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25/10/2012

SÓ PARA RECORDAR UM BOCADINHO!!!


Conversas da nossa “banda”! (Conto Angolano)

-Olha lá ó “Madié”, si fosses à “Tuge” não era melhor, do qui estares-mi sempre a “chatiar”?

-ÉH! Este “gajo”…não pertence nesse bairro! Veio só aqui p’rá fazer ‘splingue nas nossas “baronas”! O “Sacana” é lá das bandas du “Kitexe”, Firio da Mãe, só táqui armado em bom!

-Como é Mano? Ti sobrou algum “Kitari” para “varrermos” um copo di “palheto” na loja do “Santo-Rosa”?

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Eram essas as conversas, qui ouvíamos naquele nosso saudoso bairro di São Paulo. “Paleio só à toa”!…Mas, sobretudo, aquelas conversas com os mais velhos. “Kotas” di Quifangondo, di Camabatela, di Nova Lisboa e du Bailundo. Tudo ficou lá! Até aquele gajo – preto fulo – qui tinha um tio qui foi sordado raso na Índia e lhe trouxe uma bicicreta da marca “Rally”, maje um par di óculos escuro, maje mala di papelão. Não ti lembras dele? Aquele gajo qui foi motorista di maximbombo du Dande, até)…??

-Sei, quem é?!!!! Este “Madié veio cheio du “Kumbús”. Dinheiro qui bastava para “Amigar” com duas Mulher. Quê qui julgas? Julgas qui ele é quê? Algum contratado ou quê? Tás a brincar? Pai dele é Sóba nu Ambriz e Tio dele, é “Kimbandeiro” no “Maculusso” e tem lavra di “mandioca” , lavra di milho, batata-doce! Tás a brincar? Hum! Tás “Boamado”, não é?

-É preciso fazer força no coração, senão um homem, sem vontade, vira mulher mesmo…! Havia outros eram ainda “tumbonga”…

-Mas qui si Lixe!!

-“Tambula óh conta”! O “Poeira” (Chefi di posto), maji os seus “cipaios” vão-te cair em cima, com os seus “cassetetes”, e vão-te dar "berrida" e vão-te “vuzar”! Depois di nada te vale rogos, súplicas, ameaças, e até mesmo algum dinheiro para comprar boas graças. Não, que cipaio tinha as suas vantagens bem à mostra!, pensava Mandombe cabisbaixo e entristecido.

-Filho da puta…desse Chefe di Posto! Sacana! Colonialista di merda! Vai lá p’rá tua terra nus Trás-Montes, meu cão di merda!

-CHÉ FALA BAIXO!!!! "Rixibia Gô" ! Aquele “Kandengue”, tás a ver ali? É BUFO!! Vão ti rapar a “Carapinha” e ti vão dar chóqui di bateria di carro nas “Matubas”! Vão te dar chapada na “Xipala”, como dizia aquele “nosso tenente” de Nova Lisboa…!!

-KUABO KACHE! Faje o que tu quiseres! Quem ti avisa...teu amigo é!

MUNGUÉ!!!!

Ninito

JANTAR COM A BETTY


Nesta 74º. Volta a Portugal em Bicicleta, seguimos para a Guarda onde a nossa equipa se foi instalar no também bom hotel VANGUARDA. Telefonei então à Betty e fomos jantar a um restaurante indicado por ela, ao Belo Horizonte.

O Belo Horizonte está instalado numa bonita e muito bem conservada casa em plena zona histórica. A sala de pedra granítica à vista, não é muito grande, mas é acolhedora. A Betty vinha já com uma referência, e fomos recebidos pelo Sr. António José, filho dos proprietários ( que ainda estão ao serviço), que foi de uma gentileza e simpatia que nos fez bem e sentimos que estávamos em nossa própria casa. Sentámo-nos e foi-nos oferecido um vinho que estava à temperatura ideal dizendo o Sr. António José que com aquele vinho da região “Somos a alma desta casa”

A mãe é que nos serve, olhar materno enternecedor, coisa cada vez mais rara e que nos tempos de hoje não tem preço, ali não se vende comida, dão-se emoções.

As refeições são da cozinha típica regional portuguesa e da Beira interior.

Iniciámos com um queijo tradicional que combina perfeitamente com o pão local, e de entrada uns jaquinzinhos fritos. Para prato principal degustámos um bacalhau saboroso e estivemos a pôr a conversa em dia. Para sobremesa foi um doce da casa e na hora de pagar a mãe do Sr. António José disse : A quem servimos fala por nós.

