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05/11/2012

ESCREVER….!


Seguramente, já ocorreu a muitas pessoas ao longo do tempo o seguinte pensamento: e se houver vida depois da morte, mas se Deus não existir? E se existir Deus, mas não existir vida depois da morte? É que, faz cá uma confusão, essa coisa de morrermos e “ressuscitarmos” lá no Além…Em que sítio? Aonde? E como é que nos vamos reconhecer, se tanto o nosso cérebro como os nossos olhos, ficam aqui na Terra depositados, juntamente com o nosso corpo em decomposição? E…essa história disparatada de Adão (no paraíso), ter sido condenado à morte por pecar, ele que foi criado livre na companhia da Eva. Mas, pecar com quem? E que espécie de transgressões cometeu, para vir a sofrer essa sentença hedionda? Só que me parece, que a sua morte deveria ter sido adiada, uma vez que ele conseguiu criar uma grande prole (descendência, filhos) antes de morrer realmente.

Proibir Adão de comer de uma árvore sob pena de morrer, e de outra sob pena de viver eternamente, é completamente absurdo e contraditório. É que somos forçados a imaginar, que existem escrituras alternativas, castigos alternativos e até eternidades alternativas. Em minha opinião, isso leva-me a pensar, que as pessoas podem não obedecer à Lei dos homens, se tiverem mais medo da vingança divina do que da morte horrível nesta vida. Bom!, de qualquer modo, as pessoas são sempre livres de criarem uma religião que lhes convêm, gratifique ou lisonjeie. E é desta forma, que se vão criando mitos, santos de pedra, de madeira, enfim, todo este arsenal de mentiras e falsidades, escondidos por trás de milagres inventados. Samuel Butler viria a adaptar esta ideia no seu “Erewhon Revisited”. No “Erewhon” original, o Senhor Higgs faz uma visita a um país remoto de onde acaba por fugir num balão. Ao regressar, duas décadas mais tarde, percebe que durante a sua ausência se transformou num deus chamado “Filho do Sol” e que é adorado no dia em que ascendeu ao céu. Dois sumos-sacerdotes estão preparados para celebrar a ascensão e quando Higgs ameaça denunciá-los e revelar-se como um mero mortal, é-lhe dito: “Não pode fazer isso, porque a moral deste país está ligada a este mito e se souberem que não ascendeu ao céu, tornar-se-ão todos uns incrédulos, uns grandes pecadores e maus”.

É disso que tenho medo…Que depois da morte, não exista mais nada!
BANGA NINITO
2012                                                            

