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17/01/2013

MEU DEUS…TIRAM-LHES TUDO!



Os estados não conseguem, mesmo dentro de portas, sustentar essa defesa intransigente dos direitos do ser humano. As constituições sublinham forte e feio a necessidade de a democracia se organizar a partir desta essencial proteção, defesa e desenvolvimento do ser humano. Mas a verdade é que, cada vez menos, isto é uma realidade dentro de portas. O que é importante é…só e só, que o Estado controle o défice e, se possível, que dê lucro, não à custa da colaboração de todos mas de uma…agressiva diferenciação entre “Teres” e “Seres”. Porém, a nossa população rural está envelhecida, sem forças, sem energias para se renovar, merecia, sem dúvida, uma vida digna. Acabaram-lhe com as alegrias bucólicas dos campos e devolveram-lhe a miséria. Encerrarem-lhes centros de saúde, os correios, telefone, televisão, água canalizada, esgoto, eletricidade, acesso às escolas ou estradas. Retrocederam-lhe o tempo. Impávidos e serenos, viram encerrar parte dos centros médicos e correios; a televisão mudou-lhes o rumo, a visão, mudaram-na para a “TDT”, que não sabem o que isso é; ficaram sem luz, porque a eletricidade está ao preço do ouro; o acesso às escolas, que seus filhos e netos tinham direito - encerraram portas - só poderão frequentar ensinos escolares, todos os jovens que têm ou podem pagar os transportes. A água canalizada e o gás, como estão caríssimos, só podem tomar banho no rio. Regressaram aos tempos primitivos, das casas sem telhado, sem cozinha, e sem casas de banho. Portanto à que defecar no campo, “mijar” no penico e limpar-se ao jornal. Quanto aos nossos “velhotes” estão proibidos de adoecer, principalmente, maiores de 70 anos. Quanto às mulheres grávidas, elas que vão “parir” para o estábulo. Entretanto, nas ruas citadinas, os transeuntes desesperam em passeios sujos e esburacados. A corrupção camarária e a burocracia oficial fizeram da vida do munícipe um martírio quotidiano. Pelos passeios multiplicam-se os pobres, os drogados e os arrumadores. A mendicidade urbana está a crescer. Sofrer a violência das sociedades é o próprio do mundo. Mas resignar-se a sofrê-la, viver sem ver o sofrimento dos outros, abdicar do protesto e considerar normal a miserável vida urbana é pior que o próprio sofrimento. É que no Portugal contemporâneo, urgente é a cidade. Urgente é o défice! Urgente é pagar-se o que se deve a Bruxelas, ao FMI, à Troika e aos Bancos. Urgente, é olhar para os nossos governantes, que aflitos, alegam que seus ordenados acima dos dez mil euros, não lhes chegam para fazerem face aos seus problemas, devido ao elevado custo de vida. Urgente é…?!!

CRUZ DOS SANTOS ( Banga Ninito )

2012

15/01/2013

CONTINUO A TER SAUDADES DO BAIRRO POP!


Quando em vez recebo do Banga Ninito para publicar no blog "LUANDA TROPICAL", crónicas que julgo saber estar a despertar o interesse de cibernautas e internautas, que fazem o favor de visitar este blog.
Assim sendo adaptei o “PORRA TENHO SAUDADES DE TI LUANDA” virado mais para o Bairro Popular nº2, onde vivi até 1975.

É tão bom recordar! Faz doer, mas sabe bem! Ai que saudades do nosso tempo! Que saudades da nossa "malta"! Que saudades do nosso "Cine São João" e o filme " Trinitá"! Que saudades do filme "Corcunda de Notre Dame"! Que saudades de outros filmes "O patrício via o filme e no meio da sessão gritava “ Artinguista olha na tua trás” e o ator virava-se, disparava dois tiros, o bandido morria, e o patrício todo feliz falava “ fui eu que lhe avisa-te”.
Que saudades dos "Marecos" e da Igreja de Santa Ana, onde a malta com as suas motas se alinhava para assistir ao santo sacrifício da saída das garinas da missa, e da "Tabacaria"! onde se comprava e trocava as nossas revistas ao quadradinhos. Que saudades do Sr. Carlos do Posto Médico, que tratava as equizemas, conhecidas por "flor do Congo" e dos nossos arranhões e bassúlas das torraites!

