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19/12/2012

M'BANZA CONGO

História
   Brazão
A cidade foi fundada antes da chegada dos portugueses e era a capital de uma dinastia que governava desde 1483. O local foi abandonado durante guerras civis que eclodiram no século XVII.
M'Banza Congo foi o lar de Manikongo, que governava o Reino do Congo. No ano de 1549 foi construída uma catedral no local em que os angolanos reclamam ser a mais antiga da África Sub-Saariana, o nome da igreja no local é nkulumbimbi. Foi elevada ao status de catedral em 1596. O papa João Paulo II visitou a catedral em 1992.
O nome São Salvador do Congo apareceu pela primeira vez em cartas enviadas por Álvaro entre os anos de 1568 e 1587. A cidade voltaria a se chamar M'Banza Congo, após a Independência de Angola em 1975.
 
                                                  M`Banza Congo


Quando os portugueses chegaram a M'Banza Congo, ela já era uma grande cidade, a maior da África sub-equatorial. Durante o reinado de Afonso I, edificações de pedra foram criadas, incluindo o palácio e muitas igrejas. Em 1630 foram relatados cerca de 4000 a 5000 batismos na cidade com uma população de 100.000 pessoas.
A cidade foi saqueada várias vezes durante as guerras civis do século XVII, principalmente na batallha de Mbwila e foi abandonada no ano de 1678, sendo reocupada em 1705 por seguidores de Dona Beatriz Kimpa Vita, a partir desta época a cidade não foi mais abandonada.
Foi aqui as minhas férias de 1974 em julho.

1974

TORRES VEDRAS



Era uma vez um rei…


Vista Geral de Torres Vedras

Afonso Henriques de seu nome que em 1148 tomou aos mouros uma vila na Estremadura rodeada por suaves colinas e bonitos vales. Assim podia começar esta resenha histórica da cidade de Torres Vedras, situada no distrito de Lisboa, região agrícola de
forte componente vinícola e centro de uma intensa vida comercial e industrial que a torna um dos pólos mais modernos e importantes do Oeste. Esta tendência não é de agora pelo que Afonso III concedeu foral em 1250, confirmado e ampliado por D. Manuel I em 1510, reconhecendo-lhe o privilégio de vila que se manteve por 729 anos até chegar a cidade em 1979, sede de um concelho com 20 freguesias, 80.000 habitantes e 410 km2 de área total.

O perfil de Torres Vedras é como o daquelas mulheres que sendo elegantes mas não fascinantes, revelam-se encantadoras e gentis. Afonso III assim o entendeu: apreciando andar por estas paragens com a rainha D. Beatriz, mandou edificar um paço na encosta do castelo do qual não há rasto. D. Dinis foi outra conversa. Trazia a corte, mas por razões menos discretas deixava-se ficar por cá, enamorado que estava de D. Gracia Frois de quem teve um filho que chegou a ser conde de Barcelos. Vila doada a rainhas, sobretudo da dinastia de Avis, acabou por ter uma imperatriz nascida em Torres Vedras a 18 de Setembro de 1434, a infanta D. Leonor, filha de D. Duarte e D. Leonor, casada com Frederico III, imperador da Alemanha.

Dessas construções onde reis, rainhas e amantes se acolheram, mesmo os amplos edifícios onde D. João I decidiu reunir, em 1413, o seu Conselho a fim de legitimar a expedição a Ceuta, que assinala o princípio da expansão marítima de Portugal, ou onde o regente D. Pedro convocou Cortes, em 1411, para deliberar sobre o atribulado casamento de sua filha Isabel com o sobrinho Afonso V, nada resta. E não seria pouco se não devêssemos registar o fausto e esplendor dispensados por D. João II à visita da embaixada do rei de Nápoles, bem como a da República de Veneza, em 1496, feita nesta vila a D. Manuel I. Porém, não há só glórias a assinalar pois também sucederam dias negros.


