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06/01/2013

AS MENSAGENS “urbi et orbi” DO “SANTO PAPA”



Ouvi o “Santo Papa” - no dia 1 de Janeiro 2013 - (Novo Ano), a dizer isso: “Infelizmente, apesar de o mundo ainda estar marcado por focos de tensão e de conflitos causados pelas crescentes desigualdades entre ricos e pobres, pelo prevalecimento de uma mentalidade egoísta e individualista expressa inclusive por um capitalismo financeiro desregulados, bem como por diferentes formas de terrorismo e de criminalidade, tenho a convicção de que as multíplices obras de paz (…) testemunham a inata vocação da humanidade à paz”. Ouvi e vi o “Santo Papa” Bento XVI, na Televisão, em sua mensagem de Natal (2012) “urbi et orbi” (à cidade e ao mundo), a pedir ao “Jesus Menino” (passo a citar): “…Faça crescer as suas virtudes humanas e cristãs, sustente quanto se vêem obrigados a emigrar para longe da própria família e da sua terra, revigore os governantes no seu empenho pelo desenvolvimento e na luta contra a criminalidade…” Pergunto: Será, que as excelências desta Terra, esses “materialistas” famosos do capital, estes ignóbeis corruptos, souberam ouvir e interpretar essas palavras? CRISTO, expressava assim os seus pensamentos numa sociedade, sobre a crise existencial da espécie humana. Ele não impunha as suas ideias, mas expunha-as. Não pressionava ninguém a segui-lo, apenas convidava. Era contra o autoritarismo do pensamento, por isso procurava continuamente abrir as janelas da inteligência das pessoas para que refletissem sobre as suas palavras. CRISTO conhecia as distorções da interpretação, era elegante no seu discurso e aberto quando expunha os seus pensamentos. Jesus combatia a violência com a não-violência. Ele apagava a Ira com a tolerância, restabelecia as relações usando a humildade.

Quando sua “Santidade Bento XVI” disse, que apesar do mundo ainda estar marcado por focos de tensão e de conflitos causados pelas desigualdades entre ricos e pobres, quis fazer um apelo para que cessasse o derramamento de sangue, que se facilitasse o socorro aos prófugos (fugitivos, nómadas, vagabundos) deslocados e se procurasse, através do diálogo, uma solução para todos os conflitos. E tinha razão. O mundo em que vivemos é violento. A televisão transmite programas violentos. A competição profissional é violenta. Em muitas escolas clássicas, onde deveriam reinar o saber e a tolerância, a violência tem sido cultivada. “Violência gera violência”. Spinoza, um dos pais da filosofia moderna, que era judeu, declarou "que Jesus Cristo, era sinónimo de sabedoria e que as sociedades envolvidas em guerras de espadas e guerras de palavras poderiam encontrar nele uma possibilidade de fraternidade". E é precisamente com o apelo de Sua Santidade Bento XVI, que termino: “Paz para o Povo da Síria”; “Paz na Terra onde nasceu o Redentor e aos Israelitas e Palestinianos; Paz para o povo da Síria, profundamente ferido e dividido por um conflito que não poupa sequer os inermes (desarmados, indefesos), ceifando vítimas inocentes; Paz para os países do norte de África, em profunda transição à procura de um novo futuro, nomeadamente o Egipto. Paz para o vasto continente asiático. Que o Rei da Paz pouse o seu olhar também sobre os novos dirigentes da República Popular da China pela alta tarefa que os aguarda. Paz ao Mali e da concórdia à Nigéria onde horrendos atentados terroristas continuam a ceifar vítimas... Paz ao Quénia e que o Redentor proporcione auxílio e conforto aos refugiados do leste da República Democrática do Congo e abençoe os inúmeros fiéis em todo o mundo”.

Foram estas as sábias e santas palavras de BENTO XVI! FELIZ ANO NOVO!

C. S.

2013

03/01/2013

MAS O QUE QUEREM ESSES CANALHAS DA TROIKA E DO FMI? MAS O QUEREM ESTES GAJOS DA UNIÃO EUROPEIA? CHAMAS A ISSO UNIÃO? OU "DESUNIÃO"? MATAR-NOS - TODOS - À FOME?



Vivemos numa época em que, o que se diz ser, é o que conta. Mas precisamos de enfrentar esse ardil e resistir ao argumento capcioso que induz ao erro, ao falatório e ao engano. Empreender um esforço de compreensão, a fim de percebermos o que é importante para a comunidade. Hoje em dia, a conformidade geral de opiniões, a unanimidade, em torno da sua pessoa, sobretudo na Europa, é de molde a provocar “alergia” a quem é sensível a todas as INJUSTIÇAS. Nestes receosos dias de desespero pela crise e pelo nosso futuro, onde tantos incómodos e divergências se acumulam, os malabarismos da mentira política e da ignorância arrogante, pretendem sobrepor-se à mecânica das evidências. No entanto, já toda a gente sabe que a realidade é outra, e que a situação actual não pode manter-se por mais tempo. E os sinais indicam que são insuficientes, ineficazes, os procedimentos e as decisões até agora tomados pelos partidos. Então, o que podemos fazer por nós próprios, tendo em conta que os propósitos políticos em causa pouco ou nada projectam em nosso favor? Devíamos, talvez, aplicar a sabedoria dos nossos erros para recriminar aqueles que nos conduziram à situação em que nos encontramos. Todas estas figuras “decorativas”, chegam ao proscénio (à ribalta), tingidas por fora de impolutos predicados (carácter imaculado), prometendo “salvar a pátria”, através do nosso voto e dos nossos impostos. Sorriem, mas estão cheios de raiva e de ressentimento. Insultam-se, na Assembleia da República, com a baixa linguagem dos eguariços, e “desembainham a larga espada da justiça e da solidariedade”, como se estivessem a cumprir um destino. Entretanto, a aleivosia das generalizações, a farsa da propaganda, atingiu a mais atroz das banalidades e a mais inquietante das incertezas. A impostura e a hipocrisia, andam de mãos dadas. Portanto, nada de novo: privatizações a eito, limitação de direitos, benesses a quem dá emprego aos outros, "cortes" e mais "cortes", enfim, um manancial de iniquidades (desigualdade) e tirania. O fosso entre pobres e ricos aprofundou-se abissalmente. As manipulações de números, as mentiras que têm sido impostas como verdade irretorquíveis, bem como a desenfreada ganância do “mercado” está a pôr em causa o necessário equilíbrio económico mundial. O que pretendem esses Filhos da P….? Meterem-nos medo? Estamos, pois, numa encruzilhada, até que o apego excessivo a formalidades, a ignorância e a informação omitida e dirigida, permitirem uma unívoca concentração de poder, onde as alternativas nos são apresentadas como as únicas construções institucionais:

“Mudar tudo!”

MAS, AFINAL, ESTAVA TUDO MAL? ÉRAMOS TODOS UNS FALHADOS? HAVIAM PROFESSORES, ENFERMEIROS, MÉDICOS, JUÍZES, DIRECTORES, GENERAIS, POLÍCIAS, MILITARES, UNIVERSITÁRIOS INCOMPETENTES? ESQUADRAS, JUNTAS DE FREGUESIA, CENTROS DE SAÚDE A MAIS? MAS....ÉRAMOS TODOS CORRUPTOS E CALOTEIROS? E...ONDE PARAM, OS VERDADEIROS LADRÕES?

MAS...O QUE PRETENDE O FMI E A TROIKA? E A "NAZISTA" ANGEL MERKEL? VENDEREM TODO O NOSSO PATRIMÓNIO HISTÓRICO? ESMAGAR PORTUGAL? ESCRAVIZAR OS PORTUGUESES?

FILHOS DA P….!!!

Ninito

2012

SÃO… AS NORMAS DA TRIBO!



Fazer coisas, fazer novo, pensar grande e apostar no futuro têm sido, nos últimos anos, os mitos pelos quais esta espécie de aristocracia arruinada se deixou aliciar. E não creio, salvo melhor opinião, que os próximos anos nos tragam um pouco mais de realismo e sentido prático.

“Nem antes era Deus, nem agora é o diabo.” De facto a sociedade ou aqueles que a dirigem são assim. Ornamentam o palco da política, com discursos embelezados de esperanças, e convites atrativos, “embrulhados” em lustrosos fatos, para que não se vejam as nódoas de baixo e…vestem-nos de com falsas profecias! Dizem coisas que te agradam, falam do desemprego, da fome e…assustam-te com o défice, envolto num futuro negro e medonho! "São as normas da tribo”. Os costumes sociais que se devem “acatar” de forma mecânica, amorfa e insípida. Por isso, quando alguém não corresponde ao molde e segue contracorrente, começa por surpreender, chega mesmo a desagradar e depois começam a prestar-lhe atenção porque demonstra que se pode revoltar contra o que está estabelecido, contra o que está imposto. A partir desse momento surgem os acusadores, os difamadores, os maledicentes e, simultaneamente, os que te apoiam e os que te criticam. E pensas assim: “-Esse alguma coisa quer!”, “-Que é que o tipo quer?”, “-Já lhe devem ter feito uma boa promessa!”. Outros perturbam-se porque lhes descobrem as suas misérias, a sua indolência, ou os seus delitos. Por isso tentam destruir-te. Definitivamente, chamas a atenção e a partir daí convertes-te, ou és convertido numa “vedeta”, num “protagonista”, “mediático”, “polémico”, “controvertido”. Quer dizer, em alguém que atua por impulsos de popularidade, de sondagem, em alguém que age delituosamente, prevarica, mente ou conspira para se manter na “crista da onda”, para ser reconhecido e premiado. Enfim, num monstro! Só que para alguns, será um “monstro bom”; para outros, um “monstro mau”. Mas sempre monstro.

