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25/09/2012

OS MEUS COLEGAS DE ESCOLA

ESCOLA INDUSTRIAL DE LUANDA

1º e 2º anos de Curso formação Serralheiro

- Ernesto Telles, ainda me lembro dele era um rapaz de meia estatura, mulato claro, calmo tanto no andar com as pernas arqueadas tipo Garrincha, como na fala. Determinadas ocasiões faltava às aulas, e ai mestre Paixão dizia-lhe que no fim do ano o “ chumbava” . Era bom de Bola.


-Francisco Simas, primo do Ernesto era o oposto muito responsável, um pouco estudioso e disciplinado. Mais tarde após o término do Curso de Aperfeiçoamento de Serralheiro ingressou nos quadros dos Caminhos de Ferro de Luanda como mecânico.


-Manuel Oliveira, outro colega que optou em isolar-se de contactos apesar dos meus esforços, para saber so seu paradeiro, que respeito, era um rapaz que sempre demonstrou espírito de liderança foi nosso sub-chefe de turma, era bom de bola nosso avançado na equipa de Futebol, mais tarde, com o apoio do então Eng. Vagueiro foi convidado para ir trabalhar para o seu gabinete de desenho.


-Diniz Marques ( o minha senhora ) era do tipo trapalhão meio desengonçado mais velho que nós e promovido a chefe de turma do 2º ano. Após o término do Curso de Serralheiro Mecânico ingressou nos Quadros de Funcionalismo Público da Câmara Municipal de Luanda como fiscal de obras. Trabalha em Lisboa numa Repartição de Finanças


-Costa Ferreira - tive o imenso prazer de contactar com este grande amigo graças ao nosso Grupo. Ele ainda era estudante na Escola Industrial de Luanda quando resolveu mudar-se para Portugal. Perdi contacto com ele e passados uns anos talvez em 2007 consegui saber que se encontra em Felgueiras.


-Salvador , rapaz de baixa estatura que morava no Bairro da Cuca , soube que também veio para Portugal, para Braga como retornado, de vez em quando encontrava-se com o Fernando na Baixa de Lisboa e há pouco tempo soube pela irmã que já faleceu. Foi sempre camarada participando de todas as brincadeiras.


-José António , encontrei-o em 1976 na Rua de São Ciro trabalhava no I.A.R.N. depois perdi o contacto. Ele era bom no que se propunha fazer no CENTRO COMERCIAL DE MAFRA , alugou o cinema e antes de ir para o Brasil facturou boas maquias de dinheiro.


-Aniceto Monteiro , era o mais traquinas e só queria galhofa, cedo o pai lhe deu uma moto 250 cc que fez o último motocrosse internacional de Luanda nas Barrocas do Miramar, mas teve que vir para Portugal cedo devido aos conflitos nas mercearias de muceque, seu pai foi expulso do Bairro Indigena, está em Chaves é mecânico de motos


-José Antunes , considerava-me um aluno médio. Topava qualquer tipo de brincadeira ou actividade, Tímido, sou do tipo que enrubescia quando alguma menina me dirigia a palavra. Por esse motivo pouco namorador levando a sério os meus relacionamentos amorosos por sinal muito poucos. Normalmente a duração deles era de uns dois meses, pois qualquer deslize da menina era motivo de rompimento. Pouco alto e franzino, cabelo liso meio loiro ( dai a alcunha do Russo ).


-António Gilberto (Togy), nosso guarda-redes no futebol era por intermédio dele que ás 3ª feiras liamos o Jornal a “BOLA” para sabermos e comentarmos as crónicas sobre os jogos realizados no domingo anterior, principalmente para sabermos noticias do glorioso benfica, ele antes de chegar a Escola Indústrial passava na casa Travassos e comprava o jornal. Depois da Dipanda só nos viemos a encontrar em 2009 num jantar de malta amiga, Costumo estar com ele a quando dos jogos do Benfica.


