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17/06/2013

O MERGULHO DAS CELIBRIDADES NA CASA DOS BROTHERS!



Ó Portugal…tão cheio de nada! Hoje, somos herdeiros do sonho, mas também da desilusão. O nosso desânimo escondido, vergonhosamente disfarçado, nasce da sensação de termos experimentado tudo, sem atingir o sucesso prometido. Vivemos numa época de exibicionismos. Parece não bastar às pessoas serem, terem ou fazerem. Além disso, é absolutamente necessário que os outros saibam que eles são, têm e fazem – sob pena de, aparentemente, nada valer a pena. Portugal, não tem um aparelho produtivo, económico e social.
O drama é a existência de uma enorme classe de “parasitas”, que suga o produto dos demais. Aliás, ao conseguir aguentá-los, o aparelho económico até mostra que é ótimo. O problema não é o atraso, a debilidade ou a falta de produtividade. É a “febre da carraça”! Ou seja, onde dantes a reserva e o pudor eram sinal de bom gosto e de bom senso, hoje passou-se à exposição pública de todo o tipo de coisas, sem qualquer sentimento penoso. A possibilidade de se tornar “famoso” (mesmo que de forma efêmera) representa, para as camadas menos privilegiadas da população, a obtenção, mesmo que temporária, da condição de cidadão.
As personagens coloridas e indecorosas, ostentando penteados excêntricos e outras “quinquilharias”, que se destacam na primazia do indecente, para um público lascivo, concupiscente, não são nenhuma novidade. A televisão proporciona-lhes o direito de não ficar à margem. Querem é vender, nem que seja à custa dessas “anormalidades” da natureza! Programas formatados e exibidos publicamente, como o voyeurismo, a delação, a confissão de intimidades, os pedidos públicos de perdão, a ambição, os apetites sexuais, “ejaculados” no interior dessas “jaulas”, misturadas com a capacidade de rastejar por um punhado de notas, enfim, toda esta ostentação, esse alarde, essas representações tão cheias de nada, vazias, ridículas para atingirem a “fama”, deixa-nos estupefactos perante tanta ignorância, tanta incompetência e desconhecimento. Todas estas “fantochadas carnavalescas”, acompanhadas dos sorteios, incessantes, ininterruptos, deste ou daquele automóvel “top-gama”.“-Ligue para o nº. 700 e tal…Quantas mais vezes ligar, mais possibilidades tem de ganhar”…“Ligue, ligue…muitas vezes”!...É demais. Chega a ser doentio! Canais televisivos, que mais parecem “Stands” de automóveis, que propriamente de Órgãos de Informação!

São estes exemplos da “coscuvilhice”(para não dizer outra coisa), que mostram bem a força incrível, que a definição centralizada dos programas dá ao aparelho do poder. Tudo é feito, alegadamente, apenas para permitir o acesso à incivilidade, à ignorância, à estupidez, tal como os antigos ditadores impunham a sua vontade só para bem dos seus súbditos.
Cruz dos Santos
2013

12/06/2013

A JUSTIÇA EUROPEIA


Os Europeus, muitos deles depois de chacinados em África pelas revoltas africanas, de regresso aos respetivos países embora destroçados de dor e amargura, receberam de braços abertos muitos dos antigos carrascos, dando-lhes um lar e emprego decente e uma vida digna, que jamais tiveram nos países de origem; Paz e sossego duradouro.

O contrario era possível?... Se ainda hoje 37 anos depois do fim da colonização, os dirigentes Angolanos (por exemplo) ainda desculpam-se na presença colonial Portuguesa em Angola, para justificar a Pobreza e outros pesares que "estamos com ele" eles não são, nunca serão culpados, mas o colono (37 anos depois), SIM, estou seguro que, quando Angola festejar o 50º aniversário, os dirigentes Angolanos, ainda estarão a rogar pragas ao colono Português.
HOJE ouvimos falar de relatos arrepiantes de governação de 'preto-para-preto' em muitos países africanos; Incompetência criminosa, bajulação estupida como doutrina, ganância e egoísmo exacerbado (primeiro eu - sempre), mentira como regra, assassinatos indiscriminados, prisões em massa, inexistência de liberdade de expressão - a 'Bíblia' citado pelo Morgan Tchavingirai. - (inclusive, gritar; "estou com fome" é crime passível de perder a vida. Kamulingue e Kassule, são a prova viva do facto), vida miserável, falta de empregos, corrupção endémica, justiça injusta e totalmente parcial, cadeias (horrorosamente infernais) a abarrotar de jovens provenientes das classes desfavorecidas, hospitais que mais parecem hospícios, escolas que mais parecem pocilgas etc. etc.

