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31/07/2012

"RÉSTEAS DE SOL".

Vou aqui colocar o poema da minha amiga Laura

Esta amiga Laura, minha vizinha em Luanda no Bairro São Paulo  ficou surda aos 6 anos. A professora achava que era tempo perdido ensinar uma surda a saber ler e escrever. Mas a Laura nunca esmoreceu, soube dar a volta por cima e hoje escreve e sente como ninguém a voz do silêncio... do seu silêncio! Um dia sabendo o que quanto ela tinha para nos dar e, assim, é ver a minha amiga Laura colocar no papel todos os seus sentimentos em forma de prosa ou poemas.

Nelas retrata a sua vivência e o seu amor por um Bairro (o nosso B.º S. Paulo), e acima de tudo por uma cidade que foi o grande amor da sua vida... Luanda.

Neste poema a Laura lembra aquela idílica Ilha que faz parte do imaginário de cada um de vós e que nós, em Luanda, bem a conhecíamos quando o barco "Kapossoca" ou o “ Kitoco “ atracava no cais e éramos recebidos com colares de missangas,... a Ilha do Mussulo.


O Poema

Quero ser de novo a garota feliz, lá do bairro,
Quero sair por aí, passear na minha ilha,
Conversar com meus amigos
Correr com eles pela praia.
Jogar ao ringue, dar ao arco, mergulhar lá no charco
Que tinha na minha ilha, quando a maré vazava
E não havia maralha que resistisse a saltar,
A berrar pelas alforrecas que dançavam ao nosso redor
E nos faziam correr, chorar e gritar de dor.
Quero ir para a minha ilha
Encontrar um pescador vê-lo a deitar as redes,
E ir com ele pelo mar na canoa a flutuar
Ter a qualquer lugar, que lá na nossa ilha
Era tudo ao pé da mão, podíamos apanhar
Mamões, bananas e papaias lá nas praias,
As mangas eram um nunca mais acabar
Era saltar dentro da água e comer até fartar,
Para as mãos não ser preciso ir lá fora lavar.
Quero ir à minha ilha, sentar ali ao pé dela
Falar da minha vida e o que tem sido
O meu regressar a outra terra, a outro mar
Dizer-lhe bem no ouvido, que, mesmo de longe
A continuo a amar!...

De: Laura Vieira

NOITES DA BOÉMIA

Ir até à Vila Alice, estar ali na cavaqueira com os amigos,  Mabeco, Muralha, Marito,  sentados nas cadeiras do Bar da Eugénio de Castro, e desfilar conversas sobre as miúdas conhecidas enquanto outros faziam malabarismos com as Zundapps,  Floretts, Hondas, Suzukis e Yamahas, mais tarde as Garellis e acelerações que faziam as noites  silenciosas, numa noite  barulhenta.

As noites passadas no "Veleiro" à entrada da Ilha de Luanda, 007 por baixo do Dancing "A Gruta", Flamingo, Iate, D. Quixote, Copacabana, no Poney  e tantas outras, e ali, sentado, bebia o meu Gin Tónico ( Canada Dry ) entre névoas de fumo, sentindo o erotismo dos sons, das palavras ditas até o romper da aurora.

Das noites dançantes, pegar na toalha e ir refrescar o corpo suado nas águas cálidas do Atlântico ali na praia do Tamar, a seguir à “Boite” que lhe deu o nome. Quantas vezes não adormeci  na praia.

Sair da esteira e vir cheirar os cheiros do “Mar Vegetal” nas noites em que o corpo se espreguiçava no corpo dolente de uma africana.

Dos caminhos sem fim, de passos perdidos ou de vidas achadas no calor da noite onde a bebida escorria entre gargalhadas de circunstância depois de um murmúrio, fez parte das  minhas... Inesquecíveis  boémias. Não foram  muitas, mas foram  vividas intensamente.

De: Marius 70




O DESCANÇO DOS DOMINGOS



Longe vão os tempos que nos Domingos à tarde se ia beber umas Cucas ou umas Nocais companhando uma boa lagosta ou umas gambas de estalo, à Restinga, à Biker, ao Amazonas ou uma dobradinha ali no Bar São João, ou no Bar Cravo.

Longe vão os tempos em que no Domingo à tarde se ia a uma Matiné dançante no Tropical, ou ver o “Cazumbi” programa de variedades e de entretenimento no Miramar.

Ou o Chá das Seis no Restauração apresentado pela Alice Cruz.