Brasão de Torres VedrasBandeira de Torres Vedras

  Brazão                                             Bandeira

A alcaidaria esteve de preferência nas mãos de naturais da vila e quando assim não foi deu para a desgraça com intrigas e confrontos, como em 1384 quando o Mestre de Avis pôs duro cerco de modo a obrigar o alcaide castelhano Juan Duque a entregar as chaves. Razão igual obrigou D. João IV a tomar o mesmo caminho em 1640, agora com o alcaide português João Soares de Alarcão, bandeado para o lado dos Filipes. Há vozes históricas que atestam, com simpatia, a lealdade do povo da terra à Restauração da Independência, assim como a resistência aos franceses de Napoleão Bonaparte que não tiveram melhor sorte na Guerra Peninsular (1808-1810). Antecipando o presságio de uma derrota final, o general Delaborde foi derrotado em 21 de Agosto de 1808, nas batalhas da Roliça e do Vimeiro, pelo exército anglo-luso desembarcado em Porto Novo. Junot, o grande general instalado na vila, fez a trouxa e largou com o seu exército, em fuga para Lisboa, logo no seguinte dia 22, não sem ter saqueado o que pôde das igrejas e conventos.

A epopeia da resistência ao imperador francês é protagonizada pelo general inglês Arthur Wellesley, 1º Duque de Wellington e 1º Marquês de Torres Vedras, com a construção (1810-1812) das célebres
Linhas de Torres que acabaram por se estender do Tejo ao mar. Sistema fortificado e complexo, composto por 152 fortes e 628 bocas de fogo, tinha o seu coração no Forte de São Vicente, em Torres Vedras. Curiosamente, guerra, o forte só a conheceu quando as tropas cabralistas (Costa Cabral), do Duque de Saldanha, dali desalojaram os setembristas do Conde de Bonfim. Juntou cerca de dez mil homens a sangrenta Batalha de Torres Vedras que teve um mau fim para o Conde de Bonfim, obrigado a render-se no dia 23 de Dezembro de 1846. O rescaldo foi cerca de 500 feridos e 400 mortos, entre os quais o tenente-coronel Luís Mouzinho de Albuquerque, liberal desembarcado no Mindelo e sepultado aqui na Igreja de S. Pedro.

De guerras e batalhas a vila e o concelho ficaram fartos, optando pela paz e pelo progresso com o
caminho-de-ferro em 1886 , a luz eléctrica em 1912, a água canalizada em 1926. Cresceu a vila com novos bairros e ruas e tornou-se cidade em 1979. (…)

Mais de 20 Praias ao Longo do Litoral Torriense

Mesmo assim muitas são as opções para um banho refrescante no Atlântico ou simplesmente para repousar o corpo num banho de sol. Ao longo de mais de 20 km de costa, da Assenta a Porto Novo, mais de vinte praias estão ao seu inteiro dispor, algumas na proximidade de convidativas matas para um piquenique ou uma repousante sesta. De todas elas destacamos:
Praia da Assenta Sul
Praia da Assenta Norte
Praia de Cambelas
Praia da Foz do Sizandro
Praia Azul
Praia da Amoeira
Praia Formosa
Praia do Guincho
Praia da Azenha
Praia de Santa Helena

Praia do Centro
Praia do Norte
Praia da Física
Praia do Pisão
Praia do Mirante
Praia do Navio

Praia da Mexilhoeira
Praia da Vigia
Praia do Seixo
Praia de Santa Rita Sul
Praia de Santa Rita Norte
Praia de Porto Novo

Visite-nos! Deixe-se Tocar pela Natureza!
Vários são os motivos para usufruir de um passeio por Santa Cruz: Não só a beleza natural das suas paisagens mas também o poder de relaxamento e de descontração que vai encontrar.

Visite alguns locais impregnados de cultura, tocados pelos notáveis poetas e escritores que viveram nesta terra. Entenda porque corriam para o cimo destas arribas e sinta as suas fontes de inspiração.

Mapa do Concelho de Torres Vedras


2011

SANTA CRUZ

Diz-se que Santa Helena apareceu em Santa Cruz e que foi vista pelos monges cistercienses.
Como Santa Helena guardou pedaços do madeiro da Cruz em que Cristo foi crucificado - as Santas Relíquias - durante a sua vida, e foi mãe do Imperador Constantino (o primeiro Imperador cristão do Império Romano), deu-se à terra o nome de “Santa Cruz”.
Assim, Santa Helena é padroeira de Santa Cruz.
A aparição deu ainda nome à praia da Amoeira porque, segundo contaram os monges que testemunharam a aparição, Santa Helena tinha uma expressão triste e amuada.


