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29/03/2013

LUANDA




                   Paulo Dias de Novais                       Cidade de Luanda    

Luanda é a maior
cidade e a capital de Angola, sendo também a capital da província homónima. Localizada na costa do Oceano Atlântico, é o principal porto e centro administrativo de Angola. Tem uma população de aproximadamente 5 milhões de habitantes, o que a torna a terceira maior cidade lusófona do mundo, atrás de São Paulo e Rio de Janeiro.

As
indústrias presentes na cidade incluem a transformação de produtos agrícolas, produção de bebidas, têxteis, cimento e outros materiais de construção, plásticos, metalurgia, cigarros, e sapatos. O petróleo, extraído nas imediações, é refinado na cidade, embora a refinaria tenha sido várias vezes danificada durante a guerra civil que assolou o país entre 1975 e 2002. Luanda possui um excelente porto natural, sendo as principais exportações o café, algodão, açúcar, diamantes, ferro e sal.

Os habitantes de Luanda são na sua grande maioria membros de grupos étnicos
africanos, principalmente ambundu, e a seguir ovimbundu e bakongo. Existe uma pequena minoria de origem europeia, constituída principalmente por portugueses. A língua oficial e a mais falada é o português, sendo também faladas várias línguas do grupo bantu, principalmente o kimbundo.

Luanda foi a principal cidade a acolher os jogos do
Campeonato Africano das Nações 2010.


Etimologia


O topónimo Luanda provém do étimo lu-ndandu. O prefixo lu, primitivamente uma das formas do plural nas línguas bantus, é comum nos nomes de zonas do litoral, de bacias de rios ou de regiões alagadas (exemplos: Luena, Lucala, Lobito) e, neste caso, refere-se à restinga rodeada pelo mar. Ndandu significa valor ou objecto de comércio e alude à exploração dos pequenos búzios colhidos na ilha de Luanda e que constituíam a moeda corrente no antigo Reino do Kongo e em grande parte da costa ocidental africana, conhecidos por zimbo ou njimbo.

Como os povos
ambundos moldavam a pronúncia da toponímia das várias regiões ao seu modo de falar, eliminando alguns sons quando estes não alteravam o significado do vocábulo, de Lu-ndandu passou-se a Lu-andu. O vocábulo, no processo de aportuguesamento, passou a ser feminino, uma vez que se referia a uma ilha, e resultou em
Luanda


 .
       Da fundação à dominação holandesa


A História Geral das Guerras Angolanas de
Cadornega, escrito em Luanda em 1680.
Quando os portugueses chegaram à região onde hoje se localiza a cidade de Luanda, esta era parte integrante do
reino do Ndongo, vassalo do reino do Kongo, e era especialmente importante por ser uma zona produtora de zimbo, uma pequena concha com valor fiduciário

Respondendo a um pedido de envio de missionários feito aos portugueses pelo rei
Ndambi a Ngola do Ndongo em 1557, no dia 22 de Dezembro de 1559 zarparam de Lisboa três navios com um emissário do rei de Portugal, Paulo Dias de Novais, e dois padres jesuítas, Francisco de Gouveia e Agostinho de Lacerda. Chegados à barra do Kwanza no dia 3 de Maio de 1560, a missão portuguesa foi recebida com hostilidade e desconfiança pelo novo rei do Ndongo, Ngola Kiluanje kia Ndambi, que os encarou como agentes do rei do Kongo, mandando-os aprisionar. Mais tarde, com a promessa de conseguir apoio diplomático e militar português, Paulo Dias de Novais teve permissão para regressar a Portugal.

Na sua segunda viagem a Angola, Paulo Dias de Novais partiu de
Lisboa no dia 23 de Setembro de 1574, acompanhado por mais dois padres da Companhia de Jesus, tendo chegado à Ilha do Cabo em Fevereiro de 1575. Aí estabeleceu o primeiro núcleo de colonos portugueses: cerca de 700 pessoas, onde se encontravam, religiosos, mercadores e funcionários, bem como 350 homens de armas.

A Ngola Kiluanje kia Ndambi tinha entretanto sucedido
Njinga Ngola Kilombo kia Kasenda, discípulo do padre Francisco de Gouveia que, na sua estadia forçada de dezena e meia de anos, tinha aproveitado para fazer a sua acção evangelizadora entre os angolanos. No dia 29 de Junho de 1575, Paulo Dias de Novais recebeu uma comitiva enviada pelo ngola para o saudar.

Reconhecendo não ser a ilha do Cabo o lugar mais adequado, avançou para terra firme e fundou a vila de São Paulo de Luanda em
25 de Janeiro de 1576, tendo lançado a primeira pedra para a edificação da igreja dedicada a São Sebastião — santo de grande devoção dos portugueses e patrono onomástico do rei de Portugal —, no lugar onde é hoje o Museu das Forças Armadas.

A escolha do novo local para a vila foi influenciada sobremaneira pela existência de um magnífico
porto natural, situado numa baía protegida por uma ilha; de uma fonte de água potável, as águas do poço da Maianga na (então) lagoa dos Elefantes; e das excelentes condições de defesa oferecidas pelo morro de São Paulo, mais tarde designado morro de São Miguel, quando se construiu a fortaleza do mesmo nome. A sua população constituída pela comitiva de Paulo Dias de Novais, composta por sapateiros, alfaiates, pedreiros, cabouqueiros, taipeiros, um físico e um barbeiro, tiveram dificuldades de adaptação à inclemência do clima e à carência de condições para a fixação. No entanto, a vila expandiu-se para a "Cidade Alta", na continuação do morro de São Paulo, onde se construíram as instalações para a administração civil e religiosa. Os soldados e os mercadores de escravos viviam na "Cidade Baixa", na área actual dos Coqueiros.

Em 1580, chegaram a Luanda dois missionários jesuítas, em 1584 outros dois e, em 1593, mais quatro. Apesar das naturais dificuldades encontradas, as primeiras tentativas da
evangelização deram resultados apreciáveis, ao ponto de, em 1590, já se dizer que haver aqui cerca de vinte mil cristãos.

