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24/05/2013

CRISE

 
A crise já vem de há muito tempo e hoje chegou-me ao conhecimento que na Pascoa de 2011, empregados, desempregados e sem abrigos procuraram refeição gratuita, refeição gratuita que foi fornecida pela associação “Nouni”

Um empregado de uma Câmara Municipal aproveitou uma refeição grátis dada hoje em Lisboa no dia de Pascoa. “O que ganha não dá para sustentar a família e vem sempre a estes eventos”, relata o organizador.




Agostinho Rodrigues, presidedente da  "Associação NOUNI ",

olha para as pessoas que se sentam numa esplanada coberta junto da Praça do Campo Pequeno e destaca a “expressão das pessoas”.

“Não são só pessoas que são da rua. São pessoas desempregadas que caíram nesta situação agora”, afirma o responsável, acrescentando que a procura por ajuda social desde a agudização da crise subiu “mais de 50 por cento”.
Nas anteriores refeições, que se repetem em dias como o Natal, Santo António, São Martinho e Páscoa, a procura rondava as 200 pessoas.

“Hoje vamos estar perto das 300”, antecipa Agostinho Rodrigues, no restaurante que estará a funcionar em exclusivo para pessoas com carências até às 20:00. “Frango, batatas fritas, salada, chouriço e presunto”, relata Olga Antunes sobre o menu que já acabou de comer: “Esta foi uma Páscoa que caiu bem, graça a Deus e que agradeço. Obrigado”.

Todos os dias Olga Antunes pede esmola na Rua Augusta para pagar os 13 euros de uma pensão. Com um marido alcoólico, vai contando com a ajuda da irmã quando esta “pode”.

Da câmara de Lisboa espera ainda uma casa porque as duas que lhe foram destinadas não tinham elevador que a transportasse na sua cadeira de rodas. Carlos Miranda vem acompanhado de dois filhos e um neto: “Felizmente não sou sem-abrigo, mas isto está mau e eu não nego nada”.

Desempregado da câmara de Lisboa, de onde foi “corrido” por ter estado a recibos verdes “inventados pelo Mário Soares”, Carlos Miranda vai “vivendo de ganchos e biscates aqui e ali”.
 

O filho Telmo Miranda estudou até à quarta classe e há muito que está inscrito no centro de desemprego, mas sem conseguir arranjar ocupação critica “primeiros-ministros e ministros por andaram a roubar o país”.
 
“Ando pelos caixotes (do lixo) para poder sobreviver”, conta. E hoje soube da “festa dos sem-abrigo” e veio até ao Campo Pequeno para passar um “dia mais ou menos”.

Os 100 frangos assados para as refeições saem da grelha que Mohamed toma conta e “sem picante porque há pessoas que não gostam”.

A queixar-se de dores nos braços está Patrícia, que há 20 minutos tira cervejas de pressão e não tem tempos de descanso.
 
A tarefa é dividida por outros empregados, mas mesmo sendo “dura” não tira o sorriso a Patrícia.

“É um bocado duro. Mas hoje estamos a ajudar pessoas que não têm nada e um prato de comida já é suficiente e eles saem daqui contentes”, diz.


ZÉ ANTUNES

2011





A MARMITA ( TERMO )



Hoje estava mudando os canais na televisão, fazendo zapping para encontrar um programa de desenhos animados para minha netinha assistir, ela gosta muito do Panda e do Disney, quando repentinamente deparei com um programa de culinária, destinado às donas de casa, que estavam a ensinar a preparar marmitas, também chamados de ( termos ) e lancheiras, fiquei por alguns instantes no programa e deu-me uma vontade imensa de escrever umas simples lembranças sobre a bela época da minha juventude, quando eu ia ao Bar do Matias buscar o comer na marmita, passo a descrever a história:

As primeiras marmitas, também chamados de ( termos ) que eu ia buscar ao Bar São João, o Bar do Matias, no Largo do Bairro Popular, em Luanda, foi quando minha mãe e meu pai foram para a África do Sul, meu pai foi trabalhar com o meu tio Manuel numa empreitada de abastecimento de água potável e minha mãe para ser operada, uma pequena cirurgia.