Longe vão os tempos em que ir ao cinema era como ir ao Teatro Avenida onde, a uma pausa de um concerto de um pianista, o povo se levantava e logo se sentava pois aquilo era só uma pausa, um descansar de mãos momentâneo.

Ir ao cinema era ver as garinas, dar um assobio e elas ruborescerem. Era ver o "El Cid - o campeador", Sansão e Dalila, Trinitá- cowboy insolente, filmes onde as pistolas tinham balas que nunca mais acabavam. ( Artista olha no teu trás… o actor virava-se matava o bandido… hué fui que lhe avisas-te ) dizia o bumbo todo feliz

Ir ao cinema Miramar era; mirar a Marginal, o mar, as barrocas e sonhar por um país que afinal nunca o chegou a ser. Domingo à tarde era uma ida ao Cacuaco, a Viana ou um passeio até à Ilha. Domingo à tarde era dia de jogo nos Coqueiros. Domingo à tarde era dia de moto-cross no Cazenga, na Lagoa do Roldão e nas barrocas do Miramar. Domingo à tarde era altura de passear com a namorada, da mão marota, do descobrir novas emoções.

Agora no Domingo à tarde Josefina, ela mesmo estendida na esteira, vai olhando para a porta da palhota ouvindo o Nelson Ned “esdomingo_ditarde”.



De: Marius 70

26/07/2012

CAÇA GROSSA



Sebastião, era homem já de mais de meia idade, se bem que em África sempre foi difícil saber a idade daquela gente, e até se dizia, em relação aos cabelos brancos, raros, mesmo nos sékulos, os mais idosos, que preto quando pinta, são três vezes trinta!
O Sebastião além de pisteiro era um companheirão formidável. Sempre alegre, já avô, tinha mais resistência do que muitos rapazes de vinte anos que lhe passaram por perto. Todos o tratavam por Bastião
Consciente, sabia que seguir pacaças feridas dentro da mata era temeridade a evitar. Mas chega sempre o dia em que o inevitável acontece.ois de algum tempo dcindo trilhos já muitas vezs, o eim seco mas muito alto, que mal dava para ver as costas das pacassas correndo, o jeep avança e de cima sai um tiro que derruba um dos animais. Quando o cae aproxima e pára, de era quase nula.



Antilope, No meio do capim alto, era difícil atirar!

O Victor Malheiros, o mais maluco e alegre de todos os parceiros de caça, com uma carabina FN 9,3 uma arma possante, corre para a entrada da mata e aí estaca. Nesse local o terreno descia um pouco para uma linha de água, seca naquela época, onde por haver mais humidade, a mata se adensava. O Sebastião aventurou-se um pouco mais, e entrou uma dezena de metros. Ele era o pisteiro, quem tinha de indicar o caminho! O Victor um pouco atrás, arma pronta a atirar. De repente a pacassa, que ferida e à espera de se vingar estava atenta, avança, pega o Sebastião, e sai lá de dentro correndo, com o Sebastião agarrado à cabeça dela e gritando:


- Aiué! Aiué! Não atira, patrão. Não atira, patrão!



Impala Bicho veloz!

Se o patrão atirasse podia atingi-lo, claro! e todos ficaram aterrados sem nada poder fazer para acudir ao nosso Sebastião. Felizmente a pacassa depois de galopar um pouco fora da mata, deve ter-se assustado ao deparar com o jeep no seu caminho, bruscamente estaca e retrocede. Com esta parada foi o Sebastião sacudido da cabeça do bicho e safou-se! Ao passar de novo pelo caçador este desfechou-lhe um outro tiro a poucos metros de distância que a fez cair de vez. O Sebastião estava lívido, que o susto não foi p’ra menos, mas nem sequer se arranhara. Uma sorte louca. O resto do dia foi de grande risada com o não atira patrão, até hoje lembrado com uma saudade imensa daquele homem, óptimo pisteiro e coração grande e amigo. Maior foi ainda a risada quando ao fim do dia de volta à sanzala onde vivia o Sebastião, e para aí passar a noite. Este mal chega, ainda com ar de susto, corre para a mulher e diz-lhe:


- Mulhé, eu moria! Mulhé, eu moria! Quero tudo bêbo! Eu moria mêmo!




Belo exemplar! (talvez 450 a 500 kg) - (foto Sapo)


Imagine-se como foi aquele serão! Não faltou carne nem bebida! Sebastião foi dignamente elevado à dignidade de Grande Forcado, cheio de banga!

