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17/04/2013

OS MEUS SEGREDOS


Férias – República Dominicana, Punta Cana, ano de 2008, férias inesquecíveis num Resort maravilhoso “ O BAÍA PRINCIPE “ foram oito dias intensos e ao mesmo tempo relaxantes para repetir um dia.

Paixão – Há muitos anos que se mantem a tradição que no último dia de férias, irmos todos e os mais corajosos á meia noite se atiram ao mar e tomam o último banho de água salgada, nos dias de hoje só alguns e principalmente os mais novos da família praticam essa paixão de tomar banho de mar á meia noite, paixão essa que me vem da minha vivência em Africa em Luanda – Angola, que era mais no fim do ano, ia-mos para a Ilha de Luanda e lá tomava-mos o nosso banho a meia noite.

Asneiras – Fiz muitas mas sem relevância, mas a maior asneira que me deu ânsia, stress, nervos, perda de tempo e de dinheiro, ou seja tudo de mal, no ano de 1992, a caminho do Algarve, ainda não existia a Auto Estrada A2, a querer fugir ao trânsito na Nacional 2 ( quem se mete em atalhos mete-se em trabalhos ) ter que durante 5 horas suportar a fila interminável de automóveis, penso que todos se lembraram do mesmo que eu. Nunca mais me meti em atalhos.

Aventura – Em Punta Cana na República Dominicana, nadei ao lado dos tubarões vegetarianos, com a andrenalina nos máximos de tanta emoção e medo ao mesmo tempo apesar de nos dizerem que nada aconteceria e noutro tanque em alto mar estar com uma raia gigante, nos braços, tocar nela foi uma aventura que me recordarei sempre.

Lição - Mais vale um pássaro na mão do que dois a voar, ás vezes somos mais ambiciosos e queremos mais e acabamos por perder tudo, não nos contentamos com um pouco de cada vez, meu pai ensinou-me que tudo tem o seu tempo, grão a grão enche a galinha o papo.

Uma Ideia – Tenho uma ideia que os desperdícios alimentares que se deitam fora, daria para alimentar os povos mais carenciados de África e não só. Gostaria de um dia poder ajudar essas pessoas carenciadas, sendo voluntário numa ONG.

Um Segredo – Tenho um certo medo do escuro do desconhecido.

Desabafo – Com os anos a passar e a velhice a chegar, tenho um certo receio da solidão, eu que sempre tive amigos e tenho sempre convivido com eles, será que depois terei essa bengala psicológica ou ficarei sozinho como muitos idosos que acabam por falecer sem terem um suporte para os seus últimos dias.

ZÉ ANTUNES

2013




16/04/2013

JOÃO KAJIPIPA 15


Como é ZÉ-KITUBA? Não se come lá? Tua vida, como tens passado? Vieste "Xinglar" nus "Puto", armado em Regedor? Ou tás pensar, que és quê? Chefe de Kazekuta, ou "Soba" dus "Kimbo"? Julgas qui tás amandar nus "Monangambas" do Jorge das camionetas? "Gikula ó messo é! Boba mu Puto! Kanam Kuzuela Kiávulo...Olô Kivu"? "Tambula ó Conta"! Ti vão "cangar", quê que julgas....!!!

-Xê! "Munhungueiro" do caraças! Tás avisar ou tás-mi ameaçar? Julgas qui tenho medo...ou tás a pensar ki tás a falar com algum bailundo, aqueles "Kikongos" da merda? Levas uma galheta qui ficas 15 dias a arrotar a "kimbombo"! "Filho d'Caixa"! Vai lá mazé pr'ó teu quintal, "bater" o teu funge, seu "Bardamerda", seu "Xulo Kaombo"!

-Ai!...Afinari di conta é isso? Ti estou avisar...e ainda estás armado em Zorro, seu "Catonho-Tonho"? Vai lá "Arreganhar" mazé teu pai qui ti pariu, seu "Gentio" do Maculusso!

-É pá! "Kuabo-Kaxe"! Também não precisas "virar bicho"! Vamos mazé "varrer" um "palheto" no "Santo-Rosa"...Tava a brincar contigo, meu "Mulato encardido" dum raio!

