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21/01/2013

CORRUPÇÃO: “DEGRADAÇÃO DE VALORES MORAIS”!


Sente-se no ar a desconfiança, o medo e a retração, de um povo que percebe que a corrupção minou toda a Nação. O “polvo da corrupção” alastrou e alastra, provavelmente, os seus tentáculos por todo o País. Consulte-se o dicionário da Academia das Ciências, sobre corrupção: “ação ou resultado de corromper ou de se corromper (…); degradação, deterioração dos valores morais (…) Suborno.” A corrupção, está presente em todo o lado onde existem pessoas, onde há alguma coisa a lucrar, a ganhar ou a perder. É sabido que a corrupção, nas formas que atinge atualmente o mundo, está associada ao funcionamento da economia globalizada. Só que não é por a corrupção ser velha como o mundo, se ter adaptado às mutações sociais e económicas e assumir formas cada vez mais sofisticadas que se pode desistir de a combater. Tanto mais que a sociedade democrática e o Estado de Direito, como os entendemos hoje, pugnam pela transparência, pela clareza de processos. Por isso, o poder democrático deve apostar em acabar com negócios duvidosos e, combater com seriedade – de uma vez por todas - a corrupção, lícita ou ilícita, que tem vindo a corroer a democracia.

O Dr. Paulo Morais, afirmou há dias e passo a citar: “que o Parlamento é uma grande central de negócios. Todos os deputados, que tem poder e domínio na política e economia estão no parlamento a fazer negócios”. Disse ainda que: “as comissões parlamentares que deveriam defender os interesses dos portugueses defendem os seus negócios próprios”.

Como é do conhecimento público, em matéria de corrupção nem as melhores leis são suficientes. Há todo um “modus operandi” do sistema que era precisa rever. E era importante também que se refizesse, de forma séria, o sistema de concursos públicos. Para que este atoleiro da corrupção: “tráfico de influências” e do compadrio (nepotismo), possa, enfim, ser atacado e comece a ser destruído de uma vez por todas. O que é grave na corrupção em Portugal, não é tanto o Polícia ou o Funcionário que se deixam “subornar” para perdoar uma multa ou aceitar uns documentos fora do prazo. A corrupção a sério envolve milhões, muitas vezes negócios internacionais e empresas multinacionais, e passa pelas altas esferas das elites económicas e políticas, onde tudo se decide. Portanto, para afrontar este tipo de corrupção, é preciso ter coragem. E será que alguém tem coragem de mudar a forma como se fazem os chamados “concursos públicos”, como se formam “comissões de avaliações” e se preparam os requisitos para os cadernos de encargos ideais, justamente para encaixar na proposta do concorrente previamente escolhido? Já agora, será que este Governo, vai ter a sensatez e coragem de dar meios reais, força e “Livre Trânsito, bem como verbas suficientes, para que a distinta Polícia Judiciária, possa de facto investigar a corrupção, sob a direção da célebre Procuradora-Geral Adjunta Drª. Maria José Morgado, ex-Responsável pela Direção Central de Investigação da Corrupção e Criminalidade Económica e Financeira?

Cruz dos Santos
( Banga Ninito )

2013

A VOZ DO JOÃO KAJIPIPA 12


AIUÉ SÔ SANTO! Qui Saudade!! Sô Santo-Rosa, foi um grande comerciante du muceque Sambizanga (“Sambila”). Branco du “Puto”, “ungueta” de 1ª., como falavam us outros “Mindeles”! Mas…Nem parecia! Grande Amigo dos Negros, de todos os “Mucequeiros”, até mesmo dus “Liambeiros” e das “Kitatas”! Falava melhor “Kimbundo”, qui propriamente us “patríço”! Sô Santo, parecia “monandengue” a falar. Todo ele “reviengas”, a fazer estilo p’ró “engate” da “preta-fula”, chamada Domingas. Pópilas…Linda “Kilumba” de Nova-Lisboa, de sorriso matréro, olhos de “pim-plau”, com um andar, que fazia inveja nas outras “garinas”. Olha, sô a “passada” dela…Arrepiava um gajo…Ficávamos todos “Boamados”, a vermos aquele “mataco” a sobresair na mini-saia de “chita”…Porra! Domingas era boa p’rá “xuxu”! Sô Santo lhi dizia sempre: “Dominga…Gikula Óh Mêsso” (Abre o olho)! “Tambula ó conta”!