O paradoxo, é, se HOJE em África, usufruímos de um bocadinho de liberdade com sabor a vida, é precisamente graças aos Europeus, isto é aos brancos, que desenvolveram uma nova ordem de conduta internacional e instituições internacionais que vigiam sobre o globo incluindo obviamente Africa. As sanções internacionais e outras medidas de contenção paira sobre os dirigentes Africanos, e então, estes por sua vez, fingem praticar a democracia, não porque eles gostam da democracia, porque temem o "Deus branco e o seu braço punitivo". Porque se dependêssemos totalmente dos governos de "preto-para-preto" seguramente, não seria possível viver, na vasta maioria dos países Africanos.

 O protótipo Africano da UE (União Europeia) a chamada UA (União Africana) é uma mentira descabida, a UA é uma instituição falida, decrépita, débil e 'estaladiça' (como a bolacha 'chinesa' de água e sal) que ninguém leva a sério, uns poucos países africanos esforçam-se por dar credibilidade a UA e ao continente, houve até quem propusesse a seguinte designação DUA (DesUnião Africana), por exemplo quando teremos um Tribunal Internacional Africano? Se os tribunais da maioria dos Países membros é do "faz de conta", os Africanos instituíram também uma espécie risível de Parlamento Africano, que ações pratica tal PA já desenvolveu em beneficio dos Africanos?

A UA é um club de "compadres" velhacos ditadores, egoístas que sonham com Paris, Londres, Estocolmo etc, ao mesmo tempo que transformam os respetivos países em autênticos 'buracos negros'. As independências em Africa foram 'feitas' para algumas centenas de indivíduos africanos, em detrimento de centenas de milhões, cada vez mais miseráveis.

Nunca a Europa 'recebeu' tanta riqueza de Africa como após a chamada "independência dos Países Africanos", os novos-ricos africanos, apressam-se a 'esconderem' os produtos da sua criminosa delapidação na Europa para o gáudio dos Europeus, contrariando aquilo que eles próprios evocaram e prescreveram na convocação para a luta de libertação nacional.

"Eu ir a Portugal algum dia?.. NUNCA!.. Nem morto!".- (1980 na idade de ouro do partido único) Disse, erguendo o punho direito bem alto em sinal de sacro-juramento, em pleno comício em Benguela, um dos então carismáticos dirigentes da "Revolução Angolana" que prescindo de citar o nome, hoje ele próprio, não só é frequentador assíduo e brioso de Portugal e "empresário português" como também é o orgulhoso presidente de uma agremiação desportiva portuguesa em Angola.

Quase meio século depois, podemos dizer que o IDH dos povos africanos subiu ou regrediu? Somos melhores tratados hoje pelos nossos irmãos dirigentes? Os ideais que nortearam a luta de libertação colonial ainda estão vivos e recomendam-se? Muitos dos nossos jovens usam orgulhosamente tecnologia de ponta os ipod, 'aichatissa' e 'aipad' fazem a banga da juventude, mas o meio que lhes rodeia é nauseabundo e desolador. O Stress agudo e o AVC matam tanto quanto a malária.
Isomar Pedro Gomes
Natural de Malange, estudou em
UNISA - University of South Africa; reside em Benguela.

Desmobilizado, em 1991, por força dos Acordos de Bicesse, foi entre­gue à sua sorte. Atirado para as sarjetas do desempre­go, sem apoios da Caixa Social das Forças Armadas Angolanas (FAA) ou de uma outra instituição castrense, lamenta a sua sina, assim como de milhares de ex-companhei­ros de farda. Recebi este pequeno escrito de sua autoria.
2013

SENHOR RIBEIRO


Venho por este meio informar que mais um amigo partiu....

Para os amigos do Bairro Popular nº. 2, que não tenham tido conhecimento, sirvo-me deste meio para cumprir o doloroso dever de vos informar do falecimento, do nosso muito querido amigo, e companheiro, Sr. AUGUSTO DE JESUS RIBEIRO, esposo da Dona Tercília e pai da Marinha, Manuel Fernandes e do José Francisco. Sogro do Zé Antunes. Faleceu no dia 21 de Maio de 1990.