-Kuabo Então! Vamos lá meu Irmão....Afinarmente, somos amigos d'outros tempos....!! Ti lembras do "Karibebe"? E da "Joana Maluca"? E ti lembras também do palhaço "Pipofe"?

-Então não?!!...Já "Bazaram"...nus deixaram cô as saudades...!! Aiué meu...mete pena!!
 

Banga Ninito
2013

15/04/2013

DEPOIS DO ADEUS 13 - 14 - 15

13º EPISÓDIO - O Governo em greve


20 a 23 de novembro de 1975


 Gonçalo e Ana fazem as pazes.
Daniel confessa a Álvaro que já não suporta Joana.
Teresa vai falar com Maria do Carmo para lhe explicar que não aconteceu nada entre ela e Álvaro, mas não consegue convencer a amiga. Joana também tenta persuadi-la a deixar regressar o marido, mas Maria do Carmo continua muito magoada com ele.
João e Paulo ajudam Nando a procurar os pais no IARN, mas não são bem-sucedidos. Acabam por colocar um anúncio no jornal, à semelhança de outras crianças que se separaram dos pais durante a fuga de Angola.
Uns ciganos contratados obrigam Daniel a sair da casa que ocupou. Daniel e Joana voltam à pensão.
Natália convida o irmão a ficar em sua casa.
Daniel tenta convencer o filho a deixá-lo explorar a quinta da avó, que entretanto morrera, mas Jorge diz-lhe que prefere entregar a terra aos trabalhadores agrícolas do que dá-la ao pai. 





14º EPISÓDIO - Golpe e Contragolpe


24 a 26 de dezembro de 1975

No dia 25 de novembro, João sente-se mal e, apesar do golpe de Estado em curso, Álvaro e Maria do Carmo metem-se a caminho do hospital num táxi. No entanto, o táxi é obrigado a parar numa barricada. Aflito, João sai do carro. Álvaro tenta alcançá-lo, mas é obrigado a parar por um comando que lhe aponta uma arma. Só a intervenção do Alferes, da pensão, salva Álvaro e a restante família. João fica hospitalizado com cólera.
Durante o golpe de Estado, Bia – membro da LUAR e ex-namorada de Gonçalo – leva um tiro e pede ajuda ao ex-namorado. Quando Ana chega a casa de Gonçalo, não gosta de ver o namorado com Bia e, zangada, acaba por ir embora.
Apesar de ferida, Bia volta à luta. Na sequência do assalto das tropas do regimento de comandos ao quartel do regimento da polícia militar, ela combate contra os comandos, mas acaba por ter de fugir. Mais uma vez, Gonçalo vai ajudá-la.
Ao ouvir uma conversa do irmão, Luísa fica a saber que Gonçalo guarda as armas da LUAR em casa e arquiteta um plano para prejudicar o ex-namorado. Coloca um papel com a informação por baixo da porta do Alferes. Os comandos vão a casa de Gonçalo e apanham Catarina e Ana com o saco das armas.



15º EPISÓDIO - PROCESSO REVOLUCIONÁRIO EM PAUSA

 
Novembro / Dezembro de 1975

Contrariando o recolher obrigatório, Gonçalo vai avisar Maria do Carmo e Álvaro que Ana foi presa. Álvaro fica desesperado e vai até Caxias à procura da filha, mas não consegue saber nada. Maria do Carmo pede ajuda ao Alferes que, um pouco contrariado, acaba por descobrir que Ana está em Caxias.
Pedro descobre que foi a irmã quem levou os comandos até casa de Gonçalo para prejudicar o ex-namorado.
Desesperada, Maria do Carmo vai a Caxias e consegue que um comando lhe diga que a filha está bem. Artur convence o Alferes a ajudar Álvaro a tirar Ana da prisão. Não obstante, o processo não se preveja fácil.
Daniel gasta todo o dinheiro do IARN no jogo. Pede ajuda a Álvaro, mas este não tem dinheiro para ajudar o amigo; então decidi recorrer ao filho. Jorge nega-lhe apoio e acusa o pai de ser um inútil. No meio da discussão, o filho acaba mesmo por lhe dizer que Joana está a traí-lo com Filipe e que todo o bairro sabe e comenta.
Daniel agride violentamente a mulher, que acaba por ser levada para o hospital por Álvaro e Maria do Carmo. Daniel ainda tenta bater em Filipe, mas Álvaro e Artur conseguem impedi-lo.
Maria do Carmo acolhe Joana em sua casa. Com tantas dificuldades a acontecerem na sua vida, Maria do Carmo aceita Álvaro de volta.

