TuneList - Make your site Live

29/09/2012

A-DOS CUNHADOS



A dos Cunhados é uma freguesia portuguesa do concelho de Torres Vedras, A fundação de A-dos-Cunhados data de 15 de Dezembro de 1581 por decisão de D. Jorge de Almeida, arcebispo de Lisboa (com o aval do Bispo de Targa) depois de, em 1572 ter autorizado a celebração de missas na capela (mais tarde igreja) que tinha sido começada dois anos antes “por decisão dos moradores dos cunhados e sobreiro curvo”. e a elevação a vila aconteceu a 21 de Junho de 1995.

Ocupando uma vasta área de cerca de 45 Km2, situa-se entre o verde da paisagem rural, salpicado por inúmeras quintas e casais, e os tons azuis e esverdeados do mar. O seu território está encravado entre o oceano Atlântico e inúmeras freguesias: Silveira e S. Pedro e Santiago a Sul, Ramalhal e Campelos a Este, e Maceira a Norte. A sede da freguesia dista doze quilómetros da cidade de Torres Vedras e dez da praia de Santa Cruz.

A freguesia de A-dos-Cunhados apresenta um número significativo de quintas e de casais dispersos por toda a freguesia, acentuando a sua forte componente rural, e ainda as seguintes localidades:






Nesta freguesia existiram apenas doze moradores. Eram duas famílias e três “sem eira nem beira”. As duas famílias tinham entre si laços familiares, visto que os dois irmãos eram os chefes de família.
O nome desta freguesia era para ser A-dos-Irmãos, mas como este nome já existia, a freguesia acabou por ficar designá-la por “A-dos- Cunhados”




Se em 1527 se contavam apenas “vinte e sete vizinhos” na freguesia (que na época era formada por “Aldeia dos Cunhados, ditas do Sobreiro Curvo, Paradas e Póvoa, dita da Maceira e dita da Pai Correia com casais”), em 2001 ja habitam mais de 6936 pessoas (e a freguesia era agora formada por A-dos-Cunhados, Boavista, Bombardeira, Brejenjas, Casais do Rego, Casais da Serpegeira, Casais Vale da Borra, Casal da Barreirinha, Casal da Carrasquinha, Casal da Popa, Casal da Portela, Casal de Serpa, Casal da Varzinha, Casal das Paradas, Casal de Além, Casal do Seixo, Casal dos Feros, Casal Figueira Velha, Casal Ventoso, Louribetão, Palhagueiras, Pinheiro Manso, Póvoa de Além, Póvoa de Penafirme, Praia da Vigia, Quinta da Piedade, Santa Cruz – Pisão, Sobreiro Curvo, Vale Janelas, Valongo).


A ocupação desta zona, que segundo sabemos aconteceu desde o chamado paleolítico Antigo, está infimamente ligada à fertilidade dos solos, Principalmente os que envolvem as margens do rio Alcabrichel. Este lugar tornou-se vila em 21 de Junho de 1995.
A 1997 a Maceira é elevada a Freguesia, deixando, portanto, de pertencer à freguesia de A-dos-Cunhados.



Mapa do Concelho de Torres Vedras

25/09/2012

“ELES COMEM TUDO E...NÃO DEIXAM NADA”!

 
“…São os mordomos do Universo todo / Senhores à força Mandadores sem lei / Enchem as tulhas Bebem vinho novo / Dançam a roda no quintal do rei”…assim cantava Zeca Afonso!

Que homens são estes? Déspotas? Exploradores? Lacaios do FMI? “FMI…não há truque que não lucre ao FMI. / FMI, não há graça que não faça o FMI. / FMI, o Bombástico de plástico para si. / FMI, não há força que reforça o FMI”! “Acordai” soberanos do poder, que o POVO está na rua.

“Passar fome, não é um dever Constitucional”, disse o distinto Prof. Adriano Moreira. “O grande problema é o problema da legitimidade moral, política, e essa só existe se houver uma distribuição tendencialmente equitativa dos sacrifícios”, quem proferiu isso foi Paulo Rangel, o euro deputado do PSD.

