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29/05/2013

DEPOIS DO ADEUS 19 - 20 - 21


EPISÓDIO 19 - Noticias Inesperadas

19 e 20 de fevereiro de 1976

Joana descobre que espera um filho já numa fase muito adiantada da gravidez que não lhe permite abortar. Maria do Carmo e Teresa tentam ajudá-la, mas Joana não sabe quem é o pai e, por isso, rejeita o filho e começa a beber.
A fábrica é assaltada e, mais uma vez, os funcionários ficam sem o dinhe...iro dos salários. No entanto, o patrão promete pagar o salário de Álvaro do seu próprio bolso.
Depois de ficar a saber que a filha vai mesmo ficar em Luxemburgo, Adelaide aceita arrendar a casa a Álvaro e, deste modo, a família volta a ficar junta.
Ainda na “Colónia do Século”, no Estoril, Álvaro reencontra Júlia e a filha, que conseguiram fugir de Angola. Maria do Carmo fica desconfiada pela forma como o marido trata Júlia, apesar de este lhe dizer que se trata de uma antiga empregada que não estava em Luanda.
Catarina avisa Ana que o ex-namorado, Gonçalo, está interessado numa colega do escritó
rio.



EPISÓDIO 20 - Em Maus Lençois

5 a 8 de Março de 1976

 Sílvio recusa-se a continuar com Nando  na pensão, então a Cruz Vermelha transfere o rapaz na Casa Pia. Cidália ainda tenta convencer o marido a ficar com Nando, mas sem sucesso.
O patrão de Odete descobre que esta anda a retirar produtos do supermercado sem pagar e ameaça despedi-la ou entregá-la
à polícia. Perante a intransigência do patrão, Odete fica sem alternativa e chega a oferecer o seu corpo para não ser despedida.
Joana consegue um trabalho a fazer molotov com Maria do Carmo como sócia.
Samuel não quer que a mulher o trate como um inválido mas, quando procura um contacto mais íntimo, Teresa recusa. Samuel não sabe que, enquanto ele foi preso e torturado, ela foi violada.
Álvaro consegue arranjar trabalho para Júlia na pensão de Sílvio a fazer limpezas. Após um ataque de percevejos, todos os hóspedes protestam contra a falta de limpeza e Sílvio é obrigado a aceitar Júlia na pensão.



EPISÓDIO 21 - Dúvidas

18 a 20 de março de 1976

Artur sente-se mal e Cidália fica a saber que o marido sofre de uma angina de peito e foi aconselhado pelo médico a abrandar a atividade. Cidália fica assim a perceber porque é que o marido não quis ficar com Nando.
Filipe diz a Joana que quer ficar com ela mesmo que o filho não seja dele, mas Jo
ana não aceita a proposta e despacha o rapaz. Álvaro consegue livrar Joana do homem que lhe andava a tentar cobrar as dívidas de jogo clandestino do marido.
Gonçalo resolve o problema da fábrica com o seguro por causa do roubo. Rita aproxima-se de Gonçalo e acaba por beijá-lo. Entretanto, Jorge é posto fora do quarto onde vivia e passa duas noites na casa de Pedro. Durante a estadia, a raiva que sente por Luísa converte-se numa paixão tão forte e avassaladora que os dois acabam na cama, logo depois do primeiro beijo.
Para ajudar Júlia que tem a filha doente, Álvaro chega atrasado ao jantar de anos da sua própria filha, o que deixa a mulher ainda mais desconfiada.
Contra a vontade do marido, Maria do Carmo decide inscrever-se num curso de contabilidade por correspondência.

28/05/2013

A JÓIA COLONIAL


Angola, era mundialmente conhecida como a Joia do império Português e exibia majestosa, todos os pergaminhos de tal título, o Quénia a par da Africa do Sul, a joia Africana do império Britânico, Algéria a joia Africana do império Francês e o antigo Congo-Belga a joia do mini-império Belga. Tais países Africanos - no contexto do outrora - prosperavam a olhos vistos (a maioria deles encontravam-se ainda na idade da pedra), as respetiva comunidades autóctone idem em aspas, os índices de desenvolvimento humano dos autóctones inegavelmente estavam lenta e seguramente subindo, as obras dos colonialistas ainda perduram pela Africa adentro.