Não sei se recordam, mas o Sr. Ribeiro era assim que todos o tratava-mos, vivia na penúltima rua quem ia para as traseiras do Cemitério de Santa Ana, na Rua de Almada.

Em Luanda trabalhou nas Alfandegas de Luanda, no despachante Oficial Serra Coelho, tendo ainda trabalhado com o diretor das Alfandegas, o Grande Poeta Angolano
Mauricio de Almeida Gomes

Tudo aconteceu de repente, veio numa viagem de machimbombo de Guimarães a Lisboa sempre a cantarolar ao despique com a esposa e com as cunhadas, vieram á primeira comunhão do Bruno, de tanto cantar ficou rouco e a partir dai o Lobo Mau atacou-lhe os pulmões

Foi com grande tristeza e pesar que soube do falecimento do nosso amigo Augusto de Jesus Ribeiro que galhardamente se bateu com o Lobo Mau durante um ano, e que este ceifou a vida se um amigo

Há horas em nossa vida que somos tomados por uma enorme sensação de inutilidade, de vazio. Questionamos o porque da nossa existência e nada parece fazer sentido. Concentramos a nossa atenção no lado mais cruel da vida, aquele que é implacável e a todos afeta indistintamente; as perdas do ser humano. Perdemos um amigo, e acima de tudo um ser humano. Deus o receba de braços abertos e que tenha o descanso eterno.

Paz à sua alma, e a todos os familiares os meus sentimentos.

Agradeço que comuniquem também a outros amigos esta funesta ocorrência, pensando em todos quantos queiram e possam tributar-lhe, em presença um derradeiro adeus.
ZÉ ANTUNES
1990

11/06/2013

VIZINHOS DO BAIRRO


Sou Zé Antunes, ex-residente da Rua de Serpa 102 do Bairro Popular nº 2 em Luanda, Angola, há mais de 3 décadas a residir em Lisboa. Vivi lá muitos anos, até aos 20 anos, quando vim para Portugal, embarquei no dia 21 de Junho de 1975.
As famílias, minhas vizinhas na nossa rua, viviam praticamente a meio-caminho entre a Vala que ia para o Bairro Palanca e o Largo do Bairro. Caminhando ao longo da nossa rua, quem descia à esquerda, tínhamos a Escola Primária nº 176, o Cinema Cine São João, a Igreja de Santa Ana, a Capela de Santa Ana, mais tarde foi construído uma camarata para as irmãs Vicentinas e finalmente até ao fim da rua o Preventório Infantil de Luanda.

Também me recordo muito bem de ir à rua da Gabela para comprar o pão. Na Padaria ao lado, primeiro da Peixaria , mais tarde da Sapataria do Surdo.

Lembro-me da vala, quem ia para o Bairro Palanca, e de vários materiais de construção novos ao fundo da rua - enormes manilhas gigantes de cimento que foram mais tarde colocadas no saneamento básico nas ruas do Bairro, e todas as ruas do Bairro alcatroadas.

As lembranças são mais que muitas, algumas já pouco esclarecedoras, mas lembro-me muito bem que me juntava com os meus familiares e outros jovens da vizinhança , depois da escola, e todos juntos andavámos de bicicleta ao longo da rua até ao entardecer. Subíamos às arvores de frutos tropicais, carambolas, goiabas e mangas, e era só colher e comer. E mesmo sem lavar sabiam bem. Mais tarde era a concentração, em frente à minha casa, dos amigos e das motas, e ali ficávamos a conversar.

Quando cheguei a Portugal fiquei a viver em Lisboa, onde ainda me encontro a residir, e meus irmãos , um está na Alemanha, os outros dois no Brasil.

Nessa habitação onde vivia na rua de Serpa no Bairro Popular nº2 em Luanda, durante muitos anos, as famílias mais próximas eram o Sr. Teixeira e a Dona Emília com os filhos António, Joaquim, Emília e Francisco, e os netos, a Mila, e o Zeca da parte de cima, e na parte de baixo o Sr, Acácio e a dona Conceição, e os seus três filhos Virinha, Dininha e Cacito, da parte de trás da minha casa, na Rua da Gabela, vivia o Casal Mário Mota e a esposa Dona Irene, com os filhos a Bela Mota e o Quim Mota.

