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11/01/2013

FUTEBOL



Há uns bons anos precisamente no dia 18 de Janeiro de 1981 realizou-se no antigo Estádio de Alvalade, um jogo para o Campeonato da 1ª Divisão entre o Sporting e o Académico de Viseu.

Fui com amigos assistir a esse jogo a convite do Figueiredo que na altura pertencia aos órgãos diretivos do Sporting, fui eu o Resende, Cacepita, Henrique, Zé Ideias, Machado, o Ferreira Carrapa e mais alguns confrades da futura Confraria do Penico Dourado.

O Ferreira Carrapa era a primeira vez que ir assistir a um jogo de Futebol. Fomos com os nossos convites para a Bancada Central onde estava quase todos os Membros Diretivos do Clube, e alguns sócios ilustres, da prestigiada colectividade.

Começa o Jogo e já na segunda parte do desafio o Académico de Viseu marca um golo espetacular, e o nosso amigo Ferreira Carrapa levantou-se espontaneamente a aplaudir, era o único no meio dos sócios do Sporting, o Figueiredo puxa-lhe o casaco e diz-lhe espantado:

“ O que é isto, óh Ferreira?! A aplaudir um golo do adversário?!... e ele meio encavacado: não percebia nada de futebol

“ Eh pá, eu pensei que era um golo nosso”, mas a mim pareceu-me que foi um belo golo.

Depois de estar tudo calmo, alguns de nós explicamos quem era o Sporting e quem era o Académico de Viseu e porque estávamos ali e que aquela zona era tudo adeptos do Sporting.

Ele na sua inocência disse : Porque não se aplaude o clube adversário quando ele faz um bom jogo, uma boa jogada e um belo golo?

O Figueiredo disse logo que nunca mais convidava o Ferreira, e o Ferreira retorquiu, eu até nem gosto de futebol.

Claro que o Figueiredo disse este desabafo porque o Sporting acabou por perder por 0-1

Até acabar o jogo foi um fartote de piadas e risadas, saindo dali viemos até ao Leão douro comemorar a primeira vez que o Ferreira Carrapa foi ao futebol.


Zé Antunes

1981

08/01/2013

PRINCESA DO UIGE



 
     
   Brazão da Cidade                                                                   

Marinha Ribeiro, no ano de 1958, nasce em Sanza Pombo, (Kongo Diantotila) vila do Distrito do Uige. Tinha a Missão Católica e o Hospital civil ao fundo da Avenida do Clube. Seu pai foi para Angola e estava a tomar conta de uma Fazenda de café em Macocola, Seus irmãos Manuel e Francisco também vivem nesta fazenda.

Sanza Pombo (foto net)

No ano de 1961, as condições de sobrevivência começaram a degradarem-se devido aos ataques dos movimentos de Libertação principalmente F.N.L.A. e porque os bens de essenciais não chegavam via terreste, eram trazidos de avionetas, que lançavam os caixotes de para-quedas, mas ao chegarem ao solo, os caixotes danificavam-se e os mantimentos que vinham no seu interior espalhavam-se pelo solo empoeirado, em Santa Cruz a aldeia mais próxima que distava 25 km de Mococola, foram retirados os postes de iluminação e fez-se uma pequena Pista para o Sr. Rosado, que foi o primeiro piloto, a poisar naquele curto espaço com uma avioneta monomotor “DORNIE”.  No Livro de Reis Ventura pode-se ler mais sobre Mococola.

Sangue no Capim


Posteriormente fez-se a Pista de Aviação atrás das casas da Aldeia, nesse entretanto a Família Ribeiro decidiu regressar a Luanda.

Ela a Marinha Ribeiro ter nascido em Angola é marcante, sobretudo por ser um Pais muito grande, com uma grande liberdade de ideias, de modo de vida, porque cria uma abertura de espirito que se transporta ao longo dos anos. É uma noção de limite infinito. As barreiras e dificuldades não se colocam ás pessoas que nasceram e viveram em Angola. Tudo é possível. As distâncias eram enormes, mas havia tempo para se ir de Norte a Sul e de Esta a Oeste.

