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24/05/2013

ESTAMOS NUM BECO, À PROCURA DE UMA SAIDA!


O Sociólogo britânico Anthony Giddens alertou, para o aumento do populismo e do extremismo que minam as democracias a nível global. “Nunca encontrei o Mundo tão opaco como hoje”, disse. O também antigo director da “London School of Economics” (LSE) referiu que nem os Economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI), sabem o que vai acontecer no “mundo económico”, devido às transformações observadas a nível global que influenciam a vida dos cidadãos. A Alemanha está a ganhar muito, por estar no euro” (…), e que não vai perder se aceitar uma forma de parceria, entre os países (…), porque nós sabemos que são necessários investimento e emprego e isso não vai ser possível com essa austeridade”, disse à Agência Lusa.

Mas…o que está acontecer na economia, também está acontecer na democracia. Estamos a entrar numa fase muito complexa e, simultaneamente, conflituosa. O nosso País está a suportar, assim e inconscientemente, a acção de um sistema político-partidário fechado sobre si mesmo, com reduzida qualidade, intencionalmente “armadilhado” de burocracia e corrupção, sem qualquer capacidade para promover a sua reforma e combate judicial rigoroso. Estamos num“beco” e procuramos uma “saída”. No entanto, assistimos, impávidos e serenos, a todo este desenvolvimento descontrolado de uma nova e muito diferente crise, incluindo a crise de valores éticos, que está a atingir dimensões assustadoras, sem que as instituições políticas e religiosas, revelem qualquer discernimento e capacidade de intervenção.

Quanto à “Aprovação da sétima avaliação da Troika”, o Sr. Presidente da República Dr. Cavaco Silva, declarou num tom descontrolado, para surpresa de todos, que “foi uma inspiração de Nossa Senhora de Fátima”. Valha-nos a Nossa Senhora dos Aflitos!

Sabe porventura Sr. Presidente, o que quer a maioria dos Portugueses? É que a“Troika”, vá á…”BardaMerkel”!

Cruz dos Santos

2013

06/05/2013

TOMEM LÁ MAIS UMA DOSE DE AUSTERIDADE!


A catástrofe há tanto tempo anunciada, está aí! E com consequências impensáveis. Este governo é uma lástima e os seus mandantes uma tragédia"! Meus Senhores: Portugal vive desesperado e os Portugueses não aguentam mais. Estão a atravessar momentos dramáticos, acreditem! Aumenta o número de pessoas, que recorrem aos "bancos alimentares", não só aquelas que se encontram no desemprego, como aquelas outras, que não ganham o suficiente para fazer face ao elevado custo de vida, onde os preços dos bens essenciais continuam a subir e os rendimentos a baixar. Onde as rendas de casa e os preços da energia, têm vindo a aumentar, desmesuradamente, em benefício dos senhorios e capitalistas.
Onde os mais pobres são obrigados a optar entre manterem um teto ou passarem fome. Entretanto, a quantidade de portugueses a saírem de Portugal, nestes últimos anos, atingiu números próximos da emigração maciça dos anos 60 e 70. Os nossos cérebros jovens, estão a deixar-nos Sós. Uma loucura!

É que não aguentam mais essa desconsideração. Essa falta de respeito pelos Cidadãos, que pagam, COM MUITO SACRIFICIO, os seus impostos! Quase todos os dias, são anunciadas medidas de austeridade assustadoras. Aclamadas, umas vezes, pelo Sr. Ministro das Finanças; outras, contrariadas pelo Sr. Ministro da Economia, que por sua vez, são impugnadas ou contraditadas pelo Sr. Primeiro Ministro. Pode-se até considerar que existe, nessas incoerências ou contradições, um circuito ligado aos interesses do capitalismo: o poder político dos países mais fortes, cumprindo as orientações do capital financeiro instalado nos seus países, que impõem as regras dessa mesma "selvática" austeridade, para um desmesurado empobrecimento a Portugal, que terá de pagar com despedimentos, destruição do tecido produtivo, liquidação dos apoios sociais, etc..
 
Consequentemente, uma luta difícil! Mesmo muito difícil, se tivermos em conta os muitos e fortes obstáculos que se colocam aos trabalhadores e ao povo: as chantagens, as ameaças, represálias; o uso e abuso do poder, para impor medidas antidemocráticas e antipopulares; a intensa ofensiva ideológica veiculada pelos media dominantes, espalhando o medo, a resignação, a passividade, o conformismo, apresentando como "inevitabilidade" a austeridade, os roubos nos salários e reformas, o desemprego e a exploração brutal, menorizando a importância da Luta organizada do povo.
 
Uma Luta difícil, sem dúvida, mas, sem dúvida, para vencer!

C. S.

2013

22/04/2013

A“UNIÃO EUROPEIA”, O DESEMPREGO E A POBREZA!


A Europa não é uma questão ideológica, é uma aposta de sobrevivência. É o “venha a nós o vosso reino”! Meus Senhores: quando é que nos convencemos, que os Alemães querem vender os seus carros? E a França os seus “TGV’s”, ou alguma central nuclear? Quando é que nos “entra na cabeça”, que não passamos de meros peões ou de simples “lacaios” da “Troika”? É verdade que cada país tem a sua cultura “económico política” e que cada um pode sentir-se pressionado pelos outros. Mas é possível convencer os outros Estados derrubar, sem medo, certas manobras ideológicas, face a esta terrível crise da zona euro? Uma coisa é certa: o desastre atual, criado pelo desaparecimento do emprego, é dramático e é tempo de pormos cobro a essa carência tão desesperante, obstando aos acontecimentos, que daí possam resultar. 

O desespero dos desempregados é certo e imediato, como é o das crianças que sofrem com eles, ainda que não entrem nas estatísticas. E seria cegueira, não ver até que ponto os desempregados e a consequente pobreza são tomados como reféns, e como as populações ameaçadas são mantidas desse modo à mercê destes senhores da “Troika”! Quantos desempregados ficaram prostrados, perante a ideia de julgarem que se tinham tornado “inúteis”, quantos se consideraram humilhados, perante os filhos? Apresentar o “desemprego” como uma degradação, ou mesmo deixá-lo passar por tal, faz parte de uma propaganda demagógica, senão de tipo populista, uma vez que encontra muitas vezes uma adesão fácil; desprezar um “desempregado” permite não só desculpabilizar-se, mas também imaginar que se pertence a uma ordem superior e protegida, e ficar com a ilusão, mantendo-se à distância com aquilo que suporta, de afastar com ele esse desemprego que ameaça e que nós próprios tememos.

A Europa, meus Caríssimos Amigos, já não é a fortaleza de bem-estar que foi. A União Europeia, já não é e não pode ser o simples projeto de um mercado comum de bens e serviços entre Estados prósperos e soberanos, um seleto clube onde se sentava a “dominante classe” do planeta. E assim não é, porque foi assaltado de fora tanto pelos novos pobres como pelos novos-ricos, os que dantes imaginávamos incapazes de competir. O que dantes eram apenas atrasados mercados de exportação para a Europa, são hoje ameaça sector por sector à indústria e aos serviços europeus. Os países da União Europeia e os seus ministros das finanças, tomam as pessoas por “Idiotas” sobre a “extorsão de diversos e variados Impostos (IVA TIPP, PIT, ISF, IVA e Consumo). Vivem em grande estilo, com o dinheiro dos Contribuintes. E os resultados estão aí! Só não vê…quem não quer!


Cruz dos Santos

2013
 

18/04/2013

CARNIFICINA E TERROR EM BOSTON!


