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18/12/2012

PÒVOA DE PENAFIRME



Um dia andavam uns pescadores à pesca no mar, até que se levantou um grande temporal acompanhado de nevoeiro e eles perderam o rumo de terra, ficando à deriva durante alguns dias. Debaixo de grande aflição fizeram algumas promessas. Uma delas, a de que se pusessem os pés em terra firme, essa terra ficaria a chamar-se “Terra de pé firme”. Assim aconteceu. O nevoeiro passou e eles começaram a avistar terra. Então conseguiram desembarcar e fizeram o que prometeram. Dizem que foi assim que nasceu o nome desta terra. Primeiro chamou-se “Terra de pé firme e depois de algumas alterações ficou com o nome de “Póvoa (fica à beira-mar) de Penafirme”.


           As Ruínas do Convento de Penafirme


“Convento velho” é o nome pelo qual se designam as ruínas do antigo convento que marcou profundamente a história de Penafirme. Segundo consta na tradição, o mosteiro foi construído neste local ermo de Penafirme devido aos constantes ataques que os monges sofriam dos muçulmanos da vila de Torres Vedras e que havia sido edificado em honra de Santa Rita (derivando talvez daí o nome da actual praia), sendo, Santo Ancieno, um eremita alemão da Ordem de Santo Agostinho, que fundou o convento, dedicando a Nossa Senhora da Graça, cerca do ano de 840.

Todavia, com o decorrer do tempo os efeitos provocados pela proximidade do mar e a movimentação das areias, obrigaram a construção de um novo convento, que veio a ser erguido um pouco mais afastado da praia. É este o actual convento novo, que se julga ter começado a sua construção no ano de 1547 e que terá sido concluído em 1639, sendo ainda melhorado ao longo da primeira metade do século XVIII. Por esta altura, o mosteiro era um reflexo da pobreza em que viviam os religiosos: era mais pequeno que um mosteiro de padres capuchos com celas muito pequenas e tectos muito baixos, o claustro tinha um só andar, a igreja era pequena, e somente esta e a sacristia tinham cobertura. É então que em 1735 se dá a fundação da 3ª edificação, sob o impulso do provincial frei António de Sousa, da Casa de Távora.

Depois de 1755, após o terramoto e o maremoto, e com o avanço das águas provocado pelo mesmo, o convento acaba por sucumbir e torna-se inabitável. Houve a necessidade de se realizar uma reconstrução, pois o abalo de 1755 devastou o novo convento, sendo, assim, concluído em 1790. Mas ainda antes da sua conclusão, a comunidade dos frades foi viver para o novo mosteiro que também foi dedicado a Nossa Senhora da Graça.

Trata-se de edifício simples, de pobreza distinta, encontrando-se apenas algumas influências da arte barroca e do estilo Rococó do século XVIII na fachada da igreja e na porta do convento. A igreja é orientada, ou seja, dirigida para nascente, símbolo da esperança dos cristãos pelo advento do Sol Nascente que é Jesus. Em 1834, a extinção das ordens religiosas obrigou os frades a deixarem o convento e saírem do país, sendo o convento de Penafirme vendido em hasta pública, passando a sua posse por varias mãos, acabando por ficar o edifício ao abandono e o seu património sujeito a sucessivos saques.

Sabe-se que foram seus proprietários, entre outros, o Vice-almirante inglês Jorge Rosa Sertorius e José Avelino Nunes de Carvalho, negociante de Torres Vedras.

Mais tarde o edifício foi adquirido pelo pároco de A-dos-Cunhados José Jorge Fialho e no final dos anos 50 do séc. XX foi restaurado e aumentado com mais um andar com vista ao seu aproveitamento para a instalação de um seminário menor, respeitando as linhas arquitectónicas do edifício. Foi encerrado em 1975, pelas perseguições à Igreja surgidas pela Revolução do 25 de Abril de 1974.

Contudo, uns meses mais tarde, a população da Póvoa de Penafirme solicitou que as instalações do mesmo fossem aproveitadas para funcionar uma escola que servisse as áreas pedagógicas das freguesias da Silveira e A-dos-Cunhados. Em Outubro de 1975 o antigo seminário passou a funcionar como escola preparatória e secundária, através de um contrato de associação elaborado com o Ministério da Educação, com a designação de "Externato de Penafirme", sendo hoje uma das escolas mais prestigiadas deste concelho.