HISTÓRIAS DE LUANDA

       Hotel Trópico
Depois das minhas férias no Bailundo ( Vila Teixeira da Silva – Monte Belo ) no mês de Maio de 1975, em Luanda já tudo acontecia devido a chegada dos movimentos de Libertação ( M.P.L.A, F,N.L.A E UNITA ) acontecimentos que eram noticiados nos jornais e nas conversas que tínhamos com os amigos e colegas de trabalho. Nessas férias em Nova Lisboa conheci o Carlos Madeira que trabalhava numa Mercearia numa das Ruas paralelas ao RUACANÁ.
Eu a viver no Bairro Popular, ia muitas vezes ao Bairro do Café ( Sagrada Família)  visitar a Avó do Zé-Tó que mais tarde casou com a Celina, minha amiga de infância, ia visitá-la,  pois foi ai que fui viver quando sai de casa de meus pais. Perto do Bouling encontro o Carlos Madeira, logo ali fizemos uma festa e fomos ao Tutty Frutty, ali na Rua Sá da Bandeira, jantamos e fomos dar uma volta noturna pela cidade.
O Carlos Madeira veio de Nova Lisboa e foi ter com uma tia ( a tia Lourdes ) que vivia ali nas Ingombotas, foi lá para pedir guarida por uns tempos, a tia não o  podia  acolher, devido a ter a casa já com muitos familiares que viviam na periferia e com os acontecimentos, recolher obrigatório,  que Luanda vivia tiveram que fugir mais para o centro da  cidade.
Tia não tem  problema, disse ele, guarde-me    as malas com a minha roupa, que vou resolver a minha estadia, pois tenho aqui alguns amigos.
Passados uns dias, numa bela tarde,  e estando eu na esplanada da Portugália vejo o Carlos Madeira e um amigo o José Nogueira, ambos a vender e a comprar Ouro, Cautelas premiadas da Lotaria Nacional e também umas roupas ( calças Loís ) que tinham sido roubadas  numa grande Loja / Armazém bem conhecida ali na Rua Luis de Camões.
Entabulamos conversa e perguntei:
Então Carlos o que tens feito?, estou a ver ai o teu negócio!!! Onde estás a viver? Como é meu avilo a tua vida??
Resposta dele que eu não estava à espera..
Olha o Zé Antunes, como é meu avilo, fix, Eh pá, eu e aqui o meu avilo que  te apresento o José Nogueira estamos no Hotel Trópico.
Como é que é? Sem trabalho, só a vender esses mambos, como pagas a estadia.
Não pagamos,  só vamos lá dormir e comer uns morfes e beber umas bebidas. No dia que pedirem para pagarmos, bazamos, pois não temos lá nada, só a roupa do corpo, é só sair e está feito.
Eu aqui no Hotel fiz a ficha e disse que meu pai era um grande Fazendeiro de Café em Carmona e aqui o José Nogueira era meu amigo.
Fiquei um pouco boamado ( incrédulo) e disse: Olha lá, vê lá onde te metes, isto está mau, andam ai a prender pessoas a torto e a direito, fico preocupado.....mais a mais  também não vos posso ajudar em questões monetárias!!!
Do Carlos Madeira podia-se esperar tudo do José Nogueira não o conhecia, foi-me apresentado nessa altura.
Pois é, a realidade é que eles  estavam hospedados no  melhor Hotel de Luanda o “ Hotel Trópico”,  já faltava a  Cerveja e comida, eles estavam na maior, fui convidado a lá ir pois todas as noites faziam umas farras com outros amigos e amigas, e dois dias depois fui e verifiquei que sim que não lhes faltava nada, eram tratados como VIPS.
Nesse final de mês de Maio de 1975, o Gerente foi falar com eles para o pagamento das dormidas e do consumo no bar, que já apresentava valores altíssimos.
Com o seu muito à vontade, o Carlos disse:
Ok vou ali ao Banco levantar cheques que já pedi e logo à noite acertamos as contas deste mês.
Saíram nas calmas e claro está nessa noite houve mais um quarto livre pois os dois foram a casa da Tia Lourdes, pegaram nas malas e foram para Nova Lisboa, numa carrinha que tinham pedido emprestada a  um amigo que morava em São Paulo.
O Carlos Madeira foi para a Africa do Sul ( cidade do Cabo )  em 2005 estava na cidade de Setúbal e presentemente está no Canadá
O José Nogueira  voltou a Luanda e no dia 21 de Junho de 1975 embarcou comigo para Lisboa onde nos encontramos, e vamos recordando estas e outras histórias.
                              
ZÉ ANTUNES
1975




O SUCESSO OU NÃO DA LIBERDADE E DEMOCRACIA


A nossa grande mensagem, o grande legado do 25 de Abril resume-se a duas palavras: “Democracia” e “Liberdade”. Portanto, quem pode hoje afirmar que os ideais da liberdade não foram cumpridos? Quem diz que a democracia portuguesa não funciona? Quem pode argumentar, honestamente, que não há democracia ou liberdade? Como é natural, há sempre gente que não concorda e que não está satisfeita. Claro que há muita gente revoltada e desiludida. Claro que tem havido injustiças. Mas isso não é surpreendente. Por mais que se faça, é impossível agradar a todos. Deus que é Deus, não tem uma taxa de aprovação de 100%. No entanto, e salvo melhor opinião, é inquestionável que temos uma democracia solidificada e que a liberdade não só continua a passar por aqui, mas está crescentemente embrenhada nos nossos sentimentos. Embora o mundo atual, ande todo agitado, alvoraçado em conflitos, nomeadamente no que concerne em oposições de interesse, disputas, concorrência, “abusos de poder” e de liberdade, acompanhado de desentendimentos, de conflitos armados, de jurisdição e guerras em regimes governados por ditadores…Nós, felizmente, temos liberdade de falar, de protestar e, simultaneamente, de saudar com aplausos, com aclamações, ou de gritarmos bem alto o nosso grito de revolta; de elegermos quem julgamos ser o próximo líder governativo e isso, meus Senhores, é um tesouro sem explicações. As novas gerações, com o devido respeito, não sabem o que é viver em ditadura, sem liberdade! Para elas, a liberdade é tão ou mais natural do que viajar, navegar na Internet, ou até estudar no estrangeiro. Manifestar em grupo as nossas revoltas, os nossos descontentamentos, compor, escrever contra o regime, criar, inventar, ou conceber um projeto pedindo justiça em liberdade, sem ela, acompanhada desta preciosa democracia, era, ainda há bem pouco tempo, ir parar à cadeia, com direito à tortura e à humilhação, em vez de se usufruir do direito à defesa. Era, regressarmos ao tempo da “Aldeia da Roupa Branca”, tão distante como ouvir um ditador proclamar que “estamos orgulhosamente sós”, que seria tão remoto como os “mares-nunca-dantes-navegados”.

