TuneList - Make your site Live

12/08/2012

OUTROS BAIRROS

Meus kambas, temos que "alimentar" a criança que ainda habita em nós, com estas pequenas recordações...que já não voltam mais!
Recordar outros bairros como  o  "Bê-Ó", (Mana Fató era dona delas ), Sambizanga, Bairro Marçal, Bairro Zangado, Lixeira, Samba, Praia do Bispo, Maianga, Vila Alice, Vila Clotilde, Bairro de São Paulo, ( aiuê Zé Ideias, Sousa e o Banga Ninito) Bairro da Cuca, Bairro Popular nº 1 e 2,   Bairro  N`gola , Bairro Sarmento Rodrigues ,Bairro  Palanca...Enfim, todas aquelas ruas, becos e avenidas, que ficarão para todo o sempre na nossa memória. Recordar...Mas, recordar o quê?! Somos uns "Matumbos  chapados", p'rá aqui desprezados, entregues ao "Deus dará", "corridos" como ladrões da nossa própria Terra! Calvos, gordos, magros, velhos, novos, endinheirados, pelintras, "homens sérios" em manga de camisa, de fato completo, militares e marinheiros...
MAS...Porquê nós?
E quando vinha alguma companhia teatral com amáveis e prestimosas coristas, a cidade toda tremia de emoção: velhos e novos, de preferência, sozinhos, ou com as "patroas", caíamos no velho "Nacional" no “Miramar” e no “Avis “ mais tarde o Imperio (os  cinemas "dus branco de 1ª", os  outros eram  o " São João " no Bairro Popular ou o " N`gola" ou ainda o "Colonial", no Bairro dos "Kapangas"...o São Paulo! Éh cuidado Mano...Aí "soprava" o perigo das "Kibionas (dedo na bunda), apalpadelas na escuridão, corte de fita, intervalo, e, o próprio Sabú do Cononial  na refinada e meticulosa fiscalização:
-Éh pá, Tu aí, mostra-me o teu bilhete se é "Superior" ou "Geral"! Se for Geral, passa lá prá frente, prá aqueles bancos de cimento ou madeira cheios de percevejo, meu "Liambeiro dum raio", meu "Kamanguista", "Pilha Galinhas", "Mutut..... de m****"!!
Mas aquilo eram só "Bafos" à Mucequeiro, até porque o Fernando Sabú só tinha "Es'plingue de Sanzala". Era exibicionista quando estava junto das "garinas"...só para meter estilo e "paleio de chimba"! Filho da Mãe...Fiteiro do Caraças!! Pai dele tinha sido "Cipaio" do "Poeira" (Chefe do Posto do Sambila...filho da p..., reaccionário e racista de m****)!  O Alfaite mucequeiro  o  Pacavira ( BOM MOÇO ) lá apaziguava as questões entre eles.
Eu lembro-me bem até dos inevitáveis boatos, por todo o nosso bairro, por toda aquela cidade, acerca do ricaço "tal" apanhado na estrada de Catete ou do Cacuaco  com a bailarina "tal",  a conhecidíssima Laurinda , ou a corista, ao pé do "Morro dos Veados" amandar a sua "Q.... desportiva"...Éh estes "gajos" eram lixados!!
Lembro-me bem do "Balsemão" (o Porfírio, nome de baptizado) "afinfar" grandes "bocas" nos "Kaingas" (Chuis), alegando que conhecia OPAN, qualquer coisa como "Organização Pública Administrativa da Nação", e eu a olhar de soslaio p'rós rostos "Boamados" da "Bófia"!
Tempos que vão...e que se vão, diluindo nesta saudosa existência de vida. "Malhas que o Império tece...Jaz morto e arrefece / O Menino de sua Mãe"!
Um abraço a todos os Sanzaleiros;
Um abraço a todos os nossos Irmãos Angolanos / Portugueses!
Um abraço a todos os nossos "Kandengues" (jovens);
Um abraço a todas as nossas "Garinas", dispersas por lá e por cá!
Um abraço a todas aquelas Mulheres (com "M" grande) Um abraço a todos aqueles que "tombaram" e que ficaram "depositados" ou no Cemitério do "Alto das Cruzes" ou no "Cemitério Novo" (Santa Ana ) da "Estrada de Catete"! Um abraço a todas as nossas "Quitandeiras"!
Um abraço à Zita Soares, do Bairro São Paulo, à São Costa Pereira e ao Passarinho do Bairro Popular um Kandandu ao Esteves e ao Paiva da Escola Industrial , que tudo têm feito para juntar todos estes nossos Manos nos almoços anuais (Mucequeiros, paranóicos, gente fina, gente grossa, gente que merece respeito, Vovós (Kotas), Papás, Mãezinhas, Filhas e Netos, toda esta gente, este nosso Povo ("Tugas" e "Kamundongos"), numa só IRMANDADE!!