As Ruínas do Convento de Penafirme foi classificado pelo IPPAR na categoria de Arquitectura Religiosa e tipologia Convento através de 2 decretos: o decreto 29/90, DR 163 de 17 de Julho de 1990 e o decreto 45/93, DR 280 de 30 de Novembro de 1993.


Convento novo de Penafirme

ZÉ ANTUNES

ZÉ FERROVIÁRIO





ATRÁS DE UMA BAGUNÇA  ESTÁ SEMPRE UM BAGUNCEIRO…

A minha Teresa mal para em casa. Salta de manif para manif. Foi à do que se lixe a troica, foi a da CGTP, foi à das Farmá­cias... Vai a todas... Está numa de protesto permanente.

Por um lado eu não aceito muito bem o nervosismo com que ela encara a situação atual. Receio que o coração dela não aguente, mas não sou eu que lhe vou dizer para deixar de protestar contra o que ela pensa que está mal e precisa de ser corrigido.

Na manifestação da Inter, no Terreiro do Povo, (antigo Ter­reiro do Paço) dei com ela, a minha. Teresa a discutir com um grupo de ferroviários. Discutir é uma maneira de dizer, porque de uma troca de opiniões verdadeiramente se trata.

O tema em discussão não podia ser mais complexo e difícil de clarificação. No centro da conversa estava, como não podia deixar de ser, a crise. Quem a provocou e quem a está a pagar com um palmo de língua de fora.

Uns afirmavam que a culpa era do governo ou do ministro qualquer coisa. Outros juravam que o mal estava no euro, por que, com o escudo, estaríamos muito melhor ou, pelo me­nos, menos mal.

Perante a complexidade dos problemas a minha Teresa, que não é estúpida e de parva tem muito pouco, ficava-se pela essência das coisas:

- O que eu sei, disse ela, virando-se para uma ferroviária que intervinha no diálogo é que alguns estão a fazer fortunas com esta crise, que esmaga os trabalhadores e os reformados, to­cando até muitas famílias da classe a média...

- Mas como é que eles ganham dinheiro se a economia está parada?

- Aí é que reside o problema, a economia está parada mas a máquina da especulação financeira é que não pára e, por mais estranho que pareça, até acelera. Este e o nosso grande mal. A economia está a ser subvertida pela finança. Com um simples computador um capitalista, um especulador, daque­les que nos (dizem que) emprestam o dinheiro das troicas, pode ganhar num minuto o que o dono de uma fábrica com dezenas ou centenas de trabalhadores não ganha num mês. Hoje não é a produzir que se ganha, mas a especular e a rou­bar.

- No caso da CP, que dizem estar a ser preparada para a venda aos privados, fala-se agora muito da bagunça que por aqui reinou nos últimos anos, bagunça que, por exemplo levou um governo do PS a proibir esta empresa pública de participar no concurso da travessia do Tejo, que acabou por ser entregue á FERTÁGUS adiantou outro circunstante.

Aqui a minha Teresa entendeu que era a altura de por alguma verdade em cima da mesa:

- Se o afastamento da CP, para se entregar o bolo todo à Fer­tágus foi para acabar com a bagunça, os que desenvolveram essa operação acabaram por fazer precisamente o contrário. Talvez por falta de pontaria, erraram o alvo e contribuíram escandalosamente para aumentar a bagunça que hoje dizem que pretendiam combater.

A CP foi afastada do concurso da concessão pelo Cravinho do PS depois dela ter feito a infraestrutura e a linha na Ponte 25 de Abril e de ter firmado o contrato dos comboios para fazer a travessia do Tejo, e que o governo do PS acabou por entregar à Fertágus, para que a esta fosse permitido assinar um contrato que lhe assegura o exclusivo dos lucros deixando para o Estado o exclusivo dos prejuízos …

Foi assim que o governo do PS decidiu acabar com a bagunça na CP. Um escândalo que se pode compreender melhor se, acrescentarmos isto:

Se no fim do ano a Fertágus ganhar, por hipótese, mil mi­lhões de euros, fica com a totalidade do lucro. No caso con­trário, se a Fertágus chegar ao fim do ano com um milhão de euros de prejuízo, é o Estado que suporta inteiramente as perdas.

Esta contabilidade encontra-se camuflada no contrato de concessão sob a fórmula de cálculo do movimento de pas­sageiros transportados. Se houver menos o Estado paga uma indemnização. Se houver mais, muito mais, a Fertágus arre­cada tudo...

