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18/03/2013

REFORMA // GREVE AO VOTO



Greve ao voto até 2018, no mínimo, para os reformados e pensionistas!!! "Manifesto assinado por Álvaro Pereira (pai do Ricardo Araújo Pereira). Não sou Funcionário Público, mas o Estado trata-me como se eu o fosse, enquanto REFORMADO. Dizem que estes não têm poder de contestação, que de nada lhes serve tomar uma atitude contestatária (uma GREVE deles é inconsequente por não afetar nada nem ninguém). Eu não estou de acordo! E como tal, decidi tomar uma posição que traduzo no seguinte
MANIFESTO:
Considerando:

1. Que me foram retirados o 13º e 14º mês até 2018;

2. Que me reduziram a Reforma para a qual fiz descontos milionários durante uma vida de trabalho;

3. Que me foram aumentados os descontos para o IRS, o IMI, no Consumo de Eletricidade, da Água e do Gás, para a “Compensação aos Operadores” respetivos (EDP, Tejo Energia e Turbo Gás), nos Combustíveis, para o Investimento das Energias Renováveis, para os custos da Autoridade da Concorrência e da ERSE, na Alimentação, na taxa de Esgotos, para a Utilização do Subsolo, para a Rádio, para a Televisão, para a TNT, para a Harmonização Tarifária dos Açores e Madeira, Rendas de Passagem pelas Autarquias e Munícipes, para o auxílio social aos calões que recebem indevida e impunemente o RSI (Rendimento para a Inserção Social), para pagamento dos cartões de crédito de políticos, para as portagens nas SCUTS e aumento nas auto-estradas, para a recuperação de BPNs, para que os Dias Loureiros, os Duartes Limas, os Isaltinos de Morais e quejandos depositem as minhas economias em nome deles em offshores, para as novas taxas de Apoio Social, para as remodeladas Taxas de Urgência nos Hospitais Civis, para as asneiras provocadas pelas ideias megalómanas de políticos incompetentes que criaram auto-estradas sem trânsito, para as Contrapartidas e Compensações a Concessionários de diferentes estruturas, para pagamento das dívidas às Parcerias Público-Privadas durante 50 anos ou mais, etc., etc., etc., tudo recheado com 23% de IVA (por enquanto);

4. Que, cada voto que um cidadão deposita na urna eleitoral, para além de pôr no poleiro os espertalhões que os (se) governam, representa um óbulo (contribuição) igual a 1/135 do salário mínimo nacional (atualmente em €485,00) a reverter para os seus cofres (1 voto = €3,60), a que acrescem as subvenções às campanhas e verbas para os grupos parlamentares. (Lei do Financiamento dos Partidos Políticos e das Campanhas Eleitorais: Lei n.º 19/2003, de 20 de Junho, com as alterações introduzidas pelo Decreto-lei n.º 287/2003, de 12 de Novembro (Declaração de Retificação n.º 4/2004, de 9 de Janeiro), Lei n.º 64‐A/2008, 31 de de Dezembro1 e Lei n.º 55/2010, de 24 de Dezembro);

5. Que esse valor é atribuído pelos quatro anos de legislatura, o que significa entregar aos partidos votados o quadruplo dessa importância (€14,40), atingindo uma despesa superior a 70 milhões de euros;

Fonte: http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?

6. Que, no caso dos votos em branco ou nulos, essa valia é distribuída por todos os partidos concorrentes às eleições;

7. E que, se eu me abstiver de votar, não há montante a ser distribuído pelos partidos concorrentes às eleições,

Eu, ARTUR ÁLVARO NEVES DE ALMEIDA PEREIRA, cidadão de pleno direito, com o BI e o NIF, com todos os impostos pagos e ainda credor do Estado por taxação indevida e não devolvida em sede de IRS, embora prescindindo de uma liberdade cortada durante quase 40 anos e restituída em 25 de Abril de 1974, decido que, dependendo do cenário político-económico, meu e do meu país, entrarei em

GREVE DE ELEITORADO, e SUSPENDO O MEU DIREITO DE VOTO ATÉ 2018!"