A maioria destas caçadas acontecia quase sempre nos fins de semana. A região onde o Sebastião morava e que tão bem conhecia, ficava a menos de cem quilómetros para norte de Luanda, na chamada faixa costeira. Saía-se da cidade cerca do meio dia de sábado. Uma hora e meia depois atravessava-se o rio Dande, onde perto da foz havia uma fazenda de palmar. Paragem quase obrigatória, nessa fazenda bonita, bem organizada, as ruas ladeadas por laranjeiras que davam o que deviam ser as melhores laranjas do mundo. O administrador deixava que se apanhassem quantas quisessem, o que ajudava a matar a sede durante a caça. Ali ao lado, na foz do rio, um imenso viveiro natural de magníficas ostras. Contratava-se um trabalhador da fazenda para as ir apanhar no domingo de manhã, que no regresso da caça, se levariam para casa.

Normalmente dois sacos cheios delas! Em Lisboa custariam uma fortuna! Ali uma gratificação ao apanhador que ficava todo contente e nada lhe custara. Tanta coisa boa naquela terra à disposição de quem quisesse! As noites de sábado para domingo eram sempre passadas no maior desconforto, procurando cada qual dormir um pouco dentro do jeep ou no chão, duro e irregular, nas tendas de campista que levávamos. Impossível. Mas a paixão pela caça tudo justificava e perdoava. Depois do pôr do sol no sábado, normalmente já com alguma peça de caça abatida procedia-se ao seu preparo. Quantas vezes junto à cubata onde vivia o Sebastião e parte da sua família. Esfolava-se o bicho, dividia-se a carne pelos moradores da sanzala, acendia-se o fogo e preparava-se ali um jantar opíparo! Carne de caça, uma delicia, temperada com sal e vinho tinto, e como acompanhamento raras vezes mais do que pão, um pouco de pirão ou umas batatas a murro. À sobremesa as laranjas do Dande. Para beber o mais usual era cerveja ou vinho de garrafão, daquele, do bom, com capacete de gesso, e tudo o que sobrava, e era sempre quantidade apreciável, era reserva do Sebastião, cuja provisão nunca faltava. E ficavam-se horas esquecidas sentados junto ao fogo depois de comer, conversando, ouvindo, contando e repetindo histórias de outras caçadas, histórias e lendas que os pisteiros e até os sobas vinham por vezes compartilhar e contar sob um céu estrelado e tranquilo. Sunguilando. Todos sempre ofereciam as suas cubatas - palhotas de pau a pique - para que lá dentro pernoitassem também os patrões, o que alguns aceitavam, enquanto outros preferiam deitar-se debaixo de alguma árvore, esticados (?) num banco do jeep, ou simplesmente junto ao fogo, dormitando umas escassas horas sob o efeito da ceia e da cerveja, acordando normalmente todos empenados!
Ainda noite, levantar de novo, procurar esticar as pernas, massagear as costas doloridas pela falta do colchão, pescoço meio torcido, passar um pouco de água na cara, reavivar o fogo para preparar um café, e de volta para cima do jeep continuar a caçada.



Gazela

O nascer do dia nos locais de caça é mais uma imagem que o tempo não apaga. Uns bons anos mais tarde, soubemos, com um desgosto imenso, que o nosso querido Sebastião, no meio daquela horrível guerra civil havia sido morto, envenenado, por um dos grupos rivais! Se a guerra é uma imoralidade, guerra civil consegue ser bem pior, o que é difícil, e mais grave ainda quando se matam inocentes que nada têm a ver com as desmedidas ambições dos chefes de qualquer dos lados.



O Búfalo cafre

Volta e meia uma lágrima teima em sair para refrescar as boas lembranças de um homem bom, simples, amigo. Mas falar dele é trazê-lo um pouco de volta à vida.

Histórias de Angola Victor Malheiro fotos net


ZÉ ANTUNES


1974





24/07/2012

VIDA DIFICIL


Depois do 25 de Abril de 1974, a vida em Angola não foi fácil para ninguém. Houve um período em que todos os “brancos” eram considerados “persona non grata” e por isso assistiu-se ao abandono em massa de cerca de 300 mil que regressaram a Portugal e aqui foram designados por “retornados”. Também para os angolanos, aqueles dias não foram melhores, porque logo se iniciou uma feroz guerra civil entre os movimentos de libertação. Quais os cenários possíveis para os ex-combatentes angolanos que lutaram ao nosso lado? Poderiam ter sofrido as consequências por serem considerados traidores; poderiam ter sido “recrutados” pelos movimentos ou fugido à guerra que assolou o país. Não sei o que lhes aconteceu, mas certamente a vida não foi fácil para eles. O auge desta guerra entre o MPLA e a UNITA, viveu-se depois das primeiras eleições que decorreram em 29 e 30 de Setembro de 1992.