14/04/2013

OCTÁVIO AMARANTE DINIS


Dia triste o de dia 09 de Novembro de 2002, com a ida ao Cemitério do Alto de São João para acompanhar à sua última morada o Cota Octávio, falecido no dia anterior aparentemente vitima de falta de cálcio nos ossos, pois já não podia andar havia vários meses.

Octávio Amarante Dinis de seu nome próprio, foi para mim sempre o Cota Octávio, com quem tive sempre, sempre um excelente relacionamento e de quem recebi continuas provas de muita amizade e carinho que eu sempre procurei retribuir e agradecer! E foram tantas e tão gratificantes as manifestações de amizade que sempre recebi deste meu amigo com que convivi desde tenra idade! Em Luanda, e depois em Lisboa

Casado com a Elvira Moço Diniz, pai da Maria Manuela Moço Dinis ( Nelita) que iria mais tarde ser madrinha de batismo do meu filho, Bruno.

Recordo-me bem dos meus tempos de meninice quando ele trabalhava na Petrofina em Luanda e quando chegava ao Bairro Popular com o seu FIAT 600 , ia até ao Bar do Matias beber uns finos, e eu kandengue pedia - lhe autorização para beber um fino, junto dos mais velhos.

No Bairro Popular o Cota Octávio vivia na Rua da Gabela junto ao depósito do pão, em Lisboa vivia no Castelo de São Jorge.

Cota Octávio era um homem profundamente calmo e muito educado, não me recorda de alguma vez lhe ter ouvido uma exclamação mais exaltada ou irada! Até mesmo sofrendo as exigências da Dona Elvira sua esposa, algo arisca e agitada, que dele sempre muito exigia - ”Octávio, vai buscar aquilo!”, “Octávio, põe ali!”, “Octávio, vai lá!” – Cota Octávio sempre obedecia, sem um queixume, sem uma zanga, numa gentileza e educação que a todos impressionava!

Propriamente com os meus pais o relacionamento também foi sempre bom e, sobretudo após a morte de meu pai, em 1978 a convivência que o Cota Octávio, nos prestou foi muito importante e sempre lhe manifestei a minha gratidão por isso!


Depois tínhamos também como convívio dos confrades do Penico Dourado. Amigos de longa data, comíamos, bebíamos e confraternizava-mos.

Guardo para o fim o narrar de um episódio que atesta o caracter e honestidade do já saudoso Cota Octávio: Há já mais de uma dezena de anos atrás levei-o em viajem até Guimarães, viagem que ele muito apreciou. No decorrer dessa jornada ele manifestou-me o quanto o confundia uma determinada ocorrência havida na família tempos atrás e questionou-me da razão da mesma. Achei inteligente da sua parte o levantar dessa questão e, por entender a sua preocupação, bem justa e oportuna, tive então o gosto de o esclarecer dos bastidores dessa ocorrência que vi que não o surpreendeu muito, devo dizer, mas pedi-lhe que aquela confidência não saísse de nós dois porque não havia necessidade de levantar mais poeira no assunto e dor na família. Pedi-lhe sobretudo que nem à sua mulher contasse porque, pelos mesmos motivos, o assunto era passado e estava encerrado.

Agora, morto que está o Cota Octávio, é justo aqui escrever que tenho a absoluta certeza que ele cumpriu o meu pedido e levou o segredo para a cova! Nem à esposa Elvira ele contou, conforme lhe tinha pedido! Se isso tivesse acontecido, ela não se conteria e, mais cedo ou mais tarde abordar-me-ia sobre o caso. Não resistiria.

Homem de palavra o Cota Octávio! Honra à sua pessoa!
Muitos teus amigos se lembram de ti
Que descanses em paz
ZÉ ANTUNES

2002

MATACANHA


Nas minhas férias ao Bailundo, em 1975,  numa certa ocasião senti uma comichão no dedo grande do pé direito, bem junto à unha; esse desconforto, não sendo acentuado, transtornava.