A Betty foi-me levar ao Hotel e despedimo-nos, pois ela no dia seguinte viria para Lisboa visto ter terminado o seu período de férias, e eu no dia seguinte seguiria para o Sabugal onde terminaria mais uma etapa desta volta.


ZÉ ANTUNES

2012

ALMOÇO DA AMIZADE "UM DIA BEM PASSADO"


Já há muito que não reuníamos o pessoal amigo e da Confraria O PENICO DOURADO para uma almoçarada, e resolveu-se que teria que ser neste mês de Setembro de 2012 e que teria que ser um “Cozido à Portuguesa”. Cheguei ao Restaurante pelas 10h30 e já lá estavam o Sr. Anselmo Matos e o Cozinheiro sr. Carlos Silva. Fui cedo pois como anfitrião deste almoço de amizade de amigos e confrades do Penico Dourado, teria que estar presente para receber os convivas.

O Carlos Silva já tinha as carnes do cozido quase cozinhadas. Entretanto o staff do Restaurante já estava nos seus afazeres habituais para que o almoço fosse servido a preceito e a horas. Foram chegando também alguns amigos que iam saboreando umas sandes daquela bela carne e continuamos a conversar e a lembrar-nos das recordações outrora vividas, esperando a hora do almoço pois o almoço tinha que ser perfeito como sempre. Por volta das 12:00h começaram a chegar os amigos que se vinham deliciar com o belo almoço. A esposa do Sr. Anselmo, a Srª. Laura Matos deu as boas vindas a todos em nome das pessoas da nossa Luanda que não puderam estar presentes.

A ementa foi:

Para entrada, azeitonas, croquetes, rissóis, orelha de porco com coentros e frango frito. Depois foi servido um delicioso cozido à portuguesa, a bela broa, sopa do cozido para quem quis, arroz doce, salada de fruta etc.… isto tudo acompanhado de um belo vinho de terras do xisto, posso dizer que o almoço estava divino.

Este almoço pôde contar com a presença do Grão – Mestre da Confraria do Penico Dourado. Assim como vários confrades.

Durante a tarde foi lido um discurso sobre a amizade e camaradagem desta confraria e guardado um minuto de silêncio pelos confrades que já não se encontram entre nós.

Alguns confrades pediram desculpas via telefone por não terem estado presentes no almoço, mas já tinham assumido outros compromissos.

O dia terminou já a altas horas da noite com direito a um caldo verde e chouriço assado e a ouvir uns fados, cortesia do dono do restaurante Sr. Anselmo que convidou alguns fadistas amadores para animarem a nossa, neste caso ceia.

Correu todo muito bem, Obrigada a todos. E não se esqueçam que haveremos de fazer mais almoços de amizade e da confraria. Regressando todos a suas casas.


ZÉ ANTUNES

2012

20/10/2012

UM DIA BEM PASSADO-ZÉ CUSTÓDIO



Dezembro de 1978 o Zé Custódio vem da Argélia para passar o Natal com a família, está na Argélia num trabalho que tinha arranjado como Serralheiro, chega a Lisboa e vem ter comigo, para pernoitar naquela noite pois no dia seguinte iria para Guimarães.

Nesse tempo depois do meu casamento com a Marinha, vivia com minha mãe ( meu pai tinha falecido em junho de 1978 ) e com os meus irmãos na Avenida da Liberdade ( a casa era tão grande que sempre que malta amiga vinha a Lisboa já sabia onde se alojar ) e o Zé Custódio convidou-me a mim e à Marinha para irmos almoçar ao Solmar, estava com saudades de uma bela refeição,

Esta cervejaria-marisqueira ao estilo retro dos anos 50 é decorada com motivos aquáticos nas paredes e serve alguns dos melhores pratos de marisco da cidade que fizeram dela um clássico da restauração lisboeta. O espaço é muito amplo, escolhida a mesa, começamos por ver o cardápio:

Peixe: Paelha, Marisco ao Natural, Paella,

Carne: Javali, Veado, Faisão, Bife à Solmar

Doces:Tarte de Maçã e Pudim à Solmar

Começamos por degustar uns camarões como entrada. Eu de seguida comi uma sopa rica de peixe, muito boa e a Marinha um creme de marisco mais caldo do que creme. O Zé Custódio ficou-se só pelos camarões, e depois mandou vir uma parrilhada de peixes, eu e a Marinha ficamos com o famoso Tornedó à Solmar, acompanhados de uns finos ( cerveja ) era nosso hábito beber cerveja nas refeições, ainda não tinha-mos aprendido a gostar do néctar fabuloso que é o vinho. Para os doces degustamos uma tarte de maçã que estava divinal.