Falta de fiscalização, falta de equidade, transparência nas contas, fuga de impostos, falta de auditorias em Empresas, Autarquias, Clubes de futebol, ginásios, e outras investigações sob a Direcção dos nossos Procuradores da República, DCIAP/DIAP, Brigada Especial da Polícia Judiciária, Agentes Especiais do Ministério das Finanças e outras Autoridades. Dou, como exemplo, esta notícia: “O Fisco Britânico, vai inspeccionar cerca de 200 mil contribuintes, cujos bens superem os 1,25 milhões de Euros. O anúncio foi feito, pelo Secretário de Estado do Tesouro do Reino Unido, Danny Alexander. Assim, foi criada uma unidade especial das Finanças britânicas, integrada por 300 Inspectores, que vai estar encarregada de vigiar estreitamente os mais de cerca de 400 mil residentes com propriedades e bens valorizados em mais de 3,12 milhões de Euros. Segundo Danny Alexander, a este número vão juntar outros 200 mil contribuintes para se certificar que pagam todos os impostos correspondentes à sua riqueza”. Ora aqui está meus Senhores, uma medida exemplar, salvo melhor opinião, que o Sr. Primeiro-Ministro deveria de imediato a aplicar, uma vez que há muitos “Lordes” (comendadores, dirigentes e comentadores políticos, desportivos, gestores, autarcas, jogadores de futebol, etc) que amealharam (e ganham) milhões em anos do “Boom Económico”. Consequentemente, era mais do que justo, que agora paguem o que devem ao Estado, para não serem sempre os mesmos a pagarem. Porque é de uma injustiça tremenda, de uma violência jamais registada, que haja grandes accionistas a beneficiarem de isenções e a desviarem o dinheiro para as “Offshores” ou para países de taxas reduzidas, e hajam centenas de milhares de portugueses a sobreviverem com salários de miséria, a sofrerem na carne, “cortes constantes” nos seus parcos recursos financeiros.

Este Executivo, “não tem um programa, tem uma agenda ideológica para cumprir e tudo fará para isso: não governa o País, cuida dos números dos credores”.
CRUZ DOS SANTOS

UMA HISTÓRIA DO MOEDAS


Nunca contei esta história por vergonha...

Acabado de chegar de Luanda convidaram-me para ir a Moimenta da Beira.
Quando me levantei e quis tomar o pequeno almoço nenhum café servia galões pela simples razão de que não tinham leite...

Foi-me sugerido que talvez fora da vila a caminho de Viseu talvez conseguisse poia a dona teria um bébé e talvez ai conseguisse o dito galão...enfim assim foi
Ao principio da noite e depois de um Café ouvi um barulho ensurdecedor de música Pimba e fui espreitar para perceber como eles se divertiam...pensei deve ser uma farra à maneira do pessoal daqui...

O meu maior espanto e desilusão foi que quando já me vinha embora e de frente para o palco não queria acreditar...eu conhecia aquela "Banda" de outros carnavais...
E mais não posso contar !!!!!!!!!!!!!!!! ( JOÃO LUIS MOEDAS )

A Barragem de Vilar é uma barragem portuguesa erguida no
rio Távora, perto da vila de Vilar (Moimenta da Beira), esta barragem serve para criar uma albufeira, a qual para além de regularizar os caudais deste rio serve para abastecer de água a central hidroelétrica de Tabuaço (destinada à produção de energia elétrica), a qual fica a cerca de 5 km da vila com o mesmo nome Tabuaço.

A albufeira de Vilar é também utilizada atualmente para a captação de água destinada ao abastecimento público de diversos
municípios da região.

Situado nas margens da Albufeira do Vilar, tem o Parque de Campismo, que está dotado dos mais modernos equipamentos de Campismo, Lazer e Desporto.

