.A.R.L.

Note-se que o camião Berliet Tramagal aparece dentro do círculo do símbolo da marca, que por sua vez está sobre um desenho de uma tapeçaria antiga com uma cena de uma batalha (qual será?...). Rua Serpa Pinto 25, 25A e 27A - 27B - Luanda"Rua Serpa Pinto 25, 25A e 27A - 27B - Luanda"






A FAMEL. Fábrica de produtos metálicos e que representava as motorizadas Zundapp




Tinha a Vilares (que depois passou a chamar-se Bolama), que fazia massas alimentares, bolachas gostosas, caramelos e rebuçados de vários sabores.

Tinha também a Uniplásticos, e o ABC que fabricava desde o copo ou prato plástico a reservatórios de água.


A Condel, fábrica de cabos elétricos,




A Fábrica de Tabacos Ultramarina ( F T U )











Os jornais A Província de Angola, Diário de Luanda, Revista Noticias





As oficinas Alfredo Matos, Robert Hudson e Auto União





Tinha a Api de Angola, fábrica de caixas de cartão, que usávamos nas nossas brincadeiras de infância.

Estava ainda a Capsul, onde eram fabricadas as caricas de gasosa, que também usávamos para jogar.

Tínhamos também a Edal, que fabricava colchões de molas resistentes e estofos

Luanda tinha as lixas Hermes para toda a Industria, era o principal representante, bem assim como as respectivas máquinas e tintas.


As Confecções Faz Tudo, a Fiaco e a Textang,


As Malas Onil,


Quem não se lembra dos frangos de Aviário da Avicuca

O matadouro da Avicuca, que tinha vendedores a circular pelos bairros em bicicletas de três rodas a vender ovos e frangos. Para chamar a atenção dos clientes, usavam uma buzina própria buzina própria,






E as motorizadas V5





a Agran (que fabricava pesticidas),

a Reckit Colman Angola de lá vinham as pomadas para calçados, inseticidas, perfumes e água de colónia).

Quem não se lembra da Casa Americana e do Largo D. Afonso Henriques?




Casa Americana em Luanda
Foto da net de Rui Seara.

Encoi, que fazia até carroçarias de carros,

Lembro-me, também, do velho Brandão, que fazia candeeiros, a partir de latas de compota ou margarina, e depois a mulher, também já de idade, ia vender Numa altura em que despontavam os luxuosos candeeiros petromax, o velho conseguiu atrair clientela e era o maior fornecedor do bairro mais industrializado do país. Não havia casa em que não estivesse um candeeiro do velho Brandão!

Apesar da idade já avançada, revelada pelas profundas rugas naquele rosto cansado e chupado, o velho magro e curvo pelo peso dos incontáveis cacimbos era tão eficiente na sua profissão, que granjeou o respeito de todos nós,

Sei que um dia, o bairro acordou sem o barulho do velho a bater nas latas. A casa de madeira com quintal de chapa ficou vazia. Os ocupantes haviam partido e nunca mais derem notícias. Coincidência ou não, o mesmo destino que tiveram quase todas as indústrias lá de Luanda. São coisas que os meninos de Luanda do meu tempo não esquecem jamais.


ZÉ ANTUNES

1975

29/03/2013

LUANDA




                   Paulo Dias de Novais                       Cidade de Luanda    

Luanda é a maior
cidade e a capital de Angola, sendo também a capital da província homónima. Localizada na costa do Oceano Atlântico, é o principal porto e centro administrativo de Angola. Tem uma população de aproximadamente 5 milhões de habitantes, o que a torna a terceira maior cidade lusófona do mundo, atrás de São Paulo e Rio de Janeiro.

As
indústrias presentes na cidade incluem a transformação de produtos agrícolas, produção de bebidas, têxteis, cimento e outros materiais de construção, plásticos, metalurgia, cigarros, e sapatos. O petróleo, extraído nas imediações, é refinado na cidade, embora a refinaria tenha sido várias vezes danificada durante a guerra civil que assolou o país entre 1975 e 2002. Luanda possui um excelente porto natural, sendo as principais exportações o café, algodão, açúcar, diamantes, ferro e sal.