Que saudades das sandes de peixe frito do velho "Manel", e daquele seu "boteco" no Mercado defronte da Farmácia e da Loja dos Discos! Ai que saudades dos doces de ginguba da velha Domingas! Saudades de ir caçar passarinhos na Lagoa do Roldão, com as nossas fisgas e o nosso visgo. Saudades de ir para o Golfe e assistir a largada dos paraquedistas, que se atiravam dos Barrigas de Ginguba ( NordAtlas) .

Que saudades do Sr. Brito que vendia no seu carrinho de gelados, os "pirolitos" e a "paracuca", do Cravo com os seus franguinhos assados na grelha! Do "Dentista Senhor Soares"! Do Padre Costa Pereira, e do Sapateiro Senhor Américo no cruzamento da rua da Gabela e Machado Saldanha, e do Alfaiate na esquina da rua Porto Alexandre e Machado Saldanha, defronte á casa do Pompeu e do Salvador, e do Senhor Novo da "Casa de Modas Confiança"! e do Colégio Santo Expedito, onde íamos ver as garinas. Ai que saudades do "Bar São João” do Matias e do Jorge!

Do nosso poiso ( muro do bar ) onde se ficava até altas horas na conversa. Ele ( Matias) , zangado e sem dormir, disparava tiros com a pistola de alarme para nos afugentar. Saudades da casa Trinitácolor ( fotografias) do Adelino Ferreira na Rua Vila Viçosa, e do Fotógrafo da Casa Santa Marta na Rua da Gabela. Da Mercearia do Senhor Amaro, no Largo e da Loja Dias, junto ao Imbondeiro onde o Munhungo ( machimbombo 23 ) dava a volta para nos levar para a escola...e da Mercearia do Senhor Ferreira atrás da Defesa Civil.

Saudades do Largo em frente a Casa do Tino da Cola e do Moedas onde aos Domingos se comprava roupa dos fardos. Ai que saudades de todas estas saudades! Quem se lembra da Loja do Morais onde se comia as famosas sandes de torresmo. Saudades do Talho do Senhor Zé e da Sapataria do Surdo, e da drogaria do Senhor Aniceto no largo do Mercado, e dos finos Nocal do Tirol e do Pisca Pisca, com os pires de dobradinha a acompanhar. E do Depósito do Pão, onde íamos ver as garinas à tarde de sábado a comprar o pão para Domingo.

E dos gelados de gelo, de mission de laranja, e de coca-cola da mãe do Garção. E do velho do Saco “ Trambuca “ também conhecido por “Kaspúluca”. E do Canhangulo com a sua bicicleta ( pasteleira) . Saudades do Miúdo aleijado de uma perna que sempre que jogava à Bola e defendia a baliza dizia ” Vai Lua e Defende “. Saudades das corridas de Mini-Honda na Vala perto da Tourada. E das Corridas no Largo, onde ás vezes aparecia óleo para o maralhal cair! Grandes "trumunos"!! no Campo do Clube do Bairro Popular ou no Campo no Preventório Infantil de Luanda, e os trumunos de Futebol de Salão na Defesa Civil, também se exibiam filmes no Terraço.

