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21/05/2013

MATARAM DONA ARMINDA



É muito fácil falar de Dona Arminda, sua mãe foi amiga pessoal de minha mãe, dos tempos do Mercado do Kinaxixe onde minha mãe tinha uma banca de legumes, mas eu só a conheci pessoalmente quando certa vez, eu e minha mãe fomos ao hospital Maria Pia e ai vi como ela era generosa e afável Dona Arminda, uma pessoa alegre, bem disposta, dedicada mas delicada com todos.

Dona Arminda era de uma bondade angelical, de uma delicadeza de princesa, de uma serenidade, de um amanhecer e de uma calma de monge. Muitas vezes ao entardecer, minha mãe visitava-a e ficavam ali na conversa até muito tarde.

Como diz o poeta, ela deveria ser eterna. 

Dona Arminda gostava de ouvir no seu rádio de pilhas em cima de uma pequena mesa na cozinha coberta com uma linda toalha de plástico xadrez amarelo e azul, quando começavam a transmitir a rádio novela “MARIA” e o início era sempre assim: Luanda são 17 horas, a linda música que antecedia o início da rádio novela fazia-a viajar pelo mundo através da voz do grande locutor e descobrir mundos e lugares jamais imaginados por sua mente. 

Vim para Portugal em 1975 e nunca mais ouvi falar nela, sei que ficou em Luanda, e neste ano de 2013 pesquisando na net reparei neste escrito que transcrevo na integra.

Nossa amiga das noitadas naqueles mufetes dançantes, que invadiam os centros recreativos de S. Paulo, Ginásio, Maxinde, Escrequenha e Perdidos. Ela partiu, deixando um grande vazio entre nós, exatamente quando tinha-mos planeado mais uma vez festejar, o seu aniversário, numa das salas da (Liga Nacional Africana ) mesmo por detrás de sua casa. Ainda me lembro como se fosse hoje, da aquela senhora branca sem kigila, como ela própria se definia. Ela morreu numa tarde de sexta-feira ( junho de 1976 ), cravada com um tiro na cabeça, quando pretendia abrir a porta, para um suposto amigo. Foi duro, ver seu corpo feito escombros dois dias, deitada no corrimão, daquele 1°- andar no Zé-Pirão.
 
Ela descansava, depois de mais um dia de trabalho, no hospital ( Maria Pia ) onde exercia medicina, quase 20 anos. Ela era um grande encanto para todos que a conheciam, e alegria das crianças, daqueles tantos vizinhos, que viam nela um grande exemplo de humanismo, carinho e amor. Quantas vezes, distribuiu rebuçados e balões para aquelas tantas crianças, que se prendiam á sua saia, mal estacionasse o seu Ford-Capry cor de laranja. Que pena !!!
 
Em Angola ela sempre, sentiu-se, como se estivesse em casa, pois de portuguesa, nascida na pátria de Camões, Mário Soares e tantos outros, ela até já tinha perdido o sotaque. Mulher alegre, sempre presente e participativa, quando fosse chamada. Respeitada e admirada pelos seus colegas de trabalho, que não hesitaram em indicar seu nome para chefiar a comissão sindical de trabalhadores do hospital, dado a sua competência e qualidade profissional.
 
Aos fins de semana, lá estava ela com seus melhores amigos ,ora na Palhota saboreando um bom churrasco ou no Maxinde dançando o semba em passadas largas, que ela adorava e escutava sempre no seu carro. Era impressionante, a alegria daquela mulher, que sabia viver todos os dias e tirava o máximo de rendimento das oportunidades que a vida lhe oferecia. Lembro-me dela como se fosse hoje, do brilho de seus olhos e das vezes que vibrava quando o ( ASA ) sua equipa de coração, entrasse em campo, ou quando no seu caro escutasse ,os brindes de ; David Zé, Urbano de Castro ou de Roberto Carlos.
 
Raramente viajava para Portugal, no seu período de férias. Tinha familiares em Benguela onde viajava sempre que pudesse. Arminda foi duro para nós ver-te partir daquele jeito, tão brutal e cruel. Os corações daqueles, que te conheciam e das crianças com quem tantas vezes brincaste, escrevem em letras de sangue, lágrimas e dor o teu nome inesquecível "Arminda " Amiga, tua imagem continua bem viva em nossa memória. Aquelas ontem crianças, hoje pais, mães e avôs ainda se lembram de ti e dos bons momentos que passaram mergulhadas em teus braços.
 