-Tino da Cola, Não o vejo desde junho de 1975, quando faziam a feira de Fardos ( roupa usada ) em frente a defesa civil, tenho estado com o irmão e sei que mora para os lados de Viseu, gostaria de o visitar e lembrar as nossas brincadeiras quando viajavamos no munhungo ( maximbas 23 ) que saia do largo em frente à loja Dias.


-Tavares,  nunca mais o vi, ou soube algo dele, gostaria de um dia o encontrar.


-Calé, nunca mais o vi, soube que veio para Olhão, gostaria de um dia o encontrar e lembrar as nossas historias, principalmente quando estavamos numa aula de Oficinas e ele atirou-se para cima de mim e eu baixe-me. e ele caiu , deslocando o braço esquerdo.

- Augusto ( Alá ) nosso chefe de turma do 1º ano


-Sancho, Umas das actividades desportistas que praticávamos era futebol. Mas o Sancho era mais para a Vela, e mais tarde no ano de 1974 foi presidente do Clube Naval de Luanda, e ainda se manteve nesse posto até a visita do papa foi ele que se comprometeu a pintar as igrejas de luanda a quando da visita do PAPA. Fez um contrato com a camara municipal de Luanda.


-Pinguiço, Era muito calmo, queria era paródia, iamos a pé do Bairro Popular para a Escola Industrial para poupar o dinheiro do machimbombo para irmos para a esplanada São João atrás do Liceu Feminino para estarmos com as meninas e beber a nossa Coca - Cola. Faleceu em 1976 acidente de mota na via norte a caminho do emprego, era o seu primeiro dia de trabalho no Porto.

-Amilcar Fonseca, rapaz atlético vivia para o Andebol era o único da nossa turma que jogava Futebol , Andebol e Basquetebol e nas três modalidades se saia bem, vive em Lisboa costumamos nos encontrar e por a conversa em dia.



-Alberto Rodrigues, também muito calmo, morava no Cazenga, nosso defesa direito com ele a defender não passava nada, ( Barrabás ) trabalha na Segurança Social tive o prazer de lhe fazer o projecto para a moradia dele, encontramo-nos ás vezes e pomos a conversa em dia.


-Camilo, Morava na Terra Nova, nunca mais o vi, mas por meio das redes Sociais vamos nos falando, gostaria de um dia o encontrar e lembrar as nossas historias, da Escola Indústrial, do Suta do Leirós, nossos mestres das aulas de Oficinas, das idas à Piscina de Alvalade quando fugavamos às aulas de Oficinas, e ele no dia a seguir dizia : Vocês vão para a praia de Alvalade, mas eu no fim do ano f....... ( lixo-vos).

1970

17/09/2012

O GRANDE SUSTO


Um certo dia de Setembro de 1984, tem o Bruno Miguel 4 anos feitos em Abril, frequenta os tempos livres na “ Associação Pró-Infância Santo António”, ali na Almirante Reis, nos Anjos, costuma ser a mãe, o pai ou alguém delegada por nós a ir buscá-lo à escola, nessa vez foi a mãe, que o foi buscar à tardinha, encaminhando-se para o Metropolitano de Lisboa como era rotina, sem antes de ir dar um alô à loja do chinês já dentro da estação do Intendente, quando olha para o lado, pois tinha deixado a mão do Bruno livre, já não o vê. Aflita começa a chamar por ele e à procura por tudo que era canto, chama a Policia e faz a ocorrência do acontecido.

Enquanto a mãe, mais alguns populares e a Policia procuram o Bruno, este com as rotinas diárias, enquanto a mãe falava com a chinesa dona do Quiosque das flores, ele continuou o seu percurso e meteu-se dentro do comboio do metro , saindo na estação da Avenida onde morava-mos na altura.

Eu a essa hora trabalhava como part-time no Restaurante Bar o “ Galo “ no Parque Mayer, fiquei um pouco surpreendido de ver chegar o Bruno muito caladinho e sozinho e perguntei:

E a mãe onde está?