Há muitos milénios os “bandoleiros” da estrada viviam de saquear mercadores. Quando os nobres legalizavam a prática, através de taxas e portagens, a capa de legitimidade mantinha a rapina. Hoje as leis de proteção dos cidadãos constituem em muitos casos uma forma serena de pilhagem equivalente aos velhos assaltos. Já no século XVII o clássico português “A Arte de furtar” ensinava que: “os maiores ladrões são os que têm por ofício livrar-nos de outros ladrões”.

C. S.
2012

28/12/2012

JUSTIÇA…PARA PROTECÇÃO DOS MAIS PODEROSOS?


“A Justiça em Portugal é má. É lenta, é cara e, muitas vezes, não é justa. É uma Justiça com dois pesos e duas medidas – impiedosa, inclemente, inflexível, para quem não tem dinheiro para contratar um Advogado; dócil e até obsequiosa para quem tem dinheiro…” Quem afirma, é o célebre Dr. Marinho Pinto, o Bastonário da Ordem dos Advogados.

Então, e a Autoridade? Para que serve? À primeira vista, esta é uma questão que não merece grandes desenvolvimentos. Afinal, o discurso quotidiano está repleto de referências à “Autoridade”. Habituámo-nos a falar da “autoridade moral” que alguém tem para dizer o que diz; da “autoridade dos professores”; da “autoridade dos pais”, que por vezes se contrapõe à liberdade dos filhos; do “abuso de autoridade” e da “autoridade do Estado”, que todos nós gostaríamos, que fosse forte para nos proteger, mas não excessivamente autoritária e presunçosa para nos oprimir. Há quem diga, que em Portugal, a “Autoridade” é apenas um nome pomposo, que serve para assustar os mais pequenos. É que a consequência de compreender, perceber alguma coisa que englobe a “Autoridade”, tem de abranger as suas variadas vocações: moral e jurídica, política e religiosa, familiar e corporativa, professoral e administrativa.

Muita infelicidade e frustração advêm do facto de, na nossa sociedade, a lei ser comummente confundida com justiça, liberdade e igualdade. Na verdade a lei tem muito pouco a ver com estes princípios morais fundamentais. A lei existe para ajudar a sociedade a defender-se e é usada por aqueles que representam a sociedade, como uma arma com a qual dominam e discriminam os direitos e liberdades individuais. A lei é a tentativa tosca do homem para tornar a Justiça – um conceito teórico – em realidade prática. Infelizmente, é invariavelmente mais inspirada pelos preconceitos e interesses pessoais dos legisladores do que por respeito ou preocupação pelos direitos dos indivíduos inocentes. Jamais sociedade alguma teve tantas leis como nós temos. E no entanto, poucas sociedades tiveram menos Justiça. Muitas das leis que existem hoje foram criadas não para proteger indivíduos ou comunidades, mas para proteger o “sistema”. Hoje, poucos indivíduos podem dar-se ao luxo de tirar proveito da protecção oferecida pela lei. A lei oprime o fraco, o pobre e o desprotegido e protege-se a si própria e aos poderes que a preservam. O custo do litígio significa que existe uma lei para os ricos e nenhuma lei para o pobre. Resultado: a lei ameaça e reduz os direitos do fraco e fortalece e aumenta os direitos do poderoso. Termino com as distintas palavras da Drª. Maria José Morgado, ex-responsável pela Direcção Central de Investigação da Corrupção e Criminalidade Económica e Financeira da Polícia Judiciária e a exercer, actualmente, funções de Procurador-Geral Adjunta no Tribunal da Relação de Lisboa: “Por detrás de reposteiros dourados, de sociedades fantasmas de certos escritórios, estão as comissões pagas para obter vantagens fabulosas em negócios de milhões, os dinheiros silenciosamente transferidos por certos políticos e dirigentes corruptos para paraísos fiscais, os circuitos financeiros ocultos da fraude e da corrupção, a aparente respeitabilidade dos poderosos do crime organizado, o poder subterrâneo cimentado por pactos de silêncio, a paz traiçoeira da impunidade.”

Mais palavras para quê?

Cruz dos Santos

2012

11/12/2012

A ESPERANÇA NA VIDA DA GENTE!



Às vezes não é sequer necessária a chegada ou ida ao médico, basta uma mudança dos nossos pensamentos, uma oração que saia lá do fundo da nossa alma e, de repente, sentimos que Deus está próximo de nós e que podemos confiar Nele. “A esperança, é a ultima a morrer”, como se diz em gíria popular.

Nós portugueses, desanimamos por tudo e por nada. E agora, com essa coisa da crise…ainda pior! Quando a derrota domina uma pessoa, a coisa mais fácil e lógica a fazer é…desistir! É exactamente isso que a maioria faz. Mais de cinco centenas dos homens de maior sucesso que este país alguma vez teve, alegaram que o seu maior sucesso surgiu apenas a um passo para além do ponto em que a derrota os teria assolado. O falhanço, é uma “ratoeira” com um apurado sentido de manha. O seu maior prazer é passar uma rasteira a alguém quando o êxito está quase a ser alcançado. Uma das causas mais comuns do falhanço, é o hábito de se desistir quando se é assaltado por uma derrota temporária. Todas, ou quase todas, as pessoas cometem este erro, num ou noutro momento.

Leiam esta pequena história verídica:

“Um cidadão americano, foi apanhado pela “febre do ouro”. Foi para o oeste do Colorado escavar, após ter reclamado os seus direitos sobre a terra, afim de se tornar rico. Depois de semanas de trabalho, foi recompensado com a descoberta de um minério brilhante. Precisava de maquinaria para trazer o minério à superfície. Contou o seu achado aos seus familiares e amigos. Esses (em conjunto), juntaram o dinheiro necessário para a aquisição de material, afim de darem início aos seus trabalhos (exploração da mina). O primeiro carro com minério foi carregado e enviado para uma fundição. Os resultados provaram que eles tinham uma das mais ricas minas de Colorado. Mais alguns carros, com aquele minério, chegariam para pagar as dívidas. Depois iriam começar os lucros. As brocas enterraram-se nas profundezas e as esperanças daquela gente, crescia. Então, uma coisa aconteceu. O veio de ouro desapareceu! Tinham chegado ao fim do “arco-íris” e o pote de ouro já lá não estava. Continuaram a escavar, a tentar desesperadamente apanhar outro filão, mas…sem qualquer proveito. Finalmente, decidiram desistir. Venderam a maquinaria a um Sucateiro e regressaram a casa desolados. O Sucateiro pediu a um engenheiro de minas para fazer umas pesquisas à mina e fazer alguns cálculos. Mais tarde, o engenheiro informou, que o projecto tinha falhado porque os proprietários não estavam familiarizados com o terreno. Os seus cálculos mostraram que o veio poderia ser encontrado apenas a um metro do sítio onde eles tinham parado (desistido) para escavar”. Conclusão: O Sucateiro retirou milhões de dólares da mina, porque não desistiu e porque sabia bem, que era necessário pedir o conselho de especialistas antes de ceder.

Estou convencido de um facto: não existe nada no mundo, de certo ou de errado, que a crença, aliada ao desejo ardente, à esperança e à força de vontade, não consigam tornar realidade. Estas qualidades estão ao alcance de todos.

BANGA

2012
                                   

28/11/2012

O POVO VIVEU ACIMA DAS SUAS POSSIBILIDADES ???

Não me fecundem... porque f***** ando eu!




Zé do Tijolo resolveu fazer uma vivenda . Com as poupanças de uma vida de trabalho e uns dinheiritos que recebeu da herança dos seus sogros satisfez o sonho compartilhado com a mulher.
Pagou 23 % de IVA sobre os materiais , pagou as certidões das Finanças e da Conservatória , pagou o Imposto de Transacções , pagou o imposto de selo , pagou a Escritura e respectivo registo, pagou a ligação da água e da electricidade , pagou à Câmara as licenças, etc. etc. etc.

Apesar de ter perdido tanto tempo para pagar todos estes impostos ao Estado e de ter de pagar ainda durante toda a vida uma renda chamada IMI ,ficou de sorriso rasgado ao olhar para a sua bela casinha. O seu esforço , os muitos sacríficios e privações tinham valido a pena : tinha um teto a que podia chamar seu...

