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16/12/2012

ANOS 1970

Não é, que agora com estes anos todos passados, e já são 37 anos , após o meu regresso de Luanda, me deu na cabeça para procurar, matérias, fotos, contactos de amigos e temáticas relacionadas com Angola e principalmente com Luanda e mais em particular as zonas por onde andei... Bairros de Luanda e seus musseques, Bairro Popular nº2, aqui mais em permanência, pois foi para esta zona que depois de sair do Bairro de São Paulo, fui viver. Enfim recordar os anos 70.

Vou tentar recolher dados de amigos , que entretanto vou tentando localizar, afim de documentar este espaço, que com garra estou a criar e tentar incluir aqui acontecimentos, fotos para que se possam recordar bons e maus momentos, trocar ideias e tudo o mais que a seu tempo se verá.

Talvez os “anos 70” tenham começado, na verdade, em 68, 69 ou até mesmo em 71. Os limites de tempo/espaço, em relação a acontecimentos históricos, não são rígidos. Os anos 60 terminaram com o “Maio de 68”, em Paris.


Movimento Estudantil Maio de 1968 - Paris
Este poderá ter sido o marco histórico que, em si, foi uma rutura e que acabou por expandir o espírito dessa mesma rutura da qual foi símbolo. Será que esta década de 70 teve início, nesse caso, com uma greve estudantil, em universidades e escolas secundárias, que alastrou a outras camadas sociais, contra o governo gaulista? Fica a questão. A maioria dos manifestantes partilhavam ideias esquerdistas, comunistas e anarquistas, com o intuito de abanar os velhos costumes da sociedade e apelar aos princípios da educação, relacionada com o sexo e o prazer. Eis o início de algo.


Led Zeppelin
No início dos anos 70, no que é conhecido como
rock progressivo. Diversos artistas se reuniram na proposta, sendo os de grande destaque Pink Floyd, com The Dark Side of the Moon, John Lennon, Genesis, Yes, Jethro Tull, Emerson, Lake & Palmer, King Crimson, Mike Oldfield, Van Der Graaf Generator, Gentle Giant, no terreno britânico. Também caíram no gosto bandas germânicas (Can, Faust, Neu!, Tangerine Dream, Amon Düül e Kraftwerk) e italianas (Le Orme, Formula Tre e Premiata Forneria Marconi). Canadá (Rush), Bélgica (Univers Zéro) e Holanda (Focus) também dão sua contribuição.



Pink Floyd,
Simultaneamente, a “Primavera de Praga”, na antiga Checoslováquia, e as suas reformas políticas acompanharam o início dos “anos 70”


Ocupação da república Checa
A 20 de Julho de 1969 Neil Amstrong pisou pela primeira vez o solo lunar. O módulo lunar da missão Apolo 11 pousou serenamente no mar da tranquilidade, tendo a bordo dois astronautas americanos, Amstrong e Aldrin. Um terceiro astronauta Collins, aguardava seus companheiros em órbita ao redor da Lua. Um pequeno passo para o Homem um gigantesco salto para a Humanidade.
A chegada do Homem à Lua, em 69, seria o impacto que abriria a porta para a missão a Marte, o computador pessoal, o videojogo e a popularização da televisão a cores.


Neil Amstrong a colocar a bandeira em solo lunar
Antes de a década chegar oficialmente e, em Agosto de 1969, houve o “Woodstock Music & Art Fair”, o festival dos 3 dias de paz e música, durante o auge da guerra fria, com uma forte presença da cultura hippie. Os moradores locais opuseram-se mas, ainda assim, “Woodstock” aconteceu, na localidade rural de Bethel, Nova Iorque.


Jimi Hendrix no Woodstock 1969


Woodstock 1969
O festival foi um marco para esta contracultura. Entusiasmou toda uma geração com sonhos e esperança no futuro da sociedade humana, mas sem esquecer maldades como a Guerra do Vietname, terminada em 1975, sob o mandato de Richard Nixon


Guerra do Vietname HelicópeterosHelicópteros
A Guerra e o escândalo “Watergate” viriam a sujar toda a sua pintura.


