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03/09/2012

NELO CAROÇA


Uma história gira que recordo, Da garrafa de vinho do porto do Nelo Caroça, mas ainda assim bastante divertida... Penso que terá acontecido no Natal de 72 ou 73... A rapaziada do Largo e das motoretas, já não recordo todos os que faziam parte do grupo... resolveu nesse Natal visitar todas as capelinhas, ou seja a casa de todos os amigos... Então em cada casa que passávamos para dar as Boas Festas, os pais dos ditos amigos, faziam questão que comesse-mos das suas iguarias e bebesse-mos dos seus vinhos... - Resultado lógico... uma ganda bezana...

Assim quando calhou a vez de visitar a casa do Teixeirinha, que ficava lá prás bandas do Palanca, ao subir a "avenida" de terra batida que dava acesso ao dito Bairro, aconteceu apanharmos uma curva, em que "estranhamente" havia "alguma" areia e o tipo da mota da frente espalhou-se ao comprido e, em consequência disso, todos os que vinham atrás se foram espalhando igualmente em cadeia. Na mota do Zé Antunes ia à pendura o Bacalhau que ficou ali deitado a chorar e a dizer “ ai minha mãe que morri “, Resultado... uma risada geral e a festa continuou...

Pra fechar a noite o Zé Avelino resolver gamar a garrafa de Porto que o Nelo Caroça tinha levado para o Largo para partilharmos mais tarde na noite enquanto se realizava a Missa do Galo e "mamou-a" sozinho às escondidas, tendo sido depois atacado por uma crise de tristeza e de choro, confessando-nos que o pai não gostava dele e acabou debruçado na janela da casa dele, a vomitar tudo o que tinha comido e bebido... Cenas dos tempos... da nossa Juventude.

30/08/2012

KILAMBA KIAXI (Bairro Popular, Palanca, Golfe e Camama )



Luanda - O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, foi informado sobre o estado de implementação do Projecto Urbanístico do Kilamba Kiaxi ( começa no Bairro Popular nº2 e vai até Camama) que albergará mais de duzentas mil pessoas.

Este facto ocorreu quando recebeu os vice-presidentes do CITI GROUP e do Banco ICBC, ambos da China, respetivamente, Tian Guoli e Yi Huiman.

Trata-se do executor e financiador do projecto que, segundo Tian Guoli, se encontra em fase de conclusão, prevista para o próximo ano.

Neste projecto foram investidos dois biliões e meio de dólares ao abrigo de uma linha de crédito aberta pelo ICBC, um dos maiores bancos comerciais do mundo.

Angola é um país com um grande desenvolvimento, asseverou o bancário, “dai a razão da nossa participação”.

O maior projecto habitacional do País está a ser erguido no município do Kilamba Kiaxi, em Luanda, onde estão a ser construídas cerca de 3 mil apartamentos para albergar mais de 500 mil famílias angolanas.

O projecto contará com três fases e ocupa uma área de 880 hectares, qualquer coisa como 880 campos de futebol com uma população prevista de 160 mil habitantes. Na segunda fase, serão 12 mil km para dar moradia condigna a mais de 170 mil habitantes.

Quando tudo estiver pronto, a nova cidade do Kilamba Kiaxi vão viver 500 mil famílias. Para além das áreas residências, o Engenheiro Flor, responsável pela parte angolana, fez saber que o projecto irá contar tudo que uma cidade pode ter. “Temos que ter lojas, hospitais, super mercados hotéis, restaurantes, por tanto, temos que ter tudo”, frisou o responsável. Para além disso serão construídas 24 creches, 9 escolas primárias, igual número de escolas secundárias, um hospital para 200 camas, bombas de combustível, clínicas e centros culturais. No local, ninguém trabalha sem o capacete e luvas. Assim faça chuva ou sol, se constrói um país que precisa de dar o mas cedo possível casas ao seu povo.



2010

BAIRRO DA SAMBA



Do que me lembro da Samba?