Qual não é o seu espanto quando houve um comentador de economia na TV, sujeito engravatado e bem falante, dizer o seguinte :

- o país está nesta grave crise porque os portugueses gastaram demais , construíram demasiadas moradias, por isso os sacrifícios impostos pela Troika , blá, blá, blá...


Zé do Tijolo sentiu-se um Zé do Calhau ! Sempre tinha pensado que tinha feito a sua casinha com o seu próprio dinheiro e nem um tostão tinha pedido ao Estado ! Era tão idiota , tão imbecil que chegara mesmo a pensar , dada a enorme panóplia de impostos que tinha liquidado ao Estado, que esse mesmo Estado devia estar agradecido pela sua contribuição.

Este importante catedrático de economia veio-lhe abrir os olhos. Afinal o dinheiro que tinha penosamente poupado ao longo da vida não era seu...nem o dinheiro da herançazita ...porque se fosse realmente seu como poderia ser responsável pela crise do país ? Zé do Tijolo sentiu uma enorme vergonha e remorso por ter feito o imóbil e ter dado trabalho e dinheiro a ganhar a tantas artes, provocando , segundo a tal sumidade catedrática , a bancarrota do seu país adorado.
O sorriso rasgado do Zé do Tijolo transformou-se num esgar : era ladrão... tinha roubado a pátria lusa e vivido acima das suas possibilidades...!?!?

O Manel Fangio vestiu-se com primor . Pegou no filho de 18 meses ao colo e acompanhado da mulher dirigiu-se ao Stand no centro da cidade. Ia ansioso e não via a hora de sentar o seu fiofó naquele sonhado Renault Clio prateado . Deu um longo suspiro de satisfação. Não mais teria que conduzir a velha e ruidosa motorizada , com a proa empinada pelo peso dos nadegueiros roliços da companheira grávida , obrigando-o a um equilibrismo de artista circense. O pior era o inverno , chuva e gelo , quando tinha de levar e trazer o rebento do infantário . Cortava-lhe o coração sujeitar o filho a tais condições e tremia de medo só de imaginar um acidente, que andava sempre à espreita . Águas passadas : agora tinha um popó que poderia chamar seu. Bem , não era mesmo seu porque pedira emprestado ao banco uma parte do dinheiro e só após 48 prestações mensais poderia ficar registado como sua propriedade.

Manel Fangio , assinou ansioso os documentos : o ISV , o IVA , o IUC , o seguro e o registo provisório...

Agora era rodar a chave , parar na estação se serviço e abastecer de combustível . Ufa ! Achou caro : o funcionário argumentou que sobre o preço do litro incidia um imposto para o Estado de 58 %, repartido pelo ISP e IVA.

Bem...não havia nada a fazer : era pagar e "não bufar" porque se bufasse estava sujeito a acelerar a evaporação do precioso líquido. Apanhou a SCUT e escutou nos pórticos um piar . Não , não era o chilrear de uma ave a repousar do vôo. Era a electrónica a zelar pelo erário público...

Enfim, chegou a casa. Ligou a "caixa que mudou o mundo" e escuta o perorar papagueado de um anafado comentador político , que dizia :

- o país está na bancarrota porque o povo viveu acima das suas possibilidades reais , compraram-se muitas viaturas , agora é preciso pagar a factura e aceitar a austeridade , blá , blá , blá...

Manel Fangio escorregou do sofá . Tinha, de facto , pedido dinheiro ao banco para pagar o automóvel , tinha pago do seu bolso todos os impostos inerentes ao Estado , nunca lhe passou pela "cachimónia" ,nem se lembrava, de ter pedido dinheiro ao dito Estado para comprar o veículo !!! Como poderia ser responsável pela crise do país ?

Bem...este lustroso político , licenciado em economia ainda muito jovem , com apenas 37 anos , possuidor de uma retórica invejável não podia estar enganado...era um doutor...

O sorriso de satisfação do Manel Fangio murchou: era um corrécio...tinha esbulhado a ditosa pátria muito amada , levando com o seu escandaloso dislate rodoviário o país à ruptura financeira...

Os pecados implicam penitências. Manel Fangio e sua família , incluindo o rebento e o que estava para rebentar , teriam que pagar durante décadas e com "língua de palmo" pelo crime da exuberância de ter passado da motorizada para o Clio.

como sou burro...
como sou jumento...
como sou asno...
como sou solípede...
como sou cavalgadura..
como sou asinino...
como sou jegue...
como sou azémola...
como sou alimária...
como sou tudo isso e muito mais...
e com a jeriquisse crónica de que sou feliz portador ou contemplado, pergunto :

O Zé do Tijolo e o Manel Fangio pediram algum dinheiro ao Estado ?
Viveram acima das suas possibilidades ou viveram com as suas possibilidades ?

Como podem ser criticados ou responsabilizados pelos médias ( apetecia-me dizer merdas...) pela crise que o país atravessa ?

O dinheiro não era deles ? e não podiam fazer com o seu dinheiro o que muito bem desejassem ?

Não pagaram, para além disso , uma imensidade de impostos ?

Em resumo: quando vejo os economistas residentes e afins ,a justificar a austeridade com o argumento de que o povo foi despesista ( para branquear a corrupção endémica dos políticos )
apetece-me mandá-los apanhar no subilatório...e só não mando porque não quero matar alguns com mimos...
Pensem nisto e deixem de me fecundar...porque f***** ando eu
...

Por favor..., Não me fecundem; porque f***** ando eu!

 Jerico assanhado

Recebido do Delmar Videira

2012

20/11/2012

O PORTUGAL DAS RETICÊNCIAS!

Vivemos no tempo dos adjetivos. Nunca houve tanta certeza e vastidão na catalogação humana do universo. Avaliamos atitudes, classificamos ideologias, julgamos a História, falamos, discutimos - todos ao mesmo tempo – porque sentimos essa necessidade de falar, e acabamos, quase todos, em simultâneo, a condenar a sociedade. Em tudo, pessoas, ideias, coisas, colocamos qualificações. No meio de tantas sentenças há, no entanto, dois termos que desapareceram do nosso vocabulário: “bom” e “mau”. Atribuímos os mais variados rótulos, mas nunca estes dois, os qualificativos éticos fundamentais. Depois, há esta ideia firme, que ninguém a contraria: todos os outros têm defeitos! Nós, somos sempre os melhores!
No que concerne ao futebol, somos os melhores “treinadores de bancada”. De facto, num país “Futebolizado”, tudo se torna futebol, incluindo a TV pública. Tudo vai desaguar às balizas desses grandes encontros: da 1ª Liga ou de Jogos Internacionais. Aliás, dez “monstruosos” estádios, que custaram mais de 800 milhões de euros ao País, vão perpetuar, dolorosamente, na nossa memória. “-A despesa, apesar de astronómica, até nem é cara para dez colossos daqueles”, alegam alguns “fanáticos” do futebol! Mas é isso! Estamos em Portugal, não é? Consequentemente, cada um tem as suas “Taras” (e não são poucas). Uns são pelo futebol, outros pela política; uns vão às meninas, outros gostam de espreitar, de coscuvilhar, de comprar revistas, filmes, de pesquisarem em seus computadores - para adultos (vistos por menores) pornografia para todos os gostos. E se neste país ninguém é capaz de controlar a prostituição nas ruas, em apartamentos, casas particulares, motéis, pensões residenciais (livres de impostos), insisto que Portugal é diferente dos Estados Unidos, um país onde um miúdo tem mesmo de comprovar se tem 18 anos para comprar vinho e álcool, ou de ter uma maioridade para “entrar” em determinados locais, bares, discotecas, sites, bares, “sex-shops”!
BOM! Mas….graças à seleção nacional, as quinas esvoaçam com orgulho em pescoços, prédios e automóveis. O facto é tanto mais surpreendente quanto os portugueses não são muito dados a este tipo de brios e manifestações patrióticas. Desde os fervores revolucionários dos idos de 70 que não se via por cá nada assim. Atualmente, o País tem caído num clima de cobiças pequeninas e reivindicações míopes. Cada um defende o seu cantinho, perdendo de vista o bem comum e o interesse público. No entanto, nós competimos – em células terminais – com os Japoneses, em horizonte, de igual para igual, portanto não somos mais pequenos, somos iguais, damos “cartas” ao mundo! E sabem uma coisa: nós, temos os melhores engenheiros e cientistas jovens, de craveira internacional. Portanto, nós precisamos é de entusiasmo! De força! De Energia! Precisamos de gente activa, que queira fazer e não de comer à custa dos outros. Termino com esta quadra de António Aleixo: “Tu que vives na grandeza, / Se calçasses e vestisses / Daquilo que produzisses, / Andavas nu, com certeza”!
BANGA
2012                                         

NÓS E…. OS MEANDROS DA POLITICA!

“Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular…” (art.-1º); “A República Portuguesa é um estado de direito democrático, baseado na soberania popular…” (art.-2º); “A soberania reside no povo, que a exerce segundo as formas previstas na Constituição….” (art.-3º).
 Só que vontade popular e soberania popular, como tantos outros “chavões” em que a nossa Constituição é fértil, tendem a não ser mais que meras figuras de retórica. Na pureza dos princípios, “democracia” baseia-se na igualdade essencial dos homens e no seu igual valor. Tal como na antiga Grécia se preconizava, a gestão da coisa pública deveria ser diretamente exercida pelo povo, organizado em conselhos ou assembleias populares, mas logo aí, por inexequível, “o ideal morreu no berço”
 A cavalgada do tempo, a que os estados modernos se não podem eximir, impõe outro tipo de soluções, que nem sequer são novas. Por isso se distingue já (ou ainda só) entre democracia direta – aquela que os pensadores atenienses preconizaram para o seu povo – e democracia representativa – aquela em que o povo “governa” através de representantes seus, periodicamente eleitos. Em nome da segurança dos atos, a eleição produz efeitos que os eleitores, por si só, não podem reverter antes de findo o mandato, o que implica, no sistema e na mentalidade nacionais, que os detentores do poder governem ao sabor dos interesses de uns quantos, incluindo os seus, deixando, ou mesmo lançando na pobreza tantos mais concidadãos, alguns dos quais se escondem por vergonha.
Não tanto como a avidez dos corruptos, a desfaçatez dos desonestos e dos sem carácter, a inépcia e a mediocridade, quase epidémicas, dos quadros que integram os organismos do estado, o que mais preocupa é o silêncio dos bons, porque desencoraja, porque induz o fatalismo agonizante, aquele fatalismo que transparece da história de uma velhinha que, à passagem do seu rei, despótico e cruel, foi a única voz dissonante ao saudá-lo: “-Que Deus guarde vossa Majestade!” O rei, intrigado, interpelou a velhinha, no sentido de saber da razão de tal saudação. E a idosa respondeu: “-Eu conheci o avô de vossa Majestade, que foi um mau rei; conheci o seu pai, que foi um rei ainda pior; vossa Majestade, consegue ser muito pior do que qualquer dos seus dois antecessores…Para que não vamos de mal a pior...que Deus o guarde por muitos anos!”
BANGA
2012

O ESTADO E O “RACIONAMENTO “ NA SAÚDE!

O Ministério da Saúde e os SNS, é dos ministérios e sectores mais problemáticos do país, com um défice crónico, e que contribui grandemente para o estado a que chegaram as contas do Estado, porque engloba, enfim, um leque gigantesco de questões muito complexas, e que deveriam ser resolvidas por um processo científico, matemático, devido tratar-se de uma luta contra o desperdício e a ineficiência, que é realmente enorme. Sabermos, concretamente, quantos médicos temos; quantas horas trabalham, incluindo horas extraordinárias, e quanto custam aos cofres do Estado.

Adalberto Campos Fernandes, médico e professor na Escola Superior da Saúde Pública, sobre a polémica alusiva ao “racionamento de medicamentos”, defende que estes assuntos deveriam “acontecer no meio científico, técnico e académico e não na praça pública”. Alerta ainda para o facto, que é preciso “que os critérios de selecção de medicamentos sejam equitativos e baseados na ciência, na evidência clínica em parceria com os médicos e não contra os médicos e contra os doentes”. A “Troika” sobre a dívida dos Hospitais, diz: “…é necessário estabelecer um calendário vinculativo para limpar todas as contas a pagar aos fornecedores nacionais e, controlar os compromissos para evitar o ressurgimento de contas em atraso. Fornecer uma descrição detalhada das medidas destinadas a alcançar uma redução de 200 milhões de euros nos custos operacionais dos hospitais em 2012”. O distinto Jurisconsulto Dr. António Arnaut, o “pai” do serviço Nacional de Saúde, defende que o sistema é sustentável e deixa um aviso ao Governo: “Se tentarem destruir o SNS, vai haver um levantamento popular”. Acrescentou ainda, “que hoje, a pressão dos lóbis, dos grupos económicos que exploram a saúde como um negócio, é mil vezes superior à que existia em 78” (…) e que “a luta pelo SNS continua porque vários governos de direita tentaram sabotar a aplicação da lei”, e que “Tardaram a regulamentá-la”.

Quase dois salários mínimos, que cabe a cada português, todos os anos, para garantir o financiamento e normal funcionamento dos serviços de Saúde, que o Estado português suporta. Portugal é o quinto país da União Europeia, que mais despesa faz. Gastou, o ano passado, 9763,5 milhões de euros com a Saúde (5,66% do Produto Interno Bruto) o que equivale a dizer que, por cada cem euros de riqueza criados pelos trabalhadores e empresas em Portugal, 5,66 euros foram gastos com o Serviço Nacional de Saúde e restantes organismos públicos ligados à área da Saúde. Se estas despesas fossem repartidas por todos os residentes, cada cidadão teria de desembolsar 917 euros por ano, para sustentar este sector, o que significariam 23 dias de trabalho. “Podemos gastar menos? A resposta é sim, porque sabemos que há desorganização, desperdício, má utilização dos serviços”, quem afirma é o professor da Faculdade de Economia da Universidade Nova Lisboa, Pedro Pita Barros. Ontem, o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) emitiu um parecer em que defende que o Ministério da Saúde “pode e deve racionar” o acesso a tratamentos mais caros para pessoas com cancro, Sida e doenças reumáticas.

Sobre as medidas da “Troika”, o Dr. Arnaut, (um "Irmão-Maçon" que sempre defendeu os direitos humanos), disse que: “tais medidas não afectam o SNS no seu modelo actual. A Troika impõe uma redução das despesas, mas isso pode fazer-se sem que haja perda de qualidade”!
BANGA

05/11/2012

ESTAREMOS NUM MUNDO DE FICÇÃO?

A sociedade mediática em que vivemos, leva-nos a admirar ou odiar personalidades a quem, de facto nunca falámos. Ocupam-nos mais que os nossos vizinhos e amigos. Hoje amamos e desprezamos à distância. O mundo da política foi desde cedo palco privilegiado para o clamor das multidões, biografias de heróis e narrativas de grandeza que ecoam pelos séculos. Por outro lado, a propaganda política tenta impor uma determinada visão do mundo e da sociedade sobre as pessoas; é a persuasão. O marketing procura primeiro saber o que as pessoas querem e depois oferece-lhes; é a reciprocidade. E na política isso significa que os eleitores tornam-se consumidores; e a mensagem, assim como os líderes são produtos que são moldados segundo o gosto, os desejos, e os interesses do mercado.
O mais ridículo é que estamos realmente convencidos que compreendemos perfeitamente essas figuras públicas, que sabemos mesmo o que pensam ou querem e partilhamos algumas dessas suas opiniões e raciocínios. Se pensarmos um pouco veremos que a única coisa que sabemos sobre eles, são os apontamentos dos jornais, só vislumbramos o que nos diz a televisão, só conjeturamos com opiniões de comentadores. Mas a verdade é que a sociedade mediática nunca deixa tempo para pensar sequer um pouco. Diria mesmo, que a própria lógica da comunicação gera mais ódios que admirações. Nós temos de ser claros a esse respeito: a resposta deve ser dada à imagem, e não ao homem, não é aquilo que está lá que conta, é aquilo que é projetado. As pessoas são impulsionadas pela lenda, e não pelo homem em si. É a aura (a fama, a aragem, celebridade) que envolve a figura carismática, mais do que a figura em si, que atrai os seus seguidores. Todos sabemos que os políticos só querem votos, os empresários são máquinas de fazer dinheiro, os artistas buscam fama e proveito. No fundo, vemo-los como caricaturas, personagens de pantomima. Temos consciência da nossa enorme complexidade e subtileza pessoais, da profundidade dos nossos motivos, anseios, desejos. Mas as figuras públicas, são autómatos boçais, sem qualquer imaginação ou iniciativa, predeterminados por um jogo bem conhecido. No entanto, ninguém parece dar-se conta da linearidade tola da nossa interpretação dessas e outras figuras.
Em vez de nos ocuparmos com assuntos ligados ao nosso bem-estar, ao ambiente, ao número de pessoas desempregadas, ao nosso futuro e ao futuro dos nossos filhos e netos, vivemos projetados num mundo longínquo e fictício, preocupados com coisas que de facto nunca nos chegarão a afetar. Sobre elas, o que sabemos não passa de enredos de cordel mentecaptos e fabulosos, criados por especialistas de marketing político. Estamos, cada vez mais, subjugados a essas personagens do faz-de-conta e entregues ao nosso destino. “Somos cada vez mais aquilo que queremos ver no mundo”. 
BANGA NINITO
 2012

ESCREVER….!