A Barragem do Vilar foi construída nos anos 60, e para poder albergar os trabalhadores da dita barragem foi feito um casario de casas todas iguais. Com todas as infraestruturas na Aldeia do Vilar em Moimenta da Beira, em que foram para lá viver algumas pessoas da dita aldeia. Com a conclusão dos trabalhos da Barragem, muitos moradores e porque não eram da região foram-se embora e deixaram muitas casas ao abandono. Foi quando em 1975 o I.A.R.N. começou a colocar os ditos RETORNADOS nas casas vagas. Um dia fui Moimenta da Beira pois a Familia Loureiro estava lá a residir em Vilar e encontro o João Luis Venâncio mais a Esposa a Isabelinha e mais malta de Luanda entre eles, alguns elementos dos Rúbis de Luanda. O Bondoso, o Chico Leite e o Claudino. O Rui Bondoso primo ou sobrinho do Bomba é funcionário da Camara Municipal de Moimenta da Beira. Naquela altura tocavam ao fim de semana para animar a população local no chamado clube da Aldeia num recinto próprio para o evento. ( INTERNET )

No ano de 2010 voltei a Moimenta da Beira e fui lá ver como estava a Aldeia do Vilar, o tal recinto virou discoteca abandonada e no local moram meia dúzia de pessoas quase todas da terceira idade. Tem mais movimento no tempo de verão.

Por isso podes contar o resto das histórias, pois se a Banda é de músicos nossos avilos que foram nesses tempos conturbados viver para essa aldeia longinqua, a quando da chegada de Luanda em 1975, e foram para ali quase obrigados, pois na altura estava dificil ter emprego e habitação.

Podes contar pois eles se calhar até vão achar um piadão, tu te lembrares destas histórias 37 anos depois ( ZÉ ANTUNES )
1975

NÓS E A MANIA DAS GRANDEZAS!


Andamos “Tesos”, porque tivemos sempre a “mania das grandezas e das fachadas”! É natural que, em obras como as realizadas no Alqueva, Centro Cultural de Belém, sede da Caixa Geral de Depósitos, com a “Expo”, auto-estradas (por todo o país), pontes, Organismos Públicos, campos de futebol, aquisição de material de guerra, incluindo carros de combate, submarinos e outros “colossais” empreendimentos, adquiriram uma dimensão apocalíptica, aos olhos de toda a Europa. Nunca se viu tanto desperdício! Precipitação, falta de planeamento, caprichos políticos, mania das grandezas e “mitologia nacional” são traços comuns a estes “grandes projetos”, que fizeram as “delícias” dos interesses económicos e tiverem o condão de “entontecer” o poder político. Como é óbvio, os custos, para o contribuinte, foram e continuam a sê-lo enormíssimos (porque há obras dessas que continuam), mesmo se os Governos e os promotores dessas obras persistirem em afirmar, que tudo será pago com “receitas próprias”. Parte dos custos de alguns desses empreendimentos, foi e ainda deve ser, habilmente transferida para o contribuinte, nomeadamente para as tais chamadas “obras colaterais”, tais como as efetuadas com a ponte sobre o Tejo, os acessos rodoviários, o alongamento, ou seja, o estender do metropolitano, o caminho de ferro, a “Gare do Oriente”, o saneamento básico, a deslocação dos petróleos e do gás nas refinarias de Sines, os transportes urbanos, os telefones e a eletrificação, quase tudo a cargo de empresas públicas. Outros custos de “viabilização económica”, que foram sempre suportados pelo contribuinte, seja por intermédio de “impostos excecionais de mais-valias” ou pela especulação fundiária, etc., tudo isso se tornou num “oceano” de despesas (custos e atrasos), que vieram sempre estimular a curiosidade da imprensa e do público.

Qual a razão, de termos cada vez mais a impressão de vivermos apanhados no seio de um poder fatal, “mundializado”, “globalizado”, tão poderoso que seria inútil pô-lo em causa, fútil analisá-lo, absurdo opor-se-lhe e delirante simplesmente sonhar em libertar-se de uma tal omnipotência que se diz confundir-se com a História?