Da esplanada do Lobo da Costa, onde havia para além de uma mini pista de Kart's, uma bela esplanada que era muito frequentada nas noites Luandenses.
Lembro-me que era o local onde podia-mos ver os famosos Lutadores de Luta Livre que se deslocavam a Angola para lutar pelo cinturão (???).
É claro que era muito míudo (10 anos) e só me lembro de alguns nomes.
Também vi alguns combates ao vivo e a cores no estádio dos coqueiros, e recordo-me de um combate entre o Zé Luis (português) versus um Búlgaro que pesava mais 50 Kg que o primeiro, mesmo assim a vitória coube ao Português.
Depois do espetáculo ia ao Polo Norte para beber uma carbo sidral.

Já agora lembram-se do filme que inaugurou o TIVOLI??-Laurence d' Arabia.
Eis alguns nomes da malta daquela geração: Mário Tirapicos, falecido com a namorada num acidente com a Honda 350; os irmãos Camilo; Necas, Tonecas e irmãos, primos do Pingo; Nelo e irmão; Carlitos, irmão do Rolito; dois Luíses, um morava em frente da padaria e outro na Júlio Lobato, dono da Honda 350 Scrambler; o Tino; o Jaime Sossega e irmãos. O Juca, o Brasileiro e outros chegaram bem mais tarde. Ah, falta o Luíz Gonzaga, irmão da Mimi. Quem conheceu a pista de dinky toys desenhada sobre o urinol do parque? Quem conheceu a Isabel Barata, a Isabel Lobo da Costa, a Conceição irmã do Jorge Velhindo, a Cristina, Geny, Irene, Magda? Por último, alguém lembra do Negresco?

Recordando o Tivoli, após o Laurence da Arábia parece que entrou em cartaz o Doutor Jivago. Lembro que a rapaziada saiu correndo para comprar camisolas de gola alta para imitar o look do Omar Shariff. Bigode mesmo era para poucos.

Estávamos numa das nossas farras de "quintal" em casa da Ilma, penso que se chama assim, irmã do Jorge Pamiés Teixeira vulgo "Careca", a mãe era espanhola, e o João Corte Real mais velho, a pessoa que tinha um maior "caparro", pedi-lhe ajuda para endireitar o volante da Honda SS50Z de escape para cima, que ficou assim devido a uma queda que dei numa curva, por ter batido num cão, quando ia para essa festa. A casa deles ficava perto da Sagrada Família, no largo do Colégio Algarve. Lembro-me como se tivesse passado hoje.

Lembro bem do "Pita-buzinas" ou "Toca-buzinas", como também era conhecido. Tinha um tique nervoso (ou seria um distúrbio obsessivo-compulsivo?) e pontuava cada frase com um "puííím..." feito com o canto da boca.
Dos antigos da Samba gostaria de lembrar do "Ferramenta". O "Ferramenta" era guarda livros da Flor da Samba e recebera esse apelido por andar sempre com três ou quatro ferramentas no bolso; assim que via um parafuso ou uma porca ía lá tentar apertar ou desapertar, conforme o caso.

Lembro de outros apelidos famosos: o "Sarapintas", por ter sardas no rosto; o Idéias, assim conhecido por discutir com a motorizada, isso mesmo, com a motorizada! E da "Maria das Pressas", quem lembra dela e da razão desse apelido?

Lembro-me da Lurdes “a Boneca”, lembro-me dos irmãos dela, Tino e o Diniz , o Diniz salvo erro era sargento da Força Aérea, Lembro-me do falecido Luciano. O Luciano tinha uma NSU Cavalinho vermelho e era bem quisto e respeitado por todos do bairro. Penso que não há mal algum lembrar uma famosa bebedeira dele junto com o Leandro. O Leandro deitou-se num banco do jardim completamente grogue enquanto o falecido Luciano, tripulando a Thriumph 350 do Leandro, curava a bebedeira dando voltas ao parque com o acelerador ao fundo.

Da família Camilo lembro-me bem, a casa deles era engraçada, pintada de verde claro e dava a impressão que ficava num alto, ele vivia com a mãe, o irmão mais velho do Carlos fugiu para a Áustria muito novo para fugir á Pide e á tropa, ( dizia-se que era comunista), o que na altura para mim era chinês, mas estava-mos proibidos lá em casa de pronunciar essa palavra, sob pena de levarmos os meus pais á cadeia, lembro-me de ouvir os meus pais dizerem que eles eram vigiados pela pide por isso.