Cidade do Kuito ( antiga Silva Porto )

Durante 10 meses, de Janeiro a Outubro de 1993, a cidade de Kuito (antiga Silva Porto) foi cercada e bombardeada pela Unita que a tomou de assalto. Os mortos foram cerca de 45 mil e mais de 50 mil feridos. Do que foi esta batalha, aqui se transcreve um relato:



Cidade do Kuito ( antiga Silva Porto )



Particularmente grave era a situação na cidade do Kuito, cercada pela UNITA. A população estava submetida a bombardeamentos diários, desde o início do ano. Chegavam-me relatos dramáticos, através de esporádicas comunicações via rádio, dando conta de toda a sorte de privações na capital biena, onde cadáveres, abandonados nas ruas, eram devorados por cães esfaimados. Não havia uma única casa de pé. Os habitantes, com medo dos bombardeamentos e dos tiros, escondiam-se entre as ruínas, deixando muitos mortos por enterrar. Só dali saíam para procurarem alguma coisa para comerem, como ratos, lagartos, raízes e folhas de arbustos, enfim, tudo o que encontrassem. Quando esta fonte se esgotou, começaram a alimentar-se dos cães que comiam os cadáveres humanos!
Testemunho de grandes amigos que desde mais ao menos 1993 deixei de ter os seus contactos. O Zé Manel era natural do Cuando-Cubango (Menongue antiga Serpa Pinto) o Tomás do Bié (Kuito antiga Silva Porto), zonas onde a guerra civil foi muito intensa e por isso receio muito pelo que eventualmente lhes possa ter acontecido. O Nené, era natural de Namibe (antiga Moçamedes), uma zona onde a guerra foi mais “suave”. Conheci-os em ( Bailundo antiga Vila Teixeira da Silva) no Monte Belo na estrada que ia para o Kuito. A estes três companheiros, grandes avilos em qualquer lugar onde estejam, presto a minha homenagem. Se forem vivos, terão cerca de 70 anos, “muito velhos”, para um país onde a esperança média de vida é de apenas 42,7 anos.

ZÉ ANTUNES
1993.
Testemunho de Manuel Serrote ( Néné )

23/07/2012

VIDA DIFICIL ..........

Depois do 25 de Abril de 1974, a vida em Angola não foi fácil para ninguém. Houve um período em que todos os “brancos” eram considerados “persona non grata” e por isso assistiu-se ao abandono em massa de cerca de 300 mil que regressaram a Portugal e aqui foram designados por “retornados”. Também para os angolanos, aqueles dias não foram melhores, porque logo se iniciou uma feroz guerra civil entre os movimentos de libertação.

Alguns queriam ficar, mas a falta de alimentos e as condições de trabalho começaram a degradar-se, ninguém sabia já quem mandava.

É aqui que José João, querendo ficar, pois até era Angolano, nascera em Luanda, e até estava a trabalhar num Banco, mas vendo que as coisas estavam a piorar resolve embarcar nos últimos aviões da Ponte Aérea, desembarca em Lisboa num dia de Outubro e vai para casa de sua mãe que já se encontrava em Lisboa, como empregado Bancário vai ao Sindicato dos Bancários e rapidamente se encontra colocado e a trabalhar.

Tempos depois é chamado para o serviço militar, tempo reduzido pois vivíamos numa democracia e não se necessitava de tão grande contingente militar, acabado o serviço cívico, regressa ao seu posto de trabalho no Banco.

Como jovem ambicioso, e porque conhecera alguém no norte do pais, com quem queria partilhar a sua vida , pede a transferência para o Norte e ai se casa e se estabelece, tem dois filhos e trabalhando no Banco a vida está-lhe a sorrir e a correr bem.

Fora do Banco tem três estabelecimentos de pronto a vestir, que lhe dão um dinheirinho extra ao fim do mês, vidinha boa até aos anos 85, depois..............

A partir daqui é só especulação, é o que se houve falar, é o pouco que se sabe ..........

No Banco conhece duas clientes já de idade e com a confiança cliente / Banco as ditas perguntam ao nosso José João o que teriam de fazer para rentabilizar uma boa maquia de dinheiro, que tinham em depósito. O nosso prestativo funcionário bancário logo tratou de gerir o dinheiro ás idosas, pois as lojas estavam a ter prejuízo e aquele dinheiro vinha a calhar, para pagar umas certas dívidas..