Verdade seja dita, o esclavagismo e as guerras de "kwata-kwata" fizeram irremediáveis estragos em África. Mas também não é menos verdade, que a falta de unidade, ambição, irresponsável individualismo e a sempre necessidade de estúpida e insanamente guerrearem, fazerem verter sangue (entre nós Africanos), tornaram bem-vinda "la pax romana" isto é promulgado a força do chicote e da bala, pelos Europeus.

As então, gerações de jovens africanos instruídos (pelas respetivas franjas ou instituições da administração colonial) organizaram-se politicamente e fizeram soar a acusação de que os Europeus estavam a sugar as riquezas do solo pátrio em benefício exclusivo das nações colonizadoras, desconsiderando totalmente os interesses dos nativos e das colónias, transformando os autóctones em miseráveis na sua própria terra; "eles vieram com a Bíblia, nós tínhamos as terras, no fim eles ficaram com as terras e nós com a Bíblia" disse Robert Mugabe, nacionalista e guia da libertação do Zimbabwe.

Organizaram-se contra o invasor, protestos, revoltas, guerras, chacinas, a história regista que o movimento e atuação dos 'mau-mau' liderado pelo indomável Jomo Keniata, foi um dos mais cruéis de Africa e o que chamou a atenção da comunidade internacional, para a necessidade da urgente descolonização de África. Claro a violência gera violência, os resultados hoje fazem parte da história.


A resposta colonial a violência nacionalista africana, sempre foi comedida, por exemplo, se a força policial Portuguesa no 4 de Fevereiro e posteriormente no 12 de Março de 1961, respondesse com o mesmo demonismo com que o MPLA 'respondeu' ao chamado Fracionismo do 27 de Maio 1977, muitos dos atuais dirigentes, não existiriam, e provavelmente não haveria movimentos de libertação, durante muito tempo.

Isomar Pedro Gomes

Natural de Malange, estudou em
Desmobilizado, em 1991, por força dos Acordos de Bicesse, foi entre­gue à sua sorte. Atirado para as sarjetas do desempre­go, sem apoios da Caixa Social das Forças Armadas Angolanas (FAA) ou de uma outra instituição castrense, lamenta a sua sina, assim como de milhares de ex-companhei­ros de farda. Recebi este pequeno escrito de sua autoria.

2013

MAXIMBOMBO


À dias a caminho do Hojy-yá-Henda, a bordo (como habitual) de um dos machimbombos da TCUL Viana vila - Cuca, (privilegio este meio de transporte por ser o mais barato e acessível aos pobres para rotas longas, mau grado a 'sardinhada e a catingada'), um dos vários azulinhos que 'palmilham' as nossas estradas, os nossos emblemáticos táxis coletivos, chamou a atenção do público, exibindo no seu 'traseiro' o seguinte dístico;  


DEUS É BRANCO, MULATO É ANJO, PRETO É DIABO.

Tal dístico é óbvio levantou as mais diversas celeumas entre os passageiros do machimbombo e creio entre todos os 'observadores' e transeuntes por onde o dito azulinho (mini maximbombo) 'rasgava' o seu 'popó-show'.

Raciocinei com os meus botões e os meus botões comigo, as causas que levaram o proprietário do 'popó' ou do 'chauffeur de praça' a mencionar e exibir tal 'desgraçado ou ditoso (?!)' rótulo. Na busca mental das 'causas', não pude deixar de comparar o modo de vida de hoje e o da administração colonial, quando o País e a grossa maioria dos países do continente Africano, era administrado por indivíduos maioritariamente de raça branca, provenientes da Europa, "os tais colonos", poderia Africa ser comparada a um paraíso? A quem diga que sim, e eu não discordo dele!

"Colonialismo caiu na lama!" Lembram-se deste célebre estribilho 1974-1977?

Isomar Pedro Gomes
 
Natural de Malange, estudou em
UNISA - University of South Africa; reside em Benguela.
Desmobilizado, em 1991, por força dos Acordos de Bicesse, foi entre­gue à sua sorte. Atirado para as sarjetas do desempre­go, sem apoios da Caixa Social das Forças Armadas Angolanas (FAA) ou de uma outra instituição castrense, lamenta a sua sina, assim como de milhares de ex-companhei­ros de farda. Recebi este pequeno escrito de sua autoria.