Na loja do SÔ SANTO-ROSA, tinha boa “Fuba Bombom”, “Fuba de milho”, óreo de palma dê boa qualidade, carboreto para acender us “gazómetros”, maji conjuntamente candeeiro di petróleo, petromax (qui quando acendia, parecia luz eléctrica), bicicreta “Rally”, máquina du costura “Singer”, abano, missangas, cigarro “Negrita”, açúcar mascavo, bagaço, vinho “abafado”, havia tudo…p’racia Drogaria”!

O barril! O barril de vinho du Puto…já veio, p’rá essa “cambada” de bêbados? Já descarregaram da camioneta “Chetête”?

ÓH Sô Santo…mi serve ainda: “Um Juiz em duas testemunhas” (era, um Litro de vinho, em dois copos)!

Alegria maluca, misturada com arranques, pois os “Muadiês” saíam, todos eles, tortos, a cambalear e a "xinguilar", “uatobas”…refilando ordens, ameaças, “xingos podres” num pretuguês di "kimbo", a quererem “pelejar” à toa, debaixo de uma bebedeira tremenda.

“VAMOS! Toc’Andar! “TUNDAMUJILA”! Berrava o Sô Santo, já lixado da vida.

Aí…todos si calavam. Não queriam “Maka” cu Sô Santo. E repetiam:

“Esse Branco tem bom vinho. Não “baptiza” cum água. É branco dus Metrópele, mas é...porrero!

OBS:-

Esse “Postal saudoso”, na VOZ de JOÃO KAJIPIPA, foi escrito em Homenagem ao falecido e saudoso Pai do Banga Ninito: Abílio Fernandes dos Santos, conhecido por: “SANTO-ROSA”!


Ninito

18/01/2013

A VOZ DE JOÃO KAJIPIPA 11

Mas sô ministro Coelho, olha ainda…sô toda gente! As caras deles agora tristes! Mas…o senhor não tens pena dus pobre? Dos "mais Vérios...os "Kotas"? Pópiras! Vais ser castigado…"Juro mesmo...Sangue di Cristo"! Tás a brincar...! Verdade mesmo, Muadiê! A gente não percebemos essas palavras, só sabemos é fazer as casas, carregar us contentores, limpar us lixo, carregar us azeitona e us UVA das vindima! Porra! Um gajo trabalha, trabalha...e lhe tiram tudo nus pagamento dus imposto. Ai! Tás a virar "ZÉ-DÚ"?? Prefiro dar “porrada” nos “mangonheiros”, porqui conversa di homens é com as mãos. “Bates cada Coro”! Não passas mazé dum “Korista”!

-Elá, sô Coelho! Como é?....Meu lugar sempre superior, agora alinho na geral? Parece general na frente dus tropa. Cheio di Pêneira! Afinar...Foste mesmo quem? “Ungueta” di mentira! Todo ele calado, cheio de estilo, cara di “mandão”, tas farar só à toa:

-“Ah porqui sou Africanista”! Ah! Porqui também tenho us firios…!!

-HUM! É BUGUE!! Mandas paleio, mazé! Ardrabão!!

-Vai-te “Kilhar” Deguebo d'uma figa! Africanista…vucê?? Branco e bem branco! “Makuto Kaxe"!!

BANGA NINITO

A VOZ DE JOÃO KAJIPIPA 10



XÉ “MUADIÊ”, como é? Estás “baryl”? “Carris duro”? Hamba-Kiébe? “Kaputu-é! Kaputu-é! Kaputu-é ka maka…Se ka-tu-diê ku kavanza, Uondoku-tu-dia ku maka…É”!!

Aiué Mano “Benfiquista”, Chefe de Kazekuta, parecia era dançarino do “Bê-Ó”, figura de dança do “Maiado”, quinaxixense, dono dus “Trumunos”, das “pimpas”, das “baçulas à pescador” e das "Kapangas"!

-Éh, este “Deguêbo”, mandava “Bugue”! Ti Lembras? Cada “finta”…qui um “gajo, virava-bicho”! Agora…tá armado em chefe dus “Ruanda-Tropical”! Este gajo manda paleio!

-Cála-te à boca ó “mais-velho”! “Kota dum raio”! Conversa não chegou na cozinha…

-“KUABO-KAXE”! Malembe-Malembe!! Amanhã é dia….

SÓ PARA AFRICANOS (NEGROS E MESTIÇOS E..."BRANCOS DE 2ª.")... CONTERRÂNEOS DE ANGOLA

MANOS KITUBAS....

