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29/03/2013

MIRANDELA



A CIDADE


«Quem Mirandela mirou, em Mirandela ficou.»

Se por acaso fosse só pelas suas famosas alheiras não seria bem assim mas Mirandela é, de facto, uma cidade a quem o epíteto acima referido cai que nem uma luva.
Tendo subido à categoria de cidade em 1984, tem nas lendas a derivação de Mirandela, dos olhares apaixonados que das atalaias do seu poderoso castelo sobre ela lançava o rei mouro de Lamas de Orelhão, nos poentes maravilhosos do Norte.

Por lá andaram os romanos e foi D. Dinis quem implantou a povoação no cabeço de S. Miguel. Terra fortificada, com a sua Torre de Menagem era considerada como uma das melhores fortalezas de Trás-os Montes.

Um fragmento do Arco de Santo António, é o que resta do castelo e até mesmo o pelourinho da vila desapareceu. Do Santuário de Nossa Senhora do Amparo vê-se uma paisagem magnífica.

O Rio Tua oferece paisagens extraordinárias e, em Mirandela, é vê-lo garboso enquadrado pela Ponte Velha, do século XVI, de arcos e talha-mares robustos


Mirandela ao anoitecer

 
Mirandela é uma cidade portuguesa a chamada “ Princesa do Tua” situada nas margens do rio Tua, pertencente ao Distrito de Bragança, Região Norte e sub-região do Alto Trás-os-Montes, com cerca de 11 100 habitantes.

É sede de um
município com 658,97 km² de área e cerca 26 000 habitantes, subdividido em 37 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Vinhais, a leste por Macedo de Cavaleiros, a sul por Vila Flor e por Carrazeda de Ansiães e a oeste por Murça e Valpaços.D. Afonso III deu-lhe a carta de foral a 25 de Maio de 1250. Foi elevada a cidade a 28 de Junho de 1984.

Caladunum era nome da actual cidade de Mirandela.

"Foi local da cividade romana de Caladunum, a atestar pela existência de numerosos vestígios da ocupação pelos romanos."

TRANSPORTES

A criação da Metro de Mirandela ocorreu em
1995, firmada no Decreto-Lei nº24/95 de 8 de Fevereiro, e surgiu em resposta a um conjunto de «medidas de racionalização das linhas de baixa procura» que a CP pôs em prática no início da década de 1990, neste caso, com a amputação da Linha do Tua, que antes ligava a Linha do Douro (na estação do Tua) a Bragança, e que em 1990 viu encerrado o troço entre esta cidade e Mirandela.

A partir de
28 de junho de 1995, a nova empresa passou a explorar o troço entre Mirandela e Carvalhais, no qual criou mais paragens (Mirandela-Piaget, Tarana, Jacques Delors e Jean Monet). Por concessão da CP, esta empresa passou a assegurar também, desde 21 de outubro de 2001, o serviço no restante troço activo da Linha do Tua (de Tua a Mirandela).

A
12 de fevereiro de 2007, perto do apeadeiro de Castanheiro, a automotora Bruxelas sofreu um grave acidente, no qual morreram 3 pessoas, e outras 2 ficaram feridas. A automotora viria a ser desmantelada, desfalcando a frota do Metro de Mirandela.

A
22 de agosto de 2008, outro grave acidente causou a morte a uma pessoa e ferindo outras 43. A partir deste dia a circulação do Metro de Mirandela foi interrompida entre a estação do Cachão e a do Tua.

Automotora do Metropolitano de Mirandela


Frota
A frota do Metro de Mirandela é composta por automotoras
LRV 2000, adquiridas à CP (Série 9500) — descendentes das Xepas, compradas à então Jugoslávia, e que após servirem nas Linhas do Corgo e do Tua, foram requalificadas nas oficinas ferroviárias de Guifões.

Inicialmente eram quatro
automotoras, que foram pintadas de verde (as afetas à CP são vermelhas) e batizadas com nomes de cidades europeias: Bruxelas, Lisboa, Estrasburgo e Paris.