Descanse em paz, Arminda...Foi revoltante saber que teu assassino de nome ( Zé Manuel ) pouco depois tinha sua liberdade, suas armas nas mãos, para fazer novas vítimas, destruindo outras amizades, e deixando outros órfãos. 

Quem era Zé Manuel ? ----- Um jovem corpulento ( negro chocolate) como era conhecido, no meio feminino, dono de tantas garotas, charmoso, carapinha brilhante, mergulhado na fama de ser engatatão. Zé Manuel, sobrinho querido de um então, pesado major de patente, de uma importante brigada de transporte rodoviário. ( B.T.R ). Seu tio de nome conhecido "Nga Kumono ", homem arrogante, de um sorriso furioso e falso, gostava de ter a fama de ser bruto e poderoso. Não tinha filhos daí, o sobrinho ser o mais querido e protegido de tudo e todos. Para além, dos defeitos que ele considerava como virtudes, Nga Kumono era considerado um dos homens mais ricos do bairro onde nasceu ( Katepa ) em Malange. Tinha de tudo o que queria sem o menor esforço. Em Luanda morava numa das melhores, mansões da cidade, coberto por um equipamento eletrónico de vigia, piscina com mármore dourado, criados vindos do sul de Angola, muitos deles curiosamente até andavam descalços.
 
Tinha cozinheiras, Mercedes de luxo e falava-se, que era um dos maiores traficantes de diamantes no momento, e sócio de um hotel em Malange com seu conterrâneo o famoso (Paulo Stop ).Importa dizer que tal hotel chamava-se: " Kigima " também na cidade de Malange. Nga kumono tinha uma das suas mansões em Luanda, exatamente no coração entre a Vila-Alice e o bairro do Maculusso. Seu sobrinho Zé Manuel muito cedo foi identificado como o assassino de nossa amiga, pois era pessoa que frequentava o prédio. Uma vez militar, foi levado para a PM \"Policia Militar \"e segundo testemunhos, bastou dizer que era sobrinho de major Nga Kumono, os policias começaram ,a olharem-se uns para os outros.
 
Zé Manuel, não precisou confessar, pois tinha sido visto a fugir, depois do disparo mortal que levou nossa amiga para sempre. Nga Kumono, correu para a PM e lá soltou seu sobrinho, perante o olha inconformado de "Escorpião, Jacinto Lima e Veloso" que eram responsáveis da unidade militar. Onde estavam os direitos humanos ? A grande injustiça é que perdemos a nossa amiga para sempre e o assassino foi posto em liberdade como disse, delicerando familiares e amigos com a dor da perda que sentimos. Nossa dor minha amiga. Pesadelo, a família e os amigos delicerados, descrentes de tudo numa Angola, dos nossos governantes perdidos, olhando para o nada.
 
Ficamos com nossas feridas no peito, que não cicatrizarão até ao fim dos nossos dias. Juntos conhecemos o verdadeiro significado da palavra amizade. Tu partiste. Tivemos que começar tudo de novo. Nossos planos eram compartilhados. Tudo fizemos, para defender tua honra, acabamos abafados e intimidados. Juntamo-nos fizemos abaixo-assinado e acabamos por ser marcados. A quem haveríamos de recorrer? Policias e tantas outras instituições, só nos diziam que, nada havia a fazer, pois o major era forte e bem protegido. Houve até policias, que nos diziam que estavam a meter suas posições em risco, pois o major tinha cunha em todo setor, público e político. Meus irmãos, a perda de nossos amigos não pode ser em vão. Essa dor muda completamente nossas vidas e que, sabemos, nos acompanhará pelo resto dela no pode ser atoa.
 
Foi dos crimes mais bárbaros de que, alguns que moraram no Zé Pirão, tiveram conhecimento. Acredito que essa atitude monstruosa seja fruto da impunidade que já reinava em nosso país, onde nada é levado a sério e as inúmeras mortes que ocorrem de forma semelhante são encaradas apenas como números em algumas estatísticas. Irmãos, se nada for feito, amanhã poderá ser você, sua mãe, tio, amigo, irmão, vizinho, conhecido ou outro compatriota.



Fernando Vumby


2013

16/05/2013

ZACARIAS E O CHEQUE


Naqueles tempos antes da Dipanda, ai no ano de 1974, Zacarias “ o Bom Moço “ andava bué de contente, lhe tinham arranjado um salo como porteiro de uns escritórios ali na baixa de Luanda, perto do Largo Serpa Pinto.