Viviane Forrester, romancista e ensaísta francesa, crítica do jornal “Le Monde” e membro do júri do prémio literário Feminino, diz isto: “Não vivemos sob o domínio da globalização, mas sim sob o jugo de um regime político único e planetário, inconfessado – o ultraliberalismo, que gere a globalização e se aproveita dela, em detrimento da grande maioria dos cidadãos. Esta ditadura sem ditador não aspira a conquistar o poder, mas sim a dispor de todo o poder sobre aqueles que efetivamente o detêm”.

Mais palavras para quê?

CRUZ DOS SANTOS

OS MACHÕES


Os “Machões”, que batem nas mulheres!

A violência doméstica, como qualquer tipo de violência, é sempre uma forma de exercício de poder. E o poder nas sociedades humanas, em Portugal, é masculino. Um poder que se exprime na violência sobre a mulher. Um poder que se exprime na divisão do trabalho e na divisão dos papéis sociais. Um poder que se exprime na família ou fora dela. “Violência doméstica, é a violência explícita ou velada, literalmente praticada dentro de casa ou no seio familiar (marido e mulher, sogra, padrasto) ou parentesco natural pai, mãe, filhos, irmãos, etc. Inclui diversas práticas, como a violência e o abuso sexual contra crianças, maus-tratos contra idosos e, violência contra a mulher e contra o homem geralmente no processos de separação litigiosa além da violência sexual contra o parceiro”.

Tem havido, infelizmente, um aumento do crime de violência doméstica sobre as mulheres em Portugal, que se deve, não só à alteração da lei, como sendo “crime público”, mas também às campanhas de sensibilização que têm desde então sido feitas pelo Estado. E, a este nível, há que elogiar o trabalho da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, bem como as nossas Autoridades Policiais que têm vindo a combater, ultimamente. Delitos esses, praticadas por energúmenos prepotentes, que se julgam senhores de poder. Um poder que parte de uma conceitualização da sociedade assente em estereótipos da mulher como são os da figura da mãe (alargada ao conceito de esposa, a mãe dos filhos) e a figura da puta, ambos tendo como elemento identificador serem objeto de exercício de poder, sujeitos passivos, alvos de violência. Muitos casos de violência doméstica, encontram-se associados ao consumo de álcool e drogas, pois seu consumo pode tornar a pessoa mais irritável e agressiva especialmente nas crises de abstinência.

Os chamados “desentendimentos domésticos”, que se referem às discussões ligadas à convivência entre vítima e agressor (educação dos filhos; à falta de personalidade; limpeza e organização da casa; divergência quanto à distribuição das tarefas domésticas, enfim, um infindável número de fatores, nomeadamente à educação, cultura e civismo. Combater esta “natureza de coisas”, é um papel que cabe aos Estados democráticos. O reconhecimento da mulher como indivíduo, como ser com direitos iguais ao homem, é uma das principais batalhas do século XXI. Até porque dessa igualdade entre cidadãos, entre seres humanos, depende a construção da utopia que é a própria democracia. Aliás, é essa a meta que está contida no Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos. É essa meta que importa ter sempre presente, a de que os seres humanos são todos iguais e têm todos os mesmos direitos e deveres.

Meus Senhores, a democracia é uma construção racional e a sua existência depende de uma sociedade de Mulheres e Homens livres e não violentados. Uma sociedade construída racionalmente por seres humanos e não baseada naquilo que tem sido visto como a “natureza das coisas”. Uma sociedade de cidadãos e não de cavalheiros e damas. Uma sociedade onde não haja delitos consentidos aos cavalheiros.

Banga Ninito

VERDADES INCONTORNÁVEIS


Os Retornados!!!