Em Homenagem a todas as vítimas inocentes, que perderam a vida e a todas aquelas outras, que ficam para o resto da vida deficientes, a sofrerem com tanta dor e mágoa



 Porquê tanto ódio, tanta carnificina, existente no interior de muitos de nós? Porquê tanta selvajaria? Quem matou, usando panelas carregadas de explosivos, lâminas de chapas e pregos, contra seres humanos, em Bóston, sem pensar quanto sofrimento iriam causar a tanta gente? Porque razão, antes de cometerem esses hediondos crimes, não se colocam no lugar das suas vítimas, não penetram no sofrimento delas, não criticam as próprias obsessões violentas? Quem foi o autor deste ato bárbaro e sangrento? Desta tragédia e fatalidade dramática? Desta catástrofe horrível e de tantas outras, análogos a esta, onde o desespero e o medo, além de aniquilar tantos inocentes, gera o pânico a tanta gente sem culpa?

Os Jornais e as televisões noticiavam, em “Última Hora”: “Martin Richard tinha oito anos. É uma das três vítimas mortais dos atentados de Bóston. A mãe ficou ferida na cabeça, a irmã perdeu uma perna. Estão as duas num estado muito grave, aliás como vários dos 176 feridos causados pela dupla explosão (…) na zona da meta da Maratona…”

Uma família destruída, desfeita em lágrimas, que chora os seus mortos, a perda dos seus Entes queridos! Tantas alegrias desfeitas num ápice, num instante, num dia que poderia ser de alegria e que ornamentado pelo desporto! Porquê esse final? Somos livres para pensar sobre o mundo que somos e em que vivemos, mas não compreendemos como é fácil criar “monstros” no universo virtual das nossas mentes. Como é possível, existir tanta ira contida, tanto ódio mortal, para levar uma pessoa a desejar a morte a tanta gente indefesa, inocente?

Como é possível haver tanta cólera, tanta odiosidade? Toda a consciencialização é um sistema de interpretação e nós, não possuímos a realidade essencial das pessoas que nos circundam, embora possamos discorrer sobre elas. Não possuímos nem sequer a nossa própria realidade. Perguntamos: mas, quem somos? O que somos? O que é existir? O que é a morte? Quem é o Autor da nossa existência? Se Deus existe, porque não castigar esses “monstros”, esses assassinos, que matam – sem dó nem piedade –crianças, homens, mulheres e velhos indefesos, em vez de se esconder atrás da cortina do tempo e do espaço? Podemos conviver com milhares de animais sem nunca termos problemas de relacionamento. Mas, por melhor que seja a relação com um ser humano, haverá sempre frustrações importantes. Apesar disso, não conseguimos deixar de viver em sociedade. Não somos seres sociais pelo instinto que promove a sobrevivência biológica, como acontece com os outros animais, mas por sobrevivência psíquica. 

Mas…“As crianças, Senhor? / Porque lhes dai tanta dor? / Porque padecem assim?”

“Dai-lhes Senhor, o eterno descanso entre os esplendores da luz perpétua…Vinde em seu auxílio, santos de Deus!”


Cruz dos Santos
 
2013

12/04/2013

A DEMOCRACIA E A CORRUPÇÃO!


Fala-se muito em “Democracia” após o 25 de Abril, mas, concretamente, o que é a Democracia? Dizem os livros, que se trata de um “Regime que se baseia na ideia de Liberdade e de Soberania popular, no qual existem desigualdades e / ou privilégios de classes. 

Albert Einstein dizia que: “O meu ideal político é a democracia, para que todo o homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado”.

Aristóteles, alegava que: “a democracia surgiu quando, devido ao facto de que todos são iguais em certo sentido, acreditou-se que todos fossem absolutamente iguais entre si”. Em Portugal, decorrido todos esses anos, a “Democracia” só tem produzido irregularidades e austeridade. Uma indiferença, tida como “normal” e a abandonada resignação de um Povo, que deixou de acreditar na equidade e na justiça, porque vê os corruptos impunes e os chamados “jogos de poder a duas mãos”, a serem postos de parte, esquecidos, resguardados pelo ar do tempo e pelas condições políticas que lhe são propícias.

No que concerne à corrupção, os homens são atormentados pelo “pecado original” dos seus instintos anti-sociais, que permanecem mais ou menos uniformes através dos tempos. A tendência para a corrupção está implantada na natureza humana desde o princípio. Alguns, têm força suficiente para resistir a essa tendência, outros não a têm. Tem havido corrupção sob todos os sistemas governativos. Muito mais pretendentes, nos estados democráticos. A experiência, de todos esses anos de democracia, tem vindo a demonstrar que o governo democrático é geralmente muito mais dispendioso do que o governo por poucos. As consequências são claras: a “Democracia”, tal como a concebemos e foi estruturada na Europa Social, encontra-se, atualmente, desfigurada e, por este caminho, condenada a desaparecer. Quando Viriato Soromenho-Marques disse que a “Europa morreu em Chipre”, ele quis alertar de que o intervencionismo económico, tal como aconteceu naquele país, constitui uma ameaça às Liberdades. Falamos em “Democracia”, mas ela é apenas a expressão política para um estado de espírito caracterizado pelo “Pode ser assim, mas também de outro modo”. 

Termino com essa pergunta: alguma vez nessa Europa do “Humanismo” e da solidariedade, existiu alguma “Democracia”?


Cruz dos Santos

2013

 

05/04/2013

ISTO É TRÁGICO!


Estamos, atualmente, a viver momentos invulgares. O mundo moderno está cheio de complexas ironias e de estranhos paradoxos. Uma das mais cruéis retóricas é o facto de, apesar de vivermos num tempo em que os sistemas de informação são melhores do que nunca, os diálogos amistosos entre pessoas amigas, são mais pobres do que nunca. Vivemos, atualmente, no meio de uma revolução tecnológica nunca vista. A tecnologia das comunicações ajudou a contrair o mundo e o universo. Mas a desarmonia disso tudo, é que esses mesmos sistemas de comunicações modernos, têm vindo a contribuir para o “stress tóxico” da nossa vida!
Ainda muito recentemente, uma mulher de meia-idade, foi encontrada morta no seu apartamento em Lisboa. Não havia nada de surpreendente nisso, a não ser o facto de estar morta há mais de dois anos. Como pôde ter acontecido isso? Onde estavam todos? A resposta, evidentemente, era que cada qual estava noutro lugar. A maioria das grandes cidades, já não tem vizinhanças; têm indivíduos aprisionados, conduzindo vidas cada vez mais isoladas, egoístas e narcisistas. Os vizinhos retraem-se e as pessoas não fazem perguntas ou fornecem informações livremente.

Num tempo em que estamos todos cada vez mais ligados à “Internet”,já ninguém se conhece verdadeiramente. É certo que a “ciência da informática”, permitiu-nos compartilhar as preocupações do mundo, mas a nossa capacidade para falar uns com os outros e “desabafarmos” as nossas mágoas com quem nos rodeia, está a desaparecer. Fazemo-lo, hoje, através do “Facebook”, do “Chat” (dialogar na Net), de “E-mails” (correio eletrónico) e de outros. Andamos “On-line”, alienados e “afogados” em informação.

Ela jorra dos nossos telemóveis, “PC’s”,“Tablets” e “Andróides”. Chegam-nos mensagens de toda a espécie. Mas nós parecemos ter ficado entorpecidos por esta eterna arremetida. As palavras que realmente interessam raramente são ditas. As pessoas, hoje, não falam umas com as outras. Não partilham as suas agonias, os sentimentos, o amor, o orgulho, as esperanças. As pessoas não se tocam fisicamente e já não sabem beijar (boca com boca); já não se comovem; não têm tempo para os mais velhos e….quando abrem a boca, raramente são ouvidas.

À sua volta, as pessoas passam grande parte da vida, submersas num manancial de tecnologia, mas muito pouco tempo a trocarem opiniões, a sorrirem, a conviverem. As pessoas hoje, não falam. Trocam e-mails e “SMS”! Falar, passou a ser, uma arte agonizante, e…ouvir, uma outra arte praticamente morta. E isto, meus Senhores, é…trágico!