E PARA TODOS VÓS, QUE ESTÃO SEMPRE PERTO DO MEU CORAÇÃO, AQUI VAI AQUELE "KANDANDU" DE PEITO!!   
QUE SAUDADES!!!!!!!!
  AIUÉ meu Irmão...que saudades!! Saudades da "Bitacaia", do "Calulu", dos
"Quimbadas", dos "Candengues", da "Kitaba", do "Kiabo", "doce de Jinguba",
"Mufete", "Kimbombo", dos sacrificados "Monangambés"...Ai ué
"Gananzambi"...que saudades...!!!   Banga NINITO


ESTAMOS JUNTOS
ZÉ ANTUNES 
 2008

BAIRROS DE LUANDA

MEUS AVILOS... (um trecho  para recordar os Bairros de Luanda)

Falar em pão quente é recordar o Bairro Popular, era na padaria no largo ao lado da sapataria do surdo que as meninas iam lá e ficavam na fila ao sábado a tarde para comprar o pão para domingo, e está-se mesmo a ver que o maralhal com as suas torraites iam para lá para dar um dedo de conversa, ou mesmo namorar, outros era rua da Gabela a baixo rua da Gabela a cima, e outros mais exibicionistas a dar grandes voltas ao largo e a fazer cavalinhos claro que está de vez em quando era bassaúla na certa.  Recordar o Bairro Popular é recordar as farras nos Clubes do Bairro Popular,  do Sarmento Rodrigues,  as particulares no quintal de qualquer um de nós  ( grandes  farras na casa da Goretti ,  da Ivone,  do Zé Antunes ,  Na casa do Pompeu e do Salvador, na casa do Passarinho na Rua da Gabela e  em especial na Serração do Salgueiro)
Recordar ainda,  os trumunos que fazíamos nos terrenos do Preventório Infantil de Luanda quando jogávamos a bola até  mesmo de noite, Tó e Rui  Barata, Fernando,  Victor e Zé Antunes, Beto , Galiano, Dário, miúdo Agostinho ,Carlos Perninhas e irmão,    ( alguém tirou  dinheiro do pai que era taxista e com esse dinheiro fomos comprar uma bola de catchú ) ,  Carlos Capacete já falecido,  Américo  e muitos mais,  são as Corridas que faziamos de mota a volta do Largo  ( com os invariáveis despistes na casa do Cid),  isso é lembrar o Toalhinha, o Vasco Leite, o Perninhas, o Bronson, o Gaspar, o Zé Antunes (Russo) que uma vez  para não ficar debaixo do maximbombo 22 foi para cima do FIAT 124 do Moedas e a mota para debaixo do maximbas e  outra  vez bateu no Toyota Celica de um mais velho do Sarmento e ai teve que ir para o Hospital de São Paulo com a cana do nariz fracturada. é recordar as idas aos casamentos,  baptizados e festas  afim  como penetras ( sempre havíamos  sido convidados ou éramos convidados da noiva ou do noivo consoante o que nos parecia melhor ).  Tempos que vão... e que se vão,  diluindo nesta saudosa existência de vida.
Recordar o Bairro Popular é recordar ainda kandengue, as idas  até ao Bar São João ( do Matias e do Jorge ) e os mais cotas tais como o Necas ( Nascimento guarda redes do ASA suplente do Cerqueira ), o Garrido, o Pita –Grós, o Nogueira , o Américo Nunes, o João Doutor, o miúdo Lobo, o Carlos Enfermeiro, o Sotero,  o Manel Zé, o falecido Alberto ( Gugu ), o Moedas, o Zé das Senas,  o Fernando e o Nelo Caroça, os Vandúnem, o Zeca Dificil, o Bronson, o Cruz, o Barros,  (os irmãos Borges  - Zé, António. Chico, Carlos e o João  ) e  muitos outros avilos  que pagavam uns finos cá ao menino, está-se mesmo a ver que depois  de  beber  dois  ou  três  finitos  levavam-me  a  casa  e  a  tia  Carmitas  ( minha falecida mãe ) barafustava com a malta pois dizia ela que me queriam matar com a cerveja, " temos que nos irmos recordando com estas pequenas lembranças...que já não voltam mais!
É recordar ainda  as idas ao cinema São João ( eu e meus irmãos e o Chico meu cunhado  trabalhávamos no bar ( sr. Reinaldo era o gerente  ) só para ver o filme sem pagar ) e depois no fim das sessões iamos para o muro do Matias e estavamos ali até ás 4 da manhã a contar anedotas " ás vezes era com cada susto pois o Matias vinha á janela e com a pistola de alarme afugentava o pessoal" ou então quando colocava alcatrão no muro (ao qual chamávamos carinhosamente de o nosso poleiro ) para não nos podermos sentar .
Recordar o Sarmento Rodrigues era ir para o Tirol ou o Pisca Pisca e petiscar uns pipis com mocotós e moelas e beber uns finos junto da malta.
Lá aparecia o Brinca na chica que farto de andar de bicicleta pedia para dar uma volta na minha torraite e eu dizia xê canuco vai lavar a cara e vestir uma camisa e umas calças limpinhas. Xê este branco é mesmo carrula.
malta da Banda Kaluandas do Bairro é recordar a loja do Dias onde o Munhungo  também chamado Cassequel,  o maximbombo 23 fazia a inversão junto ao imbondeiro. Nesse maximbas era mais barato e o maralhal ia nele e as vezes não pagava, o falecido Zé Pinguiço uma vez ficou todo arranhado pois  a fugir do cobrador  e com o maximbombo em andamento caiu na estrada de Catete junto aos Maristas .