Watergate (Bob Haldeman, John Mardian,
Kenneth Parkinson,John Ehrlichman,
John Mitchell), Dec. 30, 1974

Nas vésperas da revolução democrática de 1974, Portugal vivia uma conjuntura bastante desfavorável. Em primeiro lugar, colocava-se a questão de uma guerra colonial prolongada e inconclusiva. A tardia e pouco eficaz abertura do sistema político promovida pelo governo de Marcelo Caetano desde 1968 e o desgaste das estruturas institucionais do Estado Novo, com um núcleo político incapaz de resolver o impasse a que o país chegara, geravam um governo caracterizado pela lenta agonia da luta pela sobrevivência, extremamente debilitado perante a comunidade internacional. Em segundo lugar, a insatisfação geral e as dificuldades económicas e sociais da população caracterizavam a realidade isolacionista de um país que se revia ainda na famosa expressão "orgulhosamente sós", comandado por uma classe dirigente dependente de valores políticos e ideológicos ultrapassados.


Cartaz do 25 de Abril 1974

A rutura foi lenta, mas foi feita. Os “anos 70” continuaram-na. Aqui, os “anos 70” começaram quando se perdeu "a inocência e a crença nos ícones e bandeiras dos anos 60” - na opinião de Fernanda Mayer, colaboradora do “Folha Online”. Ainda assim, nem toda a rutura significou corte - houve também continuação.

O feminismo, os direitos das minorias ou a luta contra o racismo subiram de tom, ininterruptamente, vindos das décadas transatas, com fortes marcas a médio prazo.


Passeata Feminina
Continuaram manifestações, mais subtis e menos ingénuas, coloridas, à medida que a experimentação da estética hippie se generalizava, mas não só. A moda hippie, das calças à boca-de-sino, roupa unissexo ou mini-saia (lançada nos “anos 60”),


Moda Hippie


Calças à boca-de-sino
Alternou com uma onda disco, e com uma outra metálica e futurista, com David Bowie e ainda com a contracorrente “punk”.


David Bowie




Puro hedonismo!!! ;)

O hedonismo ( prazer supremo ) dos festivais ao ar livre, alternativos, com flores, droga e manifestações de amor à mistura, começava a concorrer com o prazer em locais fechados, espaços de festa e de cocaína durante toda a noite, de sexo descomprometido, como só as discotecas podiam oferecer. O lado negro da noite, com os assassinos em série, florescia para caçar vítimas e vidas.


Direito à liberdade
O direito à liberdade e às alegrias simples da vida, ao som dos “Beatles” ou “Bee Gees”. Os desejos de uma ordem social hipócrita, pequeno-burguesa e injusta, substituída por uma nova, igualitária e mais verdadeira. A geração d' ”os 70’s”, que criou ruturas e continuou lutas, deixou-nos o mito do “faça você mesmo”, “seja você mesmo”, e do "constrói o mundo à tua imagem", fora do “sistema” e da sua margem. Tu és tu, simplesmente.


   Beatles                                                     Bee Gees
Talvez os “anos 70” não tenham terminado em 1979, nem tenham perdido a força do mito - levando, sim, a força da utopia.
Principais acontecimentos dos anos 70
Desporto
21 de junho de 1970 - Brasil tri-campeão do Mundo em
Futebol, competição realizada no México.

Benfica após mais uma
Taça de Portugal em 1969/70 venceu na final sobre o Sporting por 3–1

Em 1972, são realizados os Jogos Olímpicos de
Munique (República Federal da Alemanha) - O Massacre de Munique também conhecido como Tragédia de Munique teve lugar durante os Jogos Olímpicos de Verão de 1972, em Munique, quando, a 5 de Setembro, 11 membros da equipe olímpica de Israel foram tomados de reféns pelo grupo terrorista palestino denominado Setembro Negro.

Em
1972/73 o Benfica torna-se no mais perfeito campeão da história do futebol português. 28 vitórias, dois empates, zero derrotas, 101 golos marcados, apenas 13 sofridos, o primeiro campeonato invicto da história do futebol português

Em 1976, são realizados os Jogos Olímpicos de Montreal (Canadá). Carlos Lopes fica em 2º Lugar ( medalha de prata )
Ciência e Tecnologia
15 de novembro de 1971 - A Intel lança o primeiro microprocessador do mundo, o Intel 4004.

Em janeiro de 1972 é lançado o Odyssey 100, primeiro
videogame do mundo.