Uma lavadeira mais velha que estava perto de mim, olhou para os meus pés e disse: - Ué chinder (branco) tem tacanha (matacanha ou bitacaia) nos pé". Não percebi mas quando cheguei a casa perguntei ao cozinheiro o que ela queria dizer.

"Minino mostra lá os teus pés". Mostrei-lhe os pés e ele verificou que eu tinha um ninho de matacanha (espécie de pulga) quase do tamanho de uma ervilha entre os dedos dos pés.

Em uma bacia, com água morna, lavei e limpei melhor toda a área do pé. Foi quando reparei num ponto negro circuncrito por um circulo de um tom mais amarelado. Está aí!... Esse ponto negro era uma pulga matacanha.

Foi buscar um canivete bem afiado e com muito jeito sacou o ninho de ovos de matacanha sem o romper. Seguidamente deitou-lhe por cima cinza do cachimbo, ainda quente. A ferida sarou em pouco tempo mas ainda hoje tenho a marca no dedo grande do pé direito.

A matacanha ou bitacaia é muito vulgar por toda a África e é um autêntica praga. No início, quando a pulga entra na pele dá comichão e, então, é a altura adequada para a tirar com uma agulha caso contrário forma-se um ninho por baixo da pele com centenas de ovos.

O nome cientifico do bicho é "tunga penetrans" sendo um inseto da família dos fungídeos. Apanha-se na terra, junto a capoeiras, pocilgas ou na praia, e por isso também é conhecido com essas terminações.



O saco da matacanha
ZÉ ANTUNES

1975

PASTEIS DE FEIJÃO


Sempre que vou a Penafirme – A dos Cunhados – Torres Vedras, passar os fins de semana disponiveis, gosto desta aldeia foi o lugar onde nasci, não me posso esquecer de comprar uma caixa de Pasteis de Feijão, e é coisa que acontece com alguma frequência. Podem ser feitos na Fábrica Coroa ou na Fábrica Brazão. É-me indiferente. No passado até eram feitos no Zé Crispim. São muito idênticos.

Comecei a gostar deles no ano lectivo de 1970. Saia cedo da Póvoa de Penafirme nos autocarros da transportadora CLARAS e em Torres Vedras numa Pastelaria ali ao lado da Garagem, os empregados já sabiam, era um cafézinho e um Pastelinho de Feijão. Feitos de gemas de ovos, açúcar, feijão e amêndoa, são macios, com um sabor único, uma tentação a cada dentada. Um dos muitos tradicionais doces portugueses, mas um dos meus preferidos. Para poder contar a estória destes doces, procurei e encontrei - o que é que não encontramos na net quando procuramos.

Pastel de Feijão da Fábrica Coroa
Conta a história que:

- «Nos finais do século XIX, vivia na Vila de Torres Vedras uma ilustre senhora, D. Joaquina Rodrigues, que possuía uma receita de uns deliciosos pastéis, feitos com requintes de mestria, com que brindava os seus familiares e amigos.

D. Maria aprendeu muito bem a lição e passou a fabricar os pastelinhos por encomenda, sendo ela a primeira pessoa a comercializá-los. No entanto, a receita também foi divulgada entre os familiares de D. Joaquina e, assim, uma parente de nome Maria Adelaide Rodrigues da Silva, na intimidade conhecida por Mazinha, também aprendeu a arte de fabricar os pastéis de feijão.

A gentil Mazinha, como era conhecida por todos, casou entretanto com o Sr. Álvaro de Fontes Simões, alcunhado de Pantaleão, que decidiu explorar comercialmente os doces. Assim, nasceram os pastéis de feijão da marca "Maria Adelaide Rodrigues da Silva", que alcançaram um estrondoso sucesso que se estendeu para muito além da região de Torres Vedras.

Posteriormente, começaram as pastelarias da terra a dar fabrico próprio aos famosos pastéis, segundo receitas da sua autoria, mas sempre com a amêndoa e o feijão por base.

