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15/11/2013

BENFICA


JOSÉ ANTUNES GONÇALVES

Estimado Sócio nº 18530

Hoje assinalamos o 10.º aniversário da inauguração do Estádio da Luz, mas assinalamos 12 sobre o processo, difícil, muito difícil, que nos conduziu até lá. O dia 25 de Outubro de 2003 assinalou um final feliz numa caminhada cheia de obstáculos que poucos acreditaram ser possível de ultrapassar. Conto-me entre aqueles que sempre viram na construção do novo Estádio da Luz o ponto de viragem na recuperação do Clube, uma injeção de confiança e auto-estima absolutamente necessária para salvar um paciente em estado terminal.

Num tempo em que faltava tudo, havia muitas vozes que diziam ser uma loucura avançar para a construção de um novo estádio. Pois bem, eu era um desses “loucos” e orgulho-me de ter acompanhado um homem fundamental na história do novo Estádio da Luz e do Clube, Mário Dias. Teve a grande virtude de resistir e de acreditar sempre que era possível, e essa capacidade foi absolutamente notável. 

O Estádio da Luz foi uma batalha gigantesca travada em várias frentes. Sempre soube que o projeto era a única via de ressuscitar um clube que vivia amargurado e triste. Em tempos difíceis e de alguma descrença, espero que o 10.º aniversário do nosso estádio nos faça pensar um pouco de onde viemos e onde estamos, a forma estruturada como toda a recuperação do Clube tem sido feita. Ceder aos apelos populistas e demagógicos em tempos de dificuldades é comprometer todo o caminho percorrido.

Correndo o risco de esquecer alguém, não posso – por dever – deixar de agradecer o trabalho, a dedicação e a confiança de algumas pessoas sem as quais não teríamos razões para festejar esta data.

A Pedro Neto, Luís Seara Cardoso, Fonseca Santos, Tinoco Faria e Diogo Vaz Guedes, o meu obrigado por sempre terem acreditado que seria possível. Ao Mário Dias, o meu obrigado por nunca ter desistido! Ao Presidente Manuel Vilarinho, o meu obrigado pela confiança e apoio que sempre me deu as minhas decisões. A todos os benfiquistas e sócios fundadores um agradecimento especial pelo contributo que deram num momento tão decisivo na vida do Clube.

E, claro, à minha família, que também foi envolvida e autorizou o meu compromisso com a nova Catedral.



Luís Filipe Vieira

 25 de Outubro de 2013

18/10/2013

MISCELÂNIA POLÍTICA


Dizia Miguel Torga: “Oiço e leio esta inflação de discursos, entrevistas e comunicações que toldam a atmosfera política do país, e fico agoniado. Somos na verdade uma “cambada” de primários, de temperamento e paixões à medida da nossa testa. Só nesta “santa terra”, é possível encontrar gente com mentalidade para acreditar que uma ideologia é uma opção mimética capaz de anular a realidade e negar a própria biologia”.
É este o país que temos. Um país “inflamado” de técnicos Economistas e comentadores políticos, que além de subjugar, explorar nos actuais governantes, pelas actuações que todos sabemos e…dolorosamente sentimos na pele e nos bolsos, reaparecem armados em “salvadores da Pátria”, com argumentos de peso, moralistas, prometendo acção ou efeito de inovar nos costumes, na educação, na ciência, com maior aperfeiçoamento e novidade…enquanto a austeridade soma e segue, com a aplicação de novos cortes na despesa social e nas pensões de miséria. No fundo, a lógica é a mesma. O país é pobre! Será? Ou há pobreza a mais para tanta riqueza, e essa é que é a “pobreza”? A pobreza mediática absoluta em que vivemos - sinal máximo da corrupção ética de uma certa elite que despreza estrategicamente a imaginação - conduz à pobreza de espírito profunda, representada…serão após serão, porta atrás porta, café após café, numa omnipresente televisão. Uma televisão patética e boçal na ficção e no entretenimento, e néscia na forma como usa a informação para dar crédito às demais javardices.
A nossa geração qualificada está arredada do mercado de trabalho porque a economia é pré-histórica e os direitos adquiridos criaram a casta dos que têm emprego para a vida e os que não têm nada. O sistema tratou de expulsar os mais novos. O sol e o bom tempo não enchem a barriga a ninguém...”Estratégia” é uma palavra desconhecida no país. Os portugueses têm a porcaria de líderes que querem. Estamos perante um povo que elege e apoia criminosos condenados. Isto não tem grande volta a dar...Já lá dizia António Aleixo: “Tu que vives na grandeza, / Se calçasses e vestisses / Daquilo que produzisses, / Andavas nu, com certeza”.

Cruz dos Santos 
 
2013


07/10/2013

O “CANCRO DA MAMA”!


Comovido e, simultaneamente, solidário com toda essas pessoas dotadas de um coração meigo, e que lutam contra o Cancro, Cruz dos Santos redigiu este texto para diversos Jornais, incluindo, como não podia deixar de ser, para o LUANDA TROPICAL.


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Publicou o Diário de Coimbra (-6Out.13), um texto da distinta jornalista Ana Margalho, sob o título: “Onda rosa caminhou contra cancro da mama em Coimbra”, onde fala de uma heroína chamada de Maria Helena Silva, a “mais antiga voluntária do Movimento Vencer e Viver da LPCC (Liga Portuguesa Contra o Cancro), em Coimbra, e, portanto, uma referência para muitas outras mulheres que, nestes 16 anos, conseguiram provar que cancro da mama não é sinal de morte”, cita Ana Margalho, adiantando esta mesma popular plumitiva, que foi uma marcha que “teve um recorde de mais de 600 participantes. “Uma verdadeira onda rosa – a cor das t-shirts” que todas essas gentis e simpatizantes pessoas (“voluntárias e doentes com cancro, mulheres que ultrapassaram a doença e pessoas anónimas”), se juntaram – solidariamente – contra essa luta, essa batalha temível, que é a de vencerem, todos unidos, essa maldita peste mortal.

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Que majestoso quadro foi aquele, onde se vislumbraram gente de todas as idades, de Aveiro, Castelo Branco, Guarda, Leiria, Covilhã e Viseu, ostentando todos um sorriso de apoio e de companheirismo. Tão lindo…Todo aquele grupo de pessoas! Como pode haver, no meio de tanta gente egoísta e de tantos agiotas, Gente tão boa? Pessoas tão lindas interiormente e dotadas de um coração doce, harmonioso e meigo? Ninguém muda o mundo se primeiro não mudar o seu. Os problemas da humanidade, devem ser resolvidos não por um ou mais governantes, mas por uma mudança de mentalidade, uma geração de seres humanos sem fronteiras, que meditem como uma família humana, como pensa a Maria Helena Silva e tantas outras Marias e Mários deste país. Descobrimos, nesta marcha, que uma pessoa verdadeiramente grande, é tão pequena como os demais pequenos, e que é apenas portadora de um superficial verniz democrático. Alguns sectores da imprensa prestam um pecaminoso serviço à humanidade ao promover o culto da celebridade, seja de forma direta ou subliminar. Esquecem o espetáculo alvorecer da ética, produzido pelos anónimos, por aqueles que, sacrificada mente, tudo fazem por amor ao seu semelhante. Estão todos viciados no brilhantismo social. Salvo melhor opinião, julgo que toda esta sociedade está enferma, e um dos sintomas dessa enfermidade é que é raro ela premiar quem mais precisa…Quem somos? Somos todos meninos que entram eufóricos no teatro do tempo e que se silenciam no palco de um túmulo sem saberem quase nada dos mistérios que cercam a existência!


Cruz dos Santos

2013


30/09/2013

“SOMOS UM POVO ESPECIAL!”


