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03/09/2012

BRONSON

Ainda me lembro do baile que o Carlos Barbara ( Bronson) deu quando a Polícia nos fez o cerco junto a Igreja de Santana. Estava-mos a fazer corridas na Rua do Andulo nas traseiras do cinema e da Igreja e alguém chamou a Polícia! Não sei quem foi entalado, mas penso que alguns canucos que até não estavam a correr, tinham as motas paradas, quando foi para fugir as motas não trabalhavam e ai carregaram as ditas, e foram transportadas para a 7ª Esquadra, na Estrada de Catete, no dia seguinte os donos foram buscá-las e pagaram as multas, uns pagaram por ter o escape livre e o Gaspar por não ter os documentos da motorizada, pois a mota não era dele.

CARLOS CAPACETE



E a queda que o Carlos Capacete deu no largo, ele mal sabia tripular a torraite, foi de encontro aos bancos da igreja, subindo o lancil do passeio, partindo a motorizada e partiu a cabeça.

PADRE COSTA PEREIRA


E o Vasco Leite com a mini Suzuki que se punha a fazer corridas e piruetas em frente à igreja na hora da missa da tarde e o falecido padre Costa Pereira todo zangado, com o barulho do mega, comprou uma mangueira grande e vinha com ela dar banho ao Vasco e a malta sentada nos Bancos da igreja a gozar o panorama só se ria a bom rir.

MURO DO MATIAS


Todos nós nos lembramos, quando o Matias pintou a parte de cima do muro da casa dele ( o nosso poleiro ) com óleo queimado, e aplicou de seguida massa consistente? para não nos sentarmos lá...

Nesse dia esgotamos os jornais que se vendiam na Papelaria da Rua de Porto Alexandre, para limpar o ( óleo e massa consistente ), para nos podermos-nos sentar, e continuar ali a ouvir e a contar as nossas anedotas. E nos dias seguintes em que ele saiu com a pistola de alarme às duas da manhã e pôs-se a dar tiros para o ar. Fugimos para trás dos muros e pedia-mos " só mais um " e ele já bem zangado respondia com mais um disparo. Nesse mesmo dia à tarde estava-mos sentados no bar a comer uma dobradinha e a beber uns finos ( imperiais ). À noite voltamos a sentar-nos no muro e alguns de nós pondo ainda as folhas da figueira ou de mangueira que existia no quintal da casa do Matias para secar melhor o muro. Anos mais tarde comentei com o Matias no Café Alameda em Guimarães, estas situações e ele com aquele sorriso matreiro disse: Vocês todos eram o diabo em forma de gente.

NELO CAROÇA


Uma história gira que recordo, Da garrafa de vinho do porto do Nelo Caroça, mas ainda assim bastante divertida... Penso que terá acontecido no Natal de 72 ou 73... A rapaziada do Largo e das motoretas, já não recordo todos os que faziam parte do grupo... resolveu nesse Natal visitar todas as capelinhas, ou seja a casa de todos os amigos... Então em cada casa que passávamos para dar as Boas Festas, os pais dos ditos amigos, faziam questão que comesse-mos das suas iguarias e bebesse-mos dos seus vinhos... - Resultado lógico... uma ganda bezana...

Assim quando calhou a vez de visitar a casa do Teixeirinha, que ficava lá prás bandas do Palanca, ao subir a "avenida" de terra batida que dava acesso ao dito Bairro, aconteceu apanharmos uma curva, em que "estranhamente" havia "alguma" areia e o tipo da mota da frente espalhou-se ao comprido e, em consequência disso, todos os que vinham atrás se foram espalhando igualmente em cadeia. Na mota do Zé Antunes ia à pendura o Bacalhau que ficou ali deitado a chorar e a dizer “ ai minha mãe que morri “, Resultado... uma risada geral e a festa continuou...