Seguramente, já ocorreu a muitas pessoas ao longo do tempo o seguinte pensamento: e se houver vida depois da morte, mas se Deus não existir? E se existir Deus, mas não existir vida depois da morte? É que, faz cá uma confusão, essa coisa de morrermos e “ressuscitarmos” lá no Além…Em que sítio? Aonde? E como é que nos vamos reconhecer, se tanto o nosso cérebro como os nossos olhos, ficam aqui na Terra depositados, juntamente com o nosso corpo em decomposição? E…essa história disparatada de Adão (no paraíso), ter sido condenado à morte por pecar, ele que foi criado livre na companhia da Eva. Mas, pecar com quem? E que espécie de transgressões cometeu, para vir a sofrer essa sentença hedionda? Só que me parece, que a sua morte deveria ter sido adiada, uma vez que ele conseguiu criar uma grande prole (descendência, filhos) antes de morrer realmente.

Proibir Adão de comer de uma árvore sob pena de morrer, e de outra sob pena de viver eternamente, é completamente absurdo e contraditório. É que somos forçados a imaginar, que existem escrituras alternativas, castigos alternativos e até eternidades alternativas. Em minha opinião, isso leva-me a pensar, que as pessoas podem não obedecer à Lei dos homens, se tiverem mais medo da vingança divina do que da morte horrível nesta vida. Bom!, de qualquer modo, as pessoas são sempre livres de criarem uma religião que lhes convêm, gratifique ou lisonjeie. E é desta forma, que se vão criando mitos, santos de pedra, de madeira, enfim, todo este arsenal de mentiras e falsidades, escondidos por trás de milagres inventados. Samuel Butler viria a adaptar esta ideia no seu “Erewhon Revisited”. No “Erewhon” original, o Senhor Higgs faz uma visita a um país remoto de onde acaba por fugir num balão. Ao regressar, duas décadas mais tarde, percebe que durante a sua ausência se transformou num deus chamado “Filho do Sol” e que é adorado no dia em que ascendeu ao céu. Dois sumos-sacerdotes estão preparados para celebrar a ascensão e quando Higgs ameaça denunciá-los e revelar-se como um mero mortal, é-lhe dito: “Não pode fazer isso, porque a moral deste país está ligada a este mito e se souberem que não ascendeu ao céu, tornar-se-ão todos uns incrédulos, uns grandes pecadores e maus”.

É disso que tenho medo…Que depois da morte, não exista mais nada!
BANGA NINITO
2012                                                            

18/10/2012

SERÁ QUE O MAL, SÓ ESTÁ NOS POLITICOS?


Portugal está desanimado e todos os lamentos indicam a causa: “os políticos, não prestam”! Quase se apalpa a desorientação e a falta de liderança. As declarações públicas, muito variáveis, incoerentes, partilham um elemento comum: ninguém faz ideia do rumo do país. Fala-se, propõe-se, estudam-se leis, orçamentos, denuncia-se e critica-se, mas não se apresenta um objetivo claro, transparente e uma forma realista de lá chegar. No entanto, temos de o dizer, os políticos atuais não são piores que os anteriores.

Do lado de cá, estamos nós: o Povo! Éramos tão fortes, não éramos? Somos todos invencíveis e melhores e vivemos cheios de nós e cheios dos outros. Somos sempre os que passam ao lado. Somos, assim uma espécie de “Treinadores de bancada”, que fazíamos sempre melhores, se estivéssemos do lado de lá. Somos sempre aqueles de quem se diz, o que é suposto sobre os outros dizermos. E, no entanto, em poucos segundos, as torres ruíram e atrás delas, mais do que o mundo, foi esta embrulhada da vida, que nos entrou pela porta dentro com um vento que pulverizou tudo à sua passagem. Quando acordámos havia luz – e a luz que havia - deixava-nos ver, com nitidez, escombros, miséria, bocados de sonhos desfeitos e um mundo estranhamente assustador e silencioso.

O problema mais grave do país está no confronto entre contribuintes e grupos de interesse. Infelizmente essas duas forças diluem-se na sociedade, não são bem definidas e, em certa medida, coincidem. Mas através do Orçamento de Estado metade do produto nacional é retirado a uns para ser dado a outros. Esta redistribuição, em geral necessária, passou a incluir grandes desvios para atividades fúteis ou até nocivas. Burocracias, subsídios, aquisição de submarinos, carros de combate e viaturas “top-gama”, bloqueios, estudos técnicos, funcionários inúteis, inspetores e gestores fanáticos, professores sem aulas, planos tecnológicos, etc.

Num universo onde tudo muda, e onde mudar parece ser o “verbo-de-encher” para o sucesso, será que o mal, só está nos políticos? Estamos um bocado mais velhos, no que pode ter de bom e de mau. Sabemos mais. Achamos agora que, afinal, sabemos cada vez menos em face do que fica por saber. Portanto, nem tudo muda. Nem todas as revoluções abafam as coisas simples. Nem torres, nem guerras, nem tecnologias, matam a origem das coisas: o coração, o talento, a sensibilidade, a inteligência, a alma, o sonho, a criação. Para que a vida tenha mais sentido, quando todos os sentidos se invertem e não há lógica nas notícias das Televisões e jornais, nas notícias da vida, há que termos forças, coragem, e acima de tudo esperanças, para pudermos face a este “turbilhão” de mutações progressivas, produzido por este nosso mundo, crescentemente complexo.

BANGA NINITO

2012

10/10/2012

MAS…TEMOS MEDO DE QUÊ? E DE QUEM?

Com a finalidade de defender os mais pobres, os mais explorados, e puder, enfim, dar "voz pública ás minorias", aqui estou, uma vez mais, a escrever um texto, destinado à página de "Opinião", do Blogue: "Luanda Tropical". É deveras revoltante, o que estes senhores do governo estão a fazer, contra a classe pobre e desempregada deste país. Não se admite!

Mas afinal, o que se passa na Europa, mais concretamente com Portugal? Que espécie de “União"...Europeia é essa? Mas, o que quer dizer “União”? Suponho, que seja o acto ou efeito de “unir”. É uma ligação amigável de entreajuda, ou um “ajuntamento”, através de uma conformidade de esforços e de pensamentos; uma “harmonia” sã, etc. Mas, infelizmente, não é o que está acontecer na Europa e, muito menos connosco. Por cá, pelos vistos, estava e está tudo mal! Estamos todos a ser classificados como uma “cambada” de incompetentes, uns “borra-botas”, despesistas, “verbos de encher” e, acima de tudo, uns trapaceiros, burlões e “caloteiros”! Desde que a “Troika” tomou o poder e se viu amparada, apadrinhada, por um “leque” de lambe-botas subservientes, “arreganhou a taxa” e…toca ordenar contra tudo e contra todos, tomando as rédeas do poder, do direito de agirmos, de decidirmos e de mandar. Mais: tomou de assalto as nossas casas, os nossos terrenos, os Poderes Públicos desta República, legislativos, executivo e judiciário. Actualmente, são o nosso governo! São eles, os nossos “patrões”! Por essa razão, é que Portugal está entre os países europeus onde são mais acentuadas as desigualdades sociais. E a punição desta miséria é o pobre trabalhador, caído, marginalizado, vergado pelo pagamento de impostos, amedrontado com o dia de amanhã, a correr do bocejo doméstico para o antro, onde se envergonha de si mesmo.

Meus Senhores: somos dez milhões! Temos medo de quê? De quem? Onde estão os nossos Heróis, estes destemidos Portugueses de raça, Combatentes afoitos e aguerridos, “…Que da ocidental praia lusitana, / Por mares nunca dantes navegados, / Passaram ainda além da Taprobana, / E em perigos e guerras esforçados / Mais do que prometia a força humana, / E entre gente remota edificaram / Novo Reino, que tanto sublimaram”? Onde estão esses nossos Mártires Paladinos Defensores? Será que os políticos nos dividiram, para puderem reinarem à vontade, sob o manto lustroso destes Nazistas?

O antigo afecto que nos Uniu e Une, é uma troca de sinais de respeito mútuo. Nunca falhámos um ao outro. Onde permanecia um português, estava sempre presente um lutador, um guerreiro…um Irmão! Porém, nesta revolução de injustiças, nesta “roubalheira” sem fim à vista, embelezada por uma democracia já frágil e doente, vai tendo um mérito: coar o orgulho de se transportar um valor moral. Apunhalaram a ética, pelas costas. Uma violenta selecção que alteia a fronte dos que se condenam a ser livres, carregando a palidez dos moluscos protegidos pelo lodo. Por entre esta corja de agiotas, escórias do oportunismo revolucionário, os germes perfeccionistas da convulsão formam um território moral e estético e inviolável. Aqui estão eles, permanentes, a violarem os nossos direitos e a nossa Constituição da República, guardados por esta cáfila de cobardes e pedintes.

Até quando?

BANGA

2012
                                                                                

04/10/2012

QUEM SUBSTITUI O PROCURADOR GERAL DA REPÚBLICA?