Praias Atlânticas de Rara Beleza Natural

Talvez pela rara beleza natural das suas praias, Santa Cruz é uma das estâncias balneares mais concorridas na região do Oeste.

Santa Cruz e os seus arredores são dotados de um conjunto de praias, quase todas formadas por extensos e dourados areais, envolvidas por majestosas arribas. Estas escarpas, formadas por sedimentos argilosos, vermelhos e acinzentados, ora cobertas pelo verde da vegetação ora a descoberto, envolvem os banhistas num quadro natural de excelsa beleza. Atraídos por estes encantos são aos milhares os turistas que se estendem por estes imensos areais, buscando momentos de repouso e delazer.

O mar e o vento podem por vezes fustigar agrestemente o areal, mas estes de tão extensos e muitos deles abrigados pelas arribas, aconchegam os corpos ávidos de sol. Paraíso para os surfistas que com tão fortes argumentos encontram aqui as condições naturais para a prática da modalidade.

Durante a época balnear e, em especial no mês de Agosto, Santa Cruz chega a ter uma população residente que ronda as 40.000 habitantes. Nos fins-de-semana solarengos, seja verão ou inverno, principalmente aos Domingos à tarde, várias centenas de pessoas que vivem nos arredores não dispensam o seu passeio dominical a Santa Cruz.


 Para saber mais clic As Praias


Praias Atlânticas de Santa Cruz à praia  Azul

2010



18/12/2012

PÒVOA DE PENAFIRME



Um dia andavam uns pescadores à pesca no mar, até que se levantou um grande temporal acompanhado de nevoeiro e eles perderam o rumo de terra, ficando à deriva durante alguns dias. Debaixo de grande aflição fizeram algumas promessas. Uma delas, a de que se pusessem os pés em terra firme, essa terra ficaria a chamar-se “Terra de pé firme”. Assim aconteceu. O nevoeiro passou e eles começaram a avistar terra. Então conseguiram desembarcar e fizeram o que prometeram. Dizem que foi assim que nasceu o nome desta terra. Primeiro chamou-se “Terra de pé firme e depois de algumas alterações ficou com o nome de “Póvoa (fica à beira-mar) de Penafirme”.


           As Ruínas do Convento de Penafirme


“Convento velho” é o nome pelo qual se designam as ruínas do antigo convento que marcou profundamente a história de Penafirme. Segundo consta na tradição, o mosteiro foi construído neste local ermo de Penafirme devido aos constantes ataques que os monges sofriam dos muçulmanos da vila de Torres Vedras e que havia sido edificado em honra de Santa Rita (derivando talvez daí o nome da actual praia), sendo, Santo Ancieno, um eremita alemão da Ordem de Santo Agostinho, que fundou o convento, dedicando a Nossa Senhora da Graça, cerca do ano de 840.

Todavia, com o decorrer do tempo os efeitos provocados pela proximidade do mar e a movimentação das areias, obrigaram a construção de um novo convento, que veio a ser erguido um pouco mais afastado da praia. É este o actual convento novo, que se julga ter começado a sua construção no ano de 1547 e que terá sido concluído em 1639, sendo ainda melhorado ao longo da primeira metade do século XVIII. Por esta altura, o mosteiro era um reflexo da pobreza em que viviam os religiosos: era mais pequeno que um mosteiro de padres capuchos com celas muito pequenas e tectos muito baixos, o claustro tinha um só andar, a igreja era pequena, e somente esta e a sacristia tinham cobertura. É então que em 1735 se dá a fundação da 3ª edificação, sob o impulso do provincial frei António de Sousa, da Casa de Távora.

Depois de 1755, após o terramoto e o maremoto, e com o avanço das águas provocado pelo mesmo, o convento acaba por sucumbir e torna-se inabitável. Houve a necessidade de se realizar uma reconstrução, pois o abalo de 1755 devastou o novo convento, sendo, assim, concluído em 1790. Mas ainda antes da sua conclusão, a comunidade dos frades foi viver para o novo mosteiro que também foi dedicado a Nossa Senhora da Graça.