ZÉ ANTUNES

2013

MALHAS QUE O IMPÉRIO TECE



Acerca de 4 meses, a revista “Sábado” (15-Novembro 2012) trazia uma notícia sob o título: “O Presidente mais pobre do mundo”, que vivia numa quinta, com pouco mais de 900 euros / mês, e que “os outros 90% do seu ordenado”, doava, a Instituições de caridade. De seu nome: José Mujica, exercera as funções de Chefe de Estado do Uruguai, onde fora eleito em 2009. Que passou grande parte das décadas de 60 e 70 a lutar ao lado de um grupo armado, inspirado na revolução cubana. Que possui um carro da marca: “Volkswagen Beetle” de 1987, “que é o seu bem mais caro”. Entrevistado pela BBC em Londres, declarou: “Chamam-me o presidente mais pobre, mas eu não me sinto pobre. Pobres são os que só trabalham para tentar manter um estilo de vida dispendioso e querem sempre mais e mais”. E conclui dizendo: “É uma questão de liberdade”.

Em 4 de Março 2013, o Diário de Notícias, publicava uma pequena crónica do ilustre Jornalista Ferreira Fernandes, sob o título: “O banqueiro indignado”, que descrevia o descontentamento dessas excelências, com a criação de uma associação designada de “MRI”, que quer dizer: “Movimento dos Reformados Indignados”. Transcrevo parte dessa informação: “...Este MRI vai ser presidido por Filipe Pinhal, ex-presidente de banco (BCP) e atual beneficiário de uma reforma de 70 mil euros mensais. (…) Ao “ai aguenta, aguenta!” de um banqueiro, ontem, responde, amanhã, um ex-banqueiro que não aguenta. Pôr um ex-presidente de banco que ainda há meses foi condenado a pagar multas de 800 mil euros por deslizes financeiros a liderar pensionistas que tiveram cortes nas reformas de 1350 euros é contradição das boas, capaz de gerar unidade nacional. Estamos todos no mesmo barco da indignação: do banqueiro ao cabouqueiro. Que este, por razões egoístas e prosaicas – ganha pouco – se indigne, não merece duas linhas de crónica. Admirável é o outro, que apesar de ter um milhão por ano de reforma ainda se indigna. O único contra que vejo é irrelevante: faz-me desconfiar de tanta unanimidade”.

“Malhas que o Império tece…”! O ser humano é assim. Envolve-se numa escalada paranoica pelo poder. Muitos homens querem ser políticos poderosos. Muitos políticos querem ser reis. Muitos reis querem ou quiseram ser deuses ao longo da história. Nunca estamos satisfeitos, com nada! Somos uma via láctea de constelações da qual, volvidos meia dúzia de séculos, restará quando muito meia dúzia de pirilampos.

Cruz Santos

2013

14/03/2013

FERNANDO DAS KUARRAS



Fernando Ribeiro das “ kuarras” era assim que o tratavamos, trabalhava no ano de 1973, na Auto Rápida da Estrela, que se situava na Avenida António José de Almeida na Vila Alice, LUANDA ele era o estafeta da famosa Oficina de Automóveis.

Ia ás casas Comerciais que forneciam os materiais para a reparação dos automóveis avariados, que estavam na oficina e levava as requisições de compra que falsificava sempre, a Oficina pedia uma quantidade, e ele emendava para dez, pedia três e ele emendava para oito, sempre tinha um jeito de falsificar as requisições, claro que só trabalhou três meses, durou pouco a sua boa vida, pois enquanto tinha material vendia no mercado negro por metade do preço.

E durou pouco, porque o dono da Oficina começou a confrontar os fornecedores e viram logo a marosca, o nosso amigo Fernando foi despedido, foi trabalhando aqui e ali até ao ano de 1975 quando regressou a Portugal e a Lisboa na Ponte Aérea, chegado a Lisboa, começou logo a viver de esquemas, alguns muito duvidosos.

Muitas vezes era detido e dormia na esquadra, depois de bem cansado com os interrogatórios.

Certa vez nos Santos Populares – Festa de Santo António - no Martim Moniz, por causa de uma ex-namorada, que namorava com um amigo dele se envolveu numa disputa, que deu porrada, luta da valente, aquelas makas que sabemos. Ele teve que ir ao Hospital de São José tratar de alguns dentes partidos e de hematomas que tinha nos olhos, que de tão inchados que estavam, que ele nada enxergava.

