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18/04/2013

JOÃO KAJIPIPA 16


-Xê “Kangundo”! Tas ouvir “Kangundo”do Desportivo de São Paulo! Vais na farra do Braguêz?
-Olá “Preto-Fulo” dum raio! Vai lá chamar “Kangundo” ao teu pai, meu cão!
Este último “Madié” (negro-fulo), conhecido por “Quinino Amargoso”, um bocado “kileba”*, estreito, mas não era “trinca-espinhas”; muito claro, parecia di raça “cabrito” ou “albino”, mas também não era branco. Tinha pouco cabelo que parecia assim como “mijeje”** de milho. A cabeça dele, era grande “p’rá xuxu” e a testa, era lisa, si parecia com aquelas camionetas “Xêtetes”.

Por sua vez, O “Kangundo”, si chamava “Zé-Caprikito…e ainda é “Monandengue”. Era firio legítimo do Sió Antunes, motorista de 1ª, dos “maximbombos” da Câmara Municipal de Luanda…“à bué” de tempos. Zé-Caprikito, era afamado di grande péscador do rio “Kuanza”. O “Madié”, só tinha um defeito, tinha medo dos “Kanzumbis”, principalmente quando tinha qui ir à noite p’rá sua casa, e tinha qui passar junto do cemitério do “Alto das Cruzes”. Por isso, é que ele andava sempre com o seu primo, o “Sandjika”, aquele que fazia o seu “kariengue” de varrer o salão do Desportivo. 


-Zé-Caprikito?! Ti preguntei si ías na farra do Braguêz?
-Mas…mi insultaste primeiro! Quem é “Kangundo”, meu cão? 
-Descurpa Quinino Amargoso. Esquece!“Kuabo ué”! Também é preciso ficares assim?
-NÃO! Não vou a farra nenhuma! Tás a julgari, qui eu tenho “kitari” à toa ou quê? E mesmo qui tivesse, não ía! Estão a “kangar” um gajo!
-QUEM???? 
-Aquele chefe, qui a cara dele é comprida e o “muezu”*** parece de “kisuto”****….

LHI CONHECES?

-É “PIMBA”, meu Irmão! “Makuto-Kaxe”!É “boato”! São os gajos da Vila Alice, qui ti estão a “enfiar” uns “Bugues”, só p’rá não ires nu Desportivo de São Paulo! ”Bugueiros” di merda!
-Achas?
-Acho pois! Tão ta Aldrabar. Eles combinaram vir gritar as mentira de nos “intrujar” cada vez mais, as autoridades qui mandavam na “Munenga” tinham dado ordem nos “Kapita” pra o povo todo ir na Vila Alice e não ir no São Paulo!

É assim! Coisas do antigamente, qui si repercutiram nos dias d’hoje! Nascemos Aldrabões e, vamos a continuar a aldrabar o Povo na sua essência.

Glosário:
*Kileba=alto **mijeje=barbas de milho; alusão ao brilho ***muezu=Barba ****Kisuto=Bode
Banga-Ninito
 
2013

FERNANDO AUGUSTO


Olá a todos 

Estimados amigos, malta dos Bairros Popular e de São Paulo, da Luanda dos nossos tempos de menino(s)!

Venho por este meio informar que mais um amigo partiu...

Para os amigos do Bairro Popular Nº 2, e do Bairro de São Paulo que não tenham tido conhecimento, sirvo-me deste meio para cumprir o doloroso dever de vos informar do falecimento, dia 05/11/2011, pelas 11 h 00, do nosso muito querido amigo e companheiro SR. FERNANDO AUGUSTO mais conhecido pelo (Vermelho ) o Barbeiro de Luanda, era viúvo de Dona Maria do Carmo e padrasto de Zé Antunes, Fernando Antunes, Victor Antunes e da Maria Amélia Antunes. Ele já estava muito doente. 

Ele sofria de problemas de diabetes, que vinha combatendo galhardamente, há já cerca de 4 anos. Recentemente a situação agudizou-se e ele foi hospitalizado no Hospital de Torres Vedras, onde mereceu o melhor carinho e atenção que a medicina e os serviços hospitalares nos podem dar, mas que, infelizmente, não foram suficientes para vencerem o difícil quadro clínico que levou, do nosso convívio, este bravo amigo de tantas aventuras e episódios da nossa meninice e adolescência, contava 87 primaveras.

Paz à sua alma, 

Agradeço que comuniquem também a outros amigos esta funesta ocorrência, pensando em todos quantos queiram e possam tributar-lhe, em presença, um derradeiro adeus. Estará em câmara ardente na Capela de Póvoa de Penafirme,. Seguindo para o cemitério de Penafirme.