Trata-se de edifício simples, de pobreza distinta, encontrando-se apenas algumas influências da arte barroca e do estilo Rococó do século XVIII na fachada da igreja e na porta do convento. A igreja é orientada, ou seja, dirigida para nascente, símbolo da esperança dos cristãos pelo advento do Sol Nascente que é Jesus. Em 1834, a extinção das ordens religiosas obrigou os frades a deixarem o convento e saírem do país, sendo o convento de Penafirme vendido em hasta pública, passando a sua posse por varias mãos, acabando por ficar o edifício ao abandono e o seu património sujeito a sucessivos saques.

Sabe-se que foram seus proprietários, entre outros, o Vice-almirante inglês Jorge Rosa Sertorius e José Avelino Nunes de Carvalho, negociante de Torres Vedras.

Mais tarde o edifício foi adquirido pelo pároco de A-dos-Cunhados José Jorge Fialho e no final dos anos 50 do séc. XX foi restaurado e aumentado com mais um andar com vista ao seu aproveitamento para a instalação de um seminário menor, respeitando as linhas arquitectónicas do edifício. Foi encerrado em 1975, pelas perseguições à Igreja surgidas pela Revolução do 25 de Abril de 1974.

Contudo, uns meses mais tarde, a população da Póvoa de Penafirme solicitou que as instalações do mesmo fossem aproveitadas para funcionar uma escola que servisse as áreas pedagógicas das freguesias da Silveira e A-dos-Cunhados. Em Outubro de 1975 o antigo seminário passou a funcionar como escola preparatória e secundária, através de um contrato de associação elaborado com o Ministério da Educação, com a designação de "Externato de Penafirme", sendo hoje uma das escolas mais prestigiadas deste concelho.

As Ruínas do Convento de Penafirme foi classificado pelo IPPAR na categoria de Arquitectura Religiosa e tipologia Convento através de 2 decretos: o decreto 29/90, DR 163 de 17 de Julho de 1990 e o decreto 45/93, DR 280 de 30 de Novembro de 1993.


Convento novo de Penafirme

ZÉ ANTUNES

29/09/2012

A-DOS CUNHADOS



A dos Cunhados é uma freguesia portuguesa do concelho de Torres Vedras, A fundação de A-dos-Cunhados data de 15 de Dezembro de 1581 por decisão de D. Jorge de Almeida, arcebispo de Lisboa (com o aval do Bispo de Targa) depois de, em 1572 ter autorizado a celebração de missas na capela (mais tarde igreja) que tinha sido começada dois anos antes “por decisão dos moradores dos cunhados e sobreiro curvo”. e a elevação a vila aconteceu a 21 de Junho de 1995.

Ocupando uma vasta área de cerca de 45 Km2, situa-se entre o verde da paisagem rural, salpicado por inúmeras quintas e casais, e os tons azuis e esverdeados do mar. O seu território está encravado entre o oceano Atlântico e inúmeras freguesias: Silveira e S. Pedro e Santiago a Sul, Ramalhal e Campelos a Este, e Maceira a Norte. A sede da freguesia dista doze quilómetros da cidade de Torres Vedras e dez da praia de Santa Cruz.

A freguesia de A-dos-Cunhados apresenta um número significativo de quintas e de casais dispersos por toda a freguesia, acentuando a sua forte componente rural, e ainda as seguintes localidades:






Nesta freguesia existiram apenas doze moradores. Eram duas famílias e três “sem eira nem beira”. As duas famílias tinham entre si laços familiares, visto que os dois irmãos eram os chefes de família.
O nome desta freguesia era para ser A-dos-Irmãos, mas como este nome já existia, a freguesia acabou por ficar designá-la por “A-dos- Cunhados”




Se em 1527 se contavam apenas “vinte e sete vizinhos” na freguesia (que na época era formada por “Aldeia dos Cunhados, ditas do Sobreiro Curvo, Paradas e Póvoa, dita da Maceira e dita da Pai Correia com casais”), em 2001 ja habitam mais de 6936 pessoas (e a freguesia era agora formada por A-dos-Cunhados, Boavista, Bombardeira, Brejenjas, Casais do Rego, Casais da Serpegeira, Casais Vale da Borra, Casal da Barreirinha, Casal da Carrasquinha, Casal da Popa, Casal da Portela, Casal de Serpa, Casal da Varzinha, Casal das Paradas, Casal de Além, Casal do Seixo, Casal dos Feros, Casal Figueira Velha, Casal Ventoso, Louribetão, Palhagueiras, Pinheiro Manso, Póvoa de Além, Póvoa de Penafirme, Praia da Vigia, Quinta da Piedade, Santa Cruz – Pisão, Sobreiro Curvo, Vale Janelas, Valongo).