Ela ficou com muitas memórias principalmente olfativas e gostativas. O cheiro da terra molhada depois de grandes chuvadas, o sabor dos frutos tropicais, o cheiro da areia branquíssima das praias de Luanda.

Após o 25 de Abril de 1974, com a instabilidade que reinava em Luanda, resolve vir de férias a Portugal, em 30 de Maio de 1975, com a ideia de regressar, mas nunca mais voltou. Como é sabido a situação em Angola piorou, tudo foi nacionalizado, ainda houve durante uns tempos a esperança do regresso, Foi viver para a cidade de Guimarães. Achava Portugal estranho e pequenino, escuro antiquado, estradas pequenas e muito conservador. O Povo português era muito fechado e a menina que iria fazer 17 anos em Dezembro de 1975, via pela primeira vez Televisão a preto e branco mas só até á meia noite.

Não havia Coca-Cola, não havia Mission de Laranja, não havia nada.

Fica a viver em Guimarães com seus pais e irmãos e começa a trabalhar numa empresa de Confeções a “ DARFIL “ como Técnica de Controlo e Produção. A empresa dedicava-se à confeção de fatinhos de bébé e os principais clientes eram os países árabes.

Casa-se em Dezembro de 1978 e vem viver para Lisboa, regressa a Guimarães em 1980, onde nasce o filho o BRUNO MIGUEL, regressando definitivamente a Lisboa em 1983 onde se encontra até hoje, vivendo no Cacém.


ZÉ ANTUNES
2013

FASCISTAS - AFINAL, QUEM SÃO ? ? ?

Em 1960

Acabemos de vez com este desbragamento, este verdadeiro insulto à dignidade de quem trabalha para conseguir atingir a meta de pagar as contas no fim do mês.

Corria o ano de 1960 quando foi publicada no "Diário do Governo" de 6 de Junho a Lei 2105, com a assinatura de Américo Tomaz, Presidente da República, e de António Oliveira Salazar, Presidente do Conselho de Ministros.
Conforme nos descreve Pedro Jorge de Castro no seu livro "Salazar e os milionários", publicado pela Quetzal em 2009, essa lei destinou-se a disciplinar e moralizar as remunerações recebidas pelos gestores do Estado, fosse em que tipo de estabelecimentos fosse. Eram abrangidos os organismos estatais, as empresas concessionárias de serviços públicos onde o Estado tivesse participação acionista, ou ainda aquelas que usufruíssem de financiamentos públicos ou "que explorassem atividades em regime de exclusivo". Não escapava nada onde houvesse investimento do dinheiro dos contribuintes.

E que dizia, em resumo, a Lei 2105?

Dizia simplesmente que quem quer que ocupasse esses lugares de responsabilidade pública não podia ganhar mais do que um Ministro.
Claro que muitos empresários logo procuraram espiolhar as falhas e os buraquinhos por onde a Lei 2105 pudesse ser torneada, o que terão de certo modo conseguido pois a redação do diploma permitia aos administradores, segundo transcreve o autor do livro, "receber ainda importâncias até ao limite estabelecido, se aos empregados e trabalhadores da empresa for atribuída participação nos lucros".
A publicação desta lei altamente moralizadora, que ocorreu no período do Estado Novo de Salazar, fará muito brevemente 50 anos.
Em 13 de Setembro de 1974, catorze anos depois da lei "fascista", e seguindo sempre as explicações do livro de Pedro Castro, o Governo de Vasco Gonçalves, militar recém-saído do 25 de Abril, pegou na ambiguidade da Lei 2105/60 e, pelo Decreto Lei 446/74, limitou os vencimentos dos gestores públicos e semi-públicos ao salário máximo de 1,5 vezes o vencimento de um Secretário de Estado. Vendo bem, Vasco Gonçalves, Silva Lopes e Rui Vilar, quando assinaram o Dec.-lei 446/74, pura e simplesmente reduziram os vencimentos dos gestores do Estado do dobro do vencimento de um Ministro para uma vez e meia o vencimento de um Secretário de Estado. O Decreto- Lei 446/74 justificava a alteração nos referidos vencimentos pelo facto da redação pouco precisa da Lei 2105/60 permitir "interpretações abusivas", o que possibilitava "elevados vencimentos e não menos excessivas pensões de reforma".

