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08/10/2012

LINGUA PORTUGUESA


Património em risco

Só com coragem se podem dizer verdades que vincam a alma e a mente.
Angola tem coragem de estar em desacordo com o chamado Acordo Ortográfico. Eu aprovo a cem por cento.

Para todos os que falam a língua portuguesa.

À Vossa atenção!

Os ministros da CPLP estiveram reunidos em Lisboa, na nova sede da organização, e em cima da mesa esteve de novo a questão do Acordo Ortográfico que Angola e Moçambique ainda não ratificaram. Peritos dos Estados membros vão continuar a discussão do tema na próxima reunião de Luanda. A Língua Portuguesa é património de todos os povos que a falam e neste ponto estamos todos de acordo. É pertença de angolanos, portugueses, macaenses, goeses ou brasileiros. E nenhum país tem mais direitos ou
prerrogativas só porque possui mais falantes ou uma indústria editorial mais pujante.

Uma velha tipografia manual em Goa pode ser tão preciosa para a Língua Portuguesa como a mais importante empresa editorial do Brasil, de Portugal ou de Angola. O importante é que todos respeitem as diferenças e que ninguém ouse impor regras só porque o difícil comércio das palavras assim o exige.
Há coisas na vida que não podem ser submetidas aos negócios, por mais respeitáveis que sejam, ou às "leis do mercado". Os afectos não são transaccionáveis. E a língua que veicula esses afectos, muito menos.
Provavelmente foi por ter esta consciência que Fernando Pessoa confessou que a sua pátria era a Língua Portuguesa.

Pedro Paixão Franco, José de Fontes Pereira, Silvério Ferreira e outros intelectuais angolenses da última metade do Século XIX também juraram amor eterno à Língua Portuguesa e trataram-na em conformidade com esse sentimento nos seus textos. Os intelectuais que se seguiram, sobretudo os que lançaram o grito "Vamos Descobrir Angola", deram-lhe uma roupagem belíssima, um ritmo singular, uma dimensão única. Eles promoveram a cultura angolana como ninguém. E o veículo utilizado foi o português.

Queremos continuar esse percurso e desejamos que os outros falantes da Língua Portuguesa respeitem as nossas especificidades. Escrevemos à nossa maneira, falamos com o nosso sotaque, desintegramos as regras à medida das nossas vivências, introduzimos no discurso as palavras que bebemos no leite das nossas Línguas Nacionais.

Sabemos que somos falantes de uma língua que tem o Latim como matriz. Mas mesmo na origem existiu a via erudita e a via popular. Do "português tabeliónico" aos nossos dias, milhões de seres humanos moldaram a língua em África, na Ásia, nas Américas.

Intelectuais de todas as épocas cuidaram dela com o mesmo desvelo que se tratam as preciosidades.

Queremos a Língua Portuguesa que brota da gramática e da sua matriz latina.
Os jornalistas da Imprensa conhecem melhor do que ninguém esta realidade: quem fala, não pensa na gramática nem quer saber de regras ou de matrizes. Quem fala quer ser compreendido. Por isso, quando fazemos uma entrevista, por razões éticas mas também técnicas, somos obrigados a fazer a conversão, o câmbio, da linguagem coloquial para a linguagem jornalística  escrita. É certo que muitos se esquecem deste aspecto, mas fazem mal. Numa
entrevista até é preciso levar aos destinatários particularidades da linguagem gestual do entrevistado.

Ninguém mais do que os jornalistas gostava que a Língua Portuguesa não tivesse acentos ou consoantes mudas. O nosso trabalho ficava muito  facilitado se pudéssemos construir a mensagem informativa com base no português falado ou pronunciado. Mas se alguma vez isso acontecer, estamos a destruir essa preciosidade que herdámos inteira e sem mácula. Nestas coisas não pode haver facilidades e muito menos negócios.
E também não podemos demagogicamente descer ao nível dos que não dominam correctamente o português.

Neste aspecto, como em tudo na vida, os que sabem mais têm o dever sagrado de passar a sua sabedoria para os que sabem menos. Nunca descer ao seu nível. Porque é batota! Na verdade nunca estarão a esse nível e vão sempre aproveitar-se social e economicamente por saberem mais. O Prémio Nobel da Literatura, Dário Fo, tem um texto fabuloso sobre este tema e que representou com a sua trupe em fábricas, escolas, ruas e praças. O que ele defende é muito simples: o patrão é patrão porque sabe mais palavras do que o operário!