Não me respondeu, estava com ar comprometido e continuava mudo, e sentou-se dentro do balcão nos barris da cerveja e ali ficou.

Perguntei se queria comer uma sandes e beber um sumo?

Novamente não respondeu e continuou quietinho.

Não liguei, pensei a mãe deve estar ai fora a conversar com alguém.

Nesse espaço de tempo, a mãe os populares e a Policia, continuavam no Intendente à procura do Bruno, foi quando um Policia se lembrou e disse:

Não terá entrado no comboio do metro e ter ido para casa? Os miúdos agora são bastante inteligentes. Queira deus que sim disse logo a mãe e acompanhada de um Policia vieram a casa e nada, não viram o Bruno, foram ter comigo ao Bar e à entrada a mãe olha para mim a chorar e diz toda triste e desesperada:

Zé, o Bruno desapareceu!!!

Aí percebi porque é que o Bruno estava tão calado.

Olhei para a mãe e para o Policia e disse:

O Bruno está aqui. Apareceu-me aqui à meia- hora atrás e tento falar com ele e ele não diz nada, está mudo.

A mãe sorriu e o choro já foi de felicidade por estar a ver o filho

À meu malandro que deste um grande susto à mãe, e andam todas as pessoas amigas à tua procura, não voltes a fazer o que fizeste, sempre ao pé de mim ou do pai, a mãe ficou bastante preocupada.

O Policial disse que tinha que se retirar, e que dentro da situação correu tudo bem. Agradecemos pois o policia era da Esquadra dos Anjos , e lá foi ele para a sua área de serviço.

Claro que tive uma conversa com o Bruno sobre a situação, dizendo-lhe, que nunca mais se perdesse das pessoas que o iriam buscar à Escola.

Lá sorriu aliviado mas com vergonha pelo que tinha feito, nunca mais a mãe ou eu tivemos preocupações, como a que aqui narrei,


ZÉ ANTUNES

1984

14/09/2012

CONCORDE


Eu tive o privilégio de ver o Concorde quando fez o primeiro voo Internacional da volta ao Mundo pois aterrou em Luanda a 01 de fevereiro de 1973, onde vivia.

Eu e alguns avilos do Bairro Popular, onde estava o Jaques, o Miguel, o Chico, o Victor, o Fernando Simões o Pitta Grós e mais alguns, fomos ao fim da Pista, onde sabíamos que o, arame farpado estava cortado, e aproximamo-nos do avião, mas nessa altura o avião estava já rodeado de Policia Aérea e de Policia Militar. Outros foram ao aeroporto mas ficaram na varanda que dava para a pista no 1º andar, sei que muitos de nós fugamos à escola para ir para o aeroporto. Outros não foram trabalhar nesse dia.

Um incidente grave nessa época foi no momento de os pilotos se prepararem para por o Concorde a trabalhar um deles abriu a janela e içou a bandeira do MPLA coisa que gerou polémica e o avião ficou retido quase uma semana no aeroporto de Luanda, pois muita gente não sabe deste episódio que foi resolvido entre governos da época visto os Franceses serem nessa época fornecedores de armas e mercenários ao MPLA.

Alguém (
Sr. Biffen ) solicitou ao Secretário de Estado para Assuntos Estrangeiros e da Commonwealth que as representações fossem recebidas, e ao levantar voo com cores da Bandeira do MPLA pelo avião Concorde, que horas antes tida aterrado no aeroporto de Luanda.

Alguém (Sr.
Balniel ) Eu não recebi nenhumas representações. Mas eu entendo que a British Aircraft Corporation, pediu desculpas ao Governo Português pela utilização inadvertida e infeliz de uma bandeira que obteve de boa-fé de um fornecedor comercial. Embaixador de Sua Majestade em Lisboa e Consul de Sua Majestade em Luanda, também transmitiu, Sua Majestade ao Governo Português e lamentar o incidente.