Zacarias estava mesmo sem fazer nada e esse salo veio em boa altura pois kitar mal é, estava mali mali. Ele falava sem kumbú estou frito.

Nos primeiros quinze dias sempre a bumbar sem faltas todo aprumadinho mesmo na banga, mas os cumbús ainda estavam a faltar, vai na tesouraria do escritório e fala:

Tenho ai uns mambos para saldar, queria então pedir um vale de 500 escudos, porque a situação está péssima, estou na penúria.

Lhe falaram que não podia ser, no fim do mês que lhe iam pagar tudo, mas Zacarias sabe chorar e lhe adiantaram 100 escudos, lhe falaram é o que temos em caixa agora só se trabalha com cheque.

Ainda assim desconsolado porque o kitare não chegava, porque ele queria rústir com a kivita numa funguta do Bairro do Rangel, na dona Amália.

Chega o tão esperado fim do mês, Dona Loudes a secretária do boss lhe chama:

Zacarias está aqui teu cheque, agora vais ai na esquina tem o Banco Comercial de Angola ( gerente era sobrinho do famoso Peyroteu ) assinas só aqui atrás e tens o teu salário, tudo certinho com o teu vale descontado.

Zacarias fica na bicha do banco, quando chega a sua vez entrega o cheque ao funcionário e todo sorrisos, fala para o funcionário: assino aonde mesmo?

O funcionário diz:

Vais assinar aqui, mas tens que me apresentar o teu documento para ver se está válido, para registar aqui no cheque.

Eh nada, me falaram só assina, meu documento não tenho, a camba lá do meu trabalho falou só que eu assino, como agora falas dos documentos.

O funcionário vai falar com o gerente pois a empresa em causa era boa cliente, talvez pudesse facilitar sem a amostragem dos documentos de identificação, só com a assinatura.

Nesse entretanto como a demora era muita, um madié, bem grande e cheio de cabedal que está a trás do Zacarias, já impaciente fala:

Como é “ oh meu “ assinas e dás os documentos, ou então levas aqui um enxerto de porrada que nem sabes donde vieste.

Zacarias todo intimidado grita para o funcionário do Banco:

Trás ai o cheque que eu assino e te dou os documentos, tu não falaste bem, este madié aqui, é que sabe falar.

Zacarias recebe os seus cumbús e sai do Banco todo feliz, nesse fim de semana vai com a barona rústir um pé de dança numa funguta.


ZÉ ANTUNES
1974

PADRE VERGÍLIO


Olá a todos 
 
A São Costa Pereira está inconsolável

Infelizmente venho por este meio informar que mais um amigo partiu...
Para os amigos do Bairro Popular nº. 2, que não tenham tido conhecimento, sirvo-me deste meio para cumprir o doloroso dever de vos informar do falecimento, dia 31.10.2011, pelas 03h00 da madrugada de doença súbita do nosso muito querido amigo, e companheiro, Padre Vergílio da Costa Pereira, 

Não sei se recordam, mas o Padre Vergílio era sobrinho do Padre da Igreja de Santa Ana o padre Costa Pereira e primo da nossa amiga que organiza os almoços do Bairro a São da Costa Pereira.

O corpo encontra-se em câmara ardente na Igreja do Carregado
Paz à sua alma, e a todos os familiares os meus sentimentos.

Agradeço que comuniquem também a outros amigos esta funesta ocorrência, pensando em todos quantos queiram e possam tributar-lhe, em presença, um derradeiro adeus.

Foi através do Carlos Abreu, que recebi esta noticia triste, a partida de mais um amigo de muitas jornadas e convívios, que muito prezava-mos pela sua amizade, carácter e lealdade. 

Em nome dos nossos amigos e companheiros, queremos associar-nos à vossa dor, deixar uma palavra de carinho e expressar a nossa solidariedade aos familiares e amigos, em especial à São Costa Pereira, com os nossos mais sinceros votos de pesar. Queremos também reafirmar que o Padre Vergílio e todos os outros amigos que partiram na frente serão sempre lembrados até que, a nossa memória se extinga. 
 
ZÉ ANTUNES
 

2011

11/05/2013

VIAGEM DE MOTO

Hoje, decorridos que são quase quarenta anos, foi em Agosto de 1973, da minha primeira viagem de moto, uma Honda 350 Scrambler, de Luanda a Nova Lisboa, vou aqui dizer como foi essa maravilhosa viagem em 1973. Comecei a trabalhar na Represental, Lda, no dia 01 de Agosto desse ano e logo nessa 6ª feira dia 03 e 2ª feira dia 06, pedi Licença para poder ir nesse fim de semana á tão desejada viagem.

