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29/04/2013

“CONTINUAMOS NO FIO DA NAVALHA….”!




Uma Nação é uma Família…de Pessoas; não de Privados. Se um Governo não visa o bem-estar dos seus Cidadãos, para que é que ele serve? Só uma alternativa se nos depara: ou uma rápida “adaptação” ao novo mundo, ou expectativas de bem-estar sempre falhadas. “Isto não à volta a dar”! Ora entre este cenário negativista e um outro “cor-de-rosa”, existe a fase em que nos encontramos. É a fase do pleno conhecimento dos problemas que nos afectam, em que pode haver divergências nas soluções, mas já não nos objectivos, e em que se adquiriu –colectivamente – a consciência de que não nos resta outra alternativa senão procurar soluções novas para regressar ao caminho do crescimento. Diz o Povo: “as dificuldades aguçam o engenho” e, nessa medida, elas podem ser impulsionadoras do salto necessário e inadiável de que o País precisa. Uma coisa é certa: não podemos estar agarrados, eternamente, ao “fado choradinho”; sempre a protestar, a barafustar, de barriga cheia, a vermos “passar os comboios”! É preciso acabarmos com os benefícios concedidos pelo Estado a altos funcionários, constante de morada, alimentação e serviços gerais. É preciso reduzir o número de deputados, reduzir o número de viaturas no Estado e outras mordomias. É preciso trabalhar mais, inovar mais, ousar mais para conseguirmos crescer mais. É preciso “dividir o mal pelas aldeias”, como se diz em gíria popular. É que são sempre os mesmos a pagar! E já não existem as condições, que no século XX, permitiram o êxito sem paralelo de um Estado a um tempo “redistribuidor”, “regulador”,“desenvolvimentista” e “estratega”. Agora a Europa, não é já a dos “30 gloriosos anos”. Longe disso! Caríssimos Amigos: a Europa está falida, assim como nós. O Estado português perdeu poderes em consequência da “europeização”! Necessitamos de “investir” quatro vezes mais, ou, de “exportar” três vezes mais para conseguirmos o mesmo resultado final, dum certo valor do aumento de “consumo”. É urgente, tomarmos consciência da realidade, o que significa aprender as novas circunstâncias em que vivemos. Quanto ao plano político e partidário, continuam a existir distorções de “fachadas” que dificultam o entendimento das mudanças. E a falta da “ajuda” presidencial, como a que tem vigorado, poderá transformar-se numa fragilidade cada vez mais penosa, para todos nós.

Perceber-se-á então, quanto é prejudicial essa falha, num País decadente e notoriamente fora do tempo como o nosso, carecido de organização, persistência, exigência e de responsabilidade, onde, por certo, havemos de continuar a penar, mendigar e, pior que tudo, encostados ao “fio da navalha”!



C  S


2013

 
 
 

ANGOLA - LUANDA - SAUDADES


Nunca me poderei esquecer da terra onde na minha infância fui feliz, onde recordações bailam na minha mente, lembranças de coisas boas e belas.
Angola oferece-me gratas recordações. Recordo aquele miradouro da Fortaleza de São Miguel onde, ainda jovem, na companhia dos meus pais e irmãos, me sentava a olhar o mar. Depois retomava para o Bairro, para os meus estudos, para as minhas brincadeiras, com os avilos, meus vizinhos. Recordo os trumunos que se faziam no Preventório Infantil de Luanda. Recordo os Bairros onde em todos eles tinha amigos.
Recordo aquele miradouro, virado para o mar, onde contemplava o pôr-do-sol. E a memória traça aquela linha imaginária onde os azuis do céu e do mar se tocavam e os matizes de vermelho e laranja, incandescentes, espalhavam toda a beleza do sol que se escondia para dar lugar ao silêncio da noite, quebrado, apenas, pelos sons ritmados de uma qualquer batucada vinda do mar, lá ao longe, na ilha dos Pescadores. Os banhos noturnos na Barracuda. Recordo o Parque Heróis de Chaves, onde os casalinhos iam namorar e trocar seus beijos ás escondidas de quem passava.