Na Rua da Gabela residia a Família Ventura, que durante alguns anos, depois da Independência, ficou a residir em Luanda, até 1984. O senhor Ventura geria os Supermercados Angola e a Pastelaria Versailles, no Largo da Portugália, a filha do senhor Ventura a Helena casou com o Carlos Abreu ( Passarinho ), quando regressou a Portugal foi viver para Rio Maior onde a visitamos de quando em vez, e nos encontramos nos almoços do Bairro Popular nº2.

Na nossa casa nos anos 70 aquando da minha vinda para Portugal para estudar, alugámos a casa ao Sr. Correia e Dona Arminda (com os olhos muito azuis, cabelo claro, muito magra e normalmente vestida de preto) que tinham dois filhos, o Telmo e a Alice, ele era Sargento do Exercito Português, e presentemente estão a viver em Caldas da Rainha.



Ao fundo do quintal, meu pai transformou a garagem numa pequena Carpintaria porque era um entendido em Carpintaria / Marcenaria. Lembro-me de meu pai fazer as grades de madeira para transporte de Cervejas, para a Fábrica da Cuca, e fazia outros trabalhos em Madeira. Um dia eu ao ligar a serra elétrica, levei um choque, que fui projetado contra a parede.

No nosso quintal convivíamos em festas que se organizavam para a juventude, fechava-se os muros com loandos e fazíamos as festas e várias celebrações, (Natal, Fim-de-Ano, Carnaval, Pascoa, etc.). Também íamos muitas vezes para casa do Zé Avelino assistir a sessões de cinema grátis que o irmão mais velho o Ferdinando, projetava, à noite , no topo da habitação, no enorme terraço, (diretamente numa parede branca, e por vezes num ecrã feito em pano branco e montado no cimo do terraço) aonde muitos jovens de toda a vizinhança iam muito entusiasmados, por vezes carregando as suas próprias cadeirinhas de praia, outras vezes sentando-se em mantas no terraço para ver os filmes em “8 & Super-8”, desde os cómicos do “bucha & do estica”, os “mudos do chaplin” até’ vários filmes de cowboys. 

Essas noitadas de cinema grátis, que o irmão do Zé Avelino adorava projetar, eram sempre um ótimo convívio e espetáculo para toda a criançada e jovens da vizinhança (talvez por isso a nossa família de 4 jovens ficou a conhecer vários vizinhos das mesmas idades). 

Na parte de trás da nossa casa meu pai fez uns anexos, onde mais tarde vivíamos nós, alugando a casa a várias pessoas, entre muitas delas o Passarinho, o Baltazar, o Miguel, o Paquito, o Reis, o Guerra, o Artur, o Amilcar e outras pessoas que não me lembro dos nomes, da maioria dessas pessoas ainda hoje temos os seus contactos e nos vemos para recordar a vida dos anos 70.

Lembrar que o Reis, o Guerra e o Amilcar eram militares na época.

Outra família militar, a viver na casa ao lado da Betty, de um lado , e da dona Florinda do outro, era a família Mendes, penso que eram originários da região de Trás os Montes. O Sr. Mendes, que era sargento do Exercito Português, era baixo, magro e tinha cabelo e bigode escuro, usava “billcream” no cabelo pois sempre tinha aspeto molhado. Apesar de me recordar muito bem das feições da esposa, recordo do nome dela, pois era um nome pouco usado, Ermelinda. O Sargento Mendes recordo-me que era muito severo com a filha. A filha, que tinha nascido entre 1958-60, que se chamava Paula (e nós a chamavámos de ‘Paulinha’, era alourada, cabelo curto ondulado, e usava já óculos). Recordo-me que o pai, o Sargento Mendes, era mesmo ríspido, e ela tinha um certo medo do próprio pai. Eu já não me recordo se a Paulinha frequentou o Liceu Feminino (D. Guiomar de Lencastre) ou a Escola Comercial Vicente Ferreira. Às vezes a Paulinha apanhava boleia connosco ou com outros vizinhos para ir para as aulas. Mais tarde esta família Mendes mudou de habitação para o Bairro da Vila Alice aquando das confusões, no ano de 1975.