Vários kandengues decidiram construir uma caverna no morro da Samba? A caverna desabou e um dos Miúdos ficou lá soterrado, sendo resgatado no último minuto por um corajoso da malta. Lembro-me ainda das miúdas da Samba que iam para a praia da Corimba e com os espelhos das motas faziam sinais aos Avilos que ficavam um pouco mais distantes.

Outro acontecimento marcante nessa altura foi o aparecimento da Coca Cola em Luanda e o concurso que fizeram. Tinha-mos de coleccionar caricas de 0 a não sei quantos e os números 13 e salvo erro o 8 em 100 só saia 1. Era muito difícil ganhar e começaram logo a fazer trafulhices, apagando números das caricas e desenhando os que faltavam à colecção.

Lembro-me tão bem desta cena! A Teresa tinha os números todos, só lhe faltava o 13 e num domingo, antes de sair para um piquenique, a mãe retirou as caricas das garrafas para ver os números e eis que lhe sai o 13! Foi uma festa, mas veio de lá o pai dela todo zangado e muito aflito, pensando que a mãe e ela tinham feito a dita trafulhice. Foi preciso muito para o convencer que o 13 era original e lá lhes saiu uma bicicleta. Lembro-me que nessa altura a Teresa era uma grande amiga, mas perdi-lhe o rasto. Nunca mais soube nada dela.

Há ainda o caso dos cheques visados falsos, protagonizado pelo Bertino e pelo Figueiredo. Uma fraude espectacular, o enredo daria um bom filme. Por que será que um assunto desses ainda não foi explorado? Poderiam surgir novas revelações. Eu, por exemplo, não sabia da possível conexão entre a morte do José Barata e esse caso. Sabia apenas que alguém queria silenciar o Barata. Uma vez alguém colocou uma cobra venenosa de bom tamanho no jardim da casa dele; felizmente o pai dele viu a cobra e ele e o malogrado Barata mataram-na a tiros de pistola.

E a tareia que um assaltante levou da casa do Márito !!!: a mãe do Márito quando viu um homem no primeiro andar da sua casa e pôs-se aos gritos... como aquela hora só havia mulheres e crianças, foram todas as mulheres com o que se tinham á mão, panelas, tachos vassouras...agarram o dito e deram-lhe tamanha coça que ele só pedia para chamar a policia que as mulheres ainda o matavam!!!isto pelos anos 71, foram todas acudir a mãe do Márito, sem se lembrarem que tinham os filhos em casa a dormir!!

Penso que o Lobo da Costa era uma pessoa conhecida e querida por todos nós. Ele era empresário, atleta e até artista de cinema. Eu, penso que ele participou num filme dos anos 40, rodado em Portugal. Em Luanda, anos 50, ele exibiu-se como lutador no Circo Ferroni, eu só ouvi a filha a Isabel Lobo da Costa contar e penso que poucos serão capazes de se lembrar deste circo mas certamente lembrarão dos torneios de "luta-livre americana" dos anos 60-70, nos Coqueiros, com Milano, Dimarcos, Taúta, Grilo, Rocha, La Barba, Vilaverde, Landro, King Kong (o falecido Taborda), dentre outros. O Lobo da Costa organizava e participava destes torneios. E mantinha uma pequena feira de brinquedos infantis na Restinga, Ilha de Luanda. Depois abriu o Restaurante Ganso, nas instalações de uma antiga lavandaria industrial a caminho da praia da Samba. Devem ter experimentado o "bife à Lobo", não? Mas apesar do sucesso o restaurante teve vida curta.

Por volta de 63-64 o Lobo da Costa construiu a pista de kart na Samba. Na inauguração da pista eu estava no prédio da padaria. Algumas dezenas de pessoas tentavam ver as competições do alto de um imbondeiro, junto ao rio seco. Um galho quebrou e várias pessoas cairam de uma altura de 4 a 5 metros. Foi um deus nos acuda.

