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28/11/2012

O POVO VIVEU ACIMA DAS SUAS POSSIBILIDADES ???

Não me fecundem... porque f***** ando eu!




Zé do Tijolo resolveu fazer uma vivenda . Com as poupanças de uma vida de trabalho e uns dinheiritos que recebeu da herança dos seus sogros satisfez o sonho compartilhado com a mulher.
Pagou 23 % de IVA sobre os materiais , pagou as certidões das Finanças e da Conservatória , pagou o Imposto de Transacções , pagou o imposto de selo , pagou a Escritura e respectivo registo, pagou a ligação da água e da electricidade , pagou à Câmara as licenças, etc. etc. etc.

Apesar de ter perdido tanto tempo para pagar todos estes impostos ao Estado e de ter de pagar ainda durante toda a vida uma renda chamada IMI ,ficou de sorriso rasgado ao olhar para a sua bela casinha. O seu esforço , os muitos sacríficios e privações tinham valido a pena : tinha um teto a que podia chamar seu...

Qual não é o seu espanto quando houve um comentador de economia na TV, sujeito engravatado e bem falante, dizer o seguinte :

- o país está nesta grave crise porque os portugueses gastaram demais , construíram demasiadas moradias, por isso os sacrifícios impostos pela Troika , blá, blá, blá...


Zé do Tijolo sentiu-se um Zé do Calhau ! Sempre tinha pensado que tinha feito a sua casinha com o seu próprio dinheiro e nem um tostão tinha pedido ao Estado ! Era tão idiota , tão imbecil que chegara mesmo a pensar , dada a enorme panóplia de impostos que tinha liquidado ao Estado, que esse mesmo Estado devia estar agradecido pela sua contribuição.

Este importante catedrático de economia veio-lhe abrir os olhos. Afinal o dinheiro que tinha penosamente poupado ao longo da vida não era seu...nem o dinheiro da herançazita ...porque se fosse realmente seu como poderia ser responsável pela crise do país ? Zé do Tijolo sentiu uma enorme vergonha e remorso por ter feito o imóbil e ter dado trabalho e dinheiro a ganhar a tantas artes, provocando , segundo a tal sumidade catedrática , a bancarrota do seu país adorado.
O sorriso rasgado do Zé do Tijolo transformou-se num esgar : era ladrão... tinha roubado a pátria lusa e vivido acima das suas possibilidades...!?!?

O Manel Fangio vestiu-se com primor . Pegou no filho de 18 meses ao colo e acompanhado da mulher dirigiu-se ao Stand no centro da cidade. Ia ansioso e não via a hora de sentar o seu fiofó naquele sonhado Renault Clio prateado . Deu um longo suspiro de satisfação. Não mais teria que conduzir a velha e ruidosa motorizada , com a proa empinada pelo peso dos nadegueiros roliços da companheira grávida , obrigando-o a um equilibrismo de artista circense. O pior era o inverno , chuva e gelo , quando tinha de levar e trazer o rebento do infantário . Cortava-lhe o coração sujeitar o filho a tais condições e tremia de medo só de imaginar um acidente, que andava sempre à espreita . Águas passadas : agora tinha um popó que poderia chamar seu. Bem , não era mesmo seu porque pedira emprestado ao banco uma parte do dinheiro e só após 48 prestações mensais poderia ficar registado como sua propriedade.

Manel Fangio , assinou ansioso os documentos : o ISV , o IVA , o IUC , o seguro e o registo provisório...

Agora era rodar a chave , parar na estação se serviço e abastecer de combustível . Ufa ! Achou caro : o funcionário argumentou que sobre o preço do litro incidia um imposto para o Estado de 58 %, repartido pelo ISP e IVA.

Bem...não havia nada a fazer : era pagar e "não bufar" porque se bufasse estava sujeito a acelerar a evaporação do precioso líquido. Apanhou a SCUT e escutou nos pórticos um piar . Não , não era o chilrear de uma ave a repousar do vôo. Era a electrónica a zelar pelo erário público...