Com um sentido abraço a todos vós que partilham a dor da perda deste nosso amigo,

 
ZÉ ANTUNES


2011



 

CARNIFICINA E TERROR EM BOSTON!


Em Homenagem a todas as vítimas inocentes, que perderam a vida e a todas aquelas outras, que ficam para o resto da vida deficientes, a sofrerem com tanta dor e mágoa



 Porquê tanto ódio, tanta carnificina, existente no interior de muitos de nós? Porquê tanta selvajaria? Quem matou, usando panelas carregadas de explosivos, lâminas de chapas e pregos, contra seres humanos, em Bóston, sem pensar quanto sofrimento iriam causar a tanta gente? Porque razão, antes de cometerem esses hediondos crimes, não se colocam no lugar das suas vítimas, não penetram no sofrimento delas, não criticam as próprias obsessões violentas? Quem foi o autor deste ato bárbaro e sangrento? Desta tragédia e fatalidade dramática? Desta catástrofe horrível e de tantas outras, análogos a esta, onde o desespero e o medo, além de aniquilar tantos inocentes, gera o pânico a tanta gente sem culpa?

Os Jornais e as televisões noticiavam, em “Última Hora”: “Martin Richard tinha oito anos. É uma das três vítimas mortais dos atentados de Bóston. A mãe ficou ferida na cabeça, a irmã perdeu uma perna. Estão as duas num estado muito grave, aliás como vários dos 176 feridos causados pela dupla explosão (…) na zona da meta da Maratona…”

Uma família destruída, desfeita em lágrimas, que chora os seus mortos, a perda dos seus Entes queridos! Tantas alegrias desfeitas num ápice, num instante, num dia que poderia ser de alegria e que ornamentado pelo desporto! Porquê esse final? Somos livres para pensar sobre o mundo que somos e em que vivemos, mas não compreendemos como é fácil criar “monstros” no universo virtual das nossas mentes. Como é possível, existir tanta ira contida, tanto ódio mortal, para levar uma pessoa a desejar a morte a tanta gente indefesa, inocente?

Como é possível haver tanta cólera, tanta odiosidade? Toda a consciencialização é um sistema de interpretação e nós, não possuímos a realidade essencial das pessoas que nos circundam, embora possamos discorrer sobre elas. Não possuímos nem sequer a nossa própria realidade. Perguntamos: mas, quem somos? O que somos? O que é existir? O que é a morte? Quem é o Autor da nossa existência? Se Deus existe, porque não castigar esses “monstros”, esses assassinos, que matam – sem dó nem piedade –crianças, homens, mulheres e velhos indefesos, em vez de se esconder atrás da cortina do tempo e do espaço? Podemos conviver com milhares de animais sem nunca termos problemas de relacionamento. Mas, por melhor que seja a relação com um ser humano, haverá sempre frustrações importantes. Apesar disso, não conseguimos deixar de viver em sociedade. Não somos seres sociais pelo instinto que promove a sobrevivência biológica, como acontece com os outros animais, mas por sobrevivência psíquica. 

Mas…“As crianças, Senhor? / Porque lhes dai tanta dor? / Porque padecem assim?”

“Dai-lhes Senhor, o eterno descanso entre os esplendores da luz perpétua…Vinde em seu auxílio, santos de Deus!”


Cruz dos Santos
 
2013

17/04/2013

BALÃO DE AR QUENTE


Aqui vai mais uma pequena história dos velhos tempos da banda. Vai fazer anos dentro em breve, que em conjunto com uns vizinhos, resolve-mos fazer um balão de ar quente, para o lançar na noite de S. João. Lá fomos comprar papel, cola, arame, e metemos mãos á obra, cortou-se o papel, colou-se, e com o arame fez-se o suporte para receber a mecha, que ao arder o seu ar quente, faria encher o balão para se elevar.

Ora aqui começam as complicações. Ninguém se lembrou da mecha, pois tem que ser algo que arda devagar. Alguém mais experiente logo disse que o ideal era o que se usa para fazer os enchumaços nos ombros dos casacos dos fatos. E agora? Logo um dos meus vizinhos se lembrou que o cota dele tinha na arrecadação um casaco velho que ele usava por vezes, quando andava a fazer alguns biscates pelo quintal. Foi-se á procura, encontra-se o casaco e zás. Descoseu-se o forro. e já tinha-mos mecha para o balão.