É claro que a nossa democracia não está isenta de problemas. Bem longe disso. Está a ser minada por grupos de interesse, pela falta de qualidade dos nossos políticos, pela corrupção, pelo desemprego, ou até mesmo pelo crescente desinteresse do eleitorado. Assim sendo, quem melhor do que nós para as contrariar? Quem mais qualificado para as combater? As democracias não são utopias. As democracias constroem-se dia-a-dia. A liberdade conquista-se dia-a-dia. Nenhuma democracia é perfeita. Todos erramos! Cabe-nos a nós, corrigi-la. Agora, denegrir, imputar a alguém facto ofensivo de sua honra ou de sua reputação, caluniar, vituperar, injuriando, sem culpa formada, ou mesmo após julgamento, em praça pública, é crime punido por Lei. Por tudo isto e ainda mais, não devemos ter a mínima dúvida de que o 25 de Abril foi um extraordinário e inequívoco sucesso. Quanto à Independência às nossas “ex-Províncias Ultramarinas” (Angola, Moçambique e outros), este foi, o mais desastroso e trágico acontecimento cometido após o 25 de Abril!



Cruz dos Santos

2012

PORTUGAL, QUE FUTURO?


PORTUGAL, UM PAÍS À DERIVA E GOVERNADO POR INCOMPETENTES.

Sócrates atirou em Abril de 2011, a toalha ao chão. Disse a todos os portugueses, usando as suas palavras de mentiroso esquisito e tentando atirar as culpas para a crise internacional (basicamente para os outros), que todas as medidas que o seu governo que (des)governa Portugal deste 2005 levaram Portugal à situação em que hoje se encontra, à bancarrota. Não, Portugal não está na bancarrota e infelizmente na miséria por culpa da crise internacional. Não, Portugal não está entre os países mais pobres da Europa por culpa do PSD. Portugal está no estado que está 99% por culpa do Partido Socialista e por culpa de José Sócrates.

Desde que tomou posse em 2005 o pais mergulhou rapidamente numa profunda crise económica e social, não confundir com crise internacional que é outra crise que pouco nos atingiu comparativamente a outros paises da europa. A moral da pessoas baixou drasticamente, o desemprego atingiu milhares de jovens. Este governo PS de Sócrates maltratou os professores e os agricultores, quis acabar com vários serviços de urgência sem oferecer alternativas. Tendo como expoente máximo além do mentiroso José Sócrates (que de Engenheiro nada tem) Manuel Pinho (o tal que fez corninhos na assembleia da república), Mário Lino (aquele que disse que o aeroporto "Jamais" seria construído em Alcochete, local onde vai mesmo ser construído), Maria de Lurdes Rodrigues (sendo ministra da educação conseguiu ter 90% dos professores contra ela) e Teixeira dos Santos (o tal que disse que a crise era um cenário improvável e que todos os bancos estavam seguros... nota-se... bpn...bpp!!!). Não esquecer as centenas de agricultores que estão perto de atingir o colapso, a insegurança que se agravou brutalmente em 6 anos e meio, os processos nos tribunais que se acumulam cada vez mais (processo casa pia durou quantos anos?), etc, etc.

Este governo e o sr. Sócrates são aqueles que em 2005 diziam que nunca iriam aumentar impostos. Quantas vezes é que já aumentaram? 3? 4? O iva, o irc... todos os impostos? Pois é, é fácil prometer e mentir descaradamente. Também dizia este senhor que ia criar 150 mil postos de trabalho, até existiam slogans com este anúncio.. Pois claro, Portugal inteiro já viu do que é capaz o PS em termos de criação de empregos ou seja um desemprego record! Nunca Portugal teve tantos desempregados na sua história como agora.