Saudades de todos os avilos: Manuel João, Dário, João Luis Venâncio, Manito com o seu Mini Jeep, Zé Avelino e o Bronson, Victor e Fernando Antunes, Banga Ninito, Zé Ideias, Resende, Sousa, Faisca, Escanqueirado, Vasco, Miquinho, João da Tudor, Vasco, Mabeco, Nandito, Jorge ( Russo da Gareli), Stop, Cesar Peixe, Carlos Magalhães, Americo Barroso, Tó-Tó, Manel Tedy Boy, Manos Barata, Vergilio e Manel Zé Morais, João Mulato, os irmãos Tino e Tero, Guimas, Fernando Simões, Seabra, Jaques, Passarinho, Ventura, Miguel, Baltazar, Nelo Caroça, Nando Caroça, Festas, Moedas, Augusto (Russo), Filipe Santarém, Teixeirinha, Chico Leite, o Bia, o Ruca, Claudino, Bondoso e os Rubis e o Zé Tó, Henrique, Pinguiço, Passarinho, Miguel, Baltazar, Paquito, Minguitos, Carlos da Célia, Gaspar, os irmãos Borges, o João Bala, Seabra, Perninhas, Carlos Capacete, Américo Nunes, Cruz, Nascimento, Mica, Bino, Luis Van-Dúnem, Rui Comprido, GUGU, Copito, Zé Dentolas, Jaimito, Toalhinha, Policarpo, Tony Novo, Zé das Cenas, Pitta Grós, Pinto Ferreira, Cid,.. saudades de tantos outros avilos! Aiué que saudades das Garinas! São Ribeiro, Mila, Fernanda Ribeiro, Betty, Celina, Arlete ( chú ), Célia , Rosário, Lena e irmã Belinha, Mélita, Bela Mota, Dininha, Virinha, Belinha Albuquerque, Judite, Ivone, Paula, Fatinha, Teresa, Manas Gemeas, Felismina, Graciete, manas” Zita, Zinha e Ester”, Goretty, Rosita, Zita de São Paulo, Nixa, Eduarda Soeiro, Fatinha Andrade, Letinha, Ana da Trança, Fatinha, Inês, Isabelinha e tantas outras garinas!!!

Saudades de ti, Saudades de mim, do tempo e das palavras inocentes que utilizávamos nos nossos diálogos. Há palavras do tempo
que faz e há palavras do tempo que é...As palavras do tempo que é, escondem-se por dentro do tempo que faz e certas palavras do tempo que faz matam a palavra do tempo que é!! Enfim lembranças e saudades do nosso Bairro Popular.

CONTINUO A ESTAR CHEIO DE SAUDADES DE TI....BAIRRO POPULAR Nº2!!!
Zé Antunes

2013

A CRIANÇA QUE FUI ONTEM


São tantas a histórias daqueles anos especiais da nossa infância. Tudo nos fascinava e tudo nos despertava a imaginação de criança, tudo era novo.

Na minha infância foram anos repletos de muita traquinice, muitas descobertas da vida, muitos amigos, muitas quedas com e sem moto, mas também de muito mimo e amor.

A minha cúmplicidade com outros miúdos também foi notada desde cedo, como filho mais velho tomava conta dos mais novos, e a quando do nascimento de minha irmã, já cuidava dela, dando-lhe o biberão, meu pai fez um carrinho de um caixote das latas de leite Nido, com quatro rodas de triciclo e com uma corda de sisal, puxava-a para ela não chorar, meus irmãos também mais novos do que eu faziam uma choradeira para que eu também os puxa-se e assim também poderem andar no carrinho de madeira. Essa foi uma ligação criada naqueles momentos, trocados por crianças, que permanece até aos dias de hoje.

O futebol fez parte da minha adolescência desde sempre, e de todas as imagens que me lembro, são os trumunos que fazia nos terrenos do Preventório Infantil de Luanda, euforia e alegria era o sentimento que se notava, quando dava escapadelas na hora dos estudos e trabalhos de casa, para ir jogar com outros madiés, tristeza quando minha mãe vinha ao portão e me chamava para ir estudar, e com cara de poucos amigos dizia “ já para dentro e vamos lá a estudar” mais tarde dizia-me:

Agora és muito calmo, mas em pequeno eras um traquinas.