Recordar o Bairro Palanca e o Golfe ( Lagoa do Roldão ) é recordar as corridas de moto – cross que ai se realizavam,  meu grande amigo Carnapeto do Desportivo União de São Paulo  que organizava os moto crosses antes de ser nas Barrocas do Miramar , artilhava-se as torraites fazia-se o moto cross e ainda tínhamos tempo para ir ás  Matinés  no Cine S. João  para estar com as  Garinas.
Lembro- me  perfeitamente do negrão  Vai a Lua  com uns  pés  enormes  e era  Cambaio   que tinha uma deficiência numa perna  e  que queria sempre jogar a guarda - redes!!!
Lembro- me de matar sardões à pedrada no Jardim do Preventório, de brincar as corridas de automóveis "dinkitows"  com o Manelito  filho da Dona Florinda (alguns "dinkitows"  gamados no Quintas e Irmão deixávamos as caixas vazias) com uns amigos de que me recordo alguns nomes ou alcunhas e moradas: O Manelito tinha uma irmã a Linô  que moravam  na casa ao lado do  Sr. Vicente  pai da Celina e da Chú, lembro-me de passar tardes inteiras a jogar monopólio  com os meus irmãos na casa dele .
Os Teixeiras  que moravam  na Rua de Serpa mesmo ao meu lado ( António, Quim, Chico e a sobrinha Mila que mais tarde casou com o Minguitos da Terra Nova ).
Lembro-me do Carlos Capacete  um kandengue  (quer dizer, um jovem ) um madiê que tinha um cabelo muita espetado e muita forte,  que quando crescia, parecia mesmo um capacete, razão porque lhe puseram tal alcunha? Tinha uma  TORRAITE uma Honda SS50Z, faleceu pouco depois de vir de Luanda.
Lembro-me das nossas brincadeiras com trotinetes e carrinhos de rolamentos que arranjávamos nas oficinas de automóveis (da Renault da Sabb e da Robert Hudson representante da Ford).
Lembro-me dos Pára-quedistas  que saltavam no Golf. Íamos lá para tirar o fio que era bem resistente e um dia numa  dessas largadas, em que houve uma menina "pára" que por ser muito leve, foi arrastado pelo vento, tendo ido cair em cima (e depois dentro) de um galinheiro no Sarmento.  Perto da Serração do Salgueiro, e uma outra que o paraquedas não abriu e ela morreu.
COMO GOSTARIA AGORA DE FAZER E ORGANIZAR UMA CORRIDA DE CARRINHOS COM AS PISTAS DESENHADAS NO CHÃO COM GIZ !!!
 Lagoa do Roldão bem atrás do aeroporto  na carreira de tiro dos comandos  já bem afastado do Golfe ia lá correr nos motocrosses  mais o Zé Tó  com a minha Honda SS 50  Z,  desmontava a mota  e aplicávamos o  escape livre  (tinha feito um escape cónico tipo corneta o chamado mega ) era cá uma barulheira. Depois no fim montava tudo e chegava a casa,  o meu Kota ia ver se a mota estava suja mas nada tinha sido bem lavada,  um bom banho  para não se notar a lama.  Para a Lagoa do Roldão ia-se  acampar e fazer "aquela famosa caçada noturna" caça dos gambuzinos e ai entra o Luis Gambuzo tinha acabado de chegar a Luanda e ao Bairro nos anos 72 ou 73, conversa de Gambuzinos e nós a picarmos e ele curioso quis saber como era e nós como bons amigos quisemos ensinar-lhe como se caçava , e lá o levamos para o Golfe  com o saco de sarapilheira e a lanterna e o deixamos a espera que ele enche-se o saco com gambuzinos e piramo-nos dizendo que os íamos afugentá-los  para a direcção dele indo claro está para  o bar do Matias , passadas duas horas ele todo danado pois ficou lá sozinho  e nada de gambuzinos foi uma rizada de partir o coco,   ficou conhecido pelo Luis Gambuzo, e  com vergonha da alcunha mudou-se para a Madame Berman.
 Para a Lagoa do Silvares, que era mais pequena,  ia-se apanhar os passarinhos, com os arames com o visgo extraído das mulembeiras e depois de muito mexer com os dedos, enrolando o leite da dita cuja arvore.
Lembro-me de um senhor muito forte, negro  enfermeiro que morava ao lado da casa do Sr. Acácio das camionetas pai da Virinha, Dininha e Cacito., batia no filho a toda a hora pois o kandengue queria jogar a bola com a malta mas o pai queria que o miúdo estudasse para ser médico, dizia que nos prendia a todos,  pertencia ao M.P.L.A .
Já agora ainda me lembro de um rapaz que treinava no Benfica  o José Luís Cordeiro e que me queria levar para essas andanças do Atletismo, mas eu nessa  altura queria era motas .
 Lembro-me da mercearia do Sr. Amaro , da casa de Moda do Sr. Novo, da Sapataria do  sr. Silva  ( mudo ) do Sr.  Matias e Jorge do Bar São João, do sr. Pinto Ferreira do Talho,  da Padaria  da Rua da Gabela, da Tabacaria na Rua de Porto Alexandre, da casa de Gelados na Rua de Ourique, da loja do Cravo, da Loja do Dias  onde comprávamos ginguba, do Colégio Santo Expedito . Lembro-me de uma senhora onde íamos comprar gelados feitos de gelo  ou era a mãe do Garção ou do Carlos Buritty.