O único mérito que dou a Sócrates e à máquina socialista é o de ter excelentes trabalhadores na área do marketing. Através das suas palavras e imagem conseguem, infelizmente, enganar muitos portugueses. Veja-se aquando do anúncio das medidas que o FMI impôs a Portugal, Sócrates disse todas as medidas que não vai tomar menos o que era relevante, o que vai ser duro. Falou de tudo menos do acordo que foi concretizado com o fundo monetário internacional.

Disse aos portugueses que não vamos ficar sem o 13º e 14º mês para que ficassem mais contentes antes de saberem a desgraça. Basicamente foi izer aos portugueses que vamos ficar vivos... esqueceu-se foi de dizer que vamos ficar sem pernas nem braços!

Os números do desastre socialista

1. O PS governou o país 14 anos nos últimos 16 anos. E deixou o país assim:

2. 24% dos jovens dos 20 aos 30 anos no desemprego.

3. 70 mil licenciados sem emprego.

4. 300 mil a receberem RSI (rendimento social inserção); muitos há mais de dez anos.

5. Justiça parada, lenta e partidarizada. Veja-se o caso do juíz Rui Teixeira.

6. Imprensa controlada e domesticada com saneamentos de jornalistas incómodos. Veja-se os casos da TVI e do Público com o primeiro-ministro a fazer sucessivos ataques públicos aos jornalistas Manuela Moura Guedes e José Manuel Fernandes (casos completamente abafados mas não esquecidos).

7. Um primeiro-ministro que acumula suspeitas atrás de suspeitas e casos no mínimo estranhos (caso freeport, apartamento onde Sócrates vive comprado a um preço 60% inferior ao do mercado, licenciatura tirada a um Domingo, caso da cova da beira, compra de Figo ilicitamente, negociatas por baixo da mesa com a PT, etc, etc).

8. O PIB a cair mais de 2% em média desde 2005. A economia do país estagnada nos últimos dez anos. Portugal a divergir da média da UE estando entre os últimos cinco lugares.

9. O endividamento recorde das famílias e empresas.

10. Défice público a ultrapassar os 9% (!!!!!!!). Há economistas que dizem que já vai nos 10%.

11. Taxa de desemprego oficial de 11%. Na realidade, são mais de 600 mil desempregados.

12. Leis penais que impedem os juízes de prender os criminosos. As penas mais leves da União Europeia para homicídios.

13. Uma carga fiscal desadequada que está a empobrecer a classe média.

14. Uma escola pública obrigada a fabricar sucesso educativo estatístico sem preocupação pela qualidade das aprendizagens.

15 Humilhação e ataques continuados ao maior grupo profissional do país, os professores, obrigando-os a passar o tempo mergulhados em papéis.


UM PAÍS NESTAS CONDIÇÕES, NÃO AVANÇA.



Uma das mensagens que Sócrates e todo o governo têm procurado fazer passar, é que o País estava a recuperar, mas que a crise financeira internacional, de que ele não tem culpa, veio estragar tudo. Isso não é verdade pois o agravamento da situação é também anterior à crise.

No período de 2005-2008 com Sócrates, o crescimento económico em Portugal foi, em média, igual a menos de metade da média da União Europeia, pois em quatro anos Portugal cresceu apenas 4,8% enquanto a UE27 aumentou 9,8%. Como consequência o PIB por habitante SPA, ou seja, anulado da diferença de preços, cresceu em Portugal apenas 2.500 euros, enquanto subiu em média na UE27 mais de 3.300 euros. Portugal durante este período afastou-se em todos os anos, em termos económicos, ainda mais da União Europeia.

Mas mesmo crescendo pouco, uma parcela cada vez maior da riqueza criada foi transferida para o estrangeiro, ficando no País para investimento e para melhorar as condições de vida dos portugueses cada vez menos. Em 2004, foram transferidos para o estrangeiro, sob a forma fundamentalmente de juros e de dividendos, 25.943 milhões de euros, ou seja, 18% da riqueza criada nesse ano em Portugal (PIB). Depois de três anos de governo de Sócrates, ou seja, em 2007, e antes da crise se declarar com força, foram já transferidos 33.398 milhões de euros, isto é, 20,5% do PIB. Dividindo este último valor pela população empregada nesse ano obtém-se 6.460 euros por empregado, o que representa mais 27,5% do que em 2004.