"Descontentamento" que reina no Povo Angolano, sobre a governação do MPLA e sob a égide do Senhor Engenheiro JES - Presidente - há mais de 35 anos no poder

(CARTA DE UMA ANGOLANA AFRICANA)

“Angola, meus Amigos, é de todos os Angolanos (negros, mestiços e brancos). Ninguém é dono de país nenhum e muito menos da sua felicidade, por isso não entregue a sua alegria, a sua paz, a sua vida nas mãos de ninguém, absolutamente de ninguém! Somos livres e não podemos querer ser donos dos desejos, da vontade ou dos sonhos de quem quer que seja. A razão de ser da sua vida, é você mesmo. A limpeza do lixo que ficou para trás, para todos os efeitos, não temos mais marcas físicas mas outro lixo muito mais extenso e perigoso ficará para trás, o nosso lixo!
 
O lixo dos sentimentos negativos, ressentimentos e mágoas que respondemos ao ataque com ataque, seja ele com a palavra oral ou escrita e, assim, contribuímos para aumentar o problema em vez de atenuá-lo ou mesmo solucioná-lo. Assim, contribuímos efetivamente para realizar o que tememos. Em suma, nas palavras do ditado popular, o feitiço volta-se contra o feiticeiro. Somos o “povo especial” escolhido do Sr. Engenheiro José Eduardo dos Santos. E como povo especial escolhido por ele, não temos água nem luz na cidade. Temos asfalto cada dia mais esburacado.
 
Os que, de entre nós, vivem na periferia, não têm nada. Nem asfalto! Só miséria, lixo, mosquitos, águas estagnadas. Parasitas. Hospitais?!! Nem pensar. O povo especial não precisa. Não adoece. Morre apenas sem saber porquê. E quando se inaugura um hospital bonito e ficamos com a esperança de que as coisas vão melhorar, mudar minimamente, descobre-se que as máquinas são chinesas, com manuais chineses, sem tradução, e que ninguém sabe operá-las…Estas são opções especiais, para um povo especial. Educação?!! O povo especial não precisa. Cospe-se na rua (e agora com os chineses, temos que ter cuidado para não caminharmos sobre escombros escarrados de fresco…); vandalizam-se costumes, ignoram-se tradições. Escolas para quê? E para ensinar o quê? O Sr. Engenheiro é um herói, porque fugiu ali algures da marginal, acompanhado de outros tantos magníficos?!
 
Que a Deolinda Rodrigues morreu num dia fictício que ninguém sabe qual, mas nada os impediu de transformar um dia qualquer em feriado nacional!? O embuste da história recente de Angola, é tão completo e manipulado que até mesmo eles parecem acreditar nas mentiras que inventaram. Se incomodamos o Sr. Engenheiro de qualquer forma, sai a guarda pretoriana dele e nós ficamos quietos a vê-los barrar ruas, anarquicamente, sem nos deixar alternativas para chegarmos a casa ou aos empregos. O povo especial nem precisa ir trabalhar, se resolvem fechar as ruas. Se sairmos para almoçarmos e eles bloqueiam as ruas sem qualquer explicação, só temos uma hipótese: como povo especial, que somos, não precisamos de comer, dá-se meia volta de barriga vazia e…volta-se para o emprego.
 
 E isto quando não ficamos horas e horas parados, à espera que o Sr. Engenheiro e sua comitiva recolham aos seus luxuosos lares e nos deixem, finalmente, circular. Entramos em casa às escuras e saímos às escuras. Tomamos banho de caneca. Sim!, bem à moda do velho e antigo regime do MPLA-PT do século passado. Luanda, que ainda resiste a tantos maus-tratos e insiste em conservar os vestígios da sua antiga beleza, agora é violentada pelos chineses. Sodomizada, sistematicamente, dia e noite. Está exaurida; de rastos, de cócoras diante dos novos “amigos” do Sr. Engenheiro. Eles dão-se, inclusive, ao luxo de erguerem dois a três restaurantes chineses numa mesma rua. A ilha do Cabo, tem mais restaurantes chineses que qualquer outra rua de qualquer outra cidade ocidental ou africana: CINCO!! A China Town instalada em Luanda! As inscrições que colocam nos tapumes das obras em construção, admirem-se, estão escritas na língua deles.
 
Eles são os “novos senhores”. Os amigos do Sr. Engenheiro! A par do Sr. Falcone…a este, foi-lhe oferecido um cargo e passaporte diplomático. Aos outros, que andam aos “bandos”, é-lhes oferecida carne fresca das nossas meninas. Impunemente. Alegremente. Com o olhar benevolente dos cs de fato e gravata. Lá fora, no mundo civilizado, sem povos especiais, caçam os pedófilos. Aqui, em Angola, criam e estimulam pedófilos. Acham graça. Qualidade de vida é coisa que o povo especial nem sabe o que é! Nem qualidade, nem quantidade de vida, uma vez que morremos cedo assim que fazemos 40 anos. Se vivermos mais um pouco, ficamos a dever anos à cova, pois não nos é permitida essa rebeldia. E quem dura mais tempo, é castigado: ou tem parentes que cuidem ou vai para a rua pedir esmola! Importam-se carros e mais carros. De luxo! Esta é a imagem de marca deles: carros de luxo em estradas descartáveis, esburacadas. AH!!...E telemóveis!!
 
Qualquer Prado ou Hummer tem que levar ao volante um elemento com telemóvel. Lá fora, no mundo civilizado, sem povos especiais, é proibido o uso do telemóvel enquanto se conduz. Aqui, é sinal de “status”, de vaidade balofa!! Pobre povo especial! Sem transportes, sem escolas, sem hospitais. À mercê dos “Candongueiros”, dos “dirigentes” e dos remédios que não existem. Sem perspetivas de futuro. Os nossos “Amanhãs”, já amanhecem a gemer: de fome, de miséria, de subnutrição, de ignorância, de analfabetismo, de corrupção, de incompetência, de doenças antes erradicadas, de ira contida, de revolta recalcada. O GRITO está latente. Deixem-nos sair: BASTA!!!!

Solange – Angolana –Residente em Angola.

Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo: nem ele me persegue, nem eu fujo dele, um dia a gente se encontra”!

ZÉ ANTUNES

2013
 

16/09/2013

JULGAR A POLITICA




Mas…o que é a política? Consultado o dicionário da Língua portuguesa “Porto Editor”, este diz que é a “ciência ou arte de governar uma nação; orientação administrativa de um governo”, etc.. Bom! O termo tem origem no grego “politiká”,uma derivação de “polis” que designa aquilo que é público. O significado de política, é muito abrangente e está, em geral, relacionado com aquilo que diz respeito ao espaço público.

E nós, como cidadãos, como qualquer cidadão português – pagadores de impostos – temos a possibilidade de “julgar” a política, uma coisa que diz respeito a todos. Sabemos que existe uma conceção, a do realismo político, segundo a qual a política está para além da moral e que não pode ser julgado moralmente. O problema de uma ética pública racional, é apenas o de encontrar critérios publicamente aceites, para provocar esse juízo. 

O sistema político é uma forma de governo que engloba instituições políticas para governar uma Nação. Monarquia e República são os sistemas políticos tradicionais. Dentro de cada um desses sistemas podem ainda haver variações significativas ao nível da organização. Por exemplo, o Brasil é uma “República Presidencialista”, enquanto Portugal é uma “República Parlamentarista”.

 Os vários estudiosos puseram a ênfase sobre os vários aspetos da valorização moral em ética pública. Os “utilitaristas”, centraram a sua atenção sobre a utilidade coletiva. Os políticos, segundo eles, são avaliados em relação aos benefícios coletivos que produzem.

Os “Kantianos” defenderam, que os princípios de uma sociedade justa, apenas podem nascer do diálogo, da convergência de pessoas racionais totalmente motivadas e que se encontram na mesma situação à partida. Segundo esta perspetiva, uma sociedade igualitária apenas poderá nascer de um diálogo racional, entre pessoas que tenham assumido uma posição igualitária, imparcial, e que se empenharam – seriamente – para alcançar um acordo. 