Se esta é urna forma correta de defender os interesses do Es­tado é caso para se dizer que vou ali já venho, para não dizer outra coisa pior.

E por aqui nos ficamos...

Zé Ferroviário

“À TABELA” Nº 109 Novembro de 2012 Orgão da CT

ÉPOCA NATALICIA


Primeiramente, quero desejar ( para todos e para todos os vossos Entes Queridos), um Santo e Feliz Natal. Depois, anexar este pequeno texto, que é alusivo à época Natalícia.

Recebam um forte Abraço de eterna Amizade e os desejos ardentes de muita saúde e votos de Festas Felizes.
Um pequeno texto de natal!
Hoje, nesta Sociedade de consumo e da época geológica e notável das tecnologias avançadas, já pouco damos importância à virtude da humildade: pouco, ou mesmo nada, à seriedade, à honra e à Amizade. O mundo moderno, já não nos dá tempo para essas disposições, para esses actos virtuosos e muito menos para cultivar o Amor. Pelo contrário, compadece-se de quem tem um comportamento puro, sincero, humilde e considera essa pessoa fraca, uma vencida. Esta imagem surge na nossa mente desta forma, porque se perdeu o significado profundo, espiritual da humildade. Nós vivemos como se os recursos da terra fossem ilimitados. O nosso orgulho é excessivo. Estamos convencidos de que as nossas acções são sábias, racionais. Na verdade, procedemos com arrogância e teimosia. Somos todos intolerantes, estamos convencidos de que só nós, conhecemos a verdade. Condenamos e exaltamos quem ajuíza e condena. Fazer Amigos hoje, está a tornar-se um “artigo de luxo”. As pessoas hoje, querem ser idolatradas, admiradas, famosas. Estão a perder os sentimentos, a pôr de parte o Amor pelo seu semelhante, pelo seu Irmão. Estão a “virar as costas” à fraternidade, à simpatia e à ternura. Mas CRISTO, nos últimos dias da sua trajectória nesta Terra, disse que queria muito mais do que admiradores, queria Amigos. Não há relação mais nobre do que ser e ter Amigos. Os Amigos mesclam-se, confiam mutuamente, desfrutam do prazer juntos, segredam coisas íntimas, torcem uns pelos outros. Os Amigos não se anulam um ao outro, completam-se. Quem vive sem Amigos…vive só e triste.

E quem somos nós perante Deus? Nada, um cisco no ar, uma gota de água suspensa do tecto e que pode cair a todo o instante. Então, porquê tanta vaidade? Porquê tanta petulância? Tanto ódio e tanta Inveja? A humildade de que nos fala a nossa tradição é, portanto, uma importante virtude. Ela torna-nos conscientes dos nossos deveres para com a Terra e o futuro. Tenhamos Fé. A Fé é o oposto do procedimento intelectual. A Fé é Amor apaixonado por Deus. Mas este Amor é o próprio Deus que o suscita. O homem pode apenas predispor-se a encontrá-lo. Fá-lo orando, transformando-se em “NADA” na presença Dele.

E é com esta mesma Amizade e Humildade, que rogo a DEUS, para que todos tenham, um Santo e FELIZ NATAL!

C. S.

RUA MACHADO SALDANHA



Rua Machado Saldanha do nosso glorioso “Popular” (era lá no meu tempo de miúdo que viviam as miúdas mais bonitas de Luanda) é um dos novos “teatros de guerra” onde o Estado angolano tem estado a ser batido todos os dias por uma “conspiração” de comerciantes estrangeiros/nigerianos que contra todas as normas e portarias transformaram aquela emblemática artéria num infecto/insalubre/engarrafado espaço de venda de sucata automóvel importada.

A reportagem publicada pela última edição do NJ retrata bem a dimensão desta “fascinante” (ou humilhante?) derrota, que está a ser duramente sentida pelas populações autóctones.

Se nesta cidade há um local de referência onde a qualidade de vida desapareceu completamente por força de uma aliança entre o comércio selvagem e a falta de autoridade pública/cumplicidade/conivência/corrupção, a Rua Machado Saldanha é já um caso de sucesso e de estudo.

PS- Ou será que agora o Governo quando se trata de garantir a qualidade de vida dos cidadãos, só pensa nas novas centralidades/condomínios/talatonas?