Antes do Lobo da Costa construir a pista de carting, o local acolhia feiras de diversões itinerantes. Lembro do poço da morte do Max, motociclista veterano, do qual se dizia ter mais platina na cabeça do que miolos. O equipamento do Max era velho, a começar na moto e a acabar na madeira do poço, cheia de remendos. O show atraía poucos espectadores e o Max deixava entrar os putos de graça sob a condição de que estes o aplaudissem e fizessem bastante gritaria. A cada volta, volta que ele dava naquela Jawa barulhenta era um coro de "uaaaá, uaaaá, uaaaá".

De qualquer forma, obrigado pelo show, grande Max!



HISTÓRIAS DOS MAIS VELHOS



2008

URGÊNCIAS HOSPITALARES



Num Sábado, de Março, ao final da tarde, minha esposa sentiu-se mal com uma forte dor no peito. Como estávamos numa festa perto do Cacém, decidimos ir às urgências do Hospital Amadora Sintra.

A nossa odisseia começou aqui:

Demos entrada nas urgências por volta das 18h30 e fomos atendidos pelo médico de serviço por volta das 23h10. Até aqui tudo bem. A triagem seleciona logo as doenças mais urgentes, etiquetando os utentes com uns autocolantes de várias cores.

Depois de observá-la, o médico pediu um raio-x ao tórax e umas análises ao sangue. Lembro-me claramente de ouvir a minha esposa perguntar se, aquela hora (23h25) o raio-x estava aberto ao que o médico respondeu afirmativamente. Passei pela receção para perguntar onde eram o raio-x e o laboratório de análises clinicas e depois de me dar as indicações que precisava a rececionista concordou comigo que era melhor fazer primeiro a recolha de sangue e só depois o raio-x, enquanto esperávamos os resultados.

Naturalmente, não me ocorreu voltar a perguntar se o raio-x estava aberto ou não, uma vez que a rececionista concordou com os meus planos. Feita a recolha de sangue, disse ao analista que íamos voltar a descer porque ainda precisava-mos de fazer um raio-x. Novamente, o analista concordou. Chegamos ao raio-x e a porta estava fechada.

Bati várias vezes sem resposta até que apareceu uma enfermeira vinda da área das urgências a dizer que o raio-x aquela hora estava fechado. Dirigi-me novamente à recepção para perguntar como é que ela não sabia que o raio-x estava encerrado. Mas o raio –x de um hospital tem que estar sempre aberto responsi eu, pois mas os radiologistas foram comer, também são filhos de Deus respondeu a enfermeira, enfim..............

Para azar nosso, o turno tinha entretanto mudado e a rececionista já não era a mesma. Mesmo assim reclamei junto da “nova” rececionista pela falta de conhecimento/profissionalismo da rececionista anterior, do médico e do analista.

Como é possivel que um médico e um técnico de laboratório de serviço nas urgências num Hospital não saibam que tipo de serviços estão disponíveis nesse mesmo Hospital. Dá a impressão que as pessoas respondem à toa, o que revela uma gritante falta de profissionalismo e consideração pelos pacientes. Nem sequer me dou ao trabalho de comentar sobre a rececionista...

Como minha esposa precisava mesmo de fazer o raio-x, lá apareceu uma funcionária que pareceu-me mal humorada lá tirou o raio x

Felizmente depois desta pequena história fomos muitíssimo bem tratados/atendidos. Demorou algum tempo (cerca de 1/2H) porque havia outros doentes à nossa frente, mas em momento algum se questionou a espera, mas que para urgências é muito tempo.

Como tudo tinha corrido tão bem até então, não poderia ficar melhor: o médico que pediu as análises ao sangue e o raio-x já se tinha ido embora e estava de serviço um outro que olhou para as análises e para o raio-x umas 3 vezes e acabou por dizer que ainda precisava duma análise a urina. Se tudo isto não fosse trágico, só poderia ser cómico.