Existiam também outras famílias na nossa rua do Bairro Popular nº2 , das quais me recordo muito bem, Sr. Vicente e Dona Lurdes que tinham duas filhas a Celina e a Arlete ( Chú ), o Dativo e seus pais, a família Barbara, a Família Sabino, seus filhos a Betty e o Litó, a Família do Jorge, que os pais tinham uma fazenda no Quibaxe, o Manuel João, que morava na última casa da Rua, o Juca e a Irmã que faleceu num acidente de avioneta.

A família Azevedo que tinham três filhos e era originária da região do Porto, presentemente mora na Maia, a mãe lavava roupa para os militares , o Armando casou com a filha do Zé do Talho - a Ana Maria, o Henrique que casou já em Lisboa com a Gina, e a Cândida que é muito minha amiga, está reformada e vive também na Maia.

Outra família de que me recordo , que estava a viver na casa ao lado da família Vicente, era o Sr. Domingos e a Dona Florinda, era uma família que tinha dois filhos, o mais velho o Manelito e a mais nova era a Linô penso que nascidos nos anos 61-62). O senhor Domingos trabalhava no Banco Comercial de Angola e mais tarde colocou o meu irmão Victor como funcionário do Banco.

Em Portugal esta família , vinda de Angola, foi viver para Oliveira do Bairro.

Na casa a seguir ao Sr. Acácio vivia o João rapaz da nossa idade, bom de bola, mas o pai que era Enfermeiro no Hospital de São Paulo era muito mau para ele, não gostava que ele andasse connosco devido a cor da pele, dizia que um dia os branco seriam corridos de Angola.

Na Rua de Moura vivia a família do Carlos Alberto, o Pai era taxista, e a esposa muito simpática, sempre com boa aparência, morena e sorridente. O Carlos Alberto tinha um irmão mais novo que não me recordo do nome. Belos trumunos no largo entre a rua da Gabela e a rua de Moura, também moravam ai na rua de Moura o José Manuel Pinto Ferreira e o Carlos Malta. Sei que o Carlos Alberto foi viver para o Brasil mais propriamente Rio de Janeiro.

Ao lado da casa do Carlos Alberto vivia a Família Mateus - o Sr. Mateus era um senhor muito devoto à igreja, e frequentava a igreja de Santa Ana sempre, ele e a Esposa. Tinham 4 filhos, três meninas e um rapaz , a mais velha era a Lili, depois a São, o Fernando e mais tarde uma menina muito bonita, chamada Maria José ( Zeza ).

Espero que ao fazer toda estas descrições com alguns detalhes das memórias que ainda permanecem na minha mente, ao fim de quase quatro décadas da minha partida de Luanda - Angola, e detalhes das pessoas de que ainda me lembro na nossa rua , onde vivi pelo menos 15 anos (até á minha partida de Angola em Junho de 1975 ), assim talvez também outros ex-residentes da mesma rua, do mesmo bairro e da mesma cidade de Luanda em Angola, possam reconhecer ou refrescar as suas próprias memorias do local e dos seus ex-residentes.
E estes detalhes de que ainda me lembro bem , ficarão escritos e recordados para o futuro. 

 E se alguém tiver fotos antigas ou mesmo fotos recentes desta rua e deste bairro para repartir, então também serão , sem dúvida , muito apreciadas por mim.
Aproximadamente quatro décadas passaram, mas as minhas recordações da infância e adolescência, da Rua de Serpa do Bairro Popular nº2 antigamente chamado de Câncio Martins hoje de Neves Bendinha, de Luanda, e de Angola, ficaram para serem relembradas à distância do tempo e à distância geográfica desde Portugal!

ZÉ ANTUNES

1975



 

AMIGOS, MIÚDAS E LIAMBA..!



As minhas memórias da adolescência com amigos, principalmente com o Ângelo e o Artur amigos do Bairro da Cuca, e outros amigos, leva-me a sitios bem distantes no meu imaginário, das boas companhias das boas farras e dos momentos em que acampavamos na ilha de Luanda.

Havia dois elos de ligação entre mim e o Ângelo, nomeadamente as nossas mães que eram amigas ( a mãe do Ângelo a Maria Marques tinha uma banca de legumes no mercado do Kinaxixe, em que minha mãe foi primeiro empregada, mas depois a mãe do Angelo passou a banca para a minha mãe ) e mais tarde no desporto nos jogos de futebol de 11 na Escola Indústrial de Luanda. Eu e o Ângelo costumavamos jogar juntos na Escola ( ambos frequentavamos o Curso de Aperfeiçoamento de Serralheiro ) apesar de eu já nessa altura residir no Bairro Popular nº2.

