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25/09/2012

VERDADES INCONTORNÁVEIS


Os Retornados!!!


Uma das ideias feitas que ainda hoje subsiste no nosso País, é a de que os «retornados do Ultramar» constituíam uma legião de indivíduos que vieram agravar de várias formas o já de si deplorável estado da sociedade portuguesa à data da Descolonização. Sociedade que estava sofrendo o inevitável depauperamento causado pela emigração maciça dos seus braços mais válidos em busca de melhores condições de vida, sangria que começara muito antes das chamadas «guerra colonial» e que esta veio inevitavelmente acentuar. Disse-se, escreveu-se, e ficou gravado no entendimento comum dos portugueses, que a maioria dos retornados era uma legião de pessoas rudes, na maioria já de idades avançadas, que tinham queimado as suas energias pelas terras de África, pouco produtivas para a tarefa da reconstrução nacional, e sobretudo escassamente preparados do ponto de vista profissional. A ideia geral que se fazia e intencionalmente se propalou!... acerca dos retornados do ex-Ultramar, era a de uma maioria de rudes capatazes agrícolas, broncos e violentos, de astutos comerciantes do mato, e de uns tantos «endinheirados» que exploravam negócios altamente chorudos! Acontece que os sucessivos contingentes que os aviões despejavam diariamente no Aeroporto de Lisboa, nos dois ou três meses que se seguiram ao êxodo maciço dos portugueses de Angola e de Moçambique, bem como as imagens fotográficas ou da Televisão, davam uma aparência de realidade a tão deploráveis e errados juízos. São hoje suficientemente conhecidas as deploráveis condições em que os retornados de Angola e Moçambique regressaram a Portugal - nove em cada dez, apenas com as roupas que tinham vestidas no momento do embarque, por não terem tido tempo nem possibilidade de voltar aos lares de onde tinham sido expulsos a ferro e fogo para salvar as vidas. Todavia, serenada a tempestade ou calamidade que se abateu sobre os retornados do Ultramar, acalmadas as inevitáveis paixões políticas e serenados os juízos precipitados as estatísticas encarregaram-se de rectificar as asneiras insidiosas e intencionais, e de dar ao País um retrato real dos retornados, sob mais diversos aspectos. Paralelamente, as manipulações da opinião pública foram cessando, e estudiosos atentos e imparciais debruçaram-se sobre a realidade - e os retornados do ex-Ultramar surgem aos olhos da opinião pública e dos seus concidadãos em geral, como aquilo que na realidade são. Para esboçar esse retrato do retornado socorremo-nos de um valioso e insuspeito estudo realizado por um grupo de universitários, prefaciado por uma brilhante Secretária de Estado de um dos Governos pós 25 de Abril, editado pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento, para neste momento e neste local, traçarmos um RETRATO DE CORPO INTEIRO dos retornados, e da sua contribuição para a revitalização da sociedade portuguesa. O apuramento realizado pelo Instituto Nacional de Estatística em 1978, citado pelo referido grupo de universitários no estudo que consultámos, referia a existência de 505.078 indivíduos entrados no País e inscritos como «retornados do Ultramar». Em termos percentuais esses 505 mil retornados representavam pouco mais de 5% do total da população nacional.