Eu na época tinha 17 anos de idade. As marmitas ( termos ) eram de alumínio, com tês andares ( sopa, carne ou peixe e o conduto ).

Perto do meio dia, lá ia eu ou um dos meus irmãos buscar o comer, que vinha quentinho e então era só pôr no prato e começar a comer, confesso que no primeiro dia fiquei um pouco constrangido, mas com o passar dos tempos e sempre que não havia alternativas ao almoço, ou jantar, lá ia buscar o comer com a marmita. Mais tarde foi formada uma empresa “ A Paparoca “ que levava a marmita a casa dos clientes. Eu ainda hoje às vezes levo a lancheira, e sei todos os nuances de como preparar, carregar, aquecer e comer os alimentos acondicionados nos " Tupperwares ".

Vezes sem conta ficava muito envergonhado de vir com a marmita ( termo ) a descer, desde o largo, toda a Rua de Serpa até casa. Passados alguns dias deixamos de ir buscar a marmita ( termo ) e com o dinheiro que nossos pais deixavam para pagar a marmita começamos a comprar os alimentos e valha-me a minha irmã com 12 anos cozinhava para nós e era muito mais saboroso, comíamos cada pitéu que ela fazia que era de chorar por mais. Com aquela idade ela era já uma excelente cozinheira.

Até á bem pouco tempo, eram raras as pessoas, que levavam as tradicionais marmitas de alumínio para os seus empregos, pois começaram a utilizar os "Tupperwares" e depois que inventaram o tal Ticket Restaurante, a nossa tão querida marmita ( termo ) caiu no esquecimento de todos, mas presentemente nos tempos atuais só se vê pessoas levando as tradicionais lancheiras, marmitas ou os também célebres " Tupperware " com os seus almoços.


Termo de 3 andares

E ainda falam que levar marmita ( termo ) para o trabalho ou para a escola é coisa de pobre, pobre nada, a criseassim obriga, mas o mais importante é mantermos as nossas barriguinhas cheias e que se dane, todos os que criticam aqueles que levam a lancheira, quem nunca levou uma marmita ( termo ) para o trabalho ou para a escola, pois não terá uma história engraçada como esta para contar!

Bela recordação!


ZÉ ANTUNES
1972

SUA PEN DRIVE TEM BLUETOOTH


Ontem recebi um e-mail de um amigo aí de Luanda, o Francisco Manuel, que foi intitulada de: "Sua Pen drive tem Bluetooth". É uma história bem contada mostrando como que a rapidez à modernidade é difícil e quase impossível para alguns de nós, os “cotas” e as “cotas”, acompanharem! Começa com o João Luis a se deslocar a uma loja de venda de produtos informáticos, e tirando uma anotação do bolso, foi perguntando ao Empregado como se ele fosse um profundo conhecedor:

- Amigo, bons dias, vocês têm pen drives?

No que ele respondeu:

- Temos sim.

Como ele nem tinha ideia do que estava a falar e não querendo ficar mal visto com futuras indagações, perguntou logo:

- Amigo o que é pen drive? Pode me explicar? Meu filho me pediu para comprar uma.
- Como se chama o Senhor?