Mas também me lembro quando ia ao Estádio dos Coqueiros ou ao Campo de São Paulo para ver os meus clubes de sempre o Atlético Sport Aviação (ASA) e o Sport Luanda e Benfica ( Benfica de Luanda).

A curiosidade pelo Desenho Técnico, foi despertada logo que entrei para a Escola Indústrial de Luanda, e foi esta área que escolhi para meu futuro, acompanhava muitas vezes meu pai que era encarregado de Obras e apaixonei-me por tudo que seja construção ( Civil, Estruturas Metálicas, Estradas etc. etc).

São poucas as palavras aqui impressas para descrever toda uma infância.

Posso dizer que sentimentos e valores ganhos nesta fase tão especial da vida, vincaram e permanecem comigo até aos dias de hoje, como o carinho e a união familiar, o desejo e a curiosidade de aprender mais, o espirito aventureiro, empreendedor e social, a dedicação aos outros e ainda com muita traquinice e desejo de conviver com a familia e amigos.


ZÉ ANTUNES

2013

SERÁ A IGUALDADE, APENAS UMA UTOPIA?

No “rola-rola” dos nossos dias, deixamo-nos envolver por “tricas” e “burburinhos”, por desaires de ocasião e episódios de curta duração que nos roubam a paz e nos afastam dessa idílica sensação de que tudo está bem para sempre. Este “deixa andar”, que impede a entrada na carruagem do tempo, determina o súbito sentimento de que urge andar um pouco mais depressa, assente na necessidade premente de “acertarmos o relógio”, não só para o desenvolvimento, como para a progressão geométrica (série de números), em que o quociente de cada termo pelo precedente é uma quantidade constante, chamada razão. O agarrar-se ao “depois logo se vê”, conduz à febre de açambarcar o tempo, de querer tudo de uma vez, de comer, beber e viver sofregamente, o que leva as pessoas a limites incomportáveis.

Portugal, tal como outros países, vive um fenómeno estranho. Sob a capa de uma linguagem de suposta neutralidade técnica, os governantes e as elites em geral olham para a sociedade como se de uma equação matemática se tratasse. Se multiplicarmos x por y obtemos z. E iludem que estão a falar de pessoas. Na minha infinita ignorância, tenho para mim que a sociedade não é uma equação, e sim as pessoas que a constituem. E permito-me desconfiar dessa neutralidade técnica que anuncia uma “deusa severa”, a economia, que só pode ser controlada se nos deixarmos conduzir por ela. Tenho para mim que a função da política é procurar, no dia a dia, o bem-estar dos cidadãos. E não apresentar soluções milagrosas, equações infalíveis, projectos acabados, amanhãs que cantam, os quais, normalmente, redundam em tragédia. Aliás, o Exmo. Provedor de Justiça, Dr. Alfredo José de Sousa, sobre os “cortes nos rendimentos dos reformados”, classificou-os como “brutais” e revelou que já recebeu mais de mil queixas relacionadas com esta rudeza, tragédia e severidade. Alegou ainda que “o direito dos reformados é um direito adquirido, depois de ser um direito em construção na medida em que vão fazendo descontos ao longo da sua carreira. E há até quem faça equivaler esse direito a um direito de propriedade”, justificou o também Juiz, nesse seu comentário.