Na noite de S. João, todos presentes para lançar o balão no grandioso céu estrelado. Acendeu-se a mecha, ela começou a arder e a encher-se de ar quente e nós todos contentes a vê-lo subir. Só que foi sol de pouca dura, passado pouco tempo, cerca de três a quatro metros, o nosso bonito balão incendiou-se, e lá foi o nosso trabalho para as cuncuias.

O pior foi algumas semanas depois quando o cota, do nosso avilo se lembrou de ir vestir o casaco, e deparou-se com o mesmo sem ombreiras.

Esta pequena história foi enviada pelo

AUGUSTO RODRIGUES

Bairro Popular nº 2 

2013

OS MEUS SEGREDOS


Férias – República Dominicana, Punta Cana, ano de 2008, férias inesquecíveis num Resort maravilhoso “ O BAÍA PRINCIPE “ foram oito dias intensos e ao mesmo tempo relaxantes para repetir um dia.

Paixão – Há muitos anos que se mantem a tradição que no último dia de férias, irmos todos e os mais corajosos á meia noite se atiram ao mar e tomam o último banho de água salgada, nos dias de hoje só alguns e principalmente os mais novos da família praticam essa paixão de tomar banho de mar á meia noite, paixão essa que me vem da minha vivência em Africa em Luanda – Angola, que era mais no fim do ano, ia-mos para a Ilha de Luanda e lá tomava-mos o nosso banho a meia noite.

Asneiras – Fiz muitas mas sem relevância, mas a maior asneira que me deu ânsia, stress, nervos, perda de tempo e de dinheiro, ou seja tudo de mal, no ano de 1992, a caminho do Algarve, ainda não existia a Auto Estrada A2, a querer fugir ao trânsito na Nacional 2 ( quem se mete em atalhos mete-se em trabalhos ) ter que durante 5 horas suportar a fila interminável de automóveis, penso que todos se lembraram do mesmo que eu. Nunca mais me meti em atalhos.

Aventura – Em Punta Cana na República Dominicana, nadei ao lado dos tubarões vegetarianos, com a andrenalina nos máximos de tanta emoção e medo ao mesmo tempo apesar de nos dizerem que nada aconteceria e noutro tanque em alto mar estar com uma raia gigante, nos braços, tocar nela foi uma aventura que me recordarei sempre.

Lição - Mais vale um pássaro na mão do que dois a voar, ás vezes somos mais ambiciosos e queremos mais e acabamos por perder tudo, não nos contentamos com um pouco de cada vez, meu pai ensinou-me que tudo tem o seu tempo, grão a grão enche a galinha o papo.

Uma Ideia – Tenho uma ideia que os desperdícios alimentares que se deitam fora, daria para alimentar os povos mais carenciados de África e não só. Gostaria de um dia poder ajudar essas pessoas carenciadas, sendo voluntário numa ONG.

Um Segredo – Tenho um certo medo do escuro do desconhecido.

Desabafo – Com os anos a passar e a velhice a chegar, tenho um certo receio da solidão, eu que sempre tive amigos e tenho sempre convivido com eles, será que depois terei essa bengala psicológica ou ficarei sozinho como muitos idosos que acabam por falecer sem terem um suporte para os seus últimos dias.

ZÉ ANTUNES

2013




16/04/2013

JOÃO KAJIPIPA 15


Como é ZÉ-KITUBA? Não se come lá? Tua vida, como tens passado? Vieste "Xinglar" nus "Puto", armado em Regedor? Ou tás pensar, que és quê? Chefe de Kazekuta, ou "Soba" dus "Kimbo"? Julgas qui tás amandar nus "Monangambas" do Jorge das camionetas? "Gikula ó messo é! Boba mu Puto! Kanam Kuzuela Kiávulo...Olô Kivu"? "Tambula ó Conta"! Ti vão "cangar", quê que julgas....!!!

-Xê! "Munhungueiro" do caraças! Tás avisar ou tás-mi ameaçar? Julgas qui tenho medo...ou tás a pensar ki tás a falar com algum bailundo, aqueles "Kikongos" da merda? Levas uma galheta qui ficas 15 dias a arrotar a "kimbombo"! "Filho d'Caixa"! Vai lá mazé pr'ó teu quintal, "bater" o teu funge, seu "Bardamerda", seu "Xulo Kaombo"!

-Ai!...Afinari di conta é isso? Ti estou avisar...e ainda estás armado em Zorro, seu "Catonho-Tonho"? Vai lá "Arreganhar" mazé teu pai qui ti pariu, seu "Gentio" do Maculusso!

-É pá! "Kuabo-Kaxe"! Também não precisas "virar bicho"! Vamos mazé "varrer" um "palheto" no "Santo-Rosa"...Tava a brincar contigo, meu "Mulato encardido" dum raio!

