TuneList - Make your site Live
Mostrar mensagens com a etiqueta 13 - POLITICA. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 13 - POLITICA. Mostrar todas as mensagens

04/02/2015

PARA QUE SERVEM OS NOSSOS IMPOSTOS?


Meus Senhores, vamos pôr os pontos nos “is”!? Portugal, está “embrulhado”, “empacotado”, numa encruzilhada pouco dignificante, ou seja, num cruzamento decisivo. O caminho que escolhermos, condicionará o nosso futuro colectivo por muitos e longos anos. No meio de todos estes imbróglios, é muito estranho, que os principais partidos não consigam estar de acordo sobre uma política de transportes, de saúde ou de educação, quando, por exemplo, as diferenças doutrinárias entre eles são mínimas. Mas não! Preferem atuar sob pressão, quando a capacidade negocial é nula e o tempo para pensar inexistente. 

Uma opção, salvo melhor opinião, terão de fazer: ou cortar substancialmente despesa estrutural do Estado, ou aumentar o já elevado nível de impostos que pagamos (os que pagam!), porque não chegam para manter a “máquina” existente. Temos, de facto, de reduzir a despesa do Estado – urgentemente –para nos libertarmos da pesadíssima carga de impostos e taxas a que estamos sujeitos. Não é que esta carga seja demasiado elevada, face a outros países da Europa. Até fica dentro, ou abaixo da média europeia. Mas…tem subido muito, nos últimos tempos e começa a penalizar decisivamente a atividade econômica. O nível de taxas de impostos em Portugal, face a uma economia pobre e mal organizada, é elevadíssimo e o nível de retorno em eficiência nos serviços prestados e bens fornecidos pelo Estado e entidades públicas em geral, é muito baixo, diria mesmo, marginal! É carregar o pobre, é molestar o trabalhador, é explorar o mais pequeno!

Quando as organizações do Estado, gastam mais energia para se manter a funcionar, ou simplesmente, para sobreviver do que a que gastam para servir o objectivo para o qual foram criadas, estamos perante um fenômeno chamado “entropia”. É o fenômeno, que se passa no Estado português: a “máquina” gasta mais energia e recursos para se alimentar a si própria e sobreviver, do que para servir a sociedade em que se insere. Por isso, é importante repensar o modelo de tributação que temos em Portugal e questionar para que servem os nossos impostos, e…os “Partidos Políticos?”

 
Banga Ninito

2015

03/11/2014

ESTAMOS PREPARADOS PARA UMA INVASÃO MILITAR?


A elite Europeísta, composta pelos seus soberanos magnatas capitalistas, têm vivido, única e exclusivamente, preocupadíssimos, com os dividendos e lucros obtidos pelos milhares de milhões de “Juros” acumulados dos empréstimos, do que pela tão propalada “ajuda financeira” (ajudas?) aos países mais pobres. Mas…que ajudas afinal temos tido com esses “auxílios”, se estamos, cada vez mais pobres! Essa elite europeia, especializada em relações internacionais vive dominada por uma escola de pensamento apolítico que assenta no paradigma pós-estatal, que tem vindo a anular a realidade por decreto ideológico. Consequentemente, essa mesma “aristocracia”, ao lutar ideologicamente contra a realidade e contra o “realismo”, perdeu o contacto com os instrumentos conceptuais, que permitem ver os fatos da política internacional. Portanto esta filosofia da mentira, mais não é do que o “suicídio” duma união falida, que desde o início, nunca ligou (pessoas) por laços afetivos e sociais. O que sempre fez, foi esconder e trocar a dignidade humana, pelo vil metal, esquecendo-se até (pasme-se!), da sua própria segurança militar. Por norma, as críticas dirigidas à Europa mencionam a falta de vontade política para empregar o poder militar. Daí a pergunta, dos Europeus mais céticos:“ Estaremos nós preparados, para enfrentarmos uma invasão área, ou terrestre em “grande escala”? “O que andam a fazer os russos, no nosso espaço aéreo português”? Que Forças Armadas temos, para a proteção deste frágil país: Portugal? Bom! A questão do “Poder” não se esgota no uso da força militar. Existe uma segunda dimensão do “Poder” – raramente salientada no debate europeu– que não está relacionada com o uso político da força militar, mas sim com uma questão intelectual situada a montante, a saber: a sensibilidade estratégica, ou seja, a capacidade para pensar através de conceitos como Estado, Potência, Sociedade de Estados, etc. Aqui, estamos no campo da sensibilidade (que falta a estas magnatas: Sensibilidade!), para compreender que uma “segurança duradoura” não depende da ajuda ao desenvolvimento ou do combate ao terrorismo, mas sim, da “observância de um certo padrão comum de moralidade” entre as grandes potências do momento. Isto porque a Europa, se continuar (só com as preocupações ligadas às obtenções dos lucros provenientes dos juros) e recusar os conceitos realistas, corre o risco de ficar afastada do processo de elaboração da “ordem mundial mínima”, bem como desprotegida de qualquer “invasão” militar. Em suma, se continuar a recusar as mudanças conceptuais e políticas impostas pelo mundo “pós-atlântico”, a Europa corre o risco de ser uma “peça secundária na política mundial”. “Um mundo sem europeus”!
 


Cruz dos Santos 

2014

21/10/2014

É SÓ PARA RECORDAR...


NOMEADAMENTE NO DIA 25 DE ABRIL DE 1974


"Descolonização portuguesa foi feita à pressa em Angola", diz António Passos Coelho

Lisboa– António Passos Coelho considerou ainda que o Portugal de hoje “é uma coisa séria” e culpa os políticos, dos vários Governos PS e PSD, pelo estado a que o país chegou. A descolonização portuguesa foi feita “à pressa” em Angola, país que ficou entregue a partidos armados que faziam guerra em vez de política, afirmou domingo, 30 de Março, o médico António Passos Coelho, que há 40 anos vivia em Luanda.




 

Retornados ( Foto net )
A Revolução de Abril apanhou o médico pneumologista em Luanda, onde residia com a mulher e os quatro filhos, entre eles o atual primeiro-ministro, e ocupava o cargo de diretor de hospital e chefe do serviço de combate à tuberculose.

Nascido em Vale de Nogueiras há 87 anos, em Vila Real, António Passos Coelho deixou o Caramulo em 1970 para embarcar naquela que viria a classificar como a “loucura africana”, ao aceitar o desafio lançado pelo então ministro do Ultramar de organizar um serviço de pneumologia moderno em Angola.

Esta passagem por África inspirou, anos mais tarde, o livro “Angola, amor impossível”, em que o autor aborda a guerra, o 25 de Abril e a descolonização.

Na altura, encontrou uma Angola onde a “vida era normalíssima” e apenas do norte e leste chegavam alguns relatos da atividade da guerrilha. Primeiro passou pelo Bié e, só depois, se instalou na capital para colocar em funcionamento um novo e moderno hospital. 

A notícia da revolução foi-lhe dada por uma enfermeira, mas não ligou. O “puto”, como em Angola chamavam à metrópole, estava demasiado longe, mas depois o país africano “entrou em efervescência”. 

Quanto à descolonização, afirmou à agência Lusa que “foi tudo feito à pressa”. “Eu acho que a independência deveria ter sido dada com o auxílio da ONU ou da organização das Nações Africanas, deveria ter sido assim, de maneira a ter lá uma força qualquer que evitasse a guerra entre eles”, salientou. 

O MPLA ou a UNITA eram “partidos armados” que “não faziam política” e o resultado foi, na opinião do médico, “uma guerra que matou famílias inteiras” e “destruiu Angola”. 

António Passos Coelho acreditava que o país caminhava já há alguns anos para uma independência que iria acontecer com ou sem 25 de abril e revelou que, quando estava a recrutar pessoal para o hospital, recebeu uma “confidencial” que dizia para contratar também angolanos. 

A revolução, na sua opinião, precipitou tudo. Luanda mudou, transformando-se numa cidade solitária e deserta, onde os cafés e restaurantes de sempre se encontravam de portas fechadas. Pelo meio, o médico teve também de se esconder quando se deparou com trocas de tiros e teve que lutar para conseguir combustível para o funcionamento do hospital, que ficou sem eletricidade ou telefone. 

Apesar do clima de instabilidade que se foi alastrando, Passos Coelho permaneceu naquele país até às vésperas da independência, a 11 de novembro de 1975, apanhando o último avião da carreira área para Lisboa.

Talvez por trazer na bagagem a memória de uma Angola “florida e limpa”, o Portugal que encontrou, “sujo e imundo”, deixou-o desolado. Admirou-se com o desleixo das pessoas, mal vestidas e de barba por fazer, e a alegria que não parecia natural. 

Declinou convites que surgiram para deixar de novo o país e fixou-se em Vila Real, onde foi também diretor de hospital, abriu consultório e foi presidente da Assembleia Municipal, eleito pelo PSD. 