Por volta de 1940, um filho do Sr. Álvaro Simões, Virgílio Simões, montou uma fábrica especificamente destinada ao fabrico dos pastéis. Nasciam os muito conhecidos pastéis "Coroa". Esta fábrica incrementou de tal modo a produção que o seu proprietário decidiu mecanizá-la. Em 1973, já trabalhavam na fábrica 14 empregados e eram produzidas 250 dúzias diárias.

De seguida, uma irmã do Sr. Virgílio e igualmente enteada da "Mazinha" , a D. Vigília, criou uma nova fábrica, que batizou de "Brazão", o seu apelido matrimonial. Tendo cessado a laboração em 1960, a marca seria vendida já nos anos 80, passando os pastéis a ser fabricados no lugar do Bonabal, agora com o rótulo de "Brazão".

Em meados do século, o pastel de feijão tinha-se assumido universalmente como o doce de Torres Vedras.

Devido ao desenvolvimento das indústrias artesanais, existem, actualmente, em Torres Vedras várias fábricas de Pastéis de Feijão.

Deixamos os ingredientes para que não restem dúvidas e convidamo-lo a provar este ótimo doce cujo processo de certificação está a dar os primeiros passos

Pastel de Feijão na vitrina da Pastelaria
Ingredientes para 24 Pastéis de feijão :

§ 500 gr de açúcar pilé

§ 125 gr de polme de feijão branco

§ 125 gr de miolo de amêndoa

§ 12 gemas de ovo e uma pitada de sal »

Pesquisa na net
daqui a informação e a receita. Para 24 já marcharam todos. Não eram muitos.


ZÉ ANTUNES

2013



FLIPERS



Quem não se lembra das famosas flippers. As máquinas do poker eletrónico.

No ano de 1985, Lisboa , bem como outras cidades do Pais, foram inundadas com tais máquinas, que fez que muito boa gente, gastasse o seu salário, deixando os seus familiares a passar dificuldades, conheci várias pessoas viciadas no que as tais máquinas de flippers podiam proporcionar.


Máquina Flipers ( Poker )
Nessa ocasião trabalhava como part-time das 19h00 às 24h00, no Restaurante “ O GALO “ situado mesmo ao lado da Porta principal do Parque Mayer,

O concessionário, na altura, vamos chamá-lo de Manuel, comprou e instalou várias máquinas no estabelecimento, mas sem antes de as programar para dar poucos bónus ( prémios em dinheiro ).

Com um esquema bem engendrado, um cliente, vamos chamá-lo de João, com uma moeda de 10$00 soldada a um arame flexível, com a moeda e com o arame escondido dentro do casaco, ás escondidas de todos ia introduzindo a moeda na ranhura da máquina, e ia puxando e introduzindo, bem encostado á máquina, jogava duas ou três vezes, e depois ia receber os bónus que a máquina mostrava no mostrador.

O nosso Manuel andava desconfiado à bastante tempo, como é que as máquinas dava tantos bónus? Andava intrigado!!!

Vigiava as máquinas num ponto estratégico, na sala do bar, e uma certa noite, vê o João a montar o esquema, dá um pulo de onde estava, puxa da pistola, dispara para o teto e diz:

“Ah!! meu malandro que te apanhei.”

Nisto vê-se o João com o braço todo cheio de sangue, pois o projétil disparado bateu no ferro da viga do teto e fez ricochete atingindo o braço do João.

Gerou-se logo ali um burburinho, chamou-se a ambulância e o João foi transportado para o Hospital de São José.

O Manuel foi a tribunal e ainda teve que pagar uma indenização ao João, e as máquinas do Poker ( Flipers ) foram recolhidas para um armazém.

Tempos depois saiu uma lei, que proibia tais máquinas em estabelecimentos que não estivessem licenciados para tal fim.

Penso que só mesmo agora se encontram em alguns casinos.

Anos mais tarde encontrei o João, e ele mostrou-me como ficou o braço esquerdo, sem vida, pois a bala perfurou os tendões, ficando com uma grande deficiência no braço.

O Manuel sei que fechou o “ Restaurante Galo “, abriu outro estabelecimento do mesmo ramo, mas sem mais aventuras do género.

Muitos dos frequentadores dessas máquinas de Poker ( Flippers) dedicaram-se ao jogo clandestino.


Máquina Flipers ( Poker )

ZÉ ANTUNES

1985