 
            Zé Custódio, Marinha e Zé Antunes

Depois do almoço fomos beber um café ao Pic Nic onde encontramos malta de Luanda que por ali parava, para sabermos novidades e lembramos as nossas estórias e as nossas vivências, de Luanda, acabando por passar uma óptima tarde, a noite chegou depressa, e fomos jantar a minha casa num jantar feito pela Carmitas minha mãe, pois o Zé Custódio iria lá dormir e no dia seguinte seguiria para Guimarães, para se encontrar com a família.

O meu irmão Nando conhecia o decorador da novíssima e recém inaugurada discoteca “CAVE DO ADÃO “ e que tinha sido convidado mais a esposa, a convite dele lá fomos beber uma bebida e ouvir um pouco de música num ambiente agradável. Claro está que só fomos para casa ás tantas da manhã.

                    Zé Custódio, Nando, Fátima, Marinha e Zé Antunes

 ZÉ ANTUNES
1979                                                                                  

19/10/2012

REFER - SANTA APOLONIA



Estando colocado no Posto de Manutenção da Boavista – Porto desde 22 de Dezembro de 1980 e como queria ser transferido para Lisboa para o posto de Manutenção de Campolide o que foi conseguido em Maio de 1983 , entretanto em Abril de 1983 abriu um concurso de desenhador para a conservação de Pontes, em Lisboa, claro que concorri na hora, pois era a profissão que gostava e para o qual tinha estudado na Escola Industrial de Luanda, fico á espera de colocação e vou mantendo-me a trabalhar nas máquinas diesel em Campolide, no fim de mês de Maio veio a colocação para estágio, no Departamento da Conservação – Pontes - e fui colocado em Santa Apolónia, desde 01 de Junho de 1983 onde me mantenho até aos dias de hoje .

Três meses de estágio, e a primeira saída Outubro de 1983, Zé Antunes, Carlos Silvestre e Abílio Pombinho, fomos fazer o levantamento ás longarinas e carlingas da Ponte de Belver, da Linha da Beira Baixa. O Cantante Simões foi para a Guarda com João Ribeiro, José Vasconcelos e Hilário Teixeira,

Em 1984 sai uma grande reportagem no Jornal “ A CAPITAL “ sobre o nosso local de trabalho e de toda a estrutura da Direção de Conservação de Pontes.

Seguiram-se mais levantamentos nas Linhas do Norte, Linha do Oeste, Linha do Minho, Linha do Sul, Linha da Beira Alta e Linha do Douro, além dos respetivos ramais, todas elas com histórias para contar.

Maio de 1987 o Benfica joga a final da taça dos campeões europeus com o PSV de Eindhoven - Holanda o Benfica perde nas penalidades falhanço de Veloso no último penalty.
Na Ponte de Portimão o nosso alojamento era em Ferragudo também num contentor todo equipado, vinhamos a pé de Ferragudo até a Ponte de Portimão sobre o Rio Arade, logo de manhã com um cesto de vime, com uma cabeça de peixe espada lá dentro baixavamos o cesto para a água e de hora a hora mais ao menos içavamos o cesto e lá vinham 4 ou 5 carangueijos que depois de bem lavados e bem cozinhados era o nosso petisco antes do jantar. Nesta campanha esteve o Zé Antunes, O Zé Vasconcelos, o Carlos Silvestre. Certa vez ao cair da noite houve um incêndio num stand junto á Estação de Portimão e tivemos que ajudar a retirar todos os automóveis do Stand, não fosse a nossa colaboração de certeza que haveria danos patrimoniais pois alguns veiculos ficariam danificados com o fogo.

Em 1988 Na Ponte do Corge na Covilhã, que atravessa a estrada da cidade da Covilhã para a cidade da Guarda, depois de percorrer metade da ponte com os pés no Banzo inferior e agarrado as diagonais da viga principal, passa um camião com a galera do Continente a grande velocidade, que com a deslocação de ar a Ponte abanou e eu fiquei ali agarrado às diagonais e não conseguia dar um passo, fiquei como que paralizado, com a ajuda do João Ribeiro e do Carlos Silvestre lá consegui sair da Ponte.