Pra fechar a noite o Zé Avelino resolver gamar a garrafa de Porto que o Nelo Caroça tinha levado para o Largo para partilharmos mais tarde na noite enquanto se realizava a Missa do Galo e "mamou-a" sozinho às escondidas, tendo sido depois atacado por uma crise de tristeza e de choro, confessando-nos que o pai não gostava dele e acabou debruçado na janela da casa dele, a vomitar tudo o que tinha comido e bebido... Cenas dos tempos... da nossa Juventude.

30/08/2012

KILAMBA KIAXI (Bairro Popular, Palanca, Golfe e Camama )



Luanda - O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, foi informado sobre o estado de implementação do Projecto Urbanístico do Kilamba Kiaxi ( começa no Bairro Popular nº2 e vai até Camama) que albergará mais de duzentas mil pessoas.

Este facto ocorreu quando recebeu os vice-presidentes do CITI GROUP e do Banco ICBC, ambos da China, respetivamente, Tian Guoli e Yi Huiman.

Trata-se do executor e financiador do projecto que, segundo Tian Guoli, se encontra em fase de conclusão, prevista para o próximo ano.

Neste projecto foram investidos dois biliões e meio de dólares ao abrigo de uma linha de crédito aberta pelo ICBC, um dos maiores bancos comerciais do mundo.

Angola é um país com um grande desenvolvimento, asseverou o bancário, “dai a razão da nossa participação”.

O maior projecto habitacional do País está a ser erguido no município do Kilamba Kiaxi, em Luanda, onde estão a ser construídas cerca de 3 mil apartamentos para albergar mais de 500 mil famílias angolanas.

O projecto contará com três fases e ocupa uma área de 880 hectares, qualquer coisa como 880 campos de futebol com uma população prevista de 160 mil habitantes. Na segunda fase, serão 12 mil km para dar moradia condigna a mais de 170 mil habitantes.

Quando tudo estiver pronto, a nova cidade do Kilamba Kiaxi vão viver 500 mil famílias. Para além das áreas residências, o Engenheiro Flor, responsável pela parte angolana, fez saber que o projecto irá contar tudo que uma cidade pode ter. “Temos que ter lojas, hospitais, super mercados hotéis, restaurantes, por tanto, temos que ter tudo”, frisou o responsável. Para além disso serão construídas 24 creches, 9 escolas primárias, igual número de escolas secundárias, um hospital para 200 camas, bombas de combustível, clínicas e centros culturais. No local, ninguém trabalha sem o capacete e luvas. Assim faça chuva ou sol, se constrói um país que precisa de dar o mas cedo possível casas ao seu povo.



2010

BAIRRO DA SAMBA



Do que me lembro da Samba?

Da esplanada do Lobo da Costa, onde havia para além de uma mini pista de Kart's, uma bela esplanada que era muito frequentada nas noites Luandenses.
Lembro-me que era o local onde podia-mos ver os famosos Lutadores de Luta Livre que se deslocavam a Angola para lutar pelo cinturão (???).
É claro que era muito míudo (10 anos) e só me lembro de alguns nomes.
Também vi alguns combates ao vivo e a cores no estádio dos coqueiros, e recordo-me de um combate entre o Zé Luis (português) versus um Búlgaro que pesava mais 50 Kg que o primeiro, mesmo assim a vitória coube ao Português.
Depois do espetáculo ia ao Polo Norte para beber uma carbo sidral.

Já agora lembram-se do filme que inaugurou o TIVOLI??-Laurence d' Arabia.
Eis alguns nomes da malta daquela geração: Mário Tirapicos, falecido com a namorada num acidente com a Honda 350; os irmãos Camilo; Necas, Tonecas e irmãos, primos do Pingo; Nelo e irmão; Carlitos, irmão do Rolito; dois Luíses, um morava em frente da padaria e outro na Júlio Lobato, dono da Honda 350 Scrambler; o Tino; o Jaime Sossega e irmãos. O Juca, o Brasileiro e outros chegaram bem mais tarde. Ah, falta o Luíz Gonzaga, irmão da Mimi. Quem conheceu a pista de dinky toys desenhada sobre o urinol do parque? Quem conheceu a Isabel Barata, a Isabel Lobo da Costa, a Conceição irmã do Jorge Velhindo, a Cristina, Geny, Irene, Magda? Por último, alguém lembra do Negresco?

