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06/09/2013

MARISCOS


Depois de alguns amigos que habitualmente se reuniam no Pingo Bar, tivemos o convite do Octávio Diniz, que no dia 09 de Outubro do ano de 1976, um sábado, estava a programar um jantar na sua casa, ali no Castelo de São Jorge onde esse grande amigo residia.

Nascimento fica encarregue da compra no mercado da Ribeira das Sapateiras e dos Camarões e outros Mariscos. O Octávio fica encarregue de se abastecer com as cervejas e com o vinho.

Dona Elvira esposa do Octávio sempre prestimosa e como boa cozinheira trata de confecionar um frango de fricassé como ela sabe.

Dos convidados para o jantar como lógico os donos da casa e o pai do Octávio o avô Diniz, Maria Augusta, José Manuel Mendes que estava de férias, vindo de Angola onde ainda trabalhava na Petrofina ( companhia de Petróleos que deu lugar à Sonangol), Nascimento , José Antunes, Carvalheira e um primo do Octávio que trabalhava na Companhia de Caminhos de Ferro Portugueses, nas Escadinhas do Duque ali no Rossio.

Nesse jantar também estiveram presentes a Marinha na altura minha namorada, mais o irmão Manel e a esposa filha do Octávio, a Nélita que tinham vindo de Guimarães.

Tudo preparado deu-se a degustação da mariscada que estava deliciosa e bem condimentada com aquela pitada de gindungo que só o Nascimento sabe.

Dona Elvira entretanto continuava a cozinhar o seu célebre frango de fricassé para depois se jantar.

Começamos a degustar os quitutes aí para as 18h00, terminando este saboroso pitéu pelas 21h00, Jantando de seguida, o que com a conversa que se entabulou, terminaria tão bela refeição perto da meia noite.

Depois alguns de nós ainda fomos á nova Cervejaria SANOZAMA ( lido ao contrário é Amazonas ), que havia sido inaugurada poucos dias antes e lá começaram a se encontrar muitos amigos de África, principalmente amigos de Luanda, cervejaria essa que era do nosso amigo, dono do Amazonas de Luanda, situado na Av. dos Restauradores, o Senhor Caldeira.

A convite dele ainda fomos beber um digestivo á boite Noturno 76 de quem também já era proprietário.
Zé Antunes

1976


 

 

02/09/2013

TARIQUE


A morte de Tarique dos Santos Van-Dúnem Aparício deixou Luanda mais pobre. Com ele partiu a Luanda que tinha a capital no Baleizão, onde apoiou tertúlias de jornalistas e homens de letras ou desportistas. No adeus, familiares e amigos disseram que perderam uma parte importante das suas vidas.

Entre os que foram dizer adeus a Tarique estiveram o general Helder Vieira Dias “Kopelipa”, Aldemiro Vaz da Conceição, José Van-Dúnem, ministro da Saúde, general Roberto Leal Monteiro, “Ngongo”, Rui Mingas, José Tavares, presidente da Comissão Administrativa de Luanda, embaixador Kiambata, general Cândido Van-Dúnem, ministro da Defesa e muitas figuras da política, da cultura e do desporto.
Dor, luto e lágrimas marcaram ontem em Luanda o ambiente que envolveu as exéquias fúnebres do nacionalista e empresário Tarique dos Santos Van-Dúnem Aparício. Filho ilustre da Ilha do Cabo deixa órfãos os ilhéus e amigos que ao longo da vida com ele conviveram.

O cortejo fúnebre partiu do Quartel Principal dos Bombeiros para o Cemitério do Alto das Cruzes. O sentimento de dor era visível no rosto de familiares e todos os que tiveram o privilégio de conviver com Tarique e receber dele o seu amor, a sua amizade e a sua infinita bondade.

Seu amigo de longa data, o desportista e empresário Carlos Cardona afirmou que perdeu um grande amigo “um senhor que sabia respeitar a amizade e tinha um grande respeito pelos valores humanos”.

Cardona disse à nossa reportagem que “não lhe conhecia um inimigo e ele tudo fazia para atender todas as pessoas que lhe batiam à porta procurando de ajuda. Nunca recusou a mão a ninguém”.