Os falantes da Língua Portuguesa que sabem menos, têm de ser ajudados a saber mais. E quando souberem o suficiente vão escrever correctamente em português. Falar é outra coisa. O português falado em Angola tem características específicas e varia de província para província. Tem uma
beleza única e uma riqueza inestimável para os angolanos mas também para todos os falantes. Tal como o português que é falado no Alentejo, em Salvador da Baía ou em Inhambane tem características únicas.
Todos devemos preservar essas diferenças e dá-las a conhecer no espaço da CPLP. A escrita é "contaminada" pela linguagem coloquial, mas as regras gramaticais, não. Se
o étimo latino impõe uma grafia, não é aceitável que através de um qualquer acordo ela seja simplesmente ignorada. Nada o justifica. Se queremos que o português seja uma língua de trabalho na ONU, devemos, antes do mais, respeitar a sua matriz e não pô-la a reboque do difícil comércio das palavras.

"A palavra escrita é um elemento cultural, a falada apenas social"
(Fernando Pessoa)

Editorial do Jornal de Angola

08 de Fevereiro, 2012

Walter Sério

04/10/2012

QUEM SUBSTITUI O PROCURADOR GERAL DA REPÚBLICA?


O Procurador-Geral da República (PGR), Dr. Juiz Pinto Monteiro, acaba o seu mandato dia 9 de Outubro. A lei diz, que a nomeação e a exoneração do PGR são responsabilidade de Belém, mas a proposta tem de partir sempre do Governo. Executivo esse, como é do conhecimento público, formado atualmente pela coligação PSD/CDS-PP. O mandato que o Dr. Pinto Monteiro agora termina, foi marcado por fortes tensões entre o atual Procurador e o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (MP). É natural! Uma sociedade que vive para lá da tradição e da natureza, como sucede em quase todos os países ocidentais de hoje, exige que sejam tomadas decisões, tanto na vida corrente como em todos os outros domínios. Assim, pelo facto e pelas divergências que ultimamente se tem vindo a registar, tanto no que concerne ao elenco governativo, como na área da justiça, é complicado encontrar um nome de consenso, que agrade ao Sr. Presidente da República, bem como à coligação, à oposição e ao Sindicato.

Segundo fontes contactadas pelo “Diário de Notícias”, o PR Cavaco Silva “estará a ponderar sobre nomes que não foram incluídos na lista apresentada pelo gabinete do Primeiro-Ministro”. No entanto, já há célebres candidatos apontados, para o cargo em questão, tais como: Drª. Joana Marques Vidal, Procuradora-Geral-Adjunta; Dr. João Correia, Advogado e ex-membro do Conselho Superior do MP; Dr. Henrique Gaspar, Juiz Conselheiro e Vice-Presidente do Supremo Tribunal de Justiça; o egrégio Dr. Braga Temido, Magistrado do MP; e, finalmente o ilustre Dr. Euclides Dâmaso Simões, Magistrado do MP, ex-Diretor da Diretoria de Coimbra da distinta Policia Judiciária e a dirigir hoje, a Procuradoria-Geral Distrital de Coimbra. São estas notáveis personalidades, que compõem o leque de opções a ter em conta, para a nomeação do futuro Superior Hierárquico deste importante Órgão Judiciário.

O futuro é como a esperança, deve lutar-se por ele, construi-lo dia-a-dia com esforço, decisão e constância. Todos temos uma visão pessoal do mundo e dos seres que o habitam. Grande parte de nós, através de um compromisso pessoal, vocacional ou adquirido, quer contribuir para o fazer melhor. Ou seja, todos procuramos encontrar alguém, que se empenhe muito mais, em torná-lo num mundo mais equitativo e justo; que enfrente aqueles que querem tornar mais profundo o fosso entre os poderosos e os mais fracos, pondo a Justiça, acima de tudo e ao serviço de toda a Comunidade. Atuar por vocação, disciplina e instrução, é dever incondicional para o exercício do mencionado cargo.