2013
 

CORTES SIM! MAS… A COMEÇAR POR CIMA!


Será que a única solução de nos vermos livres da “Troika”, é a “dissolução do Euro”? Mas será, que o atual Sr. Ministro das Finanças, distinto Economista, especializado em parcimónias científicas do manejo do dinheiro (erário público), não veja que a saída desta calamitosa crise da dívida, não se combate com mais endividamento, desemprego, e muito menos com mais “cortes salariais” e “cortes” nos subsídios? E será também, que de entre tantos Peritos, versados em Finanças, não sabem, que cada vez mais, os contribuintes estão atentos ao modo como é gerido ou gasto o dinheiro dos seus impostos? Será, que todos estes distintos Senhores, não vejam, que há uma saída, e que esta saída é-lhes indicada pelos "princípios da boa gestão das verbas", baseada pela orientação imparcial de exame formal das finanças, maior controlo, uma mais eficiente e séria "avaliação dos custos" e benefícios, dos recursos disponíveis e, principalmente em “cortes” nas despesas do Estado?
 
Não eram essas medidas, que se deveriam impor, como tarefa cívica e nacional? Ou é sempre com esta austeridade, imposta constantemente aos mais desfavorecidos, que se consegue reduzir esta polémica dívida? Mas será, que de entre todas estas sumidades em matemática, não haja ninguém, que consiga corrigir ou calcular isso? “Cortes”? Sim senhor!…Mas a começar por cima! São eles que deveriam dar o exemplo. Miguel Torga em 1993, dizia: “…Não posso mais com tanta lição de Economia, tanta megalomania e tão curta visão do que fomos (…) tanta subserviência às mãos de uma Europa sem valores”. 

Meus Senhores, com o devido respeito, mas um Estado moderno exige flexibilidade, transparência, simplificação, responsabilidade, descentralização, menos burocracia, coordenação, respeito pelos contribuintes, pelos seus Reformados, pelos seus Universitários, pelos seus distintos Professores e Cientistas, subsidiariedade, proximidade, avaliação e, acima de tudo, Justiça!
 
 É indispensável haver um cuidadoso, solícito e zeloso cumprimento da lei. Só assim se defenderá o interesse de todos e se cuidará do bem comum com exatidão e regulamentação que garante a satisfação de indivíduos ou instituições. Termino, com uma frase de De Gaulle, que dizia: “Política é uma questão muita séria, para ser deixada para os políticos”!


Cruz dos Santos

2013

24/05/2013

SNACK – BAR “ PIC – NIC “


No dia seguinte ao meu aniversário convidei alguns amigos para no famoso Snack bar Pic-Nic, festejar-mos, para beber-mos umas cervejolas e comer uns quitutes.
Meu amigo Américo foi logo me informando:



Hotel Metrópole em baixo o pic-nic


Zé Antunes o Pic-Nic está fechado, está em obras. O Café Nicolas comprou-o e vai abrir como Café Italiano venda de (Pastas e Massas ).

Segundo o "Diário de Lisboa" de 03 de Novembro de 1969, o primeiro snack-bar do País surgiu em 1954 no Rossio, em Lisboa, o Pic-Nic.

Uma outra geração, a nova, justifica a existência e a inauguração constante de snack-bares. O snack-bar está dentro do futuro, escrevia o jornal em 1969.

E é a partir de 1975 que o Snack Bar Pic-Nic tem as maiores clientelas da época, em virtude da vinda dos retornados de Angola que se concentravam ali para saber de novidades de familiares ou dos amigos que ainda não tinham chegado, as pessoas acotovelavam-se gentilmente e ali ficavam tardes inteiras a contar as sua aventuras vividas em Angola.

O Pic-Nic fica ao lado do célebre Café Nicola, situado em lugar previlegiado. Ao lado, do Nicolas na entrada para a pensão Santo Tirso o nosso amigo Santos o ( Arrumadinho ) que trabalhou em Luanda na Papelaria Argente Santos, montou uma banca de jornais e revistas, onde todos nós lá ia-mos comprar os jornais, revistas e cigarros, ficando na esplanada do Pic-Nic a ler as noticias e a beber uns finos na companhia dos amigos vindos de Angola.