Resolvemos eu e mais um grupo de avilos Jorge com a Honda 350 CB, Carlos com uma Yamaha 250, Mário com a Honda 350 CB e o Anacleto com uma TRIUMPH Trophy 650 e ainda o Victor Russo com Honda 350 CB, irmos a uma farra num fim de semana, onde estariam alguns amigos e amigas de Luanda, Nesse fim de semana 03, 04 e 05 de Agosto de 1973, também se realizavam as famosas seis horas de Nova Lisboa em Automóveis. As Garinas e outros avilos foram de automóvel, mais os pais de alguns, nós resolvemos fazer a viagem de moto. Pelos bons amigos tudo fazemos.  Lá me convenceram e fui


.
Honda CB 350 do Jorge a do Victor Russo era Verde Garrafa



Honda CB 350 do Mário

Posso dizer que, apesar da distância foi maravilhoso. Saimos de Luanda dia 03 de Agosto, pela manhã, e em Catete paramos, para tomar o matabicho numa mercearia onde trabalhava o Alfredo que tinha uma mota YAMAHA 650, que depois mais tarde vendeu ao Carlos Barbara, mais conhecido por BRONSON que morava na Rua de Serpa, matabicho degustado, motas abastecidas e ao fim da tarde chegamos ao Alto Wama. O cansaço estava a ser mais forte do que nós, resolvemos ir pernoitar á bela Cidade Teixeira da Silva ( Bailundo ), onde alguns de nós tinha-mos amigos, e em Nova Lisboa deveria estar tudo super lotado por causa do evento desportivo, que se realizava nesse fim de semana. Fomos a uma pensão, indicada pelo irmão do Gama, tendo o seu proprietário dito para estacionar-mos as motos junto das janelas dos quartos, no exterior, encostadas à parede, com os cadeados postos. A Pensão era num rés-do-chão, assim o fizemos. Após termos bebido umas cervejas, eu cansado que estava recolhi ao quarto para descansar até chegar a hora de ser servido o jantar. Deitei-me em cima da cama, e lá adormeci, só tendo acordado por volta das sete horas da manhã do dia seguinte. Dirigi-me à receção, a fim de pagar a estadia, e ao mesmo tempo tomar o pequeno-almoço. Onde já estava o pessoal, todos prontos para seguir-mos para Nova Lisboa.

Honda CB 350 Scrambler do Zé Antunes

Todavia foi-me perguntado, porque motivo não tinha comparecido para o jantar.

Tendo eu respondido, não compareci, porque vinha muito cansado e só acordei à poucos minutos, adormeci.

A viagem não terminou aqui, pelo que continuamos estrada fora em direção a Nova Lisboa. A distância no velocímetro
indicava termos percorrido 630 quilómetros. Mas, valeu a pena.



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                   Yamaha 250 do Carlos


s
Triumph trophy 650 do Anacleto

No dia 04 de Agosto lá fomos á farra, onde se dançou e se bebeu umas Cucas e Nocais, onde estivemos com as garinas de Luanda e outras de Nova Lisboa.

Dia 05 de Agosto assistimos ás corridas.


Selo de Correio alusivo ao evento ( Foto da net )




Bilhete para o ingresso das 06 H 00 de Nova Lisboa ( Foto da net )


Dormimos em Nova Lisboa e na Segunda feira de manhã, já estávamos de regresso a Luanda, nas calmas, tivemos que parar na Cela ( Waco Kungo ) pois a Yamaha do Carlos, teve uma avaria, partiu-se o cabo do acelerador, reparada a avaria, dirigimo-nos para a Gabela onde paramos para almoçar, tendo também parado no Dondo onde jantamos.



Cidade da Cela (Waco Kungo )

Chegamos a Luanda ao Posto de Combustível da Shell na Estrada de Catete o chamado 24 horas, ás 22 horas. Cansados mas felizes.

Foi a minha primeira grande viagem de moto.

Tudo o que é bom acaba depressa.