Carlos Cardona recordou que um dia antes da morte de Tarique, ambos partilharam um convívio agradável: “gostava que o amigo fosse recordado como um homem do povo”. E concluiu: “este homem com quem estabeleci uma amizade de mais de 60 anos jamais virou cara aos pobres e oprimidos”.
Pensamento idêntico tem a ministra da Cultura. Com o rosto triste e parca em palavras, Rosa Cruz e Silva recordou Tarique como um “bom cidadão e patriota”.
Homem multifacetado e um verdadeiro mecenas da Cultura, ele inscreveu também o seu nome na lista dos membros fundadores da Associação Cultural Chá de Caxinde. Jacques dos Santos lembrou a homenagem que lhe foi feita há um mês pelo contributo prestado à instituição. Lamentou a sua morte e realçou que perdeu um amigo e irmão mais velho.

“O momento é de dor e de luto em memória de um amigo que deve ser um exemplo a seguir, sobretudo nos nossos dias onde o verdadeiro sentimento de amor ao próximo, a amizade e a solidariedade estão a desaparecer”, disse.
O comandante “Ingo”, figura lendária da luta de libertação nacional, lembra que Tarique, no desporto, tinha dois amores, um escondido e outro à vista de todos: “ele amava o Atlético. Saía de casa dizendo que ia para o Sporting mais juntava-se a nós no Atlético, onde deu os primeiros passos na luta anti-colonial”.
O caixão de Tarique Aparício foi à Ilha, parou em frente ao Quintal da Tia Guida, seguiu até ao Farol e regressou. Fez mais uma paragem em frente ao seu Baleizão, a cervejaria de Luanda onde eram fabricados os melhores gelados do mundo. Até à Independência Nacional, baleizão em Angola e até em Portugal era sinómimo de gelado. Tudo obra do Tarique. Além do dirigismo desportivo, Tarique também foi um dos fundadores da Academia do Bacalhau.

O Bispo de Cabinda, D. Filomeno Vieira Dias, rezou a missa de corpo presente. “Os que acreditam na ressurreição, a vida não termina por aqui” e realçou que o “momento é de comunhão com a família e de nos despedirmos do nosso querido irmão”.
O prelado falou sobre a capacidade de pensamento, do sentimento de fraternidade que deve prevalecer entre as pessoas e lembrou que a fé tem um princípio que transcende a vida. 

“Para todos os que sentem a tristeza pelo desaparecimento do Tarique peço que rezem pela alma do irmão que partiu para o descanso eterno”, disse D. Filomeno Vieira Dias, que aproveitou a ocasião para citar uma passagem bíblica: “Quem crê em mim viverá”.

Sportinguista ferrenho, o clube do coração de Tarique, o Sporting que tanto amou também se associou às exéquias fúnebres. Na hora da despedida, um grupo de promessas do Sporting Clube de Luanda rendeu-lhe uma singela homenagem. A urna foi coberta com uma bandeira gigante do clube, um desejo que ele nunca escondeu.



“Foi para nós um pai e conselheiro, um verdadeiro amigo de todas as horas que vai sempre fazer parte das nossas vidas”, disse um jovem atleta do clube leonino. Foi até a morte o sportinguista número um. Desde 1975 que fazia parte da direção do clube, à qual presidiu muitos anos. Homem infinitamente bom, Tarique foi um grande empresário, mas também um nacionalista convicto e empenhado.

Percurso de uma vida, nascido em Luanda, no dia 30 de Maio de 1934, Tarique dos Santos Van-Dúnem Aparício, foi comerciante e industrial de grande mérito. Foi também um homem que se destacou no desporto. O seu rasgo como empresário fez do Baleizão o ex-libris da cidade de Luanda. Mas isso só foi possível porque o Tarique amava esta cidade como nunca ninguém amou. Ele dizia aos amigos: “só ama Luanda quem é capaz de viver as suas madrugadas”. Conhecia Luanda desde a primeira hora do dia à última noite. Descobriu todos os seus encantos, desde a sua bem amada Ilha do Cabo à terra vermelha dos musseques.
Ainda criança entrou para a escola do Grémio Africano. Nessa altura sua mãe, Madalena Inácio, e o pai, José Maria Aparício, viviam na Praia do Bispo. “Quando estávamos nos pioneiros do MPLA, levávamos grandes baldes de gelados para as crianças da Praia do Bispo. Era uma forma do pai Tarique recordar a sua infância”, recorda a filha Ana Maria.