O nosso conselho era: evitem recorrer a serviços de urgência do Hospital Amadora Sintra aos fins de Semana, mas vamos recorrer a quem? Conclusão depois de ser medicada saímos do Hospital ás 02h30 da manhã.



2010

BAIRRO POPULAR



Devo falar de um bairro – o Câncio Martins – simplesmente por ter morado nele a família Antunes. Nada de comparações, sempre odiosas, com outros lugares: melhor, pior... Até porque os Antunes poderiam residir em qualquer outro bairro popular.

O Bairro Popular nº 2 – cujo nome de Batismo é Câncio Martins – é um bairro popular como tantos outros no mundo: casas simples, gente descontraída trocando dois dedos de conversa no portão, bares onde a cerveja e o petisco correm soltos, vias largas e estreitas, praças, travessas, cantos e recantos retilinios e despreocupados de lógica urbanística, o motorista aventureiro que se mete pelo bairro sempre retorna ao ponto de partida, ou ao Largo que é sempre ponto de referência.

No comércio local, lojas de roupas, sapatarias, oficinas, mercearias e padarias. No Bairro tem Clube para no fim de semana se reunir o maralhal e se divertir ao som de uma boa música.

Como todo bairro popular, o Bairro Popular nº 2 tem velha fofoqueira, tem briga de marido e mulher, tem repreensão sobre um filho malcriado, tem kandengues jogando bola na rua e meninas pulando ao jogo da corda. Se cada cantinho de chão traz seu traço, o do Bairro Popular é a proximidade com o centro da cidade...

Sendo tão perto do centro da cidade, o Bairro Popular nº2, não poderia deixar de sofrer a influência da cidade. Daí que um garoto nele nascido tem infância duplamente vivida e saboreada: a descontraída e preguiçosa do bairro, e a aguerrida e laboriosa da cidade, onde é necessária certa dose de malícia e esperteza para se viver.

No Bairro Popular nº 2, e na cidade, tudo se adquire à força do trabalho, pois nada sobeja livre na natureza – bastante alterada pelo homem. Na periferia, uma rua com pouco tráfego ou alguma várzea sempre agasalha um campo de futebol.

Os garotos dos musseques periféricos ao Bairro Popular nº 2 prematuramente se põem a ganhar a vida para poder vivê-la: engraxar sapatos, vender doces de ginguba e revistas velhas na calçada; catar papéis, latas, garrafas e fios de cobre para vendê-los ao ferro-velho, além de recados, são operações comerciais que rendem alguns trocados para a garotada ir vivendo.

No Bairro Popular, como em tantos bairros, há tempo de tudo: tempo de coleção de cromos, tempo de jogar à bola , tempo de pião, tempo de passear nas torraites e ver as garinas, tempo da festa de São João... Bonito mesmo é o tempo de empinar o papagaio, pois exige destreza para driblar fios elétricos e vivendas que comprimem o bairro! Ali se aprende de verdade essa nobre e secular arte de rasgar os céus com papagaios multicoloridos.

Não é para espalhar por aí – a Câmara Municipal de Luanda não sabe disto –, mas as ruas do bairro pertencem mesmo aos kandengues, que diambulam de cá para lá, de uma rua para outra, imperando no seu território, onde jogam futebol, brigam, riem, andam de carrinhos de rolamentos, patins, bicicleta; brincam jogos de guerreiros e heróis, cabra-cega, apanhada, salto a corda e macaca. A rua é palco de contrastes onde se vê de tudo: kandengue bom e kandengue ruim, kandengue forte e kandengue covarde, sãos e viciados, atinados e vadios.

Nos finais de tarde, os velhos se acomodam nas varandas e conversam tanto que a rapaziada não bota na cabeça como aguentam ficar parados um vida de tempo assim. Mas o fato é que ali ficam, e se divertem vendo a criançada retornar da escola e os pais regressarem do trabalho... Isso é privilégio de bairro que convive sadiamente e não teme desgraças.

A criançada da rua é feliz. A muitos kandengues a pobreza excita a criatividade e nessa escola se improvisa de tudo: se não tem bola de catchú, a malta se vira com bola de borracha. Cachorro de raça é muito caro? Cada vira-lata bacana a garotada consegue! Brinquedos de marca, qualquer carrinho feito de lata de sardinha serve.