Quarenta anos depois, disse acreditar que a Revolução de Abril trouxe “vantagens fantásticas” ao país, com destaque para a liberdade de expressão e de crítica, ainda ao nível do Serviço Nacional de Saúde ou da justiça.

Lamentou, no entanto, que não se tenha conseguido aproveitar o que estava bem antes e afirmou que não se revê neste Portugal, onde a falta de educação é encarada com normalidade e se insultam ministros e presidentes. “Vejo tudo isto com muita preocupação. Não há um meio-termo, onde se critique sem insultar”, questionou. 

António Passos Coelho considerou ainda que o Portugal de hoje “é uma coisa séria” e culpa os políticos, dos vários Governos PS e PSD, pelo estado a que o país chegou. “Isto está mau, está a ser complicado a cortarem-nos nos vencimentos, está mal, e o Estado não tem dinheiro, de maneira que isto é um problema”, concluiu.
 
Recebido via mail

Fonte: Lusa

2013

 

12/03/2014

O PRIMEIRO-MINISTRO E O SEU AMIGO SR. RELVAS!


Há muita coisa legal, mas do ponto de vista ético merece a nossa reflexão. Vem isto a propósito do Sr. Primeiro-Ministro, ter convidado o Sr. Miguel Relvas para a “encabeçar” a lista dos nove distintos elementos, para o Conselho Nacional (uma espécie de Parlamento) do PSD. Sobre este assunto, a Jornalista Ângela Silva do Semanário “Expresso” de Domingo (23.Fev.14), diz o seguinte: “…Se para uns isto prova que Passos não deixa cair os amigos, para outros não havia necessidade de recuperar alguém que até há poucos meses se tornou num polarizador de ódios e que contribuiu para um enorme desgaste do Governo”. Diz ainda a Noticiarista daquele periódico, que “alguns dirigentes nacionais não esconderam incómodo pelo facto de só terem sabido à última hora que Relvas era a escolha de Passos.” 

-“Não quero ser eleito para dar emprego aos amigos. Quero libertar o Estado e a sociedade civil dos poderes partidários”, assegurou o Sr. Primeiro-Ministro Passos Coelho, no dia 2 de Junho de 2011, em mensagem transmitida através da rede social “Twitter”. O então candidato a Primeiro-Ministro já tinha apontado no mesmo sentido, uma semana antes, ao fazer a seguinte promessa: “Não vamos nomear os amigos. Nomearemos com transparência aqueles que por mérito e competência merecerem ser nomeados.”

De 2000 a 2007, Passos Coelho foi consultor e administrador da “Tecnoforma”, uma empresa dedicada à formação profissional que “dominou por completo, na região Centro, um programa de formação profissional destinado a funcionários das autarquias que era tutelado por Miguel Relvas, então secretário de Estado da Administração Local”. Na sequência da publicação, entre Outubro e Dezembro de 2012, de uma série de artigos de investigação e Acção Penal (DCIAP) abriu dois inquéritos sobre as suspeitas de favorecimento da empresa “Tecnoforma” por parte de Relvas enquanto secretário de Estado com a tutela do programa Foral. No âmbito de um dos inquéritos, Helena Roseta, actual Vereadora da Câmara Municipal de Lisboa, foi ouvida em Janeiro de 2013 como testemunha. Na noite de 21 de Junho 2012, em directo na SIC Notícias, Roseta denunciou uma situação ocorrida com Miguel Relvas em meados de 2003. Numa altura em que exercia a presidência da Ordem dos Arquitectos (OA), Roseta terá sido abordada por Relvas com o intuito de a informar sobre verbas do programa Foral que poderiam ser canalizadas para cursos de formação promovidos pela OA, destinados a arquitectos de autarquias. Mas havia uma condição, e a condição era simplesmente esta: a formação tinha que ser feita pela empresa do dr. Passos Coelho. Eu fiquei passada e disse: “Desculpe lá, senhor secretário do Estado, mas nessas condições não há acordo nenhum”. E não houve! 

Aqui está uma prova irrefutável do que é uma Amizade! A Amizade, é um encontro entre iguais. Ainda que as suas condições económicas e sociais sejam diferentes. Eles poderão ser amigos se se encontrarem apenas como dois soberanos independentes, de igual poder e dignidade semelhante. Todas as coisas dotadas de valor, e portanto também a amizade, devem ter no seu âmago a passagem do nada ao tudo. Faz-se um voto porque se sente o desejo. No amor é a desesperação que se torna êxtase de exaltação. Aqui é o fazer de menos que se torna satisfação. Parabéns Sr. Primeiro-Ministro, o Senhor é um verdadeiro Amigo!

Cruz dos Santos

2014

24/02/2014

PRECISAMOS DE GENTE SÉRIA E COMPETENTE!


Cada vez mais os cidadãos sentem que a política e os políticos não lhes trazem as soluções prometidas e necessárias para promover a sua qualidade de vida, nem a de seus filhos e netos. O Estado português endividou-nos a todos para pagar os prejuízos dos bancos, essas imparidades, que resultaram maioritariamente do tráfico de terrenos, realizado por promotores imobiliários, vereadores de urbanismo e banqueiros. Consequentemente, o país, salvo melhor opinião, precisa urgentemente de capacidade de liderança e de inspiração das suas equipas; de homens competentes, que saibam administrar, com rigor, os dinheiros dos nossos impostos. De gente idónea, com a permanente preocupação pelo equilíbrio entre as ciências exatas, a matemática e todos os outros saberes.

Dotados de Fé, Esperança e a persuasão de que Portugal tem de voltar cada vez mais para a exportação e que terá que apostar forte e sem medo…no Turismo (o nosso petróleo)! De fazer crer a estes Senhores, de que a recuperação da Sociedade Portuguesa, não se consegue apenas com o recurso exaustivo a “cortes” e mais “cortes” e mais austeridade, que querem impor constantemente aos mais pobres. 

Devem “cortar”, isso sim, é nas despesas do Estado. Não se pode permitir é que tudo se mantenha como até aqui. Outro aspeto, que cada um de nós pode dar um contributo individual, é no aumento generalizado da censura social à corrupção. Quando dirigentes políticos mais associados ao fenómeno da corrupção começarem a ser mal recebidos em restaurantes ou marginalizados em ambientes sociais, esse será o momento da viragem. Foi assim em Itália, aquando da operação “Mãos Limpas”, processo judicial que levou à condenação e prisão de alguns dos mais relevantes políticos italianos.

À época, quando políticos chegavam a restaurantes e outros locais públicos, as pessoas arremessavam-lhes pequenas moedas de cêntimos e chamavam-lhes corruptos. 

Era o ambiente social propício a uma mudança de regime que se veio efetivamente a concretizar. Mas também a intervenção (ao nível dos efeitos sociais, económicos e políticos da corrupção) da Justiça, com a consequente punição dos prevaricadores e medidas que permitissem ao Estado português, recuperar os bens que nos têm vindo a ser “roubados” pela via da corrupção.

Só assim, seríamos capazes de “cortar o mal pela raiz”!

Cruz dos Santos

2014

GUERRAS…NUNCA MAIS!


Os jornais andam cheios com uma palavra que julgávamos extinta: Guerra (“Terrorismo e entrega de armas químicas do regime sírio”; “Ahmad Jarba, o chefe da Coligação, retribui ao governo a acusação de “falta de empenho sério” nas negociações e garantiu que a rebelião não baixará as armas…enquanto o regime continuar a matar o povo com aviões e barris explosivos”; “ONU enviou dois carregamentos de comida para Yarmuk, onde se morria à fome”; “Terror e diplomacia enquanto as negociações sobre o conflito sírio se arrastam em Genebra”…), porquanto o Ocidente prometeu acabar de vez com esse pesadelo e declarou solenemente: “Nunca mais”! Houve vários conflitos nos últimos 60 anos, mas em geral em zonas longínquas e, apesar de tudo, sem ultrapassar os limites locais. Agora porém fala-se cada vez mais de confrontos e embates com ramificações globais.

Verdade é que secas, enchentes, furacões, doenças, tremores de terra, tsunamis, guerras, atentados terroristas, revoltas populares e brigas nas ruas são coisas que compõem a nossa realidade cotidiana nesta era atual da humanidade. Os cataclismos naturais, por exemplo, fazem parte do próprio movimento da Terra embora muitos deles tenham hoje a frequência e a intensidade aumentadas por causa da nossa ação danosa sobre o meio ambiente (aceleração do efeito estufa). Quanto aos conflitos bélicos e políticos, não podemos jamais perder a consciência de que o mundo passou mais tempo em guerras do que em paz. Como é óbvio os avanços industriais aumentaram tanto a capacidade devastadora, que o ser humano tem hoje armas ainda mais mortíferas. Uma futura guerra pode ser final, pela aniquilação planetária.