A ocupação desta zona, que segundo sabemos aconteceu desde o chamado paleolítico Antigo, está infimamente ligada à fertilidade dos solos, Principalmente os que envolvem as margens do rio Alcabrichel. Este lugar tornou-se vila em 21 de Junho de 1995.
A 1997 a Maceira é elevada a Freguesia, deixando, portanto, de pertencer à freguesia de A-dos-Cunhados.



Mapa do Concelho de Torres Vedras

04/06/2012

LUANDA SAUDADES

De Luanda sei vinte anos que vivi. Sei as manhãs, sei as tardes, sei o som dos grilos na noite e dos cães ladrando, sei o gosto das mangas maduras em que me lambuzava num desgoverno que afectava a minha barriga, sei das estrelas e dos contos das sereias na cacimba do bairro Indígena, sei dos pescadores da Ilha, fumando cachimbo, envoltos em panos, sei da Joana Maluca, sei da Velha Mariquinhas, antiga escrava em Portugal, feiticeira com mais de 100 anos, sei das meninas do Bairro Operário e da Cagalhoça, sei do carro do fumo ( tifa ) e  dos garotos correndo numa alegria histérica e sempre renovada, sei da sirene das ambulâncias passando para o Hospital de S. Paulo.
Sei do Padre Costa Pereira em que as meninas confessavam sempre os mesmos pecados e ele contava a história do Pinóquio, sei do jogo do garrafão, da minha mãe dá licença. Brincando na serra enquanto o lobo não vem, o que é que o lobo está a fazer?... ou, minha mãe dá-me fogo.
De Luanda sei as ruas do Bairro Popular  a serem alcatroadas, brincar nas manilhas e perder as sandálias, andar de  bicicleta, sei do Liceu Feminino,  onde ia ver as garinas na entrada e saida das aulas das professoras Maria de Jesus Costa, da Sandy Show, do Saratoga e da Gabriela, dos jogos de ringue, na cerca, ou as aulas de Canto Coral,prof Leitão muito gordo, dos mata fomes comidos nos intervalos e das missas na Igreja de Santa Ana,  Sei da Mocidade Portuguesa e do Hino...Lá vamos cantando e rindo...De Luanda sei a praia das Palmeirinhas, D. Amélia, ou na Ilha, a Floresta.  Sei das idas ao porto esperar pessoas idas de Portugal. E comprar revistas proibidas,  Sei das procissões com a Nossa Senhora de Fátima. Sei do Chá das Seis e do Cazumbi
Dos jogos de futebol nos Coqueiros, e no São Paulo, do hoquei em patins, do basquetebol e do campeão Vila Clotilde. Sei da febre amarela e da cólera e do pânico para apanhar a vacina. Sei dos Santos tapados de roxo na semana da Páscoa, das idas ao cemitério Santa Ana no dia 1 e 2 de Novembro e da rádio passando música sacra. Sei dos parodiantes de Lisboa à hora de almoço e das radionovelas. Sei do filme do Tony de Matos que passou no Império, o Destino marca a hora. Da Marisol, do Joselito e do Cantinflas.
Sei das salsichas quando apareceram em lata, e da margarina Vaqueiro também. Sei de Energetic para pôr no leite e de cêcemel. Sei de matete que se dava às crianças, de doce de mamão, dos figos selvagens, das gajajas ácidas e das pitangas, do gengibre e da cola, quando as quitandeiras estendiam as quindas e vendiam - eh peixié peixié...Dos homens que vendiam pelas portas, queijos frescos numas caixas metalizadas, dos pirolitos às cores metidos nos suportes de madeira com furinhos e andares.
Do Sr. Torrão, dizendo é caramelo torrão de Alicante, mete na boca, derrete num instante... Dos papagaios nos céus, dos primeiros helicópteros. Da colunas militares e dos tropas vindo do mato. Dos camiões de contratados para trabalharem no mato. Da carroça dos cães e do meu ódio pelos homens cada vez que levavam um cão meu na carroça. Da roupa branca fervendo na celha e corando nos coradores....Dos cipaios ao domingo passando junto de mim quando eu ia chamar o meu pai para matabichar em nossa casa. Dos engraxadores, criaturinhas pequeninas com a caixa às costas. Das madrugadas ouvindo o assobio dos varredores, na rua. Dos bandos de pássaros no céu ao sábado à tarde e dos miúdos gritando e dizendo que era um casamento. Dos carros de rolamentos.
Do Carnaval. Do Roberto Carlos, das fotonovelas e dos livros da Corim Tellado. Dos brindes que saiam no detergente "Extra " e nas tampas da Coca-cola. Os cromos do futebol. Do Alex cantando pelos cinemas em espectáculos de encantar as jovens. Dos cigarros "Baía " ,dos negritos avulsos. Dos bolos da Royal e das empadas, com ovo e azeitonas. Dos pregos no prato.  Dos ovos estrelados em azeite e das caldeiradas de cabrito. Dos rebuçados de mentol que o meu pai punha no bolso quando saíamos para passear.
Dos baleizeiros com os seus carrinhos que enganávamos com moedas portuguesas, dos concursos de montras na baixa. Do Santos Quipexe, chefe de posto que passeava na sua mota com um lugar de lado, no Simão Toco, no conjunto os Jovens do Prenda, ou os Cunhas. Do Minguito cantando -Ai este tango este tango da minha vida ..na Voz de Angola e no programa que dava aos domingos.

