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24/04/2013

DIA COMEMORATIVO


No dia 25 de Abril de 1974… Estava em Luanda, dia cinzento que adivinhava já a chegada do cacimbo. Depois de visitar quase todas as escolas, como fazia quase todas as manhãs para ver as garinas, na entrada das aulas, fui para o emprego, ali na Conselheiro Júlio de Vilhena no Largo Serpa Pinto.

Dia de trabalho perfeitamente normal mas, a meio da manhã, começou a sentir-se no ar algum de nervosismo, que algo de anormal se passava na metrópole…

A certa altura apareceu a Dona Maria de Lourdes, (o marido era oficial da Força Aérea Portuguesa), secretária do meu patrão, com um rádio na mão. Seriam entre as 09h00 e 09h30 da manhã, em Luanda, por isso menos uma hora em Lisboa. Entrou como um vulcão e dirigiu-se ao gabinete do patrão. Pelo que pudemos perceber, a rádio estava a noticiar que as comunicações com Portugal estavam cortadas, porque se tinha dado uma revolução.

Á tarde as notícias corriam céleres…mas ninguém se arriscava a confirmar nada. Foi da rádio sul africana que foram chegando notícias que confirmavam não apenas o movimento dos Capitães, mas a sua vitória.
Intimamente uma imensa alegria…. Uma esperança sem fim que tudo iria melhorar para todos.

Há cerca de dois anos que se falava com certo á vontade na possibilidade de Angola se libertar da metrópole, aceder á independência tornando Nova Lisboa (Huambo) sua capital.

E eu tive esperança… por mim, por todos e sobretudo por todos aqueles que me rodeavam, colegas e amigos, porque tornou-se óbvio para todos que a guerra, de um modo ou de outro, teria os dias contados.
Tive esperança, sobretudo por eles… o meu caminho, a curto prazo, foi traçado, já sabia que não passaria pela continuação em Angola. Pelos acontecimentos precipitados, por tudo que se estava a passar em Luanda, adivinhava-se o regresso a Portugal que acabou por acontecer em Junho de 1975.

Todos tínhamos esperança que a emancipação de Angola ocorresse longe de outros exemplos vizinhos.

A madrugada de 25 de Abril serviu para podermos sonhar…
E sonhámos! E idealizámos! E construímos! Por entre sonhos e pesadelos, muito foi realizado…Com muitos sacrifícios!!!!

Houve feridas abertas… incompreensões…Responsabilidades assumidas e outras alijadas…Responsabilidade às consequências e não às causas

Houve dores de «crescimento».

Mas... valeu a pena? Penso que não. Pois passados estes anos todos estamos iguais ou piores do que no Verão quente de 1975, mesmo assim dou um grande viva ao 25 de Abril
Viva o 25 de Abril! 
ZÉ ANTUNES

1974



23/04/2013

ALMOÇO CONVIVIO NA LAJE


No dia nove de Abril deste ano de dois mil e treze, um dia com uma temperatura agradável, tempo primaveril, reunimo-nos mais uma vez, alguns confrades do Penico Dourado, desta vez no Restaurante da Associação dos Comandos na Laje em Oeiras, com as seguintes presenças:

Zé Antunes, Zé Ideias e a Esposa a Rosita, Vasco, Sousa e Esposa a Lourdes, irmão do Sousa e esposa, Aleluia, Rui e um casal amigo do Sousa.

Depois das boas vindas e de tomar um aperitivo, deu-se a degustação do repasto, uma feijoada que estava deliciosa. Finda a refeição, dirigimo-nos para a esplanada onde foi servido os cafés e os respetivos digestivos.

Conversa puxa conversa, e era inevitável contar-mos histórias do nosso tempo de juventude e também se falou de histórias atuais, principalmente da situação do Pais.

Recordamo-nos dos amigos ausentes que faleceram ainda na plenitude da juventude. Lembramo-nos de um avilo que depois de uma viagem a Nova Lisboa e no regresso na Cidade da Gabela se despistou com o seu FIAT 128 e foi projetado, sendo transportado por um amigo para o Hospital de Novo Redondo, mas chegou lá, já sem vida.

Essa viatura o FIAT 128, foi rebocada para Luanda e ainda está até aos dias de hoje num estacionamento na ex-Coronel Artur de Paiva.

Contaram-se ainda várias histórias que reavivaram a nossa memória.