Hoje tal cenário ainda parece longe, mas também em 1918 ninguém acreditava que 20 anos depois se estaria de novo em guerra. Já se percorrem paulatinamente as etapas que lá conduzem. Como em séculos anteriores, pequenos passos de agressão, insignificantes em si, descem patamares de onde já não se sobe. No terrorismo cada nova crueldade é marco a ultrapassar. “Libertação do Kuwait em 1991”; Invasão da Somália em 1992”; “Bombardeamento libertador do Kosovo de 1999”; “Ataques punitivos ao Afeganistão em 2001 e Iraque em 2003”…Cada assalto estabelece o nível de violência de onde se parte na vez seguinte. 

Penso que, nessas horas, precisamos refletir e termos a mesma sobriedade com a qual agia Martinho Lutero, o qual tinha os pés no chão diante de qualquer histeria escatológica. Conta uma lenda popular nas Alemanha que, certa vez, teriam perguntado ao ilustre reformador da Igreja sobre o que ele faria caso soubesse que o mundo iria acabar no dia seguinte. A isto Lutero respondeu com sensatez e demonstrou fé no amanhã dizendo: "Eu plantaria uma macieira hoje!"
Cruz dos Santos                           

2014

24/05/2013

CRISE

 
A crise já vem de há muito tempo e hoje chegou-me ao conhecimento que na Pascoa de 2011, empregados, desempregados e sem abrigos procuraram refeição gratuita, refeição gratuita que foi fornecida pela associação “Nouni”

Um empregado de uma Câmara Municipal aproveitou uma refeição grátis dada hoje em Lisboa no dia de Pascoa. “O que ganha não dá para sustentar a família e vem sempre a estes eventos”, relata o organizador.




Agostinho Rodrigues, presidedente da  "Associação NOUNI ",

olha para as pessoas que se sentam numa esplanada coberta junto da Praça do Campo Pequeno e destaca a “expressão das pessoas”.

“Não são só pessoas que são da rua. São pessoas desempregadas que caíram nesta situação agora”, afirma o responsável, acrescentando que a procura por ajuda social desde a agudização da crise subiu “mais de 50 por cento”.
Nas anteriores refeições, que se repetem em dias como o Natal, Santo António, São Martinho e Páscoa, a procura rondava as 200 pessoas.

“Hoje vamos estar perto das 300”, antecipa Agostinho Rodrigues, no restaurante que estará a funcionar em exclusivo para pessoas com carências até às 20:00. “Frango, batatas fritas, salada, chouriço e presunto”, relata Olga Antunes sobre o menu que já acabou de comer: “Esta foi uma Páscoa que caiu bem, graça a Deus e que agradeço. Obrigado”.

Todos os dias Olga Antunes pede esmola na Rua Augusta para pagar os 13 euros de uma pensão. Com um marido alcoólico, vai contando com a ajuda da irmã quando esta “pode”.

Da câmara de Lisboa espera ainda uma casa porque as duas que lhe foram destinadas não tinham elevador que a transportasse na sua cadeira de rodas. Carlos Miranda vem acompanhado de dois filhos e um neto: “Felizmente não sou sem-abrigo, mas isto está mau e eu não nego nada”.

Desempregado da câmara de Lisboa, de onde foi “corrido” por ter estado a recibos verdes “inventados pelo Mário Soares”, Carlos Miranda vai “vivendo de ganchos e biscates aqui e ali”.
 

O filho Telmo Miranda estudou até à quarta classe e há muito que está inscrito no centro de desemprego, mas sem conseguir arranjar ocupação critica “primeiros-ministros e ministros por andaram a roubar o país”.
 
“Ando pelos caixotes (do lixo) para poder sobreviver”, conta. E hoje soube da “festa dos sem-abrigo” e veio até ao Campo Pequeno para passar um “dia mais ou menos”.

Os 100 frangos assados para as refeições saem da grelha que Mohamed toma conta e “sem picante porque há pessoas que não gostam”.

A queixar-se de dores nos braços está Patrícia, que há 20 minutos tira cervejas de pressão e não tem tempos de descanso.
 
A tarefa é dividida por outros empregados, mas mesmo sendo “dura” não tira o sorriso a Patrícia.

“É um bocado duro. Mas hoje estamos a ajudar pessoas que não têm nada e um prato de comida já é suficiente e eles saem daqui contentes”, diz.


ZÉ ANTUNES

2011





24/04/2013

DIA COMEMORATIVO


No dia 25 de Abril de 1974… Estava em Luanda, dia cinzento que adivinhava já a chegada do cacimbo. Depois de visitar quase todas as escolas, como fazia quase todas as manhãs para ver as garinas, na entrada das aulas, fui para o emprego, ali na Conselheiro Júlio de Vilhena no Largo Serpa Pinto.

Dia de trabalho perfeitamente normal mas, a meio da manhã, começou a sentir-se no ar algum de nervosismo, que algo de anormal se passava na metrópole…

A certa altura apareceu a Dona Maria de Lourdes, (o marido era oficial da Força Aérea Portuguesa), secretária do meu patrão, com um rádio na mão. Seriam entre as 09h00 e 09h30 da manhã, em Luanda, por isso menos uma hora em Lisboa. Entrou como um vulcão e dirigiu-se ao gabinete do patrão. Pelo que pudemos perceber, a rádio estava a noticiar que as comunicações com Portugal estavam cortadas, porque se tinha dado uma revolução.

Á tarde as notícias corriam céleres…mas ninguém se arriscava a confirmar nada. Foi da rádio sul africana que foram chegando notícias que confirmavam não apenas o movimento dos Capitães, mas a sua vitória.
Intimamente uma imensa alegria…. Uma esperança sem fim que tudo iria melhorar para todos.

Há cerca de dois anos que se falava com certo á vontade na possibilidade de Angola se libertar da metrópole, aceder á independência tornando Nova Lisboa (Huambo) sua capital.

E eu tive esperança… por mim, por todos e sobretudo por todos aqueles que me rodeavam, colegas e amigos, porque tornou-se óbvio para todos que a guerra, de um modo ou de outro, teria os dias contados.
Tive esperança, sobretudo por eles… o meu caminho, a curto prazo, foi traçado, já sabia que não passaria pela continuação em Angola. Pelos acontecimentos precipitados, por tudo que se estava a passar em Luanda, adivinhava-se o regresso a Portugal que acabou por acontecer em Junho de 1975.

Todos tínhamos esperança que a emancipação de Angola ocorresse longe de outros exemplos vizinhos.

A madrugada de 25 de Abril serviu para podermos sonhar…
E sonhámos! E idealizámos! E construímos! Por entre sonhos e pesadelos, muito foi realizado…Com muitos sacrifícios!!!!

Houve feridas abertas… incompreensões…Responsabilidades assumidas e outras alijadas…Responsabilidade às consequências e não às causas

Houve dores de «crescimento».

Mas... valeu a pena? Penso que não. Pois passados estes anos todos estamos iguais ou piores do que no Verão quente de 1975, mesmo assim dou um grande viva ao 25 de Abril
Viva o 25 de Abril! 
ZÉ ANTUNES

1974



04/04/2013

PERSPECTIVAS EM TEMPO DE CRISE:



De cada vez que a Troika, vem a Portugal.

Pelintras... ou deveríamos aprender com eles?!‏

Pelintras!

Depois do primeiro ministro José Sócrates ter anunciado o pedido de ajuda, o país ficou suspenso.

A expectativa era grande, os média anunciavam até à exaustão a chegada iminente do FMI.
Eis que na segunda-feira os homens desembarcam na Portela.

Cercados de jornalistas os FMIs (com ar de quem tinha viajado em turística) avançam rapidamente para a saída e apanham.... o primeiro taxi.???

O País ficou estupefacto. Os gajos foram de taxi?????

Nem chauffeur nem limusina, nada, niente...Taxi???

Portugal pode estar à rasca, mas aqui qualquer secretário do secretário de qualquer secretário de estado tem pelo menos um bom carro com dois chauffeurs ao dispor, para não falar no primeiro ministro que tem 10 chauffers e vários carros, o último dos quais é o chiquérrimo Audi A8 com corninhos luminosos.

A surpresa não ficou por aqui.
No dia seguinte os camones foram a butes do hotel para o Ministério.
What???
Então e os carros de vidros escuros, batedores da PSP a cortar o trânsito, a algazarra típica , aquele colorido pomposo que dá vida à cidade???
Enfim, esquisito... Só há uma explicação: os pacóvios apreciam o sol, só pode.

E chegaram às 9h??? Mas será que o grau de (sub)desenvolvimento deles ainda não lhes permitiu descobrir que antes das 10h30 só os palermas é que trabalham? Coitados...
Mas o pior ainda estava para vir.
 