Depois de ter concluído o ensino liceal, no Salvador Correia, decidiu ajudar o pai no Baleizão. Tinha 17 anos e os seus mestres vaticinavam-lhe uma carreira brilhante. Preferiu trabalhar para a família. Tomou conta dos negócios de José Maria Aparício e revelou-se um grande empresário.

Ao ler o elogio fúnebre, Ladislau Silva, assessor do Governo da Província de Luanda, destacou que “Tarique percorreu todos os caminhos da cidade e neles descobriu os mil afetos que o moldaram como homem infinitamente bom”.
Uma parte da velha cidade morreu com este homem que foi um dos mais ilustres luandenses.
Recebi do Walter Sério
2013

TEMOS DE AGIR JÁ, E...SEM MEDO!


Portugal precisa de conservar a coragem, que já demonstrou em épocas Históricas. Não tem que ter medo. Ninguém vai expulsar Portugal do euro. Portugal soube marcar bem as fronteiras em não aceitar todas as imposições. Porque quando chega a uma situação de elevado desemprego jovem e em que as pessoas não têm grande esperanças nem expectativas, estas, acabam por revoltar-se e, com razão! Nós portugueses, temos que reclamar! Ou seja, temos de pôr de parte as telenovelas, "mandar à fava" os "famosos" e os "craques" da bola e sair à rua para exigirmos justiça e igualdade para todos. Aquela mesma equidade, que é referida na Constituição da República, no seu Artigo 13º "Princípio de Igualdade". Portanto, não podemos permitir, que tudo se mantenha como até aqui. É preciso que os políticos tenham vergonha na cara, não só por deixarem o país neste estado, como deixarem de mentir ao povo, através de promessas eleitoralistas.

Meus Senhores, temos - todos juntos- que combater a corrupção, denunciando, sem medo, às Entidades Policiais e responsáveis destes crimes, todos aqueles que deixam de cumprir com as suas obrigações, porque com os níveis de corrupção elevados, que ultimamente se tem vindo a registar, estaremos definitivamente não só arredados dos caminhos de desenvolvimento, como nunca mais nos livramos desta maldita crise. Os culpados desse descalabro défice financeiro, deveriam ser chamados a explicar aos portugueses, onde foram gastos todos esses milhões, este brutal desperdício de dinheiro. Numa linguagem mais simples, mas igualmente rigorosa, nunca na história moderna do nosso país, tão pouca gente estragou tanto dinheiro em tão pouco tempo! "O combate à corrupção, é uma tarefa que deve ser iniciada já! É um combate colectivo e constitui uma maratona. É um exercício de resistência para aqueles que o abraçam". A intervenção ao nível dos efeitos sociais, económicos e políticos da corrupção, implica o funcionamento da Justiça, com a consequente punição dos corruptores, ou seja, dos "ladrões"! Mas também medidas, que permitam ao Estado português, recuperar os bens que nos têm vindo a ser "roubados" pela via da corrupção. Estes "mafiosos" de colarinho sujo, não podem estar a viver em grandes mansões luxuosas e a fazerem-se transportar em luxuosas viaturas "top-gama", à nossa custa!

Pensem nisso!
Cruz dos Santos
2013



BOM DIA LUANDA


Bom dia, Luanda. Tu és rica. Ficas à beira mar, tens uma praia de areias brancas, és cheia de música e o teu clima é tropical. Os teus habitantes são orgulhosos e belos. Quando se vai passear, ao fim da tarde, pelas tuas ruas,

fragmentos do seu português misturam- se com a música que retumba algures de um altifalante. Para quem quer acreditar nos prognósticos económicos, vais ter um futuro próspero. Então, porque é que as pessoas não gostam de ti? Porque é que não te conhecem? Porque é que tratas mal os teus visitantes?