No dia 1 de Agosto de 1594, chegou a Luanda um novo governador,
João Furtado de Mendonça, que vinha substituir D. Francisco de Almeida e seu irmão D. Jerónimo. Fazia-se acompanhar por doze raparigas órfãs, educadas em Lisboa no recolhimento sustentado pela Misericórdia. A maior parte dos autores vê nestas raparigas as primeiras mulheres brancas que vieram para Luanda. Todas elas casaram com colonos aqui radicados.

Durante este tempo, a economia da cidade assentava exclusivamente no comércio de escravos, proporcionando avultados lucros e um elevado nível de vida. Esta abundância reflecte-se em muitos aspectos da vida da cidade, por exemplo, nas festas levadas a efeito em 1620 para comemorar a
beatificação de São Francisco Xavier. O custo da comédia pastoril representada e do fogo-de-artifício que se queimou, atingiu a soma de 3 mil cruzados, uma verba considerada exorbitante na época[.

No entanto, nem tudo foram gastos sumptuários nesta época. Em 1605, com o aumento da população europeia e do número de edificações, que se estendiam já de São Miguel ao largo fronteiro do actual
Hospital Josina Machel, a vila de São Paulo de Luanda recebeu foral de cidade, sendo constituída a primeira vereação municipal. Nesta época ergueram-se, na parte alta, as igrejas da Misericórdia, em 1576; a Sé Episcopal, em 1583, no local onde actualmente funciona Casa Militar da Presidência da República; bem como a igreja dos Jesuítas, em 1593; o Convento de São José, em 1604, no local onde hoje se ergue o hospital; o palácio do governador, em 1607; e da Casa da Câmara, em 1623, onde, mais tarde, funcionou o Tribunal da Relação de Luanda

Luanda tornou-se o centro administrativo de Angola a partir de 1627. Para a defender foi construída a
Fortaleza de São Pedro da Barra, em 1618, e a Fortaleza de São Miguel de Luanda, em 1634. Isto, no entanto, não evitou a sua conquista pelos holandeses e o domínio da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, entre 1641 e 1648.

Da reconquista à abolição do tráfico de escravos




 Salvador Correia        Vista da Fortaleza de S. Miguel





Planta de São Paulo da Assunção de Luanda
                          no século XVIII


A tomada de Luanda pelos holandeses a 25 de Agosto de 1641 teve como consequência a brusca interrupção do fornecimento de escravos ao Brasil. A braços com uma longa guerra com a Espanha, a metrópole portuguesa era incapaz de pôr cobro à situação. Coube, pois, aos próprios governantes locais brasileiros, apoiados pela coroa portuguesa, a organização de uma expedição a Angola.

Uma primeira tentativa de reconquistar Angola foi chefiada pelo
governador do Rio de Janeiro Francisco de Souto-Maior à frente de uma expedição constituída por oito navios e 500 soldados, incluindo dezenas de índios. Apesar de a expedição não ter alcançado o resultado esperado — tendo perecido o próprio Souto-Maior, bem como parte significativa dos soldados, esquartejados e devorados pelos jagas, tribo canibal aliada dos holandeses — o facto de terem logrado trazer para o Rio dois mil escravos, deu novo alento aos donos de engenho, que se entusiasmaram com uma nova expedição.

Dois anos mais tarde, nova esquadra de 15 navios atravessou o
Atlântico Sul rumo a Luanda. A expedição, capitaneada pelo novo governador do Rio, Salvador Correia de Sá e Benevides, deixou a Baía de Guanabara no dia 12 de Maio de 1648, reunindo entre 1400 e 1500 homens, segundo o historiador Charles Ralph Boxer, entre portugueses, brasileiros e angolanos refugiados. A esquadra aproximou-se da capital angolana no dia 12 de Agosto, tendo encontrado a cidade protegida por apenas 250 holandeses nos Forte do Morro e da Guia, já que o grosso da guarnição, comandada pelo holandês Symon Pieterszoon, se encontrava em Massangano, combatendo os portugueses com os jagas.

Apesar de nos recontros de Luanda terem perecido 150 portugueses, contra apenas três mortos e oito feridos do lado holandês, a expedição logrou infligir um golpe fatal aos holandeses, destruindo as suas
peças de artilharia, vitais para a sustentação da defesa. Perante isso, o administrador holandês Cornelis Hendrikszoon Ouman pediu a paz. Nos termos da rendição ficou acordado que deixariam Luanda e os postos avançados no Kwanza e em Benguela, mas levando consigo os escravos que eram propriedade da companhia holandesa. Regressado de Massangano, Pieterszoon aceitou a rendição, mas não sem antes distribuir amplamente armas entre os jagas, para que pudessem oferecer resistência aos colonizadores.

Na sequência da vitória, Salvador de Sá assumiu o
governo da Angola, rebaptizando o Forte do Morro de Forte de São Miguel, em homenagem ao patrono da expedição vinda do Brasil. Já a cidade de São Paulo de Luanda tornou-se São Paulo da Assunção, em honra a Nossa Senhora da Assunção. Imediatamente os navios negreiros embarcaram em direcção ao Brasil com sete mil escravos apinhados nos porões. Estava restabelecido assim o tráfico de escravos para o Brasil.

Quando os holandeses foram expulsos por Salvador Correia de Sá e Benevides, Luanda encontrava-se, segundo
António de Oliveira de Cadornega, praticamente destruída, com igrejas e casas sem tectos e sem portas, tendo a maioria dos seus antigos habitantes sido dizimada ou se posto em fuga. Em carta que o Senado da Câmara dirigiu ao rei nos princípios de 1665, informava-se que a população branca de Luanda se resumia a 132 almas.