Este número é discutível e muitas fontes insistem em números mais elevados, entre 700 a 800 mil. Mas trata-se de números oficiais, registados pela estatística oficial, e é em presença deles que temos de raciocinar. Ora, segundo os números do Instituto Nacional de Estatística, daqueles 505.078 retornados, um pouco mais de metade - exactamente 298.968 - eram nascidos ou oriundos de Portugal, e portanto os restantes 206.110 eram portugueses já nascidos nas então províncias ultramarinas. Por enquanto trata-se apenas de distinguir entre portugueses oriundos de Portugal que regressavam ao país de origem, e portugueses nascidos noutras terras e aos quais, só por isso, parecia querer negar-se a qualidade de portugueses também...Porém, o que é realmente importante, e mostra insofismavelmente que os retornados vieram rejuvenescer a sociedade portuguesa, é a observação desses dados estatísticos quando entra na discriminação etária, cultural e profissional dos retornados. Assim, sob tais aspectos, verifica-se que: daqueles 505.078 retornados, 65,5% tinham menos de 40 anos e constituíam portanto uma parcela válida. Mas acima dos 40 e até aos 64 anos a percentagem de retornados era de 29,8% - todos sabem como no Ultramar os homens até aos 60 anos eram uma das parcelas mais válidas das populações, senão em energias físicas pelo menos em saber e experiência acumulada. Além disso, do total de retornados, 52,74% eram homens e apenas 47,26% mulheres o que pressupõe uma maioria de braços válidos para o trabalho. Porém, um dos aspectos mais importantes desta notação estatística, é aquele que refere que a população retornada era em regra profissional e intelectualmente mais bem preparada do que a da metrópole, pois que do recenseamento efectuado, resultava que: 48,4% tinha instrução primária (numa época em que na metrópole havia mais de 20% de analfabetos); e dos restantes 51,6%, descontando apenas 6,5% de não-alfabetizados constituídos quase exclusivamente por crianças com menos de 10 anos de idade, havia 8,5% de possuidores de cursos superiores incluindo médicos, professores universitários, investigadores, advogados, etc., e mais de 30% possuíam cursos médios, secundários e profissionais. Com a entrada dos retornados, a sociedade portuguesa foi subitamente enriquecida com mais de 5.000 mil engenheiros, arquitectos e técnicos dos mais elevados graus e ramos da engenharia civil e de minas, de industrias transformadoras e outras; cerca de 1.800 biólogos, agrónomos, investigadores dos ramos fisico-químicos e similares; quase 13.000 professores e outros docentes de todos os ramos do ensino, desde o primário ao universitário; 325 navegadores, pilotos e outro pessoal especializado da navegação aérea e marítima; cerca de 16.000 quadros de serviços administrativos e outros, desde estenógrafas a operadores de informática. No sector da produção, a força do trabalho metropolitana foi enriquecida com mais 13.000 mecânicos especializados; cerca de 7.000 serralheiros civis, montadores de estruturas metálicas, caldeireiros e profissões similares. A construção civil, cuja maior força de trabalho tinha emigrado para os países da Europa, foi enriquecida com 13.000 pedreiros, carpinteiros e outros profissionais dos mais diversos ramos. As indústrias transformadoras foram enriquecidas com mais 12.000 operários especializados, desde os ramos têxtil ao da alimentação e bebidas, da mecânica fina ao mobiliário. O sector dos transportes viu-se repentinamente valorizado com a entrada de mais 13.000 condutores de veículos pesados e de transportes públicos. No sector agro-pecuário surgiram mais 16.000 capatazes e condutores de trabalhos agrícolas, de maneio e tratamento de gados ou de exploração florestal, em escalas que, em muitos casos, não eram conhecidas neste país. Mas vieram ainda cerca de dez mil trabalhadores dos ramos de hotelaria, restaurantes e similares, cozinheiros, ecónomos e outros. Porém, e talvez mais importante ainda que as suas especializações profissionais, os retornados trouxeram à força de trabalho do País a contribuição valiosíssima da disciplina, da produtividade, da assiduidade, que rapidamente os distinguiram (e não raro os tornaram detestados...) num ambiente em que apenas se falava de postos de trabalho... mas não se trabalhava; em que o absentismo ascendeu a taxas inconcebíveis, em que os locais de trabalho se transformaram em centros de organização de manifestações a propósito de tudo e de nada. Cremos que estes números, extraídos de fontes absolutamente insuspeitas, serão suficientes para desfazer certas ideias que, infelizmente, ainda de tempos a tempos afloram em certos meios e em determinadas ocasiões, acerca dos Retornados do ex-Ultramar. Na realidade, e a despeito das desgraçadas condições em que se desenrolou o seu regresso à Pátria de origem ou de opção - o fluxo dos retornados constituiu na realidade um indiscutível e precioso factor de valorização da sociedade portuguesa,

Até que enfim

Sempre disse que a vinda dos retornados, e refugiados foi uma transfusão de sangue para este país envelhecido, amorfo, estagnado...