Os habitantes de Luanda são na sua grande maioria membros de grupos étnicos
africanos, principalmente ambundu, e a seguir ovimbundu e bakongo. Existe uma pequena minoria de origem europeia, constituída principalmente por portugueses. A língua oficial e a mais falada é o português, sendo também faladas várias línguas do grupo bantu, principalmente o kimbundo.

Luanda foi a principal cidade a acolher os jogos do
Campeonato Africano das Nações 2010.


Etimologia


O topónimo Luanda provém do étimo lu-ndandu. O prefixo lu, primitivamente uma das formas do plural nas línguas bantus, é comum nos nomes de zonas do litoral, de bacias de rios ou de regiões alagadas (exemplos: Luena, Lucala, Lobito) e, neste caso, refere-se à restinga rodeada pelo mar. Ndandu significa valor ou objecto de comércio e alude à exploração dos pequenos búzios colhidos na ilha de Luanda e que constituíam a moeda corrente no antigo Reino do Kongo e em grande parte da costa ocidental africana, conhecidos por zimbo ou njimbo.

Como os povos
ambundos moldavam a pronúncia da toponímia das várias regiões ao seu modo de falar, eliminando alguns sons quando estes não alteravam o significado do vocábulo, de Lu-ndandu passou-se a Lu-andu. O vocábulo, no processo de aportuguesamento, passou a ser feminino, uma vez que se referia a uma ilha, e resultou em
Luanda


 .
       Da fundação à dominação holandesa


A História Geral das Guerras Angolanas de
Cadornega, escrito em Luanda em 1680.
Quando os portugueses chegaram à região onde hoje se localiza a cidade de Luanda, esta era parte integrante do
reino do Ndongo, vassalo do reino do Kongo, e era especialmente importante por ser uma zona produtora de zimbo, uma pequena concha com valor fiduciário

Respondendo a um pedido de envio de missionários feito aos portugueses pelo rei
Ndambi a Ngola do Ndongo em 1557, no dia 22 de Dezembro de 1559 zarparam de Lisboa três navios com um emissário do rei de Portugal, Paulo Dias de Novais, e dois padres jesuítas, Francisco de Gouveia e Agostinho de Lacerda. Chegados à barra do Kwanza no dia 3 de Maio de 1560, a missão portuguesa foi recebida com hostilidade e desconfiança pelo novo rei do Ndongo, Ngola Kiluanje kia Ndambi, que os encarou como agentes do rei do Kongo, mandando-os aprisionar. Mais tarde, com a promessa de conseguir apoio diplomático e militar português, Paulo Dias de Novais teve permissão para regressar a Portugal.

Na sua segunda viagem a Angola, Paulo Dias de Novais partiu de
Lisboa no dia 23 de Setembro de 1574, acompanhado por mais dois padres da Companhia de Jesus, tendo chegado à Ilha do Cabo em Fevereiro de 1575. Aí estabeleceu o primeiro núcleo de colonos portugueses: cerca de 700 pessoas, onde se encontravam, religiosos, mercadores e funcionários, bem como 350 homens de armas.

A Ngola Kiluanje kia Ndambi tinha entretanto sucedido
Njinga Ngola Kilombo kia Kasenda, discípulo do padre Francisco de Gouveia que, na sua estadia forçada de dezena e meia de anos, tinha aproveitado para fazer a sua acção evangelizadora entre os angolanos. No dia 29 de Junho de 1575, Paulo Dias de Novais recebeu uma comitiva enviada pelo ngola para o saudar.

Reconhecendo não ser a ilha do Cabo o lugar mais adequado, avançou para terra firme e fundou a vila de São Paulo de Luanda em
25 de Janeiro de 1576, tendo lançado a primeira pedra para a edificação da igreja dedicada a São Sebastião — santo de grande devoção dos portugueses e patrono onomástico do rei de Portugal —, no lugar onde é hoje o Museu das Forças Armadas.