Uma das ideias feitas que ainda hoje subsiste no nosso País, é a de que os «retornados do Ultramar» constituíam uma legião de indivíduos que vieram agravar de várias formas o já de si deplorável estado da sociedade portuguesa à data da Descolonização. Sociedade que estava sofrendo o inevitável depauperamento causado pela emigração maciça dos seus braços mais válidos em busca de melhores condições de vida, sangria que começara muito antes das chamadas «guerra colonial» e que esta veio inevitavelmente acentuar. Disse-se, escreveu-se, e ficou gravado no entendimento comum dos portugueses, que a maioria dos retornados era uma legião de pessoas rudes, na maioria já de idades avançadas, que tinham queimado as suas energias pelas terras de África, pouco produtivas para a tarefa da reconstrução nacional, e sobretudo escassamente preparados do ponto de vista profissional. A ideia geral que se fazia e intencionalmente se propalou!... acerca dos retornados do ex-Ultramar, era a de uma maioria de rudes capatazes agrícolas, broncos e violentos, de astutos comerciantes do mato, e de uns tantos «endinheirados» que exploravam negócios altamente chorudos! Acontece que os sucessivos contingentes que os aviões despejavam diariamente no Aeroporto de Lisboa, nos dois ou três meses que se seguiram ao êxodo maciço dos portugueses de Angola e de Moçambique, bem como as imagens fotográficas ou da Televisão, davam uma aparência de realidade a tão deploráveis e errados juízos. São hoje suficientemente conhecidas as deploráveis condições em que os retornados de Angola e Moçambique regressaram a Portugal - nove em cada dez, apenas com as roupas que tinham vestidas no momento do embarque, por não terem tido tempo nem possibilidade de voltar aos lares de onde tinham sido expulsos a ferro e fogo para salvar as vidas. Todavia, serenada a tempestade ou calamidade que se abateu sobre os retornados do Ultramar, acalmadas as inevitáveis paixões políticas e serenados os juízos precipitados as estatísticas encarregaram-se de rectificar as asneiras insidiosas e intencionais, e de dar ao País um retrato real dos retornados, sob mais diversos aspectos. Paralelamente, as manipulações da opinião pública foram cessando, e estudiosos atentos e imparciais debruçaram-se sobre a realidade - e os retornados do ex-Ultramar surgem aos olhos da opinião pública e dos seus concidadãos em geral, como aquilo que na realidade são. Para esboçar esse retrato do retornado socorremo-nos de um valioso e insuspeito estudo realizado por um grupo de universitários, prefaciado por uma brilhante Secretária de Estado de um dos Governos pós 25 de Abril, editado pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento, para neste momento e neste local, traçarmos um RETRATO DE CORPO INTEIRO dos retornados, e da sua contribuição para a revitalização da sociedade portuguesa. O apuramento realizado pelo Instituto Nacional de Estatística em 1978, citado pelo referido grupo de universitários no estudo que consultámos, referia a existência de 505.078 indivíduos entrados no País e inscritos como «retornados do Ultramar». Em termos percentuais esses 505 mil retornados representavam pouco mais de 5% do total da população nacional.