Eu??? Sou o João Luis

Senhor João, pen drive é um aparelho em que o senhor salva tudo o que tem no computador.
- Ah! É como uma disquete...
- Não. No pen drive o senhor pode salvar textos, imagens e filmes. A disquete, que já não existe mais, só salvava texto.
- Ah, “tá” bom. Vou querer uma.
- Quantos gigas?
- O quê?
- De quantos gigas o senhor João quer o seu pen drive? – replicou o empregado da Loja.
- E o que é giga?
- É o tamanho da “pen” - respondeu o empregado.
- Ah “tá” bom!
- Eu queria um pequeno, que dê para levar no bolso sem fazer muito volume.
- Todos eles são pequenos senhor João. O tamanho que eu pergunto é a quantidade de coisas que ele pode arquivar.
- Ah, então de quantos tamanhos tem?
- Temos dois, quatro, oito, dezasseis gigas...
- Bom! Meu filho, não disse quantos gigas queria.
- Neste caso é melhor o senhor João levar o maior.
- Sim! Eu acho que sim. Quanto custa?
- Bom o preço varia conforme o tamanho. A sua entrada do PC é USB?
- Não entendi...
- Bom, é que para acoplar o “pen” no computador, tem que ter uma entrada compatível.
- USB não é a potencia do ar-condicionado?
- Não, aquilo é BTU - responde o Empregado.
- Ah! É isso mesmo, confundi as iniciais. Bom, sei lá se a entrada do PC é USB.
- Senhor João, USB é assim olhe: com dentinhos que se encaixam nos buraquinhos do computador. O outro tipo é este, o PS2 mais tradicional, o senhor só tem que enfiar o pino no buraco redondo. O seu computador é novo ou velho? Se for novo é USB, se for velho é PS2.
- O PC do meu filho foi comprado à dois anos. O anterior PC ainda era com disquete. Este não agora não tem disquete.
- Lembra da disquete? Quadradinho, preto, fácil de carregar, quase não tinha peso. O meu primeiro computador que meu filho teve, funcionava com aquelas disquetes do tipo bolacha, grandes e quadrados. Era bem mais simples, não acha?
- Senhor João, os de hoje não têm mais entrada para disquete. Ou é CD ou é pen drive.
- Que coisa! Bem, não sei o que fazer. Acho melhor perguntar ao meu filho.
- Quem sabe o senhor pode ligar para ele?
- Bem que eu gostaria, mas meu telemóvel é novo, tem tanta coisa nele que ainda nem aprendi a discar.
- Senhor João, deixe-me ver – disse o empregado da Loja
- Poxa! Um smartphone! Este é bom mesmo! Tem bluetooth, woofle, brufle, trifle, banda larga, teclado touchpad, câmera fotográfica, flash, máquina de filmar, rádio AM/FM, TV digital, dá para mandar e receber e-mail, mensagens direcional, micro-ondas e liconexão wireless...
- Blu... Blu... “Blutufe”? E micro-ondas? Dá para cozinhar com ele?
- Não senhor João. Assim o senhor me faz rir. É que ele funciona no sub-padrão, por isso é muito mais rápido.
- Para que serve esse tal de “blutufe”? - pergunta o senhor João...
- É para um telemóvel se comunicar com outro sem fio.
- Mas que maravilha! Essa é uma grande novidade! Mas os telemóveis não se comunicam com os outros sem usar fio? Nunca precisei de fio para ligar para outro telemóvel. Fio em telemóvel, que eu saiba, é só para carregar a bateria.
- Não, já vi que o senhor João, não entende nada mesmo. Com o bluetooth o senhor passa os dados do seu telemóvel para outro sem usar fio. Lista de telefones, por exemplo.
- Ah, e antes precisava de fio?
- Não, só tinha que trocar o chip.
- Hein? Ah, sim o chip. E hoje não precisa mais de chip...
- Precisa sim, mas o bluetooth é bem melhor.
- Que bom ter chip. O meu telemóvel tem chip?
- Um momento... Deixe-me ver... Sim tem chip.
- E que faço com o chip?
- Bom, se o senhor João, quiser trocar de operadora, portabilidade, o senhor sabe...
- Sei sim portabilidade, não é? Claro que sei. Como não iria saber uma coisa dessas tão simples? Imagino, então, que para ligar tudo isso no meu telemóvel, depois de fazer um curso de dois meses eu só preciso clicar em uns duzentos botões...
- Não! É tudo muito simples, o senhor João logo apreende.
- Quer ligar para o seu filho? Anote aqui o número dele.
- Isso. Agora e só teclar
- Um momentinho
- E apertar no botão verde... Pronto, já está chamando.

João Luis segura o telemóvel com a ponta dos dedos, temendo ser levado pelos ares, para um outro planeta:

- Oi filho, é o pai.
- Sim.
- Diz-me uma coisa filho, o teu pen drive é de quantos... Como é mesmo o nome? Ah, obrigado, quantos gigas?
- Quatro gigas está bom?
- Ótimo. E tem outra coisa. O que era mesmo? Nossa ligação é USB? É? Que loucura. Então, “tá” filho, o pai vai comprar uma pen drive. De noite eu levo para casa.
- Que idade tem seu filho? - pergunta o Empregado de Balcão. Vai fazer 12 no mês que vem.
- Então é isso!
- Vou levar um de quatro gigas, com ligação USB.