Porque é que não te compreendem? Efetivamente, não é fácil conhecer-te.

As tuas ruas estão cheias de poeira e, muitas vezes, também de lixo. Buracos nas ruas do tamanho dos pneus de um camião, tampas de esgoto sem qualquer proteção já alguma vez uma criança caiu dentro de algum desses buracos?

Os engarrafamentos permanentes nas tuas ruas acabam todos os dias com os nervos das pessoas. E ter que ficar horas e horas na fila da bomba de gasolina, apesar das enormes reservas de petróleo frente à tua costa, não facilita o gostar de ti.

Mesmo assim, tu consegues ser charmosa, consegues inspirar, relaxar, enfeitiçar.

Por exemplo, quando no centro da cidade, atrás de um dos teus gigantescos estaleiros, se entra no «A nossa Sombra », um pequeno jardim com uma esplanada-restaurante, para tomar um cafezinho e sentirmo-nos como num oásis.

Quando se está sentado na praia para ver o pôr do sol, a cidade nas costas, a música Kizomba no ouvido, o vento quente, levando consigo a pressão do dia, com a consciência de que algures, do outro lado do mar, está o Brasil.

Quando se vai de barco ao mar, ver os golfinhos deslizando na água. Quando se é convidado para ir a uma festa numa casa lá no alto, com vista sobre os telhados da cidade, observar as suas luzes a brilhar, não se quer estar em nenhum outro lugar do mundo.

Porque é que se sabe tão pouco de ti? Já tens 436 anos. Acabas de fazer anos. Em 1575, o comandante do navio português Paulo Dias de Novais veio com o primeiro grupo de colonos portugueses. Passaste por muita coisa desde então. Pela colonização portuguesa. Pelo fim do regime colonial. Pela guerra civil. Paz. Pessoas que fugiram. Pessoas que voltaram para construir o país e participar no boom económico. E hoje? Hoje as opiniões divergem. As pessoas ou te odeiam ou te amam. Dizem que és a cidade mais cara do mundo, reclamam contra a tua corrupção, e a maior parte das vezes só falam mal de ti.

Para te compreender e talvez até gostar de ti é preciso conquistar- te e descobrir-te. É preciso ir para o lado menos elegante da Ilha e comer peixe na Tia Luísa. Ela deixa marinar o peixe em sumo de limão antes de o pôr na pequena grelha encostada à parede, o quintal com telhado de zinco feito «restaurante », transforma o peixe no mais delicioso que alguma vez se comeu.

Sentar no parque ao lado da casa do Presidente no Miramar onde à tarde a rapaziada do bairro vem jogar basquetebol.

Ouvir a música do tempo antes da independência, em 1975, que os mais velhos voltam a tocar ao domingo à tarde no café. Abrir os olhos. Descobrir os azulejos dos letreiros das ruas do tempo dos portugueses. Divagar pelos teus cinemas ao ar livre que se podem visitar, mas que já não funcionam. Escutar o teu barulho.

Os pregões das peixeiras e o ronco dos motores, permanentemente ligados, dos carros estacionados para que os motoristas sentados lá dentro se possam refrescar no ar condicionado. Sentir o teu cheiro, o oceano e o aroma fresco da terra depois de um aguaceiro, tanto como o lixo presente em quase todo o lado.

Encontrar os teus habitantes e falar com eles. Os teus artistas, pensadores, pintores, poetas, atores, músicos. Ouvir as suas histórias e as suas vidas.

Luanda, precisamente. Cidade portuária. Cidade do petróleo. Cidade do boom. E logo depois de São Paulo e do Rio de Janeiro a terceira maior cidade lusófona do mundo. Tu mexes com as pessoas. Vale a pena o esforço de te conquistar.