Entre 2005 e 2008, o saldo negativo da Balança Corrente, ou seja, das nossas contas com o exterior, aumentou 33%. No conjunto dos quatro anos, o saldo negativo acumulado atingiu 64.081 milhões de euros. Em 2008, ele corresponderá a 11% do PIB, quando em 2005 era 9,5% do PIB. Esta variação negativa do saldo da Balança Corrente é também um indicador importante da crescente falta de competitividade da economia portuguesa. E apesar do défice das contas externas do País ser superior em cerca de 5 vezes ao défice orçamental, este governo apenas se preocupa e fala do défice orçamental ignorando o défice das contas externas do País cujas consequências no desenvolvimento futuro do País serão certamente muito graves.

Em 2005 a divida líquida do País ao estrangeiro atingia 93.510 milhões de euros e, em 2007, já era de 146.592 milhões de euros, ou seja, mais 56,8%. No mesmo período, o PIB cresceu apenas 12,9%. Como consequência a divida externa aumentou, entre 2004 e 2007, de 64,8% do PIB para 90% do PIB. Em todos os anos de governo de Sócrates a divida externa cresceu de uma forma rápida, e não apenas depois de se ter declarado a crise financeira internacional.


Entre 2004 e 2007, a divida das famílias aumentou 30,5%, pois passou de 112.198 milhões de euros para 146.393 milhões de euros, enquanto as remunerações dos trabalhadores, sem incluir contribuições para a Segurança Social, subiram apenas 10,9%, ou seja, praticamente um terço da subida verificada no endividamento das famílias. Em 2007, a divida média por família era já de 40.665 euros quando em 2004 era de 31.100 euros por família.

Em relação às empresas o endividamento foi também rápido e crescente nos anos de governo de Sócrates. Entre 2004 e 2007, passou de 139.804 milhões de euros para 185.728 milhões de euros, ou seja, aumentou 32,8%, com o consequente disparar dos encargos financeiros.

E agora como ficamos, cada vez mais endividados , mais pobres.


Recebi do Passarinho

Zé Antunes
2012

LISBOA EM 1970



Da minha estadia em Portugal no ano de 1970, passei quase todo o verão entre a praia de Carcavelos e a Praia do Navio em Santa Cruz-Póvoa de Penafirme, e nesse Verão fiquei alojado na casa da minha avó ti Quitas Pedro na Póvoa de Penafirme, ou seja na casa onde nasci, e ia sempre com as minhas primas e primos para a praia ou para os passeios, pois só nessa altura é que comecei a conhecer a família, ia quase sempre para a praia do Navio ou então mesmo para a praia Formosa em Santa Cruz.

Em Carcavelos, meu tio Joaquim nesse verão alugava as barracas e as cadeirinhas de praia que era um serviço sazonal que ele tinha, Eu tinha sempre uma barraca para depois do almoço ferrar uma soneca até as 16h00.

Entretanto começaram as aulas e fui estudar para Torres Vedras. Começo das aulas em Setembro na Escola Industrial e Comercial de Torres Vedras, levantava-me às 06h00 da manhã para apanhar um maximbombo dos Claras e ia da Póvoa de Penafirme a Torres Vedras ( 10 km ) para ter aulas às 07h30, muito frio, muita chuva, numa altura disse a meu pai que queria ir para Luanda pois não me adaptava ao clima e meus amigos estavam todos em Luanda.

Nesse entretanto vinha a Lisboa muitas vezes, principalmente aos fins de semana, e como sempre, vinha para casa da minha tia Lourdes, ali perto da Praça da Alegria.

De frequentar os Bombeiros da Praça da Alegria que todos os sábados faziam os bailes de Fim de Semana, conheci o Zé Carlos que morava na Travessa da Glória, ía até casa dele fumar e ler os famosos livros aos quadradinhos, e alguns livros que eram proibidos, aproveitávamos que os pais saiam para trabalhar e ficávamos sozinhos durante o dia.