Para aumentar a população, a Provisão Real de 23 de Outubro de 1660 isentava os moradores de Luanda de comparticiparem nas guerras do sertão e, em 4 de Maio de 1675, foi proposta ao Conselho Ultramarino a vinda de pessoas sob a alçada da lei, com exclusão apenas daquelas sobre as quais recaíssem penas capitais.

Houve, no entanto, tentativas para reanimar a cidade. Logo em 1651 foi construída a actual Sé Arquiepiscopado e, em 1664, a
Igreja da Nazaré, começando-se também a delinear a parte baixa da cidade, na zona onde já existia um mercado, conhecido por Quitanda Pequena, no local mais tarde ocupado pela Rua de Salvador Correia, hoje Rua da Rainha Ginga. Na parte alta, foi construído o hospício de Santo António, em 1668 – onde presentemente se encontra o jardim público, em frente ao Palácio do Governo – e a Igreja do Carmo, em 1661, marcando o início da urbanização da Ingombota.

Mas a cidade e a província permaneceram num estado de quase letargia por cerca de um século, só se alterando claramente em 1764, quando ascendeu à suprema magistratura de Angola um dos mais qualificados representantes da administração
pombalina: D. Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho.


De 1836 aos nossos dias


Luanda em 1883


Enquanto apenas um quinto de suas importações eram originadas de Portugal, os outros quatro quintos eram com o Brasil. O equilíbrio na balança comercial era mantido com o intenso contrabando de escravos.

A cidade limitava-se a funções militares, administrativas e de redistribuição. A indústria era praticamente inexistente e a instrução pública pouco evoluída

Em
1847, incluindo os edifícios públicos, a cidade contava com 144 casas com primeiro andar, 275 casas térreas e 1058 cubatas (cabanas de indígenas). Cidade de degredados, com cerca de cinco mil habitantes, possuía perto de cem tabernas, pelo que os viajantes a qualificavam como de moralidade duvidosa.

Em
1889, o governador Brito Capelo inaugurou um aqueduto que forneceu a cidade de água potável, anteriormente escassa, abrindo caminho para o grande crescimento de Luanda. Em 1872 Luanda recebeu o etnónimo de "Paris da África".

A partir de
1928, com o regime de excepção em Portugal, Luanda passa a ser mais utilizada como colónia penal. Nos primeiros anos do salazarismo, a população europeia da cidade era composta por condenados de delito comum e outros, utilizando uniformes de sarja azul escura com a inscrição D.D.A. em branco no peito e nas costas (Depósitos dos Degredados de Angola era como se chamavam as prisões e fortalezas de São Miguel e da Barra, onde permaneciam depositados os deportados e presos políticos em Luanda).

Luanda é a maior e a mais densamente habitada cidade de Angola. Inicialmente projectada para uma população a rondar nos 500 mil
habitantes, é hoje uma cidade sobre-habitada. Segundo os últimos estudos, vivem actualmente em Luanda mais de 5 milhões de habitantes.


Geografia

Cidade de Luanda vista de satélite.

A cidade de Luanda é constituída por seis municípios: Cazenga, Ingombota, Kilamba Kiaxi, Maianga, Rangel e Sambizanga. Cacuaco, Samba e Viana fazem parte da província de Luanda, mas encontram-se já fora do perímetro urbano luandense.

A zona central de Luanda está dividida em duas partes, a Baixa de Luanda (a
cidade antiga) e a Cidade Alta (conhecida pela "nova cidade"). A Baixa de Luanda está situada próxima do porto e tem ruas estreitas e antigos edifícios dos tempos coloniais. O litoral é marcado pela Baía de Luanda, formada pela protecção do litoral continental por meio da Ilha de Luanda e a Baía do Mussulo, ao sul do núcleo urbano principal, formada pela restinga do Mussulo.

Não existem rios grandes que desemboquem no litoral da cidade, mas vários cursos de água formam o sistema de bacias pluviais de Luanda. Os rios mais próximos são o
Kwanza, o maior rio de Angola que faz o limite sul entre a província de Luanda e a província do Bengo, e o rio Bengo que faz o limite norte com a mesma província.


Clima

 
O clima é quente e húmido, mas surpreendentemente seco, devido à corrente fria de Benguela que impede a condensação da humidade para gerar chuva. Frequentemente, o nevoeiro impede a queda das temperaturas durante a noite, mesmo durante o mês de Junho, que costuma causar secas completas até Outubro.

Luanda possui uma
precipitação anual de 323 milímetros, mas a variabilidade está entre as mais altas do mundo, com um coeficiente de variação superior a 40%. O curto período de chuvas nos meses de Março e Abril depende de uma contra-corrente de norte que traz humidade à cidade.

Crescimento populacional

Globalmente, a população de Luanda aumentou nas duas últimas décadas, como consequência da fuga de vastos contingentes populacionais das zonas rurais para a capital durante a Guerra Civil Angolana. O resultado foi um crescimento muito acentuado, não controlado, que não deixou de provocar uma série de problemas sérios - desde a escassez de habitações, de saneamento básico e de empregos até um aumento da criminalidade, passando pelo desajustamento do sistema viário a um volume vertiginoso de trânsito.

Composição étnica

Os habitantes de Luanda são na sua grande maioria membros de grupos étnicos bantus. A população original da região são os Ambundu, em particular os do grupo (Axi)Luanda (Lwanda) de cujo nome deriva o da cidade. Aos Ambundu juntaram-se no século XX, na vigência do regime colonial, grupos bastante numerosos de Ovimbundu e de Bakongo, especialmente nas últimas décadas coloniais e durante a Guerra Anti-Colonial; esta imigração reforçou-se novamente em consequência da Guerra Civil Angolana, que também desencadeou a passagem de muitos Ambundu rurais para a capital. Esta alberga entretanto também minorias oriundas de todos os grandes grupos étnicos do país, dos Côkwe aos Ovambo.