Quem não se lembra de ir  apanhar  mangas, bananas, pitangas, fruta pinha  e cajús na horta do Preventório    
Quem não se recorda do pão quente da Padaria da Estrada de Catete? Quem ia para O bairro da Terra Nova depois do  ABC
Uma história gira que recordo,  Da garrafa de vinho do porto do Nelo Caroça,  mas ainda assim bastante divertida... Penso que terá acontecido no Natal de 72 ou 73... A rapaziada do Largo e das motoretas, já não recordo todos os que faziam parte do grupo... resolveu nesse Natal visitar todas as capelinhas, ou seja a casa de todos os amigos... Então em cada casa que passávamos para dar as Boas Festas, os pais dos ditos amigos, faziam questão que comessemos das suas iguarias e bebessemos dos seus vinhos... - Resultado lógico... uma ganda bezana...
Assim quando calhou a vez de visitar a casa do Teixeirinha, que ficava lá prás bandas do Palanca, ao subir a "avenida"  de terra batida que dava acesso ao dito Bairro, aconteceu apanharmos uma curva, em que "estranhamente" havia "alguma" areia e o tipo da mota da frente espalhou-se ao comprido e, em consequência disso, todos os que vinham atrás se foram espalhando igualmente em cadeia. Na mota do Zé Antunes ia à pendura o Bacalhau que ficou ali deitado a chorar e a dizer “ ai minha mãe que morri “, Resultado... uma risada geral e a festa continuou...
Pra fechar a noite o Zé Avelino resolver gamar a garrafa de Porto que o Nelo Caroça  tinha levado para o Largo para partilharmos mais tarde na noite e "mamou-a" sózinho às escondidas, tendo sido depois atacado por uma crise de tristeza e de choro, confessando-nos que o pai não gostava dele e acabou debruçado na janela da casa dele, a vomitar tudo o que tinha comido e bebido... Cenas dos tempos...
Lembras-te Nelo Caroça
Meu Deus !!! RECORDAR É VIVER !!! ESTAMOS JUNTOS


MALTA DO BAIRRO POPULAR!!!

Vendo bem as coisas..., é difícil acreditar que estejamos vivos hoje.   
               
Quando éramos pequenos, viajávamos de carro (aqueles que tinham a sorte de ter um...) sem cintos de segurança, sem ABS e sem  air-bag! Os frascos de remédios ou as garrafas de refrigerantes não tinham nenhum tipo de tampinha especial...que vinham embaladas sem instrução de uso...
Bebíamos da torneira e nem se conhecia água engarrafada!