Ou então, íamos para a porta de uma loja de discos que existia ali na Rua de São José, quando o Led Zeppelin se formaram para se tornarem poucos anos mais tarde "a maior banda do mundo", ouvir o "Whole lotta lovin" dos Led Zeppelin em altos berros.

O empregado da loja o Alberto Aguiar estava apanhadinho pelos Led Zeppelin. Nessa década começou a sair boa música e os Led Zeppelin, com o Jimmy Page a mandar pedradas na guitarra e o Robert Plant soltar aqueles gritos selvagens, nessa altura curtia os Roling Stones, os Pink Floid e os Beatles, os Beatles em "Sgt. Pepper's lonely hearts club band", Jimi Hendrix e seu ambicioso "Electric ladyland”, ai já vi muita juventude a fumar o seu charro para curtir a música, conheci muitos a começar pela marijuana e liamba, e mais tarde, no ano de 1975, ja estavam agarrados nas drogas pesadas. O Jardim do Borel naquele tempo era um chamariz para a juventude, ia-se para lá namorar, e fumar.

Frequentava muitos os “Pro-fi-rios” loja que estava na berra com umas farrapeiras ( roupas ) todas prá frentex, todas modernas e que a juventude já se começava a libertar de certos preconceitos que a sociedade lhes impunha, eu ia lá mais era para ver as meninas que lá trabalhavam.

Eu e o meu amigo Zé Carlos, mais tarde com a companhia do Luis que morava na Rua das Taipas e do Mário mais a namorada a Mena que moravam na Rua do Salitre, percorríamos a cidade de lés a lés, o Mário, mais velho tinha 18 anos, não tinha Carta de Condução mas tinha um Carocha 1200 preto, do Pai que rústia pela cidade e arredores sem problemas de ser intercetado pelas autoridades, já tinha sido mandado parar numa operação stop, mas não fazia a mínima e continuava a fazer Banga com o chiante ( automóvel ). Para mim era novidade ir ás tascas mais frequentadas pela juventude, Uma Pastelaria que frequentava muito era a Pastelaria Roma na Av. de Roma, outra e que me agradava mais era a Mexicana, na praça de Londres onde na altura paravam os motards todos, e ai se discutia tudo sobre as duas rodas, eu como gostava já de motos era muito bom estar ali com pessoas mais velhas a falar de motas.

Também e apesar de só ter 15 anos frequentava muito o Ritz ( o porteiro era nosso amigo ) perto da Praça da Alegria e o Bolero na calçada de São Lázaro onde se comia cozido à Portuguesa ás 07 h 00 da manhã, e se ouvia uns fados cantados por fadistas amadores. Perto do Parque Mayer existia o Café Lisboa mesmo na Avenida da Liberdade, íamos lá beber um cafezinho e aproveitar para ver as coristas e bailarinas, bem como os artistas de nomeada que trabalhavam nas Revistas dos Teatros do Parque Mayer. Nesse tempo também íamos aos cinemas e lembro-me do Arco Iris e do Politíama, com sessões continuas, com dois filmes um de Cow boys e outro de Capa Espada e ou de Espadachim, no Condes era só a sessão da noite, ou de ir-mos à Marisqueira Solmar enquanto esperava-mos pela hora de entrada no cinema Condes íamos comer o já e bem afamado Bife no Prato.

Mas nesse ano de 1970 também trouxe o fim dos Beatles, numa altura em que eu começava a conhecê-los melhor. Pouco depois, comprei o "Abbey Road" e só no ano de 1973, acabei por comprar todos os discos dos Beatles, já em Luanda, na famosa discoteca “ Bonzão “. A sua música exercia sobre mim um fascínio, que ainda hoje se mantém, e não me perguntem porquê. Nesse ano, fui ver o filme "Let it Be" ao cinema São Jorge e comecei a perceber a palavra nostalgia. Quis ir para Luanda o mais rapidamente possível e assim foi, embarquei a 30 de Novembro de 1970.



ZÉ ANTUNES

1970

“ O SOL NASCE PARA TODOS”

No ano de 1994 como sócio do Centro Cultural e Desportivo “ O Sol Nasce Para Todos” integro uma lista que ganha as eleições, para os Corpos Diretivos para o triénio de 1994/1997 desta coletividade de Bairro de Mira Sintra, onde a principal fonte de receitas é a exploração do Bar e de donativos diversos.