Deve existir honestidade de intenções, sem egoísmos, condicionalismos, ameaças, fraudes ou enganos. A finalidade da política é, então, a de defender estes limites contra as invasões por parte dos outros indivíduos mas, sobretudo, por parte do Estado. 

O conceito de direito, foi elaborado como defesa contra o Estado totalitário, mas hoje também, como defesa contra a burocracia. É exatamente isto, que caracteriza a racionalidade moderna. O bom, não é aderir a uma outra “seita”, mas emerge da discussão racional, do pensar os critérios, do afrontar racionalmente os dilemas da vida pública.


C. Santos.

2013

30/05/2013

DIA DAS MENTIRAS





Já algum tempo andava para escrever sobre o dia das mentiras, visto ter estado numa tertúlia de caçadores, e ouvir algumas patranhas, que sabia de antemão que eram fanfarronices de quem as contava, pura exibição.

Neste grupo dos chamados mentirosos, também estão os pescadores ( da fama não se livram) que pescam peixes em quantidade e enormes. ( Há o velho chavão, mentirosos como caçadores e pescadores não há )

Ao receber um mail no dia das mentiras, decidir transcrever para aqui as dicas nele enerentes.

Mentiras, brincadeiras são elementos recorrentes no dia 1º de abril, o dia da mentira. A data já é tradicional no calendário, e é comemorada em vários países e costuma envolver muitas pessoas, mas alguém já se perguntou o porquê da data?

O Dia das Mentiras surge por brincadeira na França, no reinado de Carlos IX. Nessa época, o ano novo era comemorado a 25 de março, com a chegada da primavera. As festas, que incluíam troca de presentes, duravam uma semana e terminavam a 1 de abril.

Em 1564, com a adoção do calendário gregoriano, o rei decidiu que o ano novo deveria passar a comemorar-se a 1 de janeiro. Alguns franceses não aceitaram a mudança no calendário e continuaram com a tradição antiga. A população que adotou o novo calendário decidiu então brincar com os "conservadores" enviando-lhes presentes estranhos e convites para festas inexistentes. Com o passar do tempo, a brincadeira alastrou-se a outros países da Europa e, mais tarde, para outros continentes.

A partir daí a data se tornou popular e até nos dias atuais é comum ver todos os públicos e todas as idades aderirem à brincadeira do primeiro de abril. Para os países de língua inglesa a data é conhecida como april fool's (abril dos tolos) na Itália e na França o dia é chamado respectivamente pesce d'aprile e poisson d'avril, (peixe de abril).

Neste dia primeiro de Abril, dia das mentiras de 2013 , recebi algumas mentiras, mas como estava de sobreaviso, não levei a sério as mentitas que me disseram. Acabando logo por descobrir que eram petas .


JANTAR COM ÁRABES


Mas nem sempre é preciso ser primeiro de Abril para se contar grandes Petas,

Mentiras que ficarão para a história.

Estou-me a lembrar do grande jantar das arábias no Tavares Rico.

Num panorama de imprensa dominado pela mordaça da censura, o matutino Século publicou uma noticia inusitada, na manhã de 13 de Fevereiro de 1971:

“Uma missão da Arábia Saudita presidida exatamente pelo principe Iben Seddack ( primo de Iben Saud ), esteve em Lisboa quase 48 horas e o assunto foi o petróleo”.

Meia Lisboa ficou em polvorosa com a noticia, que falava do interesse dos Árabes no Crude de Cabinda.

Irritado , o ditador Marcelo Caetano pediu contas ao seu chefe da diplomacia:

“ Então, estão árabes em Lisboa e eu não sei de nada?”

Ruy Patricio respondeu-lhe que também não sabia de nada sobre o “facto”.

Os factos foram estes:

Na véspera , um Rolls-Royce parou à porta do Restaurante de Luxo Tavares Rico, com uma comitiva de homens vestidos à árabe, o proprietário do Restaurante telefonou a informar o jornal.

O chefe de redação, José Mensurado, enviou o repórter Roby Amorim para contar a história do jantar.

Mas a verdade foi esta:

Uma brincadeira levada a cabo por clientes habituais do Restaurante, na sequência de uma aposta de que se entrassem vestidos de árabes, ninguém os reconheceria.

As roupas e o carro foram alugados para aquela noite, pela trupe composta por Jorge Correia de Campos (que fazia de principe Seddak), Nicha Cabral (corredor de Formula 1), Manecas Mocelek ( gerente do Stones e do Ad-Lib, discotecas do jet set Lisboeta), Frederico Abecassis, Manuel Correia ( que levava um impressionante maço de notas), Michel da Costa ( o conhecido cozinheiro e hoteleiro, o único que falava árabe) e Eduardo Oliveira Rocha.

FALSO SUICIDIO


Outra grande peta que fica para a história foi a noticia do suicidio da Mónica Vitti.

Portugal chorou por breves instantes uma estrela italiana “ Mónica Vitti suicidou-se ontem em Roma” noticiou a 4 de Maio de 1988 o vespertino Diário de Lisboa reproduzindo uma noticia publicada nessa manhã pelo matutino francês Le Monde.

Mas, na manhã seguinte, o jornal parisiense enviava um ramo de rosas à atriz com um pedido de desculpas.

O jornal Le Monde contava que na antevéspera, um homem que se identificara como representante do agente de Mónica Vitti em França, ligara em lágrimas, para a redação. A comunicar o “infasto acontecimento”.

O jornal caiu na brincadeira de mau gosto e o Diário de Lisboa foi atrás, vendo-se a desmentir a noticia e a pedir desculpas.

Mais brincadeiras como estas foram noticia sendo depois vistas como grandes petas.



ZÉ ANTUNES

2013

14/04/2013

MATACANHA


Nas minhas férias ao Bailundo, em 1975,  numa certa ocasião senti uma comichão no dedo grande do pé direito, bem junto à unha; esse desconforto, não sendo acentuado, transtornava.

Uma lavadeira mais velha que estava perto de mim, olhou para os meus pés e disse: - Ué chinder (branco) tem tacanha (matacanha ou bitacaia) nos pé". Não percebi mas quando cheguei a casa perguntei ao cozinheiro o que ela queria dizer.

"Minino mostra lá os teus pés". Mostrei-lhe os pés e ele verificou que eu tinha um ninho de matacanha (espécie de pulga) quase do tamanho de uma ervilha entre os dedos dos pés.

Em uma bacia, com água morna, lavei e limpei melhor toda a área do pé. Foi quando reparei num ponto negro circuncrito por um circulo de um tom mais amarelado. Está aí!... Esse ponto negro era uma pulga matacanha.

Foi buscar um canivete bem afiado e com muito jeito sacou o ninho de ovos de matacanha sem o romper. Seguidamente deitou-lhe por cima cinza do cachimbo, ainda quente. A ferida sarou em pouco tempo mas ainda hoje tenho a marca no dedo grande do pé direito.

A matacanha ou bitacaia é muito vulgar por toda a África e é um autêntica praga. No início, quando a pulga entra na pele dá comichão e, então, é a altura adequada para a tirar com uma agulha caso contrário forma-se um ninho por baixo da pele com centenas de ovos.

O nome cientifico do bicho é "tunga penetrans" sendo um inseto da família dos fungídeos. Apanha-se na terra, junto a capoeiras, pocilgas ou na praia, e por isso também é conhecido com essas terminações.



O saco da matacanha
ZÉ ANTUNES

1975

PASTEIS DE FEIJÃO


Sempre que vou a Penafirme – A dos Cunhados – Torres Vedras, passar os fins de semana disponiveis, gosto desta aldeia foi o lugar onde nasci, não me posso esquecer de comprar uma caixa de Pasteis de Feijão, e é coisa que acontece com alguma frequência. Podem ser feitos na Fábrica Coroa ou na Fábrica Brazão. É-me indiferente. No passado até eram feitos no Zé Crispim. São muito idênticos.