Cruz dos Santos
2013
 

02/04/2013

TANTA CHUVA…VOLTA SOL! VOLTA!


Óh meu Portugal de sol. Que é feito do teu calor e da tua luz? Andas todo atolado de água, de tanto chover. É demais! Estão a ser longos esses dias de chuva e temporal. Não ouvimos os cânticos dos teus pássaros, nem sentimos a fragrância da tua Primavera. Só meses de aguaceiros e inundações. De nevoeiro e superfícies frontais. São dias e dias, à espreita de um sinal de acalmia…O país, vive acabrunhado, melancólico, de ombros caídos, encolhidos. Está “agasalhado” de dívidas e blusões, casacos e gabardinas encharcadas, com chapéus-de-chuva em riste e…Amedrontado, recua de calças arregaçadas, salta de poça em buraco, a fugir à lama, a mudar móveis, a esvaziar baldes, a calafetar janelas e a tapar buracos!


Ó meu pobre país de sol, que passas o dia amordaçado. O que é feito do teu calor fraterno e amoroso? Não digas, que tens o sol hipotecado? É possível que tenhas um povo forte, que tudo aguenta (ai aguenta, aguenta!), como os pobres e os animais. Mas és frágil! As tuas terras desprendem-se, as tuas montanhas deslizam, as tuas cidades compostas de casas decrépitas e sem ninguém, desmoronam; os teus vales inundam-se e a tua planície empapada fica estéril. Tanta chuva! Tanta água…tanta miséria! Andas encharcado de injustiças e de desigualdades. Deve ser da humidade. Os dias tornam-se monótonos, porque estão frios e vazios de ternura. Toda a vida pensei, que a pobreza era o frio. Não a doença, a fome, nem sequer a sede. Mas…o frio molhado. A chuva sem teto. O temporal sem paredes quentes. A casa com corrente de ar, a porta que não fecha, a janela com vidros quebrados e as telhas partidas. Não é que o Sol esconda a pobreza, mas a chuva mostra-a. E Portugal sem sol, é um país de mais pobres!

As nossas tempestades, não são equivalentes aos temporais americanos, alemães ou franceses, que são muito mais violentos. Nem aos da Europa do Norte, com nevões de gelo (20 e 30 graus negativos) e rajadas de vento a duzentos quilómetros à hora. As nossas tempestades, são mais brandas e irrequietas, mas chegam para estragar o país frágil e desorganizar a Sociedade. Este pobre país chuvoso, tem auto estradas, “scouts” e aderiu ao Euro; organiza o campeonato de futebol e tem Via Verde; mas…não teve tempo de se ocupar do essencial: a drenagem, o saneamento, as sarjetas, os esgotos, o regadio, os muros de proteção, os telhados, as paredes...Desabam as casas velhas, desabitadas e cedem as modernas, construídas à pressa. Os bairros antigos estão podres. Os modernos, rodeados de lamaçal e ervas daninhas. Melhor do que no passado, o serviço de proteção acorre, desesperado, porque os meios são parcos. Não há muitos mortos porque os bombeiros cumprem mais do que os seu dever. Mas também porque os temporais não são exagerados.

O pior é pobreza, não o tempo. Mais do que chuva ou o sol, é o nosso pobre país que está desajustado. Toda a gente pergunta: de quem é a culpa? Dos gases tóxicos, do défice, do buraco do ozono, do efeito de estufa, da Merkel, das construções e barragens, do Sócrates, dos automóveis híbridos, da urbanização selvagem, da agricultura intensiva, dos planos autárquicos ou da Troika? Quem sou eu para responder? Só sei uma coisa: não é sobretudo do clima!

Cruz dos Santos


2013


27/03/2013

GUERRAS? QUEM DESEJA QUE ISSO VOLTE A ACONTECER?


Há mais de dois séculos, que propagamos a ideia de que todos os indivíduos e povos – deste planeta – são iguais e livres. Aliás, foi este o melhor contributo que se deu ao mundo. Não podemos recusar a outros povos e Estados aquilo que, para nós, é um dado adquirido. Os direitos humanos e as liberdades democráticas são universais. Não são privilégios dos ocidentais. São conquistas universais. Não são privilégios dos ocidentais. São conquistas fundamentais às quais todos os indivíduos e todos os povos deste planeta devem poder aceder incondicionalmente. 

No entanto, tem-se vindo a “proliferar” um incompreensível desrespeito à defesa dos valores elementares do Estado de direito, um sentimento pelo qual nos colocamos acima do “temor” e do “desejo”. Ou seja, uma desconsideração pelo desconhecimento dos mais elementares preceitos, que garantem os direitos básicos do ser humano. Por exemplo, o Ocidente e as suas hierarquias, políticas, militares, sociais e económicas, têm estado mais ocupados com o progresso abusivo e vergonhoso da produção, da especulação e do lucro globalizados, do que com uma adequada redistribuição da riqueza ou com a luta contra a marginalização e pobreza. Estão mais atentos a uma política de exclusão, do que inclusivamente aprovar estados de emergência nacional, frente à temida emigração, do que a uma autêntica política de inclusão social equitativa e justa, que respeite a diversidade. São mais favoráveis ao esquecimento interessado do que a uma adequada exigência de justiça. 

Senhores Responsáveis da “União Europeia”: o combate contra a pobreza e contra o desemprego, são assuntos prioritários e inadiáveis. São causas internacionais que se encontram num impasse e, esta situação, meus Senhores – acreditem - é Gravíssima! Não pode ser posta de parte. Não pode falhar! Na eventualidade do falhanço do chamado “projeto europeu”, a condição e o estado correm o risco de se agravar. O regresso das rivalidades entre os Estados nos quatro cantos do mundo e o desencadear de conflitos comerciais a grande escala tornar-se-iam inevitáveis. 

Quem poderia impedir o aumento de tensões ao nível internacional, nomeadamente de novas guerras? Uma coisa é certa: a Europa não pode voltar a cair nestes erros irracionais, que já lhe custaram tanto no século passado, como: famílias dilaceradas, minorias exterminadas, cidades bombardeadas e países arruinados. Guerras, que efetivamente, causaram o desaparecimento de cinquenta milhões de europeus. Onde foram dizimadas populações inteiras, com os judeus à cabeça. Todas as famílias europeias, tinham infelizmente no seu seio, pelo menos, uma vítima da guerra. Quem deseja que isso volte a acontecer? 

Pensem nisso!

Cruz dos Santos
2013



25/03/2013

SERÁ QUE O MAL, SÓ ESTÁ NOS POLITICOS?



Portugal está desanimado e todos os lamentos indicam a causa: “os políticos, não prestam”! Quase se apalpa a desorientação e a falta de liderança. As declarações públicas, muito variáveis, incoerentes, partilham um elemento comum: ninguém faz ideia do rumo do país. Fala-se, propõe-se, estudam-se leis, orçamentos, denuncia-se e critica-se, mas não se apresenta um objectivo claro, transparente e uma forma realista de lá chegar. No entanto, temos de o dizer, os políticos actuais não são piores que os anteriores.

Do lado de cá, estamos nós: o Povo! Éramos tão fortes, não éramos? Somos todos invencíveis e melhores e vivemos cheios de nós e cheios dos outros. Somos sempre os que passam ao lado. Somos, assim uma espécie de “Treinadores de bancada”, que fazíamos sempre melhores, se estivéssemos do lado de lá. Somos sempre aqueles de quem se diz, o que é suposto sobre os outros dizermos. E, no entanto, em poucos segundos, as torres ruíram e atrás delas, mais do que o mundo, foi esta embrulhada da vida, que nos entrou pela porta dentro com um vento que pulverizou tudo à sua passagem. Quando acordámos havia luz – e a luz que havia - deixava-nos ver, com nitidez, escombros, miséria, bocados de sonhos desfeitos e um mundo estranhamente assustador e silencioso.