Então não é que eles não almoçam, trocando o almoço por uma coisa a que chamam sandwich?????? Espera aí, então não é durante um almoço à séria e bem regado no Aviz ou Gambrinos que se trabalha e se tomam as decisões importantes? Vê-se logo que daqui não vai sair nada de bom...! Estamos desgraçados!

Só nos faltava mais esta... Cambada de pelintras incompetentes!

Manuel Andrade
(Chauffer n° 10 com formação específica em Audi A8)


ZÉ ANTUNES

2011

UM BOM LÍDER, É AQUELE QUE CONHECE O SEU PAIS!


Um líder político ideal, deve reunir algumas características que o distingam verdadeiramente como homem político em posição de poder. Tem que possuir capacidade de liderar; obrigação de conhecer o País e a sua gente. Tem que ser dotado de grande sensibilidade para acudir aos mais necessitados, nomeadamente aos sem abrigo, aos cegos, doentes, deficientes, idosos, crianças, e possuir a essência de um espírito de chefia.

Essa liderança não se aprende nos livros, mas deve ser conquistada ao longo dos anos, a partir de uma trajetória de realizações, marcada pela retidão moral, chamada “Ética”! Tem que saber que a fome, dá mais marradas que um touro tresmalhado e expor, sem medo, as suas ideias em vez de as impor. Deve pensar antes de agir, e, simultaneamente, reagir positivamente a elementos novos, ocupando o seu tempo de forma produtiva e não escravo dos seus pensamentos negativos.

Um excelente líder não é o que controla aqueles que lidera, mas o que os estimula a fazer escolhas. Não é o que faz temer, mas o que faz crer. Não é o que produz pesadelos, mas o que faz sonhar. Não é preciso ter dinheiro, fama ou “status social” para ser rico. Quem é respeitado como ser humano possui o mundo. Quantos portadores de “Sida” não sofreram e ainda sofrem segregação (separação racial)? Quantos imigrantes ilegais se sentem como escória social por não terem cidadania no país de acolhimento? Quantos consumidores de drogas, se sentem marcados com ferro em brasa como os animais no campo?

Termino, com um dos muitos discursos de Martin Luther King, proferido sob a bandeira de Lincoln, intitulado: “Eu tenho um Sonho” e que se adapta, salvo melhor opinião, a esta ditosa Pátria…que tais governantes teve...E tem, infelizmente!

“Eu tenho um sonho no qual um dia esta nação se erguerá e viverá o verdadeiro significado do seu credo…que todos os homens são criados iguais…/ Eu tenho um sonho de que algum dia (…), os filhos dos escravos e os filhos dos senhores de escravos se sentarão juntos à mesa da fraternidade. Esta é a nossa esperança…/ Eu tenho um sonho! Com esta Fé (…) arrancaremos da montanha da angústia, um pedaço de esperança. Com esta Fé, poderemos trabalhar juntos, orar juntos, ir juntos para a prisão, certos de que um dia seremos livres…/ Quando deixarmos o sino da liberdade tocar em qualquer vilarejo ou aldeia de qualquer estado, de qualquer cidade, nesse dia estaremos prontos para nos erguermos.


Todos os filhos de Deus, brancos ou negros, judeus ou gentios, protestantes ou católicos, estarão prontos para dar as mãos e cantar aquele velho hino dos escravos: / “Finalmente livres!...Graças ao Deus Todo-Poderoso…”!

Termino com aquela frase do saudoso Raul Solnado: “Façam o favor de serem felizes”! 

Tenham um Santo e Feliz Dia!

Recebam um Abraço forte de Amizade


C. Santos

2012

14/02/2013

TERRORISMO SOCIAL, ARROGÂNCIA IDEOLÓGICA, FANATISMO TECNOCRÁTICO.


O encontro da malta de Angola está combinado todos os anos! E este ano claro está que nos emocionámos com as imagens dos anos 1975 e dos milhares de portugueses (um milhão!? ) que regressaram á suas origens outros que regressaram as origens dos seus antepassados outros ainda porque nasceram sobre Bandeira Portuguesa vieram como refugiados e adotaram Portugal como sua Pátria.

Vimos outras imagens dos tempos atuais, imagens criminosas, porque se traduzem no empobrecimento dos portugueses, aumentam o desemprego, a fome e a miséria e não resolvem nenhum problema, agravam todos. A economia está de rastos, os especuladores financeiros estão cada vez mais ricos, a banca medra e o País está moribundo, sem sangue nas veias!


TERRORISMO SOCIAL

O aumento dos Impostos para trabalhadores com ordenados na média nacional (cerca de 1100 euros), somado aos outros impostos diretos (IRS, IMI) dá um valor muito próximo dos 50%. Intolerável, insustentável, quase metade do vencimento bruto vai para impostos!

Se acrescentarmos o aumento das rendas de casa anteriores a 1990, que podem chegar aos 500 %! O aumento do IMI, com as novas avaliações matriciais que podem chegar a triplicar o valor (há casos de quintuplicação!). A espoliação por incumprimento, das casas compradas com crédito dos bancos, que reavaliam por baixo, vendem as casas penhoradas em leilão e continuam a cobrar o empréstimo “restante”, aos próprios ( que ficam sem casa!), ou aos fiadores, normalmente pais reformados, a quem foram roubados dois subsídios em 2012!

E o governo anuncia a continuação do roubo de um subsídio em 2013, contra a decisão do Tribunal Constitucional!

Acresce o aumento anunciado do IRS, pela redução dos escalões intermédios, em cima da diminuição das deduções já aprovadas no OE de 2012!

Um esbulho obsceno, sem sentido e sem futuro, no caminho das malfeitorias feitas na Grécia que já fizeram perder um terço do PIB naquele País, berço da civilização ocidental.


ARROGÂNCIA IDEOLÓGICA

 

Correu muito bem o Encontro da “Malta” da nossa Angola, de Luanda e dos seus Bairros. As recordações dos tempos difíceis da juventude da geração de 60/70 (com as tremendas dificuldades económicas familiares, a quase impossibilidade de prosseguir a Escola e de chegar ao ensino superior, o trabalho infantil precoce e mal pago, o horizonte da Guerra Colonial, em que quase todos penaram, o medo e a total falta de liberdade na Ditadura), são caldeadas pelo sentimento de que naqueles tempos também havia sonho, esperança, futuro!

Que nos chegava através da nova música rock estrangeira e da música de intervenção e resistência em Portugal. Das suas mensagens de paz e de revolta, das notícias da luta da juventude americana contra a intervenção no Vietname. Sonhámos com um mundo equânime, com um futuro de paz, justiça e progresso social, com a humanidade trilhando os caminhos do fantástico progresso tecnológico.

Exatamente o contrário daquilo que o governo hoje nos impõe com arrogância, com a cumplicidade dos Partidos, que ontem começou o descalabro e agora se move apenas pela alternância de poder (que assegura tachos e clientelas!).

A imposição de um programa capitalista neoliberal, em obediência aos ditames de Berlim e de Washington, no estreito e estrito interesse das grandes transnacionais e da especulação financeira, é uma opção política de fundo! A cartilha reacionária de extorsão de suor e lágrimas dos trabalhadores, de fúria privatizadora das empresas nacionalizadas (vão os anéis e os dedos!), de destruição do estado social, de aumento do desemprego (um milhão e trezentos mil portugueses!) não resultam de impreparação, teimosia pessoal ou obsessão juvenil do primeiro ministro e de quem o acolita (PSD e CDS, mesmo às cambalhotas!...).

Pedro Passos Coelho desde a 1ª hora em que apareceu na ribalta política, sabe muito bem o que quer, por onde vai e para onde vai. Tal como sabem Paulo Portas com um discurso que esconde a ideologia reacionária, e, como eles, todos os “testas de ferro” dos grandes capitalistas sedentos de riqueza e de lucros à custa da miséria dos povos!

FANATISMO TECNOCRÁTICO

O povo português vem uma vez mais dizer, …”eu não vou por aí!”

Como em 1383! Em 1640! Em 1834! Em 1910! Como em Abril de 1974!

Miguel Torga escreveu um dia: ”Somos socialmente uma coletividade pacífica de revoltados”.

A agressão política a que estamos sujeitos, o retrocesso civilizacional que nos impõem, a iniquidade social que nos esmaga, a falta de sonho e de futuro que nos roubam, faz com que até o mais “santo” dos povos se revolte e reaja à agressão!

O fanatismo tecnocrático que esconde as pessoas reais, com dramas tremendos, atrás de números e de estatísticas, leva a decisões escabrosas como este aumento dos descontos dos trabalhadores para a segurança social, em benefício de meia dúzia de grandes empresas e grupos económicos (as pequenas e médias nem concordam!).

Com o “romantismo cívico da agressão, que nos falta”, no dizer mais uma vez de Miguel Torga, é imperioso e urgente assegurar uma política patriótica e de rutura, que tire o País do genuflexório, ponha os portugueses a trabalhar e a produzir – a Agricultura, as Pescas e a Indústria destruídas têm de ser recuperadas! – e renegocie as dívidas num quadro responsável que ponha Portugal de pé, com dignidade!

