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11/06/2013

AMIGOS, MIÚDAS E LIAMBA..!



As minhas memórias da adolescência com amigos, principalmente com o Ângelo e o Artur amigos do Bairro da Cuca, e outros amigos, leva-me a sitios bem distantes no meu imaginário, das boas companhias das boas farras e dos momentos em que acampavamos na ilha de Luanda.

Havia dois elos de ligação entre mim e o Ângelo, nomeadamente as nossas mães que eram amigas ( a mãe do Ângelo a Maria Marques tinha uma banca de legumes no mercado do Kinaxixe, em que minha mãe foi primeiro empregada, mas depois a mãe do Angelo passou a banca para a minha mãe ) e mais tarde no desporto nos jogos de futebol de 11 na Escola Indústrial de Luanda. Eu e o Ângelo costumavamos jogar juntos na Escola ( ambos frequentavamos o Curso de Aperfeiçoamento de Serralheiro ) apesar de eu já nessa altura residir no Bairro Popular nº2.

Também possivelmente conhecia-o melhor, porque era com quem eu saia no inicio da decada de 1970 depois do meu regressoa a Luanda. E foi sempre as nossas familias, o elo de ligação entre nós. O Ângelo casou já na Póvoa de Varzim no ano de 1976,

Luanda na época era um lugar fantástico, porque havia muita coisa a acontecer. Muitas miúdas, muito rock`n`roll, também para desgraça de muitos, havia muita liamba.

Olhando para trás, dou-me conta de que era um grupo de amigos imensamente talentosos. Éramos um um grupo de adolescêntes movidos pelas harmonas que tiravamos o máximo partido do que Luanda tinha para oferecer em termos de diversão.

Recebemos uma educação muito despreocupada de quase classe média. Recordo esses anos de adolescência com muito carinho.... amigos fantásticos, eventos fantásticos, experiências muito iluminadoras e, claro miúdas, música e farras.

Nessa altura o Artur era um rapaz normal, era apenas mais um no grupo e, naquela altura ainda não tinha dado sinais do seu talento.... isso só aconteceria mais tarde. Tanto quanto me lembro ele na Escola Industrial estudava pintura decorativa, ele tinha muita graça e pintava bem, mas o seu talento era ele em qualquer festa, ou farra, com a sua guitarra, dois acordes e começava a cantar, não tinha uma grande voz, mas tinha sempre miúdas á sua volta. Penso que aos olhos delas, ele era tão misterioso e vulnerável, como bem parecido e talentoso.

É preciso não esquecer que embora o Artur se viesse a tornar venerado, famoso e respeitado pelo seu trabalho, eu não mantinha uma amizade próxima com ele desde que ele acabou o Curso na Escola Indústrial, iamos-nos falando, e vendo, ainda fui em Luanda ao seu casamento com a Manuela, ia o vendo, até ao momento, já em Lisboa, em que se foi abaixo.

Quando eramos adolescêntes ele era um rapaz, com as suas paranóias não era mais ou menos normal, era um rapaz perturbado.

Frequentamos a mesma Escola mas em cursos diferentes e ele era mais velho, conviviamos pouco, mas ele era nuito bom a tocar guitarra pelo que foi aceite no nosso grupo. Claro que anos mais tarde isso viria a tornar-se irritante pois começou cada vez, e com mais frequência a fumar uns charros, e a embrenhar-se no mundo da droga.

Falar do Artur não é um dos meus temas preferidos, lamento dizer, e fico triste quando me apercebo que faleceu muito jovem (maldita droga).

Deste dois amigos que conheci muito jovem no Bairro da Cuca, o Ângelo que está em Póvoa de Varzim ainda mantemos contacto e quase sempre que eu vá ao norte é pretexto para nos encontrarmos e fazermos uma almoçarada.