Enfim, chegou a casa. Ligou a "caixa que mudou o mundo" e escuta o perorar papagueado de um anafado comentador político , que dizia :

- o país está na bancarrota porque o povo viveu acima das suas possibilidades reais , compraram-se muitas viaturas , agora é preciso pagar a factura e aceitar a austeridade , blá , blá , blá...

Manel Fangio escorregou do sofá . Tinha, de facto , pedido dinheiro ao banco para pagar o automóvel , tinha pago do seu bolso todos os impostos inerentes ao Estado , nunca lhe passou pela "cachimónia" ,nem se lembrava, de ter pedido dinheiro ao dito Estado para comprar o veículo !!! Como poderia ser responsável pela crise do país ?

Bem...este lustroso político , licenciado em economia ainda muito jovem , com apenas 37 anos , possuidor de uma retórica invejável não podia estar enganado...era um doutor...

O sorriso de satisfação do Manel Fangio murchou: era um corrécio...tinha esbulhado a ditosa pátria muito amada , levando com o seu escandaloso dislate rodoviário o país à ruptura financeira...

Os pecados implicam penitências. Manel Fangio e sua família , incluindo o rebento e o que estava para rebentar , teriam que pagar durante décadas e com "língua de palmo" pelo crime da exuberância de ter passado da motorizada para o Clio.

como sou burro...
como sou jumento...
como sou asno...
como sou solípede...
como sou cavalgadura..
como sou asinino...
como sou jegue...
como sou azémola...
como sou alimária...
como sou tudo isso e muito mais...
e com a jeriquisse crónica de que sou feliz portador ou contemplado, pergunto :

O Zé do Tijolo e o Manel Fangio pediram algum dinheiro ao Estado ?
Viveram acima das suas possibilidades ou viveram com as suas possibilidades ?

Como podem ser criticados ou responsabilizados pelos médias ( apetecia-me dizer merdas...) pela crise que o país atravessa ?

O dinheiro não era deles ? e não podiam fazer com o seu dinheiro o que muito bem desejassem ?

Não pagaram, para além disso , uma imensidade de impostos ?

Em resumo: quando vejo os economistas residentes e afins ,a justificar a austeridade com o argumento de que o povo foi despesista ( para branquear a corrupção endémica dos políticos )
apetece-me mandá-los apanhar no subilatório...e só não mando porque não quero matar alguns com mimos...
Pensem nisto e deixem de me fecundar...porque f***** ando eu
...

Por favor..., Não me fecundem; porque f***** ando eu!

 Jerico assanhado

Recebido do Delmar Videira

2012

20/11/2012

O PORTUGAL DAS RETICÊNCIAS!