Rua Machado Saldanha - Bairro Popular nº 2
http://morromaianga.com/as-batalhas-que-o-governo-esta-a-perder-ou-ja-perdeu-mesmo#.UL3lR3X82Wc.blogger

NATAL





MEUS CAROS E BONS AMIGOS / AMIGAS/FAMÍLIA

Hoje em dia, na época do Natal, é costume as crianças, de vários pontos do mundo, escreverem uma carta ao S. Nicolau, mais conhecido como Pai Natal, onde registam as suas prendas preferidas. Nesta época, também se decora a árvore de Natal e se enfeita a casa com outras decorações natalícias. Também são enviados postais desejando Boas Festas aos amigos e familiares.

Em Angola – Luanda também fazíamos o Presépio. A palavra Presépio deriva do latim praesepium, que quer dizer curral, estábulo ou lugar de recolha de gado.

Na tradição Portuguesa, as figuras que se colocam no presépio, além da Sagrada família (S. José, Maria e o Menino Jesus), dos pastores e alguns animais, e dos três Reis Magos, também encontramos figuras como o moleiro e o seu moinho, lavadeiras, e outros personagens típicos da cultura portuguesa.

Tradicionalmente feito de barro, podemos encontrar ainda peças de diversos materiais, desde tecido ou madeira até porcelana fina.

Não esquecer os doces, as rabanadas, as filhoses e demais iguarias tradicionais nesta quadra. Minha mãe tinha prazer em fazer estas iguarias para enfeitar a mesa de Natal.

A Consoada é celebrada sobretudo em
Portugal, no dia 24 de Dezembro de cada ano, o dia de véspera de Natal. Esta tradição leva as famílias a reunirem-se à volta da mesa de jantar, comendo uma refeição reforçada. Na véspera, depois da refeição tradicional que em nossa casa era o bacalhau cozido com batatas, couves e o polvo cozido.

Por ser uma festa de família, muitas pessoas percorrem longas distâncias para se juntarem aos seus familiares.

Na tradição católica os fiéis participavam, ao final da noite, na
Missa do Galo.

O Natal em Angola, Luanda, é um Natal diferente. Sem frio, sem neve. Natal na época do calor, Mas é (era) um Natal vivido com grande religiosidade e sem o desenfreado consumismo que agora há ( havia). Celebrava-se à meia noite a Missa do Galo, deixando a refeição festiva para o dia seguinte. Normalmente o Português era o Cabrito Assado no Forno. Os Cabo-Verdianos costumam fazer um cozido, enquanto os Moçambicanos preferem um assado de cabrito e os Angolanos comem pratos vegetarianos com mandioca. Bem que muitas famílias já degustavam o fiel amigo.

Enquanto os nossos pais e famílias iam à missa do Galo, a Juventude ia para a Ilha Luanda. Tomar banho nas belas praias, Era engraçado, o tomar banho de mar à noite, no Natal.

Lembro-me do meu tempo de criança eu e meus irmãos ficávamos frenéticos e ansiosos. Na véspera como manda a tradição lá se colocava o sapatinho no Fogão pois não tínhamos lareira com os pedidos elaborados por nós e a nossa mãe a dizer as dicas do que seria melhor para cada um de nós.

"Sempre irá existir aquela criança que acredita no Pai Natal!!! Lembro-me quando tentava acordar cedo para ver se via o Pai Natal!!! era mágico quando acordava e no sapato estava a minha prenda!!! Minha mãe nunca deixou o sapatinho sem, nada!!! Isso era mágico!!! Era Natal!!! Vou voltar a viver essa magia agora que sou Avô !!! Volta tudo como era!! é o ciclo da vida!!! Natal sempre Natal!!!!"

Mais um natal…Mais um ano!

O NATAL é bonito, é colorido, é um dia diferente, dia da família, mas…não deixa de ser uma confusão! Perde-se imenso tempo a fazer doces e decorações, a gastar dinheiro na compra de presentes, a suportar toda essa "trapalhada" dos cartões de boas-festas, dos mails, dos “embrulhos” ornamentados, das refeições de família, etc.!

Além desta canseira, desta correria louca às lojas comerciais, aos Super e Hiper-mercados, estão mesmo no centro do mistério supremo que nos leva ainda hoje a celebrar o Natal, porque o Verbo de Deus assim o determinou.