Outra ocasião num dos seus negócios de Ouro, ficou a dever uma quantia razoável ao Pinóquio que parava no GALO, Restaurante à entrada do Parque Mayer , penso que já não se lembrava que devia essa quantia, entra no Restaurante e pede para trocar os cinco mil escudos para pagar o Taxi. O João que trabalhava naquele turno e que estava de sobreaviso recebe o dinheiro e dá-o ao Pinóquio.

O Pinóquio diz-lhe:

Este já cá mora, falta o resto.

O Fernando ficou sem saber o que fazer, o taxista chama a policia, que estava ali perto no Consulado da Espanha, pela rádio chama reforços e leva-os para a esquadra da Praça da Alegria, entretanto o taxista também vai até á esquadra pois queria receber a corrida que tinha feito desde a Praça do Chile até ao Parque Mayer, é elucidado pelo que se estava a passar e ai disse:

Fui berrado, já não recebo esta corrida que são duzentos e cinquenta escudos, deixou os seus elementos de identificação e foi-se embora.

Fernando e Pinóquio lado a lado, mais o policial.

Fernando dizia:

Poxa Pinóquio tinha que ser assim?

Pinóquio respondia:

Se não fose agora e desta maneira, nunca via este, assim só falta a outra quantia, que te digo meu avilo vais pagar, estamos todos de olho em ti!!!

O Fernando das “ kuarras” como tinha estado no dia anterior na Esquadra disse:

Pronto está bem, fica com o dinheiro e não se fala mais no assunto.

O Policia retorquiu:

Estou a ver que se entenderam, não é preciso queixa, mas tem que pagar ao taxista. Sr. Fernando amanhã venha cá e traga o dinheiro, que o taxista vem cá para receber. Está entendido?

Estamos, responderam os dois em unissono.

Voltaram para o Restaurante Galo e beberam umas imperiais como se nada se tivesse passado.

Foi hospitalizado em 2008 e mais tarde foi com grande tristeza e pesar que comuniquei a todos os amigos e confrades da Confraria do Penico Douradoo falecimento do nosso amigo Fernando Ribeiro “ DAS QUARRAS “ que galhardamente se batia com o Lobo Mau ( Cancro no Pulmão ) e que este ceifou a vida de um amigo.

Quem privou com o Fernando, DAS QUARRAS era assim que os amigos o tratavam, jamais se esquecerão dele pelos mais diversos acontecimentos.

Eu, em nome de todos os confrades da Confraria do Penico Dourado, manifestamos naquela hora tragica as nossas mais sinceras condolências à família e amigos enlutada.

O corpo esteve em câmara ardente no Hospital de Garcia da Horta em Almada, alguns dias, esperando que a filha viesse de Luanda, para reconhecer o corpo e autorizar o funeral para o Cemitério de Feijó - Laranjeiro.

Descansa em paz amigo,

ZÉ ANTUNES


2008

PINGUIÇO



JOSÉ DOMINGOS CASTRO
JOSÉ PINGUIÇO, era assim que os amigos o tratavam, jamais se esquecerão da sua personalidade generosa, amiga e sempre correcta, até na morte o Pinguiço foi diferente, morreu a caminho do seu emprego. Uma morte estúpida e brutal ceifou a vida a um jovem bom e que sempre se mostrou um excelente e digno profissional. No seu primeiro dia de trabalho em 1976, foi brutalmente colhido por uma viatura pesada que o arrastou a ele e á mota que conduzia por muitos metros na via norte, na Maia.

Eu privei com ele bons momentos a caminho da Escola Indústrial de Luanda, onde estudavamos.

Lembro-me de muitas situações a caminho da escola no machimbombo 23 o MINHUNGO , certa vez ele para fugir do pica bilhetes, pois não tinha dinheiro para o bilhete, desceu na estrada de catete com o maximbas em andamento e ficou todo arranhado,! feridas que demoraram a cicatrizar.