Entretanto, lá ia vivendo e fazendo festas como se as lojas estivessem a dar muito bom lucro , e é ai que os fornecedores começam a apertar o cerco, não havendo saída para pagamentos das dividas, o nosso José João despede-se do Banco ou é despedido ninguém sabe, e vem rapidamente para Lisboa, não diz nada a ninguém e primeiramente quer ir para a América, mas para ir para os Estados Unidos é preciso um visto de entrada e é muito burocrático pedir um visto e demora algum tempo, embarca rapidamente para o Brasil para São Paulo.

Colegas do José João ficaram admiradíssimos com tudo o que aconteceu, pois não sabiam de nada, e até pensavam que estava tudo bem e que os negócios iam de vento em poupa, mas a vida é mesmo assim, está-se bem hoje, amanhã não sabemos, é preciso é ter a mente sempre descansada. E se era só o dinheiro das clientes que isso se resolveria, mas que o caso com os fornecedores era mais complicado dai a fuga. Ainda falam hoje em dia porque é que ele tomou a atitude que tomou, mas vá lá o diabo saber, ele é que sabe e é segredo dele.

Entretanto no Norte de Portugal começam a circular Editais com a foto dele a saber se alguém saberia do seu paradeiro, entretanto o caso foi para a Justiça, tendo sido arrestado tudo que se encontrava no seu apartamento, tendo a mulher mesmo assim salvado alguns tarecos, que os levou para casa dos pais.

Ao abrigo de uma lei em que se um dos conjugues estiver desaparecido durante um ano , a esposa pediu ao Ministério Público o divorcio ao qual lhe foi concedido.

Vida difícil para esta mulher, que sozinha criou os dois filhos, praticamente sem ajudas pois sua mãe entretanto falecera e ainda tinha que tratar e cuidar de seu pai que está muito doente. Mas ela sente-se feliz e apesar das agruras da vida, conseguiu educar os filhos que se encontram dentro do possível a trabalhar, e ela agora diz que só quer continuar a trabalhar até a sua reforma, e a tratar dos netinhos, que entretanto nasceram.

ZÉ ANTUNES
2008


22/07/2012

EURO: A MOEDA QUE TROUXE MISÉRIA ?

Tanto se falou na integração da "União Europeia", assim como na nova moeda...o "Euro".. Que a Europa seria uma autêntica muralha defensiva para todos nós, difícil de transpô-la, e que unidos, nós portugueses, só teríamos a ganhar, com essa forte unificação. Na verdade, foi um golpe psicológico inteligente, onde tudo não passou de um sonho, de uma desilusão, de uma fútil aposta ou percepção elementar, acompanhada de um capricho e teimosia, de alguns políticos (advogados e economistas).

Hoje, só se fala em erro, em falha financeira. "O velho sonho de uma língua mundial que aboliria a Babel da competição entre os idiomas é Quixotesco por motivos óbvios. Ninguém vai aprender uma língua, que praticamente ninguém fala. Agora, pense no "Euro": e se ele acabar virando uma moeda europeia entre muitas, em vez do equivalente monetário de uma língua franca?" É que os Alemães, já falam em "ressuscitar o marco", em vez de resgatar economias quebradas como a da Grécia.

É trágico que o sistema europeu, já se encontre dividido em duas "camadas", e que a de baixo seja ocupada pelos próprios países - Grécia, Portugal, Espanha e Irlanda - que mais beneficiaram da ascensão à União Europeia. A forma como a Grécia se comportou ao esconder as suas dívidas, ofendeu os Alemães. E são, todos esses conflitos gerados à volta do "Euro", nomeadamente entre a Alemanha e a Grécia, que fez com que o Ministro Grego das Relações Exteriores, relembrasse a "ocupação da Grécia pelos Alemães, bem como a transferência das reservas de ouro do país". Bom!, com todos esses desentendimentos financeiros, onde uns tentam viver à custa dos mais pobres, com pesados juros e sacrifícios, irá criar-se uma atmosfera de revolta (que já está a ocorrer em alguns países), em vez da tal "Unificação" que todos desejava-mos! E vai ficar muito pior, quando os Alemães começarem a "resmungar", que precisam de "apertar" o próprio cinto, para subsidiar outros regimes menos eficientes. Aí, perguntamos: "-o que vai ser do nosso sonho?" Um futuro promissor, auspicioso e risonho? Provavelmente...que Não! Porque há, efectivamente, alguma coisa na história da Europa, que ficou por contar, envolta em muita precipitação e...imprudência...!
Cruz dos Santos