A escolha do novo local para a vila foi influenciada sobremaneira pela existência de um magnífico
porto natural, situado numa baía protegida por uma ilha; de uma fonte de água potável, as águas do poço da Maianga na (então) lagoa dos Elefantes; e das excelentes condições de defesa oferecidas pelo morro de São Paulo, mais tarde designado morro de São Miguel, quando se construiu a fortaleza do mesmo nome. A sua população constituída pela comitiva de Paulo Dias de Novais, composta por sapateiros, alfaiates, pedreiros, cabouqueiros, taipeiros, um físico e um barbeiro, tiveram dificuldades de adaptação à inclemência do clima e à carência de condições para a fixação. No entanto, a vila expandiu-se para a "Cidade Alta", na continuação do morro de São Paulo, onde se construíram as instalações para a administração civil e religiosa. Os soldados e os mercadores de escravos viviam na "Cidade Baixa", na área actual dos Coqueiros.

Em 1580, chegaram a Luanda dois missionários jesuítas, em 1584 outros dois e, em 1593, mais quatro. Apesar das naturais dificuldades encontradas, as primeiras tentativas da
evangelização deram resultados apreciáveis, ao ponto de, em 1590, já se dizer que haver aqui cerca de vinte mil cristãos.

No dia 1 de Agosto de 1594, chegou a Luanda um novo governador,
João Furtado de Mendonça, que vinha substituir D. Francisco de Almeida e seu irmão D. Jerónimo. Fazia-se acompanhar por doze raparigas órfãs, educadas em Lisboa no recolhimento sustentado pela Misericórdia. A maior parte dos autores vê nestas raparigas as primeiras mulheres brancas que vieram para Luanda. Todas elas casaram com colonos aqui radicados.

Durante este tempo, a economia da cidade assentava exclusivamente no comércio de escravos, proporcionando avultados lucros e um elevado nível de vida. Esta abundância reflecte-se em muitos aspectos da vida da cidade, por exemplo, nas festas levadas a efeito em 1620 para comemorar a
beatificação de São Francisco Xavier. O custo da comédia pastoril representada e do fogo-de-artifício que se queimou, atingiu a soma de 3 mil cruzados, uma verba considerada exorbitante na época[.

No entanto, nem tudo foram gastos sumptuários nesta época. Em 1605, com o aumento da população europeia e do número de edificações, que se estendiam já de São Miguel ao largo fronteiro do actual
Hospital Josina Machel, a vila de São Paulo de Luanda recebeu foral de cidade, sendo constituída a primeira vereação municipal. Nesta época ergueram-se, na parte alta, as igrejas da Misericórdia, em 1576; a Sé Episcopal, em 1583, no local onde actualmente funciona Casa Militar da Presidência da República; bem como a igreja dos Jesuítas, em 1593; o Convento de São José, em 1604, no local onde hoje se ergue o hospital; o palácio do governador, em 1607; e da Casa da Câmara, em 1623, onde, mais tarde, funcionou o Tribunal da Relação de Luanda

Luanda tornou-se o centro administrativo de Angola a partir de 1627. Para a defender foi construída a
Fortaleza de São Pedro da Barra, em 1618, e a Fortaleza de São Miguel de Luanda, em 1634. Isto, no entanto, não evitou a sua conquista pelos holandeses e o domínio da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, entre 1641 e 1648.

Da reconquista à abolição do tráfico de escravos




 Salvador Correia        Vista da Fortaleza de S. Miguel





Planta de São Paulo da Assunção de Luanda
                          no século XVIII


A tomada de Luanda pelos holandeses a 25 de Agosto de 1641 teve como consequência a brusca interrupção do fornecimento de escravos ao Brasil. A braços com uma longa guerra com a Espanha, a metrópole portuguesa era incapaz de pôr cobro à situação. Coube, pois, aos próprios governantes locais brasileiros, apoiados pela coroa portuguesa, a organização de uma expedição a Angola.