De repente, milhares de pessoas com outros horizontes, maior abertura de espírito, força de vontade e absoluta necessidade de começar vida noutro lugar por lhe ter sido tirado o chão onde viviam (e gostariam de ter continuado a viver!), espalhou-se por todo este território...

Houve de tudo, como sempre... bons e maus exemplos, mas o saldo foi positivo e este artigo revela alguns dados importantes. Gostei de o ler.

Bem podemos divulgá-lo e mostrar a todos que a vinda dos africanos depois da descolonização exemplar só veio beneficiar o retângulo onde nem foram assim tão bem recebidos...

Este texto peca por tardio mas, mesmo assim, reencaminhem o mais possivel, para Que estes números fiquem na memória de quem contestou o nosso regresso à Terra-Mãe!

Um abraço angolano da Maria da Graça Garcez

2012

AMIGOS DESAPARECIDOS


Hoje acordei a pensar naqueles amigos que por alguma razão deixaram de fazer parte da nossa vida. É sempre um sofrimento com esses afastamentos, sobretudo com aqueles em que mais que puxe pela cabeça não consigo perceber a razão...

Realmente , quando nos morre alguém muito querido, muito AMIGO, é difícil encontrar um sentido para a perda. A morte daqueles que verdadeiramente amamos, que andaram connosco nas nossas "cowboyadas", que "cresceram" ao nosso lado, traz sempre dor. O corte definitivo e a ausência física, são ideias quase intoleráveis.

Custa muito , separarmo-nos daqueles que nos conheceram de "jingeira", como se costuma dizer. Toda a separação dói, mas aquela cuja dor chega a ser insuportável, é a separação pela morte. Deixar de ver alguém que nos é muito querido, que foi desde a infância, nosso "Amigo de peito", despedirmo-nos de uma pessoa que toda a vida esteve próxima, ou, nos casos mais dramáticos, enterrar um filho, ou uma mãe...é uma dor sem tamanho!raças a Deus não fm muitos, mas foram os suficientes para sonhar imensas vezes com essas pessoas! Umas sei que desapareceram porque a vida levou rumos diferentes, outros acho que se ofenderam com qualquer coisa... outros foram de vez e há aqueles que só a vida nos dirá!

Mas a verdade é que serão sempre Amigos e a eles agradeço terem feito parte, mesmo que pouco, da minha história de vida! Quando nos sentimos sós e abandonados, surge uma palavra ou um gesto e descobrimos que nunca estaremos sós. E a culpa? A culpa é da vida que tem início meio e fim.

A nossa culpa está apenas em amar tanto e sentir tanto em perder alguém. Mas o tempo é remédio e só em Deus conquistamos o consolo, com Ele pensamos nos bons momentos. E com um pouco mais de tempo transformamos nossos ente queridos em eternos companheiros.

Nossos sonhos ganham aliados, nossa independência ganha acompanhantes, nossa vida conquista anjos. E no fim apenas a saudade e uma certeza, não importa onde estejam, estarão sempre connosco.

Deus vos recebera de braços abertos e tenham o descanso eterno"

JÚLIO INÁCIO - pai

MARIA DO CARMO ANTUNES - mãe

JOSÉ PINGUIÇO - amigo

LITÓ - amigo

OCTÁVIO AMARANTE DINIZ - amigo

AUGUSTO DE JESUS RIBEIRO - sogro

MARIA MANUELA DINIZ RIBEIRO - cunhada

AMÉRICO NUNES - amigo

FERNANDO RIBEIRO “ DAS QUARRAS “ - amigo

CARLOS ALBERTO S. ALVES “ BAMBA “ - amigo

CHELAS - amigo

FERNANDO TRANSMONTANO - amigo

JORGE FRAQUITELAS - amigo

ANTÓNIO MARTINS - padrinho da Marinha

FERNANDO AUGUSTO - Padrasto

PADRE VERGILIO COSTA PEREIRA - padre

RIJO amigo

NIXA -amiga

MANUEL CALDAS – “ MIQUINHO “ - amigo

JAQUES - amigo

FILIPE SANTAREM - amigo

PITTA-GRÓS - amigo

CARLOS DA CASA LINA - amigo



JOSÉ  MACHADO - Amigo

DEIXEM-ME VER LUANDA!