Mais tarde, na oficina, examinou o pen drive, um minúsculo objeto, menor do que um isqueiro, capaz de gravar filmes! Onde iremos parar? Olha com receio para o telemóvel sobre a mesa. "Máquina infernal", pensa.
Tudo o que ele quer é um telefone para discar e receber chamadas. E tem nas mãos um equipamento sofisticado, tão complexo, que ninguém que não seja especialista ou tenha a infelicidade de ter mais de 50 saberá compreender.

Já em casa, ele entrega o pen drive ao filho e pede para ver como funciona. O garoto insere o aparelho e na tela abre-se uma janela. Em seguida, com o mouse, abre uma página da internet, em inglês. Seleciona umas palavras e um "heavy metal" infernal invade o quarto e os ouvidos de João Luis. Um outro clique e, quando a música termina, o garoto diz:

- Pronto pai, baixei a música. Agora eu levo o pen drive para qualquer lugar e onde tiver uma entrada USB eu posso ouvir a música. No meu telemóvel por exemplo.
- E teu telemóvel tem entrada de USB?
- Lógico. O teu também.
- É? Isso quer dizer que eu posso gravar músicas em uma pen drive e ouvir pelo meu telemóvel?
- Se o senhor não quiser baixar direto da internet...

Naquela noite, o João Luis, antes de dormir, deu um beijo na esposa e disse:

- Amor, você sabe que eu tenho Blutufe?
- Como é que é? - replicou a mulher.
- Bluetufe. Não vai me dizer que não sabes o que é?
- Não me chateies João , deixa-me dormir.
- Amor! Tu lembras-te como era simples a vida, quando o telefone era telefone, gravador era gravador, toca-discos tocava discos e a gente só tinha que apertar um botão para as coisas funcionarem?
- Claro que lembro, João. Mas hoje é bem melhor, não é? Várias coisas em uma só, até “Blutufe” você tem.
- E ligação USB também.
- Que ótimo João, meus parabéns.
- Meu amor, vou te contar uma coisa: com tanta tecnologia nós envelhecemos cada vez mais rápido. Eu fico doente só de pensar em quanta coisa existe por aí que nunca vou usar.
- “Ué”? Por quê?
- Porque eu não tinha aprendido a usar computador e telemóvel e tudo que acabei de aprender já está ultrapassado. Aliás, por falar nisso, temos que trocar nossa televisão.
- “Ué”? A nossa avariou?
- Não. Mas a nossa não tem HD, tecla SAP, slow-motion e reset button.
- Tudo isso?
- Tudo...
- Boa noite João, vai dormir que eu não aguento mais...

(O autor deste texto é desconhecido, mas pode ser algum de nós ou alguém que tenha nascido nos anos 40, 50, 60, 70, 80 ou até 90). E uma pequena ressalva: nunca o nosso idioma português esteve tão americanizado. Infelizmente.



ZÉ ANTUNES

 2013

ESTAMOS NUM BECO, À PROCURA DE UMA SAIDA!


O Sociólogo britânico Anthony Giddens alertou, para o aumento do populismo e do extremismo que minam as democracias a nível global. “Nunca encontrei o Mundo tão opaco como hoje”, disse. O também antigo director da “London School of Economics” (LSE) referiu que nem os Economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI), sabem o que vai acontecer no “mundo económico”, devido às transformações observadas a nível global que influenciam a vida dos cidadãos. A Alemanha está a ganhar muito, por estar no euro” (…), e que não vai perder se aceitar uma forma de parceria, entre os países (…), porque nós sabemos que são necessários investimento e emprego e isso não vai ser possível com essa austeridade”, disse à Agência Lusa.

Mas…o que está acontecer na economia, também está acontecer na democracia. Estamos a entrar numa fase muito complexa e, simultaneamente, conflituosa. O nosso País está a suportar, assim e inconscientemente, a acção de um sistema político-partidário fechado sobre si mesmo, com reduzida qualidade, intencionalmente “armadilhado” de burocracia e corrupção, sem qualquer capacidade para promover a sua reforma e combate judicial rigoroso. Estamos num“beco” e procuramos uma “saída”. No entanto, assistimos, impávidos e serenos, a todo este desenvolvimento descontrolado de uma nova e muito diferente crise, incluindo a crise de valores éticos, que está a atingir dimensões assustadoras, sem que as instituições políticas e religiosas, revelem qualquer discernimento e capacidade de intervenção.