Também possivelmente conhecia-o melhor, porque era com quem eu saia no inicio da decada de 1970 depois do meu regressoa a Luanda. E foi sempre as nossas familias, o elo de ligação entre nós. O Ângelo casou já na Póvoa de Varzim no ano de 1976,

Luanda na época era um lugar fantástico, porque havia muita coisa a acontecer. Muitas miúdas, muito rock`n`roll, também para desgraça de muitos, havia muita liamba.

Olhando para trás, dou-me conta de que era um grupo de amigos imensamente talentosos. Éramos um um grupo de adolescêntes movidos pelas harmonas que tiravamos o máximo partido do que Luanda tinha para oferecer em termos de diversão.

Recebemos uma educação muito despreocupada de quase classe média. Recordo esses anos de adolescência com muito carinho.... amigos fantásticos, eventos fantásticos, experiências muito iluminadoras e, claro miúdas, música e farras.

Nessa altura o Artur era um rapaz normal, era apenas mais um no grupo e, naquela altura ainda não tinha dado sinais do seu talento.... isso só aconteceria mais tarde. Tanto quanto me lembro ele na Escola Industrial estudava pintura decorativa, ele tinha muita graça e pintava bem, mas o seu talento era ele em qualquer festa, ou farra, com a sua guitarra, dois acordes e começava a cantar, não tinha uma grande voz, mas tinha sempre miúdas á sua volta. Penso que aos olhos delas, ele era tão misterioso e vulnerável, como bem parecido e talentoso.

É preciso não esquecer que embora o Artur se viesse a tornar venerado, famoso e respeitado pelo seu trabalho, eu não mantinha uma amizade próxima com ele desde que ele acabou o Curso na Escola Indústrial, iamos-nos falando, e vendo, ainda fui em Luanda ao seu casamento com a Manuela, ia o vendo, até ao momento, já em Lisboa, em que se foi abaixo.

Quando eramos adolescêntes ele era um rapaz, com as suas paranóias não era mais ou menos normal, era um rapaz perturbado.

Frequentamos a mesma Escola mas em cursos diferentes e ele era mais velho, conviviamos pouco, mas ele era nuito bom a tocar guitarra pelo que foi aceite no nosso grupo. Claro que anos mais tarde isso viria a tornar-se irritante pois começou cada vez, e com mais frequência a fumar uns charros, e a embrenhar-se no mundo da droga.

Falar do Artur não é um dos meus temas preferidos, lamento dizer, e fico triste quando me apercebo que faleceu muito jovem (maldita droga).

Deste dois amigos que conheci muito jovem no Bairro da Cuca, o Ângelo que está em Póvoa de Varzim ainda mantemos contacto e quase sempre que eu vá ao norte é pretexto para nos encontrarmos e fazermos uma almoçarada.


 ZÉ ANTUNES

1975



04/06/2013

O ÊXODO


Passado cerca de meio século, que a maioria dos países Africanos 'arrancaram' na ponta da espingarda a independência das potências colonizadoras (seguindo a lição do camarada Mao Tsé-Tung), se fizermos o balanço, quais foram os ganhos que os respetivos países e povos obtiveram, poucos são os Países Africanos que diremos, saíram indiscutivelmente a ganhar.
"Quando é que a independência afinal vai acabar?"- Indagou desesperado/desapontado um septuagenário angolano nos idos anos 78-80, fatigadérrimo da guerra estúpida, de tanta crueldade e injustiça praticada pelos seus patrícios (do regime e da oposição), denominados de nacionalistas de primeira água.

Poderia Africa ser hoje comparada ao Inferno ou ao Purgatório? Qualquer um deles serve, Paraíso; NUNCA. Pouquíssimos países Africanos (menos do que os dedos de uma mão) podem aproximarem-se a tal eleição.*****
"HOJE até a Bíblia tiraram-nos, e as terras continuam a não pertencer ao povo" - sintetizou Morgan Tchavingirai, descrevendo a desgraçada e extrema penúria do povo zimbabweano, respondendo ao guia imortal ainda vivo, que diz ter ressuscitado mais vezes que o próprio Jesus Cristo. Zimbabwe no período citado por Bob Mugabe, era o celeiro de África, o povo era detentor de um dos mais elevados IDH do continente.