GASTRONOMIA

Alheira

A região transmontana é famosa pela sua gastronomia e muitos são os turistas que voltam repetidamente à região para degustar pratos típicos e deliciarem-se com as verdadeiras iguarias confeccionadas à base do saber ancestral dos nossos antepassados. Uma dessas iguarias é sem dúvida a alheira. Este produto pode ser encontrado por todo o pais mas é em Trás os Montes que se conserva o modo artesanal da sua confecção e que lhes confere características inconfundíveis. A alheira é um enchido tradicional fumado, cujos principais ingredientes base são a carne e gordura de porco, a carne de aves e pão de trigo, o azeite e a banha, condimentados com sal, alho e colorau. Dependendo do gosto e da região podem ainda ser usados como ingredientes a carne de animais de caça e carne de vaca. É um enchido com formato de ferradura, cilíndrico, sendo o interior constituído por uma pasta fina na qual se apercebem pedaços de carne desfiadas e cujo invólucro é constituído por tripa natural, de vaca ou de porco. Por norma são feitas no Inverno depois da matança do porco de onde são aproveitadas as tripas. Depois de confeccionadas, são sujeitas a um processo de secagem durante alguns dias. O calor e o fumo da lenha de carvalho e oliveira conferem características únicas a este ex libris gastronómico. Actualmente, as alheiras mais famosas são as de Mirandela que já obtiveram um selo de qualidade internacional que lhe confere o certificado de garantia durante todo o processo de elaboração do produto. Graças à alheira, Mirandela tem ganho destaque turístico ao longo dos anos porque são cada vez mais os turistas que, para além do azeite, procuram a alheira durante todo o ano. Muitas são as lojas típicas que produzem e exibem este e outros produtos típicos nas suas montras. Contudo, noutras partes do distrito, há empresas apostadas na diversificação se sabores de alheira e, neste momento há já uma empresa que tem 15 variedades de alheiras e que exporta para o estrangeiro. As alheiras podem servidas como entrada mas normalmente são postas na grelha da lareira para assarem lentamente e serem servidas como prato principal acompanhadas de legumes. Também podem ser fritas em azeite ou estufadas, depois de envolvidas em couve lombarda

Um pouco de história

A arte de fazer alheiras foi inventada pelos judeus como artimanha para escaparem às malhas da Inquisição. Como a sua religião os impedia de comer carne de porco, eram facilmente identificáveis pelos seus perseguidores pelo facto de não fazerem nem fumarem os habituais enchidos de porco. Assim, substituíram a carne de porco por uma imensa variedade de carnes, que incluíam vitela, coelho, peru, pato, galinha e por vezes perdiz, envolvidos por uma massa de pão que lhes conferia consistência. A receita acabaria por se popularizar entre os cristãos, mas estes juntavam-lhe a omnipresente carne de porco, carne base da alimentação na região transmontana.

Alheira de Mirandela



A Minha história

Foi aqui nesta bela cidade que nasceu o Júlio Inácio ( meu pai ) a 12 de Setembro de 1930 em Soutilha, na freguesia de Aguieiras.

Foi nesta linda cidade que estive durante o ano de 1980 nas oficinas da C.P. e nos fins de semana de verão frequentava a praia da maravilha, e fazia motocross em Mascarenhas, frequentava a pastelaria Mira Tua e o clube do Mirandela junto ao Jardim, onde se passava bons serões. Lembro-me do cinema e das festas que se faziam nos Bombeiros Voluntários. Nessa altura aos jantares ia muito a Vila Flor, ao Romeu e ao Chico da Burrica ( penso que é assim que chamavam o tio chico ) no tempo que estava a construir uma pousada para os caçadores.

Foi um ano que passei o pior inverno e o melhor verão, muito frio e muito calor, dizia-se que era a cidade de seis meses de inverno e seis meses de inferno, adorei esta minha passagem pela PRINCESA do TUA. Ainda tenho amigos que há bastante tempo não os vejo, e mora aquela saudade. Ai que saudades!!! Meu Gananzambi=DEUS


ZÉ ANTUNES

2010

28/03/2013

PÁSCOA


Páscoa é um evento religioso cristão, normalmente considerado pelas igrejas ligadas a esta corrente religiosa como a maior e a mais importante festa da Cristandade Católica. Na Páscoa os cristãos católicos celebram a Ressurreição de Jesus Cristo depois da sua morte por crucificação que teria ocorrido nesta época do ano em 30 ou 33 d. c.