Quantas vezes iamos a pé para a Escola Indústrial de Luanda para pouparmos o cumbu para ir para o Bar atrás do Liceu Femenino, beber as nossas Coca-Colas, bar do Sr. Joaquim de Oliveira hoje dono da SPORTV

Eu, e penso que todos os moradores do Bairro Popular nº 2, Sarmento Rodrigues e Palanca, que conhecias, manifestaram-se nessa hora trágica as nossas mais sinceras condolências à família enlutada e todos os seus colegas e amigos!

Descansa em paz amigo, fazes muita falta e acredita que todos nós procuraremos ser sempre dignos do exemplo que nos deixaste.


ZÉ ANTUNES

1976

"MIKITO"



Falar sobre os nossos "AMIGOS DESAPARECIDOS", é de uma pureza extrema, de uma dignidade e honra, que, infelizmente, começa a estar em vias de extinção.

Realmente, quando nos morre alguém muito querido, muito AMIGO, é difícil encontrar um sentido para a perda. A morte daqueles que verdadeiramente amamos, que andaram connosco nas nossas "cowboyadas", que "cresceram" ao nosso lado, traz sempre dor. O corte definitivo e a ausência física, são ideias quase intoleráveis.

Custa muito, separarmo-nos daqueles que nos conheceram de "gingeira", como se costuma dizer. Toda a separação dói, mas aquela cuja dor chega a ser insuportável, é a separação pela morte. Deixar de ver alguém que nos é muito querido, que foi desde a infância, nosso "Amigo de peito", despedirmo-nos de uma pessoa que toda a vida esteve próxima, ou, nos casos mais dramáticos, enterrar um filho, ou uma mãe...é uma dor sem tamanho!

Quanto ao "MIKITO" (como era conhecido), chamava-se: MANUEL CALDAS. Tinha sido funcionário (operário), na Fábrica de Tabacos Ultramarina (FTU) em Luanda, durante mais de 20 anos. Regressado a Portugal em 1975, devido aos combates de guerra em Angola, regressou a Portugal, onde exerceu as funções de "Rececionista" em duas Pensões residências / Lisboa, sendo esta última, a "Pensão Nova Goa". MIKITO, foi um fiel e dedicado "Amigo do seu Amigo"! Cresceu no Bairro de São Paulo / Luanda, onde residia com seus pais e seu irmão mais velho. Tinha cerca de 64 anos, quando faleceu em Lisboa, com uma "cirrose hepática". Era dotado de uma Alma extraordinariamente alegre e era um "Amigão" verdadeiro de todos (negros, mestiços e brancos). Durante dois anos sofreu dores imensas e viveu em desconforto físico permanente nos últimos tempos de vida, mas nem no auge da doença perdeu o sorriso...e aquele olhar divertido que sempre o caracterizaram.

Deixou a todos...UMA ENORME SAUDADE!

Foi mais um Amigo, a juntar a tantos outros que já nos disseram Adeus....

Está aqui mais ou menos o "retrato" do que sinto por todos...OS MEUS AMIGOS!! Dizer ainda que o Mikito era primo do Banga Ninito e que 15 dias antes de falecer estivemos a almoçar juntos.


ZÉ ANTUNES

2012

JOSÉ MACHADO



Conheci o José Machado, quando ele era funcionário da Fidelis – Companhia de Segurança, agregada na altura à Associação de Comandos de Lisboa

José Machado levava uma vida pacata, amigo do seu amigo, de quando em vez, reunia.se com os amigos da Confraria do Penico dourado

No primeiro jantar convivio da Confraria do Penico dourado, foi ele o mestre de cerimónias e da cozinha, mais o Gomerzindo, jantar feito na Associação de Comandos de Lisboa na Duque de Ávila, foi servida uma Moamba a moda de Angola de se lhe tirar o chapéu.

Foi ele que me acompanhou certa vez depois de virmos da casa do Sousa que estava em construção, ali para os lados da povoação da Escaravilheira, o meu Toyota velhinho com 350 mil kilómetros gripou o motor e ali ficou parecendo dizer que tinha chegado aos fins dos seus dias. Foi com ele que esperamos pelo reboque e depois levei-o a casa altas horas da noite.

Quando comprei o meu toyota Comercial ele vendeu-me umas jantes que eram do seu Seat Ibiza.