Recordando o Tivoli, após o Laurence da Arábia parece que entrou em cartaz o Doutor Jivago. Lembro que a rapaziada saiu correndo para comprar camisolas de gola alta para imitar o look do Omar Shariff. Bigode mesmo era para poucos.

Estávamos numa das nossas farras de "quintal" em casa da Ilma, penso que se chama assim, irmã do Jorge Pamiés Teixeira vulgo "Careca", a mãe era espanhola, e o João Corte Real mais velho, a pessoa que tinha um maior "caparro", pedi-lhe ajuda para endireitar o volante da Honda SS50Z de escape para cima, que ficou assim devido a uma queda que dei numa curva, por ter batido num cão, quando ia para essa festa. A casa deles ficava perto da Sagrada Família, no largo do Colégio Algarve. Lembro-me como se tivesse passado hoje.

Lembro bem do "Pita-buzinas" ou "Toca-buzinas", como também era conhecido. Tinha um tique nervoso (ou seria um distúrbio obsessivo-compulsivo?) e pontuava cada frase com um "puííím..." feito com o canto da boca.
Dos antigos da Samba gostaria de lembrar do "Ferramenta". O "Ferramenta" era guarda livros da Flor da Samba e recebera esse apelido por andar sempre com três ou quatro ferramentas no bolso; assim que via um parafuso ou uma porca ía lá tentar apertar ou desapertar, conforme o caso.

Lembro de outros apelidos famosos: o "Sarapintas", por ter sardas no rosto; o Idéias, assim conhecido por discutir com a motorizada, isso mesmo, com a motorizada! E da "Maria das Pressas", quem lembra dela e da razão desse apelido?

Lembro-me da Lurdes “a Boneca”, lembro-me dos irmãos dela, Tino e o Diniz , o Diniz salvo erro era sargento da Força Aérea, Lembro-me do falecido Luciano. O Luciano tinha uma NSU Cavalinho vermelho e era bem quisto e respeitado por todos do bairro. Penso que não há mal algum lembrar uma famosa bebedeira dele junto com o Leandro. O Leandro deitou-se num banco do jardim completamente grogue enquanto o falecido Luciano, tripulando a Thriumph 350 do Leandro, curava a bebedeira dando voltas ao parque com o acelerador ao fundo.

Da família Camilo lembro-me bem, a casa deles era engraçada, pintada de verde claro e dava a impressão que ficava num alto, ele vivia com a mãe, o irmão mais velho do Carlos fugiu para a Áustria muito novo para fugir á Pide e á tropa, ( dizia-se que era comunista), o que na altura para mim era chinês, mas estava-mos proibidos lá em casa de pronunciar essa palavra, sob pena de levarmos os meus pais á cadeia, lembro-me de ouvir os meus pais dizerem que eles eram vigiados pela pide por isso.

Vários kandengues decidiram construir uma caverna no morro da Samba? A caverna desabou e um dos Miúdos ficou lá soterrado, sendo resgatado no último minuto por um corajoso da malta. Lembro-me ainda das miúdas da Samba que iam para a praia da Corimba e com os espelhos das motas faziam sinais aos Avilos que ficavam um pouco mais distantes.

Outro acontecimento marcante nessa altura foi o aparecimento da Coca Cola em Luanda e o concurso que fizeram. Tinha-mos de coleccionar caricas de 0 a não sei quantos e os números 13 e salvo erro o 8 em 100 só saia 1. Era muito difícil ganhar e começaram logo a fazer trafulhices, apagando números das caricas e desenhando os que faltavam à colecção.