Ao lermos hoje esta legislação, parece que se mudámos, não de país mas de planeta, pois tudo isto se passou no tempo do "fascismo" (Lei 2105/60) e do "comunismo" (Dec.-Lei 446/74). Agora, está tudo muito melhor, sobretudo para esses “reis da fartazana” que são os gestores estatais dos nossos dias: é que, mudando-se os tempos mudaram-se as vontades e, onde o sector do Estado pesava 17% do PIB, no auge da guerra colonial, com todas as suas brutais despesas, pesa agora 50%. E, como todos sabemos, é preciso gente muito competente e soberanamente bem paga para gerir os nossos dinheirinhos.
Tão bem paga é essa gente que o homem que preside aos destinos da TAP, Fernando Pinto, que é o campeão dos salários de empresas públicas em Portugal (se fosse no Brasil, de onde veio, o problema não era nosso) ganha a monstruosidade de 420.000 euros por mês, um "pouco" mais que Henrique Granadeiro, o presidente da PT, o qual aufere a módica quantia de 365.000 mensais

Aliás, estes dois são apenas o topo de uma imensa corte de gente que come e dorme à sombra do orçamento e do sacrifício dos contribuintes, como se pode ver pela lista divulgada recentemente por um jornal semanário, onde vêm nomes sonantes da nossa praça, dignos representantes do despautério e da pouca vergonha a que chegou a vida pública portuguesa.

Assim - e seguindo sempre a linha do que foi publicado - conhecem-se 14 gestores públicos que ganham mais de 100.000 euros por  mês, dos quais 10 vencem mais de 200.00. O ex-governador do Banco de Portugal Victor Constâncio , o mesmo que estima a centésima o valor do défice português, embora nunca tenha acertado no seu valor real, ganhava 250.000 euros/ mês, antes de ir para o exílio dourado de Vice-Presidente do Banco Central Europeu.

Entretanto, para poupar uns 400 milhões nas deficitárias contas do Estado, o governo não hesita em cortar benefícios fiscais a pessoas que ganham por mês um centésimo, ou mesmo 200 e 300 vezes menos que os homens (porque, curiosamente, são todos homens...) da lista dourada que o "Sol" deu à luz há pouco tempo.

Acabemos de vez com este desbragamento, este verdadeiro insulto à dignidade de quem trabalha para conseguir atingir a meta de pagar as contas no fim do mês.

Não é preciso muito, nem sequer é preciso ir tão longe como o DL 446/74 de Vasco Gonçalves, Silva Lopes e Rui Vilar:

Basta ressuscitar a velhinha, mas pelos vistos revolucionária Lei 2105/60, assinada há 50 anos por Oliveira Salazar.

AFINAL, QUEM SÃO OS FASCISTAS!
Dias Tramados – por mail

2012

07/01/2013

SERÁ QUE O CRIME COMPENSA?


Falar ou escrever sobre os grandes crimes, Polícias e Justiça, é, geralmente multíplice e envolve diversas Entidades e Instituições Forenses e Judicial, por quem nutro enorme respeito. Assim sendo e embora digam que “a Justiça não está bem”, não podemos afirmar que está assim tão mal, ou num “estado catastrófico”, como alguém escreveu. Não sou apologista das catástrofes antes do tempo. No entanto, há quem diga que a Justiça não é igual para todos, e há quem sustente, “dois pesos e duas medidas”. Ou seja, uma Justiça a duas velocidades: uma “para os ricos e outra para os pobres”; uma Justiça para poderosos e outra para os mais frágeis. Bom, a voz do Povo, na rua, cafés ou nos salões, estabelece: “se as penas fossem mais pesadas, haveria menos criminalidade”. Nunca falta quem defenda, de seguida, a “pena de morte”, ou até esse paradigma da selvajaria que é a “Justiça popular”!