Uma primeira tentativa de reconquistar Angola foi chefiada pelo
governador do Rio de Janeiro Francisco de Souto-Maior à frente de uma expedição constituída por oito navios e 500 soldados, incluindo dezenas de índios. Apesar de a expedição não ter alcançado o resultado esperado — tendo perecido o próprio Souto-Maior, bem como parte significativa dos soldados, esquartejados e devorados pelos jagas, tribo canibal aliada dos holandeses — o facto de terem logrado trazer para o Rio dois mil escravos, deu novo alento aos donos de engenho, que se entusiasmaram com uma nova expedição.

Dois anos mais tarde, nova esquadra de 15 navios atravessou o
Atlântico Sul rumo a Luanda. A expedição, capitaneada pelo novo governador do Rio, Salvador Correia de Sá e Benevides, deixou a Baía de Guanabara no dia 12 de Maio de 1648, reunindo entre 1400 e 1500 homens, segundo o historiador Charles Ralph Boxer, entre portugueses, brasileiros e angolanos refugiados. A esquadra aproximou-se da capital angolana no dia 12 de Agosto, tendo encontrado a cidade protegida por apenas 250 holandeses nos Forte do Morro e da Guia, já que o grosso da guarnição, comandada pelo holandês Symon Pieterszoon, se encontrava em Massangano, combatendo os portugueses com os jagas.

Apesar de nos recontros de Luanda terem perecido 150 portugueses, contra apenas três mortos e oito feridos do lado holandês, a expedição logrou infligir um golpe fatal aos holandeses, destruindo as suas
peças de artilharia, vitais para a sustentação da defesa. Perante isso, o administrador holandês Cornelis Hendrikszoon Ouman pediu a paz. Nos termos da rendição ficou acordado que deixariam Luanda e os postos avançados no Kwanza e em Benguela, mas levando consigo os escravos que eram propriedade da companhia holandesa. Regressado de Massangano, Pieterszoon aceitou a rendição, mas não sem antes distribuir amplamente armas entre os jagas, para que pudessem oferecer resistência aos colonizadores.

Na sequência da vitória, Salvador de Sá assumiu o
governo da Angola, rebaptizando o Forte do Morro de Forte de São Miguel, em homenagem ao patrono da expedição vinda do Brasil. Já a cidade de São Paulo de Luanda tornou-se São Paulo da Assunção, em honra a Nossa Senhora da Assunção. Imediatamente os navios negreiros embarcaram em direcção ao Brasil com sete mil escravos apinhados nos porões. Estava restabelecido assim o tráfico de escravos para o Brasil.

Quando os holandeses foram expulsos por Salvador Correia de Sá e Benevides, Luanda encontrava-se, segundo
António de Oliveira de Cadornega, praticamente destruída, com igrejas e casas sem tectos e sem portas, tendo a maioria dos seus antigos habitantes sido dizimada ou se posto em fuga. Em carta que o Senado da Câmara dirigiu ao rei nos princípios de 1665, informava-se que a população branca de Luanda se resumia a 132 almas.

Para aumentar a população, a Provisão Real de 23 de Outubro de 1660 isentava os moradores de Luanda de comparticiparem nas guerras do sertão e, em 4 de Maio de 1675, foi proposta ao Conselho Ultramarino a vinda de pessoas sob a alçada da lei, com exclusão apenas daquelas sobre as quais recaíssem penas capitais.

Houve, no entanto, tentativas para reanimar a cidade. Logo em 1651 foi construída a actual Sé Arquiepiscopado e, em 1664, a
Igreja da Nazaré, começando-se também a delinear a parte baixa da cidade, na zona onde já existia um mercado, conhecido por Quitanda Pequena, no local mais tarde ocupado pela Rua de Salvador Correia, hoje Rua da Rainha Ginga. Na parte alta, foi construído o hospício de Santo António, em 1668 – onde presentemente se encontra o jardim público, em frente ao Palácio do Governo – e a Igreja do Carmo, em 1661, marcando o início da urbanização da Ingombota.

Mas a cidade e a província permaneceram num estado de quase letargia por cerca de um século, só se alterando claramente em 1764, quando ascendeu à suprema magistratura de Angola um dos mais qualificados representantes da administração
pombalina: D. Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho.