Neste encontro da malta de Angola não falámos de política atual, cada um tem naturalmente as suas opções.

Mas falámos do sonho e da esperança da juventude dos anos 60/70 que trabalhou e lutou por um mundo melhor. O mundo que queríamos deixar aos nossos netos e que nos querem sonegar. E cantámos em conjunto “Os vampiros “, de José Afonso: “Eles comem tudo, eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada!”. Alguém gritou do fundo da sala: “Eles continuam a querer comer tudo!...”

Na luta, na rua também, não deixemos! Assim o recebi, assim o transcrevo

Armando Sousa Teixeira
2012

13/12/2012

REALIDADE, TRISTE:


ANGOLANOS SÃO TÃO POBRES, QUE SÓ TÊM DINHEIRO...

Em nenhum outro país os ricos demonstram mais ostentação que em Angola. Apesar disso, os Angolanos ricos são pobres. São pobres porque compram sofisticados automóveis importados, com todos os exagerados equipamentos da modernidade, mas ficam horas engarrafados ao lado dos autocarros e candongueiros do subúrbio. E, às vezes, são assaltados, sequestrados, abusados e violentados no trânsito. Presenteiam belos carros a seus filhos e não voltam a dormir tranquilos enquanto eles não chegam à casa. Pagam fortunas para construir modernas mansões, desenhadas por arquitetos de renome, e são obrigados a escondê-las atrás de muralhas, como se vivessem nos tempos dos castelos medievais, dependendo de guardas que se revezam em turnos. Os ricos angolanos, usufruem privadamente tudo o que a riqueza lhes oferece, mas vivem encalacrados na pobreza social. Na sexta-feira, saem de noite para jantar em restaurantes tão caros que os ricos da Europa não conseguiriam frequentar, mas perdem o apetite diante da pobreza que ali por perto arregala os olhos pedindo um pouco de pão; ou são obrigados a restaurantes fechados, cercados e protegidos por policiais privados. Quando terminam de comer escondidos, são obrigados a tomar o carro à porta, trazido por um manobrista, sem o prazer de caminhar pela rua, ir a um cinema ou teatro, depois continuar até um bar para conversar sobre o que viram. Mesmo assim, não é raro que o pobre rico seja assaltado antes de terminar o jantar, ou depois, na estrada a caminho de casa. Felizmente isso nem sempre acontece, mas certamente, a viagem é um susto durante todo o caminho. E, às vezes, o sobressalto continua, mesmo dentro de casa. Os ricos Angolanos são pobres de tanto medo. Por mais riquezas que acumulem no presente, são pobres na falta de segurança para usufruir o patrimônio no futuro. E vivem no susto permanente diante das incertezas em que os filhos crescerão. Os ricos angolanos continuam pobres de tanto gastar dinheiro apenas para corrigir os desacertos criados pela desigualdade que suas riquezas provocam: em insegurança e ineficiência. No lugar de usufruir tudo aquilo com que gastam, uma parte considerável do dinheiro nada adquire, serve apenas para evitar perdas. Por causa da pobreza ao redor, os angolanos ricos vivem um paradoxo: para ficarem mais ricos têm de perder dinheiro, gastando cada vez mais apenas para se proteger da realidade hostil e ineficiente. Quando viajam ao exterior, os ricos sabem que no hotel onde se hospedarão serão vistos como assassinos de crianças na lunda, destruidores da Floresta do maiombe em Cabinda, usurpadores da maior concentração de renda do planeta, portadores de malária, de paludismo e de filária.. São ricos empobrecidos pela vergonha que sentem ao serem vistos pelos olhos estrangeiros. Na verdade, a maior pobreza dos ricos angolanos, está na incapacidade de verem a riqueza que há nos pobres. A pobreza de visão dos ricos impediu também de verem a riqueza que há na cabeça de um povo educado. Ao longo de toda a nossa história, os nossos ricos abandonaram a educação do povo, desviaram os recursos para criar a riqueza que seria só deles, e ficaram pobres: contratam trabalhadores com baixa produtividade, investem em modernos equipamentos e não encontram quem os saiba manejar, vivem rodeados de compatriotas que não sabem ler o mundo ao redor, não sabem mudar o mundo, não sabem construir um novo país que beneficie a todos. Muito mais ricos seriam os ricos se vivessem em uma sociedade onde todos fossem educados. Para poderem usar os seus caros automóveis, os ricos construíram viadutos com dinheiro de colocar água e esgoto nas cidades, achando que, ao comprar água mineral, se protegiam das doenças dos pobres. Esqueceram-se de que precisam desses pobres e não podem contar com eles todos os dias e com toda saúde, porque eles (os pobres) vivem sem água e sem esgoto. Montam modernos hospitais, mas tem dificuldades em evitar infeções porque os pobres trazem de casa os germes que os contaminam. Com a pobreza de achar que poderiam ficar ricos sozinhos, construíram um país doente e vivem no meio da doença. Há um grave quadro de pobreza entre os ricos angolanos. E esta pobreza é tão grave que a maior parte deles não percebe. Por isso a pobreza de espírito tem sido o maior inspirador das decisões governamentais das pobres, ricas? elites? angolanas.

Se percebessem a riqueza potencial que há nos braços e nos cérebros dos pobres, os ricos angolanos, poderiam reorientar o modelo de desenvolvimento em direção aos interesses de nossas massas populares. Liberariam a terra para os trabalhadores rurais, realizariam um programa de construção de casas e implantação de redes de água e esgoto, contratariam centenas de milhares de professores e colocariam o povo para produzir para o próprio povo. Esta seria uma decisão que enriqueceria ANGOLA INTEIRA - os pobres que sairiam da pobreza e os ricos que sairiam da vergonha, da insegurança e da insensatez. Mas isso é esperar demais. Os ricos são tão pobres que não percebem a triste pobreza em que usufruem suas malditas riquezas".

por Edson Vieira Dias Neto

(adaptado de um texto de Cristovam Buarque que assenta que nem uma luva a esta Angola, ainda em plena "Acumulação Primitiva de Capital")

2012

21/06/2012

HISTÓRIAS DA BATALHA DE LUANDA

Em Fevereiro de 1975 nem um mês após a tomada de posse do Governo de Transição, tornou-se óbvio que o que parecia desconfiança entre os movimentos estava longe de diminuir. O poder residia, de facto, nos exércitos que cada movimento não cessava de armar. Na cimeira de Nakuru, em Junho desse ano, os três reconhecem culpas, e prometem pôr fim à violência. Era mentira.






As forças armadas conjuntas acordadas um mês antes no Alvor não passaram de uma miragem, e os confrontos esporádicos iniciados em Fevereiro rapidamente se transformam em renhidos combates, com milhares de mortos, ao fim dos quais, em princípios de Julho, o MPLA já estava sozinho em Luanda. Pelo meio, a 21 de Julho, ficou a cimeira de Nakuru, no Quénia, promovida pelo presidente Kenyatta, na qual os três movimentos juraram a pés juntos que pretendiam pôr fim à violência, é com a memória da adolescência que recordo os combates de Luanda. Uma das casas onde estive era na Praia do Bispo, casa do Sr. Piteira na  estrada marginal com vivendas. Numa dessas vivendas, havia uma sede do MPLA. Por trás, havia um monte, e lá em cima havia uma sede da FNLA. De repente, começaram a entrar em "makas". Desataram aos tiros, e tudo o que estava na rua desapareceu",




A BATALHA DA FNLA




Outra casa para onde depois passei ficava na Avenida Brasil, que dá para o musseque do Marçal. "Ali ao pé havia uma sede da FNLA, até era considerada uma das sedes mais importantes. Ali é que houve mesmo grandes porradas". Os pais da São Ribeiro já estavam a morar na Vila Alice e o  Chico punha-se deitado na varanda da casa  para gravar o tiroteio, entre a F.N.L.A. da Avª Brasil, no Marçal e o M.P.L.A. na António José de Ameida na Vila Alice.
Os combates começaram com trocas de tiros de armas ligeiras entre a sede do MPLA e a da FNLA. "Na casa do Quim Belo chegou a ter 46 buracos de bala na parede do quarto. Não percebia como, morava num sexto andar. Até que um dia espreitei, eles nem sequer levantavam a cabeça para ver onde atiravam. Levantavam a arma acima do muro e despejavam o carregador".
Um dia, a FNLA montou antiaéreas no terraço do prédio, e virou-as para baixo, em direcção à sede do MPLA. "Avisaram o pessoal do prédio que era melhor ir embora, não se responsabilizavam pelo que acontecesse. E nós fomos mesmo embora, para casa de famíliares  na baixa. Quando o MPLA descobriu donde estavam a atirar...".





