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25/03/2013

FROU FROU



No ano de 1974, depois do 25 de Abril e após a saída do Parque Mayer e conseguinte retirada do teatro, Sérgio de Azevedo idealizou e concretizou, noCampo Grande, ali ao lado da Churrasqueira, o Café Concerto "Frou-Frou", foi o primeiro a ter um Bar Café Concerto, depois das revistas teatrais, quase todos os artistas se reuniam para tomar um copo, conversar e assistir aos grandes espetáculos,mais tarde considerada a melhor sala noturna da Península Ibérica , do qual empreendimento este que viria a ser espoliado.

No ano de 1976 eu e o Nelo Madruga fomos convidados para assistir a um show de fado nesta casa de espetáculos, ali para os lados do Campo Grande, de nome "Frou-Frou". e, o certo é que apesar da crise e do tempo do PREC a casa estava quase sempre cheia, tempos depois voltei lá com o Mário Dias. Muitos anos depois era ali que se realizava o Bingo do Sporting, hoje é um passeio que vai dar ao novo edifício da ZON e que dá acesso à estação do metropolitano de Campo Grande.

Aceitámos o convite e lá fomos. Para os anos 76, o "Frou-Frou" era uma casa moderna, com um palco elevatório e espetáculos para todos os gostos. Antes do fado, havia, nada mais, nada menos, do que striptease. Lembro-me de a artista austríaca entrar em palco através de uma língua gigante, que pendia numa boca que fazia parte do cenário. Do outro lado do palco havia um pénis com dois metros de altura, que servia de varão para a dança sensual.

Quando o strip acabava, as luzes eram desligadas, o aderecista retirava a boca e o pénis, e colocava duas cadeiras, para os guitarristas. Eles entravam no palco às apalpadelas para dar início à sessão da fado, que começava com as cortinas a abrir e a Fadista a cantar.

“ Crazy Horse “ produzido pelo empresário no seu café Concerto “Frou – Frou “, foi considerado o espetáculo de nu artístico mais bonito apresentado em Portugal. Integraram-no bailarinas de dez nacionalidades.

ZÉ ANTUNES

1976

24/03/2013

DEPOIS DO ADEUS 10 - 11


11º EPISÓDIO - O PÃO QUE O DIABO AMASSOU"



24 - 25 e 26 de Outubro de 1975
Todas as manhãs, Álvaro sai vestido com o fato de macaco fingindo que vai trabalhar para que Maria do Carmo não perceba que foi despedido, mas sente-se mal por estar a enganar a mulher. Este desabafa com Teresa, que aproveita o momento para se aproximar mais do amigo que há muito deixou de ver apenas como tal.
A mentira só se desfaz
quando Maria do Carmo insiste para ficarem com o carro que veio de Angola e Álvaro insiste em vendê-lo. Álvaro é obrigado a contar a verdade, deixando Maria do Carmo de rastos por este lhe ter mentido. A mulher ainda fica pior ao aperceber-se que Teresa já sabia.
Daniel continua sem trabalho e ocupa a casa de umas pessoas que foram para o Brasil. A relação com Joana não corre bem e Daniel chega ao ponto de agredir a mulher.
Álvaro, Teresa, Daniel e Joana participam na manifestação dos retornados, que acaba em confronto com a polícia militar quando os manifestantes tomam de assalto a casa de Angola. Daniel é preso.
Luísa descobre que está grávida de Gonçalo e, sem dizer nada ao ex-namorado, pede ajuda à mãe para abortar. Porém, o aborto clandestino corre mal e, no regresso a casa, Luísa sofre uma hemorragia. Apesar do receio de ser presa, Luísa é obrigada a ir ao hospital. O pai e o irmão ficam a saber o que se passou, e Pedro vai ter com Gonçalo e acaba por agredi-lo.


 

10º EPISÓDIO "REMAR CONTRA A MARÉ" 
 

 10 e 11 de outubro de 1975

Gonçalo acaba a relação com Luísa. Furiosa por ter perdido o namorado para a prima, Luísa vai a casa de Ana insultá-la.