A vida é demasiado breve, demasiado preciosa e demasiado difícil para nos resignarmos a vivê-la...não importa como. E, também, demasiado interessante, para não nos darmos ao trabalho de refletir sobre ela.

De facto, só ganhando distância é possível ganhar tempo para pensar, interiorizar e ensaiar uma atitude mais luminosa e, porventura, mais sábia para viver a vida. E quem diz sábia, diz consciente, lúcida e livre.

Todos temos um "idioma pessoal", uma originalidade que nos cabe descobrir, uma maneira muito própria de reagir aos desafios da vida. E é a consciência desta originalidade, desta singularidade que nos distingue, que nos ajuda a ser mais honestos connosco e com os outros. Quanto mais conscientes estivermos de nós mesmos mais próximos estaremos do essencial.

A vida inteira é uma viagem e, assim sendo, torna-se essencial conhecer a bagagem que carregamos.

Sabem uma coisa?

Sinto fome de palavras livres. Estou farto, saturado mesmo desta gente. Desta Terra, sem aquelas cores do meu Palanca, Sarmento, Sambizanga. Da fragrância do capim e do "kinjongo"; do canto da cigarra e da fruta-pinha, do sape-sape da manga da ,maçã da India e da goiava. Estou farto desta gente que não sabe sorrir, que só o fazem quando fingem que acharam piada. Estou farto de toda esta hipocrisia. Tenho ânsia de viajar com as palavras por dentro dos imensos infinitos da linguagem. Tenho ânsia de correr pelos "becos do Santo Rosa" aiuê Santo Rosa ( falecido pai do Banga Ninito); ânsia de ser um "super-homem", um pardal, um "falcão", um pássaro ("kilombe-Lombe"), para sobrevoar o meu Bairro (onde vivi a minha juventude) "Bairro Popular nº2” ( Câncio Martins ), hoje Neves Bendinha”, e também a Vila Alice, Maianga, Vila Clotilde, a Praia do Bispo, o São Paulo e outras localidades daquele País colorido.

Sinto fome de Liberdade, fome do fascínio daquela minha Ilha, daquele mar esverdeado, que embelezam as praias do Mussulo! Sinto fome de soltar este surdo grito que está dentro de mim...GRITAR, GRITAR ALTO:

Deixem-me ver LUANDA!

Banga Ninito

OS MEUS COLEGAS DE ESCOLA

ESCOLA INDUSTRIAL DE LUANDA

1º e 2º anos de Curso formação Serralheiro

- Ernesto Telles, ainda me lembro dele era um rapaz de meia estatura, mulato claro, calmo tanto no andar com as pernas arqueadas tipo Garrincha, como na fala. Determinadas ocasiões faltava às aulas, e ai mestre Paixão dizia-lhe que no fim do ano o “ chumbava” . Era bom de Bola.


-Francisco Simas, primo do Ernesto era o oposto muito responsável, um pouco estudioso e disciplinado. Mais tarde após o término do Curso de Aperfeiçoamento de Serralheiro ingressou nos quadros dos Caminhos de Ferro de Luanda como mecânico.


-Manuel Oliveira, outro colega que optou em isolar-se de contactos apesar dos meus esforços, para saber so seu paradeiro, que respeito, era um rapaz que sempre demonstrou espírito de liderança foi nosso sub-chefe de turma, era bom de bola nosso avançado na equipa de Futebol, mais tarde, com o apoio do então Eng. Vagueiro foi convidado para ir trabalhar para o seu gabinete de desenho.