Em tudo o que li, aprendi, vi e ouvi, nunca tive a certeza, nem a menor evidência empírica, de que a severidade das penas, medida em número de anos de prisão, tenha uma qualquer relação com os níveis de criminalidade. Bom…mas isto já mexe com o estudo das diversas situações, reais e das tendências sociais. É complicado!

Há um fenómeno, que tem ou poderá ter enorme influência no sentimento de insegurança. E até, talvez, na criminalidade. São as “Amnistias”. Esta prática é uma das mais negativas do sistema político e, também, salvo melhor opinião, judicial. Ou porque há políticos que desejam ser “amados” e têm uma noção abstrusa da bondade, ou porque as Autoridades querem “esvaziar” as prisões sobrelotadas, ou ainda porque se pretende despachar os processos pendentes nos Tribunais, que são às centenas. Aliás, há processos que se eternizaram no tempo, graças à excelência de alguns Advogados que lhes pegaram e que são responsáveis pela sua eternização.

Os Advogados não estão fora desta responsabilidade; não se pode dizer que a culpa é da Polícia, “a culpa é do Ministério Público”…todos os actores judiciários têm culpas nesta matéria, nenhum deles pode dizer “daqui lavo as minhas mãos”! É que há criminosos que mal cumprem penas e vêem os seus castigos reduzidos em mais de dois terços; como há delinquentes que, condenados, não chegam a cumprir um dia; sem falar nos que nunca são julgados, pois enquanto recorrem, ou esperam julgamento, as amnistias vão resolvendo os seus casos. Isto, sim, contribui para o sentimento de insegurança, pois propaga a ideia de que a Justiça é…cega! E ajuda, penso, a eclosão da irracionalidade dos linchamentos. Em Portugal, essa coisa da “Amnistia”, funciona sobretudo como meio de poupar o orçamento do Ministério da Justiça, com o qual se perde tempo, dinheiro e paciência.

A verdade é que “temos duzentos anos de Estado liberal e, ao longo destes duzentos anos, a exigência de uma Justiça eficaz ainda não se cumpriu".

Cruz dos Santos
2013

06/01/2013

AS SAUDADES DE LUANDA, “MAGOAM” p’rá BURRO!



CAROS AMIGOS(AS) DE PÊTO...

(Só para malta de angola)

Não gosto nada de ser maçador. Mas...quando me "apertam" as saudades de Luanda...apetece-me repartir convosco esta dôr dorida. É ser "amigo da onça", não é? De qualquer modo e com o devido respeito, aqui vai mais este texto sobre LUANDA, espero que "sofram" como eu!

Espero que me perdoem.

Ai…que eu não consigo resistir, a esses “uivos” doloridos, que a saudade vocifera, em tom soturno e melancólico…aos meus ouvidos. É uma “chatice”, esta coisa dum “gajo” estar aqui asilado, fora dos seus “becos”, dos seus bairros, dos seus Amigos de infância, separado inocentemente da Terra que quase o viu nascer. Isto não se faz! Vocês, nem calculam, nem fazem ideia, como esta “DÔR” é!

E aqui estou eu, armado em escritor, a descrever para o papel, com os olhos “encharcados” de lágrimas, pequenos “Lembretes” que a faculdade da memória me vai brindando, e que eu, com todo o carinho e ternura, vou partilhando com os meus “Amigos de Peito”. São inspirações mucequeiras, oriundas de um “gajo” que foi “rosqueiro”, qui “pelejou” com “Liambeiros”, “Kamanguistas” do “Bairro Zangado”, “Sambizanga” e "Bairro da Lixeira"! Que aprendeu a dar “Baçulas à Pescador”, e que sofreu grandes “galhetas” e “Kapangas”, mas que…lá se foi safando, conforme foi aprendendo.