Para além dos habitantes de origem bantu, Luanda teve durante o período colonial uma forte minoria de portugueses; no fim deste período foram mais de 50,000, entre já nascidos no país e recentemente imigrados. No momento do acesso de Angola à independência, a maior parte deste grupo deixou o país, entretanto, a população de portugueses, brasileiros e outros caucasianos voltou a ser tão numerosa como no início dos anos 1970. Convém salientar que em Luanda é particularmente alta a proporção da população mestiça, ou seja, de descendência negra e caucasiana.

Ao mesmo tempo, a estrutura da sociedade está a evoluir de acordo com uma dinâmica ainda mal estudada mas que, de qualquer modo, aponta no sentido de um processo cada vez mais acelerado de formação de classes e de desigualdades sociais.

Religião

Luanda é a sede de um arcebispo católico romano.

Política e administração

Divisão administrativa

A cidade de Luanda é constituída por seis municípios:
Cazenga, Ingombota, Kilamba Kiaxi, Maianga, Rangel e Sambizanga. Cacuaco, Samba e Viana fazem parte da província de Luanda, mas encontram-se já fora do perímetro urbano luandense.

Economia

Luanda é sede das principais empresas do país: Angola Telecom, Unitel, Endiama, Sonangol, Linhas Aéreas de Angola e Odebrecht Angola, dentre outras.

Sectores em destaque

A
indústria transformadora (principal actividade de Luanda) inclui alimentos processados, bebidas, têxteis, cimento e outros materiais de construção, produtos plásticos, metais, cigarros, e sapatos. O petróleo (encontrado em depósitos off-shore próximos) é refinado na cidade, em instalações que foram várias vezes atacadas durante a guerra civil angolana (1975-2002). Luanda possui um excelente porto natural, de onde exporta principalmente café, algodão, açúcar, diamantes, ferro e sal. A cidade também possui uma próspera indústria da construção civil, um efeito económico bom para o país, que experimentou, desde 2002, um retornou à estabilidade política com o fim da guerra civil. A cidade é a mais desenvolvida de Angola e o único grande centro económico do país. Vale a pena mencionar, no entanto, os musseques que prolongam Luanda muitos quilómetros para além da antiga cidade, como resultado de várias décadas de conflitos armados, agravadas pelo aumento das desigualdades sociais e pela corrupção generalizada.

Em 2007 foi inaugurado em Luanda o primeiro
centro comercial de Angola, o Belas Shopping, totalmente climatizado, com oito salas de cinema e zona de alimentação, área de lazer e uma centena de lojas.

Reconstrução e obras públicas


        Prédios em construção na Maianga


Após o final da guerra civil em 2002, Angola tem vivido um período de grande prosperidade económica, sendo hoje uma das economias de maior crescimento a nível mundial. Nos últimos anos, o governo central tem vindo a desenvolver um ambicioso plano de reconstrução nacional que, embora abranja todas as regiões do país, tem privilegiado a zona da capital.

Em Luanda a reconstrução é evidente em quase todos os aspectos da sociedade. A reabilitação de estradas, incluindo o seu alargamento e a aplicação de novos tapetes de asfalto, está a ser feita por toda a cidade. A construtora brasileira
Odebrecht está actualmente a ultimar a construção de duas auto-estradas de seis faixas de rodagem: uma das vias — chamada Auto-Estrada Periférica de Luanda — permite agora o acesso rápido ao Cacuaco, Viana, Samba, Kilamba Kiaxi, ao Estádio Nacional 11 de Novembro (construído para o CAN 2010) e ao futuro aeroporto de Luanda; a outra via liga o centro da cidade de Luanda a Viana, estando prevista a sua conclusão até ao final de 2009.

As construtoras portuguesas
Mota Engil e Soares da Costa ganharam um concurso de 136 milhões de dólares para a renovação da Baía de Luanda. O projecto envolve a despoluição da baía, o alargamento para 6 faixas de rodagem dos 5 km da Avenida 4 de Fevereiro, ligando o porto de Luanda à ilha do Cabo, a construção de 12 parques de estacionamento, zonas verdes e áreas de lazer. O projecto deverá estar concluído em finais de 2011.

Está também a ser feito um grande investimento na
habitação social para abrigar muitos dos que actualmente habitam nos musseques que dominam a paisagem de Luanda. Uma grande empresa chinesa ganhou um contrato do governo para construir a maior parte dessas casas. O adjunto do primeiro-ministro declarou em 2008 que a pobreza em Angola seria combatida "com programas de diversificação da economia, criação de empregos e construção de habitações sociais". Em 2009, o primeiro-ministro António Paulo Kassoma anunciou que o programa de urbanismo e habitação lançado pelo Governo previa a construção de mais de um milhão de fogos até 2012, grande parte deles em Luanda.

Turismo


Um dos mais belos
cartões-postais de Luanda, a Avenida 4 de Fevereiro, conhecida simplesmente como Marginal, exibe o contraste entre a beleza natural da Baía de Luanda e os edifícios modernos ao seu redor.

A
ilha do Cabo, à entrada da baía de Luanda, possui belíssimas praias de areias brancas e águas claras, ornadas por coqueiros. Na ilha existe uma excelente estrutura de entretenimento, com muitos bares e restaurantes.

O
carnaval da cidade, tem sido cada vez mais procurado pelos visitantes.

A Marginal é sobejamente conhecida pelos inúmeros transeuntes que se passeiam e aí fazem desporto diariamente. Mais recentemente, algumas personagens do mundo dos media e publicidade têm tentado promover a marginal como um local hippie chique, se bem que duramente criticados pela população que sente repulsa por estas novas tendências, que são desajustadas ao significado da marginal. "Hippie chiques é para casamentos" dizia um frequentador da marginal em off e em tom de desabafo.

Pontos de interesse turístico nos arredores de Luanda:
Barra do Kwanza
Cabo Ledo
Miradouro da Lua
Mussulo
Parque Nacional da Quiçama



Estrutura urbana
Devido ao grande
crescimento populacional vivido pela cidade, o preço da terra/terreno aumentou e os musseques da cidade estenderam-se até próximo da fronteira de cidades como Viana. Apenas 20% da cidade tem água e saneamento básico e apenas 30% das casas têm água corrente. No entanto, existem projectos inovadores, como a urbanização de Luanda Sul que visa melhorar esta situação.