-Diniz Marques ( o minha senhora ) era do tipo trapalhão meio desengonçado mais velho que nós e promovido a chefe de turma do 2º ano. Após o término do Curso de Serralheiro Mecânico ingressou nos Quadros de Funcionalismo Público da Câmara Municipal de Luanda como fiscal de obras. Trabalha em Lisboa numa Repartição de Finanças


-Costa Ferreira - tive o imenso prazer de contactar com este grande amigo graças ao nosso Grupo. Ele ainda era estudante na Escola Industrial de Luanda quando resolveu mudar-se para Portugal. Perdi contacto com ele e passados uns anos talvez em 2007 consegui saber que se encontra em Felgueiras.


-Salvador , rapaz de baixa estatura que morava no Bairro da Cuca , soube que também veio para Portugal, para Braga como retornado, de vez em quando encontrava-se com o Fernando na Baixa de Lisboa e há pouco tempo soube pela irmã que já faleceu. Foi sempre camarada participando de todas as brincadeiras.


-José António , encontrei-o em 1976 na Rua de São Ciro trabalhava no I.A.R.N. depois perdi o contacto. Ele era bom no que se propunha fazer no CENTRO COMERCIAL DE MAFRA , alugou o cinema e antes de ir para o Brasil facturou boas maquias de dinheiro.


-Aniceto Monteiro , era o mais traquinas e só queria galhofa, cedo o pai lhe deu uma moto 250 cc que fez o último motocrosse internacional de Luanda nas Barrocas do Miramar, mas teve que vir para Portugal cedo devido aos conflitos nas mercearias de muceque, seu pai foi expulso do Bairro Indigena, está em Chaves é mecânico de motos


-José Antunes , considerava-me um aluno médio. Topava qualquer tipo de brincadeira ou actividade, Tímido, sou do tipo que enrubescia quando alguma menina me dirigia a palavra. Por esse motivo pouco namorador levando a sério os meus relacionamentos amorosos por sinal muito poucos. Normalmente a duração deles era de uns dois meses, pois qualquer deslize da menina era motivo de rompimento. Pouco alto e franzino, cabelo liso meio loiro ( dai a alcunha do Russo ).


-António Gilberto (Togy), nosso guarda-redes no futebol era por intermédio dele que ás 3ª feiras liamos o Jornal a “BOLA” para sabermos e comentarmos as crónicas sobre os jogos realizados no domingo anterior, principalmente para sabermos noticias do glorioso benfica, ele antes de chegar a Escola Indústrial passava na casa Travassos e comprava o jornal. Depois da Dipanda só nos viemos a encontrar em 2009 num jantar de malta amiga, Costumo estar com ele a quando dos jogos do Benfica.


-Tino da Cola, Não o vejo desde junho de 1975, quando faziam a feira de Fardos ( roupa usada ) em frente a defesa civil, tenho estado com o irmão e sei que mora para os lados de Viseu, gostaria de o visitar e lembrar as nossas brincadeiras quando viajavamos no munhungo ( maximbas 23 ) que saia do largo em frente à loja Dias.


-Tavares,  nunca mais o vi, ou soube algo dele, gostaria de um dia o encontrar.


-Calé, nunca mais o vi, soube que veio para Olhão, gostaria de um dia o encontrar e lembrar as nossas historias, principalmente quando estavamos numa aula de Oficinas e ele atirou-se para cima de mim e eu baixe-me. e ele caiu , deslocando o braço esquerdo.

- Augusto ( Alá ) nosso chefe de turma do 1º ano


-Sancho, Umas das actividades desportistas que praticávamos era futebol. Mas o Sancho era mais para a Vela, e mais tarde no ano de 1974 foi presidente do Clube Naval de Luanda, e ainda se manteve nesse posto até a visita do papa foi ele que se comprometeu a pintar as igrejas de luanda a quando da visita do PAPA. Fez um contrato com a camara municipal de Luanda.