Natália vai levar o jantar ao marido à fábrica e por pouco que não o apanha com Rosário, a amante, que se vê obrigada a esconder-se e a passar a noite no escritório.

Pedro e Jorge querem
vingar a morte do camarada Alexandrino de Sousa, do MRPP, que morreu afogado na sequência de um confr
onto contra um grupo da UDP, no Terreiro do Paço. À saída do café de Artur, eles encontram um grupo da UDP e, depois de várias provocações, confrontam-se fisicamente. Gonçalo vai ajudá-los mas, mais tarde, acaba por dizer que está farto do MRPP e do culto a Arnaldo de Matos. Jorge e Pedro veem no namoro com Ana o fundamento para a traição do amigo e não lhe perdoam.

Para agradar a Álvaro, Maria do Carmo e Natália decidem enterrar o machado de guerra. Não ficam amigas mas, pelo menos, comprometem-se a não se agredirem verbalmente. O que Natália ainda não sabe é que a sobrinha Ana “ficou” com o namorado da filha Luísa.

Álvaro perde o emprego na fábrica. Depois de ter convencido um cliente a avançar com o dinheiro para comprarem matéria-prima para fazer uns atrelados, os trabalhadores decidem dá-los a uma cooperativa, em troca de arroz e para o bem da reforma agrária. Álvaro opõe-se e é expulso da fábrica pelos colegas. Agora precisa de coragem para contar à mulher o que se passa.

22/03/2013

NATUREZA MORTA


Muitas das muitas histórias da nossa infância passavam-se na escola, lembro-me de ouvir o Augusto contar que certa vez nas aulas de desenho do 2º ano das Escolas preparatórias, a professora levou um conjunto de frutas para eles desenharem, uma natureza morta. Entre as frutas estava um mamão que na altura ainda estava verde. Como todos sabemos, para o mamão amadurecer faziam-se uns golpes para sair a seiva e o mamão ia amadurecendo. Um belo dia quando chegámos á sala, já só lá estavam as cascas e os caroços, e desconfiou-se logo quem tinha sido o autor da brincadeira. Deu uma maka danada, pois a professora participou da turma, mas quem ficou com o proveito foi o Carnapeto. Se por acaso alguém se lembrar desta história e souber do paradeiro do Carnapeto que lhe diga, pois ele deve-se lembrar desta aventura, desde já um Kandandu para ele.

O Augusto nosso avilo do Bairro Popular, certa vez nas redes sociais viu que alguém publicou o cartão da Escola, de um colega do mesmo curso de nome Carnapeto. Como era um colega que o Augusto se dava muito bem, enviou um mail privado identificando-se e uma vez que essa pessoa tinha acesso a um documento pessoal, se fosse possível que lhe desse o contacto do Carnapeto, pois gostaria de ficar em contacto com ele. Até hoje o nosso amigo Augusto está a espera da resposta ao seu mail.

ZÉ ANTUNES

1972

NIXA



No Bairro Popular, de quando em vez aparecia uma garina Maria Alice Costa Santos “ NIXA “ numa mini honda amarela cabelos longos a esvoaçar ao vento, que fazia inveja a muitos kandengues que admiravam a sua beleza, Em Luanda cruzei-me algumas vezes com ela, sabia que morava no Sarmento Rodrigues e que era vizinha de amigos meus.

Quando regressou de Luanda foi viver ali para os lados de Carcavelos e eu e ela muitas vezes contactando-nos, ou por telefone ou muitas vezes nas redes sociais, e era nos almoços do Bairro Popular, Sarmento Rodrigues e Palanca que ela dava azo a sua juvealidade e alegria dançando muitas vezes descalça de tanta energia que ela tinha. Ela escrevia num Blog sobre a sua vida e a sua querida Luanda, que está nos meus blogues favoritos, que atentamente vou lendo as suas histórias que ficarão perpetuadas no Blogue “LUANDA SOL E HISTÓRIAS”.