Os eventos da Páscoa teriam ocorrido durante a data a em que os judeus comemoram a libertação e fuga de seu povo escravizado no Egito.

A palavra Páscoa advém, exatamente do nome em hebraico da festa judaica à qual a Páscoa católica está intimamente ligada, não só pelo sentido simbólico de “passagem”, comum às celebrações pagãs (passagem do inverno para a primavera) e judaicas (da escravatura no Egito para a liberdade na Terra prometida), mas também pela posição da Páscoa no calendário, segundo os cálculos que se indicam a seguir.

A Páscoa católica-ortodoxa celebra a ressurreição de Jesus Cristo. Depois de morrer na cruz, seu corpo foi colocado em um sepulcro, onde ali permaneceu por três dias, até sua ressurreição. É o dia santo mais importante do Catolicismo.

Muitos costumes ligados ao período pascal originam-se dos festivais pagãos da primavera. Outros vêm da celebração do Pessach, ou Passover, a Páscoa judaica, que é uma das mais importantes festas do calendário judaico, celebrada por 8 dias e onde é comemorado o êxodo dos israelitas do Egito, da escravidão para a liberdade. Um ritual de passagem, assim como a "passagem" de Cristo, da morte para a vida.

A última ceia partilhada por Jesus Cristo e seus discípulos é narrada nos Evangelhos e é considerada, geralmente, a refeição ritual que acompanha a festividade judaica, se nos ativermos à cronologia proposta pelos Evangelhos. O Evangelho de João propõe uma cronologia distinta, ao situar a morte de Cristo por altura da hecatombe dos cordeiros do Pessach. Assim, a última ceia da qual participou Jesus Cristo (segundo o Evangelho de Lucas 22:16) teria ocorrido um pouco antes desta mesma festividade.

A festa tradicional, segundo as conceções católica e ortodoxa, associa a imagem do coelho, um símbolo de fertilidade, e ovos pintados com cores brilhantes, representando a luz solar, dados como presentes. De fato, para entender o significado da Páscoa cristã atual, é necessário voltar para a Idade Média e lembrar os antigos povos pagãos europeus que, nesta época do ano, homenageavam Ostera, ou Esther – em inglês, Easter quer dizer Páscoa.

Texto baseado em diversas fontes.., da net

Das Páscoas da minha infância, no Bairro Popular, em Luanda, guardo apenas algumas recordações. Resumem-se a lembranças que envolvem atos religiosos, sei que se enfeitavam as ruas onde o Padre Costa Pereira ia com a cruz. Entrava em todas as casas que desde manhã cedo já o esperavam, com um tapete de flores à porta.  

O compasso passa, ouve-se a campainha sonante a avisar. Vem aí a Cruz, correm os donos das casas a abrir as portas!

À chegada do padre, todos diziam em uníssono:

- Aleluia, aleluia! Cristo Ressuscitado, Feliz Páscoa, aleluia, aleluia!.

À volta da sala estava a família. E o sacristão segurava orgulhosamente, a Cruz com a imagem de Cristo, engalanada com fitas coloridas. E as famílias, comovidas, beijam-na e beijam-se, trocam mimos entre si, numa alegria realmente sentida...

Em cima da mesa, sobre a toalha de linho branco, havia amêndoas e bolos, e o respetivo envelope para ajuda da paroquia. 

Enquanto a família beijava a Cruz, o Padre benzia as famílias,

Também me familiarizei com alguns costumes usuais da quadra Pascal, e que até ali pouco não me diziam respeito ou simplesmente desconhecia, como seja por exemplo a tradição da oferta das ( amêndoas ) aos afilhados. Meus irmãos tinham sempre uma prendinha dos padrinhos pois todos estavam em Luanda. O meu padrinho estava em Paris nunca o conheci, madrinha conheci mas estava na altura em Portugal.

Mas o que os Kandengues queriam depois das guloseimas, e deste ato religioso, era aproveitarem a pausa escolar para correr, brincar e jogar á bola.