Que horror!!!! Andávamos de bicicleta sem usar nenhum tipo de protecção e passávamos as tardes a construir carrinhos de rolamentos e trotinetes. Atirávamo-nos rua abaixo e esquecíamo-nos que não tínhamos travões até que um qualquer muro ou árvore nos bloqueasse no trajecto...
Depois de muitos acidentes de percurso, aprendíamos a resolver o problema  sozinhos !!! Nas férias, saíamos de casa de manhã e brincávamos o dia todo; os nossos pais às vezes não sabiam exactamente onde estávamos, mas sabiam que não estávamos em perigo...Não existiam telemóveis!  Incrível!!!!!!!!

Quantas nódoas negras, braços partidos, dentes arrancados com o embate de quedas...Lembram-se destes incidentes? Janelas quebradas, jardins destruídos, as bolas que caíam no terreno do vizinho...Haviam brigas e, às vezes, muitos olhos negros. E mesmo feridos e chorosos tudo passava depressa; na maioria das vezes, nem mesmo os nossos pais descobriam...Comíamos doces, pão com muita manteiga... E ninguém era obeso...

No máximo, era-se um gordinho saudável... Dividia-se uma garrafa de sumo entre três ou quatro amigos e ninguém morreu por causa de doenças infecciosas!...Não existia a Playstation, nem a Nintendo... Não havia TV por cabo, nem video, nem computador, nem internet...Tínhamos, simplesmente, amigos!!!!
Andava-se de bicicleta ou a pé....Íamos a casa de amigos, entrávamos e conversávamos...Inventávamos jogos...
Brincávamos com pequenos animaizinhos, mesmo se nossos pais nos dissessem para não fazermos isso!!!!
Alguns estudantes não eram tão inteligentes quanto os outros e tiveram que refazer parte do Liceu. Que horror! Não se mudavam as notas e ninguém passava de ano, mesmo não passando... Os professores eram insuportáveis! Não davam  abébias...
 Os maiores problemas na escola eram: chegar atrasado, mastigar pastilhas na aula ou mandar bilhetinhos gozando com a professora. As nossas iniciativas eram "nossas", mas as consequências também!...

Ninguém se escondia atrás do outro... os nossos pais estavam sempre do lado da Lei quando transgredíamos as regras!!!Se nos portávamos mal, os nossos pais colocavam-nos de castigo e incrivelmente, nenhum deles foi preso por isso! Sabíamos que quando os pais diziam "NÃO", era "NÃO".

Recebia-mos brinquedos no Natal ou no aniversário e não de todas as vezes que íamos ao supermercado...Os nossos pais nos davam presentes por amor, nunca por culpa... Por incrível que pareça, as nossas vidas não se  arruìnaram  por não ganharmos tudo o que gostaríamos, que queríamos....

Esta geração produziu muitos inventores, artistas, amantes do risco e óptimos"inventores" de soluções.

Nos últimos 50 anos, houve uma desmedida explosão de inovações e tendências...Tínhamos liberdade, sucessos, algumas vezes problemas e desilusões, mas tínhamos muitas responsabilidades...E não é que aprendemos resolver tudo?... e SÓZINHOS!!!

Recebido via Mail

Zé Antunes
2006

BAIRRO DOS COQUEIROS

Será que cheguei tarde para falar do meu bairro? Sou novato neste sitio, estou a navegar à toa, mas vou segurar o leme da embarcação. Sou do Bairro dos Coqueiros, morava na Rua Avelino Dias, ao lado do Colégio Infante D. Henrique, pertinho da mercearia  Oliveira. Os meus "avilos" são tantos que quero reportar alguns para avivar memórias. A familia do Manél Teddy Boy, pai da Mariza Cruz,"a kiduxa do euro milhões", eram vizinhos nossos. (eu e o Teddy  sempre tivemos uma relação de amizade mesmo cá em Portugal). Meus "cambas". Falando do pessoal do "cú-tapado" Quem se recorda de Doutel Pinto, Fernando Ervedosa, irmãos Areias e os Marroquinos. Os Garridos, do Largo do Pelourinho. Bilocas. Luis Burrié, irmão da Alda Peyroteo,  Garnachos. Lima paraquedista. O "bumbo" mais branco do nosso bairro: Catarino. Vilaverde,"o madié que aprumava" com a Sra. que morava no prédio Alfredo de Matos. Não cito o nome! (estou nos anos 60!) Estou  só a dar uma dica para ver se alguém se recorda de mim... As nossas reuniões eram no Jardim do Canhão Roto, frente ao Alfredo de Matos.

Américo penso que sejas o filho da D. Laura que morava pegado ao colégio onde andei e lembro-me bem de ti. Eu morava no prédio de esquina com a fabrica de papel e conheci essa malta toda que falas. Tenho estado com a Alda irmã do Luis. Ele vive no estrangeiro.