Quanto à “Aprovação da sétima avaliação da Troika”, o Sr. Presidente da República Dr. Cavaco Silva, declarou num tom descontrolado, para surpresa de todos, que “foi uma inspiração de Nossa Senhora de Fátima”. Valha-nos a Nossa Senhora dos Aflitos!

Sabe porventura Sr. Presidente, o que quer a maioria dos Portugueses? É que a“Troika”, vá á…”BardaMerkel”!

Cruz dos Santos

2013

BALADA DA CRISE EXTERNA OU ETERNA?


Pode dizer-se que uma Europa “acabou” em redor de 1975 e outra “evoluiu” desde então. Evoluiu? Sim! Evoluiu para pior, pelos muitos sinais que ultimamente têm vindo a inquietar a nossa sociedade e que são estes: a elevada taxa de desemprego (mais de 950 mil Cidadãos); a crescente precarização do emprego; as cargas fiscais, que são cada vez mais elevadas; a “mobilidade” decretada para o pessoal da Administração Pública, sem critérios objetivos estáveis, e ameaçada com despedimentos; a subida elevada, inconstitucional, das rendas de casa; o pesado endividamento das famílias, que suportam ainda as sucessivas subidas das taxas de juros; os preços dos medicamentos que se agravam e os milhares de cidadãos que continuam sem médicos; a certeza, já presente, de que as pensões irão perder valor e de que os salários públicos terão de baixar; as “fronteiras físicas” do Estado social, que não param de recuar com o fecho de maternidades, de centros de saúde, de estações dos correios, de escolas, de tribunais, de esquadras de polícia; os pobres que estão cada vez mais pobres, enquanto alguns ricos ficam cada vez mais ricos; a perda de valores éticos; a pesada atmosfera de suspeição sobre a corrupção e o compadrio, que se adensa em redor dos principais partidos, indiciante da distorção dos mecanismos da economia e fator de desigualdades cada vez mais fundas e mais ilegítimas; os elevados índices de suicídios, criminalidade e prostituição; a descrença em redor da maioria dos responsáveis políticos e da democracia “representativa”, que representa muito pouco e cada vez menos: o sistema do governo, dito “semipresidencialista”, que é ineficaz, irresponsável e incapaz de produzir, em tempo útil, as “verdadeiras” mudanças de cujos resultados precisamos obter…enfim, com todas estas austeridades e injustiças penosas, olhamo-nos e interrogamo-nos sobre se o festejado “projeto europeu” (que tanto prometia), não é demasiado ambicioso para o nosso desejo de “conservação” e se, por isso, não estaremos já a concretizar um outro de “reaproximação” da costa africana, 590 anos depois do desembarque em Ceuta.

Termino com as saudosas palavras do Ex-General (sem medo). Humberto Delgado, que dizia isso, no tempo de Salazar:“ Qual é o nome que merece um governo que procede assim? Um governo sem pudor; um governo mentiroso; Um governo que não serve; É um governo que tem de se ir embora. O país cansou-se. Todos nós, cidadãos pacíficos de uma candidatura pacífica, queremos pacificamente conquistar a paz. Mas os “esbirros” do governo como têm visto, andam a chamar-nos subversivos nos jornais e a tratar-nos na via pública como malfeitores. Ninguém sabe portanto, minhas Senhoras e meus Senhores, onde isto pode ir ter. Há uma coisa porém que eu quero jurar aqui: estou pronto a morrer pela liberdade”!

 Mais palavras para quê?

C.R.


2013

21/05/2013

HERANÇAS

Tia Genoveva como tantas mulheres, novas nos anos 1950, vem para Lisboa, pois a vida na província está mal e não tem perspetivas de futuro, e dedica-se ao trabalho. Contrai matrimónio e tem um filho.

Lutadora, granjeou a estima e consideração pelos colegas, família e amigos. Mais tarde por divergências familiares separa-se do marido em comum acordo fazem as partilhas dos bens que ambos possuem.