Vivemos no tempo dos adjetivos. Nunca houve tanta certeza e vastidão na catalogação humana do universo. Avaliamos atitudes, classificamos ideologias, julgamos a História, falamos, discutimos - todos ao mesmo tempo – porque sentimos essa necessidade de falar, e acabamos, quase todos, em simultâneo, a condenar a sociedade. Em tudo, pessoas, ideias, coisas, colocamos qualificações. No meio de tantas sentenças há, no entanto, dois termos que desapareceram do nosso vocabulário: “bom” e “mau”. Atribuímos os mais variados rótulos, mas nunca estes dois, os qualificativos éticos fundamentais. Depois, há esta ideia firme, que ninguém a contraria: todos os outros têm defeitos! Nós, somos sempre os melhores!
No que concerne ao futebol, somos os melhores “treinadores de bancada”. De facto, num país “Futebolizado”, tudo se torna futebol, incluindo a TV pública. Tudo vai desaguar às balizas desses grandes encontros: da 1ª Liga ou de Jogos Internacionais. Aliás, dez “monstruosos” estádios, que custaram mais de 800 milhões de euros ao País, vão perpetuar, dolorosamente, na nossa memória. “-A despesa, apesar de astronómica, até nem é cara para dez colossos daqueles”, alegam alguns “fanáticos” do futebol! Mas é isso! Estamos em Portugal, não é? Consequentemente, cada um tem as suas “Taras” (e não são poucas). Uns são pelo futebol, outros pela política; uns vão às meninas, outros gostam de espreitar, de coscuvilhar, de comprar revistas, filmes, de pesquisarem em seus computadores - para adultos (vistos por menores) pornografia para todos os gostos. E se neste país ninguém é capaz de controlar a prostituição nas ruas, em apartamentos, casas particulares, motéis, pensões residenciais (livres de impostos), insisto que Portugal é diferente dos Estados Unidos, um país onde um miúdo tem mesmo de comprovar se tem 18 anos para comprar vinho e álcool, ou de ter uma maioridade para “entrar” em determinados locais, bares, discotecas, sites, bares, “sex-shops”!
BOM! Mas….graças à seleção nacional, as quinas esvoaçam com orgulho em pescoços, prédios e automóveis. O facto é tanto mais surpreendente quanto os portugueses não são muito dados a este tipo de brios e manifestações patrióticas. Desde os fervores revolucionários dos idos de 70 que não se via por cá nada assim. Atualmente, o País tem caído num clima de cobiças pequeninas e reivindicações míopes. Cada um defende o seu cantinho, perdendo de vista o bem comum e o interesse público. No entanto, nós competimos – em células terminais – com os Japoneses, em horizonte, de igual para igual, portanto não somos mais pequenos, somos iguais, damos “cartas” ao mundo! E sabem uma coisa: nós, temos os melhores engenheiros e cientistas jovens, de craveira internacional. Portanto, nós precisamos é de entusiasmo! De força! De Energia! Precisamos de gente activa, que queira fazer e não de comer à custa dos outros. Termino com esta quadra de António Aleixo: “Tu que vives na grandeza, / Se calçasses e vestisses / Daquilo que produzisses, / Andavas nu, com certeza”!
BANGA
2012                                         

NÓS E…. OS MEANDROS DA POLITICA!

“Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular…” (art.-1º); “A República Portuguesa é um estado de direito democrático, baseado na soberania popular…” (art.-2º); “A soberania reside no povo, que a exerce segundo as formas previstas na Constituição….” (art.-3º).
 Só que vontade popular e soberania popular, como tantos outros “chavões” em que a nossa Constituição é fértil, tendem a não ser mais que meras figuras de retórica. Na pureza dos princípios, “democracia” baseia-se na igualdade essencial dos homens e no seu igual valor. Tal como na antiga Grécia se preconizava, a gestão da coisa pública deveria ser diretamente exercida pelo povo, organizado em conselhos ou assembleias populares, mas logo aí, por inexequível, “o ideal morreu no berço”
 A cavalgada do tempo, a que os estados modernos se não podem eximir, impõe outro tipo de soluções, que nem sequer são novas. Por isso se distingue já (ou ainda só) entre democracia direta – aquela que os pensadores atenienses preconizaram para o seu povo – e democracia representativa – aquela em que o povo “governa” através de representantes seus, periodicamente eleitos. Em nome da segurança dos atos, a eleição produz efeitos que os eleitores, por si só, não podem reverter antes de findo o mandato, o que implica, no sistema e na mentalidade nacionais, que os detentores do poder governem ao sabor dos interesses de uns quantos, incluindo os seus, deixando, ou mesmo lançando na pobreza tantos mais concidadãos, alguns dos quais se escondem por vergonha.
Não tanto como a avidez dos corruptos, a desfaçatez dos desonestos e dos sem carácter, a inépcia e a mediocridade, quase epidémicas, dos quadros que integram os organismos do estado, o que mais preocupa é o silêncio dos bons, porque desencoraja, porque induz o fatalismo agonizante, aquele fatalismo que transparece da história de uma velhinha que, à passagem do seu rei, despótico e cruel, foi a única voz dissonante ao saudá-lo: “-Que Deus guarde vossa Majestade!” O rei, intrigado, interpelou a velhinha, no sentido de saber da razão de tal saudação. E a idosa respondeu: “-Eu conheci o avô de vossa Majestade, que foi um mau rei; conheci o seu pai, que foi um rei ainda pior; vossa Majestade, consegue ser muito pior do que qualquer dos seus dois antecessores…Para que não vamos de mal a pior...que Deus o guarde por muitos anos!”
BANGA
2012

O ESTADO E O “RACIONAMENTO “ NA SAÚDE!