Comecei a gostar deles no ano lectivo de 1970. Saia cedo da Póvoa de Penafirme nos autocarros da transportadora CLARAS e em Torres Vedras numa Pastelaria ali ao lado da Garagem, os empregados já sabiam, era um cafézinho e um Pastelinho de Feijão. Feitos de gemas de ovos, açúcar, feijão e amêndoa, são macios, com um sabor único, uma tentação a cada dentada. Um dos muitos tradicionais doces portugueses, mas um dos meus preferidos. Para poder contar a estória destes doces, procurei e encontrei - o que é que não encontramos na net quando procuramos.

Pastel de Feijão da Fábrica Coroa
Conta a história que:

- «Nos finais do século XIX, vivia na Vila de Torres Vedras uma ilustre senhora, D. Joaquina Rodrigues, que possuía uma receita de uns deliciosos pastéis, feitos com requintes de mestria, com que brindava os seus familiares e amigos.

D. Maria aprendeu muito bem a lição e passou a fabricar os pastelinhos por encomenda, sendo ela a primeira pessoa a comercializá-los. No entanto, a receita também foi divulgada entre os familiares de D. Joaquina e, assim, uma parente de nome Maria Adelaide Rodrigues da Silva, na intimidade conhecida por Mazinha, também aprendeu a arte de fabricar os pastéis de feijão.

A gentil Mazinha, como era conhecida por todos, casou entretanto com o Sr. Álvaro de Fontes Simões, alcunhado de Pantaleão, que decidiu explorar comercialmente os doces. Assim, nasceram os pastéis de feijão da marca "Maria Adelaide Rodrigues da Silva", que alcançaram um estrondoso sucesso que se estendeu para muito além da região de Torres Vedras.

Posteriormente, começaram as pastelarias da terra a dar fabrico próprio aos famosos pastéis, segundo receitas da sua autoria, mas sempre com a amêndoa e o feijão por base.

Por volta de 1940, um filho do Sr. Álvaro Simões, Virgílio Simões, montou uma fábrica especificamente destinada ao fabrico dos pastéis. Nasciam os muito conhecidos pastéis "Coroa". Esta fábrica incrementou de tal modo a produção que o seu proprietário decidiu mecanizá-la. Em 1973, já trabalhavam na fábrica 14 empregados e eram produzidas 250 dúzias diárias.

De seguida, uma irmã do Sr. Virgílio e igualmente enteada da "Mazinha" , a D. Vigília, criou uma nova fábrica, que batizou de "Brazão", o seu apelido matrimonial. Tendo cessado a laboração em 1960, a marca seria vendida já nos anos 80, passando os pastéis a ser fabricados no lugar do Bonabal, agora com o rótulo de "Brazão".

Em meados do século, o pastel de feijão tinha-se assumido universalmente como o doce de Torres Vedras.

Devido ao desenvolvimento das indústrias artesanais, existem, actualmente, em Torres Vedras várias fábricas de Pastéis de Feijão.

Deixamos os ingredientes para que não restem dúvidas e convidamo-lo a provar este ótimo doce cujo processo de certificação está a dar os primeiros passos

Pastel de Feijão na vitrina da Pastelaria
Ingredientes para 24 Pastéis de feijão :

§ 500 gr de açúcar pilé

§ 125 gr de polme de feijão branco

§ 125 gr de miolo de amêndoa

§ 12 gemas de ovo e uma pitada de sal »

Pesquisa na net
daqui a informação e a receita. Para 24 já marcharam todos. Não eram muitos.


ZÉ ANTUNES

2013



09/04/2013

A TROIKA


Este ano de 2013, fui ao Carnaval de Torres Vedras, dizem, que é o mais português dos carnavais, e o tema principal foi a Troika, a Austeridade, Passos Coelho & Companhia. 

Carnaval é um só dia! Por escassas horas, esqueçamos a Troika, a Austeridade, Passos Coelho & Companhia e damos largas à folia. Coloquemos a máscara da alegria. Depois, já na quarta-feira de cinzas, retomemos a máscara da pieguice e da complacência e aguentemos a chatice do "carnaval" diário. 

Março abre-se para uma pausa na memória da Páscoa quando os simbolismos religiosos se aceitavam serenamente e nada se questiona: a bênção dos óleos sagrados, o lava-pés, os laudes de sexta-feira santa, a vigília pascal e a festa da Ressurreição. Também ai podemos esquecer a Troika, a Austeridade, Passos Coelho & Companhia.

Mas não nos chegava a Troika, a Austeridade, Passos Coelho & Companhia. E agora temos de novo o Sócrates, depois destes anos sabáticos vem para comentar num canal televisivo, não os seus erros mas os erros dos outros, e nós o povo a pagar.

Primavera é o desabrochar da natureza que obedece e respeita o calendário da renovação. É a frescura das tonalidades, o matiz de cores que a natureza toma. É a miscelânea dos primeiros chilreios da passarada e zuídos que se espalham e se confundem no ar. É a explosão dos aromas que enchem o tom mais azul e mais límpido do céu. É a luminosidade e o brilho do astro-rei que se abre para a leveza dos dias, é o cheiro da terra ainda molhada das chuvas, e que chuvas, Ela é muita, mas mesmo muita, que isola pessoas e faz estragos, enfim é a esperança que se opõe ao abandono do sonho e acalenta a exigência da sua reformulação "forçada" para que, reiniciado e tornado concretizável, conceda a oportunidade de acreditar, novamente, na necessidade e na capacidade de sonhar.

Com moção de censura que não passou, estava-se mesmo a ver. E temos o Ministro Miguel Relvas por causa da sua licenciatura a demitir-se. O Chumbo do Tribunal Constitucional, a ser bom para uns e nem tanto para outros.

Mas para mal dos nossos pecados ai vem a Troika novamente, a Austeridade, Passos Coelho & Companhia, e lá teremos que nos preocupar com o dia a dia, com os despedimentos e com os cortes das regalias alcançadas, com os duodécimos e a famigerada sobretaxa. Com cada vez mais desemprego. Vamos ver como fica.

No Verão, calor, praia, férias sem dinheiro. Seguimos o slogan de faça férias fora, cá dentro. Por um período relativamente curto, para descansar destas preocupações todas, e recomeçar a trabalhar com novas energias, também podemos esquecer a Troika, a Austeridade, Passos Coelho & Companhia, por breves tempos.

Quando os dias alegres da estação estival acabarem e em seu lugar chegar o Outono, cobrindo o chão com folhas secas, e o verde exuberante cede lugar ao cinza, e nos seus braços se encontra harmonia, mas também a Troika, a Austeridade, Passos Coelho & Companhia.

O Natal vai chegar. Com ele nossas esperanças, nossos novos sonhos. Que nossas esperanças estejam sempre vivas, e que nossos sonhos tornem-se realidade, e iremos festejar o mais pobre dos Natais, pois nesta data sempre temos o calor, a amizade e o amor da família, sem os subsídios, com os habituais cortes, mas poderemos esquecer por momentos a Troika novamente, a Austeridade, Passos Coelho & Companhia.

E vai chegar o fim do ano, e quem sabe se no ano seguinte, poderá a situação melhorar, mas não, e de certeza que nos lembraremos sempre da Troika, da Austeridade, de Passos Coelho & Companhia.


ZÉ ANTUNES 

2013

 

25/03/2013

A FAMA



Algum tempo depois da inauguração do Centro Comercial Vasco da Gama, a empresa Prosegur ganhou o concurso para gerir o Parque de Estacionamento, na cave do dito Centro Comercial, ali no Parque das Nações.

Nesse Parque de estacionamento, como está regulamentado há lugares para deficientes, mas como era novidade muitas pessoas iam visitar o Centro Comercial, e o afluxo de automóveis era tanto que esses lugares eram ocupados por automóveis, em que os seus proprietários não tinham o dístico de deficientes nos seus automóveis.