 ZÉ ANTUNES

1975



04/06/2013

O ÊXODO


Passado cerca de meio século, que a maioria dos países Africanos 'arrancaram' na ponta da espingarda a independência das potências colonizadoras (seguindo a lição do camarada Mao Tsé-Tung), se fizermos o balanço, quais foram os ganhos que os respetivos países e povos obtiveram, poucos são os Países Africanos que diremos, saíram indiscutivelmente a ganhar.
"Quando é que a independência afinal vai acabar?"- Indagou desesperado/desapontado um septuagenário angolano nos idos anos 78-80, fatigadérrimo da guerra estúpida, de tanta crueldade e injustiça praticada pelos seus patrícios (do regime e da oposição), denominados de nacionalistas de primeira água.

Poderia Africa ser hoje comparada ao Inferno ou ao Purgatório? Qualquer um deles serve, Paraíso; NUNCA. Pouquíssimos países Africanos (menos do que os dedos de uma mão) podem aproximarem-se a tal eleição.*****
"HOJE até a Bíblia tiraram-nos, e as terras continuam a não pertencer ao povo" - sintetizou Morgan Tchavingirai, descrevendo a desgraçada e extrema penúria do povo zimbabweano, respondendo ao guia imortal ainda vivo, que diz ter ressuscitado mais vezes que o próprio Jesus Cristo. Zimbabwe no período citado por Bob Mugabe, era o celeiro de África, o povo era detentor de um dos mais elevados IDH do continente.

Por exemplo em Angola. Por vezes quando nas datas históricas, oiço e vejo pela TV, indivíduos a mencionarem o que o 'colono nos faziam', sinceramente não sei se, choro de raiva ou se me mato de 'risada', "porque o colono fazia..blá-blá-blá" - dizem eles - hoje faz-se o pior. O colono se fez, quase que o desculpo, é ou foi colono, é branco não é meu irmão de raça, etc., agora quando o meu irmão Angolano, preto como eu, (ex-companheiro da miséria e das ruas da amargura) faz o que viva e denodadamente repudiávamos do colono, esta ultima ação dói muitíssimo mais do que a ação anterior, dilacera e mutila impiedosamente a alma.
Por isso, logo após as independências Africanas, verificou-se o segundo êxodo - o primeiro foi dos brancos a abandonarem África - milhões de Africanos, abandonaram com angústia na alma e os olhos arrebitados de descrença a Africa, a maioria arriscando literalmente as suas vidas (o filme continua até aos nossos dias), seguindo os outrora colonos, porque chegaram a conclusão que afinal não é verdade o que apregoa o político Africano; "eles prometeram-nos o paraíso e dão-nos o inferno a dobrar" disse um jovem africano em Lisboa nos anos 78-80 num programa da RTP.

Há mais africanos hoje na Europa do que Europeus em África, porque?!
Isomar Pedro Gomes
Natural de Malange, estudou em
UNISA - University of South Africa; reside em Benguela.

Desmobilizado, em 1991, por força dos Acordos de Bicesse, foi entre­gue à sua sorte. Atirado para as sarjetas do desempre­go, sem apoios da Caixa Social das Forças Armadas Angolanas (FAA) ou de uma outra instituição castrense, lamenta a sua sina, assim como de milhares de ex-companhei­ros de farda. Recebi este pequeno escrito de sua autoria.
2013

“NA VIDA, NUNCA É PRECISO RENDER-NOS”!

 
Nestes últimos dez, doze anos, as palavras mais repetidas entre nós foram “crise”, “receção”, “desânimo”, “desorientação”, “desemprego”. E nós, durante todo este tempo de fraqueza, de medo, de falta de coragem, podemos constatar com amargura, que a natureza humana, bem como a Amizade, são de facto, pérfidas e traidora.
Que neste Mundo a inveja, o egoísmo, e a hipocrisia, desabrocham com fingimento e aleivosia; que a injustiça surge inconfidente e traiçoeiramente, com mais agravo, com mais iniquidade. Que a fraqueza atrai, como um “para-raios”, os piores instintos, para os quais não há nada a fazer. Ninguém pode evitar a má fortuna económica, como ninguém pode evitar a doença.
Mas cada um de nós pode conservar o seu orgulho interior. Ninguém diga, que “desta água não beberei”, porque ninguém sabe o dia d’amanhã. E…”Deus escreve direito, por linhas tortas”. Já lá diz o Povo: “Cá se fazem, cá se pagam”! 