O Procurador-Geral da República (PGR), Dr. Juiz Pinto Monteiro, acaba o seu mandato dia 9 de Outubro. A lei diz, que a nomeação e a exoneração do PGR são responsabilidade de Belém, mas a proposta tem de partir sempre do Governo. Executivo esse, como é do conhecimento público, formado atualmente pela coligação PSD/CDS-PP. O mandato que o Dr. Pinto Monteiro agora termina, foi marcado por fortes tensões entre o atual Procurador e o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (MP). É natural! Uma sociedade que vive para lá da tradição e da natureza, como sucede em quase todos os países ocidentais de hoje, exige que sejam tomadas decisões, tanto na vida corrente como em todos os outros domínios. Assim, pelo facto e pelas divergências que ultimamente se tem vindo a registar, tanto no que concerne ao elenco governativo, como na área da justiça, é complicado encontrar um nome de consenso, que agrade ao Sr. Presidente da República, bem como à coligação, à oposição e ao Sindicato.

Segundo fontes contactadas pelo “Diário de Notícias”, o PR Cavaco Silva “estará a ponderar sobre nomes que não foram incluídos na lista apresentada pelo gabinete do Primeiro-Ministro”. No entanto, já há célebres candidatos apontados, para o cargo em questão, tais como: Drª. Joana Marques Vidal, Procuradora-Geral-Adjunta; Dr. João Correia, Advogado e ex-membro do Conselho Superior do MP; Dr. Henrique Gaspar, Juiz Conselheiro e Vice-Presidente do Supremo Tribunal de Justiça; o egrégio Dr. Braga Temido, Magistrado do MP; e, finalmente o ilustre Dr. Euclides Dâmaso Simões, Magistrado do MP, ex-Diretor da Diretoria de Coimbra da distinta Policia Judiciária e a dirigir hoje, a Procuradoria-Geral Distrital de Coimbra. São estas notáveis personalidades, que compõem o leque de opções a ter em conta, para a nomeação do futuro Superior Hierárquico deste importante Órgão Judiciário.

O futuro é como a esperança, deve lutar-se por ele, construi-lo dia-a-dia com esforço, decisão e constância. Todos temos uma visão pessoal do mundo e dos seres que o habitam. Grande parte de nós, através de um compromisso pessoal, vocacional ou adquirido, quer contribuir para o fazer melhor. Ou seja, todos procuramos encontrar alguém, que se empenhe muito mais, em torná-lo num mundo mais equitativo e justo; que enfrente aqueles que querem tornar mais profundo o fosso entre os poderosos e os mais fracos, pondo a Justiça, acima de tudo e ao serviço de toda a Comunidade. Atuar por vocação, disciplina e instrução, é dever incondicional para o exercício do mencionado cargo.

Ainda se critica que, as novas gerações de Magistrados ingressem na carreira por “tradição familiar” e não por vocação ou simplesmente “pela necessidade” de ter um trabalho, mas, salvo melhor opinião, julgo que tais comentários opinativos, estão ultrapassados. Não concebo a profissão de Juiz, senão como expressão de uma vocação. Aprendi a conhecê-la, depois de ter tido colaborado na Polícia Judiciária, sob a direção de dois dos, agora, putativos candidatos a PGR, na circunstância Dr. Temido Braga e Dr. Euclides Dâmaso Simões. Magistrados competentes, coerentes, inteligentes e humanos, que sempre lutaram por um mundo melhor, com menos desigualdades sociais, pela impunidade dos delitos, os quais fossem sempre abnegados, nem que os poderosos e o próprio Estado pudessem voltear a lei para os seus próprios fins. Verdadeiros defensores dos direitos dos cidadãos, que sempre exerceram, e exercem, com honra e dignidade, os altos cargos de responsabilidade, para os quais foram nomeados.

CRUZ DOS SANTOS

2012

01/10/2012

ESTA POLÉMICA, NEM ATA…NEM DESATA!



A política mudou. A sociedade mudou. E os políticos ainda não se deram bem conta. Ou antes, deram, mas querem manter as regras e os costumes a que estão habituados. As “brumas da memória”, impendem-nos de compreender como é que vivem milhares de portugueses. Ou de medir as consequências dramáticas, que todos eles nos deixaram como herança. O Povo, sente-se desconsolado, desgostoso e enganado. Alegam que “são todos iguais” e que há, cada vez mais, “galifões” com sede e ganância do poder. Os portugueses, sentem-se prostrados, por não verem uma solução credível, e de não haver ninguém responsável, no sentido de a encontrar.

Nesta ridícula querela (acusações, denúncias) destas ocorrências, o que é confrangedor é a dimensão que certos estadistas, astutos, usam, para esconder a verdade histórica, ocultando as realidades, através de uma filosofia demagógica e já gasta, no sentido de favorecer as paixões populares, mas…obscurecendo a razão crítica, fazendo de contas que tudo vai bem e que a culpa é sempre dos anteriores governos. Os protestos portugueses, são resultado de uma espécie de lamúria de fidalguia arruinada, que já não tem motivos para se fazer respeitar e, por isso, transforma os preconceitos em princípios. Uma coisa é certa: “Esta polémica, nem ata…nem desata”! Vivemos (todos), sob o manto da austeridade, "espicaçados" pela Troika e por este desastroso défice, convencidos de que a orientação das políticas económicas e orçamental não nos conseguem levar a “bom porto”! Vivemos num país, em que as pessoas, apesar de revoltadas com tudo isso, olham para as alternativas políticas e vêem “zero”, mais do que económica e financeiramente, é um país moral, cívico e politicamente falido! Quem pensa e age fora da “máquina da situação”, não sendo também um “bolchevique” raivoso, não tem espaço e é, muitas vezes, censurado. Trinta e oito anos depois, a “ditadura” mantém-se, sob a máscara da democracia e da liberdade. Essa é que é essa!

Mais palavras para quê?

Cruz dos Santos

O ESTADO E O “RACIONAMENTO” NA SAÚDE!

O Ministério da Saúde e os SNS, é dos ministérios e sectores mais problemáticos do país, com um défice crónico, e que contribui grandemente para o estado a que chegaram as contas do Estado, porque engloba, enfim, um leque gigantesco de questões muito complexas, e que deveriam ser resolvidas por um processo científico, matemático, devido tratar-se de uma luta contra o desperdício e a ineficiência, que é realmente enorme. Sabermos, concretamente, quantos médicos temos; quantas horas trabalham, incluindo horas extraordinárias, e quanto custam aos cofres do Estado.

Adalberto Campos Fernandes, médico e professor na Escola Superior da Saúde Pública, sobre a polémica alusiva ao “racionamento de medicamentos”, defende que estes assuntos deveriam “acontecer no meio científico, técnico e académico e não na praça pública”. Alerta ainda para o facto, que é preciso “que os critérios de selecção de medicamentos sejam equitativos e baseados na ciência, na evidência clínica em parceria com os médicos e não contra os médicos e contra os doentes”. A “Troika” sobre a dívida dos Hospitais, diz: “…é necessário estabelecer um calendário vinculativo para limpar todas as contas a pagar aos fornecedores nacionais e, controlar os compromissos para evitar o ressurgimento de contas em atraso. Fornecer uma descrição detalhada das medidas destinadas a alcançar uma redução de 200 milhões de euros nos custos operacionais dos hospitais em 2012”. O distinto Jurisconsulto Dr. António Arnaut, o “pai” do serviço Nacional de Saúde, defende que o sistema é sustentável e deixa um aviso ao Governo: “Se tentarem destruir o SNS, vai haver um levantamento popular”. Acrescentou ainda, “que hoje, a pressão dos lóbis, dos grupos económicos que exploram a saúde como um negócio, é mil vezes superior à que existia em 78” (…) e que “a luta pelo SNS continua porque vários governos de direita tentaram sabotar a aplicação da lei”, e que “Tardaram a regulamentá-la”.

Quase dois salários mínimos, que cabe a cada português, todos os anos, para garantir o financiamento e normal funcionamento dos serviços de Saúde, que o Estado português suporta. Portugal é o quinto país da União Europeia, que mais despesa faz. Gastou, o ano passado, 9763,5 milhões de euros com a Saúde (5,66% do Produto Interno Bruto) o que equivale a dizer que, por cada cem euros de riqueza criados pelos trabalhadores e empresas em Portugal, 5,66 euros foram gastos com o Serviço Nacional de Saúde e restantes organismos públicos ligados à área da Saúde. Se estas despesas fossem repartidas por todos os residentes, cada cidadão teria de desembolsar 917 euros por ano, para sustentar este sector, o que significariam 23 dias de trabalho. “Podemos gastar menos? A resposta é sim, porque sabemos que há desorganização, desperdício, má utilização dos serviços”, quem afirma é o professor da Faculdade de Economia da Universidade Nova Lisboa, Pedro Pita Barros. Ontem, o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) emitiu um parecer em que defende que o Ministério da Saúde “pode e deve racionar” o acesso a tratamentos mais caros para pessoas com cancro, Sida e doenças reumáticas.

Sobre as medidas da “Troika”, o Dr. Arnaut, (um "Irmão-Maçon" que sempre defendeu os direitos humanos), disse que: “tais medidas não afectam o SNS no seu modelo actual. A Troika impõe uma redução das despesas, mas isso pode fazer-se sem que haja perda de qualidade”!