A todos, uma Santa e Feliz Páscoa

ZÉ ANTUNES

2013



 

27/03/2013

GUERRAS? QUEM DESEJA QUE ISSO VOLTE A ACONTECER?


Há mais de dois séculos, que propagamos a ideia de que todos os indivíduos e povos – deste planeta – são iguais e livres. Aliás, foi este o melhor contributo que se deu ao mundo. Não podemos recusar a outros povos e Estados aquilo que, para nós, é um dado adquirido. Os direitos humanos e as liberdades democráticas são universais. Não são privilégios dos ocidentais. São conquistas universais. Não são privilégios dos ocidentais. São conquistas fundamentais às quais todos os indivíduos e todos os povos deste planeta devem poder aceder incondicionalmente. 

No entanto, tem-se vindo a “proliferar” um incompreensível desrespeito à defesa dos valores elementares do Estado de direito, um sentimento pelo qual nos colocamos acima do “temor” e do “desejo”. Ou seja, uma desconsideração pelo desconhecimento dos mais elementares preceitos, que garantem os direitos básicos do ser humano. Por exemplo, o Ocidente e as suas hierarquias, políticas, militares, sociais e económicas, têm estado mais ocupados com o progresso abusivo e vergonhoso da produção, da especulação e do lucro globalizados, do que com uma adequada redistribuição da riqueza ou com a luta contra a marginalização e pobreza. Estão mais atentos a uma política de exclusão, do que inclusivamente aprovar estados de emergência nacional, frente à temida emigração, do que a uma autêntica política de inclusão social equitativa e justa, que respeite a diversidade. São mais favoráveis ao esquecimento interessado do que a uma adequada exigência de justiça. 

Senhores Responsáveis da “União Europeia”: o combate contra a pobreza e contra o desemprego, são assuntos prioritários e inadiáveis. São causas internacionais que se encontram num impasse e, esta situação, meus Senhores – acreditem - é Gravíssima! Não pode ser posta de parte. Não pode falhar! Na eventualidade do falhanço do chamado “projeto europeu”, a condição e o estado correm o risco de se agravar. O regresso das rivalidades entre os Estados nos quatro cantos do mundo e o desencadear de conflitos comerciais a grande escala tornar-se-iam inevitáveis. 

Quem poderia impedir o aumento de tensões ao nível internacional, nomeadamente de novas guerras? Uma coisa é certa: a Europa não pode voltar a cair nestes erros irracionais, que já lhe custaram tanto no século passado, como: famílias dilaceradas, minorias exterminadas, cidades bombardeadas e países arruinados. Guerras, que efetivamente, causaram o desaparecimento de cinquenta milhões de europeus. Onde foram dizimadas populações inteiras, com os judeus à cabeça. Todas as famílias europeias, tinham infelizmente no seu seio, pelo menos, uma vítima da guerra. Quem deseja que isso volte a acontecer? 

Pensem nisso!

Cruz dos Santos
2013



25/03/2013

SERÁ QUE O MAL, SÓ ESTÁ NOS POLITICOS?



Portugal está desanimado e todos os lamentos indicam a causa: “os políticos, não prestam”! Quase se apalpa a desorientação e a falta de liderança. As declarações públicas, muito variáveis, incoerentes, partilham um elemento comum: ninguém faz ideia do rumo do país. Fala-se, propõe-se, estudam-se leis, orçamentos, denuncia-se e critica-se, mas não se apresenta um objectivo claro, transparente e uma forma realista de lá chegar. No entanto, temos de o dizer, os políticos actuais não são piores que os anteriores.

Do lado de cá, estamos nós: o Povo! Éramos tão fortes, não éramos? Somos todos invencíveis e melhores e vivemos cheios de nós e cheios dos outros. Somos sempre os que passam ao lado. Somos, assim uma espécie de “Treinadores de bancada”, que fazíamos sempre melhores, se estivéssemos do lado de lá. Somos sempre aqueles de quem se diz, o que é suposto sobre os outros dizermos. E, no entanto, em poucos segundos, as torres ruíram e atrás delas, mais do que o mundo, foi esta embrulhada da vida, que nos entrou pela porta dentro com um vento que pulverizou tudo à sua passagem. Quando acordámos havia luz – e a luz que havia - deixava-nos ver, com nitidez, escombros, miséria, bocados de sonhos desfeitos e um mundo estranhamente assustador e silencioso.