1975 - A missão espacial Viking I explora o planeta
Marte. A televisão em cores começa a se tornar popular no final dos anos 70.
Guerras, Golpes Militares, Revoluções e Conflitos
11 de setembro de 1973 - golpe militar no Chile, liderado pelo general Augusto Pinochet, derruba o governo de Salvador Allende.

Com derrota dos Estados Unidos, termina a
Guerra do Vietnam.

25 de abril de 1974 - Revolução dos Cravos em Portugal acaba com o regime FASCISTA que estava implantado desde 1928.

Abril de 1975 - começa a Guerra Civil no Líbano.

Abril de 1979 - Revolução Iraniana.
Política
15 de março de 1974 - O general Ernesto Geisel assume a presidência do Brasil.

9 de agosto de 1974 - Após o caso Watergate, Richard Nixon renuncia à presidência dos EUA.

15 de março de 1979 - o general João Baptista Figueiredo assume a presidência do Brasil.
Economia
1973 - Crise mundial do petróleo -
OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) aumenta o preço do barril em mais de 300%.

1973 - Início do projeto do Eurotúnel e lançamento do primeiro Airbus. Início da década de 1970 - Brasil vive a fase do "Milagre Econômico".
Música
Março de 1970 - Depois de muito sucesso, acaba a banda dos
Beatles.

16 de agosto de 1977 - Morre o rei do rock,
Elvis Presley.

Bandas de sucesso da década de 1970:

Deep Purple, Black Sabath, Rolling Stones, Led Zeppelin, Kiss, Aerosmith, AC/DC, Sex Pistols, The Clash, The Ramones, Bee Gees, Queen, Iron Maiden, The Police, Pink Floyd,
Músicos que fizeram sucesso:
Gilberto Gil, Roberto Carlos, Caetano Velos, Elis Regina, João Gilberto, Gal Costa, Tom Jobim, Erasmo Carlos, Rita Lee, Chico Buarque, Clara Nunes, Jair Rodrigues, Jorge Ben Jor, Raul Seixas, Tim Maia, Vinicius de Moraes, David Bowie, Elton John, John Travolta, Donna Summer, Elvis Presley, Rod Stewart, John Lennon, Bob Marley,
Televisão
Programas que fizeram sucesso:

Nacionais ( Zip-Zip, Domingo Desportivo, TV Rural, Espelho dos Acácios, Bom dia Domingo, Magazine 7 e Retrato de Familia,

Internacionais ( Hulk, Cyborg, As Panteras, Havai 5.0, Chico City, Vila Sésamo, Sítio do Pica-Pau-Amarelo, A Grande Família)

Desenhos que fizeram sucesso:

Speed Racer, Pica-Pau, Pernalonga, Piu-Piu, Tom e Jerry, Gaguinho, Os Herculóides, Homem Pássaro, Popeye.

1970

Zé Antunes

13/12/2012

CESARIA ÉVORA


Ai que saudades aiué!...

Faz dia 17 de Dezembro um ano que nos deixaste

Ai Cesária, quantas lágrimas vertidas na melancolia do meu recanto, ouvindo os sons do mar azul, relembrando os corpos de mulher perfumados, das cacimbas, da moamba, da mãe preta carregando seu moleque nas costas indo na floresta carregar lenha.

Ai que saudades me trazes Cesária, quando tinha a lua por minha testemunha nos arrebates do coração por mais uns momentos sensuais naquele mar imenso de matagal.

Ai que saudades daqueles momentos estonteantes, do rodopio pela sala, dançando uma coladera ou, então, encostando o meu corpo, num gesto voluptuoso, contra o corpo quente de uma africana ao som de uma morna. Desde cedo, Cise, como era conhecida pelos amigos, começou a cantar e a fazer atuações aos domingos na praça principal da sua cidade, acompanhada pelo seu irmão Lela, no
saxofone.

Aos 16 anos, Cesária começou a cantar em bares e hotéis e, com a ajuda de alguns músicos locais, ganhou maior notoriedade em Cabo Verde, sendo proclamada a "Rainha da Morna" pelos seus fãs.