O kart é substituído com vantagem pelo carrinho de rolamentos. Carrinhos de todos os tipos, para levar gente. São de causar inveja aos donos dos carros de verdade, que passam e se admiram. Ali no bairro ainda se veem carrinhos com rolamentos conseguidos no lixo das oficinas mecânicas, e com direção hidráulica à base de arames por baixo do chassi de madeira e ligados ao eixo da direção, e assento com encosto para o piloto feito de cadeira velha sem pernas... Travão? Ah, o travão pode ser de mão, com um pedaço de pau na lateral do carrinho; ou de pé, à base de sola de sapato ou pneu velho pregado ao eixo da direção que, pressionado contra o solo pelos calcanhares, faz o veículo travar cantando o aço dos rolamentos.

Brincadeira velha e gostosa que a tradição arrancou da boca voraz da modernidade, mantendo-a viva em bairros modestos, é disparar pela rua com um pneu velho de bicicleta, ou de automóvel fazendo-o deslizar ágil, equilibrado apenas por uma vareta de gancho na ponta e encaixada ao pneu quase rente ao chão; ou correndo velozmente e tangendo o rasto do pneu com um pedaço de pau, e zigzeguiando postes e pessoas.

E assim, na pobreza inventiva, a garotada vai vivendo sem carrinhos eletrônicos e sem traumas por abstinência de consumo.

2008

12/08/2012

PEQUENAS FÉRIAS



Do dia 23 de Abril, até ao dia 13 de Maio deste ano de 2012, e porque minha irmã se deslocaria a Lisboa para umas merecidas férias mais o marido, resolvi neste período aproveitar e gozar também umas pequenas férias, aproveitando para ser o cicerone visto o Rogério ser a primeira vez que se deslocava a Portugal.

Desembarcaram no dia 25 de Abril num voo via Madrid da Ibéria e deslocamo-nos até ao Cacém, onde resido. Depois de acomodados e desfeitas as malas, no dia seguinte rumamos até ao Laranjeiro onde fomos visitar a Família Mota que eram nossos vizinhos em Luanda no Bairro Popular, abraços , beijinhos aquela emoção que nestas ocasiões ocorrem, seguindo pouco depois para Setúbal onde almoçamos no Restaurante do Peixe “ O Barracão “onde degustamos uma bela refeição de magníficos peixes.

Deslocamo-nos depois até a casa da família da Dona São Pinto Ferreira, onde passamos uma tarde maravilhosa recordando com saudade a nossa infância, tendo depois no regresso a Lisboa passado pelo emprego do Acácio Ferreira ( Cacito ) de onde nos despedimos com um até breve.

Dias seguintes e ainda em Lisboa visitou-se os pontos mais turísticos da Capital, começando por ir tomar o pequeno almoço aos famosos Pasteis de Belem, visitando também a Praça do Império, Mosteiro dos Jerónimos, Museu da Marinha, Torre dos Descobrimentos, acabando por almoçar em Belém numa esplanada bem acolhedora nos jardins de Belém.

Arco da Rua Augusta - Lisboa


No dia 5 de Maio foi o tão desejado encontro anual dos moradores dos Bairros Popular, Sarmento e Palanca, onde a Melita se encontrou com muitas pessoas amigas da sua infância e que não as via há muito tempo. Aquele aperto de saudade, aquelas recordações, e a nostalgia, que se ia apoderando dela quando se recordava com mais calor e enfase de vivências com mais sentimentalismo. Fotos daqui, fotos dali para mais tarde recordar e assim terminou este encontro de amigos que sempre estarão nos corações uns dos outros.

Semana seguinte rumamos ao Norte para visitar outras pessoas e mostrar ao Rogério as nossas belas paissagens, mostrar o Portugal pequenino mas bonito.

Neste inicio de viagem ainda houve um pequeno incidente, pois fomos albarroados na IC 19 por um veiculo que por qualquer razão não estaria atento a condução, resolvido o acidente lá seguimos viagem até Guimarães, onde fomos pernoitar, sem antes de tomarmos uma ligeira refeição na casa do Manuel Ribeiro.