O problema mais grave do país está no confronto entre contribuintes e grupos de interesse. Infelizmente essas duas forças diluem-se na sociedade, não são bem definidas e, em certa medida, coincidem. Mas através do Orçamento de Estado metade do produto nacional é retirado a uns para ser dado a outros. Esta redistribuição, em geral necessária, passou a incluir grandes desvios para actividades fúteis ou até nocivas. Burocracias, subsídios, aquisição de submarinos, carros de combate e viaturas “top-gama”, bloqueios, estudos técnicos, funcionários inúteis, inspectores e gestores fanáticos, professores sem aulas, planos tecnológicos, etc.

Num universo onde tudo muda, e onde mudar parece ser o “verbo-de-encher” para o sucesso, será que o mal, só está nos políticos? Estamos um bocado mais velhos, no que pode ter de bom e de mau. Sabemos mais. Achamos agora que, afinal, sabemos cada vez menos em face do que fica por saber. Portanto, nem tudo muda. Nem todas as revoluções abafam as coisas simples. Nem torres, nem guerras, nem tecnologias, matam a origem das coisas: o coração, o talento, a sensibilidade, a inteligência, a alma, o sonho, a criação. Para que a vida tenha mais sentido, quando todos os sentidos se invertem e não há lógica nas notícias das Televisões e jornais, nas notícias da vida, há que termos forças, coragem, e acima de tudo esperanças, para pudermos face a este “turbilhão” de mutações progressivas, produzido por este nosso mundo, crescentemente complexo.


Cruz dos Santos

2013

CHELAS



Carlos Alberto CHELAS era no Governo Colonial na Província de Angola em Cabinda chefe de Posto de uma localidade no interior do Mayombe, quando regressa a Portugal, é integrado no Quadro Geral de Adidos, e como funcionário Público é colocado no Hospital de São José em Lisboa como Administrativo.

Vivia com a Mãe perto do Bairro Alto. Conheci-o em Lisboa e politicamente tive algumas divergências com ele.

Quem privou com o Carlos Alberto, CHELAS era assim que os amigos o tratavam, jamais se esquecerão dele pelos mais diversos acontecimentos, e pela grande amizade, ajudava muitas pessoas com medicamentos que conseguia trazer do Hospital.

Mas como pessoa que comia bem e bebia melhor, nunca cuidando do corpo, Carlos Alberto era forte pesava 130 Kilos e deveria ter 1.70 de altura, cada vez engordava mais, e os amigos sempre o avisavam para ele ter moderação no beber e comer, pois um jovem com 60 anos, poderia-lhe acontecer um AVC.

Foi o que lhe aconteceu, foi com grande tristeza e pesar que recebemos a triste noticia do falecimento do nosso amigo CHELAS que súbitamente nos deixou, mas um pequeno AVC , ceifou a vida de um amigo que privei já na minha idade adulta.

Os confrades da Confraria do Penico Dourado, de Lisboa, e muitos dos seus amigos manifestaram-se naquela hora trágica endereçando as mais sinceras condolências à família enlutada.

Descansa em paz amigo, muitos teus amigos ainda hoje se lembram de ti.

ZÉ ANTUNES

2010

A FAMA



Algum tempo depois da inauguração do Centro Comercial Vasco da Gama, a empresa Prosegur ganhou o concurso para gerir o Parque de Estacionamento, na cave do dito Centro Comercial, ali no Parque das Nações.

Nesse Parque de estacionamento, como está regulamentado há lugares para deficientes, mas como era novidade muitas pessoas iam visitar o Centro Comercial, e o afluxo de automóveis era tanto que esses lugares eram ocupados por automóveis, em que os seus proprietários não tinham o dístico de deficientes nos seus automóveis.

Nesses lugares bem assinalados ainda se reforçou com uma placa de pedido de solidariedade para não estacionar naqueles lugares visto ser lugar de deficientes, sempre que algum condutor ali estaciona-se, placa era posta no vidro do automóvel, para advertir os condutores, para que na próxima vez não estacionarem naqueles lugares.