Recordo tempos em que ao Sábado à noite se ia dançar para os clubes do Bairro Palanca, do Clube do Sarmento Rodrigues, do Clube do Bairro Popular nº 2, na Boavista, na Textang, no Ferrovia, no Clube da Terra-Nova, Casa do Alentejo, Casa do Minho ou no Transmontano, era dançar ao som de músicas soul, para estar bem agarradinho, com a namorada.

Depois, no Domingo de manhã pegar na toalha e ir desfrutar das águas cálidas do Atlântico, na praia da Floresta, na praia de S. Jorge, no Restinga, na Tamar, na Praia do Sol, na Barracuda, na Corimba ( Restaurante do ti Lopes e da ti Conceição ) até o sol se afundar no mar e ouvir o silvo como se ele fosse esfriando para esse mesmo sol se transformar em Lua.

No Domingo à tardinha ir às matinés do cine São João, para estar mais um pouco com as garinas. Ficava-mos sempre na última fila. SAUDADES!!!

O regresso a Angola. Ficaram as imagens dos tempos lá vividos e o gosto de as recordar. Lembro o cheiro da terra molhada quando caíam as primeiras chuvadas. Sempre fortes. O espetáculo da trovoada que se abatia sobre o mar e se desfrutava da varanda de uma casa sobranceira ao mar. Os relâmpagos que iluminavam a noite escura e imprimiam um forte risco de luz que dilacerava o céu negro e se espelhava no mar.

Longe de Angola, a realidade passava a ser outra, bem diferente. Houve sonhos que não foram cumpridos. Eram sonhos de "ser e estar" de Angola. Inadequados ao novo cenário que se desenhava. Esses ficavam no passado... arrumados sem amargura, nem revolta. O cenário mudava, a ação prosseguia e era preciso criar ânimo e tempo para novos sonhos. A vida tinha de continuar longe da terra que viu nascer metade da minha família.

Aquele momento da partida forçada foi dolorosa e perdura na minha memória. Não houve tempo para olhar uma última vez e dizer adeus. Angola começava a distanciar-se. Tão longe. E tão perto. Tão longe...na vontade de lá voltar. Sem mágoa nem ressentimento. Tão perto, sempre presente na memória.

Na manhã do embarque, o avião levantava voo e Angola ficava para trás. Tinham sido algumas horas de espera e de angústia naquele aeroporto. Uma partida que causava uma mágoa. 

Mas o tempo cura tudo, dizem. Reorganiza as emoções para que se recordem os acontecimentos com distanciamento, digo eu. Jamais esquecemos tudo de bom e de mau que nos marca.

Deixar Angola e partir, era uma questão de sobrevivência. E de liberdade. No Bairro Popular e depois no Aeroporto, ouvia o barulho assustador do grande tiroteio. Os confrontos aconteciam por toda a cidade e tornavam-se frequentes. As balas tracejantes riscavam o céu escuro. Sentia-se o medo. Fazia parte daqueles dias e tinha de conviver com eles.

Hoje sinto muitas saudades destas pequeninas recordações.

ZÉ ANTUNES
2013

 

 

CANCRO


Ao escrever este tema dedico-o a todas as mulheres que lutam com o  “clicaLOBO MAU aqui "
 

O nosso almoço anual de confraternização dos moradores dos Bairros Popular, Sarmento e Palanca que está prestes a realizar-se e ao consultar os nomes e moradas bem assim como os contactos telefónicos para anunciar e informar do próximo almoço, vi na inscrição de algumas amigas a palavra falecida. E eu sei de que é que algumas de vocês faleceu.

A nostalgia apoderou-se de mim e em desespero comecei a escrever sobre vocês amigas do coração.

Não é fácil falar de vocês que se foram embora, vou lembrando-me dos dias em que conheci muitas de vocês. Umas pacatas outras extrovertidas, outras alegres e ainda algumas tímidas, algumas como se fossem rapazes, outras de cabelos longos a esvoaçar ao vento a conduzir a sua mini mota Honda, a passear no Bairro, fazendo com que muitos rapazes se apaixonassem.

A quando da nossa vinda de Angola muitos de nós separamo-nos, contingências da vida, cada um para seu lado.