Encorajada por
Bana (cantor e empresário cabo-verdiano radicado em Portugal), tive o privilégio de conhecer Cesária Évora na discoteca de Bana na Rua do Sol ao Rato em Campo de Ourique em 1985 onde Cesária Évora voltou a cantar. Tempos depois em Cabo Verde um francês de descendência portuguesa chamado José da Silva persuadiu-a a ir para Paris e tornou-se no seu Empresário.

Morreu no dia 17 de Dezembro de 2011, com 70 anos, por "insuficiência cardiorrespiratória aguda e tensão cardíaca elevada". A morte ocorreu por volta das 11h20 no Hospital Baptista de Sousa, na ilha de São Vicente, em Cabo Verde. Muito de mim Cesária parte contigo. Ficam os sons dessa Terra que tudo me deu e tudo me tirou exceto... as recordações.

Cesária Évora foi maioritariamente relacionada com a
morna, por isso também foi por vezes apelidada "rainha da morna". Era conhecida como «a diva dos pés descalços». foi a cantora de maior reconhecimento internacional de toda história da música popular cabo-verdiana. Apesar de ser sucedida em diversos outros géneros musicais.

Canções

"Sodade" - "Bia" -“Cumpade Ciznone"- "Direito Di Nasce"- "Luz Dum Estrela"- "Angola"

“Miss Perfumado" - “Vida Tem Um So Vida"
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ces%C3%A1ria_%C3%89vora - cite_note-3

A VOZ DE JOÃO KAJIPIPA 8


Aiué minha mãe!!! Só dá mesmo p’ra “XINGUILAR"!!!

Escuta ainda meu irmão....Juro, qui não tens coráge dé fazer us "TRUMUNOS" nesta banga - fukula!

É demais!!! É o Varela Bodinho...não lhi conhéces?? Cuidado com ele. Vê ainda as suas "BARONAS" no seu fluxo sanguíneo agitado...É demais estás "BOAMADO"?

Meu Deus!! Nossa Senhora da Muxima mi defenda....?!!!

Mas porquê, tanto castigo…viver aqui neste frio, “ Kinama gelado “, consternado, agarrado à crise, crise, crise, crise, e mais crise,,, porra! Maji qui mal, é qui eu fiz?

Quero “roçar”! quero “farfalhar”… quero “ baralhar” e “ marmelar”… Eu não sou di cá… sou da “banda”, nasci no Sambila … Sou mucequeiro puro….

Ai! Afinal di conta, fico aqui? Toda a vida? Já não acabou a guerra?

Filhos da P…. !!!

João Kajipipa deseja um bom natal a todos


Banga Ninito

2012

REALIDADE, TRISTE:


ANGOLANOS SÃO TÃO POBRES, QUE SÓ TÊM DINHEIRO...