O Ministério da Saúde e os SNS, é dos ministérios e sectores mais problemáticos do país, com um défice crónico, e que contribui grandemente para o estado a que chegaram as contas do Estado, porque engloba, enfim, um leque gigantesco de questões muito complexas, e que deveriam ser resolvidas por um processo científico, matemático, devido tratar-se de uma luta contra o desperdício e a ineficiência, que é realmente enorme. Sabermos, concretamente, quantos médicos temos; quantas horas trabalham, incluindo horas extraordinárias, e quanto custam aos cofres do Estado.

Adalberto Campos Fernandes, médico e professor na Escola Superior da Saúde Pública, sobre a polémica alusiva ao “racionamento de medicamentos”, defende que estes assuntos deveriam “acontecer no meio científico, técnico e académico e não na praça pública”. Alerta ainda para o facto, que é preciso “que os critérios de selecção de medicamentos sejam equitativos e baseados na ciência, na evidência clínica em parceria com os médicos e não contra os médicos e contra os doentes”. A “Troika” sobre a dívida dos Hospitais, diz: “…é necessário estabelecer um calendário vinculativo para limpar todas as contas a pagar aos fornecedores nacionais e, controlar os compromissos para evitar o ressurgimento de contas em atraso. Fornecer uma descrição detalhada das medidas destinadas a alcançar uma redução de 200 milhões de euros nos custos operacionais dos hospitais em 2012”. O distinto Jurisconsulto Dr. António Arnaut, o “pai” do serviço Nacional de Saúde, defende que o sistema é sustentável e deixa um aviso ao Governo: “Se tentarem destruir o SNS, vai haver um levantamento popular”. Acrescentou ainda, “que hoje, a pressão dos lóbis, dos grupos económicos que exploram a saúde como um negócio, é mil vezes superior à que existia em 78” (…) e que “a luta pelo SNS continua porque vários governos de direita tentaram sabotar a aplicação da lei”, e que “Tardaram a regulamentá-la”.

Quase dois salários mínimos, que cabe a cada português, todos os anos, para garantir o financiamento e normal funcionamento dos serviços de Saúde, que o Estado português suporta. Portugal é o quinto país da União Europeia, que mais despesa faz. Gastou, o ano passado, 9763,5 milhões de euros com a Saúde (5,66% do Produto Interno Bruto) o que equivale a dizer que, por cada cem euros de riqueza criados pelos trabalhadores e empresas em Portugal, 5,66 euros foram gastos com o Serviço Nacional de Saúde e restantes organismos públicos ligados à área da Saúde. Se estas despesas fossem repartidas por todos os residentes, cada cidadão teria de desembolsar 917 euros por ano, para sustentar este sector, o que significariam 23 dias de trabalho. “Podemos gastar menos? A resposta é sim, porque sabemos que há desorganização, desperdício, má utilização dos serviços”, quem afirma é o professor da Faculdade de Economia da Universidade Nova Lisboa, Pedro Pita Barros. Ontem, o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) emitiu um parecer em que defende que o Ministério da Saúde “pode e deve racionar” o acesso a tratamentos mais caros para pessoas com cancro, Sida e doenças reumáticas.

Sobre as medidas da “Troika”, o Dr. Arnaut, (um "Irmão-Maçon" que sempre defendeu os direitos humanos), disse que: “tais medidas não afectam o SNS no seu modelo actual. A Troika impõe uma redução das despesas, mas isso pode fazer-se sem que haja perda de qualidade”!
BANGA

13/11/2012

INDIGNADA


"Vão-se f.…"

by Ângela Crespo

Este é um texto longo, que recebi de um amigo, e à falta de melhor sítio para expressar o que lhe vai na alma, aqui fica:
Vão-se f….. Na adolescência usamos vernáculo porque é “fixe”. Depois deixamo-nos disso. Aos 32 sinto-me novamente no direito de usar vernáculo, quando realmente me apetece e neste momento apetece-me dizer: Vão-se f….!