Banga Ninito

25/09/2012

“ELES COMEM TUDO E...NÃO DEIXAM NADA”!

 
“…São os mordomos do Universo todo / Senhores à força Mandadores sem lei / Enchem as tulhas Bebem vinho novo / Dançam a roda no quintal do rei”…assim cantava Zeca Afonso!

Que homens são estes? Déspotas? Exploradores? Lacaios do FMI? “FMI…não há truque que não lucre ao FMI. / FMI, não há graça que não faça o FMI. / FMI, o Bombástico de plástico para si. / FMI, não há força que reforça o FMI”! “Acordai” soberanos do poder, que o POVO está na rua.

“Passar fome, não é um dever Constitucional”, disse o distinto Prof. Adriano Moreira. “O grande problema é o problema da legitimidade moral, política, e essa só existe se houver uma distribuição tendencialmente equitativa dos sacrifícios”, quem proferiu isso foi Paulo Rangel, o euro deputado do PSD.

Falta de fiscalização, falta de equidade, transparência nas contas, fuga de impostos, falta de auditorias em Empresas, Autarquias, Clubes de futebol, ginásios, e outras investigações sob a Direcção dos nossos Procuradores da República, DCIAP/DIAP, Brigada Especial da Polícia Judiciária, Agentes Especiais do Ministério das Finanças e outras Autoridades. Dou, como exemplo, esta notícia: “O Fisco Britânico, vai inspeccionar cerca de 200 mil contribuintes, cujos bens superem os 1,25 milhões de Euros. O anúncio foi feito, pelo Secretário de Estado do Tesouro do Reino Unido, Danny Alexander. Assim, foi criada uma unidade especial das Finanças britânicas, integrada por 300 Inspectores, que vai estar encarregada de vigiar estreitamente os mais de cerca de 400 mil residentes com propriedades e bens valorizados em mais de 3,12 milhões de Euros. Segundo Danny Alexander, a este número vão juntar outros 200 mil contribuintes para se certificar que pagam todos os impostos correspondentes à sua riqueza”. Ora aqui está meus Senhores, uma medida exemplar, salvo melhor opinião, que o Sr. Primeiro-Ministro deveria de imediato a aplicar, uma vez que há muitos “Lordes” (comendadores, dirigentes e comentadores políticos, desportivos, gestores, autarcas, jogadores de futebol, etc) que amealharam (e ganham) milhões em anos do “Boom Económico”. Consequentemente, era mais do que justo, que agora paguem o que devem ao Estado, para não serem sempre os mesmos a pagarem. Porque é de uma injustiça tremenda, de uma violência jamais registada, que haja grandes accionistas a beneficiarem de isenções e a desviarem o dinheiro para as “Offshores” ou para países de taxas reduzidas, e hajam centenas de milhares de portugueses a sobreviverem com salários de miséria, a sofrerem na carne, “cortes constantes” nos seus parcos recursos financeiros.

Este Executivo, “não tem um programa, tem uma agenda ideológica para cumprir e tudo fará para isso: não governa o País, cuida dos números dos credores”.
CRUZ DOS SANTOS

NÓS E A MANIA DAS GRANDEZAS!


Andamos “Tesos”, porque tivemos sempre a “mania das grandezas e das fachadas”! É natural que, em obras como as realizadas no Alqueva, Centro Cultural de Belém, sede da Caixa Geral de Depósitos, com a “Expo”, auto-estradas (por todo o país), pontes, Organismos Públicos, campos de futebol, aquisição de material de guerra, incluindo carros de combate, submarinos e outros “colossais” empreendimentos, adquiriram uma dimensão apocalíptica, aos olhos de toda a Europa. Nunca se viu tanto desperdício! Precipitação, falta de planeamento, caprichos políticos, mania das grandezas e “mitologia nacional” são traços comuns a estes “grandes projetos”, que fizeram as “delícias” dos interesses económicos e tiverem o condão de “entontecer” o poder político. Como é óbvio, os custos, para o contribuinte, foram e continuam a sê-lo enormíssimos (porque há obras dessas que continuam), mesmo se os Governos e os promotores dessas obras persistirem em afirmar, que tudo será pago com “receitas próprias”. Parte dos custos de alguns desses empreendimentos, foi e ainda deve ser, habilmente transferida para o contribuinte, nomeadamente para as tais chamadas “obras colaterais”, tais como as efetuadas com a ponte sobre o Tejo, os acessos rodoviários, o alongamento, ou seja, o estender do metropolitano, o caminho de ferro, a “Gare do Oriente”, o saneamento básico, a deslocação dos petróleos e do gás nas refinarias de Sines, os transportes urbanos, os telefones e a eletrificação, quase tudo a cargo de empresas públicas. Outros custos de “viabilização económica”, que foram sempre suportados pelo contribuinte, seja por intermédio de “impostos excecionais de mais-valias” ou pela especulação fundiária, etc., tudo isso se tornou num “oceano” de despesas (custos e atrasos), que vieram sempre estimular a curiosidade da imprensa e do público.

Qual a razão, de termos cada vez mais a impressão de vivermos apanhados no seio de um poder fatal, “mundializado”, “globalizado”, tão poderoso que seria inútil pô-lo em causa, fútil analisá-lo, absurdo opor-se-lhe e delirante simplesmente sonhar em libertar-se de uma tal omnipotência que se diz confundir-se com a História?

Viviane Forrester, romancista e ensaísta francesa, crítica do jornal “Le Monde” e membro do júri do prémio literário Feminino, diz isto: “Não vivemos sob o domínio da globalização, mas sim sob o jugo de um regime político único e planetário, inconfessado – o ultraliberalismo, que gere a globalização e se aproveita dela, em detrimento da grande maioria dos cidadãos. Esta ditadura sem ditador não aspira a conquistar o poder, mas sim a dispor de todo o poder sobre aqueles que efetivamente o detêm”.

Mais palavras para quê?

CRUZ DOS SANTOS

11/09/2012

CARTA AO PRIMEIRO-MINISTRO DE PORTUGAL

O texto que publico na íntegra é do escritor e ensaísta Eugénio Lisboa. Os sublinhados são da minha responsabilidade.
O autor foi presidente da Comissão Nacional da UNESCO / conselheiro Cultural da Embaixada de Portugal em Londres entre 1978-1995 / professor catedrático especial de Estudos Portugueses na Universidade de Nottingham / professor catedrático visitante da Universidade de Aveiro / e coordenador do ensino da língua portuguesa na Suécia. É Doutor Honoris Causa pelas universidades de Nottingham e Aveiro. A Câmara de Cascais outorgou-lhe a medalha de Mérito Cultural.
Em Moçambique foi sucessivamente administrador e director das petrolíferas SONAPMOC, SONAREP e TOTAL.


Exmo. Senhor Primeiro Ministro

Hesitei muito em dirigir-lhe estas palavras, que mais não dão do que uma pálida ideia da onda de indignação que varre o país, de norte a sul, e de leste a oeste. Além do mais, não é meu costume nem vocação escrever coisas de cariz político, mais me inclinando para o pelouro cultural. Mas há momentos em que, mesmo que não vamos nós ao encontro da política, vem ela, irresistivelmente, ao nosso encontro. E, então, não há que fugir-lhe.

Para ser inteiramente franco, escrevo-lhe, não tanto por acreditar que vá ter em V. Exa. qualquer efeito —
todo o vosso comportamento, neste primeiro ano de governo, traindo, inescrupulosamente, todas as promessas feitas em campanha eleitoral, não convida à esperança numa reviravolta! — mas, antes, para ficar de bem com a minha consciência. Tenho 82 anos e pouco me restará de vida, o que significa que, a mim, já pouco mal poderá infligir V. Exa. e o algum que me inflija será sempre de curta duração. É aquilo a que costumo chamar “as vantagens do túmulo” ou, se preferir, a coragem que dá a proximidade do túmulo. Tanto o que me dê como o que me tire será sempre de curta duração. Não será, pois, de mim que falo, mesmo quando use, na frase, o “odioso eu”, a que aludia Pascal.

Mas tenho, como disse, 82 anos e, portanto, uma alongada e bem vivida experiência da velhice — a minha e da dos meus amigos e familiares. A velhice é um pouco — ou é muito – a experiência de uma contínua e ininterrupta perda de poderes. “Desistir é a derradeira tragédia”, disse um escritor pouco conhecido. Desistir é aquilo que vão fazendo, sem cessar, os que envelhecem. Desistir, palavra horrível. Estamos no verão, no momento em que escrevo isto, e acorrem-me as palavras tremendas de um grande poeta inglês do século XX (Eliot): “Um velho, num mês de secura”... A velhice, encarquilhando-se, no meio da desolação e da secura. É para isto que servem os poetas: para encontrarem, em poucas palavras, a medalha eficaz e definitiva para uma situação, uma visão, uma emoção ou uma ideia.