Mais tarde deu-se e vai-se dando o encontro de muitos de nós nos encontros dos almoços anuais comemorativos dos Bairros onde vivíamos e também os almoços anuais das escolas que frequentava-mos, onde tentamos estar sempre em contacto uns com os outros.

Particularmente segui de perto a Luta de uma amiga que de repente me confessava as suas maleitas, principalmente a luta com o tal de Lobo Mau, que se apoderara do seu seio.

Portou-se
bem no inicio, retirou-se o tumor, mas o Lobo Mau ficou à espreita, malandreco, regressando com mais força, e ela galhardamente, heroicamente combateu-o, mas ele lá ia fazendo as suas malandrices.

Amiga minha fizeste tratamentos arriscados, quimioterapias, e outros tratamentos mais, quantas milongas tomavas. Combate inglório.
De repente foste embora, mágoa minha não ter ido ao teu funeral, soube já tarde a tua partida. Acredita que chorei, fiquei com saudades, saudades do nosso tempo de Luanda e mais tarde de Lisboa de Carcavelos, dos pequenos convívios, e dos cafés, que quando ia ter contigo, já não os saboreavas, lembro-me de me dizeres “ QUANDO FOR PARA OUTRA DIMENSÃO LEMBREM-SE DE MIM”.

Amiga descansa em paz, que teus amigos e amigas verdadeiros estão sempre a lembrarem –se de ti.

A todas as amigas que lutam heroicamente com o Lobo Mau que se restabeleçam rapidamente,

Muita coragem e Amor
 ZÉ ANTUNES

 2013

 

24/04/2013

DIA COMEMORATIVO


No dia 25 de Abril de 1974… Estava em Luanda, dia cinzento que adivinhava já a chegada do cacimbo. Depois de visitar quase todas as escolas, como fazia quase todas as manhãs para ver as garinas, na entrada das aulas, fui para o emprego, ali na Conselheiro Júlio de Vilhena no Largo Serpa Pinto.

Dia de trabalho perfeitamente normal mas, a meio da manhã, começou a sentir-se no ar algum de nervosismo, que algo de anormal se passava na metrópole…

A certa altura apareceu a Dona Maria de Lourdes, (o marido era oficial da Força Aérea Portuguesa), secretária do meu patrão, com um rádio na mão. Seriam entre as 09h00 e 09h30 da manhã, em Luanda, por isso menos uma hora em Lisboa. Entrou como um vulcão e dirigiu-se ao gabinete do patrão. Pelo que pudemos perceber, a rádio estava a noticiar que as comunicações com Portugal estavam cortadas, porque se tinha dado uma revolução.

Á tarde as notícias corriam céleres…mas ninguém se arriscava a confirmar nada. Foi da rádio sul africana que foram chegando notícias que confirmavam não apenas o movimento dos Capitães, mas a sua vitória.
Intimamente uma imensa alegria…. Uma esperança sem fim que tudo iria melhorar para todos.

Há cerca de dois anos que se falava com certo á vontade na possibilidade de Angola se libertar da metrópole, aceder á independência tornando Nova Lisboa (Huambo) sua capital.

E eu tive esperança… por mim, por todos e sobretudo por todos aqueles que me rodeavam, colegas e amigos, porque tornou-se óbvio para todos que a guerra, de um modo ou de outro, teria os dias contados.
Tive esperança, sobretudo por eles… o meu caminho, a curto prazo, foi traçado, já sabia que não passaria pela continuação em Angola. Pelos acontecimentos precipitados, por tudo que se estava a passar em Luanda, adivinhava-se o regresso a Portugal que acabou por acontecer em Junho de 1975.

Todos tínhamos esperança que a emancipação de Angola ocorresse longe de outros exemplos vizinhos.

A madrugada de 25 de Abril serviu para podermos sonhar…
E sonhámos! E idealizámos! E construímos! Por entre sonhos e pesadelos, muito foi realizado…Com muitos sacrifícios!!!!

Houve feridas abertas… incompreensões…Responsabilidades assumidas e outras alijadas…Responsabilidade às consequências e não às causas

Houve dores de «crescimento».