-Pinguiço, Era muito calmo, queria era paródia, iamos a pé do Bairro Popular para a Escola Industrial para poupar o dinheiro do machimbombo para irmos para a esplanada São João atrás do Liceu Feminino para estarmos com as meninas e beber a nossa Coca - Cola. Faleceu em 1976 acidente de mota na via norte a caminho do emprego, era o seu primeiro dia de trabalho no Porto.

-Amilcar Fonseca, rapaz atlético vivia para o Andebol era o único da nossa turma que jogava Futebol , Andebol e Basquetebol e nas três modalidades se saia bem, vive em Lisboa costumamos nos encontrar e por a conversa em dia.



-Alberto Rodrigues, também muito calmo, morava no Cazenga, nosso defesa direito com ele a defender não passava nada, ( Barrabás ) trabalha na Segurança Social tive o prazer de lhe fazer o projecto para a moradia dele, encontramo-nos ás vezes e pomos a conversa em dia.


-Camilo, Morava na Terra Nova, nunca mais o vi, mas por meio das redes Sociais vamos nos falando, gostaria de um dia o encontrar e lembrar as nossas historias, da Escola Indústrial, do Suta do Leirós, nossos mestres das aulas de Oficinas, das idas à Piscina de Alvalade quando fugavamos às aulas de Oficinas, e ele no dia a seguir dizia : Vocês vão para a praia de Alvalade, mas eu no fim do ano f....... ( lixo-vos).

1970

17/09/2012

O GRANDE SUSTO


Um certo dia de Setembro de 1984, tem o Bruno Miguel 4 anos feitos em Abril, frequenta os tempos livres na “ Associação Pró-Infância Santo António”, ali na Almirante Reis, nos Anjos, costuma ser a mãe, o pai ou alguém delegada por nós a ir buscá-lo à escola, nessa vez foi a mãe, que o foi buscar à tardinha, encaminhando-se para o Metropolitano de Lisboa como era rotina, sem antes de ir dar um alô à loja do chinês já dentro da estação do Intendente, quando olha para o lado, pois tinha deixado a mão do Bruno livre, já não o vê. Aflita começa a chamar por ele e à procura por tudo que era canto, chama a Policia e faz a ocorrência do acontecido.

Enquanto a mãe, mais alguns populares e a Policia procuram o Bruno, este com as rotinas diárias, enquanto a mãe falava com a chinesa dona do Quiosque das flores, ele continuou o seu percurso e meteu-se dentro do comboio do metro , saindo na estação da Avenida onde morava-mos na altura.

Eu a essa hora trabalhava como part-time no Restaurante Bar o “ Galo “ no Parque Mayer, fiquei um pouco surpreendido de ver chegar o Bruno muito caladinho e sozinho e perguntei:

E a mãe onde está?

Não me respondeu, estava com ar comprometido e continuava mudo, e sentou-se dentro do balcão nos barris da cerveja e ali ficou.

Perguntei se queria comer uma sandes e beber um sumo?

Novamente não respondeu e continuou quietinho.

Não liguei, pensei a mãe deve estar ai fora a conversar com alguém.

Nesse espaço de tempo, a mãe os populares e a Policia, continuavam no Intendente à procura do Bruno, foi quando um Policia se lembrou e disse:

Não terá entrado no comboio do metro e ter ido para casa? Os miúdos agora são bastante inteligentes. Queira deus que sim disse logo a mãe e acompanhada de um Policia vieram a casa e nada, não viram o Bruno, foram ter comigo ao Bar e à entrada a mãe olha para mim a chorar e diz toda triste e desesperada:

Zé, o Bruno desapareceu!!!

Aí percebi porque é que o Bruno estava tão calado.

Olhei para a mãe e para o Policia e disse:

O Bruno está aqui. Apareceu-me aqui à meia- hora atrás e tento falar com ele e ele não diz nada, está mudo.

A mãe sorriu e o choro já foi de felicidade por estar a ver o filho

À meu malandro que deste um grande susto à mãe, e andam todas as pessoas amigas à tua procura, não voltes a fazer o que fizeste, sempre ao pé de mim ou do pai, a mãe ficou bastante preocupada.