O problema mais grave do país está no confronto entre contribuintes e grupos de interesse. Infelizmente essas duas forças diluem-se na sociedade, não são bem definidas e, em certa medida, coincidem. Mas através do Orçamento de Estado metade do produto nacional é retirado a uns para ser dado a outros. Esta redistribuição, em geral necessária, passou a incluir grandes desvios para actividades fúteis ou até nocivas. Burocracias, subsídios, aquisição de submarinos, carros de combate e viaturas “top-gama”, bloqueios, estudos técnicos, funcionários inúteis, inspectores e gestores fanáticos, professores sem aulas, planos tecnológicos, etc.

Num universo onde tudo muda, e onde mudar parece ser o “verbo-de-encher” para o sucesso, será que o mal, só está nos políticos? Estamos um bocado mais velhos, no que pode ter de bom e de mau. Sabemos mais. Achamos agora que, afinal, sabemos cada vez menos em face do que fica por saber. Portanto, nem tudo muda. Nem todas as revoluções abafam as coisas simples. Nem torres, nem guerras, nem tecnologias, matam a origem das coisas: o coração, o talento, a sensibilidade, a inteligência, a alma, o sonho, a criação. Para que a vida tenha mais sentido, quando todos os sentidos se invertem e não há lógica nas notícias das Televisões e jornais, nas notícias da vida, há que termos forças, coragem, e acima de tudo esperanças, para pudermos face a este “turbilhão” de mutações progressivas, produzido por este nosso mundo, crescentemente complexo.


Cruz dos Santos

2013

18/03/2013

O TEMPO DAS MUDANÇAS INADIÀVEIS

A crise que já cá tínhamos, e esta que se lhe juntou, relançaram todas as dúvidas que temos há séculos sobre a viabilidade do nosso país. Há cada vez mais quem pense que Portugal pode não ser viável como país, económica e politicamente independente…A “independência”, está hoje, praticamente reduzida ao uso de símbolos como a bandeira e o hino. No mais, pouco resta! Portugal, em economia totalmente aberta, como a que tem, só pode crescer se exportar mais e se substituir algumas importações. Para tanto é indispensável apostar, fortemente, no Turismo, uma vez que não temos petróleo, nem diamantes e produzir bens que sejam de qualidade e de preço competitivo com os seus equivalentes estrangeiros. Só assim serão preferidos, lá fora e cá dentro, aos de outras origens.

Quanto à política, já poucos acreditam em “milagres”. Já ninguém confia nos políticos, afundados como estão em processos duvidosos e negócios de legitimidade discutível. Ninguém está disponível para aceitar, de bom grado ou com mais sacrifícios, a austeridade, porque os ricos não a aceitam e porque muitos são os que fogem ao fisco. Ninguém parece convencido de que seja necessário um pouco de moralidade pública e de disciplina, porque o Governo estimula exactamente o contrário. Ninguém quer tratar o Estado como serviço público, porque o Governo é o primeiro a não o fazer. Ninguém quer abdicar da cunha, da mentira e da aldrabice, porque o Governo, com o preço do petróleo, os empregos nos postos de chefia e as acções das empresas privatizadas, deu exemplo do contrário. Mais. Na sua vulgaridade, julgam “eles”, que os Cidadãos serão sempre os seus “lacaios”, sempre prontos a servi-los. Ora, no futebol, na televisão, nas escolas, nas ruas, eventualmente nas empresas, por todo o lado, são frequentes as manifestações de revolta e de inconformismo, quem sabe de violência (pelo menos verbal…por enquanto). Quaisquer que sejam os motivos, os Cidadãos já não gostam de ser tomados por parvos e, muito menos, por “Otários”. E conhecem bem, quais são os seus direitos. Nesses seus Movimentos populares, que ultimamente se têm vindo a registar, os Cidadãos exprimem, mostram, sem medo, em todos os seus actos, uma permanente revolta, indignação, repulsa, náusea. Estão a começar a habituar-se a dizer “Basta”, a nomear, eleger, expulsar, negociar e censurar. Daqui a que o façam nos assuntos públicos, vão meia dúzia de passos!

Atenção: o elevado desemprego que se fixou, o desespero de muitas famílias, o empobrecimento, a fome e as desigualdades crescentes, criarão um descontentamento de revolta e ódio, cuja permanência e efeitos ninguém saberá avaliar….

CRUZ DOS SANTOS

2013

MALHAS QUE O IMPÉRIO TECE



Acerca de 4 meses, a revista “Sábado” (15-Novembro 2012) trazia uma notícia sob o título: “O Presidente mais pobre do mundo”, que vivia numa quinta, com pouco mais de 900 euros / mês, e que “os outros 90% do seu ordenado”, doava, a Instituições de caridade. De seu nome: José Mujica, exercera as funções de Chefe de Estado do Uruguai, onde fora eleito em 2009. Que passou grande parte das décadas de 60 e 70 a lutar ao lado de um grupo armado, inspirado na revolução cubana. Que possui um carro da marca: “Volkswagen Beetle” de 1987, “que é o seu bem mais caro”. Entrevistado pela BBC em Londres, declarou: “Chamam-me o presidente mais pobre, mas eu não me sinto pobre. Pobres são os que só trabalham para tentar manter um estilo de vida dispendioso e querem sempre mais e mais”. E conclui dizendo: “É uma questão de liberdade”.

Em 4 de Março 2013, o Diário de Notícias, publicava uma pequena crónica do ilustre Jornalista Ferreira Fernandes, sob o título: “O banqueiro indignado”, que descrevia o descontentamento dessas excelências, com a criação de uma associação designada de “MRI”, que quer dizer: “Movimento dos Reformados Indignados”. Transcrevo parte dessa informação: “...Este MRI vai ser presidido por Filipe Pinhal, ex-presidente de banco (BCP) e atual beneficiário de uma reforma de 70 mil euros mensais. (…) Ao “ai aguenta, aguenta!” de um banqueiro, ontem, responde, amanhã, um ex-banqueiro que não aguenta. Pôr um ex-presidente de banco que ainda há meses foi condenado a pagar multas de 800 mil euros por deslizes financeiros a liderar pensionistas que tiveram cortes nas reformas de 1350 euros é contradição das boas, capaz de gerar unidade nacional. Estamos todos no mesmo barco da indignação: do banqueiro ao cabouqueiro. Que este, por razões egoístas e prosaicas – ganha pouco – se indigne, não merece duas linhas de crónica. Admirável é o outro, que apesar de ter um milhão por ano de reforma ainda se indigna. O único contra que vejo é irrelevante: faz-me desconfiar de tanta unanimidade”.

“Malhas que o Império tece…”! O ser humano é assim. Envolve-se numa escalada paranoica pelo poder. Muitos homens querem ser políticos poderosos. Muitos políticos querem ser reis. Muitos reis querem ou quiseram ser deuses ao longo da história. Nunca estamos satisfeitos, com nada! Somos uma via láctea de constelações da qual, volvidos meia dúzia de séculos, restará quando muito meia dúzia de pirilampos.

Cruz Santos

2013

12/03/2013

O MEDO!




Quando somos jovens sonhamos imenso. Fantasiamos muito acerca do futuro. Imaginamos vir a ser grandes pintores, escritores ou escultores. Vemo-nos conquistar o mundo como músicos, políticos ou estrelas do desporto. Gradualmente, à medida que envelhecemos, os nossos sonhos vão-se desvanecendo, e as pessoas dizem-nos que temos de parar de sonhar acordados, esquecer as nossas fantasias e pormos de lado as nossas esperanças.