Educação

Luanda abriga um número considerável de
universidades sendo o principal pólo universitário do país. Em 2008 foi lançado o projecto da Cidade Universitária que abrigará o primeiro Parque Científico e Tecnológico de Angola. O projecto do parque é voltado para o sector da Tecnologia da Informação.Universidade Agostinho Neto - Constituindo-se na continuidade à Universidade de Angola, fundada ainda no tempo colonial, esta foi a universidade da Angola ndependente, sendo até 2009/2010 a única instituição de ensino superior pública do país e a maior com a oferta de 68 cursos de licenciatura, 18 de bacharelado e 15 de mestrados[27]. [28] Tendo chegado a ter mais de 40 faculdades espalhadas pelo país inteiro, concentra.se hoje nas províncias de Luanda e do Bengo, enquanto as suas faculdades situadas noutras cidades foram agrupadas em sete universidades autónomas.Universidade Católica de Angola - A UCAN é a primeira universidade privada do país criada em 1997 oferecendo actualmente dez licenciaturas.Universidade Independente de Angola - Iniciou as suas actividades em 2004 e actualmente oferece quatro licenciaturas.Universidade Jean Piaget de Angola - Iniciou as suas actividades em 2000, oferece doze cursos de nível superior.Universidade Lusíada de Angola - Oferece nove cursos de nível superior.Universidade Privada de Angola - Fundada em 2000.Universidade Técnica de Angola - Oferece cinco cursos de nível superior.

Existem ainda outras universidades privadas, de fundação recente, a Universidade Lusófona, a
Universidade Metropolitana de Angola, a Universidade Independente de Angola, e a Universidade Metodista de Angola. O elenco é completado pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Relações Internacionais de Angola. Foi ainda anunciada pele Arábia Saudita a intenção de constituir uma Universidade Islâmica.

Saúde



Luanda conta com vários hospitais como o Hospital Josina Machel, ex-Hospital Maria Pia (Maianga), o Hospital Américo Boavida (Rangel), o Hospital Militar (Maculusso), o Hospital de Queimados Neves, Bendinha, a Clínica Girassol (Maianga, propriedade da petrolífera Sonangol), a Clínica Multiperfil (Morro Bento), a Clínica Sagrada Esperança (Ingombota e Talatona, propriedade da Empresa Nacional de Diamantes).

Nos últimos anos, os principais hospitais públicos da capital têm vindo a ser reformados e reequipados, tendo sido construídos mais de 50 postos de saúde em bairros da periferia.

Transportes


Luanda é o ponto de partida de uma linha de caminho-de-ferro que serve o interior a leste da cidade, sem no entanto atingir a fronteira da República Democrática do Congo. A cidade é servida pelo Aeroporto 4 de Fevereiro. O principal sistema de transporte no interior da cidade são os táxis, também chamados de candongueiros, nome popular dado aos veículos de transporte de passageiros em Angola (no Brasil são chamados de vans ou lotações). Geralmente são carrinhas pintadas de branco e azul informais que percorrem toda a cidade, realizando também viagens para várias províncias do país.

Cultura


Cinema e teatro

Tem destaque na cultura da cidade, diversos
teatros tais como: Teatro Municipal de Luanda, Teatro Elinga e Teatro Avenida.

Património edificado

A
Biblioteca Nacional de Angola e Biblioteca do Governo Provincial de Luanda são as mais importantes da cidade bem como o Arquivo Histórico de Angola.

Museus


Monumento a Agostinho Neto


Luanda abriga os mais importantes museus do país, tais como:Museu Nacional da Escravatura
Museu Nacional de Antropologia
Museu das Forças Armadas
Museu Nacional de História Natural de Angola
Museu de São Pedro da Barra
Mausoléu Agostinho Neto
Palácio de Ferro


DESPORTO


O futebol é o desporto mais seguido em Luanda, sendo o Petro Luanda o clube com mais apoio. Outros clubes importantes são, Sport Luanda e Benfica, Clube Desportivo Primeiro de Agosto, Grupo Desportivo Interclube e Atlético Sport Aviação. O Estádio da Cidadela é o maior da cidade. Outros estádios importantes são o Estádio dos Coqueiros, o segundo maior e o Estádio Joaquim Dinis. No Campeonato do mundo de futebol de 2006 a Selecção Angolana de Futebol era composta por mais da metade de jogadores naturais de Luanda. O Campeonato Africano das Nações 2010 teve a sua abertura, jogo inicial e final, realizados no Estádio Cidade Universitária.

Outro destaque do desporto é o
automobilismo devido ao facto de ficar situado na cidade o Autódromo de Luanda, inaugurado em 1972. O Clube Naval de Luanda também tem grande importância para o desporto da cidade por ser um dos clubes mais antigos da cidade e um dos mais antigos clubes náuticos de África, fundado a 23 de Maio de 1883, bem como o antigo Clube Desportivo Nun'Alvares (actual Clube Náutico da Ilha de Luanda), fundado a 28 de Fevereiro de 1924 que ainda hoje continua a ser o clube náutico mais representativo da cidade. Por ser a capital do país é sede de diversas organizações desportivas nacionais de Angola, como o Comité Olímpico Angolano e várias federações.


ZÉ ANTUNES

2008



MIRANDELA



A CIDADE


«Quem Mirandela mirou, em Mirandela ficou.»

Se por acaso fosse só pelas suas famosas alheiras não seria bem assim mas Mirandela é, de facto, uma cidade a quem o epíteto acima referido cai que nem uma luva.
Tendo subido à categoria de cidade em 1984, tem nas lendas a derivação de Mirandela, dos olhares apaixonados que das atalaias do seu poderoso castelo sobre ela lançava o rei mouro de Lamas de Orelhão, nos poentes maravilhosos do Norte.