Olá Bitucha! Acertaste na MOUCHE. Sou eu mesmo, filho da Laura.  Se moravas no prédio frente à fábrica de papel, é óbvio que te conheço! Deixa eu meter os miolos a funcionar para, "timidamente", dizer BINGO! A minha mãe é viva, mora em Bicesse, Alcabideche, e recomenda-se. Está fixe para os 80 anos que tem. Eu moro em Lisboa, nos Anjos, e embora me mantenha solteiro, tenho um filhote com 15 anos que vive comigo desde que nasceu. A minha filha mais velha, hoje com 41 anos foi para o Brasil em 1977 com a mãe dela.. .( Nasceu na Vila Alice mas tem nacionalidade e mentalidade "brasuca"). Tens uma boa memória! A professora (dona) do Colégio era a D. Mercedes, certo? As noticias de quem não vemos "à bué" caem bem. (Não ligues à maneira como me expresso, continuo a ser brincalhão e bem humorado!) Não conhecia este site, caí aqui por mero acaso. Todavia foi bom porque de imediato encontrei alguém  que se lembra de mim. " Moras em Cascais hein? ( também  és TIA? )"  Não me quero alongar demasiado para não te chatear. Dá noticias tuas, ok?

Nando. Vê se te recordas de mim. Era amigo do Garrido, que morava no Largo do Pelourinho. Moravas por cima da camisaria Brasilia . Eu morava na Rua Avelino Dias. Os meus "cambas" eram o Fernando Ervedosa, Doutél Pinto, manos Peyroteo,  Garnacho,etc...etc... Também estive em França, em Nancy, já lá vão uns anos. Lembraste do Fanecas,"gago", que arranjava máquinas de escrever, morava na travessa da Sé? Meu avilo. Dá noticias, valeu? Recebe um abraço


Como é meu avilo. Estou a ler a tua mensagem e a rir-me. Sou eu mesmo, Américo.

Falas bué da malta, tens boa memória. O Marito tinha uma mana "cambuta" usava óculos, mas toda quique. Os Areias, Marroquino, Douttel Pinto,"bumbo" Catarino, Camané, filho da Virginia, o pai tinha "bumbi", que morava no Alfredo de Matos, e o Vilaverde também pertencia à familia! A irmã era a Amélia, tinha uma prima que morava na Praia do Bispo. Falas no Ribeiro sapateiro que tripulava uma bicicleta de corridas, o filho nem me lembro do nome. Luis Buorrie, irmao da Alda.  O Lima paraquedista.  Joca irmão do Tarzan, o pai era dono da Farmácia Restauradores. Os pacotes de farinha muceque C/ açucar que a malta comprava na mercearia do Silva. As nossas lutas nas barrocas que faziam traseiras com o cu tapado, o ringue foi construido pelo Catarino, lembras? Também na praia faziamos os nossos combates com bué de assistência. Não te esqueças do Bilocas, o tipico bangão, morava numa casa ao lado da fábrica de papel, mãe era solteira e tinha uma mana toda "vaidosa". Não passava cartucho à malta. A Magy, morava na casa de esquina frente ao merceeiro Silva. Mercearia do Oliveira, padaria dos Coqueiros onde a malta arranjava cumbu  para comprar  pão quentinho. As nossas reuniões à noite no Jardim do Canhão Roto. Essa da malta ir ao Quintas & Irmão orientar os dinki toys, deixando as caixas vazias, era obra de artistas.  Moro em Lisboa/centro. Não reparei onde vives mas vamos marcar encontro para reviver os nossos "velhos tempos
(  Américo Barroso  )
 2010

LUCAPA - CAFUNFO


Ano de 1994 , mês de Março alguns avilos embarcam numa aventura de aceitarem um contrato de oito meses para fazerem segurança ao Perimetro da Empresa de diamantes de Angola a “ Endiama “ no Lucapa terra longinqua das Lundas, ao fazerem esse contrato foi na base de os garimpeiros já estarem a garimpar dentro dos limites da Endiama, e que cada vez havia mais garimpeiros pois era um modo de subsistência, só se via buracos nas ribeiras , tanto no Lucapa como em Cafunfo.

Lucapa ou Lukapa é uma cidade e um município da província da
Lunda Norte, em Angola. Antiga capital da província (passou a ser o Dundo), o município tem cerca de 85 mil habitantes e é limitado a Norte pelo município de Chitato, a Leste pelo município de Cambulo, a Sul pelo município de Saurimo, e a Oeste pelos municípios de Lubalo e Cuílo.