A sociedade não gosta de sonhadores, quer que adoptemos um papel prático. Não quer pessoas com as suas próprias visões do futuro. A sociedade quer que vendamos as nossas almas por uma casa suburbana, um automóvel e outros luxos que enfeitem essas fúteis banalidades. Esta sociedade, encontra-se cada vez mais doente, por acção ou por omissão de muitos “irresponsáveis”, atingindo um estado impensável de extrema desorganização, de desrespeito, de indisciplina, ineficiência, da maior iniquidade e da mais clamorosa imoralidade. Acontece que em tempos de crise toda a gente sabe que a família é essencial. Goste-se mais ou menos do Estado Social, sabemos todos que já não chega a todo o lado e no futuro próximo, a menos lados ainda chegará. Durante anos, a julgar pelas “causas fracturantes”, pensaríamos que já não havia classes, que os próprios pobres eram um anacronismo. Notícias dessa morte bem podiam ser também exageradas. Os pobres já cá estavam, mas sente-se que voltaram em força, porque voltaram às notícias. E sabemos que vai haver mais novos pobres, e menos Estado para os amparar.

E é nestes momentos de crise, de fome e de elevado número de desempregados, que os políticos (todos eles), fazem-nos recear a violência de rua de forma a encorajar-nos a permitir que eles (e as estruturas sociais para as quais eles trabalham) tenham mais poder. Os políticos fazem-nos ter medo dos nossos inimigos no estrangeiro (mesmo que esses mesmos inimigos não sejam uma ameaça para nós) porque ao fazer-nos medo eles podem ganhar mais poder. O medo é uma arma potente nos dias de hoje, porque a omnipresença da televisão, da imprensa e rádio, significa que podemos ser amedrontados mais rápida e eficazmente do que nunca. Cada representante de cada estrutura social usa o medo para nos manipular. O medo ajuda-os a ser mais prepotentes, mais arrogantes e mais autoritários. O medo obriga-nos a vergar as costas, a sermos subservientes e a respeitarmos essa cáfila de incompetentes!

Lembre-se que não está só. Ninguém quer dormir debaixo da ponte. Ninguém quer que as pessoas sofram de fome até à morte. Ninguém quer cuidados de saúde ineptos. Ninguém quer ver o ambiente arruinado. Lembre-se que a sociedade só pode fazer coisas que você acha agressivas se a deixar. “Você tem todo o poder do mundo. Cabe a si decidir como e quando usá-lo”!


CRUZ DOS SANTOS
2013

28/02/2013

“RECEITA” PARA ALIVIAR A NOSSA DÍVIDA À TROIKA?



A austeridade que este Governo nos está a impor, diariamente, além de ser demasiada violenta, está a provocar um mal-estar, agitação e um espalhafatoso descrédito, contra todos esses “cortes” e aumentos de impostos, assim como às mordomias (benefícios) concedidas pelo Estado, a altos funcionários. Não basta haver boas intenções, é indispensável haver um escrupuloso cumprimento da lei e um estrito sentido de responsabilidade. Só assim de defenderá o interesse de todos e se cuidará do bem comum com rigor e disciplina. Assim sendo, e como Sua Exa. O Sr. Primeiro-Ministro, diz que está recetivo a sugestões, para o combate a essa crise, aqui vai, uma prescrição, que é assim uma espécie de receita, que servirá - salvo o devido respeito - de alívio a todos os Portugueses desse pesadelo.

Então, se V.Exa. me permitir aqui vai:

-Reduza a 50% o Orçamento da Assembleia da República e poupará, cerca de 43.000.000,00€; depois 50% no Orçamento da Presidência da República, que poupará 7.600.000,00€; Corte as Subvenções Vitalícias aos Políticos deputados e arrecadará 8.000.000,00€; Corte 30% nos vencimentos e outras mordomias dos políticos, seus assessores, secretários e companhia e vai ver que juntará mais 2.000.000.00€; Diminua 50% das subvenções estatais aos partidos políticos. Aí juntará mais 40.000.000,00€. Quanto às centenas de Fundações e aos benefícios fiscais que às mesmas são atribuídas, “corte” aí também e vai ver que irá poupar 500.000.000,00€; Mande reduzir, em média, 1,5 Vereador por cada Câmara e mais 13.000.000,00€ reverterão para os cofres do Estado; Já agora, renegocie, a sério, as famosas “Parcerias Público Privadas” (PPP) e as “rendas energéticas” e poupará também aí 1.500.000.000,00€.

Como vê Sr. Primeiro-Ministro, só aqui, o Governo e o País, encurtaria a despesa em mais de 2 mil e cem milhões de Euros. Diligencie no sentido de ordenar, uma fiscalização à chamada “Economia paralela” e mande instaurar um processo jurídico, afim de enclausurar e hipotecar, os bens de todos aqueles, que se encheram com os dinheiros do “BPN”. Mande reduzir o número de viaturas de luxo do parque do Estado, das Câmaras e de outras entidades oficiais.

“Um dos motivos pelos quais o Estado não consegue reduzir a despesa, é porque não sabe ao certo onde “Cortar” de quantos Organismos existem”. Esta crítica vem do Investigador do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) Dr. João Cantiga Esteves, que fez essa contabilização, acrescentando que: “no total existem” (passo a citar): “cerca de 13.740 entidades que se alimentam do Orçamento do Estado”!



Cruz dos Santos

2013

21/02/2013

E ASSIM VAMOS NÓS, COM A NOSSA SERIEDADE!




Nenhuma sociedade saudável, pode sobreviver sem se reger por um código de conduta ética, que faça sentido e que tente ser justo. Mas…ter um código não basta: é necessário que haja consequências. Convivemos todos os dias com a mediocridade instalada e que nos dizem legitimada pela vontade popular; com a promoção social e o reconhecimento público de fortunas feitas por métodos ínvios, ou melhor, por condutas irregulares; com promiscuidade, entre actividades incompatíveis numa mesma profissão, seja entre os políticos executores responsáveis, pelos líderes, deputados, militantes e simpatizantes, deste ou daquele partido e já se aceite, como sendo, procedimentos ou actos normais. Mesmo com o constante abuso de dinheiros, de subsídios e de favores públicos, que “constitui uma forma de espoliação, ou de apropriação ilegal dos necessitados a favor dos privilegiados”. Mas isto, já não é novidade nenhuma! Já estamos habituados, portanto, já nada adianta protestar. Dizia António Gedeão (Rómulo de Carvalho), num dos seus melhores poemas do volume, o da “morte aparente”:

“Nos tempos em que acontecia o que está acontecendo agora / e os homens pasmavam de isso ainda acontecer no tempo deles / parecia-lhes a vida podre e reles / e suspiravam por viver agora. / A suspirar e a protestar morreram. / E, agora, quando se abrem as covas, / Encontram-se às vezes os dentes com que rangeram, / tão brancos como se as dentaduras fossem novas”!

Portanto, contra tudo isto, não vale a pena perdermos tempo. Nenhum poder pode ser impune e nada deve ser gratuito. Numa sociedade saudável, não cabem todos e não vale tudo. Afinal de contas, a vida não é a feijões. Meus Caríssimos Amigos: perdeu-se, sem vergonha nem mágoa, a mais antiga das noções de ética: a dos que tinham vergonha de sair à rua com o nome desonrado e um coro de murmúrios à passagem.

Já lá dizia Camilo Castelo Branco: “A seriedade é uma doença! Dos animais que conheço, o mais sério é…o BURRO”!



Cruz dos Santos

2013

14/02/2013

NÃO HÁ PRIVACIDADE E MUITO MENOS VERGONHA!