Da Lucília Pita Grós Dias, locutora de fama que fazia o Rádio Magazine da Mulher e logo a seguir o Mais Alto e mais Além, para os tropas. Fomentava a rivalidade entre benfiquistas e sportinguistas e quando o sporting ganhava punha - Vivó Sporting...De Luanda sei as barrocas do Miramar e o Eixo Viário, as Amarelas, sei a Cuca e a Samba. A estrada de Catete, a Vila Alice,Vila Clotilde, Bairro Popular. A Liga Africana. Sei os baleizões de copinhos às cores e colherzinhas, tudo embrulhado em papel. Sei os bolos de banana e de ananás, a paracuca  
Sei as santolas e os caranguejos de Moçamedes.As maçarocas, o algodão da Funda para Catete, plantado junto à estrada. Sei as caçadas de pacaças e veados. Sei a miss Portugal - Riquita. E os seus calções cor de vinho, à chegada a Luanda vitoriosa. Sei Ouro negro e o seu Curicutela... De Luanda sei os desfiles militares em cada 10 de Junho, o dia da Raça, na Marginal. Sei as injecções contra o tétano depois de me cortar em cacos de garrafa, por andar descalço no quintal ou na rua a brincar. Sei braço partido do meu irmão Nando por cair da camioneta do sr. Acácio  abaixo.
De Luanda sei as saias plissadas. A goma nos saiotes, e as mini saias.  Sei as boleias para a praia. A primeira namorada. O primeiro beijo no Preventório Infantil de Luanda. Na praia do Sol, onde aprendi a nadar, dos Maristas, na estrada de Catete, onde jogava a bola. Os sonhos. A Igreja de Santa Ana onde se  abençoava um futuro casamento. Ir à Saratoga na Baixa. Os primeiros pubs. Os cafés e pastelarias. Os bolos da suissa, e os rissóis da Versalhes. De Luanda sei " O Jumbo ", o Autódromo. A Filda. As fogueiras e os balões que se elevavam no ar e na noite, nos Santos Populares.
De Luanda sei as mornas de Cabo Verde, o criolo e a palavra lindíssima que quer dizer meu amor- Nha Cretcheu- De Luanda sei a Alegria. A Esperança. Sei a Amizade, o Respeito e a Humildade. A Compaixão. Sei o Amor... De Luanda sei o sofrimento, a morte, o racismo, o ódio. De Luanda sei a partida, a perda...
De Luanda sei tudo o que fui e o que sou. Pareço saber de Angola. Apenas sei de Luanda, mas uma terra é feita de coisas como estas e todas as terras são parecidas se as suas gentes forem autênticas. O pouco que sei é da participação. É da leitura. É da intuição. É porque quis saber. Porque quis viver.Sei de Luanda dos meus vividos vinte anos.
BANGA ZÉ-adaptado dum texto que recebi

1975