Em Maio de 1988 Ponte de Sedas Linha do Leste, chovia torrencialmente que para nos abrigarmos fomos para a casa abandonada da guarda da passagem de nível que já não existia, para nos aquecermos, arrancámos a madeira do soalho e fizemos um bom braseiro. Aqui nesta deslocação foram Zé Antunes, João Ribeiro Francisco Roseiro e Hilário Teixeira, sem poder nos deslocar eis que vem um comboio de mercadorias lá parou e deu-nos transporte até à Estação da Torre das Vargens onde ai iríamos embarcar na composição que nos traria até ao Entroncamento.

Nesse ano e noutra deslocação à Ponte de Sedas na Estação do Crato, sem saber onde ir comer, a estação é distante da vila do Crato, almoçamos numa tasca de uns velhotes que ficava logo ali ao pé da passagem de nível.

Noutra ocasião depois de concluído o trabalho na Ponte de Sedas fomos a Espanha comprar caramelos.

Em 1988 deslocamo-nos a Lagos para ir ás Pontes do Vale da Lama e Ribeira da Torre fomos para um apartamento da Dona Helena uma velhota viúva que alugava Quartos. De manhã tomávamos o pequeno almoço na sogra do Fernando Simões e íamos ao mercado fazer as compras para o nosso almoço e um certo dia dirigíamo-nos para a Ponte da Ribeira da Torre com uns belos carapaus e uma salada de alface e o respetivo casqueiro, não esquecendo a bebida, quando desata a chover a cântaros. Na Ameixoeira tivemos que comprar uns plásticos para fazermos um abrigo para nos resguardarmos da chuva. Ai começou a minha aventura de querer fazer lume com paus de figueira molhada, nada lume não havia, não ateava e com ajuda do João lá fizemos uma fogueirinha, mas logo que os carapaus deixavam cair a a sua gordura o raio do lume apagava-se, foi umas risotas valentes que depois de tanto insistir lá almoçamos os benditos carapaus, Nessa deslocação estava Zé Antunes, Carlos Silvestre e João Ribeiro.

Em 1989 Na Ponte da Carpinteira logo á saida da estação da Covilhã, era preciso sempre que se ia lá tirar as chapas metálicas que impedia que caissem objectos para os telhados das fábricas de confecções, pois ai ficou uma fita métrica que caiu e nunca mais ninguém soube dela, Iamos almoçar a um pequeno Restaurante “ O RETORNADO “que na altura era explorado pelo Sr. António que tinha vindo de Angola no ano de 1975. Conversa puxa conversa e eu lá ia dizendo ao sr. António sobre a nossa vivência e ele dizia com ar muito solene: Bons tempos, bons tempos que já não voltam mais. Nessa saida fui eu o Zé Vasconcelos e o Carlos Silvestre, noutra altura foi o João Ribeiro.

Havia saidas de um dois dias a várias Pontes em que se fazia o levantamento de elementos avariados e voltavamos para a Sala de Desenho e desenhavamos a peça avariada, o desenho ia para as oficinas de Ovar e logo as Brigadas a substituiam. Também se executava alguns trabalhos de topografia.

Em 06 de Novembro de 1991 deslocamo-nos a Lagos para ir ás Pontes do vale da Lama e Ribeira da Torre fomos para os apartamentos do Sr. Águas, ( chefe da estação de Lagos ) e ele diz-nos que só tem um apartamento onde também está um cidadão Escocês. Não nos importamos e fomos para lá pernoitar, fomos ao take way e compramos um cozido a portuguesa para Zé Antunes, José Vasconcelos e António Macau, nessa noite jogava o Benfica com a Arsenal ganhou o Benfica após prolongamento 3-1 golos de Isaias ( 2 ) e Kulkov, e o escocês era mais benfiquista pois não gostava dos ingleses e então também saboreou o nosso cozido e ofereceu uma garrafa de whisky, o Vasconcelos ficou mal disposto pois diz ele que foi dos enchidos, que tinha degustado ao jantar, foi nada, foi o whisky que era puro malte, claro que chamou o gregório várias vezes.