Trabalho há 11 anos. ...Sempre por conta de outrem. Comecei numa micro empresa portuguesa e mudei-me para um gigante multinacional. Acreditei, desde sempre, que fruto do meu trabalho, esforço, dedicação e também, quando necessário, resistência à frustração alcançaria os meus objetivos. E, pasme-se, foi verdade. Aos 32 anos trabalho na minha área de formação, feliz com o que faço e com um ordenado superior à média do que será o das pessoas da minha idade. Por isso explico já, o que vou escrever tem pouco (mas tem alguma coisa) a ver comigo. Vivo bem, não sou rica. Os meus subsídios de férias e Natal servem exatamente para isso: para ir de férias e para comprar prendas de Natal. Janto fora, passo fins-de-semana com amigos, dou-me a pequenos luxos aqui e ali. Mas faço as minhas contas, controlo o meu orçamento, não faço tudo o que quero e sempre fui educada a poupar. Vivo, com a satisfação de poder aproveitar o lado bom da vida fruto do meu trabalho e de um ordenado que batalhei para ter. Sou uma pessoa de muitas convicções, às vezes até caio nalgumas antagónicas que nem eu sei resolver muito bem.
Convivo com simpatia por IDEIAS que vão da esquerda à direita. Posso “bater palmas” ao do CDS, como posso estar no dia seguinte a fazer uma vénia a comunistas num tema diferente, mas como sou pouco dado a extremismos sempre fui votando ao centro. Mas de IDEIAS senhores, estamos todos fartos. O que nós queríamos mesmo era ACÇÕES, e sobre as acções que tenho visto só tenho uma coisa a dizer: vão-se f….. Todos. De uma ponta à outra. Desde que este pequeno, mas maravilho país se descobriu de corda na garganta com dívidas para a vida nunca me insurgi. Ouvi, informei-me aqui e ali. Percebi. Nunca fui a uma manifestação. Levaram-me metade do subsídio de Natal e eu não me queixei. Perante amigos e família mais indignados fiz o papel de corno conformado: “tem que ser”, “todos temos que ajudar”, “vamos levar este país para a frente”.
Cheguei a considerar que certas greves eram uma verdadeira afronta a um país que precisava era de suor e esforço. Sim, eu era assim antes de 6ª feira. Agora, hoje, só tenho uma coisa para vos dizer: Vão-se f…... Matam-nos a esperança. Onde é que estão os cortes na despesa? Porque é que o 1º Ministro nunca perdeu 30 minutos da sua vida, antes de um jogo de futebol, para nos vir explicar como é que anda a cortar nas gorduras do estado? O que é que vai fazer sobre funcionários de certas empresas que recebem subsídios diários por aparecerem no trabalho (vulgo subsídios de assiduidade)?… É permitido rir nesta parte. Em quanto é que andou a cortar nos subsídios para fundações de carácter mais do que duvidoso, especialmente com a crise que atravessa o país? Quando é que param de mamar grandes empresas à conta de PPP’s que até ao mais distraído do cidadão não passam despercebidas?