Foi com grande tristeza e pesar que soube do falecimento da nossa amiga Maria Alice Costa Santos “ NIXA “ que galhardamente se batia com o Lobo Mau e que este ceifou a vida de uma amiga, ainda jovem.

Quem privou com a Nixa, era assim que os amigos a tratavam, jamais esquecerá a sua personalidade generosa, amiga e sempre correta.

Eu, em nome de todos os moradores dos Bairros Popular nº2, Sarmento Rodrigues e Palanca, não poderia-mos deixar de manifestar naquela hora trágica as nossas mais sinceras condolências à família enlutada.

No almoço dos moradores dos Bairros Populares, Sarmento Rodrigues e Palanca desse ano de 2012, foi lido um manifesto pela sua ausência e guardado um minuto de silêncio em sua memória

Descansa em paz amiga, vais fazer muita falta e acredita que todos nós procuraremos ser sempre dignos do exemplo que nos deixaste.

Para informar também que o óbito ocorreu dia 1 de Janeiro de 2012, o corpo esteve em camara ardente na igreja de são Domingos de Rana e o funeral foi dia 3 de Janeiro para o Cemitério de Tires


ZÉ ANTUNES

2012

FALAS NOVAS




Estória de um Angolano.

Depois de ter sapado pra tuga voltei pra banda porque lá tava malaike. Tava bué ansioso pra ver os mos bradas, mos tropas, mos kambas, mos avilos e também queria marar a minha mboa. Akele kawele da tuga já tava me bondar malaike coxito a coxito. No caminho pró kubiko o nduta do ndomblé foi penteado por um catorzinho. Eu não cai porque seria bué rijo apanhar outro. A espera foi dura porque tava sentado ao lado duma kota que tinha uma dizumba bué malaike e ainda por cima o kobéle era um uí bué boelo que só tava a falar bué de mambos malaike ( dibuca). Quando cheguei no mo Gau controlei que tinham me estendido de milhões. Os pipous já tavam a pensar que eu tava bossanga, que tinha virado nguvulu. Eles nem sabiam que eu tive de paiar os meus mambos para poder voltar. A minha mamoite preparou já uns páiter bem esperançosa que o puto dela agora tinha kumbú. Quando lhe dei a dica que tava paiado ela meteu as mãos no nguimbo, disse que tinha lhe facado porque ela já tinha feito uns kilapis a contar com a minha massa. A kota ficou lixada me disse para bazar da house dela e eu disse tass.

Mais tarde fui ter com os meus alós pra saber das novidades. Eles me galaram e perguntaram onde é que estavam os grifes e o popó que eu falei que ia trazer. Não deu, eu disse. Eles me contaram tudo que tinha rolado e a pior foi ouvir que a minha dama tava com outro mwadié. Me disseram que ela afinal gosta de partir braço e que não maia quando o assunto é kumbú. Que ela agora tá a tchilar com um papoite que tá a lhe dar vida mulata. Fikei bué fox e só pensava em dar umas sandalhas no trolo mas os meus cambas me disseram que a garina tinha um guardilha bué caenche e que ele ia me pancar tipo sou filho dele. aceitei só. Nakela noite sapamos numa boda pra festejar a minha volta. Chupei, papei e tarrachei tipo nada, ainda tava pra perar uma xkindoza mas ela saiu pra dar uma sussa e já não voltou. Acho que me deu um jajão. Na hora de voltar eu é que fui o nduta, dei bué de mbaias, os meus tropas pensaram que íamos parar mas eu canguei bem aquele 2012.

Dia seguinte comecei a banzelar acerca da minha laife: não tou a amarrar, não tou a bumbar, não tenho mboa, já não sou ndengue, não tenho os faz-me-rir, não sou um granda mwadié, tou bué fininho tipo vou dar o caldo e não me aparece nenhuma fezada. Daki a pouco já nem vou poder matabichar, vou akabar por fikar tarla e por se bondar. O pior é que no meu komba nem vai ter uma gti se ker porque vai ser o komba dum granda fobado. Epá vou dar a tiroza.