       Concorde a levantar vôo ( foto net )

Recorte do Jornal "O Século" com um in noticia Fevereiro de 1973

ZÉ ANTUNES

1973

AEROPORTO



Lembram-se quando íamos para o fim da pista do aeroporto de mota com penduras? Saltava-mos o arame farpado, deitávamo-nos na pista quando o avião começava a aterrar para assustar os que iam pela 1ª vez?

Cada noite um levava uma garrafa de John Walker ou Sbell para bebermos depois do avião aterrar !!!!

Quem estava presente quando o Carniceiro que morava na 4ª rua levou chá dentro duma John Walker para enganar o pessoal. Penso que quem fez a marosca foi o Perninhas. Os primeiros kandengues beberam e acharam muito bom, mas o Pitta Grós verificou a contrafação quando ia dar uma golada após aterragem do avião.

Nessa noite tiramos as calças ao Carniceiro e demos-lhe um banho de chá.
Numa dessas noites ia o Pompeu e outros à frente a acelerar quando passavam a vala do Sarmento para o Bairro Salazar caíram. Nessa queda o Zé Dentolas o filho do Dentista, com a sua vespa ficou todo arranhado parecia um Cristo.

Nós que vínhamos mais atrás com as luzes deixamos de ver, era só poeira, parecia nevoeiro cerrado. Lembro-me de ter participado numa dessas aventuras e o Carlos Capacete depois quando chegamos ao Largo, começou a chamar o Gregório, deitou cá para fora os líquidos e os sólidos, só dizia mal da vida dele, e a malta claro numa de risada até chorar.

12/09/2012

O VELHO DO SACO

O velho Trabuca, já só espera que as almas caridosas do Bairro lhe dessem alguma coisa para comer, deambula pelo bairro com um cajado na mão pois o peso do corpo é muito e ele nasceu com uma deficiência, a perna direita era mais curta, e com um saco de sarapilheira ás costas. Passou a chamar-se Trabuca, pois ele disse uma frase “Quem não trabuca, não manduca” e ficou com o nome de Trabuca, aliás ninguém nunca soube o nome verdadeiro dele, dizia-se que era muito prestativo que fazia os recados todos quando jovem, mas agora com os seus 80 anos só esperava caridade. Era empregado jardineiro do Proventório Infantil de Luanda no Bairro Popular nº. 2 e vivia no barracão onde se guardava tudo o que fosse da jardinagem, aquele espaço era uma horta e bananal que depressa virou um campo de futebol para os kandengues fazerem os seus trumunos.

Dai as mães dos meninos mal comportados e que não comiam a sopa quando ele passava, começaram a dizer que ele era o homem do saco.

Segundo a lenda, as crianças do saco que o
velho carrega, eram crianças que estavam sem nenhum adulto por perto, em frente às suas casas ou brincando na rua. O velho pegaria a criança caso ela saísse sem ninguém de dentro de casa.

Derivada dos mendigos que permeiam todas as cidades, essa lenda urbana é usada pelas mães para assustar os meninos malcriados que saem para brincar sozinhos na rua. De acordo com ela, um velho malvestido, e com um enorme saco de pano nas costas, anda pela cidade levando embora as crianças que fazem “asneiras, mal comportadas e , desobedientes”. Em algumas versões, o velho é retratado realmente como um mendigo, outras ainda o apresentam como um cigano; creio que isso dependa da região do país onde ela é contada. Há ainda versões mais detalhadas (entendam como cruéis) em que o velho (mendigo ou cigano) leva a criança para sua casa e lá faz sabonetes e botões com elas.

No início do surgimento da lenda do Velho do Saco, os pais amarravam uma fita vermelha na perna da cama da criança indesejada e o velho do saco passava a noite de casa em casa, se houvesse uma fita vermelha na perna da
cama o velho do saco poderia levar embora a criança em questão. Essa história era a versão original da lenda do velho do saco, os pais a usavam para assustar as crianças ou para forçarem as crianças a serem obedientes.