1993 Vale da Lama fiquei só de cueca para ir ao rio buscar o duplo metro que tinha caído, claro que o duplo metro lá ficou pois a profundidade era muita e era só lodo, estava Zé Antunes, Francisco Roseiro e João Ribeiro

18 de Dezembro 1993 estivemos na Ponte de Tavira, viemos embora no comboio da noite. Em Tunes a última carruagem a porta de transição e como não há mais carruagens está trancada, é acoplada outra carruagem. Um passageiro que tinha chegado de Londres e que embarcou em Faro atrasa-se no Bar da Estação e só tem tempo de embarcar na carruagem que tinha sido acoplada , ficando a namorada e as bagagens na que era a última carruagem. Só perto de Castro Verde o revisor foi abrir a porta que dava acesso á nova carruagem, foi quando o Pedro assim se chamava o jovem começou a discutir com o revisor, só demos conta quando o comboio parou na estação e entrou a G.N.R. e o deteve levando-o para o Posto daquela força militarizada, ficando a namorada ás 03h00 da manhã na gare da Estação ao frio, frio que se fazia sentir naquela noite era de 3 graus positivos, nessa deslocação a Tavira estávamos Zé Antunes, Francisco Roseiro e Carlos Silvestre.

Em 1994 voltei novamente á Ponte de Portimão o nosso alojamento era em no cais de mercadorias também num contentor todo equipado, íamos a pé até a Ponte de Portimão. Nesta deslocação foram Zé Antunes, Francisco Roseiro e Carlos Silvestre e também estavam a brigada de Pontes Santos , Dionísio e Carmona, acontecimentos relevantes foi a procura das chaves do contentor pelo Dionísio que as deixou cair para a Linha e ao se debruçar para as ir buscar caiu e bateu com a cabeça no tampão de choque do contentor, nada de grave lhe aconteceu senão o susto e a dor de cabeça. Há ainda o caso das Bifanas mas isso é outra estória !!!!!!!!!!!!! Nesse dia 29 de Março de 1994, jogava o Benfica – Parma. Apesar do Benfica ter ganho por 2-1 foi eliminado por causa do golo que o Parma marcou no Estádio da Luz. Um casal de Pessoas de meia idade , depois de deixarem a filha para ela embarcar na Estação de Pinhal Novo, no regresso a casa, com o automóvel um Fiat 127 ,meteu-se debaixo do comboio tendo os ocupantes morte imediata, o acidente foi na passagem de nível antes da estação de Pinhal Novo.

Neste ano de 1996 estava-mos em Junho houve um campeonato da europa em Inglaterra, sendo campeã a Alemanha, e á noite íamos para o Salão de Jogos do Restaurante do Centro Comercial de Valença, ver os jogos.

Levantamento do tabuleiro da Ponte de Valença sobre o Rio Minho, o nosso alojamento era na Estação de Valença num contentor que estava todo equipado com cozinha, w.c, e quatro camas beliches. No levantamento dessa Ponte esteve o Zé Antunes, António Macau, João Ribeiro e Carlos Silvestre, durante três meses. Viajávamos ás 2ªs. feiras de manhã e regressávamos ás 6ªs feiras pela noitinha. Levantávamo-nos de madrugada e começávamos logo a trabalhar, por causa do calor, que se sentia depois à tarde, íamos almoçar ás 14 horas. A tarde era para fazer compras, íamos a Tui no lado espanhol e íamos ao mercado comprar camarões que era muito mais barato do que em Portugal, comprava-mos também as cabeças do bacalhau, que cozidas era um grande petisco, nessa altura para essas lides culinárias tínhamos o nosso mestre Silvestre, que cozinhava bem.

Em 1996 Uma das minhas últimas saídas em trabalho foi uma semana que com o viatura da C.P. fomos até Mirandela e descemos a Linha do Tua em inspeção ás Pontes existentes. Nessa comitiva iam o Zé Antunes , o António Macau e o João Ribeiro. Mas antes fomos ver duas Pontes a Amarante.

Em 1997 pelo Decreto lei n.º104/97 foi constituída a REFER, Empresa esta que veio a ficar com toda a parte da Infra-estrutura ferroviária.