Ainda se critica que, as novas gerações de Magistrados ingressem na carreira por “tradição familiar” e não por vocação ou simplesmente “pela necessidade” de ter um trabalho, mas, salvo melhor opinião, julgo que tais comentários opinativos, estão ultrapassados. Não concebo a profissão de Juiz, senão como expressão de uma vocação. Aprendi a conhecê-la, depois de ter tido colaborado na Polícia Judiciária, sob a direção de dois dos, agora, putativos candidatos a PGR, na circunstância Dr. Temido Braga e Dr. Euclides Dâmaso Simões. Magistrados competentes, coerentes, inteligentes e humanos, que sempre lutaram por um mundo melhor, com menos desigualdades sociais, pela impunidade dos delitos, os quais fossem sempre abnegados, nem que os poderosos e o próprio Estado pudessem voltear a lei para os seus próprios fins. Verdadeiros defensores dos direitos dos cidadãos, que sempre exerceram, e exercem, com honra e dignidade, os altos cargos de responsabilidade, para os quais foram nomeados.

CRUZ DOS SANTOS

2012

A VOZ DE JOÃO KAJIPIPA 7


-Como é Madié “Kafucolo”? Vamos “vuzar” um “rock direito” de trinta? Éh só “embutir”, ché! Mandas cabiçada…julgas quê então?

-Quer dizer há trinta anos, que o Mano Madiê Kafucolo , bebe a sua “Capukazinha”, e o seu “kimbombo”?!!!

-Nada disso meu! Prontos! Há 15 anos!

-E os nomes qui dão a estas mixórdias:

-Bom, concretamente, e sem rodeios de sanzala, chamam-lhe di: “Ualende”, “Pelunga”, outros lhi chamam de “Kaiombe”, dipende da terra…mas é tudo “campo-roto”!

-E este “mambo” aqui, o que é?

-Este aqui, é…“Kimbombo”! A verdadeira bibida espiritual dos mucequeiros, “rosqueiros”, e qui é receitada pelos “Kimbandeiros”! É aquela bibida, qui faz “xinguilar” um gajo! Serve também para colorar us fígados! Maji, tanto a “Capuka”, como a “Ponteira”, não lhi pode pôr gelo.

-Porquê Mano “Kafucolo”?

-ESTRAGA! Também não podes fazeri do “Capukinho”, uma “Caipirinha”, senão vais ver onde vais parar! “Tambula ó conta”! Estas bibidas, são para profissionais das bibidas e…sabes uma coisa? A melhor “Capuka” é di Malange…dos “Malanjinhos”!

Kuabo Kaxe!

Para terminar, vou-lhes recomendar a Tia Maria Joaquina, a própria, aquela qui vende a melhor “Capuka” e o melhor “Kimbombo” de Angola. Tem o seu “Buteco” no Rangel. Vai lá e…EMBUTE!

AIUÉ qui saudades!

 
 
Banga Ninito

SONHO


Mélita esteve em Lisboa por altura do almoço dos antigos moradores dos Bairros Popular nº2, Sarmento Rodrigues e Palanca, veio com o Rogério seu esposo para ele ver como era o convivio de um bairro unido, e conversa puxa conversa fomo-nos lembrando de como era nossa juventude em Luanda, e ela foi vendo como seus amigos agora estão mais velhos, enfim recordando.
Incrivel como as conversas sobre aquilo que não vemos mas que amigos nossos nos vão contando, sobre Luanda nos desperta o nosso consciente. Depois do encontro emocional da Betty com alguns moradores e frequentadores da Rua de Serpa no Bairro Popular nº2 hoje chamado de Neves Bendinha, e de ver as fotos recentes que a Graciete na sua viagem a Luanda tirou.

Fui para casa, deitei-me e adormeci.

Nessa noite eu levantei-me às 5 h30m da manhã, a luz já entrava de mansinho pela janela, olhei para a rua, o sol estava a nascer, lindo como sempre (tal e qual como eu me lembrava). Como ontem a chuva fez uma visita, as rãs nas enormes poças de água, inventaram uma música maluca que cantavam desenfreadamente... por cima da minha cabeça um mosquito resolveu acompanhar-me e zumbia feito louco dentro do quarto.

Por momentos, pensei reclamar por causa do barulho mas depois acabei por sorrir, fechar os olhos e adormecer, afinal eu estava com saudades de todos estes sons... e sonhei, eu sonhei que a Mélita:.......