Esplanada do Pic – Nic


Foi no Pic-Nic no tempo do Sr. Luis que houve uma grande confusão entre manifestantes que passavam e as pessoas vindas de Angola, palavra puxa palavra, palavras revolucionárias e ofensivas, de repente só se vêm cadeiras da esplanada pelo ar, os mais novos entraram na disputa, e muitos dos mais velhos refugiaram-se na cave.

Passados uns anos o Pic-Nic fechou por causa das obras do metro, reabrindo mais tarde com nova gerência, o Jorge e o Pai que tinham ido de Angola para o Brasil regressando a Portugal, e a Lisboa, assumiram a gerência do Pic–Nic.

Muitos anos se passaram, muitas pessoas passaram por lá, todos nós que frequentava-mos o Pic-Nic tinha-mos uma relação de amizade com todos os funcionários.

Hoje o Pic-Nic, um dos primeiros Snack Bar em Lisboa está fechado, está para obras.

ZÉ ANTUNES

2013

OS MEUS 58 ANOS























Os meus 58 anos foram festejados a 12 de Maio, com a família e alguns amigos, fiz uma pequena festa em casa, um almoço que depois se prolongou por toda a tarde. Tendo os convivas conversado sobre os mais variados temas, ressalvando claro está as nossas traquinices da juventude. Alguns convidados ainda ficaram para uma pequena ceia, tendo depois cada um regressado a suas casas.

Desde que festejei o meio século de vida, agora só peço um ano de cada vez, e tento viver esse ano intensamente, como que fosse o último, para o próximo que seja igual ou melhor.

Depois dos 50 anos a vida fica mesmo muito mais saborosa. Mais descomplicada. Mais autêntica. Sou apaixonado, por viagens, por novas culturas e novas vivências, por pessoas, amizades.

Fazer 58 anos é, antes de mais nada, ter construído muitos caminhos e atalhos, ter desmontado muitas armadilhas, ter carregado pedras, ter cruzando muitos rios para chegar até aqui. É lembrar todos os momentos, principalmente os bons, e as grandes amizades que até hoje perduram.

Completar 58 anos significa também que temos menos pedidos pessoais a fazer na hora de apagar as velas do bolo, a nossa individualidade, está cada vez menos nítida, envolvida por vários rostos e problemas múltiplos.

Aos 58 deveríamos ser mais pacientes, mais tolerantes, todavia nossa personalidade ainda está em pleno vigor, portanto, isso dependerá de cada um. O que acontece com maior frequência é que deixamos de supervalorizar coisas pequenas, pois hoje já sabemos que não vale a pena tanto incômodo, já que a resolução desses problemas do dia-a-dia geralmente é bem mais simples do que quando jovens, imaginamos.



Aniversário com dois bolos


Com essa idade, os vícios vão sendo substituídos por remédios e o travesseiro passa a ter espinhos, as noites encurtam, as madrugadas começam mais cedo, pelo menos para os que ainda não tomam nenhum tipo de remédio “milonga”.

Nesta fase da vida parece que já não conseguimos ter grandes desejos, grandes frustrações, grandes expectativas. É tudo mais ameno, menos apaixonado, menos caloroso, a gente gosta mais do que “adora!”. Nem grandes alegrias, nem tantas deceções. Parece que a adrenalina sumiu das nossas veias, ou só aparece nos sustos.

É comum que se tenha mais paciência com o filho, mais ternura por ele e um carinho infinito por nossos pais, caso ainda os tenhamos ao lado, eu infelizmente já não tenho os meus.

É certo que tenho muito mais paciência com a neta, com suas travessuras e até com as primeiras demonstrações de gênio ou teimosia. O que me irritava no filho faz-me sorrir diante da neta, porque vejo aquele ser pequenino, ainda tão novinha, tão inexperiente achando que já sabe tudo e pode tudo também.

As pessoas da minha idade costumam olhar bastante para o passado, reconheço que ficou muita coisa por fazer, para ser vivida, mas as diabruras da vida não deixaram.