-Kuabo Então! Vamos lá meu Irmão....Afinarmente, somos amigos d'outros tempos....!! Ti lembras do "Karibebe"? E da "Joana Maluca"? E ti lembras também do palhaço "Pipofe"?

-Então não?!!...Já "Bazaram"...nus deixaram cô as saudades...!! Aiué meu...mete pena!!
 

Banga Ninito
2013

15/04/2013

DEPOIS DO ADEUS 13 - 14 - 15

13º EPISÓDIO - O Governo em greve


20 a 23 de novembro de 1975


 Gonçalo e Ana fazem as pazes.
Daniel confessa a Álvaro que já não suporta Joana.
Teresa vai falar com Maria do Carmo para lhe explicar que não aconteceu nada entre ela e Álvaro, mas não consegue convencer a amiga. Joana também tenta persuadi-la a deixar regressar o marido, mas Maria do Carmo continua muito magoada com ele.
João e Paulo ajudam Nando a procurar os pais no IARN, mas não são bem-sucedidos. Acabam por colocar um anúncio no jornal, à semelhança de outras crianças que se separaram dos pais durante a fuga de Angola.
Uns ciganos contratados obrigam Daniel a sair da casa que ocupou. Daniel e Joana voltam à pensão.
Natália convida o irmão a ficar em sua casa.
Daniel tenta convencer o filho a deixá-lo explorar a quinta da avó, que entretanto morrera, mas Jorge diz-lhe que prefere entregar a terra aos trabalhadores agrícolas do que dá-la ao pai. 





14º EPISÓDIO - Golpe e Contragolpe


24 a 26 de dezembro de 1975

No dia 25 de novembro, João sente-se mal e, apesar do golpe de Estado em curso, Álvaro e Maria do Carmo metem-se a caminho do hospital num táxi. No entanto, o táxi é obrigado a parar numa barricada. Aflito, João sai do carro. Álvaro tenta alcançá-lo, mas é obrigado a parar por um comando que lhe aponta uma arma. Só a intervenção do Alferes, da pensão, salva Álvaro e a restante família. João fica hospitalizado com cólera.
Durante o golpe de Estado, Bia – membro da LUAR e ex-namorada de Gonçalo – leva um tiro e pede ajuda ao ex-namorado. Quando Ana chega a casa de Gonçalo, não gosta de ver o namorado com Bia e, zangada, acaba por ir embora.
Apesar de ferida, Bia volta à luta. Na sequência do assalto das tropas do regimento de comandos ao quartel do regimento da polícia militar, ela combate contra os comandos, mas acaba por ter de fugir. Mais uma vez, Gonçalo vai ajudá-la.
Ao ouvir uma conversa do irmão, Luísa fica a saber que Gonçalo guarda as armas da LUAR em casa e arquiteta um plano para prejudicar o ex-namorado. Coloca um papel com a informação por baixo da porta do Alferes. Os comandos vão a casa de Gonçalo e apanham Catarina e Ana com o saco das armas.



15º EPISÓDIO - PROCESSO REVOLUCIONÁRIO EM PAUSA

 
Novembro / Dezembro de 1975

Contrariando o recolher obrigatório, Gonçalo vai avisar Maria do Carmo e Álvaro que Ana foi presa. Álvaro fica desesperado e vai até Caxias à procura da filha, mas não consegue saber nada. Maria do Carmo pede ajuda ao Alferes que, um pouco contrariado, acaba por descobrir que Ana está em Caxias.
Pedro descobre que foi a irmã quem levou os comandos até casa de Gonçalo para prejudicar o ex-namorado.
Desesperada, Maria do Carmo vai a Caxias e consegue que um comando lhe diga que a filha está bem. Artur convence o Alferes a ajudar Álvaro a tirar Ana da prisão. Não obstante, o processo não se preveja fácil.
Daniel gasta todo o dinheiro do IARN no jogo. Pede ajuda a Álvaro, mas este não tem dinheiro para ajudar o amigo; então decidi recorrer ao filho. Jorge nega-lhe apoio e acusa o pai de ser um inútil. No meio da discussão, o filho acaba mesmo por lhe dizer que Joana está a traí-lo com Filipe e que todo o bairro sabe e comenta.
Daniel agride violentamente a mulher, que acaba por ser levada para o hospital por Álvaro e Maria do Carmo. Daniel ainda tenta bater em Filipe, mas Álvaro e Artur conseguem impedi-lo.
Maria do Carmo acolhe Joana em sua casa. Com tantas dificuldades a acontecerem na sua vida, Maria do Carmo aceita Álvaro de volta.