A Vila Alice, Bairro Popular e o Marçal embelezando toda essas minhas memórias, onde tantas vezes passei a fazer a minha “Banga-Fukula”, por causa de uma “garina”, que me punha a cabeça de rastos, quando lhe suplicava que me desse só um “beijo”! Conversávamos só à toa, “batia-lhe o córo”, mas…nunca passou disso. Depois que lhe “avistei” abraçada, com um “mulato” feio “p’rá burros”, que fumava tabaco de “quimbundo”, nunca mais lhe procurei. Mas ainda me lembro dela. Daqueles beiços, parecia uma “casbeiçurra”...mas eram tão bonitos e tentadores (deveriam ter gosto de "Maboque")…com muita pena minha…Nunca lhe provei…”Filha d’caixa”! Qui si LIXE! ....Mi vinguei, juro por Deus!

Esta saudade, PORRA!...é um peso que esmaga o coração dum Angolano…se ele é puro! Se for daqueles (como eu), que querem voltar, que não conseguem mudar de costume. Árvore de anos não se pode arrancar, dobrar nem transplantar...senão morre!

Estou “arrasca” meus Irmãos! Estou a sofrer p’rá burras! Longe das pessoas queridas da minha Terra, dói “p’rá xuxu”! Verdadeiramente meu coração ainda “Batuca”, estremece, quando pensa nessas coisas. Só me apetece “Xinguilar”, quando me lembra da “Joana Maluca”, do “Karibebe”, do “Velho Inhana”, do “João Cambaio” , da Velha Donana (Quintadeira afamada), por causa dos seus doces de ginguba. Ai que saudades daquelas nossas brincadeiras: “Dá-me fogo! Vai ali”; “Brincando na Serra, enquanto o Lobo não vem. Quê que o Lobo está a fazer? Está a vestir as cuecas…”; da “Caçumbula”; da “Treza…Ninguem mi atreza, até findei”!; do Jornal “A Palavra” com Renato Ramos, o maior Jornalista Angolano, que denunciou o vinho “Banga Sumo”, que provocava diarreia à toa. Queriam-lhe “Vuzar”, foi o Banga Ninito, mais o “Xiquinho” (Irmão do Chico Xavier), que tinha sido “Mister Músculo” em França, qui tomáram conta dele. Do Zé da LAL, quase dois metros de altura; do Zé dos Bimbos (chaufer do maximbombo do Dande)...grande “p’rá caraças”! Com uma “chapada” matou um porco de 100 kilos, do seu vizinho; Do “Kingromias”, que morava perto da “Casa Branca” e que nos dava “Berrida” com "burgaus"; Da “Marabunta”; do Enfermeiro Louro, que curava os “escan……….” da “malta”; Do Endireita ali na Rua dos Pombeiros em frente aos Correios, Do Luís Montês, que dava aqueles espetáculos no Sindicato do Comércio e Indústria e no cinema “Restauração” (“Chá das Seis”); Do “Alemão”, que era Estofador, que tinha umas “Manápulas” qui metiam medo ao diabo; Da “Chifuta”; dos “Irmãos Bezerra”; Do Cerqueira (grande Guarda-redes do ASA); Do Caseiro (irmão do Cerqueira) que nunca quis trabalhar e que fazia parte daquele grupo que pertencia à firma: “SIVAL" (Sociedade Industrial de Vadios de Angola Limitada); dos Irmãos Madeirenses (Fernando e Oliveira); Do Wilson; do “Zé Águas, grande “Liambeiro”; Do Tó-Tó Rei da “Kamanga”; do Azevedo, dono do “Bar Mariazinha"; Da mãe do Adriano (lutador), que era peixeira e "insultava" os seus clientes...

"KUABO-KAXE"! Depois falo mais...!

Sei que nos deram “Berrida”, por julgarem que éramos “Colonialistas”! Mas vocês aceitam isso? Que gajos, como nós, criados na mesma Sanzala, sejam corridos assim...À TOA???? ISSO NÃO SE FAZ!!!!!