Mas... valeu a pena? Penso que não. Pois passados estes anos todos estamos iguais ou piores do que no Verão quente de 1975, mesmo assim dou um grande viva ao 25 de Abril
Viva o 25 de Abril! 
ZÉ ANTUNES

1974



23/04/2013

ALMOÇO CONVIVIO NA LAJE


No dia nove de Abril deste ano de dois mil e treze, um dia com uma temperatura agradável, tempo primaveril, reunimo-nos mais uma vez, alguns confrades do Penico Dourado, desta vez no Restaurante da Associação dos Comandos na Laje em Oeiras, com as seguintes presenças:

Zé Antunes, Zé Ideias e a Esposa a Rosita, Vasco, Sousa e Esposa a Lourdes, irmão do Sousa e esposa, Aleluia, Rui e um casal amigo do Sousa.

Depois das boas vindas e de tomar um aperitivo, deu-se a degustação do repasto, uma feijoada que estava deliciosa. Finda a refeição, dirigimo-nos para a esplanada onde foi servido os cafés e os respetivos digestivos.

Conversa puxa conversa, e era inevitável contar-mos histórias do nosso tempo de juventude e também se falou de histórias atuais, principalmente da situação do Pais.

Recordamo-nos dos amigos ausentes que faleceram ainda na plenitude da juventude. Lembramo-nos de um avilo que depois de uma viagem a Nova Lisboa e no regresso na Cidade da Gabela se despistou com o seu FIAT 128 e foi projetado, sendo transportado por um amigo para o Hospital de Novo Redondo, mas chegou lá, já sem vida.

Essa viatura o FIAT 128, foi rebocada para Luanda e ainda está até aos dias de hoje num estacionamento na ex-Coronel Artur de Paiva.

Contaram-se ainda várias histórias que reavivaram a nossa memória.

Momento alto do convívio foi o telefonema que fizemos ao Banga Ninito a desejar-lhe um bom fim de semana, e onde ele comoveu-se ao telefone do nosso convívio, comprometendo-se a visitar a confraria o mais cedo possível para também conviver com todos os amigos.

Como nem todos têm a mesma cor clubite, dissecou-se numa animada e divertida discussão sobre o próximo dérbi lisboeta, o Benfica – Sporting que se realiza no próximo domingo dia 21 de Abril de 2013, ficando decidido que a discussão seria para o próximo almoço e ai faríamos o rescaldo da discussão anterior, e falaríamos sobre o resultado do jogo.

Depois de uma bela tarde de convívio deu-se a debandada final, regressando todos a suas casas.


ZÉ ANTUNES

2013

22/04/2013

A“UNIÃO EUROPEIA”, O DESEMPREGO E A POBREZA!


A Europa não é uma questão ideológica, é uma aposta de sobrevivência. É o “venha a nós o vosso reino”! Meus Senhores: quando é que nos convencemos, que os Alemães querem vender os seus carros? E a França os seus “TGV’s”, ou alguma central nuclear? Quando é que nos “entra na cabeça”, que não passamos de meros peões ou de simples “lacaios” da “Troika”? É verdade que cada país tem a sua cultura “económico política” e que cada um pode sentir-se pressionado pelos outros. Mas é possível convencer os outros Estados derrubar, sem medo, certas manobras ideológicas, face a esta terrível crise da zona euro? Uma coisa é certa: o desastre atual, criado pelo desaparecimento do emprego, é dramático e é tempo de pormos cobro a essa carência tão desesperante, obstando aos acontecimentos, que daí possam resultar. 

O desespero dos desempregados é certo e imediato, como é o das crianças que sofrem com eles, ainda que não entrem nas estatísticas. E seria cegueira, não ver até que ponto os desempregados e a consequente pobreza são tomados como reféns, e como as populações ameaçadas são mantidas desse modo à mercê destes senhores da “Troika”! Quantos desempregados ficaram prostrados, perante a ideia de julgarem que se tinham tornado “inúteis”, quantos se consideraram humilhados, perante os filhos? Apresentar o “desemprego” como uma degradação, ou mesmo deixá-lo passar por tal, faz parte de uma propaganda demagógica, senão de tipo populista, uma vez que encontra muitas vezes uma adesão fácil; desprezar um “desempregado” permite não só desculpabilizar-se, mas também imaginar que se pertence a uma ordem superior e protegida, e ficar com a ilusão, mantendo-se à distância com aquilo que suporta, de afastar com ele esse desemprego que ameaça e que nós próprios tememos.