Um pormenor interessante: na ação que é descrita pelo João Kajipipa, refere-se ao seu "Mano "Benfiquista", declarando que ele é "Chefe de Kazekuta", etc. E...perguntarão, alguns: "E quem é este Benfiquista"? Resposta: É o JOSÉ ANTUNES (Benfiquista). Juro, que até eu desconhecia esse pormenor.


BANGA NINITO

17/01/2013

MEU DEUS…TIRAM-LHES TUDO!



Os estados não conseguem, mesmo dentro de portas, sustentar essa defesa intransigente dos direitos do ser humano. As constituições sublinham forte e feio a necessidade de a democracia se organizar a partir desta essencial proteção, defesa e desenvolvimento do ser humano. Mas a verdade é que, cada vez menos, isto é uma realidade dentro de portas. O que é importante é…só e só, que o Estado controle o défice e, se possível, que dê lucro, não à custa da colaboração de todos mas de uma…agressiva diferenciação entre “Teres” e “Seres”. Porém, a nossa população rural está envelhecida, sem forças, sem energias para se renovar, merecia, sem dúvida, uma vida digna. Acabaram-lhe com as alegrias bucólicas dos campos e devolveram-lhe a miséria. Encerrarem-lhes centros de saúde, os correios, telefone, televisão, água canalizada, esgoto, eletricidade, acesso às escolas ou estradas. Retrocederam-lhe o tempo. Impávidos e serenos, viram encerrar parte dos centros médicos e correios; a televisão mudou-lhes o rumo, a visão, mudaram-na para a “TDT”, que não sabem o que isso é; ficaram sem luz, porque a eletricidade está ao preço do ouro; o acesso às escolas, que seus filhos e netos tinham direito - encerraram portas - só poderão frequentar ensinos escolares, todos os jovens que têm ou podem pagar os transportes. A água canalizada e o gás, como estão caríssimos, só podem tomar banho no rio. Regressaram aos tempos primitivos, das casas sem telhado, sem cozinha, e sem casas de banho. Portanto à que defecar no campo, “mijar” no penico e limpar-se ao jornal. Quanto aos nossos “velhotes” estão proibidos de adoecer, principalmente, maiores de 70 anos. Quanto às mulheres grávidas, elas que vão “parir” para o estábulo. Entretanto, nas ruas citadinas, os transeuntes desesperam em passeios sujos e esburacados. A corrupção camarária e a burocracia oficial fizeram da vida do munícipe um martírio quotidiano. Pelos passeios multiplicam-se os pobres, os drogados e os arrumadores. A mendicidade urbana está a crescer. Sofrer a violência das sociedades é o próprio do mundo. Mas resignar-se a sofrê-la, viver sem ver o sofrimento dos outros, abdicar do protesto e considerar normal a miserável vida urbana é pior que o próprio sofrimento. É que no Portugal contemporâneo, urgente é a cidade. Urgente é o défice! Urgente é pagar-se o que se deve a Bruxelas, ao FMI, à Troika e aos Bancos. Urgente, é olhar para os nossos governantes, que aflitos, alegam que seus ordenados acima dos dez mil euros, não lhes chegam para fazerem face aos seus problemas, devido ao elevado custo de vida. Urgente é…?!!

CRUZ DOS SANTOS ( Banga Ninito )

2012

15/01/2013

CONTINUO A TER SAUDADES DO BAIRRO POP!


Quando em vez recebo do Banga Ninito para publicar no blog "LUANDA TROPICAL", crónicas que julgo saber estar a despertar o interesse de cibernautas e internautas, que fazem o favor de visitar este blog.
Assim sendo adaptei o “PORRA TENHO SAUDADES DE TI LUANDA” virado mais para o Bairro Popular nº2, onde vivi até 1975.

É tão bom recordar! Faz doer, mas sabe bem! Ai que saudades do nosso tempo! Que saudades da nossa "malta"! Que saudades do nosso "Cine São João" e o filme " Trinitá"! Que saudades do filme "Corcunda de Notre Dame"! Que saudades de outros filmes "O patrício via o filme e no meio da sessão gritava “ Artinguista olha na tua trás” e o ator virava-se, disparava dois tiros, o bandido morria, e o patrício todo feliz falava “ fui eu que lhe avisa-te”.
Que saudades dos "Marecos" e da Igreja de Santa Ana, onde a malta com as suas motas se alinhava para assistir ao santo sacrifício da saída das garinas da missa, e da "Tabacaria"! onde se comprava e trocava as nossas revistas ao quadradinhos. Que saudades do Sr. Carlos do Posto Médico, que tratava as equizemas, conhecidas por "flor do Congo" e dos nossos arranhões e bassúlas das torraites!