De 1836 aos nossos dias


Luanda em 1883


Enquanto apenas um quinto de suas importações eram originadas de Portugal, os outros quatro quintos eram com o Brasil. O equilíbrio na balança comercial era mantido com o intenso contrabando de escravos.

A cidade limitava-se a funções militares, administrativas e de redistribuição. A indústria era praticamente inexistente e a instrução pública pouco evoluída

Em
1847, incluindo os edifícios públicos, a cidade contava com 144 casas com primeiro andar, 275 casas térreas e 1058 cubatas (cabanas de indígenas). Cidade de degredados, com cerca de cinco mil habitantes, possuía perto de cem tabernas, pelo que os viajantes a qualificavam como de moralidade duvidosa.

Em
1889, o governador Brito Capelo inaugurou um aqueduto que forneceu a cidade de água potável, anteriormente escassa, abrindo caminho para o grande crescimento de Luanda. Em 1872 Luanda recebeu o etnónimo de "Paris da África".

A partir de
1928, com o regime de excepção em Portugal, Luanda passa a ser mais utilizada como colónia penal. Nos primeiros anos do salazarismo, a população europeia da cidade era composta por condenados de delito comum e outros, utilizando uniformes de sarja azul escura com a inscrição D.D.A. em branco no peito e nas costas (Depósitos dos Degredados de Angola era como se chamavam as prisões e fortalezas de São Miguel e da Barra, onde permaneciam depositados os deportados e presos políticos em Luanda).

Luanda é a maior e a mais densamente habitada cidade de Angola. Inicialmente projectada para uma população a rondar nos 500 mil
habitantes, é hoje uma cidade sobre-habitada. Segundo os últimos estudos, vivem actualmente em Luanda mais de 5 milhões de habitantes.


Geografia

Cidade de Luanda vista de satélite.

A cidade de Luanda é constituída por seis municípios: Cazenga, Ingombota, Kilamba Kiaxi, Maianga, Rangel e Sambizanga. Cacuaco, Samba e Viana fazem parte da província de Luanda, mas encontram-se já fora do perímetro urbano luandense.

A zona central de Luanda está dividida em duas partes, a Baixa de Luanda (a
cidade antiga) e a Cidade Alta (conhecida pela "nova cidade"). A Baixa de Luanda está situada próxima do porto e tem ruas estreitas e antigos edifícios dos tempos coloniais. O litoral é marcado pela Baía de Luanda, formada pela protecção do litoral continental por meio da Ilha de Luanda e a Baía do Mussulo, ao sul do núcleo urbano principal, formada pela restinga do Mussulo.

Não existem rios grandes que desemboquem no litoral da cidade, mas vários cursos de água formam o sistema de bacias pluviais de Luanda. Os rios mais próximos são o
Kwanza, o maior rio de Angola que faz o limite sul entre a província de Luanda e a província do Bengo, e o rio Bengo que faz o limite norte com a mesma província.


Clima

 
O clima é quente e húmido, mas surpreendentemente seco, devido à corrente fria de Benguela que impede a condensação da humidade para gerar chuva. Frequentemente, o nevoeiro impede a queda das temperaturas durante a noite, mesmo durante o mês de Junho, que costuma causar secas completas até Outubro.

Luanda possui uma
precipitação anual de 323 milímetros, mas a variabilidade está entre as mais altas do mundo, com um coeficiente de variação superior a 40%. O curto período de chuvas nos meses de Março e Abril depende de uma contra-corrente de norte que traz humidade à cidade.

Crescimento populacional

Globalmente, a população de Luanda aumentou nas duas últimas décadas, como consequência da fuga de vastos contingentes populacionais das zonas rurais para a capital durante a Guerra Civil Angolana. O resultado foi um crescimento muito acentuado, não controlado, que não deixou de provocar uma série de problemas sérios - desde a escassez de habitações, de saneamento básico e de empregos até um aumento da criminalidade, passando pelo desajustamento do sistema viário a um volume vertiginoso de trânsito.