É verdade, mais um Natal…mais um Ano! Mais pobres, é certo, mas…sempre com aquele espírito Natalício, que sempre nos uniu. E, participar no Natal é amar o próximo, mudar de vida, entrar no Amor. Mas se não o fizermos, mesmo que não o queiramos fazer, ao menos participamos no Natal repetindo a canseira, despesa e trapalhada que foi desde o princípio.

Nesta Quadra Festiva, DESEJO A TODOS UM FELIZ NATAL e um FELIZ ANO NOVO para 2013, com muita Saúde, Prosperidades e Pleno de Realizações.

Um abraço / muitos beijos e que DEUS vos dê as maiores Felicidades (bem como a todos os vossos ente queridos), muita Saúde e muitos êxitos!


UM SANTO E FELIZ NATAL!






ZÉ ANTUNES

2012

SÓ PARA OS SÃO PAULISTAS


Recordar Pedacinhos de LUANDA TROPICAL!


Aiué Mano Balsemão, Porfírio de seu nome. Miúdo esperto, “Kamanguista”, cheio de trukes…Visioneiro da OPAN (“Organização Política Administrativa da Nação”), que pertencia ao Gabinete dos Negócios Políticos, tempo do Rebocho Vaz e Silvino Silvério Marques! A PIDE, tinha medo do “gajo”! Era Primo do Seixas, grande guarda-redes do “Ferrovia” e do “ASA”! Cada defesa…Pópilas! Um “gajo” ficava Boamado! Aiué Mano Balsemão…como me fizeste recordar com a tua “Quicuerra”, nem imaginas! Naquelas noites do “Kalipanga” e Braguês, das tabernas dos “Fubeiros” do Muceque Mota, Bairro Zangado e Rangel! E dos grandes comerciantes do Sambizanga: "Santo-Rosa", "Carmona", "Casa Branca" do Sô Braz, "Cambutas", "Casa Queimada", "Majestic", "Casa Sabú", "Armazéns São Paulo", "Casa Lina", etc. E daqueles afamados: "Catonho-Tonho", "Aliança Comercial", "Casa americana", Lusolanda e outros. Te lembras, quando corríamos atrás das camionetas a gritar: “Monangambas”! “Monangambas sem vergonha”! Eram os pobres serventes que iam na carroçaria do “Jorge das camionetas” e do “Portugal”! Aqueles mesmos Operários, que erguiam os “Arranha-Céus” da Marginal, enquanto os Capatazes/patrões (brancos de 1ª), se encharcavam de “Finos” da Cuca e da "Nocal", no Tarico do “Baleizão”, "Bar América" ou no "Cravo"! Aquelas lembranças do Povo! Daquele Povo humilde, serventuário e criado das senhoras; criado das Lojas e ajudante das camionetas, que tinham que passar, muitas vezes, nas rusgas do "Poeira" (chefe de posto..."mau como as cobras"), para irem trabalhar para casa do patrão. Tinham que levar o “Cartão” assinado pelo “Manda-Chuva”…por causa da falta de imposto. Lembras-te? Grandes injustiças! Aiué “Palácio do Comércio”, Pastelaria Vouzelense, Pastelaria Paris, Lello, Armazéns do Minho, "Minerva", Quintas & Irmão, Robert Hudson, Mampeza, Lusolanda, Pólo Norte, Versailes, Proquímica, Ofir….Farmácias: Maculusso, Popular, Dantas e Valadas, Central, São Paulo, Colonial e tantas, tantas outras….!! Aiué Mano Balsemão, Porfírio de seu nome. Esperto p’rá caraças! Lembras-te das sandes de peixe-frito do "Campino" e das de presunto no Baleizão e daqueles Finos, tirados à maneira!??? AIUÉ a nossa “Mutamba! Sempre tão acolhedora, que se mostrava igual todos os dias, colorida com os seus “Maximbombos” e com aquelas suas bichas. A bicha para São Paulo, para o BÊ-Ó (Bairro Operário), Vila Clotilde, Vila Alice, Maianga, Alvalade, Praia do Bispo, Cemitério Novo, Casa Branca….AIUÉ, Que saudades! Saudades daqueles nossos “Miúdos”, todos os dias, nos “Trumunos” da Bola de trapos, de camisas e calções rasgados, pés descalços, com os dedos roídos pelas “Bitacaias” (pulgas que chega…pópilas!), “Dava BUÉ de comichão”, parece “Impinge” ("Flor do Congo", que ficava nas virilhas, junto das “Matubas)…AIUÉ que saudades! Saudades do Raúl e Bany do Poço da Morte! Das nossas músicas: Nat King Cole, Frank Sinatra, Elvis Presley! AIUÉ Charles Chaplin (Charlôt); Louis Amstrong, e dos nossos Artistas: Elias Diá Kimuezo, Teta Lando, Minguito com a sua concertina, Palhaço “Pipofe" e outros que me fazem chorar....!