O Velho do saco

ZÉ DO TELHADO





Apeteceu-me escrever este pequeno texto, nestas horas de solidão e momentos de saudade. Aqui estou eu nesta Lisboa de ontem e de hoje, a recordar a minha Terra, a minha Angola, nesta Europa de Loucos, de dementes, agiotas e invejosos. 

O mundo é um palco e a vida um jogo de som e concorrência, representado por um LOUCO, e uma TROIKA que nos mostra a realidade sob a capa do irreal, o sério escondido sob o jocoso. Em cortejo diário, em fila Indiana, a Loucura vai apresentando os atores no palco da vida: os príncipes ignorantes e devassos; os condes aduladores; os filósofos estéreis e quezilentos; os corruptos e as prostitutas mascaradas de gente séria e fina; os artistas pretensiosos; os juízes e advogados astutos; os gestores a quem apenas importa o chorudo vencimento, o título e as honras; os monges torpes e inúteis; o longo cortejo de padres, teólogos, bispos, cardeais e papas, cuja vida é a negação de Cristo. 

A guerra, a corrupção, a bajulice, a astúcia, a fraude, a superstição, aparecem como a trama (intriga, conspiração) em que se tecem os dias dos seus contemporâneos, e lembrei-me do lendário Zé do Telhado, de seu nome José Teixeira da Silva, nasceu em 1816 na Freguesia de Costelo de Receguinhos - Penafiel. 

A sua alcunha não lhe adveio de assaltar as casas pelo telhado ou de serem os telhados o caminho para a fuga à polícia. Ficou assim conhecido porque nasceu no lugar de Telhado, numa casa coberta de telhas, ao contrário das casas da vizinhança, que usavam palha. 

Este conhecido e mítico salteador, que roubava aos ricos para dar aos pobres, ( Robin dos Bosques Português ) andou por Braga, no curso das suas aventuras, das quais se recordam as designadas por "Barbeiro Gabarola" e "Galego Sovina". 

Participou em 1846, na Revolta da Maria da Fonte (Póvoa de Lanhoso), tomado partido pelas forças populares. 

O famoso Zé do Telhado, que no séc. passado, em Portugal roubava aos ricos para dar aos pobres ( na série "As Pupilas do senhor Reitor que passou na RTP ), foi várias vezes preso, tendo até partilhado o cárcere com o Escritor Camilo Castelo Branco. 

Casado com sua prima Ana Lentina de Campos ( a boda celebrou-se a 3 de Fevereiro de 1845), Zé do Telhados entrega-se à vida militar de corpo e alma, sendo condecorado pela sua bravura. Após algum tempo, regressa para o seio da família, uma transição que contou com alguns obstáculos, nomeadamente, o fato de ter dividas pelo não pagamento de impostos, acabando por ser expulso das Forças Armadas. Sem conseguir arranjar trabalho, restou a Zé do Telhado transformar-se no mais famoso bandoleiro de Portugal. 

Com as autoridades no seu encalço por todo o País, Zé do Telhado resolveu fugir para o Brasil, escondendo-se na barca “ Oliveira”, acostada no Porto. Ali estava à guarda de Ana Vitória, uma mulher que fora sua vitima, mas que se tornara sua admiradora. Cabe-lhe a ela a frase lapidar que o transformou no Robin dos Bosques português ao dizer: “ existem pessoas de bem que nunca deram ás classes humildes um centésimo do que lhes deu Zé do Telhado. 

O seu julgamento teve inicio em 25 de Abril de 1859. Com acusação pública em 09 de Dezembro do mesmo ano. Foi condenado na pena de trabalhos públicos por toda a vida, na costa ocidental de África e no pagamento das custas. Esta pena foi comutada pelo Tribunal da Relação do Porto em 15 anos de degredo para África, sendo publicada em Setembro de 1863. 