Lembro-me tão bem desta cena! A Teresa tinha os números todos, só lhe faltava o 13 e num domingo, antes de sair para um piquenique, a mãe retirou as caricas das garrafas para ver os números e eis que lhe sai o 13! Foi uma festa, mas veio de lá o pai dela todo zangado e muito aflito, pensando que a mãe e ela tinham feito a dita trafulhice. Foi preciso muito para o convencer que o 13 era original e lá lhes saiu uma bicicleta. Lembro-me que nessa altura a Teresa era uma grande amiga, mas perdi-lhe o rasto. Nunca mais soube nada dela.

Há ainda o caso dos cheques visados falsos, protagonizado pelo Bertino e pelo Figueiredo. Uma fraude espectacular, o enredo daria um bom filme. Por que será que um assunto desses ainda não foi explorado? Poderiam surgir novas revelações. Eu, por exemplo, não sabia da possível conexão entre a morte do José Barata e esse caso. Sabia apenas que alguém queria silenciar o Barata. Uma vez alguém colocou uma cobra venenosa de bom tamanho no jardim da casa dele; felizmente o pai dele viu a cobra e ele e o malogrado Barata mataram-na a tiros de pistola.

E a tareia que um assaltante levou da casa do Márito !!!: a mãe do Márito quando viu um homem no primeiro andar da sua casa e pôs-se aos gritos... como aquela hora só havia mulheres e crianças, foram todas as mulheres com o que se tinham á mão, panelas, tachos vassouras...agarram o dito e deram-lhe tamanha coça que ele só pedia para chamar a policia que as mulheres ainda o matavam!!!isto pelos anos 71, foram todas acudir a mãe do Márito, sem se lembrarem que tinham os filhos em casa a dormir!!

Penso que o Lobo da Costa era uma pessoa conhecida e querida por todos nós. Ele era empresário, atleta e até artista de cinema. Eu, penso que ele participou num filme dos anos 40, rodado em Portugal. Em Luanda, anos 50, ele exibiu-se como lutador no Circo Ferroni, eu só ouvi a filha a Isabel Lobo da Costa contar e penso que poucos serão capazes de se lembrar deste circo mas certamente lembrarão dos torneios de "luta-livre americana" dos anos 60-70, nos Coqueiros, com Milano, Dimarcos, Taúta, Grilo, Rocha, La Barba, Vilaverde, Landro, King Kong (o falecido Taborda), dentre outros. O Lobo da Costa organizava e participava destes torneios. E mantinha uma pequena feira de brinquedos infantis na Restinga, Ilha de Luanda. Depois abriu o Restaurante Ganso, nas instalações de uma antiga lavandaria industrial a caminho da praia da Samba. Devem ter experimentado o "bife à Lobo", não? Mas apesar do sucesso o restaurante teve vida curta.

Por volta de 63-64 o Lobo da Costa construiu a pista de kart na Samba. Na inauguração da pista eu estava no prédio da padaria. Algumas dezenas de pessoas tentavam ver as competições do alto de um imbondeiro, junto ao rio seco. Um galho quebrou e várias pessoas cairam de uma altura de 4 a 5 metros. Foi um deus nos acuda.

Antes do Lobo da Costa construir a pista de carting, o local acolhia feiras de diversões itinerantes. Lembro do poço da morte do Max, motociclista veterano, do qual se dizia ter mais platina na cabeça do que miolos. O equipamento do Max era velho, a começar na moto e a acabar na madeira do poço, cheia de remendos. O show atraía poucos espectadores e o Max deixava entrar os putos de graça sob a condição de que estes o aplaudissem e fizessem bastante gritaria. A cada volta, volta que ele dava naquela Jawa barulhenta era um coro de "uaaaá, uaaaá, uaaaá".

De qualquer forma, obrigado pelo show, grande Max!



HISTÓRIAS DOS MAIS VELHOS



2008