Para além da atracção intelectual pelo fascínio do silogismo (raciocínio) e pela beleza da equação, o que vai, de facto, acontecer às pessoas? O que acontecerá, a todos nós, que temos compromissos, contas, prestações, alimentação para pagar – todos os meses – quando virmos os nossos salários, as nossas pensões, reduzidas em um terço (ou mais)? Será socialmente justo, encurtar, subtrair, o vencimento ou a reforma, de trabalhadores e pensionistas (que descontaram durante toda a vida), só porque, sobre eles, de repente, alguém descobriu que estão a mais, ou, só porque não encaixam numa equação matemática ou silogismo, com certeza fascinante do ponto de vista teórico para o tecnocrata transvertido de político que o inventou? Em causa estão os artigos 77º e 78º, que, na perspectiva do Senhor Provedor Dr. Alfredo José de Sousa, “violam os princípios da igualdade, protecção da confiança e proibição do excesso, pondo em causa o disposto nos artigos 13º e 2º da Constituição da República Portuguesa”.

Ou será a Igualdade, apenas uma utopia?

Cruz dos Santos
BANGA NINITO

A VOZ DE JOÃO KAJIPIPA 9


Pópilas! Esta terra dos Portugal qui mi escondavas - por causa de devidamente us guerra - está "virar" pobremente pobre! "Kitári malé". "Kuabo Kaxe...ué"! Acabou...si findou meu Irmão! Estou ainda vivo, porqui estou a fazer umas "Kandongazinhas", vendendo peixe seco, pilhas e isqueiros dus chinês, juntamente com dentaduras postiças e gravatas dus mortos, que "Zé-Kitumba", cangalheiro de profissão, mi vende a preço di sardo. Maji, ultimamente, o "gajo" mi está a estropiar, a mi fintar nus negócio!! Propriamente não é bem negócio! É maji "troca por troca"! Lhe vendo material eléctrico, cabo di cobre que meus amigos "Kandengues" mi arranjam e ele aí, mi arranja sapato, gravata e camisa dus mortos. Às vezes também vendo "Azête palma", peixe escamado, que Tia Sule traz para receber dinhêro no sábado e Farinha Muceque que minha Mãe Donana, também tráz, para receber também dinhêro no sábado. Si não vendermos tudo, comprámos cêbola, preparámos tudo e quando estávamos voltar nostantinho fazemos pirão. Comemos bué e ficávamos cheio, até quando falam já p'ra voltar nu trabalho, não nos dava mais vontade d'entrar na Kitanda!

Tenho só pena, Compadre, qui nossos filio d'hoje, coitado, encontraram o mundo dos mau que nos estão tirar sossego e não andam saber as cuesa que a gente estava ouvir nas nossa casa.

Kuabo Kaxe Madié Caçulo!

Munguoé...Fica bem, juntamente cus tua Famíria!

BANGA NINITO

11/01/2013

JÁ CHEIRA A REVOLUÇÃO


Há cerca de 8 ou 9 meses começaram a dar-se alterações profundas, e de nível global, em 10 dos principais fatores que sustentam a sociedade atual. Num processo rápido e radical, que resultará em algo novo, diferente e porventura traumático, com resultados visíveis dentro de 6 a 12 meses... E que irá mudar as nossas sociedades e a nossa forma de vida nos próximos 15 ou 25 anos!

Tal  como   ocorreu noutros períodos da história recente, no status político-industrial saído da Europa do pós-guerra, nas alterações induzidas pelo Vietname/ Woodstock/ Maio de 1968 (além e aquém Atlântico), ou na crise do petróleo de 1973.

Façamos um rápido balanço da mudança, e do que está a acontecer aos "10 fatores":

1º- A Crise Financeira Mundial : desde há 18 meses que o Sistema Financeiro Mundial está à beira do colapso (leia-se "bancarrota") e só se tem aguentado porque os 4 grandes Bancos Centrais mundiais - a FED, o BCE, o Banco do Japão e o Tesouro Britânico - têm injetado (eufemismo que quer dizer: "emprestado virtualmente à taxa zero") montantes astronómicos e inimagináveis no Sistema Bancário Mundial, sem o qual este já teria ruído como um castelo de cartas. Ainda ninguém sabe o que virá, ou como irá acabar esta história !...