Momento alto do convívio foi o telefonema que fizemos ao Banga Ninito a desejar-lhe um bom fim de semana, e onde ele comoveu-se ao telefone do nosso convívio, comprometendo-se a visitar a confraria o mais cedo possível para também conviver com todos os amigos.

Como nem todos têm a mesma cor clubite, dissecou-se numa animada e divertida discussão sobre o próximo dérbi lisboeta, o Benfica – Sporting que se realiza no próximo domingo dia 21 de Abril de 2013, ficando decidido que a discussão seria para o próximo almoço e ai faríamos o rescaldo da discussão anterior, e falaríamos sobre o resultado do jogo.

Depois de uma bela tarde de convívio deu-se a debandada final, regressando todos a suas casas.


ZÉ ANTUNES

2013

22/04/2013

A“UNIÃO EUROPEIA”, O DESEMPREGO E A POBREZA!


A Europa não é uma questão ideológica, é uma aposta de sobrevivência. É o “venha a nós o vosso reino”! Meus Senhores: quando é que nos convencemos, que os Alemães querem vender os seus carros? E a França os seus “TGV’s”, ou alguma central nuclear? Quando é que nos “entra na cabeça”, que não passamos de meros peões ou de simples “lacaios” da “Troika”? É verdade que cada país tem a sua cultura “económico política” e que cada um pode sentir-se pressionado pelos outros. Mas é possível convencer os outros Estados derrubar, sem medo, certas manobras ideológicas, face a esta terrível crise da zona euro? Uma coisa é certa: o desastre atual, criado pelo desaparecimento do emprego, é dramático e é tempo de pormos cobro a essa carência tão desesperante, obstando aos acontecimentos, que daí possam resultar. 

O desespero dos desempregados é certo e imediato, como é o das crianças que sofrem com eles, ainda que não entrem nas estatísticas. E seria cegueira, não ver até que ponto os desempregados e a consequente pobreza são tomados como reféns, e como as populações ameaçadas são mantidas desse modo à mercê destes senhores da “Troika”! Quantos desempregados ficaram prostrados, perante a ideia de julgarem que se tinham tornado “inúteis”, quantos se consideraram humilhados, perante os filhos? Apresentar o “desemprego” como uma degradação, ou mesmo deixá-lo passar por tal, faz parte de uma propaganda demagógica, senão de tipo populista, uma vez que encontra muitas vezes uma adesão fácil; desprezar um “desempregado” permite não só desculpabilizar-se, mas também imaginar que se pertence a uma ordem superior e protegida, e ficar com a ilusão, mantendo-se à distância com aquilo que suporta, de afastar com ele esse desemprego que ameaça e que nós próprios tememos.

A Europa, meus Caríssimos Amigos, já não é a fortaleza de bem-estar que foi. A União Europeia, já não é e não pode ser o simples projeto de um mercado comum de bens e serviços entre Estados prósperos e soberanos, um seleto clube onde se sentava a “dominante classe” do planeta. E assim não é, porque foi assaltado de fora tanto pelos novos pobres como pelos novos-ricos, os que dantes imaginávamos incapazes de competir. O que dantes eram apenas atrasados mercados de exportação para a Europa, são hoje ameaça sector por sector à indústria e aos serviços europeus. Os países da União Europeia e os seus ministros das finanças, tomam as pessoas por “Idiotas” sobre a “extorsão de diversos e variados Impostos (IVA TIPP, PIT, ISF, IVA e Consumo). Vivem em grande estilo, com o dinheiro dos Contribuintes. E os resultados estão aí! Só não vê…quem não quer!


Cruz dos Santos

2013
 

18/04/2013

JOÃO KAJIPIPA 16


-Xê “Kangundo”! Tas ouvir “Kangundo”do Desportivo de São Paulo! Vais na farra do Braguêz?
-Olá “Preto-Fulo” dum raio! Vai lá chamar “Kangundo” ao teu pai, meu cão!
Este último “Madié” (negro-fulo), conhecido por “Quinino Amargoso”, um bocado “kileba”*, estreito, mas não era “trinca-espinhas”; muito claro, parecia di raça “cabrito” ou “albino”, mas também não era branco. Tinha pouco cabelo que parecia assim como “mijeje”** de milho. A cabeça dele, era grande “p’rá xuxu” e a testa, era lisa, si parecia com aquelas camionetas “Xêtetes”.