Para poder continuara com a equipa sénior que nesse ano foi campeã da 2ª Divisão Distrital de Futebol de 5 ( Mais tarde o futebol de cinco deu lugar ao futsal que se joga hoje) e que por imperativos da regulamentação aprovada pelos clubes, o Clube subindo de Divisão teria que ter uma equipa dos escalões jovens. O que aconteceu, inscrevemos uma equipa de Juvenis.

O Clube teve que pedir apoios e foi apoiado pelas verbas da Camara Municipal de Sintra que todas as coletividades tem direito depois de apresentar o relatório das suas atividades e também foi patrocinada por várias empresas que ajudaram muito nos pagamentos das inscrições e seguros dos jogadores, também os exames médicos que foram oferecidos pelo médico já falecido que era nosso amigo e vibrava com o futebol de 5.

A direção do Clube convidou o Moura que era jogador sénior do Clube da equipa principal para treinador e convidou o Zé Antunes que era da Direção para seu adjunto.

Nessa época futebolística de 1994/1995 inscrevemos vários jogadores que era a primeira vez que iriam competir como atletas federados, Jogadores que nessa época integraram “ O Sol Nasce Para Sempre” Kengue e Jordão guarda redes, Ruizinho, Bruno Gonça, Bruno Xavier defesas, Tiago, Joel e Djaló médios e Xipocas, Paulinho e Nelo avançados.

Os jogos eram realizados normalmente ao Domingo de manhã ás 11h00 no Pavilhão da Escola Secundária de Mira Sintra, também lá jogavam os Seniores.

Para deslocações a casa do adversário utilizava-mos os nossos próprioa veículos, chegava a fazer duas viagens para transporte dos jogadores, mais tarde o Clube com um crédito Bancário comprou uma Carrinha Toyota Hiace de 9 lugares, carrinha essa em segunda mão e que ainda trouxe várias despesas ao Clube.

Enquanto treinavam e jogavam os jovens portavam-se bem e estavam ocupados. Não andando em más companhias, Claro que nos jogos que realizavam era importante ganhar, a sua auto estima valorizava-se e quando ganhavam tinham como prémio um lanche ( a sandes e o sumo ). De vez em quando lá se fazia uma almoçarada ou uma petiscada e eram convidados para com a equipa seniores e elementos da Direção conviverem enquanto se dava a degustação do pitéu.

Nos anos que estive na Direção, nas duas épocas que integrei a equipa de Juvenis de futebol de 5 do Centro Cultural e Desportivo “ O Sol Nasce Para Todos “ muitos foram os jogos emocionantes.

Lembro-me da equipa ir ganhar ao São Brás na Amadora por 4-3 , ao Damaiense na Damaia por 1-0 e em Mira Sintra goleamos os Académicos de Alfragide por 8-0, tivemos várias derrotas como por exemplo na Damaia contra o Moinhos e Juventude que perdemos por 7-2 e falo nesta derrota porque o Moinho e Juventude era a equipa superior a todas as outras, tinha jogadores que para a idade eram mesmo craques e bons de bola.

Os jogos mais problemáticos que a equipa teve foi um em Mira Sintra no nosso terreno contra o Alto da Eira em Sapadores em que ganhamos por 5-2 mas durante todo o jogo o árbitro não teve coragem de expulsar o capitão da equipa do Alto da Eira que fazia faltas mesmo com a intenção de magoar os nossos jogadores, no final do jogo quando se dirigia para o balneário partiu uma porta a pontapé. No joga da segunda volta em Sapadores todos os jogadores nervosos, com provocações, perdemos por 4-3, também o árbitro se deixou intimidar pelas atitudes em campo dos jogadores do Alto da Eira prejudicando o nosso Clube em dois lances capitais dois penaltys que não existiram, errar é humano mas……

Jogo emocionante foi em Carcavelos no Clube Desportivo “Quinta dos Lombos” em que o resultado foi de 5-5, a equipa adversária era superior mas o Sol Nasce Pata Todos bateu-se bem.

Ao escrever este texto, é mais para falar da juventude dessa época que muitos deles já não tinha objetivos de vida e com a chamadas más companhias iam cair no mundo da droga que era o flagelo das nossas comunidades, sinto orgulho e passados estes anos todos e apesar de alguns já fumarem o seu cigarrito, todos enquanto representaram o Clube, foram sempre disciplinados e cumpridores dos objetivos delineados e até aos dias de hoje penso que nenhum deles se perdeu por caminhos sinuosos que só iam dar à toxicodependência.