Ideia original de BANGA NINITO

Adpatado por ZÉ ANTUNES

2013

AS MENSAGENS “urbi et orbi” DO “SANTO PAPA”



Ouvi o “Santo Papa” - no dia 1 de Janeiro 2013 - (Novo Ano), a dizer isso: “Infelizmente, apesar de o mundo ainda estar marcado por focos de tensão e de conflitos causados pelas crescentes desigualdades entre ricos e pobres, pelo prevalecimento de uma mentalidade egoísta e individualista expressa inclusive por um capitalismo financeiro desregulados, bem como por diferentes formas de terrorismo e de criminalidade, tenho a convicção de que as multíplices obras de paz (…) testemunham a inata vocação da humanidade à paz”. Ouvi e vi o “Santo Papa” Bento XVI, na Televisão, em sua mensagem de Natal (2012) “urbi et orbi” (à cidade e ao mundo), a pedir ao “Jesus Menino” (passo a citar): “…Faça crescer as suas virtudes humanas e cristãs, sustente quanto se vêem obrigados a emigrar para longe da própria família e da sua terra, revigore os governantes no seu empenho pelo desenvolvimento e na luta contra a criminalidade…” Pergunto: Será, que as excelências desta Terra, esses “materialistas” famosos do capital, estes ignóbeis corruptos, souberam ouvir e interpretar essas palavras? CRISTO, expressava assim os seus pensamentos numa sociedade, sobre a crise existencial da espécie humana. Ele não impunha as suas ideias, mas expunha-as. Não pressionava ninguém a segui-lo, apenas convidava. Era contra o autoritarismo do pensamento, por isso procurava continuamente abrir as janelas da inteligência das pessoas para que refletissem sobre as suas palavras. CRISTO conhecia as distorções da interpretação, era elegante no seu discurso e aberto quando expunha os seus pensamentos. Jesus combatia a violência com a não-violência. Ele apagava a Ira com a tolerância, restabelecia as relações usando a humildade.

Quando sua “Santidade Bento XVI” disse, que apesar do mundo ainda estar marcado por focos de tensão e de conflitos causados pelas desigualdades entre ricos e pobres, quis fazer um apelo para que cessasse o derramamento de sangue, que se facilitasse o socorro aos prófugos (fugitivos, nómadas, vagabundos) deslocados e se procurasse, através do diálogo, uma solução para todos os conflitos. E tinha razão. O mundo em que vivemos é violento. A televisão transmite programas violentos. A competição profissional é violenta. Em muitas escolas clássicas, onde deveriam reinar o saber e a tolerância, a violência tem sido cultivada. “Violência gera violência”. Spinoza, um dos pais da filosofia moderna, que era judeu, declarou "que Jesus Cristo, era sinónimo de sabedoria e que as sociedades envolvidas em guerras de espadas e guerras de palavras poderiam encontrar nele uma possibilidade de fraternidade". E é precisamente com o apelo de Sua Santidade Bento XVI, que termino: “Paz para o Povo da Síria”; “Paz na Terra onde nasceu o Redentor e aos Israelitas e Palestinianos; Paz para o povo da Síria, profundamente ferido e dividido por um conflito que não poupa sequer os inermes (desarmados, indefesos), ceifando vítimas inocentes; Paz para os países do norte de África, em profunda transição à procura de um novo futuro, nomeadamente o Egipto. Paz para o vasto continente asiático. Que o Rei da Paz pouse o seu olhar também sobre os novos dirigentes da República Popular da China pela alta tarefa que os aguarda. Paz ao Mali e da concórdia à Nigéria onde horrendos atentados terroristas continuam a ceifar vítimas... Paz ao Quénia e que o Redentor proporcione auxílio e conforto aos refugiados do leste da República Democrática do Congo e abençoe os inúmeros fiéis em todo o mundo”.

Foram estas as sábias e santas palavras de BENTO XVI! FELIZ ANO NOVO!

C. S.

2013

LUANDA ANOS 70



Hoje é o dia do

Recordar o teu acordar, indolente, os maximbombos cheios de gente, o andar descontraído dos teus citadinos, pois eras a capital sem pressas.

As tuas lindas manhãs soalheiras, luminosas, as serenas tardes de Verão o teu deslumbrante nascer do dia e refletir o sol na Baia.




















Uma Praia

Recordo os teus crespúsculos de tons ralados, avermelhados / alaranjados como se de um arco – íris de mil cores se tratasse, a imergirem nas limpidae tépicas águas do Atlântico na exuberância do anoitecer.