OBS: se entendeste tudo é porque és 100% angolano, ou melhor, mwangolé. Caso contrário és um langa disfarçado. Esse mambo não fui eu que duzi, um kamba me passou...mas como kuiou, tipo que também vai te kuiar quando galares bem esse biolo bué fixe! se tiveres a travar com a tradução dá o tok que para muitos isso não é kunga é sempre kuioso safar um(a) sangue!
Juro mesmo! Fiquei quase na mesma.

T´Chingange

António Monteiro escreveu

Postado no sanzalangola e no facebook por Paulo Robalo
ZÉ ANTUNES

2013


18/03/2013

MALAIKA


(Paleio de Angola)
MEU IRMÃO, MINHA IRMÃ, COMPANHEIROS
Porra (me desculpem o palavrão), mas essa koisa de fazer recordar um "Gajo", faz criar cabelo branco, faz recordar quando éramos miúdos Kamundongos, o Ti-Domingos Kambumbi e, não longe do velho Roque, um "Kambuta", alfaiate que tinha cara picada dê bexiga que parecia cajú tocado pelo bico do "Pimplau" ou "Rabo di Junko"! Também mi faz lembrar: Xico Burro, que depois passou para outro sítio, ou seja, morava no "Bairro da Lixeira e sê mudou para o Bairro Rangel! Também o Sô Vieira da loja dê zinco, irmão daquele outro que fornecia o vinho que os patrício dele das loja baptizavam com água p'rá nos vender...EH!! PÓPILAS...Saudade é lixada, aleija um "gajo"!
Qui saudades meus Deus!! Mas p'rá quê isso? P'rá quê essa separação...só por causa da política...!!!
Naquele Marçal, lhe "avistei" lá muita coisa: baile dês "santomista" que o Povo deu nome de "Kilapanga"...Não vale a pena falar dêmasiado....!!!!!
KUABO KAXE!! Não falo mais...sênão vou chorar!!!

Venham comigo, vamo-nos juntar e recordar esta saudosa melodia Africana, chamada "MALAIKA", na voz espectacular, timbrada e melodiosa de MIRIAM MAKEBA!
VEJAM LÁ BEM, PRINCIPALMENTE OS "KOTAS", SE SE RECORDAM????


MALAIKA

ZÉ ANTUNES

2013

GAMANÇO



Quando eramos kandengues, além de jogarmos à bola também faziamos as nossas patifariazinhas e tinhamos as nossas aventuras.

No Bairro Popular, morava um individuo, julgo que na rua de Vila Viçosa, que tinha uma camioneta, e viajava para as fazendas do norte, e o forte dele era negociar em fruta, ou seja ia comprar fruta ás fazendas, para as vender em Luanda. Quando ele se ausentava e se ia abastecer, no regreso ao Bairro chegava sempre perto da noite, ao entardecer, a malta já sabia e como paráva-mos ali á entrada do bairro, ficava-mos á espera, quando via-mos a camioneta, ía-mos atrás dela, e um de nós saltava lá para dentro, e começava a distribuir fruta para os que vinham a correr atrás. Felizmente não era por necessidade, mas apenas pela brincadeira e a aventura. O individuo é que não gostava nada da nossa brincadeira, e muitas vezes parava a camioneta e vinha atrás de nós com ares ameaçadores de que nos queria bater.

Também haviam kandengues que quando as camionetas dos refrigerantes passavam para ir abastecer o Bar do Matias ( Bar São João ) o Tirol, o Bar Cravo e mesmo o Pisca–Pisca, trepavam para as carrocerias e gamavam umas Quicks e umas Missions, claro que quando os kandengues chegavam a casa, alguns pais já sabiam dos acontecimentos, dávam-nos uns valentes raspanetes, havendo mesmo pais que batiam forte e feio, que alguns kandengues ficam marcados das cinturadas que tinham levado.

ZÉ ANTUNES

1972