Em nenhum outro país os ricos demonstram mais ostentação que em Angola. Apesar disso, os Angolanos ricos são pobres. São pobres porque compram sofisticados automóveis importados, com todos os exagerados equipamentos da modernidade, mas ficam horas engarrafados ao lado dos autocarros e candongueiros do subúrbio. E, às vezes, são assaltados, sequestrados, abusados e violentados no trânsito. Presenteiam belos carros a seus filhos e não voltam a dormir tranquilos enquanto eles não chegam à casa. Pagam fortunas para construir modernas mansões, desenhadas por arquitetos de renome, e são obrigados a escondê-las atrás de muralhas, como se vivessem nos tempos dos castelos medievais, dependendo de guardas que se revezam em turnos. Os ricos angolanos, usufruem privadamente tudo o que a riqueza lhes oferece, mas vivem encalacrados na pobreza social. Na sexta-feira, saem de noite para jantar em restaurantes tão caros que os ricos da Europa não conseguiriam frequentar, mas perdem o apetite diante da pobreza que ali por perto arregala os olhos pedindo um pouco de pão; ou são obrigados a restaurantes fechados, cercados e protegidos por policiais privados. Quando terminam de comer escondidos, são obrigados a tomar o carro à porta, trazido por um manobrista, sem o prazer de caminhar pela rua, ir a um cinema ou teatro, depois continuar até um bar para conversar sobre o que viram. Mesmo assim, não é raro que o pobre rico seja assaltado antes de terminar o jantar, ou depois, na estrada a caminho de casa. Felizmente isso nem sempre acontece, mas certamente, a viagem é um susto durante todo o caminho. E, às vezes, o sobressalto continua, mesmo dentro de casa. Os ricos Angolanos são pobres de tanto medo. Por mais riquezas que acumulem no presente, são pobres na falta de segurança para usufruir o patrimônio no futuro. E vivem no susto permanente diante das incertezas em que os filhos crescerão. Os ricos angolanos continuam pobres de tanto gastar dinheiro apenas para corrigir os desacertos criados pela desigualdade que suas riquezas provocam: em insegurança e ineficiência. No lugar de usufruir tudo aquilo com que gastam, uma parte considerável do dinheiro nada adquire, serve apenas para evitar perdas. Por causa da pobreza ao redor, os angolanos ricos vivem um paradoxo: para ficarem mais ricos têm de perder dinheiro, gastando cada vez mais apenas para se proteger da realidade hostil e ineficiente. Quando viajam ao exterior, os ricos sabem que no hotel onde se hospedarão serão vistos como assassinos de crianças na lunda, destruidores da Floresta do maiombe em Cabinda, usurpadores da maior concentração de renda do planeta, portadores de malária, de paludismo e de filária.. São ricos empobrecidos pela vergonha que sentem ao serem vistos pelos olhos estrangeiros. Na verdade, a maior pobreza dos ricos angolanos, está na incapacidade de verem a riqueza que há nos pobres. A pobreza de visão dos ricos impediu também de verem a riqueza que há na cabeça de um povo educado. Ao longo de toda a nossa história, os nossos ricos abandonaram a educação do povo, desviaram os recursos para criar a riqueza que seria só deles, e ficaram pobres: contratam trabalhadores com baixa produtividade, investem em modernos equipamentos e não encontram quem os saiba manejar, vivem rodeados de compatriotas que não sabem ler o mundo ao redor, não sabem mudar o mundo, não sabem construir um novo país que beneficie a todos. Muito mais ricos seriam os ricos se vivessem em uma sociedade onde todos fossem educados. Para poderem usar os seus caros automóveis, os ricos construíram viadutos com dinheiro de colocar água e esgoto nas cidades, achando que, ao comprar água mineral, se protegiam das doenças dos pobres. Esqueceram-se de que precisam desses pobres e não podem contar com eles todos os dias e com toda saúde, porque eles (os pobres) vivem sem água e sem esgoto. Montam modernos hospitais, mas tem dificuldades em evitar infeções porque os pobres trazem de casa os germes que os contaminam. Com a pobreza de achar que poderiam ficar ricos sozinhos, construíram um país doente e vivem no meio da doença. Há um grave quadro de pobreza entre os ricos angolanos. E esta pobreza é tão grave que a maior parte deles não percebe. Por isso a pobreza de espírito tem sido o maior inspirador das decisões governamentais das pobres, ricas? elites? angolanas.

Se percebessem a riqueza potencial que há nos braços e nos cérebros dos pobres, os ricos angolanos, poderiam reorientar o modelo de desenvolvimento em direção aos interesses de nossas massas populares. Liberariam a terra para os trabalhadores rurais, realizariam um programa de construção de casas e implantação de redes de água e esgoto, contratariam centenas de milhares de professores e colocariam o povo para produzir para o próprio povo. Esta seria uma decisão que enriqueceria ANGOLA INTEIRA - os pobres que sairiam da pobreza e os ricos que sairiam da vergonha, da insegurança e da insensatez. Mas isso é esperar demais. Os ricos são tão pobres que não percebem a triste pobreza em que usufruem suas malditas riquezas".

por Edson Vieira Dias Neto

(adaptado de um texto de Cristovam Buarque que assenta que nem uma luva a esta Angola, ainda em plena "Acumulação Primitiva de Capital")

2012

A PRIMEIRA VEZ

Vou começar do princípio. Eu tinha 17 anos, era cabeludo e vestia à moda da altura, todo bangão. Aquele bangão que vivia em casa dos pais e andava sempre limpinho, camisa cintada e calças à boca de sino, estudante fim de curso, muitas vezes viajava com minha mochila nas costas, nos anos 70, muitas vezes à boleia outras com amigos, mas não ia muito longe, ia até as Palmeirinhas, Mussulo, Barra do Dande, Barra do Kuanza, outras vezes sim, ía mais longe, Nova Lisboa, Benguela, Lobito e por outras paragens. Havia vários jovens como eu, que ou sozinhos ou em grupos, fazíam essas viagens. Sexo era uma coisa linda, era o que importava além de PAZ e AMOR, um mundo livre da guerrilha de Angola e ter algum dinheiro para as despesas do dia ( tabaco, cerveja ). Diga-se de passagem nunca fumei Liamba. Aliás só fumava cigarros AC !