Mas está próximo o dia de me aposentar e se calhar vai-me sobrar tempo para folhear os álbuns de fotografias, aproveitar para fazer aquela infinidade de coisas para as quais nunca tinha tempo e não saía da minha lista de prioridades.

Ou então continuo a trabalhar para não sair da vida ativa, para não perder os colegas, para não me sentir vazio.

De minha parte, optei por ajudar a criar minha netinha e ainda não cheguei há fase de reler os livros preferidos, porque não dou conta de ler tanta coisa boa que os escritores do mundo inteiro continuam produzindo.

Como tudo na vida, há exceções, a este padrão de cinquentão, que estou a caminho do sessentão, eu não fujo a esse padrão. Sempre quis exercer plenamente meu Patriarcado e chego aos cinquenta e oito anos com saúde, graças a Deus, uma esposa compreensiva, um filho maravilhoso, uma nora adorável e uma neta espetacular!



Foto de caneca comemorativa retirada da net

ZÉ ANTUNES

2013

CRISE

 
A crise já vem de há muito tempo e hoje chegou-me ao conhecimento que na Pascoa de 2011, empregados, desempregados e sem abrigos procuraram refeição gratuita, refeição gratuita que foi fornecida pela associação “Nouni”

Um empregado de uma Câmara Municipal aproveitou uma refeição grátis dada hoje em Lisboa no dia de Pascoa. “O que ganha não dá para sustentar a família e vem sempre a estes eventos”, relata o organizador.




Agostinho Rodrigues, presidedente da  "Associação NOUNI ",

olha para as pessoas que se sentam numa esplanada coberta junto da Praça do Campo Pequeno e destaca a “expressão das pessoas”.

“Não são só pessoas que são da rua. São pessoas desempregadas que caíram nesta situação agora”, afirma o responsável, acrescentando que a procura por ajuda social desde a agudização da crise subiu “mais de 50 por cento”.
Nas anteriores refeições, que se repetem em dias como o Natal, Santo António, São Martinho e Páscoa, a procura rondava as 200 pessoas.

“Hoje vamos estar perto das 300”, antecipa Agostinho Rodrigues, no restaurante que estará a funcionar em exclusivo para pessoas com carências até às 20:00. “Frango, batatas fritas, salada, chouriço e presunto”, relata Olga Antunes sobre o menu que já acabou de comer: “Esta foi uma Páscoa que caiu bem, graça a Deus e que agradeço. Obrigado”.

Todos os dias Olga Antunes pede esmola na Rua Augusta para pagar os 13 euros de uma pensão. Com um marido alcoólico, vai contando com a ajuda da irmã quando esta “pode”.

Da câmara de Lisboa espera ainda uma casa porque as duas que lhe foram destinadas não tinham elevador que a transportasse na sua cadeira de rodas. Carlos Miranda vem acompanhado de dois filhos e um neto: “Felizmente não sou sem-abrigo, mas isto está mau e eu não nego nada”.

Desempregado da câmara de Lisboa, de onde foi “corrido” por ter estado a recibos verdes “inventados pelo Mário Soares”, Carlos Miranda vai “vivendo de ganchos e biscates aqui e ali”.
 

O filho Telmo Miranda estudou até à quarta classe e há muito que está inscrito no centro de desemprego, mas sem conseguir arranjar ocupação critica “primeiros-ministros e ministros por andaram a roubar o país”.
 
“Ando pelos caixotes (do lixo) para poder sobreviver”, conta. E hoje soube da “festa dos sem-abrigo” e veio até ao Campo Pequeno para passar um “dia mais ou menos”.

Os 100 frangos assados para as refeições saem da grelha que Mohamed toma conta e “sem picante porque há pessoas que não gostam”.

A queixar-se de dores nos braços está Patrícia, que há 20 minutos tira cervejas de pressão e não tem tempos de descanso.
 
A tarefa é dividida por outros empregados, mas mesmo sendo “dura” não tira o sorriso a Patrícia.

“É um bocado duro. Mas hoje estamos a ajudar pessoas que não têm nada e um prato de comida já é suficiente e eles saem daqui contentes”, diz.


ZÉ ANTUNES

2011