Por lá andaram os romanos e foi D. Dinis quem implantou a povoação no cabeço de S. Miguel. Terra fortificada, com a sua Torre de Menagem era considerada como uma das melhores fortalezas de Trás-os Montes.

Um fragmento do Arco de Santo António, é o que resta do castelo e até mesmo o pelourinho da vila desapareceu. Do Santuário de Nossa Senhora do Amparo vê-se uma paisagem magnífica.

O Rio Tua oferece paisagens extraordinárias e, em Mirandela, é vê-lo garboso enquadrado pela Ponte Velha, do século XVI, de arcos e talha-mares robustos


Mirandela ao anoitecer

 
Mirandela é uma cidade portuguesa a chamada “ Princesa do Tua” situada nas margens do rio Tua, pertencente ao Distrito de Bragança, Região Norte e sub-região do Alto Trás-os-Montes, com cerca de 11 100 habitantes.

É sede de um
município com 658,97 km² de área e cerca 26 000 habitantes, subdividido em 37 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Vinhais, a leste por Macedo de Cavaleiros, a sul por Vila Flor e por Carrazeda de Ansiães e a oeste por Murça e Valpaços.D. Afonso III deu-lhe a carta de foral a 25 de Maio de 1250. Foi elevada a cidade a 28 de Junho de 1984.

Caladunum era nome da actual cidade de Mirandela.

"Foi local da cividade romana de Caladunum, a atestar pela existência de numerosos vestígios da ocupação pelos romanos."

TRANSPORTES

A criação da Metro de Mirandela ocorreu em
1995, firmada no Decreto-Lei nº24/95 de 8 de Fevereiro, e surgiu em resposta a um conjunto de «medidas de racionalização das linhas de baixa procura» que a CP pôs em prática no início da década de 1990, neste caso, com a amputação da Linha do Tua, que antes ligava a Linha do Douro (na estação do Tua) a Bragança, e que em 1990 viu encerrado o troço entre esta cidade e Mirandela.

A partir de
28 de junho de 1995, a nova empresa passou a explorar o troço entre Mirandela e Carvalhais, no qual criou mais paragens (Mirandela-Piaget, Tarana, Jacques Delors e Jean Monet). Por concessão da CP, esta empresa passou a assegurar também, desde 21 de outubro de 2001, o serviço no restante troço activo da Linha do Tua (de Tua a Mirandela).

A
12 de fevereiro de 2007, perto do apeadeiro de Castanheiro, a automotora Bruxelas sofreu um grave acidente, no qual morreram 3 pessoas, e outras 2 ficaram feridas. A automotora viria a ser desmantelada, desfalcando a frota do Metro de Mirandela.

A
22 de agosto de 2008, outro grave acidente causou a morte a uma pessoa e ferindo outras 43. A partir deste dia a circulação do Metro de Mirandela foi interrompida entre a estação do Cachão e a do Tua.

Automotora do Metropolitano de Mirandela


Frota
A frota do Metro de Mirandela é composta por automotoras
LRV 2000, adquiridas à CP (Série 9500) — descendentes das Xepas, compradas à então Jugoslávia, e que após servirem nas Linhas do Corgo e do Tua, foram requalificadas nas oficinas ferroviárias de Guifões.

Inicialmente eram quatro
automotoras, que foram pintadas de verde (as afetas à CP são vermelhas) e batizadas com nomes de cidades europeias: Bruxelas, Lisboa, Estrasburgo e Paris.

GASTRONOMIA

Alheira

A região transmontana é famosa pela sua gastronomia e muitos são os turistas que voltam repetidamente à região para degustar pratos típicos e deliciarem-se com as verdadeiras iguarias confeccionadas à base do saber ancestral dos nossos antepassados. Uma dessas iguarias é sem dúvida a alheira. Este produto pode ser encontrado por todo o pais mas é em Trás os Montes que se conserva o modo artesanal da sua confecção e que lhes confere características inconfundíveis. A alheira é um enchido tradicional fumado, cujos principais ingredientes base são a carne e gordura de porco, a carne de aves e pão de trigo, o azeite e a banha, condimentados com sal, alho e colorau. Dependendo do gosto e da região podem ainda ser usados como ingredientes a carne de animais de caça e carne de vaca. É um enchido com formato de ferradura, cilíndrico, sendo o interior constituído por uma pasta fina na qual se apercebem pedaços de carne desfiadas e cujo invólucro é constituído por tripa natural, de vaca ou de porco. Por norma são feitas no Inverno depois da matança do porco de onde são aproveitadas as tripas. Depois de confeccionadas, são sujeitas a um processo de secagem durante alguns dias. O calor e o fumo da lenha de carvalho e oliveira conferem características únicas a este ex libris gastronómico. Actualmente, as alheiras mais famosas são as de Mirandela que já obtiveram um selo de qualidade internacional que lhe confere o certificado de garantia durante todo o processo de elaboração do produto. Graças à alheira, Mirandela tem ganho destaque turístico ao longo dos anos porque são cada vez mais os turistas que, para além do azeite, procuram a alheira durante todo o ano. Muitas são as lojas típicas que produzem e exibem este e outros produtos típicos nas suas montras. Contudo, noutras partes do distrito, há empresas apostadas na diversificação se sabores de alheira e, neste momento há já uma empresa que tem 15 variedades de alheiras e que exporta para o estrangeiro. As alheiras podem servidas como entrada mas normalmente são postas na grelha da lareira para assarem lentamente e serem servidas como prato principal acompanhadas de legumes. Também podem ser fritas em azeite ou estufadas, depois de envolvidas em couve lombarda

Um pouco de história

A arte de fazer alheiras foi inventada pelos judeus como artimanha para escaparem às malhas da Inquisição. Como a sua religião os impedia de comer carne de porco, eram facilmente identificáveis pelos seus perseguidores pelo facto de não fazerem nem fumarem os habituais enchidos de porco. Assim, substituíram a carne de porco por uma imensa variedade de carnes, que incluíam vitela, coelho, peru, pato, galinha e por vezes perdiz, envolvidos por uma massa de pão que lhes conferia consistência. A receita acabaria por se popularizar entre os cristãos, mas estes juntavam-lhe a omnipresente carne de porco, carne base da alimentação na região transmontana.