ZÉ ANTUNES

1973

08/05/2013

DEPOIS DO ADEUS 16 - 17- 18



EPISÓDIO 16 - “Ouvem-se os sinos tocar”

23 e 24 de Dezembro de 1975

Na noite de Natal, durante a vigília pelos presos do 25 de Novembro, Ana sai da prisão. Um dia antes, Catarina tinha sido libertada graças à intervenção do seu pai.
À espera de Ana está a mãe, o irmão, a tia, o primo e Teresa, finalmente aceite por Maria do Carmo.
Natália decide ir à vigília a...poiar o irmão, deixando o marido sem consoada depois de sofrer um rude golpe ao ver Joaquim de braço dado com a amante a entrar no Parque Mayer para assistir a um espectáculo.
Gonçalo tenta pedir perdão a Ana, mas Álvaro manda-o embora de sua casa. O rapaz acaba por escrever a palavra “desculpa” no chão da rua.
Através de um vizinho que vem de Angola, Nando fica a saber que os pais morreram. Sozinho e desesperado, o rapaz encontra algum conforto junto de Alferes e Teresa. Os três passam juntos a consoada.
Daniel procura Joana e pede-lhe para o aceitar de volta, mas a mulher não aceita. Atormentado pela vida, Daniel agarra no revólver e suicida-se.



17º EPISÓDIO - ANO NOVO VIDA NOVA

1 a 3 de janeiro de 1976

Com a entrada no novo ano, Maria do Carmo e Álvaro recebem uma má notícia. Dentro de dois dias terão de deixar a casa onde vivem. Sem outra solução à vista, eles são encaminhados pelo IARN para a “Colónia do Século”, no Estoril, um alojamento em camaratas com homens de um lado e mulheres do outro. Ana e João mostram-se revoltados e desanimados com a situação.
Joaquim consegue convencer a mulher que não tem uma amante. Entretanto na fábrica, sem encomendas nem dinheiro para pagar salários, discute-se a possibilidade do regresso do patrão.
Catarina não quer ir para Paris com os pais e acaba por convencê-los a ficar, graças à intervenção da mãe.
Joana vai viver com Teresa. Jorge vai até à campa do pai, onde chora revoltado mas sem o perdoar.



20 e 21 de janeiro de 1976

Samuel, que todos julgavam morto, aparece na pensão acompanhado pela Cruz Vermelha. Teresa exulta de contentamento por conseguir reaver o marido. Contudo, Samuel já não é a mesma pessoa: está cego e com graves perturbações psicológicas.
Na metalúrgica realiza-se uma nova assembleia-geral para vo
tar o regresso do patrão. Desta vez, por sugestão de Joaquim aconselhado por Álvaro, o voto é secreto e o “sim” vence. Casimiro regressa à fábrica e chama Álvaro para trabalhar com ele.
Na tentativa de arrendar uma casa, Álvaro é enganado por uma alegada agência e perde todo o dinheiro que a família tinha para viver até ao final do mês.
Rosário vai à procura de Joaquim. Natália apanha a amante do marido à porta de casa e confronta-a. A mulher acaba por se ir embora de vez da vida de Joaquim.
Gonçalo, que agora trabalha num escritório de advogados, vai para fora e Catarina aproveita para fazer uma festa em casa. Ana mente à mãe e fica em casa da amiga. No entanto, Gonçalo antecipa o regresso e, ao chegar a casa, vê Afonso a dormir junto a Ana no sofá, acabando por tirar conclusões erradas.

06/05/2013

TOMEM LÁ MAIS UMA DOSE DE AUSTERIDADE!


A catástrofe há tanto tempo anunciada, está aí! E com consequências impensáveis. Este governo é uma lástima e os seus mandantes uma tragédia"! Meus Senhores: Portugal vive desesperado e os Portugueses não aguentam mais. Estão a atravessar momentos dramáticos, acreditem! Aumenta o número de pessoas, que recorrem aos "bancos alimentares", não só aquelas que se encontram no desemprego, como aquelas outras, que não ganham o suficiente para fazer face ao elevado custo de vida, onde os preços dos bens essenciais continuam a subir e os rendimentos a baixar. Onde as rendas de casa e os preços da energia, têm vindo a aumentar, desmesuradamente, em benefício dos senhorios e capitalistas.
Onde os mais pobres são obrigados a optar entre manterem um teto ou passarem fome. Entretanto, a quantidade de portugueses a saírem de Portugal, nestes últimos anos, atingiu números próximos da emigração maciça dos anos 60 e 70. Os nossos cérebros jovens, estão a deixar-nos Sós. Uma loucura!