Por sua vez, O “Kangundo”, si chamava “Zé-Caprikito…e ainda é “Monandengue”. Era firio legítimo do Sió Antunes, motorista de 1ª, dos “maximbombos” da Câmara Municipal de Luanda…“à bué” de tempos. Zé-Caprikito, era afamado di grande péscador do rio “Kuanza”. O “Madié”, só tinha um defeito, tinha medo dos “Kanzumbis”, principalmente quando tinha qui ir à noite p’rá sua casa, e tinha qui passar junto do cemitério do “Alto das Cruzes”. Por isso, é que ele andava sempre com o seu primo, o “Sandjika”, aquele que fazia o seu “kariengue” de varrer o salão do Desportivo. 


-Zé-Caprikito?! Ti preguntei si ías na farra do Braguêz?
-Mas…mi insultaste primeiro! Quem é “Kangundo”, meu cão? 
-Descurpa Quinino Amargoso. Esquece!“Kuabo ué”! Também é preciso ficares assim?
-NÃO! Não vou a farra nenhuma! Tás a julgari, qui eu tenho “kitari” à toa ou quê? E mesmo qui tivesse, não ía! Estão a “kangar” um gajo!
-QUEM???? 
-Aquele chefe, qui a cara dele é comprida e o “muezu”*** parece de “kisuto”****….

LHI CONHECES?

-É “PIMBA”, meu Irmão! “Makuto-Kaxe”!É “boato”! São os gajos da Vila Alice, qui ti estão a “enfiar” uns “Bugues”, só p’rá não ires nu Desportivo de São Paulo! ”Bugueiros” di merda!
-Achas?
-Acho pois! Tão ta Aldrabar. Eles combinaram vir gritar as mentira de nos “intrujar” cada vez mais, as autoridades qui mandavam na “Munenga” tinham dado ordem nos “Kapita” pra o povo todo ir na Vila Alice e não ir no São Paulo!

É assim! Coisas do antigamente, qui si repercutiram nos dias d’hoje! Nascemos Aldrabões e, vamos a continuar a aldrabar o Povo na sua essência.

Glosário:
*Kileba=alto **mijeje=barbas de milho; alusão ao brilho ***muezu=Barba ****Kisuto=Bode
Banga-Ninito
 
2013

FERNANDO AUGUSTO


Olá a todos 

Estimados amigos, malta dos Bairros Popular e de São Paulo, da Luanda dos nossos tempos de menino(s)!

Venho por este meio informar que mais um amigo partiu...

Para os amigos do Bairro Popular Nº 2, e do Bairro de São Paulo que não tenham tido conhecimento, sirvo-me deste meio para cumprir o doloroso dever de vos informar do falecimento, dia 05/11/2011, pelas 11 h 00, do nosso muito querido amigo e companheiro SR. FERNANDO AUGUSTO mais conhecido pelo (Vermelho ) o Barbeiro de Luanda, era viúvo de Dona Maria do Carmo e padrasto de Zé Antunes, Fernando Antunes, Victor Antunes e da Maria Amélia Antunes. Ele já estava muito doente. 

Ele sofria de problemas de diabetes, que vinha combatendo galhardamente, há já cerca de 4 anos. Recentemente a situação agudizou-se e ele foi hospitalizado no Hospital de Torres Vedras, onde mereceu o melhor carinho e atenção que a medicina e os serviços hospitalares nos podem dar, mas que, infelizmente, não foram suficientes para vencerem o difícil quadro clínico que levou, do nosso convívio, este bravo amigo de tantas aventuras e episódios da nossa meninice e adolescência, contava 87 primaveras.

Paz à sua alma, 

Agradeço que comuniquem também a outros amigos esta funesta ocorrência, pensando em todos quantos queiram e possam tributar-lhe, em presença, um derradeiro adeus. Estará em câmara ardente na Capela de Póvoa de Penafirme,. Seguindo para o cemitério de Penafirme.

Com um sentido abraço a todos vós que partilham a dor da perda deste nosso amigo,

 
ZÉ ANTUNES


2011



 

CARNIFICINA E TERROR EM BOSTON!