Nesses lugares bem assinalados ainda se reforçou com uma placa de pedido de solidariedade para não estacionar naqueles lugares visto ser lugar de deficientes, sempre que algum condutor ali estaciona-se, placa era posta no vidro do automóvel, para advertir os condutores, para que na próxima vez não estacionarem naqueles lugares.

Tudo decorria bem com a coordenação do supervisor e seus colaboradores, mas eis que um belo dia, uma figura do dito jet sete de Lisboa, entra no Parque de Estacionamento, com o seu mercedes cinzento topo de gama, estaciona no lugar indevido, lugar dos deficientes, e vai à sua vida, foi fazer compras.

Quando regressa encontra a placa de pedido de solidariedade, para não estacionar naqueles lugares visto ser lugar de deficientes.

A famosa Senhora, pega na placa e dirigi-se a uma colaboradora que se encontrava no parque e com uma atitude de superioridade e altivez diz:

Menina pode-me dizer o que é isto!!, o que isto significa?

A colaboradora cordialmente diz:

A Senhora estacionou a sua viatura num lugar de deficientes, e essa placa é um pedido, para elucidar as pessoas que os deficientes, devido ás suas limitações, também têm direito a um lugar de estacionamento!! Se fosse na via pública as autoridades que regulam o trânsito multavam-na.

Resposta da dita senhora:

Sabe quem eu sou? Eu sou uma cantora famosa e gasto muito dinheiro nos Supermercados Continente.

A colaboradora com a maior das calmas diz:

Eu sou a Teresa, da Prosegur, muito prazer! Mas informo-a que o Parque não é só dos clientes dos Supermercados Continente, o Parque é da SONAE e por conseguinte de todos os clientes que frequentam o Centro e que compram nas Lojas do Centro Comercial.

A dita senhora sem saber mais que dizer, lá se meteu no seu belo automóvel, de cabeça baixa, pois pensava, que por ser famosa, poderia estacionar onde bem quisesse.

De salientar que o Dístico que ela ostentava no seu automóvel era uma foto dela mesmo só em langerie.

Não se sabe se mais alguma vez estacionou no lugar dos deficientes

Sei que a Teresa ao contar esta história dá sonoras gargalhadas.

ZÉ ANTUNES
2001

17/02/2013

THE REAL PRESIDENT...



APRECIEM A HUMILDADE DESTE HOMEM

OS POLITICOS PORTUGUESES, DESDE OS DEPUTADOS ATÉ AO PRESIDENTE, BEM PODIAM OBSERVAR E SEGUIR O EXEMPLO DELE!!!
São estas imagens que a nossa televisão devia passar nas horas de grande audiência...Leia no final.

 








Nada mais certo:

"DINHEIRO, FAZ HOMENS RICOS, O CONHECIMENTO, HOMENS SÁBIOS E A HUMILDADE FAZ GRANDES HOMENS!!!"

Existem pessoas que não tem absolutamente nada, mas porque ocupam um determinado cargo em alguma grande, média ou pequena empresa, acham-se no direito de sentirem-se superiores aos demais, na verdade são pequenos e só conseguem sentir-se grandes, humilhando, pisando, tripudiando o seu semelhante, isso está sendo plantado em muitas empresas e o que colhem são pessoas amargas, doentes e determinadas a vencer a qualquer preço, na verdade se tornam pessoas infelizes e incapazes de realizações simples. Observem as fotos acima, o homem mais poderoso do mundo aproveitando momentos que muitos repudiariam, zombariam ou simplesmente achariam de péssimo gosto agir dessa forma. Ele é um ser humano como qualquer outro, tem anseios, necessidades, amor, tristezas, desilusões, aborrecimentos e tudo o que qualquer mortal possa sentir, mas ele sabe usufruir de momentos raros que jamais voltarão. "Não é riqueza ou o dinheiro que nos trazem felicidade, e sim a interpretação da vida"

VALERÁ A PENA A ARROGÂNCIA DE UNS, EM DETRIMENTO DA TÃO PEQUENA VIDA QUE TEMOS?

ZÉ ANTUNES
2011
Recebido por mail

17/01/2013

MEU DEUS…TIRAM-LHES TUDO!



Os estados não conseguem, mesmo dentro de portas, sustentar essa defesa intransigente dos direitos do ser humano. As constituições sublinham forte e feio a necessidade de a democracia se organizar a partir desta essencial proteção, defesa e desenvolvimento do ser humano. Mas a verdade é que, cada vez menos, isto é uma realidade dentro de portas. O que é importante é…só e só, que o Estado controle o défice e, se possível, que dê lucro, não à custa da colaboração de todos mas de uma…agressiva diferenciação entre “Teres” e “Seres”. Porém, a nossa população rural está envelhecida, sem forças, sem energias para se renovar, merecia, sem dúvida, uma vida digna. Acabaram-lhe com as alegrias bucólicas dos campos e devolveram-lhe a miséria. Encerrarem-lhes centros de saúde, os correios, telefone, televisão, água canalizada, esgoto, eletricidade, acesso às escolas ou estradas. Retrocederam-lhe o tempo. Impávidos e serenos, viram encerrar parte dos centros médicos e correios; a televisão mudou-lhes o rumo, a visão, mudaram-na para a “TDT”, que não sabem o que isso é; ficaram sem luz, porque a eletricidade está ao preço do ouro; o acesso às escolas, que seus filhos e netos tinham direito - encerraram portas - só poderão frequentar ensinos escolares, todos os jovens que têm ou podem pagar os transportes. A água canalizada e o gás, como estão caríssimos, só podem tomar banho no rio. Regressaram aos tempos primitivos, das casas sem telhado, sem cozinha, e sem casas de banho. Portanto à que defecar no campo, “mijar” no penico e limpar-se ao jornal. Quanto aos nossos “velhotes” estão proibidos de adoecer, principalmente, maiores de 70 anos. Quanto às mulheres grávidas, elas que vão “parir” para o estábulo. Entretanto, nas ruas citadinas, os transeuntes desesperam em passeios sujos e esburacados. A corrupção camarária e a burocracia oficial fizeram da vida do munícipe um martírio quotidiano. Pelos passeios multiplicam-se os pobres, os drogados e os arrumadores. A mendicidade urbana está a crescer. Sofrer a violência das sociedades é o próprio do mundo. Mas resignar-se a sofrê-la, viver sem ver o sofrimento dos outros, abdicar do protesto e considerar normal a miserável vida urbana é pior que o próprio sofrimento. É que no Portugal contemporâneo, urgente é a cidade. Urgente é o défice! Urgente é pagar-se o que se deve a Bruxelas, ao FMI, à Troika e aos Bancos. Urgente, é olhar para os nossos governantes, que aflitos, alegam que seus ordenados acima dos dez mil euros, não lhes chegam para fazerem face aos seus problemas, devido ao elevado custo de vida. Urgente é…?!!

CRUZ DOS SANTOS ( Banga Ninito )

2012

03/01/2013

A MINHA ANGOLA!!!



Lindo, ...a minha Terra!


"Um beijo sem nome"do livro "Vozes ao Vento"

Quando te disse
Que era da terra selvagem
Do vento azul
E das praias morenas...
Do arco-íris das mil cores
Do Sol com fruta madura
E das madrugadas serenas....

Das cubatas e musseques
Das palmeiras com dendém
Das picadas com poeira
Da mandioca e fuba também...

Das mangas e fruta pinha
Do vermelho do café
Dos maboques e tamarindos
Dos cocos, do ai u'ééé...

Das praças no chão estendidas
Com missangas de mil cores
Os panos do Congo e os kimonos
Os aromas, os odores...

Dos chinelos no chão quente
Do andar descontraído
Da cerveja ao fim da tarde
Com o Sol adormecido...

Dos merenges e do batuque
Dos muquixes e dos mupungos
Dos imbondeiros e das gajajas
Da macanha e dos maiungos.