É que não aguentam mais essa desconsideração. Essa falta de respeito pelos Cidadãos, que pagam, COM MUITO SACRIFICIO, os seus impostos! Quase todos os dias, são anunciadas medidas de austeridade assustadoras. Aclamadas, umas vezes, pelo Sr. Ministro das Finanças; outras, contrariadas pelo Sr. Ministro da Economia, que por sua vez, são impugnadas ou contraditadas pelo Sr. Primeiro Ministro. Pode-se até considerar que existe, nessas incoerências ou contradições, um circuito ligado aos interesses do capitalismo: o poder político dos países mais fortes, cumprindo as orientações do capital financeiro instalado nos seus países, que impõem as regras dessa mesma "selvática" austeridade, para um desmesurado empobrecimento a Portugal, que terá de pagar com despedimentos, destruição do tecido produtivo, liquidação dos apoios sociais, etc..
 
Consequentemente, uma luta difícil! Mesmo muito difícil, se tivermos em conta os muitos e fortes obstáculos que se colocam aos trabalhadores e ao povo: as chantagens, as ameaças, represálias; o uso e abuso do poder, para impor medidas antidemocráticas e antipopulares; a intensa ofensiva ideológica veiculada pelos media dominantes, espalhando o medo, a resignação, a passividade, o conformismo, apresentando como "inevitabilidade" a austeridade, os roubos nos salários e reformas, o desemprego e a exploração brutal, menorizando a importância da Luta organizada do povo.
 
Uma Luta difícil, sem dúvida, mas, sem dúvida, para vencer!

C. S.

2013

AUTOMÓVEL ROUBADO


Numa de muitas tertúlias da Confraria nos anos de 1996, em que na baixa Lisboeta ainda não havia parquímetros e as viaturas que estacionavam na Praça do Comercio já tinham sido retiradas, era difícil estacionar. Muitos de nós estacionava-mos num parque da Refer atrás do Hotel Americano, que estava em obras e que dois Romenos controlavam e a troco de umas moedinhas, sempre arranjavam um lugarzito para estacionarmos.

Nesse ano, um belo dia de verão o nosso amigo José Cunha, estacionou a sua viatura no dito Parque e foi para o Bar Leão d`Douro onde já se encontravam outros confrades.

Convívio salutar, com muita cerveja e petiscos, amena cavaqueira sobre os mais variados temas.

Pelas vinte horas, depois de uma sugestão emanada pelo grande grão mestre da Confraria, resolvemos ir jantar a um Restaurante que abrira à poucos dias atrás, na Rua dos Douradores, Restaurante “O BESSA “.

O nosso bom amigo José Cunha, para não voltar ao Rossio, resolveu levar a viatura para a Rua dos Douradores, aquela hora deveria haver lugares já disponíveis, mas teve dificuldades em estacionar corretamente, deixando-a em cima do passeio.

Acabado o jantar e o convívio que durou até perto da meia noite, fomos em debandada cada um para suas casas, antes primeiro alguns de nós viemos para o parque de estacionamento no Rossio para reaver as nossas viaturas ali parqueadas.

O nosso amigo José Cunha veio também, connosco, não se lembrando mais que já tinha retirado o seu automóvel do Parque e estacionado na Rua dos Douradores. 

Chegando ao Parque não vê a sua viatura, nas maiores das calmas diz:

Roubaram-me o chiante, vou ali à Policia apresentar queixa.

Roubo participado, eu levo-o a casa.

No outro dia acorda todo sarapantado, e lembra-se de tudo o que fizera no dia anterior e sabe onde deixou a viatura estacionada, vem ao local na Rua dos Douradores, ai vê o automóvel, e constata que já lhe tinham passado uma multa de estacionamento proibido. Alguns de nós aconselhamos que ele fosse à Esquadra da Policia e dizer que a viatura já tinha aparecido.

Retira a viatura e estaciona-a no parque habitual e dirige-se à Esquadra do Rossio, explica ao agente que a viatura apareceu e que tinha uma multa.

A Policia diz-lhe para ele fazer um requerimento, relatando tudo o que se passara e um pedido para não pagar a multa, e para o processo ser arquivado, assim fez e foi-lhe perdoada a multa e o respetivo processo arquivado.

Curioso na altura de ele fazer o relatório da ocorrência ninguém perguntar que danos a viatura tivera, pois a viatura logicamente estava intacta.

O nosso amigo José Cunha, quando se lembra desta história e nos conta os pormenores é um fartote de risada, o certo é que até aos dias de hoje , ele nunca mais se esquece onde deixa o seu automóvel estacionado. 

ZÉ ANTUNES
1996