Tudo decorria bem com a coordenação do supervisor e seus colaboradores, mas eis que um belo dia, uma figura do dito jet sete de Lisboa, entra no Parque de Estacionamento, com o seu mercedes cinzento topo de gama, estaciona no lugar indevido, lugar dos deficientes, e vai à sua vida, foi fazer compras.

Quando regressa encontra a placa de pedido de solidariedade, para não estacionar naqueles lugares visto ser lugar de deficientes.

A famosa Senhora, pega na placa e dirigi-se a uma colaboradora que se encontrava no parque e com uma atitude de superioridade e altivez diz:

Menina pode-me dizer o que é isto!!, o que isto significa?

A colaboradora cordialmente diz:

A Senhora estacionou a sua viatura num lugar de deficientes, e essa placa é um pedido, para elucidar as pessoas que os deficientes, devido ás suas limitações, também têm direito a um lugar de estacionamento!! Se fosse na via pública as autoridades que regulam o trânsito multavam-na.

Resposta da dita senhora:

Sabe quem eu sou? Eu sou uma cantora famosa e gasto muito dinheiro nos Supermercados Continente.

A colaboradora com a maior das calmas diz:

Eu sou a Teresa, da Prosegur, muito prazer! Mas informo-a que o Parque não é só dos clientes dos Supermercados Continente, o Parque é da SONAE e por conseguinte de todos os clientes que frequentam o Centro e que compram nas Lojas do Centro Comercial.

A dita senhora sem saber mais que dizer, lá se meteu no seu belo automóvel, de cabeça baixa, pois pensava, que por ser famosa, poderia estacionar onde bem quisesse.

De salientar que o Dístico que ela ostentava no seu automóvel era uma foto dela mesmo só em langerie.

Não se sabe se mais alguma vez estacionou no lugar dos deficientes

Sei que a Teresa ao contar esta história dá sonoras gargalhadas.

ZÉ ANTUNES
2001

FROU FROU



No ano de 1974, depois do 25 de Abril e após a saída do Parque Mayer e conseguinte retirada do teatro, Sérgio de Azevedo idealizou e concretizou, noCampo Grande, ali ao lado da Churrasqueira, o Café Concerto "Frou-Frou", foi o primeiro a ter um Bar Café Concerto, depois das revistas teatrais, quase todos os artistas se reuniam para tomar um copo, conversar e assistir aos grandes espetáculos,mais tarde considerada a melhor sala noturna da Península Ibérica , do qual empreendimento este que viria a ser espoliado.

No ano de 1976 eu e o Nelo Madruga fomos convidados para assistir a um show de fado nesta casa de espetáculos, ali para os lados do Campo Grande, de nome "Frou-Frou". e, o certo é que apesar da crise e do tempo do PREC a casa estava quase sempre cheia, tempos depois voltei lá com o Mário Dias. Muitos anos depois era ali que se realizava o Bingo do Sporting, hoje é um passeio que vai dar ao novo edifício da ZON e que dá acesso à estação do metropolitano de Campo Grande.

Aceitámos o convite e lá fomos. Para os anos 76, o "Frou-Frou" era uma casa moderna, com um palco elevatório e espetáculos para todos os gostos. Antes do fado, havia, nada mais, nada menos, do que striptease. Lembro-me de a artista austríaca entrar em palco através de uma língua gigante, que pendia numa boca que fazia parte do cenário. Do outro lado do palco havia um pénis com dois metros de altura, que servia de varão para a dança sensual.

Quando o strip acabava, as luzes eram desligadas, o aderecista retirava a boca e o pénis, e colocava duas cadeiras, para os guitarristas. Eles entravam no palco às apalpadelas para dar início à sessão da fado, que começava com as cortinas a abrir e a Fadista a cantar.

“ Crazy Horse “ produzido pelo empresário no seu café Concerto “Frou – Frou “, foi considerado o espetáculo de nu artístico mais bonito apresentado em Portugal. Integraram-no bailarinas de dez nacionalidades.

ZÉ ANTUNES

1976