Vivemos numa época de exibicionismos. O “jet-set”, os chamados “famosos”, ou o que muitos imaginam que são, foi quem inaugurou o estilo “Pimba”! Onde dantes a reserva e o pudor eram sinal de bom-gosto e de bom senso, hoje passou-se à exposição pública de todo o tipo de coisas desprovidas de senso, ponderação e raciocínio. Hoje, as festas de casamento, aniversário, ou outras comemorações, só se realizam, se houver um repórter destas “revistas cor-de-rosa” por perto. As viagens de férias, os divórcios, “uniões matrimoniais” do mesmo sexo, “luas-de-mel”, são vendidas, em “reportagem exclusiva”, a troco de algumas centenas, milhares de euros, ou ofertas de bilhetes de passagem de avião. Já não há privacidade, e muito menos vergonha! Actualmente, a ficção agarra em temas como sexualidade e vaidade. Estão na moda os saltos altos, a mini-saia, “mamas” recheadas de silicone, “beiças” Africanizadas, “piercings” no nariz e em outras partes recatadas, designadas de pudicas. Bem como a exibição de tatuagens, (umas) a colorirem, (outras) a enegrecerem a estatura anatómica do corpo. A exposição de posarem nuas nas “Playboy” ou na “Internet”, é outro dos “modernismos” que rende, não só pela popularidade e fama, como pelas ofertas pagas a ouro. Assim como pertencer ao “Facebook”, “You Tube”, Twitter” (adicionando Amigos), que, posteriormente, servirão de “padrinhos” para conseguirem emprego de secretária e de outros “sites” convidativos, através de “e-mails” e do “mensager”…a preço de saldo! Meus Senhores: levado por essa voragem dos tempos, até o pretendente ao trono de Portugal, homem simples e humilde, acabou a vender a reportagem do próprio casamento, a uns anos atrás. Outros “artistas”, propagam em entrevistas os seus divórcios; discutem em público os alimentos dos filhos e a partilha dos bens; outros, dramatizam perante as câmaras televisivas, os seus rostos esmurrados, olhos negros por “hematomas” por “violência doméstica” (um tema recorrente nos “talk shows” e em programas informáticos, exercendo um papel de correcção de actos condenáveis e de ajuda às vítimas). E há aqueles ainda, que exibem os novos amores pós-conjugais, armados em “craques” de “Hollywood”! A televisão proporciona-lhes esse direito. O “voyeurismo, a delação, a confissão, cristalizada no “confessionário” do “Big Brother” (“Casa dos Segredos”) sobre intimidades, os pedidos públicos de perdão; “máquineta da verdade”, a ambição, os apetites sexuais, a capacidade de rastejar por um punhado de notas, são os programas mais vistos e que, obviamente, rendem mais! Vivemos projectados num mundo louco e fictício. Os conteúdos dos mesmos, atraem pelo insólito e divertido, não sendo o apreço por eles um sinal de ignorância da má qualidade, criado por especialistas em comunicação. Assim, a sociedade mediática vai atarracando a nossa dimensão psicológica. Somos cada vez mais aquilo que queremos ver no mundo.

Cruz dos Santos

2013

24/01/2013

CAMINHAR AO AR LIVRE, É O QUE HÁ-DE MELHOR!

Antes de tudo, permitam-me,  que lhes diga o seguinte: primeiramente, essa coisa de fazermos ginástica, não deve ser só encarada como uma máquina, de “fabricar super-homens”, nem para transformar um gordo numa super vedeta modelo. Nada disso! Até porque, não há ginástica assim tão específica, com fins tão positivos e tão delimitados. É puro “charlatanismo”, quando se faz uma afirmação tão pretensiosa desta natureza e se recorre ao mesmo sistema de exercício para fins tão contrários. A educação física visa ao equilíbrio orgânico, tem um efeito geral sobre todo o organismo (melhor se for ao ar livre), provocando a rigidez de cada órgão e a eficiência de cada sistema, assegurando a saúde (esse precioso e tão desejado “tesouro”), que todos nós gostamos de a preservar. Nos tempos que correm ninguém está disposto a sugerir que se abandone o automóvel, a TV, os computadores, ou as máquinas domésticas de lavar só para que cada um de nós se torne mais “apto”. Como é óbvio, ficámos mais gordos, mais preguiçosos e doentes. Cerca de 15 a 20% dos nossos estudantes são obesos e por aqui se pode avaliar qual será o aspeto dos seus pais.



A caminhada é uma atividade que pode ser realizada por pessoas de todas as idades. Não requer prática e é um dos exercícios mais recomendados pelos médicos, sobretudo na prevenção da função cardio-respiratória. E caminhar ao ar livre é o que há de melhor! É fácil, saudável e barato! Saiba como pode colocar esta ideia em prática, com sugestões criativas. E criem o caderno de memórias das caminhadas em família! O modo de vida atual, com a emergência das tecnologias e insegurança nas ruas faz com que a vida das crianças se torne mais sedentária. A rotina dos mais novos é cada vez menos agitada e as brincadeiras decorrem sobretudo no contexto do lar, contribuindo para um modo de vida que poderá ser prejudicial para o futuro, mas que sabemos que é difícil combater. Por isso o desafio deve partir do adulto: incentive o seu filho para uma caminhada! Praticar exercício físico em conjunto e num contexto informal de lazer propiciará o fortalecimento do relacionamento entre pais e filhos e o estreitamento de laços de amizade, promovendo a saúde e o bem-estar da família. Para as crianças melhora a coordenação motora, o aumento dos níveis de disciplina, a socialização e auto-estima, reduzindo o risco de problemas de saúde no futuro. Para ambos - adultos e crianças - caminhar faz bem ao corpo e à mente. É uma atividade fácil de gerir mediante o tempo disponível por cada família, e na maioria dos casos, não requer marcação prévia, mas apenas a definição do lugar a visitar, que pode ser o parque mais próximo de casa ou um lugar novo surgido de uma pesquisa rápida na Internet. Pode escolher o itinerário à medida da sua família, atendendo aos gostos de cada um.
A caminhada poderá ser realizada num contexto urbano ou rural, com cariz mais natural ou cultural e com a duração desejada. O passeio pode ainda ser orientado ou não, caberá a si decidir. A idade da criança não é impedimento, pois muitos itinerários estão preparados para caminhadas com crianças de colo. E principalmente, a maioria dos parques e jardins são de entrada livre, não implicando quaisquer custos. E normalmente possuem zona de merendas, pelo que pode levar piquenique! Os miúdos adoram! Ao caminhar o adulto deve promover o convívio e as brincadeiras ao ar livre, motivando a observação e sensibilização para o património natural e paisagístico característico de cada lugar. Tente diversificar, ou seja, alterar os percursos que realizam, para quebrarem a monotonia.

C SANTOS

2012
                   

OS “FAMOSOS” DESCONHECIDOS!



Hoje, não vos vou falar daqueles habituais “famosos”, que todos conhecemos. Ou seja, daqueles que se fazem transportar em luxuosas limusinas ou em viaturas “top gama”. Muito menos das “celebridades” ornamentadas de presunção do mundo financeiro, do cinema e da política. Nem dos “craques” da bola, cheios de jactância, nem das “vedetas” das telenovelas ou dos “reality shows” pindéricos, como o “big brothers” e a “casa dos segredos”. Nada disso! Hoje, vou vos falar dos verdadeiros “Famosos”, que a maioria de nós desconhece! Aqueles, que na clandestinidade, tudo fazem para auxiliar e ajudar o seu semelhante. Aqueles que, voluntariamente, oferecem seus braços, seus gestos, em árduas tarefas, envoltos na mais bonita e extraordinária acção de “entreajuda”, que têm vindo a desenvolver através de iniciativas fabulosas e merecedoras de admiração, campanhas de recolha de vários materiais, de 1ª necessidade, incluindo a “recolha de sangue e novas inscrições no “banco da medula óssea”. Daqueles que andam no terreno, à chuva e ao frio (ao sol, à neve), que deixam as suas habitações, o “quentinho” dos seus aposentos e afagos, e vêm para a rua, conhecer as angústias, ouvir as histórias trágicas acompanhadas de drama.