Resistir com força de ânimo e nada de “baixar os braços” é o lema de muitos Heróis! Muitas pessoas souberam combater terríveis diminuições, terríveis percas, temerosas doenças, graças à sua Fé, à sua força de vontade. Souberam levar uma vida ativa e criadora. E até a pobreza económica pode ser combatida tirando apenas de si próprio a força para agir. Aprovando, sorrindo sempre, cheio de Esperanças dum próximo futuro. O Sociólogo Paul Keskhemeti dizia que: “o render-se é um serviço que o vencido faz ao vencedor. Na vida nunca é preciso render-nos”.

As coisas apenas vão bem se nos batermos sem descanso, se nos empenhamos pessoalmente, sem desfalecimentos. Não podemos pensar que os outros façam aquilo que nós não fazemos. Temos que “sacudir” as pessoas, denunciar todos aqueles que vivem à custa do Estado, isto é, à nossa custa, empurrar os mais lentos, até ao ponto em que para elas estar quieto se torne mais cansativo do que agir. Meus Senhores: não teriam sido edificados os estados e os impérios, se não tivesse havido homens ávidos de glória e ambiciosos de saber e de poder. Pensem nisso!


Cruz dos Santos

2013

30/05/2013

LUANDA



 




















BRAZÃO DE LUANDA

No Bairro de S. Paulo, quem é que não conhecia a "FOTO BELEZA" do pai dos amigos Fernando e Henrique?




Da "Fábrica de Borracha", no Macambira, junto à Rua Eugénio de Castro na Vila Alice ( hoje Bairro Belito Soares ) onde trabalhei nas Férias do 2º ano de Curso de Formação da Escola Indústrial no ano de 1971. Luanda tinha a Curbol, que fabricava botas e quedis e estava prestes a produzir os sapatos “Campeão Português”, o topo de gama da época.





As padarias Leão, Monte Sinai, Santana e Sopão,

A famosa "Pastelaria Vouzelense" dos irmãos Tojal.







A "Marisqueira Amazonas", com a sua esplanada na Avª

Restauradores





Das Farmácias Dantas e Valadas na Baixa, junto ao Largo da Portugália







E da casa saratoga onde se comprava as camisas ás mil flores cintadas e as famosas calças LA FINESS






 dos Supermercados Angola, Pastelarias Paris e Versailles do Cosme J. Martins Varandas & cº. Lda. Geridas pelo sócio gerente senhor Ventura




A Decorang, que fabricava as tintas Dyrup,







A Tudor, das baterias e pilhas



E do Benfica de Luanda do qual era sócio






E da boa Cerveja tanto em garrafa como em fino ou mesmo do Canhangulo, bem fresquinha, que eram das fábricas cervejeiras CUCA ou NOCAL






E dos filmes, ia-mos ás matinés para namorarmos e roubarmos uns beijos no escurinho do cinema, Império, São Paulo, Avis, Restauração, cine São João e muitos outros.





E os postos de combustível da Texaco na avenida de Lisboa, da Mobil na Vila Clotilde e da Shell na Estrada de Catete








Na zona Industrial estava a Mabor General, a maior fábricade pneus de África








As fábricas de refrigerantes (mission, coca-cola ) Refrinor, e a Dussol





A fábrica de fósforos, IFA, que exportava para o continente




Os camiões e tratores Berliet Tramagal correspondem inteiramente à exigências de um exército moderno.

Mobilidade, robustez, economia, segurança. Viaturas tácticas, viaturas de transporte geral, veículos especiais

Metalúrgica Duarte Ferreira (Angola) S.A.R.L.

Note-se que o camião Berliet Tramagal aparece dentro do círculo do símbolo da marca, que por sua vez está sobre um desenho de uma tapeçaria antiga com uma cena de uma batalha (qual será?...). Rua Serpa Pinto 25, 25A e 27A - 27B - Luanda"Rua Serpa Pinto 25, 25A e 27A - 27B - Luanda"






A FAMEL. Fábrica de produtos metálicos e que representava as motorizadas Zundapp




Tinha a Vilares (que depois passou a chamar-se Bolama), que fazia massas alimentares, bolachas gostosas, caramelos e rebuçados de vários sabores.