Quando é que acaba com regalias insultuosas para uma cambada de deputados, eleitos pelo povo crédulo, que vão sentar os seus reais rabos (quando lá aparecem) para vomitar demagogias em que já ninguém acredita? Perdoem-me a chantagem emocional senhores ministros, assessores, secretários e demais personagem eleitos ou boys desta vida, mas os pneus dos vossos BMW’s davam para alimentar as crianças do nosso país (que ainda não é em África) que chegam hoje em dia à escola sem um pedaço de pão de bucho. Por isso, se o tempo é de crise, comecem a andar de opel corsa, porque eu que trabalho hé 11 anos e acho que crédito é coisa de ricos, ainda não passei dessa fasquia. E para terminar, um “par” de considerações sobre o vosso anúncio de 6ª feira. Estou na dúvida se o fizeram por real lata ou por um desconhecimento profundo do país que governam. Aumenta-me em mais de 60% a minha contribuição para a segurança social, não é? No meu caso isso equivale a subsídio e meio e não “a um subsídio”.
Esse dinheiro vai para onde que ninguém me explicou? Para a p… de uma reforma que eu nunca vou receber? Ou para pagar o salário dos administradores da CGD? Baixam a TSU das empresas. Clap, clap, clap… Uma vénia! Vocês, que sentam o já acima mencionado real rabo nesses gabinetes, sabem o que se passa no neste país? Mas acham que as empresas estão a crescer e desesperadas por dinheiro para criar postos de trabalho? A sério? Vão-se f…... As pequenas empresas vão poder respirar com essa medida. E não despedir mais um ou dois. As grandes, as dos milhões? Essas vão agarrar no relatório e contas pôr lá um proveito inesperado e distribuir mais dividendos aos acionistas. Ou no vosso mundo as empresas privadas são a Santa Casa da Misericórdia e vão já, já a correr criar postos de trabalho só porque o Estado considera a atual taxa de desemprego um flagelo? Que o é. A sério… Em que país vivem? Vão-se f…..
Mas querem o benefício da dúvida? Eu dou-vos: 1º Provem-me que os meus 7% vão para a minha reforma. Se quiserem até o guardo eu no meu PPR. 2º Criem quotas para novos postos de trabalho que as empresas vão criar com esta medida. E olhem, até vos dou esta ideia de graça: as empresas que não cumprirem tem que devolver os mais de 5% que vai poupar. Vai ser uma belo negócio para o Estado… Digo-vos eu que estou no mundo real de onde vocês parecem, infelizmente, tão longe. Termino dizendo que me sinto pela primeira vez profundamente triste. Por isso vos digo que até a mim, resistente, realista, lutadora, compreensiva… Até a mim me mataram a esperança. Talvez me vá embora. Talvez pondere com imensa pena e uma enorme dor no coração deixar para trás o país onde tanto gosto de viver, o trabalho que tanto gosto de fazer, a família que amo, os amigos que me acompanham, onde pensava brevemente ter filhos, mas olhem…
Contas feitas, aqui neste t2 onde vivemos, levaram-nos o dinheiro de um infantário. Talvez vá. E levo comigo os meus impostos e uma pena imensa por quem tem que cá ficar. Por isso, do alto dos meus 32 anos digo: “”Vão-se f…...""