2º- A Crise do Petróleo : Há 18 meses que o petróleo entrou na espiral de preços. Não há a mínima ideia/teoria de como irá terminar. Duas coisas são porém claras: primeiro, o petróleo jamais voltará aos níveis de 2007 (ou seja, a alta de preço é adquirida e definitiva, devido à visão estratégica da China e da Índia que o compram e amealham!) e começarão rapidamente a fazer sentir-se os efeitos dos custos de energia, de transportes, de serviços. Por exemplo, quem utiliza frequentemente o avião, assistiu há semanas, a uma subida no preço dos bilhetes de... 50% (leu bem: cinquenta por cento). É escusado referir as enormes implicações sociais deste fator: basta lembrar que por exemplo toda a indústria de férias e turismo de massas para as classes médias (que, por exemplo, em Portugal ou Espanha representa 15% do PIB) irá virtualmente desaparecer em 12 meses! Acabaram as viagens de avião baratas (...e as férias massivas!), a inflação controlada, etc...

3º- A Contração da Mobilidade : fortemente afetados pelos preços do petróleo, os transportes de mercadorias irão sofrer contração profunda e as trocas físicas comerciais que implicam transporte irão sofrer fortíssima retração, com as óbvias consequências nas indústrias a montante e na interpenetração económica mundial.

4º- A Imigração : a Europa absorveu nos últimos 4 anos cerca de 40 milhões de imigrantes, que buscam melhores condições de vida e formação, num movimento incessante e anacrónico (os imigrantes são precisos para fazer os trabalhos não rentáveis, mas mudam radicalmente a composição social de países-chave como a Alemanha, a Espanha, a Inglaterra ou a Itália). Este movimento irá previsivelmente manter-se nos próximos 5 ou 6 anos! A Europa terá em breve mais de 85 milhões de imigrantes que lutarão pelo poder e por melhor estatuto sócio-económico (até agora, vivemos nós em ascensão e com direitos à cesta das matérias-primas e da pobreza deles)!

5º- A Destruição da Classe Média : quem tem oportunidade de circular um pouco pela Europa apercebe-se que o movimento de destruição das classes médias (que julgávamos estar apenas a acontecer em Portugal e à custa deste governo) está de facto a "varrer" o Velho Continente! Em Espanha, na Holanda, na Inglaterra ou mesmo em França os problemas das classes médias são comuns e, descontados alguns matizes e diferente gradação, as pessoas estão endividadas, a perder rendimentos, força social e capacidade de intervenção.

6º- A Europa Morreu : embora ainda estejam a projetar o cerimonial do enterro, todos os Euro-Políticos perceberam que a Europa moribunda já não tem projeto, já não tem razão de ser, já não tem liderança e já não consegue definir quaisquer objetivos num "caldo" de 27 países com poucos ou nenhuns traços comuns!... Já nenhum Cidadão Europeu acredita na "Europa", nem dela espera coisa importante para a sua vida ou o seu futuro! O "Requiem" pela Europa e "seus valores" deu-se há dias na Irlanda!

7º- A China ao assalto! A construção naval ao nível mundial comunicou aos interessados a incapacidade em satisfazer entregas de barcos nos próximos 2 anos, porque TODOS os estaleiros navais do Mundo têm TODA a sua capacidade de construção ocupada por encomendas de navios.... da China. O gigante asiático vai agora "atacar" o coração da Indústria europeia e americana (até aqui foi just a joke...). Foram apresentados há dias no mais importante Salão Automóvel mundial os novos carros chineses. Desenhados por notáveis gabinetes europeus e americanos, Giuggiaro e Pininfarina incluídos, os novos carros chineses são soberbos, réplicas perfeitas de BMWs e de Mercedes e vão chegar à Europa entre os 8.000 e os 19.000 euros! E quando falamos de Indústria Automóvel ou Aeroespacial europeia... Estamos a falar de centenas de milhar de postos de trabalhos e do maior motor económico, financeiro e tecnológico da nossa sociedade. À beira desta ameaça, a crise do têxtil foi uma brincadeira de crianças! Os chineses estão estrategicamente em todos os cantos do mundo a escoar todo o tipo de produtos da China, que está a qualificá-los cada vez mais.