Da cana doce e do mamão
 papaia e do cajú...
tu sorriste e sussurraste
"Sou da mesma terra que tu!

ZÉ ANTUNES

2008

28/12/2012

SUPORTE DO USUÁRIO



Recebi esse texto por e-mail e infelizmente não sei quem é o autor, mas achei muito inteligente e bem humorado.

Prezado Técnico,

Há um ano e meio troquei o programa [Noiva 1.0] pelo
[Esposa 1.0] e verifiquei que o Programa gerou um
aplicativo inesperado chamado [ Bebê.txt ] que ocupa
muito espaço no HD.

Por outro lado, o [ Esposa1.0] se auto-instala em
todos os outros programas e é carregado
automaticamente assim que eu abro qualquer
aplicativo..

Aplicativos como [Cerveja_Com_A_Turma 0.3],
[Noite_De_Farra 2..5] ou [ Domingo_De_Futebol 2.8],
não funcionam mais, e o sistema trava assim que eu
tento carregá-los novamente.

Além disso, de tempos em tempos um executável oculto
(vírus) chamado [Sogra 1.0] aparece, encerrando
Abruptamente a execução de um comando.

Não consigo desinstalar este programa. Também não
consigo diminuir o espaço ocupado pelo [Esposa 1.0 ]
quando estou rodando meus aplicativos preferidos.

Sem falar também que o programa [Sexo 5.1] sumiu do HD.
Eu gostaria de voltar ao programa que eu usava
antes, o [Noiva 1..0], mas o comando [ Uninstall.exe]
não funciona adequadamente.

Poderia ajudar-me? Por favor!
Ass: Usuário Arrependido


RESPOSTA:

Prezado Usuário,

Sua queixa é muito comum entre os usuários, mas é
devido, na maioria das vezes, a um erro básico de
conceito: muitos usuários migram de qualquer versão
[Noiva 1.0] para [ Esposa 1.0] com a falsa idéia de
que se trata de um aplicativo de entretenimento e
utilitário.

Entretanto, o [Esposa 1.0] é muito mais do que isso:
é um sistema operacional completo, criado para
controlar todo o sistema!

É quase impossível desinstalar [Esposa 1.0] e voltar
para uma versão [Noiva 1.0], porque há aplicativos
criados pelo [Esposa 1..0], como o [ Filhos.dll ], que
não poderiam ser deletados, também ocupam muito
espaço, e não rodam sem o [Esposa 1.0].

É impossível desinstalar, deletar ou esvaziar os
arquivos dos programas depois de instalados. Você
não pode voltar ao [Noiva 1.0] porque [ Esposa 1.0]
não foi programado para isso.

Alguns usuários tentaram formatar todo o sistema
para em seguida instalar a [Noiva Plus] ou o [ Esposa
2.0], mas passaram a ter mais problemas do que antes
(leia os capítulos 'Cuidados Gerais' referente a
' Pensões Alimentícias' e ' Guarda das crianças' do
software [CASAMENTO].

Uma das melhores soluções é o comando
[DESCULPAR.txt /flores/all] assim que aparecer o
menor problema ou se travar o micro. Evite o uso
excessivo da tecla [ESC] (escapar). Para melhorar a
rentabilidade do [Esposa 1.0 ], aconselho o uso de
[Flores 5.1], [ Férias_No_Caribe 3.2] ou [Jóias 3.3].

Os resultados são bem interessantes!
Mas nunca instale [Secretária_De_Minissaia 3.3],
[Antiga_Namorada 2.6] ou [ Turma_Do_Chopp 4.6], pois
não funcionam depois de ter sido instalado o [Esposa 1.0]
e podem causar problemas irreparáveis no sistema.

Com relação ao programa [Sexo 5.1 ] esquece! Esse roda quando quer.

Se você tivesse procurado o suporte técnico antes de
instalar o [Esposa1.0 ] a orientação seria: NUNCA
INSTALE O [ESPOSA 1.0] sem ter a certeza de que é
capaz de usá-lo!

Boa Sorte

2012

19/12/2012

PALACIO DE FERRO LUANDA

Palácio de Ferro.jpg
Palácio de Ferro em 2011



Luanda - Símbolo do renascimento da capital de Angola depois de 27 anos de guerra civil, o "Palácio de Ferro", restaurado pela construtora brasileira Odebrecht, é uma estrutura única projetada pela escola de Gustave Eiffel que ressurgiu da ferrugem e do abandono para virar um centro cultural. foi durante muitos anos a sede da companhia do açúcar.

A recuperação econômica do país de língua portuguesa rico em petróleo, que disputa com a Nigéria o posto de líder em produção do combustível na África subsaariana, se reflete em várias obras públicas em Luanda.

A capital, onde se refugiaram milhões de angolanos que fugiam da guerra, é cenário da construção de estradas e edifícios modernos. Ao invés de demolir os prédios históricos danificados, o município decidiu restaurar os imóveis. "A história do Palácio de Ferro conserva seus mistérios", afirma Emanuel Caboco, do Instituto Nacional Angolano para a Herança Cultural. "Não há arquivos sobre esta obra, mas pensamos que data de 1890", acrescenta.




Palácio de Ferro com original decoração
terá sido desenhado por Gustave Eiffel


O edifício, construído em módulos na França e que teria Madagascar como destino, teria sido interceptado pelos colonos portugueses quando o navio que o transportava foi obrigado a atracar na costa atlântica do continente, bloqueado pelas fortes correntes da Costa dos Esqueletos. "Diante da falta de documentos da época é impossível dizer por quê chegou aqui e não foi transportado até Madagascar", afirma Caboco. "Pensávamos que havia sido desenhado por Gustave Eiffel. Depois soubemos que por razões de datas deve ter sido obra de um de seus alunos".

A estrutura de dois andares parece ter sido utilizada como centro de exposições de arte até a saída dos portugueses, na independência de Angola em 1975. O Palácio de Ferro, como todos os edifícios da época, foi abandonado durante a longa guerra civil que explodiu com a independência.

Com o passar dos anos, vários sem-teto se refugiaram no local. Há pouco tempo, os habitantes da capital utilizavam o terreno como estacionamento. Depois de dois anos de obras financiadas pela empresa paraestatal de extração de diamantes Endiama, o Palácio exibe com orgulho atualmente os muros amarelos e as balaustradas de aço, como um símbolo do renascimento da cidade.

A Odebrecht começou os trabalhos com a retirada das partes destruídas. "Depois isolamos, parte por parte, o que restava do edifício", conta Alan Cunha, um dos engenheiros que supervisionaram os trabalhos. "Alguns pedaços estavam em boas condições, mas outros tiveram que ser reparados e os enviamos ao Brasil de avião", completa.

As peças muito destruídas tiveram que ser fabricadas no Rio de Janeiro, já que nenhuma indústria viável sobreviveu à guerra civil em Angola. Agora que a restauração terminou, os moradores se perguntam sobre o futuro da estrutura.

Para alguns, o Palácio de Ferro abrigará um museu do diamante. Outros afirmam que o andar superior foi preparado para receber uma cozinha industrial e que o Palácio será transformado em restaurante.


Palácio de Ferro em Luanda
na sua versão original, antes da reparação


Extraido de uma noticia de angola via net

2011

ARDINA



Ficheiro:Ardina (Porto).JPG
Estátua de um ardina no Porto,

O ardina era um vendedor de jornais de rua que apregoando a notícia chamava a atenção do potencial cliente. Figura muito retratada por artistas e muito popular pela sua exposição pública, a sua origem perde-se nos tempos e remete-nos à "notícia" que corria de boca em boca.

O ardina difere do atual distribuidor de jornais gratuitos. Preteridos pelo aparecimento de quiosques e outras meios de distribuição, já não se encontram ardinas pelas ruas de Lisboa, que
apregoavam a manchete do dia, e a informação fonte do seu sustento.