Foi então "degredado" para a África, neste caso para Angola, onde viveu como pequeno comerciante em Mucári - Ambriz. 

Já em Malange, tornou-se negociante de borracha, cera e marfim e casou com uma local, de nome Conceição, com quem veio a ter três filhos. Era conhecido entre os Angolanos como o “ QUIMUÊZO “, ou seja, o homem das barbas grandes, já que as deixara crescer desde que chegara a África. 


Faleceu em 1875 com 59 anos. Zé do Telhado morreria de Varíola, sendo sepultado na aldeia de Xissa. Em Malange há uma campa com a seguinte inscrição:" Túmulo de José do Telhado". Trata-se efetivamente do famoso amigo dos pobres, José Teixeira da Silva, mais conhecido como o "Zé do Telhado". 

Ainda hoje muitos naturais da terra, vão em romarias á sua campa e surge na boca dos mais velhos como figura mítica e protetora dos mais desfavorecidos, e naturalmente, pelo seu caráter, ali também ajudou a população local e vizinha.


Campa do Zé do Telhado ( Xissa – Malange - Angola ) foto net

A HISTÓRIA DO CORNETEIRO





Um esclarecimento que se fazia necessário...Agora sim, entendi tudo

Pois é! Afinal... é por isso!

O Corneteiro "omitiu-se" desde os primórdios da nacionalidade. Então... foi tudo a seguir:

Conquistas, "saqueando" nuestros hermanos, arredando os Mauritanos para lá dos Algarves; alargando nossas fronteiras; descobrindo outras terras além-mar, por Américas, Áfricas e Índia, espalhando a Fé e o Império, intercâmbiando culturas diversas, explorando e desenvolvendo, e assentando arraiais de amor por esta Terra de Deus.

Pois... mas porque é que o Dr. Júlio V. da Silva, na matéria de História Universal, nunca nos falou deste famoso Cornetim de D. Afonso filho de Tareja, deveras marcante na Lusa História, e que se finou (ou fizeram finar) antes do tempo, permitindo que o saque, que só era da praxe, se transformasse numa abundância frenética e tresloucada, eterna e aparentemente inesgotável?!.. Já sei! - Fora excluído do programa de ensino e calado para sempre!

Enfim... não há ninguém - nenhum Barão Assinalado - que brade lá pelo Paço: "Viva o Corneteiro de D. Afonso Henriques!", para ver se este povo estremece e CAI NA REAL, por um momento, e que alguém desobstrua, de verdetes e tampões, e toque o raio do saudoso Cornetim?

Ah! Estava a pensar no Corneteiro da Ilha da Tábua, do Funchal, José Manuel Coelho, mas o rapaz não é brazonado, só tem fôlego, sopra à toa e não tem, concerteza, habilidade e afinação para tocar a fim-de-saque comme il faut.


Afinal a culpa é mesmo do corneteiro!...
Nos primeiros tempos da fundação da nacionalidade - tempo do nosso rei D. Afonso Henriques - no fim de uma batalha o exército vencedor tinha direito ao saque sobre os vencidos.

(Saque - s.m.: ato de saquear. Roubo público legitimado).

Pois bem, após uma dessas batalhas, ganha pelo 1º Rei de Portugal, o seu corneteiro lá tocou para dar "início ao saque" a que as tropas tinham direito e que só terminaria quando o mesmo corneteiro desse o toque para pôr “fim ao saque”.

Porém, fruto de alguma maleita ou ferimento, o dito corneteiro finou-se, antes de conseguir tocar o "fim ao saque".

E, até hoje, ninguém voltou a tocar, anunciando o fim do saque.

Não haverá por aí alguém que conheça o toque?

Recebido via mail de um mangolê da Quibala, foi adaptado do blog- http://olindaolinda.blogspot.com/