Este número é discutível e muitas fontes insistem em números mais elevados, entre 700 a 800 mil. Mas trata-se de números oficiais, registados pela estatística oficial, e é em presença deles que temos de raciocinar. Ora, segundo os números do Instituto Nacional de Estatística, daqueles 505.078 retornados, um pouco mais de metade - exactamente 298.968 - eram nascidos ou oriundos de Portugal, e portanto os restantes 206.110 eram portugueses já nascidos nas então províncias ultramarinas. Por enquanto trata-se apenas de distinguir entre portugueses oriundos de Portugal que regressavam ao país de origem, e portugueses nascidos noutras terras e aos quais, só por isso, parecia querer negar-se a qualidade de portugueses também...Porém, o que é realmente importante, e mostra insofismavelmente que os retornados vieram rejuvenescer a sociedade portuguesa, é a observação desses dados estatísticos quando entra na discriminação etária, cultural e profissional dos retornados. Assim, sob tais aspectos, verifica-se que: daqueles 505.078 retornados, 65,5% tinham menos de 40 anos e constituíam portanto uma parcela válida. Mas acima dos 40 e até aos 64 anos a percentagem de retornados era de 29,8% - todos sabem como no Ultramar os homens até aos 60 anos eram uma das parcelas mais válidas das populações, senão em energias físicas pelo menos em saber e experiência acumulada. Além disso, do total de retornados, 52,74% eram homens e apenas 47,26% mulheres o que pressupõe uma maioria de braços válidos para o trabalho. Porém, um dos aspectos mais importantes desta notação estatística, é aquele que refere que a população retornada era em regra profissional e intelectualmente mais bem preparada do que a da metrópole, pois que do recenseamento efectuado, resultava que: 48,4% tinha instrução primária (numa época em que na metrópole havia mais de 20% de analfabetos); e dos restantes 51,6%, descontando apenas 6,5% de não-alfabetizados constituídos quase exclusivamente por crianças com menos de 10 anos de idade, havia 8,5% de possuidores de cursos superiores incluindo médicos, professores universitários, investigadores, advogados, etc., e mais de 30% possuíam cursos médios, secundários e profissionais. Com a entrada dos retornados, a sociedade portuguesa foi subitamente enriquecida com mais de 5.000 mil engenheiros, arquitectos e técnicos dos mais elevados graus e ramos da engenharia civil e de minas, de industrias transformadoras e outras; cerca de 1.800 biólogos, agrónomos, investigadores dos ramos fisico-químicos e similares; quase 13.000 professores e outros docentes de todos os ramos do ensino, desde o primário ao universitário; 325 navegadores, pilotos e outro pessoal especializado da navegação aérea e marítima; cerca de 16.000 quadros de serviços administrativos e outros, desde estenógrafas a operadores de informática. No sector da produção, a força do trabalho metropolitana foi enriquecida com mais 13.000 mecânicos especializados; cerca de 7.000 serralheiros civis, montadores de estruturas metálicas, caldeireiros e profissões similares. A construção civil, cuja maior força de trabalho tinha emigrado para os países da Europa, foi enriquecida com 13.000 pedreiros, carpinteiros e outros profissionais dos mais diversos ramos. As indústrias transformadoras foram enriquecidas com mais 12.000 operários especializados, desde os ramos têxtil ao da alimentação e bebidas, da mecânica fina ao mobiliário. O sector dos transportes viu-se repentinamente valorizado com a entrada de mais 13.000 condutores de veículos pesados e de transportes públicos. No sector agro-pecuário surgiram mais 16.000 capatazes e condutores de trabalhos agrícolas, de maneio e tratamento de gados ou de exploração florestal, em escalas que, em muitos casos, não eram conhecidas neste país. Mas vieram ainda cerca de dez mil trabalhadores dos ramos de hotelaria, restaurantes e similares, cozinheiros, ecónomos e outros. Porém, e talvez mais importante ainda que as suas especializações profissionais, os retornados trouxeram à força de trabalho do País a contribuição valiosíssima da disciplina, da produtividade, da assiduidade, que rapidamente os distinguiram (e não raro os tornaram detestados...) num ambiente em que apenas se falava de postos de trabalho... mas não se trabalhava; em que o absentismo ascendeu a taxas inconcebíveis, em que os locais de trabalho se transformaram em centros de organização de manifestações a propósito de tudo e de nada. Cremos que estes números, extraídos de fontes absolutamente insuspeitas, serão suficientes para desfazer certas ideias que, infelizmente, ainda de tempos a tempos afloram em certos meios e em determinadas ocasiões, acerca dos Retornados do ex-Ultramar. Na realidade, e a despeito das desgraçadas condições em que se desenrolou o seu regresso à Pátria de origem ou de opção - o fluxo dos retornados constituiu na realidade um indiscutível e precioso factor de valorização da sociedade portuguesa,

Até que enfim

Sempre disse que a vinda dos retornados, e refugiados foi uma transfusão de sangue para este país envelhecido, amorfo, estagnado...

De repente, milhares de pessoas com outros horizontes, maior abertura de espírito, força de vontade e absoluta necessidade de começar vida noutro lugar por lhe ter sido tirado o chão onde viviam (e gostariam de ter continuado a viver!), espalhou-se por todo este território...