Acordou ás 7 horas, levantou-se rapidamente e tomou um banho de água fria (o esquentador estava lá como sempre esteve, mas também desta vez não era necessário...banho de água fria é mais fixe) lavou o cabelo e passou-o por água e vinagre para ficar macio e brilhante (sim porque o amaciador é coisa que ainda não foi inventada)... ao mata bicho, pão comprado no depósito de pão na Rua da Gabela ao lado da Sapataria do Mudo, leitinho delicioso e toca a andar a caminho da paragem do maximbombo 22.

Bata branca como se tivesse sido lavada com Omo, mas que foi apenas lavada com sabão azul e branco e esteve a corar depois da famosa sabonária quente que Dona Maria do Carmo sua mãe fez (tão famosa como as das outras mães) …

Os príncipes cheios de estilo e banga, na passada chegavam também à paragem do 22, e com olhares atrevidos faziam comentários do tipo "abençoadas mães de tão bonitas filhas" e coisas ainda mais parvas, mas que as faziam sorrir. Não sei como é que conseguiram entrar todos no maximbas, por momentos deixou de ver o Henrique, devia estar a apanhar alguma caneta que caiu aos pés da Betty. Chegou à paragem em frente à 7ª esquadra, livra...mais gente...quero outro banho já (e também um frasquinho de perfume para atirar ao ar) finalmente a João Crisóstomo... motas que cantavam, carros, gargalhadas, batas misturadas com camisas cintadas, calças “ la finesse “ em danças de beijos, borrachinhos...tudo no portão da entrada, de repente admirada vê rapazes do bairro, o Zé Antunes cheio de banga, pergunta ao Litó como pensava chegar ao Salvador Correia a tempo da primeira aula e ele respondeu que tinha borla de horário, o menino Albuquerque, com a maior das latas disse com ar solene "hoje fuguei na escola"...a Mélita como não podia faltar nem tinha borla ao 1º tempo teve que ir para as aulas. aulas...aulas...mais aulas...finalmente hora de regressar a casa, a amiga São o pai foi buscá-la de Lambreta, ela nem queria acreditar...na paragem do maximbombo 22 estavam mais de 20 pessoas, chegou o maximbas e só levou 3 pessoas, 15 minutos depois outro maximbas e só 5 pessoas, quando pensava que só ia chegar a casa no dia seguinte lá veio um que levou todos para casa, entrou na rua de Serpa, e viu logo a vizinha Mila em cima do muro feita maria rapaz e o irmão o Zeca a abrir rua abaixo no carrinho de rolamentos.

A Virinha convidou-a para ir dar uma volta com ela, ela respondeu que sim mas só depois do almoço. Compraram uns pirolitos e depois de algumas voltas e conversas, brincaram com arcos, papagaios de papel, macacas, bolas de click clack, barra do lenço, dá-me fogo, escondidas, jogos do elástico...voltaram para casa, estava na hora de fazer os trabalhos de casa e depois jantar...ficou combinado que voltaria mais um cochito na hora de flitar a casa... antes do jantar, sentou-se no muro, a trincar um bocado de cana de açucar, aquela de suco doce que faz ir até ás nuvens, enquanto mordiscava a cana, ia mexendo o corpo ao som do majuba que tocava em casa da Betty... sentia-se feliz e nem os dois mosquitos que a tentavam picar a conseguiam irritar, a sua mãe mandou-a por a mesa e foi jantar, era dia de quinino mas até esse desgraçado comprimido lhe soube bem, o jantar estava bom mas o mamão acabadinho de apanhar do mamoeiro do quintal estava divinal.

Ouviu a Celina a chamar por ela, pediu à mãe para a deixar ir lá para fora um pouco, a mãe olhou para ela de cara torcida mas acabou por dizer que sim. Na rua a animação era grande, já lá estavam a Chú, o Lili, o Minguitos, o Ze Antunes, o Nando, o Domingos, o Carlitos, o Paquito, o Miguel, o Pinto Ferreira, o Chico, o Zeca, o Cacito, a Virinha, a Dininha, o Victor, a Celina, o Quim Mota e a Linô, outros chegaram depois. o Litó continuava a por musica em casa (devia estar apaixonado) e todos ficavam ali a conversar embalados pelas canções do Roberto Carlos, nem deu pelas horas mas a verdade é que já era tarde e as mães começaram a chamar, apesar de contrariadas e de vários pedidos para ficarem mais um pouco, tiveram mesmo que ir para a cama.