Alheira de Mirandela



A Minha história

Foi aqui nesta bela cidade que nasceu o Júlio Inácio ( meu pai ) a 12 de Setembro de 1930 em Soutilha, na freguesia de Aguieiras.

Foi nesta linda cidade que estive durante o ano de 1980 nas oficinas da C.P. e nos fins de semana de verão frequentava a praia da maravilha, e fazia motocross em Mascarenhas, frequentava a pastelaria Mira Tua e o clube do Mirandela junto ao Jardim, onde se passava bons serões. Lembro-me do cinema e das festas que se faziam nos Bombeiros Voluntários. Nessa altura aos jantares ia muito a Vila Flor, ao Romeu e ao Chico da Burrica ( penso que é assim que chamavam o tio chico ) no tempo que estava a construir uma pousada para os caçadores.

Foi um ano que passei o pior inverno e o melhor verão, muito frio e muito calor, dizia-se que era a cidade de seis meses de inverno e seis meses de inferno, adorei esta minha passagem pela PRINCESA do TUA. Ainda tenho amigos que há bastante tempo não os vejo, e mora aquela saudade. Ai que saudades!!! Meu Gananzambi=DEUS


ZÉ ANTUNES

2010

28/03/2013

PÁSCOA


Páscoa é um evento religioso cristão, normalmente considerado pelas igrejas ligadas a esta corrente religiosa como a maior e a mais importante festa da Cristandade Católica. Na Páscoa os cristãos católicos celebram a Ressurreição de Jesus Cristo depois da sua morte por crucificação que teria ocorrido nesta época do ano em 30 ou 33 d. c.

Os eventos da Páscoa teriam ocorrido durante a data a em que os judeus comemoram a libertação e fuga de seu povo escravizado no Egito.

A palavra Páscoa advém, exatamente do nome em hebraico da festa judaica à qual a Páscoa católica está intimamente ligada, não só pelo sentido simbólico de “passagem”, comum às celebrações pagãs (passagem do inverno para a primavera) e judaicas (da escravatura no Egito para a liberdade na Terra prometida), mas também pela posição da Páscoa no calendário, segundo os cálculos que se indicam a seguir.

A Páscoa católica-ortodoxa celebra a ressurreição de Jesus Cristo. Depois de morrer na cruz, seu corpo foi colocado em um sepulcro, onde ali permaneceu por três dias, até sua ressurreição. É o dia santo mais importante do Catolicismo.

Muitos costumes ligados ao período pascal originam-se dos festivais pagãos da primavera. Outros vêm da celebração do Pessach, ou Passover, a Páscoa judaica, que é uma das mais importantes festas do calendário judaico, celebrada por 8 dias e onde é comemorado o êxodo dos israelitas do Egito, da escravidão para a liberdade. Um ritual de passagem, assim como a "passagem" de Cristo, da morte para a vida.

A última ceia partilhada por Jesus Cristo e seus discípulos é narrada nos Evangelhos e é considerada, geralmente, a refeição ritual que acompanha a festividade judaica, se nos ativermos à cronologia proposta pelos Evangelhos. O Evangelho de João propõe uma cronologia distinta, ao situar a morte de Cristo por altura da hecatombe dos cordeiros do Pessach. Assim, a última ceia da qual participou Jesus Cristo (segundo o Evangelho de Lucas 22:16) teria ocorrido um pouco antes desta mesma festividade.

A festa tradicional, segundo as conceções católica e ortodoxa, associa a imagem do coelho, um símbolo de fertilidade, e ovos pintados com cores brilhantes, representando a luz solar, dados como presentes. De fato, para entender o significado da Páscoa cristã atual, é necessário voltar para a Idade Média e lembrar os antigos povos pagãos europeus que, nesta época do ano, homenageavam Ostera, ou Esther – em inglês, Easter quer dizer Páscoa.

Texto baseado em diversas fontes.., da net

Das Páscoas da minha infância, no Bairro Popular, em Luanda, guardo apenas algumas recordações. Resumem-se a lembranças que envolvem atos religiosos, sei que se enfeitavam as ruas onde o Padre Costa Pereira ia com a cruz. Entrava em todas as casas que desde manhã cedo já o esperavam, com um tapete de flores à porta.  

O compasso passa, ouve-se a campainha sonante a avisar. Vem aí a Cruz, correm os donos das casas a abrir as portas!

À chegada do padre, todos diziam em uníssono:

- Aleluia, aleluia! Cristo Ressuscitado, Feliz Páscoa, aleluia, aleluia!.

À volta da sala estava a família. E o sacristão segurava orgulhosamente, a Cruz com a imagem de Cristo, engalanada com fitas coloridas. E as famílias, comovidas, beijam-na e beijam-se, trocam mimos entre si, numa alegria realmente sentida...

Em cima da mesa, sobre a toalha de linho branco, havia amêndoas e bolos, e o respetivo envelope para ajuda da paroquia. 

Enquanto a família beijava a Cruz, o Padre benzia as famílias,

Também me familiarizei com alguns costumes usuais da quadra Pascal, e que até ali pouco não me diziam respeito ou simplesmente desconhecia, como seja por exemplo a tradição da oferta das ( amêndoas ) aos afilhados. Meus irmãos tinham sempre uma prendinha dos padrinhos pois todos estavam em Luanda. O meu padrinho estava em Paris nunca o conheci, madrinha conheci mas estava na altura em Portugal.

Mas o que os Kandengues queriam depois das guloseimas, e deste ato religioso, era aproveitarem a pausa escolar para correr, brincar e jogar á bola.