Que saudades das sandes de peixe frito do velho "Manel", e daquele seu "boteco" no Mercado defronte da Farmácia e da Loja dos Discos! Ai que saudades dos doces de ginguba da velha Domingas! Saudades de ir caçar passarinhos na Lagoa do Roldão, com as nossas fisgas e o nosso visgo. Saudades de ir para o Golfe e assistir a largada dos paraquedistas, que se atiravam dos Barrigas de Ginguba ( NordAtlas) .

Que saudades do Sr. Brito que vendia no seu carrinho de gelados, os "pirolitos" e a "paracuca", do Cravo com os seus franguinhos assados na grelha! Do "Dentista Senhor Soares"! Do Padre Costa Pereira, e do Sapateiro Senhor Américo no cruzamento da rua da Gabela e Machado Saldanha, e do Alfaiate na esquina da rua Porto Alexandre e Machado Saldanha, defronte á casa do Pompeu e do Salvador, e do Senhor Novo da "Casa de Modas Confiança"! e do Colégio Santo Expedito, onde íamos ver as garinas. Ai que saudades do "Bar São João” do Matias e do Jorge!

Do nosso poiso ( muro do bar ) onde se ficava até altas horas na conversa. Ele ( Matias) , zangado e sem dormir, disparava tiros com a pistola de alarme para nos afugentar. Saudades da casa Trinitácolor ( fotografias) do Adelino Ferreira na Rua Vila Viçosa, e do Fotógrafo da Casa Santa Marta na Rua da Gabela. Da Mercearia do Senhor Amaro, no Largo e da Loja Dias, junto ao Imbondeiro onde o Munhungo ( machimbombo 23 ) dava a volta para nos levar para a escola...e da Mercearia do Senhor Ferreira atrás da Defesa Civil.

Saudades do Largo em frente a Casa do Tino da Cola e do Moedas onde aos Domingos se comprava roupa dos fardos. Ai que saudades de todas estas saudades! Quem se lembra da Loja do Morais onde se comia as famosas sandes de torresmo. Saudades do Talho do Senhor Zé e da Sapataria do Surdo, e da drogaria do Senhor Aniceto no largo do Mercado, e dos finos Nocal do Tirol e do Pisca Pisca, com os pires de dobradinha a acompanhar. E do Depósito do Pão, onde íamos ver as garinas à tarde de sábado a comprar o pão para Domingo.

E dos gelados de gelo, de mission de laranja, e de coca-cola da mãe do Garção. E do velho do Saco “ Trambuca “ também conhecido por “Kaspúluca”. E do Canhangulo com a sua bicicleta ( pasteleira) . Saudades do Miúdo aleijado de uma perna que sempre que jogava à Bola e defendia a baliza dizia ” Vai Lua e Defende “. Saudades das corridas de Mini-Honda na Vala perto da Tourada. E das Corridas no Largo, onde ás vezes aparecia óleo para o maralhal cair! Grandes "trumunos"!! no Campo do Clube do Bairro Popular ou no Campo no Preventório Infantil de Luanda, e os trumunos de Futebol de Salão na Defesa Civil, também se exibiam filmes no Terraço.