As longas noites de cavaqueira em conversas acaloradas e amenas, com os pés em chinelos de dedo metido, descansando de um árduo dia de trabalho.
























  
Por do Sol na Marginal


Recordo as passeatas á noite aluaradas pela tua marginal bela e reluzente, sobre o prateado de uma calma lua na baia a brilhar.

As danças dos pirilampos, as tuas palmeiras ondulando como se a dança do ventre dançassem ao som do vento no seu suave cântico


     Eixo Viário ao anoitecer





























Miradouro da Cidade Alta

O Futungo de Belas para embarque no Kapossoca ou no Kileva ou ainda no Kitoco que sulcando as águas rumavam à ilha do Mussulo, de rara beleza paisagística e de natureza selvagem sem igual .


















Embardadouro do Mussulo anos 70


Recordo o molhar os pés nas tuas praias de areal sem fim, Restinga, Barracuda, Tamar, Floresta d
e dia percorridos por mim e à noite nelas estendido a amar.

Alguns dos teus musseques que conheci quase como as palmas de minhas mãos e as cubatas onde alguns meninos imberbes tiveram a sua iniciação sexual.


















Ilha, Restinga e Clube Nun`Álvares - anos 71


 

Recordo os teus suculentos frutos; o abacaxi, a goiaba, o maracujá, a pitanga, o tambarindo, o sape-sape, a mucua, o abacate, a fruta pinha, o mamão, a manga, o côcô e a sua água leitosa, o maboque, as diversas espécies de banana, o caju e tantos outros frutos deleciosos.

A cana de Açucar, o gindungo, a paracuca, a batata doce o doce de coco, a muamba de galinha com óleo de dendém ou de peixe com funge de farinha mandioca ( fuba ) ou funge de pirão ( farinha de milho )


















Mercado de São Paulo - Luanda


Recordo os trilhos caminhos poeirentos das barrocas de terra avermelhada contratando com alguns percursos de branca areia fina, que me levavam a outros bairros e a outras vivências.

O antigo mercado indígena de São Paulo com as quitandeiras no chão de terra batida sentadas, estendendo os coloridos panos do Congo, os colares de missangas de mil cores, os aromas dos frutos, os odores de peixe seco.































Mercado de São Paulo - Luanda
 

Recordo os silêncios ruidosos das tuas ruas, das tuas largas avenidas, das luzes do teu porto que por vezes eram um pálido clarão brilhando através da cortina de névoa lançadas pelo cair do cacimbo.

Aquela Luanda de que me apaixonei e que tentei perceber no meu jeito, onde cresci, vivi, chorei, sorri e sonhei em algumas esteiras que foram meu leito.






















Bulicio da Baixa da Cidade - anos 70


Recordo as minhas idades de mocidade que em ti passei, e sinto a falta dos teus cheiros, das noites de brisas quentes, dos meus bons companheiros e das lindas mulatas ardentes. Luanda capital sem fronteiras nem entre a vida e a morte, e a sombra das tuas belas palmeiras.Saber que estava num pais Tropical.



















Bairro da Maianga - anos 70


Recordo as alvoradas dos teus novos dias surgidos, rompendo trevas de antigas noites e povos de um vasto naipe de etnias estarem na sua terra sem açoites. Recordações que jamais abandonarei e nos meus silêncios derramo lágrimas de saudade pura, por ti Luanda que no meu coração perdura.

Terra amada, do meu crescer e da minha inocência perdida, andarei sempre contigo em pensamento no restante tempo da minha vida.
Terra do meu encanto, será que ainda te voltarei a ver e nas tuas ruas poder verter as minhas lágrimas, meu pranto,

Meu desejo está já feito, minha sepultura será o mar assim regressarei ao teu peito para em teus braços me aconchegar.

A ti Luanda, com o sentimento profundo de que eras a minha cidade, de que fazias parte do meu país da minha vida.


Piscina Olimpica de Alvalade - 1970

Texto da Cidália e fotos da net


ZÉ ANTUNES

1970