Em 1998 Zé Antunes, Francisco Roseiro, João Ribeiro, Sobral que era estagiário de topografia e o Domingos Alentejano que andava na Piquetagem, fomos à Ponte do Noéme, e pernoitávamos em Vila Franca das Naves, uma certa noite fomos ao Folgosinho para ir ao Restaurante do Albertino onde na altura por pouco dinheiro se saboreava cinco pratos ( Arroz de Cabidela, Leitão, Javali, Vitela e o famoso Cabrito assado no forno ) uma grande travessa de arroz doce, e no fim café e os bagacinhos branco ou tinto, regressamos a Vila Franca das Naves a altas horas da noite. Foi uma bela jantarada.

Fui transferido com todas as regalias até ai conquistadas, e passei para a Direção de Engenharia, e no ano de 2003 integrei a Direção de Economia e Finanças onde até aos dias de hoje me mantenho.

Nestes anos todos tanto na C.P. como na REFER, o departamento fazia uma sociedade do totobola e do totoloto e com os prémios angariados durante o ano, fazíamos almoços de convívio com as respetivas famílias, os almoços foram realizados em variadíssimos locais Cascais, Cartaxo, Vila Franca de Xira, e Pontével. Em Lisboa em variadíssimos restaurantes, fazíamos os almoços dos aniversariantes em que todos pagavam para o que era pequenino naquele dia.

Muitas histórias há ainda para contar desde que integrei nesta maravilhosa equipa, que era constituída por: António Cruz, Cantante Simões, Carlos Silvestre, João Ribeiro, Abílio Pombinho, Hilário Teixeira, José Antunes, José Vasconcelos, António Macau, Francisco Roseiro, Francisco Cardoso e Maria Leonor e claro está as chefias Andrade Gil, José Clemente e Antonino Cruz, bem como a Eng. Ana Maria, Luísa Gomes e mais tarde o Eng. Pedro Campos e o Eng. Vitor Freitas. Deixei para último com saudade pois apesar de não ser desta equipa era da Construção Civil, entrou para a conservação no mesmo dia que eu, o falecido Eduardo Pires. E recordar o malogrado Eng. Gomes, com quem fiz muitos colocações de aparelhos para os ensaios de extensiometria em Pontes.

ZÉ ANTUNES
2003

O BRUNO


O Bruno foi conscientemente planeado, tendo em conta a vontade que nós tínhamos de ter um filho, até apetece dizer que a gravidez da Marinha foi, no fundo, uma ação inconsciente que acabou por nos levar a obter o que desejávamos.

No entanto, a partir do momento que soubemos que a Marinha estava mesmo grávida, o Bruno passou a ser o Desejado, e foi Bruno logo desde o início, se não fosse Bruno, teria sido Rita, mas nós tínhamos a certeza de que seria um rapaz.

Os meses que decorreram até ao nascimento do Bruno foram caracterizados por uma angústia latente. No princípio, quando ainda não tínhamos a certeza se havia ou não gravidez, não soubemos ou não quisemos interpretar os sinais. A Marinha queixava-se de dores lombares, toca a fazer uma radiografia da coluna; a Marinha dizia que tinha dores de estômago, azia e náuseas (tudo fruto da gravidez) toca a fazer uma radiografia do estômago e duodeno. O raio X terá afetado o desenvolvimento do bebé? Esta era a pergunta que nós não fazíamos em voz alta, mas que estava sempre presente.

Tudo sucedeu tão depressa que a adaptação é difícil. Sempre habituado a ser filho, de repente vou ser promovido a pai. Não sei se me percebem. Não é parecido com nada que tenhamos feito antes. É uma pessoa, um ser humano, que fala, que come, que corre, que pensa. É um conjunto de células vivas, de tecidos, de órgãos, devidamente estruturados, organizados em forma de ser humano. E és tu que o transportas. És tu que o trazes acondicionado, isolado das águas sujas e do ar negro do mundo, escondido dos monstros uivantes e dos bichos tentaculares. Não podia encontrar melhor refúgio, o pimpolho…

E depois vem a parte pior, a parte em que o futuro pai, com a mania que é detentor da verdade, pensa já na maneira de moldar o filho à sua imagem e semelhança:

E já pensamos nas respostas às suas perguntas curiosas, e nos divertimentos essencialmente culturais que lhe vamos proporcionar: vamos dar-lhe a conhecer os grandes compositores, os grandes pintores, os grandes escritores, os grandes arquitetos, enfim dar-lhe cultura geral. Vamos tentar afastá-lo da televisão e de tudo que aliena as crianças, Mas tudo isso sem ser à força, com palavras corretas e gestos amigos.