Numa dessas viagens loucas, com a turma da Escola Industrial de Luanda, passeio de fim de curso, fomos parar a uma Vila bem pequena, perto do Huambo, cujo o nome é Waco Kungo ( Antiga Cela ), mas vale ressalvar que tal Vila tinha como principal atração a exposição agro pecuária de gado, e de gado leiteiro. Enfim, rural, ruralíssima. Mesmo sem dinheiro no bolso, os anos 70 eram um verdadeiro paraíso pra viajantes amadores como nós, que não criávamos laços e que não faziam questão de se arriscar um pouco mais. Sempre se tinha o céu de estrelas como cobertor, Lá nessa Vila, conheci uma garina de 18 anos de Nova Lisboa, que também viajava com os amigos á boleia, e ai ficamos amigos..

Preciso falar dela, preciso dizer ao mundo o quanto ela foi importante na minha vida. Não, ela não foi o AMOR da minha vida. Não, mil vezes não, isso não é um conto romântico, não passa nem de longe de uma história cor-de-rosa, de contos de fadas ou de um romance apaixonado. Digo que ela foi importante, porque foi a mulher que me relacionei sexualmente pela primeira vez. Tivemos alguns minutos na conversa, mas não aguentei muito mais, sentei-me ao lado dela e beijei-a. Sentia-a nervosa, acho que ela se apercebeu do que ia acontecer. Fomos para a minha tenda e …….

Por favor, não tenho remorsos, nem tão pouco vaidades, não estou nem aí que ela me processe. Mas eu preciso de falar da minha primeira vez. Tinha que haver uma primeira vez, e esta foi a minha primeira vez, tinha 17 anos.

E A MINHA PRIMEIRA VEZ FOI COM A ALICE……..

1972

11/12/2012

A ESPERANÇA NA VIDA DA GENTE!



Às vezes não é sequer necessária a chegada ou ida ao médico, basta uma mudança dos nossos pensamentos, uma oração que saia lá do fundo da nossa alma e, de repente, sentimos que Deus está próximo de nós e que podemos confiar Nele. “A esperança, é a ultima a morrer”, como se diz em gíria popular.

Nós portugueses, desanimamos por tudo e por nada. E agora, com essa coisa da crise…ainda pior! Quando a derrota domina uma pessoa, a coisa mais fácil e lógica a fazer é…desistir! É exactamente isso que a maioria faz. Mais de cinco centenas dos homens de maior sucesso que este país alguma vez teve, alegaram que o seu maior sucesso surgiu apenas a um passo para além do ponto em que a derrota os teria assolado. O falhanço, é uma “ratoeira” com um apurado sentido de manha. O seu maior prazer é passar uma rasteira a alguém quando o êxito está quase a ser alcançado. Uma das causas mais comuns do falhanço, é o hábito de se desistir quando se é assaltado por uma derrota temporária. Todas, ou quase todas, as pessoas cometem este erro, num ou noutro momento.

Leiam esta pequena história verídica:

“Um cidadão americano, foi apanhado pela “febre do ouro”. Foi para o oeste do Colorado escavar, após ter reclamado os seus direitos sobre a terra, afim de se tornar rico. Depois de semanas de trabalho, foi recompensado com a descoberta de um minério brilhante. Precisava de maquinaria para trazer o minério à superfície. Contou o seu achado aos seus familiares e amigos. Esses (em conjunto), juntaram o dinheiro necessário para a aquisição de material, afim de darem início aos seus trabalhos (exploração da mina). O primeiro carro com minério foi carregado e enviado para uma fundição. Os resultados provaram que eles tinham uma das mais ricas minas de Colorado. Mais alguns carros, com aquele minério, chegariam para pagar as dívidas. Depois iriam começar os lucros. As brocas enterraram-se nas profundezas e as esperanças daquela gente, crescia. Então, uma coisa aconteceu. O veio de ouro desapareceu! Tinham chegado ao fim do “arco-íris” e o pote de ouro já lá não estava. Continuaram a escavar, a tentar desesperadamente apanhar outro filão, mas…sem qualquer proveito. Finalmente, decidiram desistir. Venderam a maquinaria a um Sucateiro e regressaram a casa desolados. O Sucateiro pediu a um engenheiro de minas para fazer umas pesquisas à mina e fazer alguns cálculos. Mais tarde, o engenheiro informou, que o projecto tinha falhado porque os proprietários não estavam familiarizados com o terreno. Os seus cálculos mostraram que o veio poderia ser encontrado apenas a um metro do sítio onde eles tinham parado (desistido) para escavar”. Conclusão: O Sucateiro retirou milhões de dólares da mina, porque não desistiu e porque sabia bem, que era necessário pedir o conselho de especialistas antes de ceder.