Num jogo de seniores, O SOL NASCE PARA TODOS contra OS ECONÓMICOS não tendo comparecido a equipa de arbitragem, reuniram-se os delegados ao jogo e foi decidido que o Zé Antunes arbitraria o jogo, ganhou o “Sol Nasce Para Todos” por 7-3. A equipa adversária contestou a minha arbitragem, reconheço que terei errado em dois lances que foram mal julgados por mim mas até foram a favor do adversário, penso que não tira o mérito da minha exibição e do meu empenho, nem está em causa a vitória do “Sol Nasce Para Todos”.

Na altura dos Juvenis eu e a Direção tínhamos a preocupação com os estudos dos jovens e ia-mos falar com os pais para saber-mos da vida estudantil e ouvir as suas opiniões.

O clube “ O Sol Nasce Para Todos” por decisão unanime da Direção deliberou que o Futebol de 5, acabaria tanto nas categorias de Juvenis como nos Seniores, pois as despesas eram mais que muitas e o clube não comportava tamanha despesa as receitas eram poucas.


ZÉ ANTUNES

1994                                                          

25/10/2012

SÓ PARA RECORDAR UM BOCADINHO!!!


Conversas da nossa “banda”! (Conto Angolano)

-Olha lá ó “Madié”, si fosses à “Tuge” não era melhor, do qui estares-mi sempre a “chatiar”?

-ÉH! Este “gajo”…não pertence nesse bairro! Veio só aqui p’rá fazer ‘splingue nas nossas “baronas”! O “Sacana” é lá das bandas du “Kitexe”, Firio da Mãe, só táqui armado em bom!

-Como é Mano? Ti sobrou algum “Kitari” para “varrermos” um copo di “palheto” na loja do “Santo-Rosa”?

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Eram essas as conversas, qui ouvíamos naquele nosso saudoso bairro di São Paulo. “Paleio só à toa”!…Mas, sobretudo, aquelas conversas com os mais velhos. “Kotas” di Quifangondo, di Camabatela, di Nova Lisboa e du Bailundo. Tudo ficou lá! Até aquele gajo – preto fulo – qui tinha um tio qui foi sordado raso na Índia e lhe trouxe uma bicicreta da marca “Rally”, maje um par di óculos escuro, maje mala di papelão. Não ti lembras dele? Aquele gajo qui foi motorista di maximbombo du Dande, até)…??

-Sei, quem é?!!!! Este “Madié veio cheio du “Kumbús”. Dinheiro qui bastava para “Amigar” com duas Mulher. Quê qui julgas? Julgas qui ele é quê? Algum contratado ou quê? Tás a brincar? Pai dele é Sóba nu Ambriz e Tio dele, é “Kimbandeiro” no “Maculusso” e tem lavra di “mandioca” , lavra di milho, batata-doce! Tás a brincar? Hum! Tás “Boamado”, não é?

-É preciso fazer força no coração, senão um homem, sem vontade, vira mulher mesmo…! Havia outros eram ainda “tumbonga”…

-Mas qui si Lixe!!

-“Tambula óh conta”! O “Poeira” (Chefi di posto), maji os seus “cipaios” vão-te cair em cima, com os seus “cassetetes”, e vão-te dar "berrida" e vão-te “vuzar”! Depois di nada te vale rogos, súplicas, ameaças, e até mesmo algum dinheiro para comprar boas graças. Não, que cipaio tinha as suas vantagens bem à mostra!, pensava Mandombe cabisbaixo e entristecido.

-Filho da puta…desse Chefe di Posto! Sacana! Colonialista di merda! Vai lá p’rá tua terra nus Trás-Montes, meu cão di merda!

-CHÉ FALA BAIXO!!!! "Rixibia Gô" ! Aquele “Kandengue”, tás a ver ali? É BUFO!! Vão ti rapar a “Carapinha” e ti vão dar chóqui di bateria di carro nas “Matubas”! Vão te dar chapada na “Xipala”, como dizia aquele “nosso tenente” de Nova Lisboa…!!

-KUABO KACHE! Faje o que tu quiseres! Quem ti avisa...teu amigo é!

MUNGUÉ!!!!

Ninito