8º- A Crise do Edifício Social : As sociedades ocidentais terminaram com o paradigma da sociedade baseada na célula familiar! As pessoas já não se casam, as famílias tradicionais desfazem-se a um ritmo alucinante, as novas gerações não querem laços de projeto comum, os jovens não querem compromissos, dificultando a criação de um espírito de estratégias e atuação comum...

9º- O Ressurgir da Rússia/Índia : para os menos atentos: a Rússia e a Índia estão a evoluir tecnológica, social e economicamente a uma velocidade estonteante! Com fortes lideranças e ambições estratégicas, em 5 anos ultrapassarão a Alemanha!

10º- A Revolução Tecnológica : nos últimos meses o salto dado pela revolução tecnológica (incluindo a biotecnologia, a energia, as comunicações, a nano tecnologia e a integração tecnológica) suplantou tudo o previsto e processou-se a um ritmo 9 vezes superior à média dos últimos 5 anos!

Eis a Revolução! Tal como numa conta de multiplicar, estes dez fatores estão ligados por um sinal de "vezes" e, no fim, têm um sinal de "igual". Mas o resultado é ainda desconhecido e imprevisível. Uma coisa é certa: as nossas vidas vão mudar radicalmente nos próximos 12 meses e as mudanças marcar-nos-ão (permanecerão) nos próximos 10 ou 20 anos, forçando-nos a ter carreiras profissionais instáveis, com muito menos promoções e apoios financeiros, e estilos de vida mais modestos, recreativos e ecológicos.

Carlos Santos

2013

FUTEBOL



Há uns bons anos precisamente no dia 18 de Janeiro de 1981 realizou-se no antigo Estádio de Alvalade, um jogo para o Campeonato da 1ª Divisão entre o Sporting e o Académico de Viseu.

Fui com amigos assistir a esse jogo a convite do Figueiredo que na altura pertencia aos órgãos diretivos do Sporting, fui eu o Resende, Cacepita, Henrique, Zé Ideias, Machado, o Ferreira Carrapa e mais alguns confrades da futura Confraria do Penico Dourado.

O Ferreira Carrapa era a primeira vez que ir assistir a um jogo de Futebol. Fomos com os nossos convites para a Bancada Central onde estava quase todos os Membros Diretivos do Clube, e alguns sócios ilustres, da prestigiada colectividade.

Começa o Jogo e já na segunda parte do desafio o Académico de Viseu marca um golo espetacular, e o nosso amigo Ferreira Carrapa levantou-se espontaneamente a aplaudir, era o único no meio dos sócios do Sporting, o Figueiredo puxa-lhe o casaco e diz-lhe espantado:

“ O que é isto, óh Ferreira?! A aplaudir um golo do adversário?!... e ele meio encavacado: não percebia nada de futebol

“ Eh pá, eu pensei que era um golo nosso”, mas a mim pareceu-me que foi um belo golo.

Depois de estar tudo calmo, alguns de nós explicamos quem era o Sporting e quem era o Académico de Viseu e porque estávamos ali e que aquela zona era tudo adeptos do Sporting.

Ele na sua inocência disse : Porque não se aplaude o clube adversário quando ele faz um bom jogo, uma boa jogada e um belo golo?

O Figueiredo disse logo que nunca mais convidava o Ferreira, e o Ferreira retorquiu, eu até nem gosto de futebol.

Claro que o Figueiredo disse este desabafo porque o Sporting acabou por perder por 0-1

Até acabar o jogo foi um fartote de piadas e risadas, saindo dali viemos até ao Leão douro comemorar a primeira vez que o Ferreira Carrapa foi ao futebol.


Zé Antunes

1981