Composição étnica

Os habitantes de Luanda são na sua grande maioria membros de grupos étnicos bantus. A população original da região são os Ambundu, em particular os do grupo (Axi)Luanda (Lwanda) de cujo nome deriva o da cidade. Aos Ambundu juntaram-se no século XX, na vigência do regime colonial, grupos bastante numerosos de Ovimbundu e de Bakongo, especialmente nas últimas décadas coloniais e durante a Guerra Anti-Colonial; esta imigração reforçou-se novamente em consequência da Guerra Civil Angolana, que também desencadeou a passagem de muitos Ambundu rurais para a capital. Esta alberga entretanto também minorias oriundas de todos os grandes grupos étnicos do país, dos Côkwe aos Ovambo.

Para além dos habitantes de origem bantu, Luanda teve durante o período colonial uma forte minoria de portugueses; no fim deste período foram mais de 50,000, entre já nascidos no país e recentemente imigrados. No momento do acesso de Angola à independência, a maior parte deste grupo deixou o país, entretanto, a população de portugueses, brasileiros e outros caucasianos voltou a ser tão numerosa como no início dos anos 1970. Convém salientar que em Luanda é particularmente alta a proporção da população mestiça, ou seja, de descendência negra e caucasiana.

Ao mesmo tempo, a estrutura da sociedade está a evoluir de acordo com uma dinâmica ainda mal estudada mas que, de qualquer modo, aponta no sentido de um processo cada vez mais acelerado de formação de classes e de desigualdades sociais.

Religião

Luanda é a sede de um arcebispo católico romano.

Política e administração

Divisão administrativa

A cidade de Luanda é constituída por seis municípios:
Cazenga, Ingombota, Kilamba Kiaxi, Maianga, Rangel e Sambizanga. Cacuaco, Samba e Viana fazem parte da província de Luanda, mas encontram-se já fora do perímetro urbano luandense.

Economia

Luanda é sede das principais empresas do país: Angola Telecom, Unitel, Endiama, Sonangol, Linhas Aéreas de Angola e Odebrecht Angola, dentre outras.

Sectores em destaque

A
indústria transformadora (principal actividade de Luanda) inclui alimentos processados, bebidas, têxteis, cimento e outros materiais de construção, produtos plásticos, metais, cigarros, e sapatos. O petróleo (encontrado em depósitos off-shore próximos) é refinado na cidade, em instalações que foram várias vezes atacadas durante a guerra civil angolana (1975-2002). Luanda possui um excelente porto natural, de onde exporta principalmente café, algodão, açúcar, diamantes, ferro e sal. A cidade também possui uma próspera indústria da construção civil, um efeito económico bom para o país, que experimentou, desde 2002, um retornou à estabilidade política com o fim da guerra civil. A cidade é a mais desenvolvida de Angola e o único grande centro económico do país. Vale a pena mencionar, no entanto, os musseques que prolongam Luanda muitos quilómetros para além da antiga cidade, como resultado de várias décadas de conflitos armados, agravadas pelo aumento das desigualdades sociais e pela corrupção generalizada.

Em 2007 foi inaugurado em Luanda o primeiro
centro comercial de Angola, o Belas Shopping, totalmente climatizado, com oito salas de cinema e zona de alimentação, área de lazer e uma centena de lojas.

Reconstrução e obras públicas


        Prédios em construção na Maianga


Após o final da guerra civil em 2002, Angola tem vivido um período de grande prosperidade económica, sendo hoje uma das economias de maior crescimento a nível mundial. Nos últimos anos, o governo central tem vindo a desenvolver um ambicioso plano de reconstrução nacional que, embora abranja todas as regiões do país, tem privilegiado a zona da capital.

Em Luanda a reconstrução é evidente em quase todos os aspectos da sociedade. A reabilitação de estradas, incluindo o seu alargamento e a aplicação de novos tapetes de asfalto, está a ser feita por toda a cidade. A construtora brasileira
Odebrecht está actualmente a ultimar a construção de duas auto-estradas de seis faixas de rodagem: uma das vias — chamada Auto-Estrada Periférica de Luanda — permite agora o acesso rápido ao Cacuaco, Viana, Samba, Kilamba Kiaxi, ao Estádio Nacional 11 de Novembro (construído para o CAN 2010) e ao futuro aeroporto de Luanda; a outra via liga o centro da cidade de Luanda a Viana, estando prevista a sua conclusão até ao final de 2009.