Estou convencido de um facto: não existe nada no mundo, de certo ou de errado, que a crença, aliada ao desejo ardente, à esperança e à força de vontade, não consigam tornar realidade. Estas qualidades estão ao alcance de todos.

BANGA

2012
                                   

ALMOÇO DA FISIPE

Foi um sucesso o 1º almoço dos antigos colaboradores da Fisipe empresa japonesa que se dedicava á fabricação de fibra têxtil sintética, nos anos 70, o almoço foi realizado no dia 24/11/12.

Trabalhei lá 3 meses pela Metalúrgica Tejo, quando vim de Angola - Luanda em 1976, com o Zé Banqueiro e o João da Lusolanda.

E fiquei um pouco surpreendido pelo convite, não estava à espera depois destes anos todos. Este almoço deve-se somente ao Carlos Ramalho que se lembrou de convidar as pessoas para este almoço, são passados 36 anos desde que trabalhei lá.
Antes de se iniciar o almoço, o antigo Encarregado da Fábrica Sr. Carlos Ramalho, agora aposentado, agradeceu a presença de todos que estiveram presentes.

Entre muitos abraços daqueles que habitualmente se vão encontrando e daqueles que nunca tinham beneficiado da oportunidade de rever os antigos companheiros volvidos estes anos todos, foram-se recordando passagens e acontecimentos que dominaram a nossa juventude e nos marcaram de qualquer forma para sempre.

Após a realização da missa na igreja de Penafirme, à memória daqueles que, por já não se encontrarem entre nós, e não terem o privilégio de poderem gozar estes momentos de saudável convívio, rumamos em direção ao restaurante "Mirante” em Santa Cruz", onde se fizeram as poses para as fotos de conjunto, tendo no horizonte uma bonita vista sobre o mar.

Deu-se então a degustação de tão apetitoso almoço:

Aperitivos - Rissóis de Marisco, Pastelinhos de Bacalhau, Chamuças Vegetarianas, Patés, Queijo Brie quente com Mel Pólen de Flores, Casca de Sapateira recheada com tostinhas.

Bebidas - Sumos diversos, Moscatel de Setúbal, Gin Gordons, Vinho Branco Seco, Sangria de Champanhe c/ Frutos Vermelhos, Caipirinha, Vodka, Whisky Novo, Coca-cola, Águas Minerais.

Iguarias Quentes - Sopa (Puré de Feijão c/ Nabiças) - Bacalhau à Posta c/ Broa Assada a murro, Grelos Salteados e Vinho Moscatel - Lombinhos de Porco c/ Migas de Espargos Verdes, Castanhas e Laranjas às rodelas - Pão Diverso.

Bebidas da refeição - Vinho Branco de Marca, Vinho Tinto de Marca, Cervejas, Sumos Laranja/Limão, Águas Minerais.

Sobremesa em Buffet - Pudim de Ovos, Leite-creme, Salada de Frutas, Bolo de Chocolate, Frutas Laminadas, Mousse de Manga, Castanhas de Ovos, Tartes, Profiteroles com Molho de Chocolate.
Café

Digestivos
- Licores, Whisky Novo, Aguardentes Velhas.

Bolo - Festivo - Aniversário - Champanhe.

Após o corte do bolo de aniversário e porque, para alguns, havia um longo caminho a percorrer até casa, fizeram-se as despedidas e a esperança de um novo encontro para o próximo ano.

2012