No dia seguinte, quando voltam ao sítio, o apartamento já tinha sido atingido por um roquete. Nos dias seguintes, o prédio iria ficar completamente destruído.
Nessa altura, já os três movimentos de libertação tinham muitas forças em Luanda. A FNLA havia, desde Junho do ano anterior, mesmo antes da assinatura formal do cessar-fogo com o Exército português, metido muita gente na capital, vinda de Kinshasa. Quadros políticos e tropa. Eram conhecidos por não falarem português, apenas francês com sotaque carregado, e pelo comportamento, arrogante, mais próprio de um exército de ocupação.




SABATA E PASSARÃO
Mas quem ganhou a Batalha de Luanda para o MPLA não foi a gente do mato, foi o povo dos musseques, enquadrado por ex-militares negros do Exército colonial. Em Junho de 74, cerca de nove mil militares angolanos do Exército português tinham-se manifestado publicamente, exigindo a desmobilização imediata.
"Uma das figuras paradigmáticas, uma das figuras emblemáticas, era um tipo chamado Sabata, que era um antigo ladrão do tempo colonial, mas que era muito popular nos musseques. Era uma espécie de figura mítica, porque era um indivíduo que fazia raides contra os da FNLA, e depois refugiava-se nos musseques. Dizia-se que andava com duas G3, de canos serrados".
A FNLA também tinha o seu herói, um vadio branco de apelido Passarão. Conta a lenda que Passarão morreu abatido por Sabata em duelo singular.
"Como se tivesse parado a guerra civil, os dois encontram-se no musseque, Sabata saca da arma, o outro estremece...".
Na verdade, não foi isso que aconteceu. De Sabata, mais tarde promovido a comandante, sabe-se que foi morto na  tarde, de 27 de Maio, de 1977, durante o golpe de Nito Alves. Quanto a Passarão, diz-se que terá morrido em combate quando a FNLA foi empurrada até à fronteira.
Na batalha por Luanda o MPLA perde vários heróis populares. "Outra das vítimas da guerra foi um que eu tinha ouvido falar no tempo de estudante o Comandante Valódia. O Valódia morreu durante um assalto à sede da Revolta de Leste, do Chipenda".Na Tourada na Vala entre o Bairro Sarmento Rodrigues e o Bairro Salazar, Chipenda é expulso de Luanda logo em Fevereiro, e alia-se à FNLA. Tem uma Delegação na Defesa Civil do Bairro Popular nº 2.
Morre também Nelito Soares, um dos autores do desvio de um avião que voava de Luanda para o Congo, nos últimos anos da década de 60. É morto durante uma - a única? - operação dos comandos portugueses em Vila Alice, bastião do MPLA. Vários portugueses, vinham no maximbombo 14 e como passou a tornar-se comum, tinham sido raptados e levados para a delegação do M.P.L.A na Vila Alice. O Exército português exigiu a libertação dos reféns e a entrega dos responsáveis pela sequestro. Os responsáveis locais do MPLA fizeram orelhas moucas, e foi ordenada a intervenção dos comandos. Nelito Soares, que nessa altura saía da sede do MPLA para negociar, é abatido, e os comandos fazem uma razia. ( hoje Vila Alice é conhecida pelo Bairro Nelito Soares)

UMA COISA BANAL

Às tantas, começou a faltar comida em Luanda. "No sítio onde eu estava, não houve grandes carências. A gente ainda apanhava pão, mas tínhamos de fazer bichas de madrugada. E depois ao fim de algum tempo, a guerra em Luanda era uma coisa que se tinha tornado normal. "Para nós, que éramos já crescidinhos, aquilo já era banal. Às três, quatro da manhã, íamos para a bicha comprar o pão. Às vezes, rebentava tiroteio, e toda a gente fugia. Mas depois voltava tudo ao seu lugar em que estavam na bicha, e morriam pessoas nesses tiroteios que propriamente nos combates.
A guerra era uma coisa tão banal que a miúdagem  brincava aos beligerantes. Para imitar os Pioneiros. Construíam umas armas, em madeira, e andávamos para ali a disparar".Mais.
"Havia pessoas que até ficavam contentes com a guerra civil, porque depois não havia como ir para o emprego. Uma vez, à frente do cine Tropical, apareceu uma manifestação do pessoal dos musseques...Ficou tudo tão aflito que as aulas do Colégio Académico tiveram de acabar e ai os kandengues, ficáram todos contentes".  as pessoas tinham os seus esquemas, as suas relações... A mim nunca faltou de comer", quem ficou mais tempo teve muitos problemas com a alimentação, recordo o Sr. Ribeiro dizer que andou uma semana a comer bananas. "Por isso, para nós,  a guerra civil não foi aquela coisa hedionda... Só ouvíamos certos relatos, de gente que era morta de maneira bárbara, dizia-se que a FNLA matava com certos requintes, praticava antropofagia". "Na Batalha da FNLA, aquela na sede na Avenida Brasil, contava-se de boca em boca, foi um grande acontecimento. Dizia-se que descobriram lá corações". E sabia-se também da caça ao homem, do racismo. "A FNLA caçava tudo, quimbundos, mas sobretudo mulatos. Lembro-me que houve um mulato, que apareceu numa das casas onde eu estava, que tinha vindo lá de Carmona, do Uíge, e tinha sido apanhado. Levou porrada, e o fnla, o soldado, olhou para ele e disse-lhe: Seu mulato, passarinho sem ninho, seu filho da p.... E havia também aquele ditado: o branco vai embora de barco ou de avião, o mulato vai a nado".
UMA ÚLTIMA MENTIRA
A 11 de Junho, Savimbi, que entrara em Luanda a 25 de Abril de 75, vê o pequeno quartel da UNITA na capital angolana na Avª dos Combatentes a ser  atacado pelas FAPLA. A situação deteriora-se tão seriamente que o presidente do Quénia, Jomo Kenyatta, convoca para Nakuru uma cimeira de emergência. Após quase uma semana de discussões, para as quais Portugal não é convidado, a 21 de Junho,  dia da minha vinda para Portugal, os três os movimentos fazem uma autocrítica, reconhecem ter dificultado a actuação do Governo de Transição, ter apelado ao tribalismo e ao racismo, armado a população civil, e comprometem-se a acabar com a violência e a intimidação, a integrar os seus exércitos numa força armada única e a desarmar os civis.
Poucos dias depois, a 9 de Julho, após três semanas de violentos combates, a FNLA é expulsa de Luanda, e Savimbi pede protecção ao Exército português e ordena aos seus apoiantes que deixem a capital.
Uma última recordação. "Quando estava na casa da avó do Zé-Tó no Bairro do Café, lembro-me que houve uma altura em que só se ouvia martelar: pá, pá, pá". Pregos nas madeiras, e no porto de Luanda , cheio de caixotes.
Adaptada da net  MEMÓRIAS DE ANGOLA
1975