Tinha também a Uniplásticos, e o ABC que fabricava desde o copo ou prato plástico a reservatórios de água.


A Condel, fábrica de cabos elétricos,




A Fábrica de Tabacos Ultramarina ( F T U )











Os jornais A Província de Angola, Diário de Luanda, Revista Noticias





As oficinas Alfredo Matos, Robert Hudson e Auto União





Tinha a Api de Angola, fábrica de caixas de cartão, que usávamos nas nossas brincadeiras de infância.

Estava ainda a Capsul, onde eram fabricadas as caricas de gasosa, que também usávamos para jogar.

Tínhamos também a Edal, que fabricava colchões de molas resistentes e estofos

Luanda tinha as lixas Hermes para toda a Industria, era o principal representante, bem assim como as respectivas máquinas e tintas.


As Confecções Faz Tudo, a Fiaco e a Textang,


As Malas Onil,


Quem não se lembra dos frangos de Aviário da Avicuca

O matadouro da Avicuca, que tinha vendedores a circular pelos bairros em bicicletas de três rodas a vender ovos e frangos. Para chamar a atenção dos clientes, usavam uma buzina própria buzina própria,






E as motorizadas V5





a Agran (que fabricava pesticidas),

a Reckit Colman Angola de lá vinham as pomadas para calçados, inseticidas, perfumes e água de colónia).

Quem não se lembra da Casa Americana e do Largo D. Afonso Henriques?




Casa Americana em Luanda
Foto da net de Rui Seara.

Encoi, que fazia até carroçarias de carros,

Lembro-me, também, do velho Brandão, que fazia candeeiros, a partir de latas de compota ou margarina, e depois a mulher, também já de idade, ia vender Numa altura em que despontavam os luxuosos candeeiros petromax, o velho conseguiu atrair clientela e era o maior fornecedor do bairro mais industrializado do país. Não havia casa em que não estivesse um candeeiro do velho Brandão!

Apesar da idade já avançada, revelada pelas profundas rugas naquele rosto cansado e chupado, o velho magro e curvo pelo peso dos incontáveis cacimbos era tão eficiente na sua profissão, que granjeou o respeito de todos nós,

Sei que um dia, o bairro acordou sem o barulho do velho a bater nas latas. A casa de madeira com quintal de chapa ficou vazia. Os ocupantes haviam partido e nunca mais derem notícias. Coincidência ou não, o mesmo destino que tiveram quase todas as indústrias lá de Luanda. São coisas que os meninos de Luanda do meu tempo não esquecem jamais.


ZÉ ANTUNES

1975

RIJO



É com grande tristeza e pesar que comunico a todos vós o falecimento do nosso colega Joaquim Filomeno Rijo Teixeira. Uma morte estúpida e brutal ceifou a vida a um homem bom e que sempre se mostrou um excelente e digno profissional.
Quem privou com o Rijo, era assim que os amigos o tratavam, jamais esquecerá a sua personalidade generosa, amiga e sempre correta, até na morte o Rijo foi diferente, morreu fardado, envergando a farda que ele em vida sempre soube honrar e respeitar!

Eu, e toda a equipa do Aeroporto de Lisboa, assim como todos os colegas da Prossegur não podemos deixar de manifestar nesta hora trágica as nossas mais sinceras condolências à família enlutada e todos os seus colegas e amigos!

Descansa em paz amigo, vais fazer muita falta e acredita que todos nós procuraremos ser sempre dignos do exemplo que nos deixaste.

Serve o presente para vos informar do local e hora em que terão lugar o velório e funeral do nosso saudoso colega Joaquim Filomeno Rijo Teixeira:

Velório a decorrer na Casa Mortuária da Igreja S. Pedro de Alenquer até às 24h00 de hoje.

Missa fúnebre: dia 11 de Janeiro às 09 h 00 em Alenquer

Funeral: 10h30 no dia 12 de Janeiro deste ano de 2011, no cemitério velho de Torres Vedras (junto aos arcos da entrada da cidade).