Os ardinas começaram por ser crianças esfarrapadas, descalças, de macaco de ganga remendado, muito despachadas e sempre de olho vivo. Homens adultos, mulheres e raparigas também ingressaram na profissão. As mulheres vendiam os jornais à porta dos cafés e igrejas.

As raparigas faziam a sua venda à porta dos cinemas e muitas percorriam as ruas a vender jornais.

Os jornais matutinos eram por regra vendidos pelos rapazes.

Os vespertinos eram vendidos nos carros elétricos pelos miúdos, que subiam e desciam do carro elétrico em movimento. Os ardinas iam comprar os jornais à Secção de Vendas. Nos anos quarenta as empresas jornalísticas começaram a ter vendedores nas estações, fardados que usavam um boné com um letreiro indicando o nome do jornal.

Estes vendedores recebiam os jornais meia hora antes dos ardinas e varinos e roubavam-lhes a clientela no Rossio.

Os ardinas tinham um sindicato. Em meados do século XX os jornais começaram a ser vendidos em locais fixos, nos quiosques, nas bancas, nas papelarias, acabando por extinguir a profissão de ardina.



Vendedores de Jornais em Lisboa 1940



T
Tipos e factos da Lisboa  (1900-1974). 

Publicações Dom Quixote, 1986, p. 201


1985

18/12/2012

ÉPOCA NATALICIA


Primeiramente, quero desejar ( para todos e para todos os vossos Entes Queridos), um Santo e Feliz Natal. Depois, anexar este pequeno texto, que é alusivo à época Natalícia.

Recebam um forte Abraço de eterna Amizade e os desejos ardentes de muita saúde e votos de Festas Felizes.
Um pequeno texto de natal!
Hoje, nesta Sociedade de consumo e da época geológica e notável das tecnologias avançadas, já pouco damos importância à virtude da humildade: pouco, ou mesmo nada, à seriedade, à honra e à Amizade. O mundo moderno, já não nos dá tempo para essas disposições, para esses actos virtuosos e muito menos para cultivar o Amor. Pelo contrário, compadece-se de quem tem um comportamento puro, sincero, humilde e considera essa pessoa fraca, uma vencida. Esta imagem surge na nossa mente desta forma, porque se perdeu o significado profundo, espiritual da humildade. Nós vivemos como se os recursos da terra fossem ilimitados. O nosso orgulho é excessivo. Estamos convencidos de que as nossas acções são sábias, racionais. Na verdade, procedemos com arrogância e teimosia. Somos todos intolerantes, estamos convencidos de que só nós, conhecemos a verdade. Condenamos e exaltamos quem ajuíza e condena. Fazer Amigos hoje, está a tornar-se um “artigo de luxo”. As pessoas hoje, querem ser idolatradas, admiradas, famosas. Estão a perder os sentimentos, a pôr de parte o Amor pelo seu semelhante, pelo seu Irmão. Estão a “virar as costas” à fraternidade, à simpatia e à ternura. Mas CRISTO, nos últimos dias da sua trajectória nesta Terra, disse que queria muito mais do que admiradores, queria Amigos. Não há relação mais nobre do que ser e ter Amigos. Os Amigos mesclam-se, confiam mutuamente, desfrutam do prazer juntos, segredam coisas íntimas, torcem uns pelos outros. Os Amigos não se anulam um ao outro, completam-se. Quem vive sem Amigos…vive só e triste.

E quem somos nós perante Deus? Nada, um cisco no ar, uma gota de água suspensa do tecto e que pode cair a todo o instante. Então, porquê tanta vaidade? Porquê tanta petulância? Tanto ódio e tanta Inveja? A humildade de que nos fala a nossa tradição é, portanto, uma importante virtude. Ela torna-nos conscientes dos nossos deveres para com a Terra e o futuro. Tenhamos Fé. A Fé é o oposto do procedimento intelectual. A Fé é Amor apaixonado por Deus. Mas este Amor é o próprio Deus que o suscita. O homem pode apenas predispor-se a encontrá-lo. Fá-lo orando, transformando-se em “NADA” na presença Dele.

E é com esta mesma Amizade e Humildade, que rogo a DEUS, para que todos tenham, um Santo e FELIZ NATAL!

C. S.

29/11/2012

FRASES QUE GANHARAM IMORTALIDADE



Estar vivo é o contrário de estar morto - Lili Caneças

Nós somos humanos como as pessoas - Nuno Gomes – SLB

Quem corre agora é o Fonseca, mas está parado.- Jorge Perestrelo

Inácio fechou os olhos e olhou para o céu! - Nuno Luz (SIC)

O meu coração só tem uma cor: azul e branco - João Pinto (Antigo Capitão do FCP)

A China é um país muito grande, habitado por muitos chineses... - Charles de Gaulle

Lá vai Paneira no seu estilo inconfundível... (pausa) ...mas não, é Veloso.' - Gabriel Alves

Juskowiak tem a vantagem de ter duas pernas ! - Gabriel Alves

É trágico! Está a arder uma vasta área de pinhal de eucaliptos - Jornalista da RTP

Um morreu e o outro está morto - Manuela Moura Guedes

Prognósticos só depois do jogo - João Pinto (FCP)

Antes de apertar o pescoço da mulher até à morte, o velho reformado suicidou-se. - João Cunha - testemunha de crime

Quatro hectares de trigo foram queimados. Em princípio trata-se de incêndio. - Lídia Moreno - Rádio Voz de Arganil

O acidente foi no tristemente célebre Rectângulo das bermudas. - Paulo Aguiar - TV Globo

O acidente fez um total de um morto e três desaparecidos. Teme-se que não haja vítimas. - Juliana Faria - TV Globo

Os antigos prisioneiros terão assim a alegria do reencontro para reviver os anos de sofrimento. - Maria do Céu Carmo – Psiquiatra

À chegada da polícia, o cadáver encontrava-se rigorosamente imóvel. - Ribeiro de Jesus - PSP de Faro

O acidente provocou forte comoção em toda a região, onde o veículo era bem conhecido. - Atónio Bravo – SIC

Ela contraíu a doença em vida - Dr. Joaquim Infante - Hospital de Santa Maria

Há muitos redactores que, para quem veio do nada, são muito fieis às suas origens - António Tadeia - Crónicas do "CORREIO da MANHÃ"

A vítima foi estrangulada a golpes de facão - Ângelo Bálsamo - JORNAL do INCRÍVEL

A polícia encontrou no esgoto um tronco que provém, seguramente, de um corpo cortado em pedaços. E tudo indica que este tronco faça parte das pernas encontradas na semana passada. - Agente PAULO CASTRO - Relações Públicas da P.J.

Os sete artistas compõem um trio de talento - Manuela Moura Guedes – TVI

Esta nova terapia traz esperanças a todos aqueles que morrem de cancro em cada ano - Dr. Alves Macedo – ONCOLOGIA

Chutou com o Pé que tinha mais á mão – Gabriel Alves

Estava-mos à beira do Precepicio demos um passo em frente- João Pinto capitão do F.C. Porto após uma vitória da sua equipa

Quando o jogo está a mil, minha naftalina sobe - Jardel, ex-jogador do Sporting Clube Portugal

Querem fazer do Boavista o bode respiratório - Jaime Pacheco, treinador do Boavista FC

Não tem outra, temos que jogar com essa mesma - Jaime Pacheco, treinador do Boavista FC, ao responder pergunta do repórter, se eles iriam jogar com aquela chuva

Se entra na chuva é para se queimar - Denilson - Jogador da Selecção do Brasil

Haja o que hajar, o Porto vai ser campeão - Deco, Ex-jogador do FC Porto

O Difícil, como vocês sabem, não é fácil – Jardel

Jogador tem que ser completo como o pato, que é um bicho aquático gramático - César Prates, Ex-jogador do Sporting

No Porto é todo o mundo muito simpático, é um povo muito hospitalar - Deco, Ex-Jogador do FC Porto, a comentar a hospitalidade do povo da invicta

Eu disconcordando com o que você disse - Derlei, do F. C. PORTO, em entrevista ao Jornal Record

Em Portugal, é que é bom. Lá a gente recebe mensalmente de 15 em 15 dias - Argel, jogador do Benfica

Nem que eu tivesse dois pulmões alcançava essa bola - Roger, jogador do Benfica emprestado a um clube brasileiro

12/09/2012

ZÉ DO TELHADO





Apeteceu-me escrever este pequeno texto, nestas horas de solidão e momentos de saudade. Aqui estou eu nesta Lisboa de ontem e de hoje, a recordar a minha Terra, a minha Angola, nesta Europa de Loucos, de dementes, agiotas e invejosos. 