Saudades de todos os avilos: Manuel João, Dário, João Luis Venâncio, Manito com o seu Mini Jeep, Zé Avelino e o Bronson, Victor e Fernando Antunes, Banga Ninito, Zé Ideias, Resende, Sousa, Faisca, Escanqueirado, Vasco, Miquinho, João da Tudor, Vasco, Mabeco, Nandito, Jorge ( Russo da Gareli), Stop, Cesar Peixe, Carlos Magalhães, Americo Barroso, Tó-Tó, Manel Tedy Boy, Manos Barata, Vergilio e Manel Zé Morais, João Mulato, os irmãos Tino e Tero, Guimas, Fernando Simões, Seabra, Jaques, Passarinho, Ventura, Miguel, Baltazar, Nelo Caroça, Nando Caroça, Festas, Moedas, Augusto (Russo), Filipe Santarém, Teixeirinha, Chico Leite, o Bia, o Ruca, Claudino, Bondoso e os Rubis e o Zé Tó, Henrique, Pinguiço, Passarinho, Miguel, Baltazar, Paquito, Minguitos, Carlos da Célia, Gaspar, os irmãos Borges, o João Bala, Seabra, Perninhas, Carlos Capacete, Américo Nunes, Cruz, Nascimento, Mica, Bino, Luis Van-Dúnem, Rui Comprido, GUGU, Copito, Zé Dentolas, Jaimito, Toalhinha, Policarpo, Tony Novo, Zé das Cenas, Pitta Grós, Pinto Ferreira, Cid,.. saudades de tantos outros avilos! Aiué que saudades das Garinas! São Ribeiro, Mila, Fernanda Ribeiro, Betty, Celina, Arlete ( chú ), Célia , Rosário, Lena e irmã Belinha, Mélita, Bela Mota, Dininha, Virinha, Belinha Albuquerque, Judite, Ivone, Paula, Fatinha, Teresa, Manas Gemeas, Felismina, Graciete, manas” Zita, Zinha e Ester”, Goretty, Rosita, Zita de São Paulo, Nixa, Eduarda Soeiro, Fatinha Andrade, Letinha, Ana da Trança, Fatinha, Inês, Isabelinha e tantas outras garinas!!!

Saudades de ti, Saudades de mim, do tempo e das palavras inocentes que utilizávamos nos nossos diálogos. Há palavras do tempo
que faz e há palavras do tempo que é...As palavras do tempo que é, escondem-se por dentro do tempo que faz e certas palavras do tempo que faz matam a palavra do tempo que é!! Enfim lembranças e saudades do nosso Bairro Popular.

CONTINUO A ESTAR CHEIO DE SAUDADES DE TI....BAIRRO POPULAR Nº2!!!
Zé Antunes

2013

A CRIANÇA QUE FUI ONTEM


São tantas a histórias daqueles anos especiais da nossa infância. Tudo nos fascinava e tudo nos despertava a imaginação de criança, tudo era novo.

Na minha infância foram anos repletos de muita traquinice, muitas descobertas da vida, muitos amigos, muitas quedas com e sem moto, mas também de muito mimo e amor.

A minha cúmplicidade com outros miúdos também foi notada desde cedo, como filho mais velho tomava conta dos mais novos, e a quando do nascimento de minha irmã, já cuidava dela, dando-lhe o biberão, meu pai fez um carrinho de um caixote das latas de leite Nido, com quatro rodas de triciclo e com uma corda de sisal, puxava-a para ela não chorar, meus irmãos também mais novos do que eu faziam uma choradeira para que eu também os puxa-se e assim também poderem andar no carrinho de madeira. Essa foi uma ligação criada naqueles momentos, trocados por crianças, que permanece até aos dias de hoje.

O futebol fez parte da minha adolescência desde sempre, e de todas as imagens que me lembro, são os trumunos que fazia nos terrenos do Preventório Infantil de Luanda, euforia e alegria era o sentimento que se notava, quando dava escapadelas na hora dos estudos e trabalhos de casa, para ir jogar com outros madiés, tristeza quando minha mãe vinha ao portão e me chamava para ir estudar, e com cara de poucos amigos dizia “ já para dentro e vamos lá a estudar” mais tarde dizia-me:

Agora és muito calmo, mas em pequeno eras um traquinas.

Mas também me lembro quando ia ao Estádio dos Coqueiros ou ao Campo de São Paulo para ver os meus clubes de sempre o Atlético Sport Aviação (ASA) e o Sport Luanda e Benfica ( Benfica de Luanda).

A curiosidade pelo Desenho Técnico, foi despertada logo que entrei para a Escola Indústrial de Luanda, e foi esta área que escolhi para meu futuro, acompanhava muitas vezes meu pai que era encarregado de Obras e apaixonei-me por tudo que seja construção ( Civil, Estruturas Metálicas, Estradas etc. etc).

São poucas as palavras aqui impressas para descrever toda uma infância.

Posso dizer que sentimentos e valores ganhos nesta fase tão especial da vida, vincaram e permanecem comigo até aos dias de hoje, como o carinho e a união familiar, o desejo e a curiosidade de aprender mais, o espirito aventureiro, empreendedor e social, a dedicação aos outros e ainda com muita traquinice e desejo de conviver com a familia e amigos.


ZÉ ANTUNES

2013