Houve de tudo, como sempre... bons e maus exemplos, mas o saldo foi positivo e este artigo revela alguns dados importantes. Gostei de o ler.

Bem podemos divulgá-lo e mostrar a todos que a vinda dos africanos depois da descolonização exemplar só veio beneficiar o retângulo onde nem foram assim tão bem recebidos...

Este texto peca por tardio mas, mesmo assim, reencaminhem o mais possivel, para Que estes números fiquem na memória de quem contestou o nosso regresso à Terra-Mãe!

Um abraço angolano da Maria da Graça Garcez

2012

AMIGOS DESAPARECIDOS


Hoje acordei a pensar naqueles amigos que por alguma razão deixaram de fazer parte da nossa vida. É sempre um sofrimento com esses afastamentos, sobretudo com aqueles em que mais que puxe pela cabeça não consigo perceber a razão...

Realmente , quando nos morre alguém muito querido, muito AMIGO, é difícil encontrar um sentido para a perda. A morte daqueles que verdadeiramente amamos, que andaram connosco nas nossas "cowboyadas", que "cresceram" ao nosso lado, traz sempre dor. O corte definitivo e a ausência física, são ideias quase intoleráveis.

Custa muito , separarmo-nos daqueles que nos conheceram de "jingeira", como se costuma dizer. Toda a separação dói, mas aquela cuja dor chega a ser insuportável, é a separação pela morte. Deixar de ver alguém que nos é muito querido, que foi desde a infância, nosso "Amigo de peito", despedirmo-nos de uma pessoa que toda a vida esteve próxima, ou, nos casos mais dramáticos, enterrar um filho, ou uma mãe...é uma dor sem tamanho!raças a Deus não fm muitos, mas foram os suficientes para sonhar imensas vezes com essas pessoas! Umas sei que desapareceram porque a vida levou rumos diferentes, outros acho que se ofenderam com qualquer coisa... outros foram de vez e há aqueles que só a vida nos dirá!

Mas a verdade é que serão sempre Amigos e a eles agradeço terem feito parte, mesmo que pouco, da minha história de vida! Quando nos sentimos sós e abandonados, surge uma palavra ou um gesto e descobrimos que nunca estaremos sós. E a culpa? A culpa é da vida que tem início meio e fim.

A nossa culpa está apenas em amar tanto e sentir tanto em perder alguém. Mas o tempo é remédio e só em Deus conquistamos o consolo, com Ele pensamos nos bons momentos. E com um pouco mais de tempo transformamos nossos ente queridos em eternos companheiros.

Nossos sonhos ganham aliados, nossa independência ganha acompanhantes, nossa vida conquista anjos. E no fim apenas a saudade e uma certeza, não importa onde estejam, estarão sempre connosco.

Deus vos recebera de braços abertos e tenham o descanso eterno"

JÚLIO INÁCIO - pai

MARIA DO CARMO ANTUNES - mãe

JOSÉ PINGUIÇO - amigo

LITÓ - amigo

OCTÁVIO AMARANTE DINIZ - amigo

AUGUSTO DE JESUS RIBEIRO - sogro

MARIA MANUELA DINIZ RIBEIRO - cunhada

AMÉRICO NUNES - amigo

FERNANDO RIBEIRO “ DAS QUARRAS “ - amigo

CARLOS ALBERTO S. ALVES “ BAMBA “ - amigo

CHELAS - amigo

FERNANDO TRANSMONTANO - amigo

JORGE FRAQUITELAS - amigo

ANTÓNIO MARTINS - padrinho da Marinha

FERNANDO AUGUSTO - Padrasto

PADRE VERGILIO COSTA PEREIRA - padre

RIJO amigo

NIXA -amiga

MANUEL CALDAS – “ MIQUINHO “ - amigo

JAQUES - amigo

FILIPE SANTAREM - amigo

PITTA-GRÓS - amigo

CARLOS DA CASA LINA - amigo



JOSÉ  MACHADO - Amigo