AIUÉ o Tarzan mais a sua “Xéta” e “Aventureiros na Lua” no Écran do Cine-Colonial…Tinhas que ter bilhete “Superior”, senão o Sabú ti mandava p’rá “Geral”, para aqueles bancos de cimento, cheios de percevejos…Sacana do gajo! Sempre a perseguir-nos! Parece qui advinhava, quando um gajo “pulava o muro”! Nga Zambi é quem sabe….Dizem aí, qui falta pouco. Vamos lutar meu Irmão. Um dia mesmo, a nossa sorte vai mudar. Agora, preciso mesmo é pensar na mudança. É BOM RECORDAR…! FAZ FALTA!!

DE BANGA NINITO

2012

16/12/2012

O ROQUE SANTEIRO



Luanda estava povoada de vendedoras de fruta, peixes e legumes, que desciam à cidade vindas do mercado Roque Santeiro (um dos maiores mercados a céu aberto do mundo), com alguidares à cabeça recheados de suculentas mangas, ananases ou carapaus. Ao fim da tarde, quando aumenta o trânsito nas ruas congestionadas da capital e não havia lugar para estacionar e ir á padaria, surgiam os convenientes sacos de pão fresco para levar para casa.

Todos estes vendedores eram geralmente afáveis e humildes, sem assediarem demasiado os passantes, como em certos países do Norte de áfrica. Apenas não gostavam que lhes tirassem fotografias, por medo de represálias por parte da policia, que passava o dia a persegui-los de um lado para o outro. Só as vendedoras de frutas e legumes beneficiavam de alguma tolerância e condescendência. O nome deste mercado surgiu por causa da novela do Roque Santeiro, que tal como em Portugal também gozou de grande popularidade em Angola.


Roque Santeiro

Dizem que o Mercado do Roque Santeiro era o maior mercado de África e o sítio onde se movimentava mais dinheiro em Angola.

Nesse mercado encontra-se de tudo, desde produtos básicos, como pão e vegetais, aos produtos mais estranhos, diamante, droga, armas ou mesmo contratar capangas para matar alguém, vendia-se de tudo: sexo, cigarros, bicicletas, moedas, filmes, perfumes, bebidas, roupas, comidas e remédios.

Havia de tudo, só era preciso saber procurar. Pepetela escritor Angolano dizia que se no Roque não tem ainda não foi inventado.

Havia quem se decidia a conhecer este lugar, principalmente o turista, ou quem já lá esteve nos tempos da colonização portuguesa, apesar dos constantes avisos para se manterem afastados, mas que contribui para aumentar ainda mais a curiosidade.

A entrada do mercado fazia-se pelo musseque do Sambizanga, Casa Branca, que nos manda para uma realidade fora do nosso mundo, onde sentiam que eram olhados como estranhos mas ao mesmo tempo exercia um fascínio por estarem a conhecer uma realidade que nunca antes tinham visto de tão perto.

Aos domingos, o dia mais fraco do mercado, existia gente por toda a parte a comprar e a vender o mais diverso tipo de produtos. Misturamo-nos com a multidão para ver de perto o que o mercado tinha para oferecer e eventualmente comprar alguma coisa que nos desperta-se a atenção.

Passeava-se por entre bancas de musica, colares, roupa, vegetais, frutas, carvão, carne…Tudo exposto de uma forma muito crua e pouco elaborada mas que, juntamente com a o reboliço das pessoas, despertava no visitante um conjunto de sensações que os deixava absolutamente deslumbrados com o que os rodeava.

Normalmente o passeio acabava sem que nada se compra-se, mas nas suas mentes ficava uma imagem forte do famoso mercado a céu aberto do Roque Santeiro.

Só para dizer que o Governo Angolano acabou com o Roque Santeiro.


Roque Santeiro
NOTICIAS DE ANGOLA

2008