O mundo é um palco e a vida um jogo de som e concorrência, representado por um LOUCO, e uma TROIKA que nos mostra a realidade sob a capa do irreal, o sério escondido sob o jocoso. Em cortejo diário, em fila Indiana, a Loucura vai apresentando os atores no palco da vida: os príncipes ignorantes e devassos; os condes aduladores; os filósofos estéreis e quezilentos; os corruptos e as prostitutas mascaradas de gente séria e fina; os artistas pretensiosos; os juízes e advogados astutos; os gestores a quem apenas importa o chorudo vencimento, o título e as honras; os monges torpes e inúteis; o longo cortejo de padres, teólogos, bispos, cardeais e papas, cuja vida é a negação de Cristo. 

A guerra, a corrupção, a bajulice, a astúcia, a fraude, a superstição, aparecem como a trama (intriga, conspiração) em que se tecem os dias dos seus contemporâneos, e lembrei-me do lendário Zé do Telhado, de seu nome José Teixeira da Silva, nasceu em 1816 na Freguesia de Costelo de Receguinhos - Penafiel. 

A sua alcunha não lhe adveio de assaltar as casas pelo telhado ou de serem os telhados o caminho para a fuga à polícia. Ficou assim conhecido porque nasceu no lugar de Telhado, numa casa coberta de telhas, ao contrário das casas da vizinhança, que usavam palha. 

Este conhecido e mítico salteador, que roubava aos ricos para dar aos pobres, ( Robin dos Bosques Português ) andou por Braga, no curso das suas aventuras, das quais se recordam as designadas por "Barbeiro Gabarola" e "Galego Sovina". 

Participou em 1846, na Revolta da Maria da Fonte (Póvoa de Lanhoso), tomado partido pelas forças populares. 

O famoso Zé do Telhado, que no séc. passado, em Portugal roubava aos ricos para dar aos pobres ( na série "As Pupilas do senhor Reitor que passou na RTP ), foi várias vezes preso, tendo até partilhado o cárcere com o Escritor Camilo Castelo Branco. 

Casado com sua prima Ana Lentina de Campos ( a boda celebrou-se a 3 de Fevereiro de 1845), Zé do Telhados entrega-se à vida militar de corpo e alma, sendo condecorado pela sua bravura. Após algum tempo, regressa para o seio da família, uma transição que contou com alguns obstáculos, nomeadamente, o fato de ter dividas pelo não pagamento de impostos, acabando por ser expulso das Forças Armadas. Sem conseguir arranjar trabalho, restou a Zé do Telhado transformar-se no mais famoso bandoleiro de Portugal. 

Com as autoridades no seu encalço por todo o País, Zé do Telhado resolveu fugir para o Brasil, escondendo-se na barca “ Oliveira”, acostada no Porto. Ali estava à guarda de Ana Vitória, uma mulher que fora sua vitima, mas que se tornara sua admiradora. Cabe-lhe a ela a frase lapidar que o transformou no Robin dos Bosques português ao dizer: “ existem pessoas de bem que nunca deram ás classes humildes um centésimo do que lhes deu Zé do Telhado. 

O seu julgamento teve inicio em 25 de Abril de 1859. Com acusação pública em 09 de Dezembro do mesmo ano. Foi condenado na pena de trabalhos públicos por toda a vida, na costa ocidental de África e no pagamento das custas. Esta pena foi comutada pelo Tribunal da Relação do Porto em 15 anos de degredo para África, sendo publicada em Setembro de 1863. 

Foi então "degredado" para a África, neste caso para Angola, onde viveu como pequeno comerciante em Mucári - Ambriz. 

Já em Malange, tornou-se negociante de borracha, cera e marfim e casou com uma local, de nome Conceição, com quem veio a ter três filhos. Era conhecido entre os Angolanos como o “ QUIMUÊZO “, ou seja, o homem das barbas grandes, já que as deixara crescer desde que chegara a África. 


Faleceu em 1875 com 59 anos. Zé do Telhado morreria de Varíola, sendo sepultado na aldeia de Xissa. Em Malange há uma campa com a seguinte inscrição:" Túmulo de José do Telhado". Trata-se efetivamente do famoso amigo dos pobres, José Teixeira da Silva, mais conhecido como o "Zé do Telhado". 

Ainda hoje muitos naturais da terra, vão em romarias á sua campa e surge na boca dos mais velhos como figura mítica e protetora dos mais desfavorecidos, e naturalmente, pelo seu caráter, ali também ajudou a população local e vizinha.


Campa do Zé do Telhado ( Xissa – Malange - Angola ) foto net

A HISTÓRIA DO CORNETEIRO





Um esclarecimento que se fazia necessário...Agora sim, entendi tudo

Pois é! Afinal... é por isso!

O Corneteiro "omitiu-se" desde os primórdios da nacionalidade. Então... foi tudo a seguir:

Conquistas, "saqueando" nuestros hermanos, arredando os Mauritanos para lá dos Algarves; alargando nossas fronteiras; descobrindo outras terras além-mar, por Américas, Áfricas e Índia, espalhando a Fé e o Império, intercâmbiando culturas diversas, explorando e desenvolvendo, e assentando arraiais de amor por esta Terra de Deus.

Pois... mas porque é que o Dr. Júlio V. da Silva, na matéria de História Universal, nunca nos falou deste famoso Cornetim de D. Afonso filho de Tareja, deveras marcante na Lusa História, e que se finou (ou fizeram finar) antes do tempo, permitindo que o saque, que só era da praxe, se transformasse numa abundância frenética e tresloucada, eterna e aparentemente inesgotável?!.. Já sei! - Fora excluído do programa de ensino e calado para sempre!

Enfim... não há ninguém - nenhum Barão Assinalado - que brade lá pelo Paço: "Viva o Corneteiro de D. Afonso Henriques!", para ver se este povo estremece e CAI NA REAL, por um momento, e que alguém desobstrua, de verdetes e tampões, e toque o raio do saudoso Cornetim?

Ah! Estava a pensar no Corneteiro da Ilha da Tábua, do Funchal, José Manuel Coelho, mas o rapaz não é brazonado, só tem fôlego, sopra à toa e não tem, concerteza, habilidade e afinação para tocar a fim-de-saque comme il faut.


Afinal a culpa é mesmo do corneteiro!...
Nos primeiros tempos da fundação da nacionalidade - tempo do nosso rei D. Afonso Henriques - no fim de uma batalha o exército vencedor tinha direito ao saque sobre os vencidos.

(Saque - s.m.: ato de saquear. Roubo público legitimado).

Pois bem, após uma dessas batalhas, ganha pelo 1º Rei de Portugal, o seu corneteiro lá tocou para dar "início ao saque" a que as tropas tinham direito e que só terminaria quando o mesmo corneteiro desse o toque para pôr “fim ao saque”.

Porém, fruto de alguma maleita ou ferimento, o dito corneteiro finou-se, antes de conseguir tocar o "fim ao saque".

E, até hoje, ninguém voltou a tocar, anunciando o fim do saque.

Não haverá por aí alguém que conheça o toque?

Recebido via mail de um mangolê da Quibala, foi adaptado do blog- http://olindaolinda.blogspot.com/