O Policial disse que tinha que se retirar, e que dentro da situação correu tudo bem. Agradecemos pois o policia era da Esquadra dos Anjos , e lá foi ele para a sua área de serviço.

Claro que tive uma conversa com o Bruno sobre a situação, dizendo-lhe, que nunca mais se perdesse das pessoas que o iriam buscar à Escola.

Lá sorriu aliviado mas com vergonha pelo que tinha feito, nunca mais a mãe ou eu tivemos preocupações, como a que aqui narrei,


ZÉ ANTUNES

1984

14/09/2012

CONCORDE


Eu tive o privilégio de ver o Concorde quando fez o primeiro voo Internacional da volta ao Mundo pois aterrou em Luanda a 01 de fevereiro de 1973, onde vivia.

Eu e alguns avilos do Bairro Popular, onde estava o Jaques, o Miguel, o Chico, o Victor, o Fernando Simões o Pitta Grós e mais alguns, fomos ao fim da Pista, onde sabíamos que o, arame farpado estava cortado, e aproximamo-nos do avião, mas nessa altura o avião estava já rodeado de Policia Aérea e de Policia Militar. Outros foram ao aeroporto mas ficaram na varanda que dava para a pista no 1º andar, sei que muitos de nós fugamos à escola para ir para o aeroporto. Outros não foram trabalhar nesse dia.

Um incidente grave nessa época foi no momento de os pilotos se prepararem para por o Concorde a trabalhar um deles abriu a janela e içou a bandeira do MPLA coisa que gerou polémica e o avião ficou retido quase uma semana no aeroporto de Luanda, pois muita gente não sabe deste episódio que foi resolvido entre governos da época visto os Franceses serem nessa época fornecedores de armas e mercenários ao MPLA.

Alguém (
Sr. Biffen ) solicitou ao Secretário de Estado para Assuntos Estrangeiros e da Commonwealth que as representações fossem recebidas, e ao levantar voo com cores da Bandeira do MPLA pelo avião Concorde, que horas antes tida aterrado no aeroporto de Luanda.

Alguém (Sr.
Balniel ) Eu não recebi nenhumas representações. Mas eu entendo que a British Aircraft Corporation, pediu desculpas ao Governo Português pela utilização inadvertida e infeliz de uma bandeira que obteve de boa-fé de um fornecedor comercial. Embaixador de Sua Majestade em Lisboa e Consul de Sua Majestade em Luanda, também transmitiu, Sua Majestade ao Governo Português e lamentar o incidente.


       Concorde a levantar vôo ( foto net )

Recorte do Jornal "O Século" com um in noticia Fevereiro de 1973

ZÉ ANTUNES

1973

AEROPORTO



Lembram-se quando íamos para o fim da pista do aeroporto de mota com penduras? Saltava-mos o arame farpado, deitávamo-nos na pista quando o avião começava a aterrar para assustar os que iam pela 1ª vez?

Cada noite um levava uma garrafa de John Walker ou Sbell para bebermos depois do avião aterrar !!!!

Quem estava presente quando o Carniceiro que morava na 4ª rua levou chá dentro duma John Walker para enganar o pessoal. Penso que quem fez a marosca foi o Perninhas. Os primeiros kandengues beberam e acharam muito bom, mas o Pitta Grós verificou a contrafação quando ia dar uma golada após aterragem do avião.

Nessa noite tiramos as calças ao Carniceiro e demos-lhe um banho de chá.
Numa dessas noites ia o Pompeu e outros à frente a acelerar quando passavam a vala do Sarmento para o Bairro Salazar caíram. Nessa queda o Zé Dentolas o filho do Dentista, com a sua vespa ficou todo arranhado parecia um Cristo.

Nós que vínhamos mais atrás com as luzes deixamos de ver, era só poeira, parecia nevoeiro cerrado. Lembro-me de ter participado numa dessas aventuras e o Carlos Capacete depois quando chegamos ao Largo, começou a chamar o Gregório, deitou cá para fora os líquidos e os sólidos, só dizia mal da vida dele, e a malta claro numa de risada até chorar.