De Angola sei o que me ia contando, desde a Ilha dos Padres, onde estudou, à sua celebre fuga que dizia ter feito de Luanda ao Caxito sózinho. Sei do seu casamento com a Elisabete e dos filhos, quando morou em Santo António dos Cavaleiros.

Mais tarde casou com a Ana e trabalhava como motorista particular.

Com o seu feitio irreverente foi para Angola Luanda onde esteve a trabalhar na Catramar, regressando alguns anos depois a Lisboa. Lembro-me dos nossos convivios gastronómicos e baquicos e das tardes bem passadas na confraria, juntos de outros confrades, posso dizer que sempre foi um bom conviva.

Anos mais tarde rumou a Moçambique ao Maputo, pois dizia que o sangue africano lhe corria nas veias e estava saturado da vida que vivia em Portugal, pois já nessa altura dizia que era uma vida sem futuro.

Regressou a Lisboa e súbitamente começa a adoecer, tendo combatido a doença galhardamente durante mais ao menos seis terriveis anos.

É com grande tristeza e pesar que escrevo sobre o nosso amigo José Machado, e do seu súbito desaparecimento de entre nós.

Quem privou com José Machado, jamais esquecerá a sua personalidade generosa, amiga e sempre correcta.

Eu, em nome de todos os confrades, não poderia deixar de manifestar nesta hora trágica as nossas mais sinceras condolências à família enlutada.

Descansa em paz amigo, fazes muita falta e acredita que todos nós procuraremos ser sempre dignos dos exemplos que nos deixaste.

Serve a presente para informar quer o óbito ocorreu dia 15 de Fevereiro, o corpo esteve em camara ardente na igreja de Corroios e o funeral foi dia 16 de Fevereiro para o Cemitério do Feijó - Almada


ZÉ ANTUNES

2013

13/03/2013

A BOLA DE AREIA


Realmente a memória, já se vai desvanecendo um pouco na poeira do tempo. Houve  muitas cenas, que algumas vão surgindo á medida que se vai falando, mas outras perderam-se nos tempos. Uma que eu me lembro - e não me lembro se o Zé Antunes estava lá - Eu não estava lá mas meus irmãos contaram-me essa história.

Certa vez, no nosso campo do Preventório Infantil de Luanda, agarramos num couro de bola de cautchú, enchemos de areia, e depois dissemos a um kandengue negro, não foi pelo facto de ele ser negro, pois como sabem isso para nós não contava, e dado que ele tinha a mania que era o maior, que jogava bastante bem, reconhecendo passados estes anos todos, até jogava bem melhor que nós todos, que ele não conseguia marcar um golo ao João mais conhecido pelo VAI À LUA, recordo-me bem dele, era um grande guarda-redes, aleijado de uma perna, mas defendia bem.

O certo é que o kandengue arrancou para a bola, e como se recordam a maior parte das vezes jogávamos de pé descalço, para não estragar os kedes da Macambira, vai dai arriou uma valente biqueirada na bola, caiu para a frente, e a bola nem se mexeu. Final da história, era todo o mundo a rebolar de rir, e o desgraçado agarrado ao pé cheio de dores. Podia-mos ter partido o pé ao kandengue.

Já agora, porque alinhavam nos nossos trumunos, para lembrar de três irmãos mestiços que moravam na Rua do Andulo, que eram o Mariano, o Galiano, e o Luiz que era meio irmão do Galiano e fazia de menina, pois ele antes de ir jogar a bola connosco ou alinhar noutras brincadeiras, tinha que arrumar a casa e lavar a loiça, e lavar o quintal. Os pais trabalhavam nas finanças na Mutamba, sei que estão em Luanda e foram viver para a Sagrada Familia. O Galiano pertence ao Exercito Angolano ( FAPLAS ).

Os jogos de rua que fazíamos em frente à minha casa, com a Celina, a Arlete (Chú ) e o Manelito que vivia ao lado delas, cujo pai era bancário e tinha um Ford Escort, e muitos mais kandengues. Bons tempos. Éramos livres e felizes e não sabiamos.

Esta história foi recordada pelo Augusto Rodrigues avilo de infância.


ZÉ ANTUNES

1972