ZÉ ANTUNES

2011

TEMPOS DE IRA






Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa – Campus de Campolide – 1099-032 LISBOA Tel: 213847400 Fax: 213847471 e-mail jc@fd.unl.pt

TEMPOS DE IRA

Sofremos um brutal aumento de impostos – nomeadamente do IRS e do IVA –, que reduziu drasticamente o rendimento disponível dos portugueses, esmagou o consumo interno e destruiu as empresas.

Diminuíram-nos diversas prestações sociais, nomeadamente a proteção no desemprego, em dinheiro e em tempo.

Reduziram-nos significativamente os salários – em termos reais, já não apenas nominais. E vão levar mais longe o ataque, aumentando o horário de trabalho dos trabalhadores da administração pública. E, note-se, não se trata apenas de aumentar a duração semanal de 35 horas de trabalho para 40 horas – o que até seria justificável, enquanto estratégia de emergência, visando a adoção de um padrão comum: trata-se de impor cinco horas semanais de trabalho não remunerado. Outra redução salarial.

Cortaram nas pensões de reforma e de aposentação – apenas temporariamente, graças ao Tribunal Constitucional. Mas vão, se os deixarem, converter os cortes em definitivos, ampliá-los e dotá-los de eficácia retroativa.

Aumentaram a tributação sobre o património, nomeadamente sobre os imóveis. E preparam-se para atacar as poupanças guardadas nos bancos, sobre taxando-as, congelando-as ou obrigando os depositantes a converterem-se em pequenos acionistas.

Insatisfeitos com o aumento do desemprego – que já estará no milhão de desempregados, fazendo destes um importante “produto” para exportação –, preparam, parece, mais 100 000 desempregados na administração pública.

Querem ter a certeza de que não escaparemos à ruína: sejamos trabalhadores, proprietários de casa própria, depositantes, pequenos empresários ou pensionistas, tencionam continuar a fazer-nos a vida num inferno. De uma forma ou de outra, com teimosia, muita incompetência e trapalhice pelo caminho, não desistem.

Gostariam que eu morresse: poupariam um salário, nunca me pagariam a pensão e não teriam mais um desempregado. Só vantagens, portanto.

Mas não quero ser injusto: fomos aos mercados com sucesso. Quer dizer: aumentámos a nossa dívida alegremente. Isso permitir-nos-á, talvez, libertarmo-nos da malfadada troika. A nossa desgraça mudará então – de mãos: passará a ser imposta e administrada, já não por aqueles três estrangeiros meio esquisitos, mas pelos nossos governantes. Que bom será podermos dizer orgulhosamente que são os nossos próprios compatriotas os responsáveis pelo nosso infortúnio!

O que está em risco já não é o Estado de direito – esse estrebucha agonizante.

O que está em risco é só a nossa sobrevivência.

É verdade que somos tradicionalmente pacientes e complacentes. Dizemos mal da nossa vida, queixamo-nos no café, mas conformamo-nos.

Mas já perdemos a cabeça algumas vezes ao longo da nossa história. E o que fizemos?

Bom, num certo momento, atirámos um tal Miguel de Vasconcelos pela janela.

Declaro que o texto que apresento é da minha autoria, sendo exclusivamente responsável pelo respetivo conteúdo e citações efetuadas.


João Caupers

maio.2013

DIA DAS MENTIRAS





Já algum tempo andava para escrever sobre o dia das mentiras, visto ter estado numa tertúlia de caçadores, e ouvir algumas patranhas, que sabia de antemão que eram fanfarronices de quem as contava, pura exibição.

Neste grupo dos chamados mentirosos, também estão os pescadores ( da fama não se livram) que pescam peixes em quantidade e enormes. ( Há o velho chavão, mentirosos como caçadores e pescadores não há )

Ao receber um mail no dia das mentiras, decidir transcrever para aqui as dicas nele enerentes.

Mentiras, brincadeiras são elementos recorrentes no dia 1º de abril, o dia da mentira. A data já é tradicional no calendário, e é comemorada em vários países e costuma envolver muitas pessoas, mas alguém já se perguntou o porquê da data?

O Dia das Mentiras surge por brincadeira na França, no reinado de Carlos IX. Nessa época, o ano novo era comemorado a 25 de março, com a chegada da primavera. As festas, que incluíam troca de presentes, duravam uma semana e terminavam a 1 de abril.