Deitou-se, apagou a luz e fechou os olhos, quase imediatamente adormeceu, estava cansada...acordou às 07 h 30 da manhã...estava frio...levantou-se... tudo escuro e silencioso...não queria acreditar...aquela não era a sua janela... aquele não era o seu quarto...aquela não era a sua casa...aquele cheiro que ela amava já não se sentia no ar...já não estava a pisar o chão da sua terra adorada...tudo tinha mudado...ou foi apenas um sonho? não! não foi um sonho...ela esteve lá...com os seus vizinhos antigos... com os seus vizinhos novos... foi lindo... Eu sonhei.............


ZÉ ANTUNES

2012
Dedicado à Nixa

01/10/2012

ESTA POLÉMICA, NEM ATA…NEM DESATA!



A política mudou. A sociedade mudou. E os políticos ainda não se deram bem conta. Ou antes, deram, mas querem manter as regras e os costumes a que estão habituados. As “brumas da memória”, impendem-nos de compreender como é que vivem milhares de portugueses. Ou de medir as consequências dramáticas, que todos eles nos deixaram como herança. O Povo, sente-se desconsolado, desgostoso e enganado. Alegam que “são todos iguais” e que há, cada vez mais, “galifões” com sede e ganância do poder. Os portugueses, sentem-se prostrados, por não verem uma solução credível, e de não haver ninguém responsável, no sentido de a encontrar.

Nesta ridícula querela (acusações, denúncias) destas ocorrências, o que é confrangedor é a dimensão que certos estadistas, astutos, usam, para esconder a verdade histórica, ocultando as realidades, através de uma filosofia demagógica e já gasta, no sentido de favorecer as paixões populares, mas…obscurecendo a razão crítica, fazendo de contas que tudo vai bem e que a culpa é sempre dos anteriores governos. Os protestos portugueses, são resultado de uma espécie de lamúria de fidalguia arruinada, que já não tem motivos para se fazer respeitar e, por isso, transforma os preconceitos em princípios. Uma coisa é certa: “Esta polémica, nem ata…nem desata”! Vivemos (todos), sob o manto da austeridade, "espicaçados" pela Troika e por este desastroso défice, convencidos de que a orientação das políticas económicas e orçamental não nos conseguem levar a “bom porto”! Vivemos num país, em que as pessoas, apesar de revoltadas com tudo isso, olham para as alternativas políticas e vêem “zero”, mais do que económica e financeiramente, é um país moral, cívico e politicamente falido! Quem pensa e age fora da “máquina da situação”, não sendo também um “bolchevique” raivoso, não tem espaço e é, muitas vezes, censurado. Trinta e oito anos depois, a “ditadura” mantém-se, sob a máscara da democracia e da liberdade. Essa é que é essa!

Mais palavras para quê?

Cruz dos Santos

O NOSSO BAIRRO



Mais um tema agora debruçado para "novos olhares sobre o atual ex-"nosso" bairro". Aqui fica mostrado, para quem ainda tinha algumas dúvidas, de que África é assim e obviamente Angola/Luanda/Bairro Popular nº2 não poderia contrariar esse "modus" de estar e de viver dos africanos no seu meio ambiente, no seu habitat. Se é assim, que assim seja. O que quer dizer que neste assunto, que não é novo, mas sim velho de séculos. Veja-se como ficaram todos os países africanos que ao longos dos anos se foram libertando do chamado colonialismo europeu, embora agora estejam sujeitos ao neo-colonialismo africano. Mas sempre foi agradável ver de novo ruas por onde andamos e estabelecimentos da nossa infância, nesse ex-bairro Popular nº2 que, tanto quanto penso, agora está agregado e inserido na "comuna do Kilamba Kiaxi ". que segundo noticias o nosso Largo vai ser todos remodelado. Recordar, entre outras, a entrada do portão do cine São João (onde trabalhei no bar) e vislumbrar o largo onde de um lado tinha a sapataria que antes era uma peixaria, a casa de moda casa Confiança do Sr. Novo e ao fundo o Talho e a tabacaria do outro lado a mercearia do Sr, Amaro, o Bar São João do Jorge e do Matias ao fundo a casa de gelados , a Escola Primária, a Capela e a Igreja, o Proventório Infantil de Luanda, o mercado e as suas lojas assim como outros estabelecimentos.