Começa a adoecer e é internada num lar, pois a morte do filho, pouco tempo antes abala com a sua estrutura efetiva e emocional aos quais os seus 78 anos não suportaram, veio a falecer pouco tempo depois.
São seus herdeiros os irmãos dos quais: Jaime, António e Conceição também já falecidos ficando os sobrinhos, filhos destes irmão como herdeiros e os sobrinhos dos irmãos vivos, João e Alice. Como irmã mais velha, tia Alice ficou como cabeça de casal da herança.

Alguns sobrinhos só saberão da morte da Tia Genoveva, meses depois. Na entrega da Relação de bens não teve problema, mas mais tarde na entrega da habilitação de herdeiros, é que se lembram dos sobrinhos ausentes, a Sobrinha Sandra na Africa do Sul, os sobrinhos Hélder e Leonor no Brasil e o sobrinho Alcino na Alemanha.

O sobrinho Alfredo que está em Lisboa é chamado, e é ai que ele toma conhecimento de tudo o que se está a passar e da morte da tia Genoveva.

Indignado o sobrinho Alfredo diz:
Só agora depois deste tempo todo e porque precisam da minha documentação e de meus irmão é que me dizem que a tia Genoveva faleceu!!!!
Alfredo não teve resposta.
Depois de algumas trocas de palavras, pois pensavam que como o António, pai do Alfredo era falecido que os filhos não tinham direitos à Herança, foi por isso que não disseram nada.

Mais tarde Alfredo telefona ao seu tio Gualter ex- esposo da tia Genoveva, e ficou admirado de também a ele não lhe terem comunicado a morte da ex esposa.

Alfredo reuniu os documentos necessários e fizeram a habilitação de herdeiros tendo, como a lei consagra a irmã mais velha eleita Cabeça de Casal da herança da Tia Genoveva.

Mais tarde aparece a conta das finanças sobre a transmissão dos bens da tia Genoveva. Até à data presente e que Alfredo saiba, nunca tal conta foi paga, entrando a dívida das finanças para relaxe e a render juros para o Estado.

Entretanto um dos bens valiosos é vendido antes da tia Genoveva falecer, andando alguns sobrinhos em guerras, pois segundo as duas versões a tia Genoveva tinha prometido aos dois o mesmo bem, mas esse bem já estava escriturado para outra pessoa.

No outro bem, por meio de telefonema que Alfredo recebeu, soube que foi vandalizado, levando inclusive algumas mobílias, portas e janelas.

Nesse telefonema Alfredo alertou que há o imposto sobre imóveis ( I M I ) para pagar, sendo que quem tem que tratar disso é o Cabeça de Casal, e ao que Alfredo sabe, ninguém ainda pagou. Está ali um bem valioso sem nenhuma rentabilidade.

Segundo o tio Gualter existe ainda um bem que não foi vendido e que está alugado, Alfredo pergunta sobre as rendas da loja comercial e ninguém lhe sabe responder.
A ser verdade alguém está a ficar com os alugueres ou então o locatário não paga a respetiva renda, pois ninguém lá vai receber.
Alfredo quis individualmente pagar a parte sua e de seus irmãos, em tudo relacionado com a herança, mas não poderá, pois terá que ser o cabeça de casal a pagar, indo-se agravar sempre, se não se pagar até ao valor do bem em causa, ou quem sabe se não vêm buscar outros bens.  Comentário 
O filho do tio João responde a este pequeno texto enviado via mail

Olá Alfredo.
Como vai isso?
Por cá está tudo bem, graças a Deus.

Estive a ver o blogue e a ler o mail que envias-te e achei estranho a principio teres resolvido colocar os factos todos por escrito com a descrição da situação da tia Genoveva, mas é um direito que te assiste.

Também, tal como tu, não tenho interesse nenhum com os possíveis lucros gerados pelos referidos bens, só não gostava de ainda ter de suportar encargos quando julgo que também já fiz o que deveria fazer, até fiquei com a tia a meu cargo durante uma semana, quando ela foi para o Egas Moniz e tentei ser sempre um sobrinho (e afilhado) digno, na medida das minhas possibilidades económicas e de tempo.