Por exemplo em Angola. Por vezes quando nas datas históricas, oiço e vejo pela TV, indivíduos a mencionarem o que o 'colono nos faziam', sinceramente não sei se, choro de raiva ou se me mato de 'risada', "porque o colono fazia..blá-blá-blá" - dizem eles - hoje faz-se o pior. O colono se fez, quase que o desculpo, é ou foi colono, é branco não é meu irmão de raça, etc., agora quando o meu irmão Angolano, preto como eu, (ex-companheiro da miséria e das ruas da amargura) faz o que viva e denodadamente repudiávamos do colono, esta ultima ação dói muitíssimo mais do que a ação anterior, dilacera e mutila impiedosamente a alma.
Por isso, logo após as independências Africanas, verificou-se o segundo êxodo - o primeiro foi dos brancos a abandonarem África - milhões de Africanos, abandonaram com angústia na alma e os olhos arrebitados de descrença a Africa, a maioria arriscando literalmente as suas vidas (o filme continua até aos nossos dias), seguindo os outrora colonos, porque chegaram a conclusão que afinal não é verdade o que apregoa o político Africano; "eles prometeram-nos o paraíso e dão-nos o inferno a dobrar" disse um jovem africano em Lisboa nos anos 78-80 num programa da RTP.

Há mais africanos hoje na Europa do que Europeus em África, porque?!
Isomar Pedro Gomes
Natural de Malange, estudou em
UNISA - University of South Africa; reside em Benguela.

Desmobilizado, em 1991, por força dos Acordos de Bicesse, foi entre­gue à sua sorte. Atirado para as sarjetas do desempre­go, sem apoios da Caixa Social das Forças Armadas Angolanas (FAA) ou de uma outra instituição castrense, lamenta a sua sina, assim como de milhares de ex-companhei­ros de farda. Recebi este pequeno escrito de sua autoria.
2013

“NA VIDA, NUNCA É PRECISO RENDER-NOS”!

 
Nestes últimos dez, doze anos, as palavras mais repetidas entre nós foram “crise”, “receção”, “desânimo”, “desorientação”, “desemprego”. E nós, durante todo este tempo de fraqueza, de medo, de falta de coragem, podemos constatar com amargura, que a natureza humana, bem como a Amizade, são de facto, pérfidas e traidora.
Que neste Mundo a inveja, o egoísmo, e a hipocrisia, desabrocham com fingimento e aleivosia; que a injustiça surge inconfidente e traiçoeiramente, com mais agravo, com mais iniquidade. Que a fraqueza atrai, como um “para-raios”, os piores instintos, para os quais não há nada a fazer. Ninguém pode evitar a má fortuna económica, como ninguém pode evitar a doença.
Mas cada um de nós pode conservar o seu orgulho interior. Ninguém diga, que “desta água não beberei”, porque ninguém sabe o dia d’amanhã. E…”Deus escreve direito, por linhas tortas”. Já lá diz o Povo: “Cá se fazem, cá se pagam”! 

Resistir com força de ânimo e nada de “baixar os braços” é o lema de muitos Heróis! Muitas pessoas souberam combater terríveis diminuições, terríveis percas, temerosas doenças, graças à sua Fé, à sua força de vontade. Souberam levar uma vida ativa e criadora. E até a pobreza económica pode ser combatida tirando apenas de si próprio a força para agir. Aprovando, sorrindo sempre, cheio de Esperanças dum próximo futuro. O Sociólogo Paul Keskhemeti dizia que: “o render-se é um serviço que o vencido faz ao vencedor. Na vida nunca é preciso render-nos”.

As coisas apenas vão bem se nos batermos sem descanso, se nos empenhamos pessoalmente, sem desfalecimentos. Não podemos pensar que os outros façam aquilo que nós não fazemos. Temos que “sacudir” as pessoas, denunciar todos aqueles que vivem à custa do Estado, isto é, à nossa custa, empurrar os mais lentos, até ao ponto em que para elas estar quieto se torne mais cansativo do que agir. Meus Senhores: não teriam sido edificados os estados e os impérios, se não tivesse havido homens ávidos de glória e ambiciosos de saber e de poder. Pensem nisso!


Cruz dos Santos

2013