Vou vos falar daqueles Funcionários (Homens e Mulheres), humildes, dotados de enorme sensibilidade, Amigos de seus Amigos, “Famosos” (com “F” grande) da “Fundação Bissaya Barreto”, da “Caritas Diocesana de Coimbra”, “Protecção Civil” e dos nossos distintos Bombeiros. Das célebres e populares: “Santa Casa da Misericórdia” e “Casa dos Pobres de Coimbra”. Daquele pessoal da “Liga Nacional Contra a Fome”; do “Centro de Solidariedade Social “O Pátio”; do Instituto “Justiça e Paz”, da “Associação de Pais e Amigos da Crianças com cancro; a “Casa do Pai”; “A Sorriso”; o “Ateneu de Coimbra”, da “Associação de Paralisia Cerebral”; da “ANAjovem”, da “Associação Portuguesa de Pais Amigos do Cidadão Deficiente Mental”, e também, daqueles Funcionários da “EDP” e daqueles Homens da “Recolha do Lixo”; dos nossos Estudantes Universitários (que saudades!), que através da Comissão da Queima das Fitas”, distribuem (anualmente) por algumas Instituições de Solidariedade, parte das verbas obtidas, bem como roupas e outros artigos. Vou vos falar também, destes extraordinários Jornalistas e Repórteres, que não têm mãos a medir, ora a máquina carregam, apontam e disparam, ora no chão se agacham, pulam e gesticulam com afanosa presteza. Desses verdadeiros heróis inesperados, em gestos que ultrapassam o habitual, enfrentando, diariamente, as colossais tempestades, os aflitivos incêndios, acidentes, as revoltadas greves e conflitos armados, para nos trazerem a todos nós, informações imediatas, imagens sobre cenas de horror, tragédias tão vivas e de tão grande e expressiva dor. Sim! Desses “Famosos” e destemidos Jornalistas, que têm coragem de escrever e denunciar essa corja de malfeitores, criminosos e corruptos. Sim! São todos esses, os verdadeiros e puros FAMOSOS, que o nosso mundo e a nossa gente desconhecem.

“Ó Sociedade débil, que amas a imagem, mas não o pensar. Que valorizas a embalagem, mas não a mensagem. O que te atraia, que não te trai? O mel que te farta é o veneno que te mata”.

BEM HAJAM todos!

2013

21/01/2013

CORRUPÇÃO: “DEGRADAÇÃO DE VALORES MORAIS”!


Sente-se no ar a desconfiança, o medo e a retração, de um povo que percebe que a corrupção minou toda a Nação. O “polvo da corrupção” alastrou e alastra, provavelmente, os seus tentáculos por todo o País. Consulte-se o dicionário da Academia das Ciências, sobre corrupção: “ação ou resultado de corromper ou de se corromper (…); degradação, deterioração dos valores morais (…) Suborno.” A corrupção, está presente em todo o lado onde existem pessoas, onde há alguma coisa a lucrar, a ganhar ou a perder. É sabido que a corrupção, nas formas que atinge atualmente o mundo, está associada ao funcionamento da economia globalizada. Só que não é por a corrupção ser velha como o mundo, se ter adaptado às mutações sociais e económicas e assumir formas cada vez mais sofisticadas que se pode desistir de a combater. Tanto mais que a sociedade democrática e o Estado de Direito, como os entendemos hoje, pugnam pela transparência, pela clareza de processos. Por isso, o poder democrático deve apostar em acabar com negócios duvidosos e, combater com seriedade – de uma vez por todas - a corrupção, lícita ou ilícita, que tem vindo a corroer a democracia.

O Dr. Paulo Morais, afirmou há dias e passo a citar: “que o Parlamento é uma grande central de negócios. Todos os deputados, que tem poder e domínio na política e economia estão no parlamento a fazer negócios”. Disse ainda que: “as comissões parlamentares que deveriam defender os interesses dos portugueses defendem os seus negócios próprios”.

Como é do conhecimento público, em matéria de corrupção nem as melhores leis são suficientes. Há todo um “modus operandi” do sistema que era precisa rever. E era importante também que se refizesse, de forma séria, o sistema de concursos públicos. Para que este atoleiro da corrupção: “tráfico de influências” e do compadrio (nepotismo), possa, enfim, ser atacado e comece a ser destruído de uma vez por todas. O que é grave na corrupção em Portugal, não é tanto o Polícia ou o Funcionário que se deixam “subornar” para perdoar uma multa ou aceitar uns documentos fora do prazo. A corrupção a sério envolve milhões, muitas vezes negócios internacionais e empresas multinacionais, e passa pelas altas esferas das elites económicas e políticas, onde tudo se decide. Portanto, para afrontar este tipo de corrupção, é preciso ter coragem. E será que alguém tem coragem de mudar a forma como se fazem os chamados “concursos públicos”, como se formam “comissões de avaliações” e se preparam os requisitos para os cadernos de encargos ideais, justamente para encaixar na proposta do concorrente previamente escolhido? Já agora, será que este Governo, vai ter a sensatez e coragem de dar meios reais, força e “Livre Trânsito, bem como verbas suficientes, para que a distinta Polícia Judiciária, possa de facto investigar a corrupção, sob a direção da célebre Procuradora-Geral Adjunta Drª. Maria José Morgado, ex-Responsável pela Direção Central de Investigação da Corrupção e Criminalidade Económica e Financeira?

Cruz dos Santos
( Banga Ninito )

2013

11/01/2013

JÁ CHEIRA A REVOLUÇÃO


Há cerca de 8 ou 9 meses começaram a dar-se alterações profundas, e de nível global, em 10 dos principais fatores que sustentam a sociedade atual. Num processo rápido e radical, que resultará em algo novo, diferente e porventura traumático, com resultados visíveis dentro de 6 a 12 meses... E que irá mudar as nossas sociedades e a nossa forma de vida nos próximos 15 ou 25 anos!

Tal  como   ocorreu noutros períodos da história recente, no status político-industrial saído da Europa do pós-guerra, nas alterações induzidas pelo Vietname/ Woodstock/ Maio de 1968 (além e aquém Atlântico), ou na crise do petróleo de 1973.

Façamos um rápido balanço da mudança, e do que está a acontecer aos "10 fatores":

1º- A Crise Financeira Mundial : desde há 18 meses que o Sistema Financeiro Mundial está à beira do colapso (leia-se "bancarrota") e só se tem aguentado porque os 4 grandes Bancos Centrais mundiais - a FED, o BCE, o Banco do Japão e o Tesouro Britânico - têm injetado (eufemismo que quer dizer: "emprestado virtualmente à taxa zero") montantes astronómicos e inimagináveis no Sistema Bancário Mundial, sem o qual este já teria ruído como um castelo de cartas. Ainda ninguém sabe o que virá, ou como irá acabar esta história !...

2º- A Crise do Petróleo : Há 18 meses que o petróleo entrou na espiral de preços. Não há a mínima ideia/teoria de como irá terminar. Duas coisas são porém claras: primeiro, o petróleo jamais voltará aos níveis de 2007 (ou seja, a alta de preço é adquirida e definitiva, devido à visão estratégica da China e da Índia que o compram e amealham!) e começarão rapidamente a fazer sentir-se os efeitos dos custos de energia, de transportes, de serviços. Por exemplo, quem utiliza frequentemente o avião, assistiu há semanas, a uma subida no preço dos bilhetes de... 50% (leu bem: cinquenta por cento). É escusado referir as enormes implicações sociais deste fator: basta lembrar que por exemplo toda a indústria de férias e turismo de massas para as classes médias (que, por exemplo, em Portugal ou Espanha representa 15% do PIB) irá virtualmente desaparecer em 12 meses! Acabaram as viagens de avião baratas (...e as férias massivas!), a inflação controlada, etc...