2012

05/11/2012

ESTAREMOS NUM MUNDO DE FICÇÃO?

A sociedade mediática em que vivemos, leva-nos a admirar ou odiar personalidades a quem, de facto nunca falámos. Ocupam-nos mais que os nossos vizinhos e amigos. Hoje amamos e desprezamos à distância. O mundo da política foi desde cedo palco privilegiado para o clamor das multidões, biografias de heróis e narrativas de grandeza que ecoam pelos séculos. Por outro lado, a propaganda política tenta impor uma determinada visão do mundo e da sociedade sobre as pessoas; é a persuasão. O marketing procura primeiro saber o que as pessoas querem e depois oferece-lhes; é a reciprocidade. E na política isso significa que os eleitores tornam-se consumidores; e a mensagem, assim como os líderes são produtos que são moldados segundo o gosto, os desejos, e os interesses do mercado.
O mais ridículo é que estamos realmente convencidos que compreendemos perfeitamente essas figuras públicas, que sabemos mesmo o que pensam ou querem e partilhamos algumas dessas suas opiniões e raciocínios. Se pensarmos um pouco veremos que a única coisa que sabemos sobre eles, são os apontamentos dos jornais, só vislumbramos o que nos diz a televisão, só conjeturamos com opiniões de comentadores. Mas a verdade é que a sociedade mediática nunca deixa tempo para pensar sequer um pouco. Diria mesmo, que a própria lógica da comunicação gera mais ódios que admirações. Nós temos de ser claros a esse respeito: a resposta deve ser dada à imagem, e não ao homem, não é aquilo que está lá que conta, é aquilo que é projetado. As pessoas são impulsionadas pela lenda, e não pelo homem em si. É a aura (a fama, a aragem, celebridade) que envolve a figura carismática, mais do que a figura em si, que atrai os seus seguidores. Todos sabemos que os políticos só querem votos, os empresários são máquinas de fazer dinheiro, os artistas buscam fama e proveito. No fundo, vemo-los como caricaturas, personagens de pantomima. Temos consciência da nossa enorme complexidade e subtileza pessoais, da profundidade dos nossos motivos, anseios, desejos. Mas as figuras públicas, são autómatos boçais, sem qualquer imaginação ou iniciativa, predeterminados por um jogo bem conhecido. No entanto, ninguém parece dar-se conta da linearidade tola da nossa interpretação dessas e outras figuras.
Em vez de nos ocuparmos com assuntos ligados ao nosso bem-estar, ao ambiente, ao número de pessoas desempregadas, ao nosso futuro e ao futuro dos nossos filhos e netos, vivemos projetados num mundo longínquo e fictício, preocupados com coisas que de facto nunca nos chegarão a afetar. Sobre elas, o que sabemos não passa de enredos de cordel mentecaptos e fabulosos, criados por especialistas de marketing político. Estamos, cada vez mais, subjugados a essas personagens do faz-de-conta e entregues ao nosso destino. “Somos cada vez mais aquilo que queremos ver no mundo”. 
BANGA NINITO
 2012

ESCREVER….!


Seguramente, já ocorreu a muitas pessoas ao longo do tempo o seguinte pensamento: e se houver vida depois da morte, mas se Deus não existir? E se existir Deus, mas não existir vida depois da morte? É que, faz cá uma confusão, essa coisa de morrermos e “ressuscitarmos” lá no Além…Em que sítio? Aonde? E como é que nos vamos reconhecer, se tanto o nosso cérebro como os nossos olhos, ficam aqui na Terra depositados, juntamente com o nosso corpo em decomposição? E…essa história disparatada de Adão (no paraíso), ter sido condenado à morte por pecar, ele que foi criado livre na companhia da Eva. Mas, pecar com quem? E que espécie de transgressões cometeu, para vir a sofrer essa sentença hedionda? Só que me parece, que a sua morte deveria ter sido adiada, uma vez que ele conseguiu criar uma grande prole (descendência, filhos) antes de morrer realmente.

Proibir Adão de comer de uma árvore sob pena de morrer, e de outra sob pena de viver eternamente, é completamente absurdo e contraditório. É que somos forçados a imaginar, que existem escrituras alternativas, castigos alternativos e até eternidades alternativas. Em minha opinião, isso leva-me a pensar, que as pessoas podem não obedecer à Lei dos homens, se tiverem mais medo da vingança divina do que da morte horrível nesta vida. Bom!, de qualquer modo, as pessoas são sempre livres de criarem uma religião que lhes convêm, gratifique ou lisonjeie. E é desta forma, que se vão criando mitos, santos de pedra, de madeira, enfim, todo este arsenal de mentiras e falsidades, escondidos por trás de milagres inventados. Samuel Butler viria a adaptar esta ideia no seu “Erewhon Revisited”. No “Erewhon” original, o Senhor Higgs faz uma visita a um país remoto de onde acaba por fugir num balão. Ao regressar, duas décadas mais tarde, percebe que durante a sua ausência se transformou num deus chamado “Filho do Sol” e que é adorado no dia em que ascendeu ao céu. Dois sumos-sacerdotes estão preparados para celebrar a ascensão e quando Higgs ameaça denunciá-los e revelar-se como um mero mortal, é-lhe dito: “Não pode fazer isso, porque a moral deste país está ligada a este mito e se souberem que não ascendeu ao céu, tornar-se-ão todos uns incrédulos, uns grandes pecadores e maus”.

É disso que tenho medo…Que depois da morte, não exista mais nada!
BANGA NINITO
2012