As construtoras portuguesas
Mota Engil e Soares da Costa ganharam um concurso de 136 milhões de dólares para a renovação da Baía de Luanda. O projecto envolve a despoluição da baía, o alargamento para 6 faixas de rodagem dos 5 km da Avenida 4 de Fevereiro, ligando o porto de Luanda à ilha do Cabo, a construção de 12 parques de estacionamento, zonas verdes e áreas de lazer. O projecto deverá estar concluído em finais de 2011.

Está também a ser feito um grande investimento na
habitação social para abrigar muitos dos que actualmente habitam nos musseques que dominam a paisagem de Luanda. Uma grande empresa chinesa ganhou um contrato do governo para construir a maior parte dessas casas. O adjunto do primeiro-ministro declarou em 2008 que a pobreza em Angola seria combatida "com programas de diversificação da economia, criação de empregos e construção de habitações sociais". Em 2009, o primeiro-ministro António Paulo Kassoma anunciou que o programa de urbanismo e habitação lançado pelo Governo previa a construção de mais de um milhão de fogos até 2012, grande parte deles em Luanda.

Turismo


Um dos mais belos
cartões-postais de Luanda, a Avenida 4 de Fevereiro, conhecida simplesmente como Marginal, exibe o contraste entre a beleza natural da Baía de Luanda e os edifícios modernos ao seu redor.

A
ilha do Cabo, à entrada da baía de Luanda, possui belíssimas praias de areias brancas e águas claras, ornadas por coqueiros. Na ilha existe uma excelente estrutura de entretenimento, com muitos bares e restaurantes.

O
carnaval da cidade, tem sido cada vez mais procurado pelos visitantes.

A Marginal é sobejamente conhecida pelos inúmeros transeuntes que se passeiam e aí fazem desporto diariamente. Mais recentemente, algumas personagens do mundo dos media e publicidade têm tentado promover a marginal como um local hippie chique, se bem que duramente criticados pela população que sente repulsa por estas novas tendências, que são desajustadas ao significado da marginal. "Hippie chiques é para casamentos" dizia um frequentador da marginal em off e em tom de desabafo.

Pontos de interesse turístico nos arredores de Luanda:
Barra do Kwanza
Cabo Ledo
Miradouro da Lua
Mussulo
Parque Nacional da Quiçama



Estrutura urbana
Devido ao grande
crescimento populacional vivido pela cidade, o preço da terra/terreno aumentou e os musseques da cidade estenderam-se até próximo da fronteira de cidades como Viana. Apenas 20% da cidade tem água e saneamento básico e apenas 30% das casas têm água corrente. No entanto, existem projectos inovadores, como a urbanização de Luanda Sul que visa melhorar esta situação.


Educação

Luanda abriga um número considerável de
universidades sendo o principal pólo universitário do país. Em 2008 foi lançado o projecto da Cidade Universitária que abrigará o primeiro Parque Científico e Tecnológico de Angola. O projecto do parque é voltado para o sector da Tecnologia da Informação.Universidade Agostinho Neto - Constituindo-se na continuidade à Universidade de Angola, fundada ainda no tempo colonial, esta foi a universidade da Angola ndependente, sendo até 2009/2010 a única instituição de ensino superior pública do país e a maior com a oferta de 68 cursos de licenciatura, 18 de bacharelado e 15 de mestrados[27]. [28] Tendo chegado a ter mais de 40 faculdades espalhadas pelo país inteiro, concentra.se hoje nas províncias de Luanda e do Bengo, enquanto as suas faculdades situadas noutras cidades foram agrupadas em sete universidades autónomas.Universidade Católica de Angola - A UCAN é a primeira universidade privada do país criada em 1997 oferecendo actualmente dez licenciaturas.Universidade Independente de Angola - Iniciou as suas actividades em 2004 e actualmente oferece quatro licenciaturas.Universidade Jean Piaget de Angola - Iniciou as suas actividades em 2000, oferece doze cursos de nível superior.Universidade Lusíada de Angola - Oferece nove cursos de nível superior.Universidade Privada de Angola - Fundada em 2000.Universidade Técnica de Angola - Oferece cinco cursos de nível superior.