MORTE DE JONAS SAVIMBI

O dia 22 de Fevereiro de 2002 foi, para todos os efeitos, um dia dramático e tétrico; dramático, porque, tal como nos outros dias, o Dr. Jonas Malheiro Savimbi, como era de costume, na sua qualidade de General, se havia preparado para mais um dia de rotina. Logo pela manhã meteu o seu uniforme verde, fez a toilete e, possivelmente, aguardava pelo evoluir da situação. No entanto, a perda, dias atrás, das duas colunas que o guarneciam não augurava nada de bom. Estava praticamente exposto às forças do MPLA, constituídas por milícias, polícias e soldados do exército. E, tal como Che Guevera, na Bolívia, o Dr. Savimbi nem sequer se deu conta que o inimigo estava a poucos passos de si e lhe crivava, segundos depois, o corpo com sete balas.
Foi assim, de uma forma aparentemente fácil, e quase inacreditável – para um homem tão experiente nas andanças da guerra -, que terminava a vida de um líder carismático e de um homem, que fez da guerra o seu cavalo de batalha para um dia vir a ser Presidente do País que o vira nascer. Dizem as pessoas que o conheceram de perto que, em certas ocasiões, lhes perguntava se um dia viria a ser, de facto, Presidente de Angola e condoído pela dúvida vertia algumas lágrimas. Talvez por notar que este desiderato se encontrava cada vez mais distante dele.
Na verdade, Jonas Savimbi nem sequer precisava de vir a ser um dia Presidente da República, pois viveu as glórias, alegrias, honras e os dissabores dos presidentes. Foi assim a vida tão atribulada, quanto plena de contradições do menino irrequieto, que nasceu a 3 de Agosto de 1934, em Munhango, no Bié. A sua passagem por Portugal foi, de igual modo, turbulenta, uma vez que a par dos estudos, contestava abertamente o regime colonial português, o que lhe valeu algumas prisões. Apesar disso, como uma vez havia contado Daniel Chipenda, não se coibia em ostentar os seus conhecimentos, mesmo em domínios não afins à sua formação. Uma vez pretendeu dar uma conferência sobre antropologia numa instituição portuguesa, sendo, de imediato, desaconselhado por Chipenda.
Formado em Ciências Políticas e Jurídicas na Universidade Lousane, Suíça, passou, a partir daí, a dedicar toda a sua vida à política até ao último momento em que morreu em combate. Jonas Savimbi, era o homem dos antípodas. Era anjo e ao mesmo tempo demónio; assemelhava-se ao remoinho de vento, kanyongo, que varre árvores e levanta as casas do chão, mas também tinha dificuldades de se conter e, por vezes, chorava como uma criança. A sua vida tão plena de contradições e de estados de humor surpreendentes levou a que, no processo eleitoral, o MPLA, afirmasse que ele havia feito a sua campanha, mesmo que (o que é estranho) o seu arqui-rival não o tenha conseguido bater na primeira volta. Mas a sua sentença de morte havia sido ditada há muito, ou seja, muito antes da independência. Apenas José Eduardo dos Santos, viria a consumá-la volvidos dezenas de anos, o que aconteceu nesse fatídico dia, na localidade de Lucussi, ao lado de uma grande mulemba.
Quer queiramos quer não temos que aceitar que com a morte do Dr. Jonas Savimbi, abre-se uma nova fase na vida política de Angola, mas contrária aos cenários que se vêm desenhando por aí. Primeiro, porque, para o MPLA, as causas da guerra não radicam em factores de ordem estrutural, mas na ambição de um homem que queria, a todo o custo, tomar o poder. Não tardará a chegar o dia em que o MPLA e os seus correligionários tomarão consciência de que esta morte não trouxe, nada de novo, no processo de consolidação da paz; pelo contrário, notarão, perplexos, que ela veio apenas acirrar ódios velados e em certos casos contidos. Está a vista que a verdadeira paz passa, necessariamente, pela instauração de um regime democrático, de facto, pelo desfasamento das assimetrias regionais (dando a cada região uma relativa liberdade para decidir do seu destino, económico e social). E mais importante ainda é o facto de que a paz também se conquista através da distribuição equitativa das riquezas.
O filho de Lote e Mbundo, teve todos os meios ao seu alcance para evitar este trágico desfecho. Possuidor de uma elevada fortuna, poderia, sem grandes restrições, exilar-se em qualquer país; possuía, até ao último momento, o seu sistema de comunicações com o qual poderia comunicar ao mundo e às Nações Unidas a sua rendição. Mas preferiu, conscientemente, morrer assim, na crença, pensamos nós, de que, ao estilo de Cristo, continuaria vivo durante vários séculos no imaginário daqueles que o seguiram e o apoiaram. Refiro-me ao poder de catalisação das energias de um povo ou etnia, que possuem certos líderes que deixam de existir de uma forma brutal. Trata-se do valor e do poder simbólico de um mártir. Independentemente da evolução do processo político-militar de Angola, a verdade é, que, o MPLA perdeu o seu bode expiatório. O indivíduo a quem era atribuída a miséria, a falta da gestão transparente da coisa pública, a corrupção, o despotismo, e a ausência de democracia.
Fatalmente, acaba de chegar o momento em que o MPLA vai ter, necessariamente, que olhar para si próprio. Neste sentido, está a vista que a morte do Dr. Jonas Savimbi, longe de colocar o MPLA numa posição confortável, coloca-lo-á, isso sim, numa posição mais crítica. Assim, e a partir de agora, o maior inimigo do MPLA será o advento, em Angola, de uma verdadeira democracia. Pois, o Presidente José Eduardo dos Santos ao decretar a sentença de morte a Savimbi, também decretou a sua própria sentença e, pior ainda, quando se põe em questão o magnetismo e o carisma de Savimbi entre os Ovimbundu.
De modo que os Ovimbundu se afastarão, definitivamente, desse Partido político que impõe a paz com cadáveres. E tomando em consideração de que não será a curto prazo que os problemas estruturais da guerra em Angola serão extirpados, fatalmente, a morte de Jonas Savimbi, ganha um valor simbólico tão forte que, inevitavelmente, trará a morte política dos seus adversários. Talvez isso explique porque ele havia escolhido morrer assim. E se assim foi, talvez (quem lá sabe) tenha valido a pena.
NR: O que talvez não fosse necessário foi a exposição pública do seu corpo, como se tratasse de um troféu de caça.





Escrito por : Pedro Mufuma
2002

SITA VALLES



Nos finais de 1971, com 20 anos de idade, deslocou-se para Portugal, matriculando-se no quarto ano da Faculdade de Medicina de Lisboa. A saída de Angola, mais do que por factores pedagógicos, foi motivada pelo desejo de participar activamente na luta política. O amorfismo da Universidade de Luanda vedava, então, qualquer tipo de actividade militante contra o regime. Daí o afluxo dos estudantes progressistas das colónias para Portugal.

Em Lisboa, ingressou no movimento estudantil. Fez parte da direcção da Associação de Estudantes da Faculdade de Medicina, no ano de 1971-72. Em Dezembro de 1971, escassas semanas após a chegada a Portugal, é contactada pelo PCP (Partido Comunista Português), ingressando na UEC, organização estudantil deste partido.



                                                         Miss caloira na faculdade


Rapidamente se destaca pela sua grande capacidade de organização e intervenção. Em princípios de 1972, está no secretariado da célula comunista da escola. 
No dia 25 de Abril de 1974, encontrava-se em Moscovo, como representante da UEC ao congresso do Konsommol (organização de juventude do PCUS). Depois do 25 de Abril, torna-se funcionária da UEC, fazendo parte da comissão executiva do seu comité central. Interrompe os estudos, para melhor se dedicar à vida política.
Em Junho de 1975, numa altura em que o povo angolano enfrentava sérias dificuldades na luta pela independência, abandona Portugal para dar o seu contributo à Revolução Angolana. Os seus dotes de organizadora levaram a uma rápida promoção dentro do MPLA.
Em Junho, é encarregue pelo Bureau Político da reorganização do sector intelectual. Retoma os estudos, matriculando-se no sexto ano da Faculdade. Com o agudizar das contradições internas, após a independência, começa a ser marginalizada no MPLA. Em 1976, é obrigada a abandonar esta organização em virtude da decisão de expulsão de todos os militantes que tivessem militado em organizações estrangeiras.
  Sita Valles e o filho Ernesto (1977)

Destaca-se para o interior de Angola, integra nas equipas médicas. Em Fevereiro de 1976, tem um filho. Em 27 de Maio, ocorrem graves confrontos em Luanda. É acusada de ser um dos responsáveis.
Em meados de Junho é presa. Em Portugal, ainda há quem se recorde de Sita Valles, a jovem fuzilada em 1977 em Angola. A sua aura continua viva entre as gerações de estudantes universitários, particularmente os associativos que a conheceram, no início dos anos 70, nas faculdades de Medicina de Lisboa e Luanda. Foi uma grande líder do movimento estudantil e um quadro estimado do Partido Comunista Português e da União dos Estudantes Comunistas (UEC)
e do M.P.L.A., em Angola.

Sita Valles teve uma vida muito breve (1951-1977). Mas intensa. Desde que tomou consciência das injustiças do mundo, não mais deixou de ser um turbilhão político. Muito activa, quer na clandestinidade quer em democracia, ela acreditava lutar por uma sociedade melhor. Três décadas depois da sua execução – juntamente com José Van-Dunem, Nito Alves e um número desconhecido de vitímas que certamente ultrapassam as 20 mil, ainda me lembro dela e dos seus irmãos.

«Diz-se que Sita Valles foi fuzilada às cinco da manhã do dia 1 de Agosto de 1977. Um tiro em cada perna, um tiro em cada braço. O corpo caiu na vala previamente aberta, antes de desferido o disparo mortal. Ou o que restava de Sita, após as torturas e a orgia de violações pelos homens da Direcção de Informação e Segurança de Angola (DISA), a polícia política do regime. Um tractor aplainou o terreno. Diz-se também que a bela, elegante e inteligente comunista de origem goesa – uma portuguesa de coração africano – se manteve rebelde até ao último momento. Dizia que não tinha medo e que quanto mais depressa a matassem melhor. Ao recusar ser vendada, obrigou os atiradores do pelotão de fuzilamento, a enfrentarem o seu olhar, antes de apertarem o gatilho.»