Desculpa lá, Bruno, mas o teu pai era um tonto, um pateta que pensava que o intelecto salvava o mundo, um chato que começava a renegar o prazer que lhe dava o rock and roll e se enfronhava, cada vez mais, no trabalho. Estou destacado em Mirandela e a angústia apodera-se de mim, residimos em Guimarães e eu só venho a casa de 8 em 8 dias.

O tempo acabou. O bébé está pronto a brotar do ventre da Marinha. Como vai ser? Sinto que vou passar um enorme cansaço psicológico, e do outro lado, tudo estará resolvido. Como será ele? Gordo? Magro? Bonito? Feio? Sou um cobarde! No fundo, tenho medo que não seja uma criança, mas um monstrozinho, vitima da nossa ignorância! Como será? Quando será? O abismo das possibilidades! Nessa semana não me apetecia ir trabalhar, mas que angústia!

No dia 14 de Abril de 1980, A Marinha foi trabalhar, mas as 10 horas teve que ir para o Hospital de Guimarães.

E lá estava a Marinha, a valentona, que só chamou a enfermeira quando sentiu que o bébé ia nascer, que não gritou. E lá estava o Bruno todo pimpão, com a cara de quem já tinha nascido há dias, dormindo calmamente. Ah! Monstros e fantasmas e sei lá o quê todo o resto de cretinices que me encheram a cabeça durante estes dias! Venho de Mirandela para Guimarães de táxi, era o transporte que tinha mais próximo e rápido.

É mesmo um bébé, pronto!

Todos o acharam bonito, mas mesmo que não fosse, era o Bruno!

Quando cheguei ao Hospital de Guimarães era pai há seis horas e meia! Vivó o Bruno! Vivó!!!

Para festejar o nascimento do Bruno fui, nessa noite de 15 de Abril de 1980, para o Restaurante Alameda o dono era o Matias que tinha o Bar São João do Bairro Popular em Luanda, mais os meus amigos, comemorar com umas gambas e muita cerveja. Este escrito é especial, já que foi escrito para narrar o dia que o Bruno nasceu.

Tive 11 dias de férias para poder estar com o Bruno e de seguida tirei as férias correspondentes a que tinha direito, ou seja estive logo um mês em companhia do Bruno.

Os primeiros dias do Bruno no nosso quarto-casa foram dias de encantamento. Tínhamos um brinquedo novo, totalmente feito por nós e eu começava a adivinhar que esse pequeno ser iria, a pouco e pouco, transformar-me completamente. O que se passou foi que, em vez de sermos nós a moldar o Bruno, foi o Bruno que, só por existir, nos foi moldando ao longo dos anos.

Claro que isto não foi bem assim. A vida nunca é bem assim. Há milhares de outros pequenos-grandes fatores que nos influenciam, que nos levam a tomar este ou aquele rumo e quem acredita, como nós acreditávamos, que é senhor do seu destino, está completamente enganado. Sublinho que também não acredito que o destino esteja traçado algures. Sou crente. O destino vai-se traçando, à medida que se vive, com impulsos dados por nós próprios e com impulsos dados pelo acaso.

Foram esses primeiros dias de vida do Bruno. Aquelas insónias, afinal, não eram propositadas, claro. Se fosse feita a nossa vontade, dormiríamos calmamente a noite inteira. Mas o Bruno não deixava.

O Bruno reveste-se já de artimanhas com as quais nos faz desesperar nas longas noites em que queremos dormir e o sacaninha se agarra à sua única mas que mortífera arma de chatear o próximo: os berros e o choro! Nós, que nos gabávamos antecipadamente que o nosso filho daria umas belas noites, se chorasse, nós deixávamo-lo até se convencer que não tinha outro remédio se não calar-se, não aguentamos mais do que cinco minutos de choro pegado. Corremos a embalar o menino ou a levantá-lo da cama, passeamo-lo pelo quarto, assobiando, batendo-lhe ritmicamente no rabo. O danadinho do puto cala-se. Vai fechando os olhos aos poucos e nós, contentes por irmos dormir, deitávamo-lo devagar, em câmara lenta. Assim que se sente na cama, aí está o Bruno a berrar. E assim passamos um bom bocado da noite, até o conseguirmos enganar de vez. Mas, mesmo a dormir, o raio do miúdo ainda entreabre os olhos e sorri. Como que a dizer-nos que vai dormir porque quer e não porque o tenhamos enganado.