Existem ainda outras universidades privadas, de fundação recente, a Universidade Lusófona, a
Universidade Metropolitana de Angola, a Universidade Independente de Angola, e a Universidade Metodista de Angola. O elenco é completado pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Relações Internacionais de Angola. Foi ainda anunciada pele Arábia Saudita a intenção de constituir uma Universidade Islâmica.

Saúde



Luanda conta com vários hospitais como o Hospital Josina Machel, ex-Hospital Maria Pia (Maianga), o Hospital Américo Boavida (Rangel), o Hospital Militar (Maculusso), o Hospital de Queimados Neves, Bendinha, a Clínica Girassol (Maianga, propriedade da petrolífera Sonangol), a Clínica Multiperfil (Morro Bento), a Clínica Sagrada Esperança (Ingombota e Talatona, propriedade da Empresa Nacional de Diamantes).

Nos últimos anos, os principais hospitais públicos da capital têm vindo a ser reformados e reequipados, tendo sido construídos mais de 50 postos de saúde em bairros da periferia.

Transportes


Luanda é o ponto de partida de uma linha de caminho-de-ferro que serve o interior a leste da cidade, sem no entanto atingir a fronteira da República Democrática do Congo. A cidade é servida pelo Aeroporto 4 de Fevereiro. O principal sistema de transporte no interior da cidade são os táxis, também chamados de candongueiros, nome popular dado aos veículos de transporte de passageiros em Angola (no Brasil são chamados de vans ou lotações). Geralmente são carrinhas pintadas de branco e azul informais que percorrem toda a cidade, realizando também viagens para várias províncias do país.

Cultura


Cinema e teatro

Tem destaque na cultura da cidade, diversos
teatros tais como: Teatro Municipal de Luanda, Teatro Elinga e Teatro Avenida.

Património edificado

A
Biblioteca Nacional de Angola e Biblioteca do Governo Provincial de Luanda são as mais importantes da cidade bem como o Arquivo Histórico de Angola.

Museus


Monumento a Agostinho Neto


Luanda abriga os mais importantes museus do país, tais como:Museu Nacional da Escravatura
Museu Nacional de Antropologia
Museu das Forças Armadas
Museu Nacional de História Natural de Angola
Museu de São Pedro da Barra
Mausoléu Agostinho Neto
Palácio de Ferro


DESPORTO


O futebol é o desporto mais seguido em Luanda, sendo o Petro Luanda o clube com mais apoio. Outros clubes importantes são, Sport Luanda e Benfica, Clube Desportivo Primeiro de Agosto, Grupo Desportivo Interclube e Atlético Sport Aviação. O Estádio da Cidadela é o maior da cidade. Outros estádios importantes são o Estádio dos Coqueiros, o segundo maior e o Estádio Joaquim Dinis. No Campeonato do mundo de futebol de 2006 a Selecção Angolana de Futebol era composta por mais da metade de jogadores naturais de Luanda. O Campeonato Africano das Nações 2010 teve a sua abertura, jogo inicial e final, realizados no Estádio Cidade Universitária.

Outro destaque do desporto é o
automobilismo devido ao facto de ficar situado na cidade o Autódromo de Luanda, inaugurado em 1972. O Clube Naval de Luanda também tem grande importância para o desporto da cidade por ser um dos clubes mais antigos da cidade e um dos mais antigos clubes náuticos de África, fundado a 23 de Maio de 1883, bem como o antigo Clube Desportivo Nun'Alvares (actual Clube Náutico da Ilha de Luanda), fundado a 28 de Fevereiro de 1924 que ainda hoje continua a ser o clube náutico mais representativo da cidade. Por ser a capital do país é sede de diversas organizações desportivas nacionais de Angola, como o Comité Olímpico Angolano e várias federações.


ZÉ ANTUNES

2008