A velhice, Senhor Primeiro Ministro, é, com as dores que arrasta — as físicas, as emotivas e as morais — um período bem difícil de atravessar. Já alguém a definiu como o departamento dos doentes externos do Purgatório. E uma grande contista da Nova Zelândia, que dava pelo nome de Katherine Mansfield, com a afinada sensibilidade e sabedoria da vida, de que V. Exa. e o seu governo parecem ter défice, observou, num dos contos singulares do seu belíssimo livro intitulado The Garden Party: “O velho Sr. Neave achava-se demasiado velho para a primavera.” Ser velho é também isto: acharmos que a primavera já não é para nós, que não temos direito a ela, que estamos a mais, dentro dela... Já foi nossa, já, de certo modo, nos definiu. Hoje, não. Hoje, sentimos que já não interessamos, que, até, incomodamos.
Todo o discurso político de V. Exas., os do governo, todas as vossas decisões apontam na mesma direcção: mandar-nos para o cimo da montanha, embrulhados em metade de uma velha manta, à espera de que o urso lendário (ou o frio) venha tomar conta de nós. Cortam-nos tudo, o conforto, o direito de nos sentirmos, não digo amados (seria muito), mas, de algum modo, utilizáveis: sempre temos umas pitadas de sabedoria caseira a propiciar aos mais estouvados e impulsivos da nova casta que nos assola. Mas não. Pessoas, como eu, estiveram, até depois dos 65 anos, sem gastar um tostão ao Estado, com a sua saúde ou com a falta dela. Sempre, no entanto, descontando uma fatia pesada do seu salário, para uma ADSE, que talvez nos fosse útil, num período de necessidade, que se foi desejando longínquo. Chegado, já sobre o tarde, o momento de alguma necessidade, tudo nos é retirado, sem uma atenção, pequena que fosse, ao contrato anteriormente firmado. É quando mais necessitamos, para lutar contra a doença, contra a dor e contra o isolamento gradativamente crescente, que nos constituímos em alvo favorito do tiroteio fiscal: subsídios (que não passavam de uma forma de disfarçar a incompetência salarial), comparticipações nos custos da saúde, actualizações salariais — tudo pela borda fora. Incluindo, também, esse papel embaraçoso que é a Constituição, particularmente odiada por estes novos fundibulários. O que é preciso é salvar os ricos, os bancos, que andaram a brincar à Dona Branca com o nosso dinheiro e as empresas de tubarões, que enriquecem sem arriscar um cabelo, em simbiose sinistra com um Estado que dá o que não é dele e paga o que diz não ter, para que eles enriqueçam mais, passando a fruir o que também não é deles, porque até é nosso.

Já alguém, aludindo à mesma falta de sensibilidade de que V. Exa. dá provas, em relação à velhice e aos seus poderes decrescentes e mal apoiados, sugeriu, com humor ferino, que se atirassem os velhos e os reformados para asilos desguarnecidos, situados, de preferência, em andares altos de prédios muito altos: de um 14º andar, explicava, a desolação que se comtempla até passa por paisagem. V. Exa. e os do seu governo exibem uma sensibilidade muito, mas mesmo muito, neste gosto.
V. Exas. transformam a velhice num crime punível pela medida grande. As políticas radicais de V. Exa, e do seu robôtico Ministro das Finanças — sim, porque a Troika informou que as políticas são vossas e não deles... — têm levado a isto: a uma total anestesia das antenas sociais ou simplesmente humanas, que caracterizam aqueles grandes políticos e estadistas que a História não confina a míseras notas de pé de página.

Falei da velhice porque é o pelouro que, de momento, tenho mais à mão.
 Mas o sofrimento devastador, que o fundamentalismo ideológico de V. Exa. está desencadear pelo país fora, afecta muito mais do que a fatia dos velhos e reformados. Jovens sem emprego e sem futuro à vista, homens e mulheres de todas as idades e de todos os caminhos da vida — tudo é queimado no altar ideológico onde arde a chama de um dogma cego à fria realidade dos factos e dos resultados. Dizia Joan Ruddock não acreditar que radicalismo e bom senso fossem incompatíveis. V. Exa. e o seu governo provam que o são: não há forma de conviverem pacificamente. Nisto, estou muito de acordo com a sensatez do antigo ministro conservador inglês, Francis Pym, que teve a ousadia de avisar a Primeira Ministra Margaret Thatcher (uma expoente do extremismo neoliberal), nestes termos: “Extremismo e conservantismo são termos contraditórios”. Pym pagou, é claro, a factura: se a memória me não engana, foi o primeiro membro do primeiro governo de Thatcher a ser despedido, sem apelo nem agravo. A “conservadora” Margaret Thatcher — como o “conservador” Passos Coelho — quis misturar água com azeite, isto é, conservantismo e extremismo. Claro que não dá.

Alguém observava que os americanos ficavam muito admirados quando se sabiam odiados.
É possível que, no governo e no partido a que V. Exa. preside, a maior parte dos seus constituintes não se aperceba bem (ou, apercebendo-se, não compreenda), de que lavra, no país, um grande incêndio de ressentimento e ódio. Darei a V. Exa. — e com isto termino — uma pista para um bom entendimento do que se está a passar. Atribuíram-se ao Papa Gregório VII estas palavras: “Eu amei a justiça e odiei a iniquidade: por isso, morro no exílio.” Uma grande parte da população portuguesa, hoje, sente-se exilada no seu próprio país, pelo delito de pedir mais justiça e mais equidade. Tanto uma como outra se fazem, cada dia, mais invisíveis. Há nisto, é claro, um perigo.


De V. Exa., atentamente,

Eugénio Lisboa



12/08/2012

MAS QUE ( DES ) GOVERNO!



Com o devido respeito, não pretendo, neste meu pequeno texto, fazer um balanço dos Governos constitucionais deste regime. Mas, sinceramente, este Governo deve ser, provavelmente, o pior de todos. Com apenas um ano de vida, exibe já uma saúde decrépita, uma incoerência e sensibilidade inadmissível, jamais registada nos anais da nossa História. Parece chegar ao fim, antes mesmo de ter começado. Anda a pequenos “passos”, sem saber onde se encostar. Rente às paredes, parece abrigar-se, mesmo quando não chove e quando decide mostrar energia, apenas revela estridência artificial, fraqueza, desentendimentos.

Recordam-se daquele debate televisivo, entre o dr. Passos Coelho, num frente-a-frente, com o engº. Sócrates, na RTP1, em 20/5-2011? Quando Passos Coelho, disse: (passo a citar): “-…O engº. Sócrates é o primeiro-ministro da área Socialista, que mais maldades e mal feitorias fez ao Estado Social (…) cortou salários na função pública (…) reduziu as prestações sociais e levou os custos de acesso à saúde; diminuiu as comparticipações nos medicamentos e acabou com muitos milhares de abonos de família. O Senhor, que tem vindo por razão de insustentabilidade das finanças públicas, a colocar em causa, a sustentabilidade do Estado Social, vem agora dizer ao País: Se Isto está mal, é por causa da crise internacional e que não tem culpas? Sr. Engº. Sócrates, se o Estado Social está mal tratado e, o sinal da falência que o Senhor seguiu, está nos 700.000 desempregados…historicamente mais elevado e com o Estado Social, menos presente para apoiar as pessoas, depois de me responder a esta questão…nós podemos falar da divisão Constitucional!”

Pois é, Sr. dr. Passos Coelho, “cá se fazem, cá se pagam”! Já agora diga-nos, o que é que o Senhor tem feito pelo Estado Social? E pelo desemprego? Olhe: aumentou a intranquilidade dos Cidadãos relativamente às doenças, à protecção da saúde pública, à defesa do consumidor e aos direitos dos utentes dos serviços públicos. Deixou crescer o desespero de todos, perante a incapacidade de organização do sistema de saúde, a desordem hospitalar, as filas de espera e a desumanidade dos serviços. Olhe, Sr. Primeiro-Ministro: Oiça os Srs. Juízes e a Ordem dos Advogados! Oiça os Médicos! Oiça os Enfermeiros, que estão a ser tratados como lacaios! Oiça os nossos Professores! Oiça os Agentes da PSP e da GNR! Oiça os Pensionistas e os Funcionários Públicos, que ficaram, inconstitucionalmente, sem os seus Subsídios de férias e de Natal! Oiça o Povo! O catálogo poderia continuar. Mas corre-se o risco de fadiga depressiva. Verdade é que nem sequer uns arremedos de energia, talvez na Justiça, quem sabe se na Segurança Social, eventualmente no ambiente, conseguem equilibrar um quadro tétrico de imperícia. A ponto de ser difícil definir, em poucas palavras, o seu principal defeito. Será a descrença? Já agora, oiça os Militantes do PSD e do CDS e vai ver a surpresa que irá ter. Vocês, não sabem governar. Julgam que a gestão substitui a direcção. Souberam chegar lá, não são capazes de agir e reformar. Gostam de estar, não sabem ser! DEMITAM-SE!

BANGA NINITO

2012