Em 1564, com a adoção do calendário gregoriano, o rei decidiu que o ano novo deveria passar a comemorar-se a 1 de janeiro. Alguns franceses não aceitaram a mudança no calendário e continuaram com a tradição antiga. A população que adotou o novo calendário decidiu então brincar com os "conservadores" enviando-lhes presentes estranhos e convites para festas inexistentes. Com o passar do tempo, a brincadeira alastrou-se a outros países da Europa e, mais tarde, para outros continentes.

A partir daí a data se tornou popular e até nos dias atuais é comum ver todos os públicos e todas as idades aderirem à brincadeira do primeiro de abril. Para os países de língua inglesa a data é conhecida como april fool's (abril dos tolos) na Itália e na França o dia é chamado respectivamente pesce d'aprile e poisson d'avril, (peixe de abril).

Neste dia primeiro de Abril, dia das mentiras de 2013 , recebi algumas mentiras, mas como estava de sobreaviso, não levei a sério as mentitas que me disseram. Acabando logo por descobrir que eram petas .


JANTAR COM ÁRABES


Mas nem sempre é preciso ser primeiro de Abril para se contar grandes Petas,

Mentiras que ficarão para a história.

Estou-me a lembrar do grande jantar das arábias no Tavares Rico.

Num panorama de imprensa dominado pela mordaça da censura, o matutino Século publicou uma noticia inusitada, na manhã de 13 de Fevereiro de 1971:

“Uma missão da Arábia Saudita presidida exatamente pelo principe Iben Seddack ( primo de Iben Saud ), esteve em Lisboa quase 48 horas e o assunto foi o petróleo”.

Meia Lisboa ficou em polvorosa com a noticia, que falava do interesse dos Árabes no Crude de Cabinda.

Irritado , o ditador Marcelo Caetano pediu contas ao seu chefe da diplomacia:

“ Então, estão árabes em Lisboa e eu não sei de nada?”

Ruy Patricio respondeu-lhe que também não sabia de nada sobre o “facto”.

Os factos foram estes:

Na véspera , um Rolls-Royce parou à porta do Restaurante de Luxo Tavares Rico, com uma comitiva de homens vestidos à árabe, o proprietário do Restaurante telefonou a informar o jornal.

O chefe de redação, José Mensurado, enviou o repórter Roby Amorim para contar a história do jantar.

Mas a verdade foi esta:

Uma brincadeira levada a cabo por clientes habituais do Restaurante, na sequência de uma aposta de que se entrassem vestidos de árabes, ninguém os reconheceria.

As roupas e o carro foram alugados para aquela noite, pela trupe composta por Jorge Correia de Campos (que fazia de principe Seddak), Nicha Cabral (corredor de Formula 1), Manecas Mocelek ( gerente do Stones e do Ad-Lib, discotecas do jet set Lisboeta), Frederico Abecassis, Manuel Correia ( que levava um impressionante maço de notas), Michel da Costa ( o conhecido cozinheiro e hoteleiro, o único que falava árabe) e Eduardo Oliveira Rocha.

FALSO SUICIDIO


Outra grande peta que fica para a história foi a noticia do suicidio da Mónica Vitti.

Portugal chorou por breves instantes uma estrela italiana “ Mónica Vitti suicidou-se ontem em Roma” noticiou a 4 de Maio de 1988 o vespertino Diário de Lisboa reproduzindo uma noticia publicada nessa manhã pelo matutino francês Le Monde.

Mas, na manhã seguinte, o jornal parisiense enviava um ramo de rosas à atriz com um pedido de desculpas.

O jornal Le Monde contava que na antevéspera, um homem que se identificara como representante do agente de Mónica Vitti em França, ligara em lágrimas, para a redação. A comunicar o “infasto acontecimento”.

O jornal caiu na brincadeira de mau gosto e o Diário de Lisboa foi atrás, vendo-se a desmentir a noticia e a pedir desculpas.

Mais brincadeiras como estas foram noticia sendo depois vistas como grandes petas.



ZÉ ANTUNES

2013