Tudo tratado, vacinas em dia, visto de entrada, passaporte e bilhete de avião e embarcam nessa viagem, primeiro para Luanda onde estarão dois dias e hospedam-se no Hotel Universo, Gerente Sr. Albergaria, uma das melhores unidades hoteleiras de Luanda, no tempo colonial agora só o quarto 32 tinha águas correntes, os outros todos quem quisesse tomar banho tinha que ser com uma canequinha.

Chegam ao aeroporto 4 de Fevereiro pela manhãnzinha, e ainda dentro do avião ao sobrevoarem Luanda puderam ver a extensão dos casario que cerca a Capital de Angola, para alguns avilos que já tinham estado em Angola e muitos até nasceram lá foi dificil de perceber e situar-se nos bairros que outrora conheceram, para outros que era a primeira vez que viajavam para Angola era novidade.

Desembarque efectuado, malas na posse de cada um, entraram para as cinco viaturas que os esperavam e os transportaram para o hotel. Foram acomodados e descansaram até a hora do almoço que foi servido no hotel.

No período da tarde foram dar um passeio e conhecer a Luanda Nova que se estava a desenvolver-se a um ritmo acelerado, muitos prédios novos e muita construção de infraestruturas, foram visitados alguns sítios conhecidos de alguns tais como: Baleizão, Largo da Portugália, Mutamba e com elementos que já estavam em Luanda foram jantar a um restaurante na Maianga.

No dia seguinte depois de se reunirem nos escritórios da empresa com os responsáveis, para receberem as directivas de como se iria processar todo o processo de alojamento e dos serviços em Lucapa, nessa tarde foram conhecer os arredores de Luanda e verem in locco como Luanda cresceu em aglomerados de habitações sem condições de habitabilidade, pois a cidade estava estruturada em 1975 para um milhão de pessoas e de repente vê-se com seis milhões.

Na antiga Estrada de Catete hoje Deolinda Rodrigues, os vendedores ambulantes no meio das faixas de rodagem vendem de tudo, fazendo ai o seu negócio, tudo serve para se ganhar algum dinheiro para a sua alimentação.

No terceiro dia de estada em Luanda, dirigiram-se para o Aeroporto e embarcaram num topolev russo do tempo da maria cachucha para a cidade de Malange, chegados ai tiveram que fazer o resto da viagem até ao Lucapa de GEEP, chegados ao local foram acomodados numas casas pré-fabricadas, mas com todas as comodidades, eram cinco casas e cada uma tinha um quarto grande com dois beliches para quatro pessoas, uma saleta de descanso e Quarto de Banho, havia ainda uma casa que era o refeitório com uma boa cozinha e o armazém de viveres, bem como uma secção para outro material de trabalho, assim como o armazém dos combustíveis e peças das viaturas.

O perímetro de Segurança era efectuado vinte e quatro horas, com postos pré definidos de 10 em 10 kilometros, as ligações entre todos os intervenientes era executadas via rádio.

Nesta altura a guerra nas Lundas entre a UNITA e o MPLA estava bem agudizada diz-se que quando apareceram 200 garimpeiros mortos, a UNITA acusava o MPLA de estar a matar povo inofensivo que só andava no garimpo para arranjar dinheiro para comida, entretanto o MPLA dizia que fora a própria UNITA que dizimara aquelas pessoas para culpar o adversário. Entretanto com tamanha instabilidade as populações queriam era vir para Luanda, e no aeroporto com um avião Antonov a sair por dia as populações aglomeravam-se e todas queriam entrar no avião que tinha lotação reduzida, geravam-se alguns conflitos, que eram logo sanados com uns tiros para o ar, e ai se mantinha a calma.

Neste entretanto passaram-se oito meses, com histórias incriveis que um dia de certeza se irão narrar para conhecimento de todos. Salientar que as populações civis apoiavam em tudo o que pudessem e conviviam, como se trata-se da mesma familia.

Muitos não gostaram desta experiência, saudades da família, muito tempo longe dos seus ente queridos, outros adoraram e alguns estão já radicados em Luanda a viver e a trabalhar.

O garimpo de diamantes em Angola está parcialmente legalizado, desde 07-07-2011. Em breve, garimpeiros ilegais terão certificados. A intenção é lutar contra a migração ilegal em zonas de grande produção de pedras preciosas.

De agora em diante, garimpeiros angolanos ilegais vão ter certificados. O início do projeto foi no leste de Angola, na Lunda Norte.