A todos, uma Santa e Feliz Páscoa

ZÉ ANTUNES

2013



 

27/03/2013

GUERRAS? QUEM DESEJA QUE ISSO VOLTE A ACONTECER?


Há mais de dois séculos, que propagamos a ideia de que todos os indivíduos e povos – deste planeta – são iguais e livres. Aliás, foi este o melhor contributo que se deu ao mundo. Não podemos recusar a outros povos e Estados aquilo que, para nós, é um dado adquirido. Os direitos humanos e as liberdades democráticas são universais. Não são privilégios dos ocidentais. São conquistas universais. Não são privilégios dos ocidentais. São conquistas fundamentais às quais todos os indivíduos e todos os povos deste planeta devem poder aceder incondicionalmente. 

No entanto, tem-se vindo a “proliferar” um incompreensível desrespeito à defesa dos valores elementares do Estado de direito, um sentimento pelo qual nos colocamos acima do “temor” e do “desejo”. Ou seja, uma desconsideração pelo desconhecimento dos mais elementares preceitos, que garantem os direitos básicos do ser humano. Por exemplo, o Ocidente e as suas hierarquias, políticas, militares, sociais e económicas, têm estado mais ocupados com o progresso abusivo e vergonhoso da produção, da especulação e do lucro globalizados, do que com uma adequada redistribuição da riqueza ou com a luta contra a marginalização e pobreza. Estão mais atentos a uma política de exclusão, do que inclusivamente aprovar estados de emergência nacional, frente à temida emigração, do que a uma autêntica política de inclusão social equitativa e justa, que respeite a diversidade. São mais favoráveis ao esquecimento interessado do que a uma adequada exigência de justiça. 

Senhores Responsáveis da “União Europeia”: o combate contra a pobreza e contra o desemprego, são assuntos prioritários e inadiáveis. São causas internacionais que se encontram num impasse e, esta situação, meus Senhores – acreditem - é Gravíssima! Não pode ser posta de parte. Não pode falhar! Na eventualidade do falhanço do chamado “projeto europeu”, a condição e o estado correm o risco de se agravar. O regresso das rivalidades entre os Estados nos quatro cantos do mundo e o desencadear de conflitos comerciais a grande escala tornar-se-iam inevitáveis. 

Quem poderia impedir o aumento de tensões ao nível internacional, nomeadamente de novas guerras? Uma coisa é certa: a Europa não pode voltar a cair nestes erros irracionais, que já lhe custaram tanto no século passado, como: famílias dilaceradas, minorias exterminadas, cidades bombardeadas e países arruinados. Guerras, que efetivamente, causaram o desaparecimento de cinquenta milhões de europeus. Onde foram dizimadas populações inteiras, com os judeus à cabeça. Todas as famílias europeias, tinham infelizmente no seu seio, pelo menos, uma vítima da guerra. Quem deseja que isso volte a acontecer? 

Pensem nisso!

Cruz dos Santos
2013



25/03/2013

SERÁ QUE O MAL, SÓ ESTÁ NOS POLITICOS?



Portugal está desanimado e todos os lamentos indicam a causa: “os políticos, não prestam”! Quase se apalpa a desorientação e a falta de liderança. As declarações públicas, muito variáveis, incoerentes, partilham um elemento comum: ninguém faz ideia do rumo do país. Fala-se, propõe-se, estudam-se leis, orçamentos, denuncia-se e critica-se, mas não se apresenta um objectivo claro, transparente e uma forma realista de lá chegar. No entanto, temos de o dizer, os políticos actuais não são piores que os anteriores.

Do lado de cá, estamos nós: o Povo! Éramos tão fortes, não éramos? Somos todos invencíveis e melhores e vivemos cheios de nós e cheios dos outros. Somos sempre os que passam ao lado. Somos, assim uma espécie de “Treinadores de bancada”, que fazíamos sempre melhores, se estivéssemos do lado de lá. Somos sempre aqueles de quem se diz, o que é suposto sobre os outros dizermos. E, no entanto, em poucos segundos, as torres ruíram e atrás delas, mais do que o mundo, foi esta embrulhada da vida, que nos entrou pela porta dentro com um vento que pulverizou tudo à sua passagem. Quando acordámos havia luz – e a luz que havia - deixava-nos ver, com nitidez, escombros, miséria, bocados de sonhos desfeitos e um mundo estranhamente assustador e silencioso.

O problema mais grave do país está no confronto entre contribuintes e grupos de interesse. Infelizmente essas duas forças diluem-se na sociedade, não são bem definidas e, em certa medida, coincidem. Mas através do Orçamento de Estado metade do produto nacional é retirado a uns para ser dado a outros. Esta redistribuição, em geral necessária, passou a incluir grandes desvios para actividades fúteis ou até nocivas. Burocracias, subsídios, aquisição de submarinos, carros de combate e viaturas “top-gama”, bloqueios, estudos técnicos, funcionários inúteis, inspectores e gestores fanáticos, professores sem aulas, planos tecnológicos, etc.

Num universo onde tudo muda, e onde mudar parece ser o “verbo-de-encher” para o sucesso, será que o mal, só está nos políticos? Estamos um bocado mais velhos, no que pode ter de bom e de mau. Sabemos mais. Achamos agora que, afinal, sabemos cada vez menos em face do que fica por saber. Portanto, nem tudo muda. Nem todas as revoluções abafam as coisas simples. Nem torres, nem guerras, nem tecnologias, matam a origem das coisas: o coração, o talento, a sensibilidade, a inteligência, a alma, o sonho, a criação. Para que a vida tenha mais sentido, quando todos os sentidos se invertem e não há lógica nas notícias das Televisões e jornais, nas notícias da vida, há que termos forças, coragem, e acima de tudo esperanças, para pudermos face a este “turbilhão” de mutações progressivas, produzido por este nosso mundo, crescentemente complexo.


Cruz dos Santos

2013