E claro que, com o Bruno, acabaram, durante uns tempos, as idas ao cinema, pelo que, de vez em quando, deitava um olhinho à televisão. E não gostava de muitos programas que via. O Telejornal era o programa que mais gostava de ver pois interessava-me por tudo sobre o pais. Em Dezembro desse ano foi o trágico acidente do Sá Carneiro.

No final de 1980, com o Bruno já com oito meses, continuávamos a depender do meu vencimento da C.P. e a Marinha da Darfil. Os nossos gastos mensais eram gastos correntes, tabaco, Alimentação, para ajuda da renda da casa dos Sogros. Sobravam poucos escudos por mês. Das despesas correntes faziam parte as bicas, os fósforos, o Jornal a Bola (custava 10 escudos). Não pagava habitação, mas ajudava, porque nesse tempo vivia na casa dos meus sogros. Resumindo: éramos uns tesos!

No entanto, já então a Marinha mostrava toda a sua perspicácia para a economia doméstica. Desde o princípio da nossa relação que deleguei nela a pasta das Finanças. Tinha jeito para a matemática, mas sou capaz de errar a conta de somar mais fácil, de me enganar a preencher um cheque, de me baralhar completamente. Portanto, a Marinha é que toma conta das nossas contas, desde o princípio. Aí, muito provavelmente, o segredo do nosso sucesso...

Hoje o Bruno é pai da minha neta Beatriz.

ZÉ ANTUNES

1980

18/10/2012

SERÁ QUE O MAL, SÓ ESTÁ NOS POLITICOS?


Portugal está desanimado e todos os lamentos indicam a causa: “os políticos, não prestam”! Quase se apalpa a desorientação e a falta de liderança. As declarações públicas, muito variáveis, incoerentes, partilham um elemento comum: ninguém faz ideia do rumo do país. Fala-se, propõe-se, estudam-se leis, orçamentos, denuncia-se e critica-se, mas não se apresenta um objetivo claro, transparente e uma forma realista de lá chegar. No entanto, temos de o dizer, os políticos atuais não são piores que os anteriores.

Do lado de cá, estamos nós: o Povo! Éramos tão fortes, não éramos? Somos todos invencíveis e melhores e vivemos cheios de nós e cheios dos outros. Somos sempre os que passam ao lado. Somos, assim uma espécie de “Treinadores de bancada”, que fazíamos sempre melhores, se estivéssemos do lado de lá. Somos sempre aqueles de quem se diz, o que é suposto sobre os outros dizermos. E, no entanto, em poucos segundos, as torres ruíram e atrás delas, mais do que o mundo, foi esta embrulhada da vida, que nos entrou pela porta dentro com um vento que pulverizou tudo à sua passagem. Quando acordámos havia luz – e a luz que havia - deixava-nos ver, com nitidez, escombros, miséria, bocados de sonhos desfeitos e um mundo estranhamente assustador e silencioso.

O problema mais grave do país está no confronto entre contribuintes e grupos de interesse. Infelizmente essas duas forças diluem-se na sociedade, não são bem definidas e, em certa medida, coincidem. Mas através do Orçamento de Estado metade do produto nacional é retirado a uns para ser dado a outros. Esta redistribuição, em geral necessária, passou a incluir grandes desvios para atividades fúteis ou até nocivas. Burocracias, subsídios, aquisição de submarinos, carros de combate e viaturas “top-gama”, bloqueios, estudos técnicos, funcionários inúteis, inspetores e gestores fanáticos, professores sem aulas, planos tecnológicos, etc.

Num universo onde tudo muda, e onde mudar parece ser o “verbo-de-encher” para o sucesso, será que o mal, só está nos políticos? Estamos um bocado mais velhos, no que pode ter de bom e de mau. Sabemos mais. Achamos agora que, afinal, sabemos cada vez menos em face do que fica por saber. Portanto, nem tudo muda. Nem todas as revoluções abafam as coisas simples. Nem torres, nem guerras, nem tecnologias, matam a origem das coisas: o coração, o talento, a sensibilidade, a inteligência, a alma, o sonho, a criação. Para que a vida tenha mais sentido, quando todos os sentidos se invertem e não há lógica nas notícias das Televisões e jornais, nas notícias da vida, há que termos forças, coragem, e acima de tudo esperanças, para pudermos face a este “turbilhão” de mutações progressivas, produzido por este nosso mundo, crescentemente complexo.

BANGA NINITO

2012