Garimpeiros no cafunfo



ZÉ ANTUNES

1994

CASAMENTO DO PAULO JORGE



Ano de 1975 Luanda capital de Angola

Paulo Jorge Figueiredo Queirós, morador no Bairro da Vila Alice, hoje chamado de Nelito Soares na Rua Eugénio de Castro ali ao lado do Prédio onde o pai do Mabeco tinha a Ourivesaria, colega de meu sogro pois ambos trabalhavam para o Despachante oficial Serra Coelho, mas depois ingressou nos quadros da Empresa “ AVICUCA”.

Esta foi a odisseia do casamento do Paulo.

Em Luanda vivia-se já há alguns meses momentos bastantes agitados e conturbados, e o Paulo mais a sua namorada, resolvem casar no dia 13 de Julho desse ano de 1975, na Igreja do Carmo.

O Convento e Igreja de Nossa Senhora do Carmo de Luanda é um complexo monumental localizado na capital de
Angola. Construído no século XVII, por missionários carmelitas, é considerado o monumento mais importante de arquitectura religiosa em Angola, dada a qualidade e conservação da estrutura e decoração. Actualmente a igreja encontra-se em bom estado de conservação, enquanto que o convento é, em grande parte, uma ruína.


Igreja e Convento do Carmo


Casamento realizado, mas enquanto decorria a cerimónia religiosa ouviam-se umas rajadas de metralhadora e umas morteiradas, pois era usual na altura os movimentos políticos se guerrearem. O padre lá procurava desanuviar a situação da tensão, e disse a todos os presentes para terem calma, e como sabíamos tiros e morteiradas faziam parte do dia a dia em Luanda.

No meio de tanta insegurança lá se tirou as fotos e o copo de água realizou-se na “Pérola de Luanda”, no Largo das Imgombotas, de referir que todos os comes e bebes vieram da Estalagem Leão, na Estrada de Catete, oferecidos pelo Sr. Celestino que foi o Padrinho do Noivo, transportados numa chaimite do Exercito Português. Na melhor forma possível a Funguta ( o Baile a farra, foi só até ás 21 h 00, pois havia recolher obrigatório até ás 06 h 00 da manhã.

Os Recém casados dirigiram-se para o hotel Katekero onde foi a sua noite de núpcias, era naquela altura um dos mais recente e remodelado hotel em Luanda e muito bonito, o Paulo guarda gratas e boas recordações.


Prospecto do Hotel


Já naquela época uma noite ficava em 340$00 já com todos os impostos incluídos.


Factura de uma noite no Hotel KATEKERO
No dia seguinte foram ambos trabalhar pois teriam muito tempo depois para gozarem a sua merecida “Lua de Mel”. Pouco tempo depois regressaram a Portugal como todos nós pois a luta pelo poder era enorme e regressou ficando aqui pela grande Lisboa.
ZÉ ANTUNES

2012

DIA DO PAI





História

Dia dos Pais tem origem na antiga Babilônia, há mais de 4 mil anos. Um jovem chamado Elmesu moldou em argila o primeiro cartão. Desejava sorte, saúde e longa vida a seu pai.

Nos Estados Unidos, Sonora Luise resolveu criar o Dia dos Pais em 1909, motivada pela admiração que sentia pelo seu pai, William Jackson Smart. O interesse pela data difundiu-se da cidade de Spokane para todo o Estado de Washington e daí tornou-se uma festa nacional. Em 1972, o presidente americano Richard Nixon oficializou o dia dos pais.

Comemoração

Devido à história, nos Estados Unidos, ele é comemorado no terceiro domingo de Junho. Em Portugal é comemorado a 19 de Março. No Brasil, é comemorado no segundo domingo de Agosto. A criação da data é atribuída ao publicitário Sylvio Bhering, em meados da década de 50, festejada pela primeira vez no dia 14 de Agosto de 1953, dia de São Joaquim, patriarca da família. (dia que também se comemora o dia do padrinho segundo a tradição católica).

Este ano de 2011, meu filho presenteou-me com um almoço do dia do Pai, alguns convidados, mais familia e degustou-se uma boa moambada. E conviveu-se lembrando histórias a nossa vida.




Almoço dia do Pai

Programa

Dia 20-03-2011

Inicio : 12 H 00

Almoço : 12H30 (servido a mesa)

Local : Garagem da São e Zé Antunes

Aperitivos

Martini, Whisky, Vinho Verde, Águas, Sumos, etc. ….

Entradas

Presunto Ibérico; Queijo

Pasteis de Bacalhau, Rissóis, Croquetes, Ovos Verdes

Prato:

Kiche

Moamba De Galinha

Botequim Incluído

Vinho Branco e Tinto

Águas e Refrigerantes

Café e Digestivos

Doces

Bolo Comemorativo do dia dos pais E algumas surpresas…Parabéns ………………………..

Zé antunes