Em Homenagem a todas as vítimas inocentes, que perderam a vida e a todas aquelas outras, que ficam para o resto da vida deficientes, a sofrerem com tanta dor e mágoa



 Porquê tanto ódio, tanta carnificina, existente no interior de muitos de nós? Porquê tanta selvajaria? Quem matou, usando panelas carregadas de explosivos, lâminas de chapas e pregos, contra seres humanos, em Bóston, sem pensar quanto sofrimento iriam causar a tanta gente? Porque razão, antes de cometerem esses hediondos crimes, não se colocam no lugar das suas vítimas, não penetram no sofrimento delas, não criticam as próprias obsessões violentas? Quem foi o autor deste ato bárbaro e sangrento? Desta tragédia e fatalidade dramática? Desta catástrofe horrível e de tantas outras, análogos a esta, onde o desespero e o medo, além de aniquilar tantos inocentes, gera o pânico a tanta gente sem culpa?

Os Jornais e as televisões noticiavam, em “Última Hora”: “Martin Richard tinha oito anos. É uma das três vítimas mortais dos atentados de Bóston. A mãe ficou ferida na cabeça, a irmã perdeu uma perna. Estão as duas num estado muito grave, aliás como vários dos 176 feridos causados pela dupla explosão (…) na zona da meta da Maratona…”

Uma família destruída, desfeita em lágrimas, que chora os seus mortos, a perda dos seus Entes queridos! Tantas alegrias desfeitas num ápice, num instante, num dia que poderia ser de alegria e que ornamentado pelo desporto! Porquê esse final? Somos livres para pensar sobre o mundo que somos e em que vivemos, mas não compreendemos como é fácil criar “monstros” no universo virtual das nossas mentes. Como é possível, existir tanta ira contida, tanto ódio mortal, para levar uma pessoa a desejar a morte a tanta gente indefesa, inocente?

Como é possível haver tanta cólera, tanta odiosidade? Toda a consciencialização é um sistema de interpretação e nós, não possuímos a realidade essencial das pessoas que nos circundam, embora possamos discorrer sobre elas. Não possuímos nem sequer a nossa própria realidade. Perguntamos: mas, quem somos? O que somos? O que é existir? O que é a morte? Quem é o Autor da nossa existência? Se Deus existe, porque não castigar esses “monstros”, esses assassinos, que matam – sem dó nem piedade –crianças, homens, mulheres e velhos indefesos, em vez de se esconder atrás da cortina do tempo e do espaço? Podemos conviver com milhares de animais sem nunca termos problemas de relacionamento. Mas, por melhor que seja a relação com um ser humano, haverá sempre frustrações importantes. Apesar disso, não conseguimos deixar de viver em sociedade. Não somos seres sociais pelo instinto que promove a sobrevivência biológica, como acontece com os outros animais, mas por sobrevivência psíquica. 

Mas…“As crianças, Senhor? / Porque lhes dai tanta dor? / Porque padecem assim?”

“Dai-lhes Senhor, o eterno descanso entre os esplendores da luz perpétua…Vinde em seu auxílio, santos de Deus!”


Cruz dos Santos
 
2013

17/04/2013

BALÃO DE AR QUENTE


Aqui vai mais uma pequena história dos velhos tempos da banda. Vai fazer anos dentro em breve, que em conjunto com uns vizinhos, resolve-mos fazer um balão de ar quente, para o lançar na noite de S. João. Lá fomos comprar papel, cola, arame, e metemos mãos á obra, cortou-se o papel, colou-se, e com o arame fez-se o suporte para receber a mecha, que ao arder o seu ar quente, faria encher o balão para se elevar.

Ora aqui começam as complicações. Ninguém se lembrou da mecha, pois tem que ser algo que arda devagar. Alguém mais experiente logo disse que o ideal era o que se usa para fazer os enchumaços nos ombros dos casacos dos fatos. E agora? Logo um dos meus vizinhos se lembrou que o cota dele tinha na arrecadação um casaco velho que ele usava por vezes, quando andava a fazer alguns biscates pelo quintal. Foi-se á procura, encontra-se o casaco e zás. Descoseu-se o forro. e já tinha-mos mecha para o balão.

Na noite de S. João, todos presentes para lançar o balão no grandioso céu estrelado. Acendeu-se a mecha, ela começou a arder e a encher-se de ar quente e nós todos contentes a vê-lo subir. Só que foi sol de pouca dura, passado pouco tempo, cerca de três a quatro metros, o nosso bonito balão incendiou-se, e lá foi o nosso trabalho para as cuncuias.

O pior foi algumas semanas depois quando o cota, do nosso avilo se lembrou de ir vestir o casaco, e deparou-se com o mesmo sem ombreiras.

Esta pequena história foi enviada pelo

AUGUSTO RODRIGUES

Bairro Popular nº 2 

2013