A Europa, meus Caríssimos Amigos, já não é a fortaleza de bem-estar que foi. A União Europeia, já não é e não pode ser o simples projeto de um mercado comum de bens e serviços entre Estados prósperos e soberanos, um seleto clube onde se sentava a “dominante classe” do planeta. E assim não é, porque foi assaltado de fora tanto pelos novos pobres como pelos novos-ricos, os que dantes imaginávamos incapazes de competir. O que dantes eram apenas atrasados mercados de exportação para a Europa, são hoje ameaça sector por sector à indústria e aos serviços europeus. Os países da União Europeia e os seus ministros das finanças, tomam as pessoas por “Idiotas” sobre a “extorsão de diversos e variados Impostos (IVA TIPP, PIT, ISF, IVA e Consumo). Vivem em grande estilo, com o dinheiro dos Contribuintes. E os resultados estão aí! Só não vê…quem não quer!


Cruz dos Santos

2013
 

18/04/2013

JOÃO KAJIPIPA 16


-Xê “Kangundo”! Tas ouvir “Kangundo”do Desportivo de São Paulo! Vais na farra do Braguêz?
-Olá “Preto-Fulo” dum raio! Vai lá chamar “Kangundo” ao teu pai, meu cão!
Este último “Madié” (negro-fulo), conhecido por “Quinino Amargoso”, um bocado “kileba”*, estreito, mas não era “trinca-espinhas”; muito claro, parecia di raça “cabrito” ou “albino”, mas também não era branco. Tinha pouco cabelo que parecia assim como “mijeje”** de milho. A cabeça dele, era grande “p’rá xuxu” e a testa, era lisa, si parecia com aquelas camionetas “Xêtetes”.

Por sua vez, O “Kangundo”, si chamava “Zé-Caprikito…e ainda é “Monandengue”. Era firio legítimo do Sió Antunes, motorista de 1ª, dos “maximbombos” da Câmara Municipal de Luanda…“à bué” de tempos. Zé-Caprikito, era afamado di grande péscador do rio “Kuanza”. O “Madié”, só tinha um defeito, tinha medo dos “Kanzumbis”, principalmente quando tinha qui ir à noite p’rá sua casa, e tinha qui passar junto do cemitério do “Alto das Cruzes”. Por isso, é que ele andava sempre com o seu primo, o “Sandjika”, aquele que fazia o seu “kariengue” de varrer o salão do Desportivo. 


-Zé-Caprikito?! Ti preguntei si ías na farra do Braguêz?
-Mas…mi insultaste primeiro! Quem é “Kangundo”, meu cão? 
-Descurpa Quinino Amargoso. Esquece!“Kuabo ué”! Também é preciso ficares assim?
-NÃO! Não vou a farra nenhuma! Tás a julgari, qui eu tenho “kitari” à toa ou quê? E mesmo qui tivesse, não ía! Estão a “kangar” um gajo!
-QUEM???? 
-Aquele chefe, qui a cara dele é comprida e o “muezu”*** parece de “kisuto”****….

LHI CONHECES?

-É “PIMBA”, meu Irmão! “Makuto-Kaxe”!É “boato”! São os gajos da Vila Alice, qui ti estão a “enfiar” uns “Bugues”, só p’rá não ires nu Desportivo de São Paulo! ”Bugueiros” di merda!
-Achas?
-Acho pois! Tão ta Aldrabar. Eles combinaram vir gritar as mentira de nos “intrujar” cada vez mais, as autoridades qui mandavam na “Munenga” tinham dado ordem nos “Kapita” pra o povo todo ir na Vila Alice e não ir no São Paulo!

É assim! Coisas do antigamente, qui si repercutiram nos dias d’hoje! Nascemos Aldrabões e, vamos a continuar a aldrabar o Povo na sua essência.

Glosário:
*Kileba=alto **mijeje=barbas de milho; alusão ao brilho ***muezu=Barba ****Kisuto=Bode
Banga-Ninito
 
2013