". Num outro aspecto tèem razão, é que Luanda não era só marginal, baia e praias que é aquilo que sempre se encontra quando se pesquisa imagens sobre Luanda. Luanda era alicerçada em todo o conjunto dos seus bairros que iam desde a Boavista até à Corimba, da Ponta da Ilha até ao Bairro do Cazenga.


BANGA ZÉ

O ESTADO E O “RACIONAMENTO” NA SAÚDE!

O Ministério da Saúde e os SNS, é dos ministérios e sectores mais problemáticos do país, com um défice crónico, e que contribui grandemente para o estado a que chegaram as contas do Estado, porque engloba, enfim, um leque gigantesco de questões muito complexas, e que deveriam ser resolvidas por um processo científico, matemático, devido tratar-se de uma luta contra o desperdício e a ineficiência, que é realmente enorme. Sabermos, concretamente, quantos médicos temos; quantas horas trabalham, incluindo horas extraordinárias, e quanto custam aos cofres do Estado.

Adalberto Campos Fernandes, médico e professor na Escola Superior da Saúde Pública, sobre a polémica alusiva ao “racionamento de medicamentos”, defende que estes assuntos deveriam “acontecer no meio científico, técnico e académico e não na praça pública”. Alerta ainda para o facto, que é preciso “que os critérios de selecção de medicamentos sejam equitativos e baseados na ciência, na evidência clínica em parceria com os médicos e não contra os médicos e contra os doentes”. A “Troika” sobre a dívida dos Hospitais, diz: “…é necessário estabelecer um calendário vinculativo para limpar todas as contas a pagar aos fornecedores nacionais e, controlar os compromissos para evitar o ressurgimento de contas em atraso. Fornecer uma descrição detalhada das medidas destinadas a alcançar uma redução de 200 milhões de euros nos custos operacionais dos hospitais em 2012”. O distinto Jurisconsulto Dr. António Arnaut, o “pai” do serviço Nacional de Saúde, defende que o sistema é sustentável e deixa um aviso ao Governo: “Se tentarem destruir o SNS, vai haver um levantamento popular”. Acrescentou ainda, “que hoje, a pressão dos lóbis, dos grupos económicos que exploram a saúde como um negócio, é mil vezes superior à que existia em 78” (…) e que “a luta pelo SNS continua porque vários governos de direita tentaram sabotar a aplicação da lei”, e que “Tardaram a regulamentá-la”.

Quase dois salários mínimos, que cabe a cada português, todos os anos, para garantir o financiamento e normal funcionamento dos serviços de Saúde, que o Estado português suporta. Portugal é o quinto país da União Europeia, que mais despesa faz. Gastou, o ano passado, 9763,5 milhões de euros com a Saúde (5,66% do Produto Interno Bruto) o que equivale a dizer que, por cada cem euros de riqueza criados pelos trabalhadores e empresas em Portugal, 5,66 euros foram gastos com o Serviço Nacional de Saúde e restantes organismos públicos ligados à área da Saúde. Se estas despesas fossem repartidas por todos os residentes, cada cidadão teria de desembolsar 917 euros por ano, para sustentar este sector, o que significariam 23 dias de trabalho. “Podemos gastar menos? A resposta é sim, porque sabemos que há desorganização, desperdício, má utilização dos serviços”, quem afirma é o professor da Faculdade de Economia da Universidade Nova Lisboa, Pedro Pita Barros. Ontem, o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) emitiu um parecer em que defende que o Ministério da Saúde “pode e deve racionar” o acesso a tratamentos mais caros para pessoas com cancro, Sida e doenças reumáticas.

Sobre as medidas da “Troika”, o Dr. Arnaut, (um "Irmão-Maçon" que sempre defendeu os direitos humanos), disse que: “tais medidas não afectam o SNS no seu modelo actual. A Troika impõe uma redução das despesas, mas isso pode fazer-se sem que haja perda de qualidade”!

Banga Ninito