3º- A Contração da Mobilidade : fortemente afetados pelos preços do petróleo, os transportes de mercadorias irão sofrer contração profunda e as trocas físicas comerciais que implicam transporte irão sofrer fortíssima retração, com as óbvias consequências nas indústrias a montante e na interpenetração económica mundial.

4º- A Imigração : a Europa absorveu nos últimos 4 anos cerca de 40 milhões de imigrantes, que buscam melhores condições de vida e formação, num movimento incessante e anacrónico (os imigrantes são precisos para fazer os trabalhos não rentáveis, mas mudam radicalmente a composição social de países-chave como a Alemanha, a Espanha, a Inglaterra ou a Itália). Este movimento irá previsivelmente manter-se nos próximos 5 ou 6 anos! A Europa terá em breve mais de 85 milhões de imigrantes que lutarão pelo poder e por melhor estatuto sócio-económico (até agora, vivemos nós em ascensão e com direitos à cesta das matérias-primas e da pobreza deles)!

5º- A Destruição da Classe Média : quem tem oportunidade de circular um pouco pela Europa apercebe-se que o movimento de destruição das classes médias (que julgávamos estar apenas a acontecer em Portugal e à custa deste governo) está de facto a "varrer" o Velho Continente! Em Espanha, na Holanda, na Inglaterra ou mesmo em França os problemas das classes médias são comuns e, descontados alguns matizes e diferente gradação, as pessoas estão endividadas, a perder rendimentos, força social e capacidade de intervenção.

6º- A Europa Morreu : embora ainda estejam a projetar o cerimonial do enterro, todos os Euro-Políticos perceberam que a Europa moribunda já não tem projeto, já não tem razão de ser, já não tem liderança e já não consegue definir quaisquer objetivos num "caldo" de 27 países com poucos ou nenhuns traços comuns!... Já nenhum Cidadão Europeu acredita na "Europa", nem dela espera coisa importante para a sua vida ou o seu futuro! O "Requiem" pela Europa e "seus valores" deu-se há dias na Irlanda!

7º- A China ao assalto! A construção naval ao nível mundial comunicou aos interessados a incapacidade em satisfazer entregas de barcos nos próximos 2 anos, porque TODOS os estaleiros navais do Mundo têm TODA a sua capacidade de construção ocupada por encomendas de navios.... da China. O gigante asiático vai agora "atacar" o coração da Indústria europeia e americana (até aqui foi just a joke...). Foram apresentados há dias no mais importante Salão Automóvel mundial os novos carros chineses. Desenhados por notáveis gabinetes europeus e americanos, Giuggiaro e Pininfarina incluídos, os novos carros chineses são soberbos, réplicas perfeitas de BMWs e de Mercedes e vão chegar à Europa entre os 8.000 e os 19.000 euros! E quando falamos de Indústria Automóvel ou Aeroespacial europeia... Estamos a falar de centenas de milhar de postos de trabalhos e do maior motor económico, financeiro e tecnológico da nossa sociedade. À beira desta ameaça, a crise do têxtil foi uma brincadeira de crianças! Os chineses estão estrategicamente em todos os cantos do mundo a escoar todo o tipo de produtos da China, que está a qualificá-los cada vez mais.

8º- A Crise do Edifício Social : As sociedades ocidentais terminaram com o paradigma da sociedade baseada na célula familiar! As pessoas já não se casam, as famílias tradicionais desfazem-se a um ritmo alucinante, as novas gerações não querem laços de projeto comum, os jovens não querem compromissos, dificultando a criação de um espírito de estratégias e atuação comum...

9º- O Ressurgir da Rússia/Índia : para os menos atentos: a Rússia e a Índia estão a evoluir tecnológica, social e economicamente a uma velocidade estonteante! Com fortes lideranças e ambições estratégicas, em 5 anos ultrapassarão a Alemanha!

10º- A Revolução Tecnológica : nos últimos meses o salto dado pela revolução tecnológica (incluindo a biotecnologia, a energia, as comunicações, a nano tecnologia e a integração tecnológica) suplantou tudo o previsto e processou-se a um ritmo 9 vezes superior à média dos últimos 5 anos!

Eis a Revolução! Tal como numa conta de multiplicar, estes dez fatores estão ligados por um sinal de "vezes" e, no fim, têm um sinal de "igual". Mas o resultado é ainda desconhecido e imprevisível. Uma coisa é certa: as nossas vidas vão mudar radicalmente nos próximos 12 meses e as mudanças marcar-nos-ão (permanecerão) nos próximos 10 ou 20 anos, forçando-nos a ter carreiras profissionais instáveis, com muito menos promoções e apoios financeiros, e estilos de vida mais modestos, recreativos e ecológicos.

Carlos Santos

2013

07/01/2013

SERÁ QUE O CRIME COMPENSA?


Falar ou escrever sobre os grandes crimes, Polícias e Justiça, é, geralmente multíplice e envolve diversas Entidades e Instituições Forenses e Judicial, por quem nutro enorme respeito. Assim sendo e embora digam que “a Justiça não está bem”, não podemos afirmar que está assim tão mal, ou num “estado catastrófico”, como alguém escreveu. Não sou apologista das catástrofes antes do tempo. No entanto, há quem diga que a Justiça não é igual para todos, e há quem sustente, “dois pesos e duas medidas”. Ou seja, uma Justiça a duas velocidades: uma “para os ricos e outra para os pobres”; uma Justiça para poderosos e outra para os mais frágeis. Bom, a voz do Povo, na rua, cafés ou nos salões, estabelece: “se as penas fossem mais pesadas, haveria menos criminalidade”. Nunca falta quem defenda, de seguida, a “pena de morte”, ou até esse paradigma da selvajaria que é a “Justiça popular”!

Em tudo o que li, aprendi, vi e ouvi, nunca tive a certeza, nem a menor evidência empírica, de que a severidade das penas, medida em número de anos de prisão, tenha uma qualquer relação com os níveis de criminalidade. Bom…mas isto já mexe com o estudo das diversas situações, reais e das tendências sociais. É complicado!

Há um fenómeno, que tem ou poderá ter enorme influência no sentimento de insegurança. E até, talvez, na criminalidade. São as “Amnistias”. Esta prática é uma das mais negativas do sistema político e, também, salvo melhor opinião, judicial. Ou porque há políticos que desejam ser “amados” e têm uma noção abstrusa da bondade, ou porque as Autoridades querem “esvaziar” as prisões sobrelotadas, ou ainda porque se pretende despachar os processos pendentes nos Tribunais, que são às centenas. Aliás, há processos que se eternizaram no tempo, graças à excelência de alguns Advogados que lhes pegaram e que são responsáveis pela sua eternização.

Os Advogados não estão fora desta responsabilidade; não se pode dizer que a culpa é da Polícia, “a culpa é do Ministério Público”…todos os actores judiciários têm culpas nesta matéria, nenhum deles pode dizer “daqui lavo as minhas mãos”! É que há criminosos que mal cumprem penas e vêem os seus castigos reduzidos em mais de dois terços; como há delinquentes que, condenados, não chegam a cumprir um dia; sem falar nos que nunca são julgados, pois enquanto recorrem, ou esperam julgamento, as amnistias vão resolvendo os seus casos. Isto, sim, contribui para o sentimento de insegurança, pois propaga a ideia de que a Justiça é…cega! E ajuda, penso, a eclosão da irracionalidade dos linchamentos. Em Portugal, essa coisa da “Amnistia”, funciona sobretudo como meio de poupar o orçamento do Ministério da Justiça, com o qual se perde tempo, dinheiro e paciência.

A verdade é que “temos duzentos anos de Estado liberal e, ao longo destes duzentos anos, a exigência de uma Justiça eficaz ainda não se cumpriu".

Cruz dos Santos
2013