O que não queria era preocupar o meu pai, nem o meu filho com esta situação pois o teu tio João tem uma saúde um pouco frágil que eu nem sei como iria reagir ao saber que estás ainda a mexer nisto, quanto ao meu filho também tem a vida ocupadíssima com os estudos e a profissão pelo que não queria que eles voltassem a ficar preocupados com tudo isto.

Foi por isso que me despedi de ti daquela forma no Estádio da Luz, também não tenho nada contra ti, és uma pessoa que estimo muito, como sabes, e que respeito por tudo o que conseguiram na vida.

Agora não sei como resolver tudo isto, parece-me que só com o auxilio de um profissional, mas também para isso é necessário fazer despesas e os tempos não estão famosos para os funcionários públicos, como também deves saber.
Acresce ainda o facto da tia Alice ainda estar vida (e que Deus a conserve por muitos anos) que era a pessoa mais indicada a subscrever qualquer iniciativa.
Assim, não sei como resolver isto, mas se quiseres, vai dando noticias tuas e dos teus irmãos e restante família.

Um forte abraço.


Anibal
Abril 2013

 

ZÉ ANTUNES

2013

“ A PRISÃO “


Na vinda das colónias Portuguesas no ano de 1975, nem todos conseguiram se integrar na sociedade portuguesa.
Alguns para sobreviverem, enveredaram por esquemas de candonga e de tráfego de estupefacientes.

Jaime Silva em Angola trabalhava numa gráfica como linotipista, devido ao chamado verão quente de 1975, Jaime não conseguia emprego. É Jovem tem 27 anos.

Nesta história está o drama que a contas da compra e venda de droga, alguém não paga a mercadoria, nosso amigo Jaime na altura sem dinheiro para sustentar dois filhos menores e a esposa, perde a cabeça e de arma em punho, dispara dois tiros certeiros que matam o seu amigo.

Preso, julgado, é-lhe aplicada uma pena de 20 anos de cadeia.
A esposa Rosa Silva vinda também ela de Angola, trabalhava como dactilógrafa numa pequena fábrica em Viana cidade satélite de Luanda, vê-se sozinha com os dois filhos, na época por intermédio de um tio que tinha uma frota de táxis na cidade de Lisboa, trabalhava como motorista de táxi, penso que foi uma das primeiras mulheres a ser motorista de táxi, com a ajuda de alguns amigos lá vai sobrevivendo mais os filhos.

No táxi conhece muitas pessoas, muitas histórias, e um belo dia recebe uma proposta tentadora, apesar de o Jaime estar preso devido a ter morto um amigo por causa de negócios de droga, a proposta é ser correio de 2.5 kgs. de droga para o Brasil. Tudo acertado, os filhos entregues a uma pessoa amiga, faz as malas, fundos falsos coloca a droga, e dirige-se para o Aeroporto da Portela para embarcar diretamente para São Paulo.
Antes mesmo de entrar no aeroporto é presa, vai para tribunal e o juiz sentencia com 5 anos de prisão em Tires.

Com os filhos menores vive na cadeia até ser libertada. Em 1985 é libertada, Rosa viveu tempo suficiente na Prisão para saber, que para a sociedade o fim do castigo ou da pena não são conquistas, reconhece isso ao procurar emprego, e ao dar as suas referências, no pensamento dela, diz a muitos amigos que a sociedade a marginaliza.

Nas visitas que faz ao Jaime, diz-lhe o que vai fazer, ele reprova essa absurda ideia que a atormenta.

No Rossio compra uma arma, dias depois entrega os filhos, a Andreia com 8 anos e o André com 6 anos a uma amiga de confiança dos tempos da sua juventude, dizendo que vai ao Porto, por causa de uma proposta de trabalho.
Refugia-se em casa e poe termo à vida com um tiro na boca, morreu jovem.

O Jaime Silva saiu da prisão no ano de 1995

Em liberdade refez a sua vida, arranjou trabalho numa gráfica, casou de novo e vive com seu filhos.

O que o faz viver e pensar neste anos todos que poderia ser feliz junto dos filhos e da Rosa, muitas vezes culpa-se pela morte da Rosa
Hoje os filhos crescidos estudaram e emigraram para a Austrália onde está um irmão do Jaime.
Ele está a espera da sua reforma


ZÉ ANTUNES
2013