Conheci muito bem a família Valles. Conheci bem os três irmãos o Edgar Ademar, a Sita Maria e o Edgar Francisco, assim como os pais. Fui ao casamento do Ademar em Dezembro de 1973 na Floresta, do casamento com a Isabel Penaguião nasceu o Frederico, ainda bem que ficou um filho para que não deixe cair no esquecimento os pais. Não sei se os pais  da Sita  ainda vivem.  Também cabe ao único irmão que sobreviveu não deixar cair no esquecimento a Sita, o marido e o irmão  Ademar, para que um dia a historia de Angola seja escrita com verdade.
As novas gerações de Portugal e de Angola precisam saber.
FELICIA CABRITA adptado
1977

INDEPENDÊNCIA DE ANGOLA

Em 10 de Novembro de 1975, o Alto Comissário e Governador-Geral de Angola, almirante Leonel Cardoso, em nome do Governo Português, proclamou a independência de Angola, transferindo a soberania de Portugal,  não para um determinado movimento político, mas para o “Povo Angolano“, de forma efectiva a partir de 11 de Novembro de 1975.





Assim, no dia 11 de Novembro de 1975, cada um dos três movimentos de libertação proclamava a independência de Angola: Holden Roberto, da FNLA, proclamou a independência no Ambriz, Jonas Savimbi, da UNITA, proclamou a independência no Huambo e Agostinho Neto, presidente do MPLA proclamou em Luanda a independência de Angola, que passa a designar-se por República Popular de Angola, que só viria a ser reconhecida por Portugal em Fevereiro de 1976, sendo o Brasil o primeiro país a reconhecer o governo do MPLA.
Esta cerimónia teve lugar às 23 horas, 1 hora antes de terminar a data agendada para a independência, pois  a situação que se vivia era de grande incerteza. Para uma melhor compreensão do momento, o melhor é transcrever os comentários do coronel de cavalaria, Mendonça Júnior:
O fim da luta armada em Angola ficou consagrado no acordo celebrado em Alvor (Algarve) no final de Janeiro de 1975, Acordo pelo qual se estabeleceu um governo de transição tripartido – Portugal e os três movimentos de libertação angolanos – a quem foi incumbida a tarefa de gerir o país até à data da independência marcada para 11 de Novembro desse mesmo ano.
Durou pouco esse governo. A rivalidade entre as três formações angolanas, a ambição pelo mando absoluto e também a passividade da parte portuguesa conduziram rapidamente à sua falência total. Surgiram e multiplicaram-se, um pouco por todo o lado, casos de violência envolvendo as três partes angolanas, de tal modo que, no final de Agosto desse ano, o MPLA já era senhor absoluto da capital, de onde havia expulsado os representantes da UNITA e da FNLA.
A opinião generalizada que então se formou, nessa altura, tanto em Angola como fora, era de que, assim tendo procedido, o MPLA estava a preparar-se para, em 11 de Novembro, proclamar unilateralmente a independência, na expectativa de que a passividade da opinião pública, tanto interna como a externa, ajudasse a consagrar a ilegalidade.
Esqueceu-se, porém, Agostinho Neto, o então líder do MPLA, que com a descoberta do petróleo, acontecida anos antes, Angola passara a estar sob vigilância cerrada dos que, então como agora, controlam a produção e o comércio do crude à escala mundial. O resultado dessa falha de memória foi que, pouco tempo depois, Angola era, sem mais aquelas, invadida por uma força militar sul-africana procedente da Namíbia. A qual, depois de tomar, sucessivamente, as cidades do Lubango, Benguela e Lobito, avançou em direcção a Luanda. Onde, no entanto, não chegou a entrar, já que ao atingir as margens do rio Quanza (a cerca de 200 quilómetros da capital) foi mandada parar.
Por ordem de quem e porquê? Ocorre naturalmente perguntar?
Segundo fontes diplomáticas sul africanas desse tempo, Washington, que havia sugerido a invasão, fora quem formulara essa espécie de contra-ordem, acompanhada de um novo pedido: que os sul africanos transferissem parte do material bélico que transportavam para um outro grupo armado, que, constituído por guerrilheiros da FNLA, soldados zairenses disponibilizados por Mobutu e alguns voluntários portugueses, e sob o comando do Coronel Santos e Castro, se encontravam, nessa altura, a assediar Luanda pelo Norte, com o objectivo de a tomar, antes da data da proclamação da independência.
Uma vez na posse do material cedido pelos sul-africanos , que incluía três peças G5 – fabricadas na RSA e capazes de atingir objectivos localizados de até 50 Km – (chamados n’gola kiluando) Santos e Castro começou a preparar o ataque e a tomada de Luanda concebido nos seguintes termos: bombardear primeiro, utilizando as peças cedidas, com vista a estabelecer o pânico entre os defensores e a população da capital e, a seguir, realizar o assalto por terra. Plano que, uma vez concebido, foi divulgado via Kinshasa, com vista naturalmente a desmoralizar ainda mais o inimigo.
Sendo assim, no dia 6 de Novembro, depois de ter tomado a vila de Caxito, estabeleceu-se ele com os seus homens no Morro da Cal – uma pequena elevação de terreno situada a cerca de 30 Km de Luanda e dali fez três disparos dos G5 contra a capital. Dos quais um atingiu a pista do aeroporto, outro caiu na baía e o terceiro atingiu a refinaria de petróleo do Alto da Mulemba, provocando um incêndio, que acabou por ser dominado.
A estratégia resultou em pleno: o pânico previsto estabeleceu-se e generalizou-se, e, naturalmente começaram a circular boatos dos mais diversos, um dos quais concebido em termos de suscitar histeria colectiva e pavor. Eles os “fenelas” – assim o vulgo luandense chamava aos homens de Holden Roberto – vão entrar e vão degolar todos: pretos, brancos e mulatos.
Entretanto, as horas e os dias foram passando nessa terrível expectativa que se ia acentuando à medida que, um pouco por todo o lado na cidade, se ia escutando sons de disparos, resultantes do confronto que se ia verificando amiúde entre grupos de soldados que Santos e Castro ia mandando avançar em missões de sondagem do terreno e os militares que o MPLA tinha colocado fora do perímetro urbano da capital com missões de entreter o inimigo para deste modo possibilitar o envio de reforços.
Chegou-se finalmente a 11 de Novembro, dia marcado para a proclamação da independência, sem que no entanto se houvesse realizado o prometido assalto à capital. Mesmo assim, o pânico generalizado imperava e manteve-se sempre desde o nascer ao pôr do Sol desse dia histórico, durante o qual o único facto de registo sucedeu cerca das 16 horas, quando o alto-comissário representante da soberania portuguesa, um militar de alta patente português, General Silva Cardoso, mandou arrear a Bandeira das Quinas que encimava o velho palácio da cidade alta, dobrou-a e, com ela debaixo de um dos braços, tomou o caminho da Ilha de Luanda, onde o aguardava um navio de guerra, para o trazer de regresso definitivo a Portugal.
Deste modo inesperado e ademais ridículo e triste se concretizou o episódio final de quase cinco séculos de Histórial!!!
Entretanto, e porque a crença generalizada era de que os homens de Santos e Castro ainda poderiam atingir Luanda, a cerimónia oficial da proclamação da independência, marcada inicialmente para as 17 horas desse dia, foi sendo sucessivamente protelada e acabou por ter lugar só em plena noite e de uma forma algo improvisada.
Assim e apesar de todas as promessas e ameaças, os homens do coronel falharam: nem entraram na cidade nesse dia nem posteriormente realizaram qualquer tentativa nesse sentido, preferindo antes deixar os arredores da capital e empreender uma retirada em direcção à fronteira com o Zaire.
Porque esse falhanço, porque tudo isso? Importa perguntar?
A resposta ouvimo-la já aqui em Lisboa. Primeiro da boca do Coronel Santos e Castro, poucos meses antes da sua morte; e logo a seguir, por intermédio de alguns portugueses e angolanos, que foram seus companheiros nessa aventura. E tivemo-la confirmada, mais tarde, pelas mesmas fontes diplomáticas sul-africanas atrás referidas. Ei-la, pois, reproduzida de forma sintética mas clara.




Na madrugada do dia 9 de Novembro e cumprindo o plano que estabelecera, o Coronel Santos e Castro dirigiu-se à tenda onde se albergava Holden Roberto, o Presidente da FLNA, para lhe comunicar que ia imediatamente pôr a funcionar os G5 e iniciar o bombardeamento da capital. E foi então informado que estava impossibilitado de o fazer, já que, um pouco antes, os artilheiros sul-africanos haviam desmantelado as culatras dos G5, tornando-os inoperacionais, embarcando a seguir num helicóptero que os transportou para bordo de um navio do seu país que os aguardava ao largo do porto de Ambriz. E isso no cumprimento de uma exigência imposta de Washington a Pretória.
Dito isto, só resta a lógica conclusão final. Não foram pois os homens do MPLA que impossibilitaram a tomada de Luanda pelas forças comandadas pelo Coronel Santos e Castro. Nada disso. A responsabilidade do insucesso cabe a outro. E quem é ele? Resposta é inequívoca. Esse mesmo que, desde sempre, se notabilizou por promover guerras e fazer delas um negócio altamente lucrativo para si próprio: Os Estados Unidos da América.
Fontes Jornalisticas
1975