No dia seguinte, com um tempo invernoso, fomos até à feira das Taipas, ver como é uma feira ambulante onde se vende quase todos os artigos necessários para o dia a dia. Seguimos para Barcelos onde visitamos a cidade e compramos o famoso galo de Barcelos, tendo regressado a Guimarães pois o tempo não ajudava a que nos aventurasse-mos no passeio que nos tínhamos proposto, almoçamos num pequeno Restaurante no Centro da Cidade.





Centro de Barcelos

Num dos últimos dias da nossa estadia em Guimarães fomos jantar com a Linda, mais a Maria do Céu, a sua filhota e com o Sr. João Fonseca pai da Linda, eu, Amélia, Rogério e a Dona Tercília, degustamos um belo jantar e conversamos sobre muitos temas da vida.


Num dos últimos dias da nossa estadia em Guimarães fomos jantar com a Linda, mais a Maria do Céu, a sua filhota e com o Sr. João Fonseca pai da Linda, eu, Amélia, Rogério e a Dona Tercília, degustamos um belo jantar e conversamos sobre muitos temas da vida.

Hotel da Penha – Guimarães

No dia da nossa viagem directos a Lisboa, ainda fomos até à Penha e ao Pio IX, e ao Castelo de Guimarães, fazendo uma pequena visita ao magestoso miradouro que é o alto da penha que tem a cidade a a seus pés, e ao secular castelo onde nasceu Portugal. Fomos ainda até a Lixa onde almoçamos com o Minguitos e com a Mila e o Filho e donde veio o vinho branco verde que trouxemos para Lisboa. O outro dia almoçamos na casa da Dona Tercília e depois rumamos até a magnifica vila de Óbidos onde se viu as grandiosas muralhas que envolvem todo o casario,

Óbidos

seguimos directos à Póvoa de Penafirme onde pernoitamos na casa da Tia Victória, depois de saborearmos um delicioso leitão da bairrada que previamente adquirimos no Pedro dos Leitões na Mealhada.

Pedro dois Leitões - Mealhada

Chegados ao Cacém, comecei a preparar tudo, pois começarei a trabalhar em breve e a Melita e o Rogério a prepararem as suas imbambas pois logo seguirão até ao Brasil, onde vão contar estas histórias aos familiares e aos amigos.

2012

ESPANHA



Neste ano de 2011, fui até a ilha da Armona, onde estive a descansar 4 dias e onde fui protagonista da história do homem ao mar, pois ao atracar o barco do meu cunhado Manuel, ele deixou o barco descair para trás e eu atirei-me para dentro de água e agarrei-me ao gancho de prender as embarcações, foi um fartote de rir depois de estar a salvo, tendo ficado sem o telemóvel que se encharcou todo. Interrompi estas curtas férias para participar na Volta a Portugal em Bicicleta que iria começar no dia 4 de Agosto na Cidade de Fafe. Depois de ter acabado a Volta a Portugal em Bicicleta, eu e a Marinha, mais a Dona Tercilia e o Chico Maia, fomos numas curtas férias para Espanha de 21 de Agosto, mais propriamente para a Galiza, para as praias de Pontevedra ( sanxeixo, portonovo ) e foram mais umas férias para retemperar forças e descansar de mais um ano de intenso trabalho, antes de me deslocar para as merecidas férias, fui a São Bento da Porta Aberta e dai para o famoso restaurante “ABADIA” onde degustei o famoso bacalhau à abadia, tendo seguindo para o ponto mais alto do Gerês a Pedra Bela, de onde segui direto à fronteira da Portela do Homem e entrando na Galiza indo até à cidade de Ourense e depois Vigo, chegando a Sanxeixo e ao hotel já noite, indo nessa noite jantar a Portonovo. Dias seguintes, idas à praia e passeios pelos arredores, tendo regressado a Guimarães onde fui almoçar ao Etc. a famosa salada, e depois vindo para Lisboa dia 26 de Agosto.


2011