Recebi via mail

Christiane Schulte
Diretora do Instituto Cultural Alemão /
Goethe-Institut Angola

2013

29/08/2013

F É R I A S


Caríssimos amigos:
Férias, Feriado, período de descanso a que todos ( penso eu ) temos direito, depois de passado um ano de trabalho ou de atividades. No Brasil, quando o feriado é religioso, até o ateu comemora. E eu, prefiro ser um homem de paradoxos que um homem de preconceitos. Um homem começa a ficar velho quando já prefere andar só do que mal acompanhado, mas felizmente ainda tenho boas companhias.

POIS É…Vim de Férias e que bem aproveitei, este descanso, o estar com alguns amigos que já não os via à longo tempo, bons convívios e boas leituras, regresso ao trabalho, cá estou eu para mais uma maratona.

Mas sou sincero, ainda ando cansado, acreditem! Mas…entre a Tristeza e as Saudades, prefiro a Felicidade e a Alegria. Não há que ter vergonha de preferir a felicidade! O tempo, é muito mais que a espera de todas as horas. Ele faz-se pequeno e estende-se quando o abraço se faz necessário entre as ruas e os corpos perdidos. E é entre as Saudades, a Tristeza e a Felicidade, que a palavra emerge como um trovão, ou solta-se silenciosa como um sopro…Uma após outra, a palavra oferece-se em frase, mascarada de enigma tantas vezes e outras tantas vestida de evidência clara e distinta. É com os acasos que nos atiram da direita e da esquerda que urdimos o nosso destino. Acreditamos dizer o que queremos, mas é quem nos fez falar pela primeira vez que fala escondido por dentro das nossas palavras… Vamos é trabalhar enquanto podemos… Que isto está mal e com tendências a piorar!!!!!!!!!!!!!

Zé Antunes

2013

29/07/2013

VOU PARA FÉRIAS



Vou ausentar-me por uns escassos dias, da vossa prestigiosa e valiosa Amizade e companhia.

Vou respirar outros ares (“Made-In-Portugal”), contemplar outros rostos, tentar fazer outras Amizades (efémeras), escutar outras opiniões, enfim, deixar Lisboa por três semanas (01 a 26 de Agosto).

Vou repousar o sistema imunitário, que é o mesmo que defender o “Físico” dos invasores (gérmenes e micro organismos), que abundam aqui pelo meu bairro.

Vou “BAZAR”, mas de carteira “encolhida”, magra (ando a fazer dieta) e, provavelmente, estacionar junto ao MAR e dialogar, amistosamente e sózinho com as ondas.

Sabem por que razões, os portadores de psicose, falam sozinhos? É que quando não têm personagens reais com quem se relacionar, criam-nas no seu psiquismo; caso contrário, implodem o seu sentido existencial, vivem o caos da solidão. Os que botam no seu imaginário angustiam-se mais. Por essa razão é que ADORO falar com as ondas, escutar o MAR.Ó mar salgado, / quanto do teu sal, são lágrimas de Portugal”!! As suas ondas entendem-me perfeitamente. Vão e vêm, pois trazem sempre na sua companhia, notícias da minha/nossa terra, recados da minha/ nossa Ilha de Luanda.

A vida é um espetáculo, mas, sem ondas, sem MAR, ela pode tornar-se num espetáculo sem sabor, monótona, fria, doente.
E PRONTO, NÃO VOS MAÇO MAIS!!
Portanto já sabem, entre os dias 01 a 26 de Agosto, não me mandem nada para o correio eletrónico, com bastante mágoa minha.

E o que são três semanas hoje? Ainda ontem fiz 22 anos e estávamos em 1977.

UM GRANDE KANDANDU aos avilos e

BEIJOCAS ás garinas
ZÉ ANTUNES

2013

VIDAS NO BAIRRO


Praticamente nasci nesse recanto da cidade de Luanda, Bairro Câncio Martins, ou mais conhecido por Bairro Popular nº2, fui para lá morar tinha pouco mais de 6 anos de idade.

Nos anos 1960 e 1970, como grande parte da cidade a vida resumia-se do centro da Cidade de Luanda, aos Bairros periféricos, Vila Alice, Terra Nova, Bairro Popular nº 2, Cazenga, Bairro da Cuca, Bairro Salazar, Prenda, Samba e outros. Nossos pais a trabalhar, os filhos logo aos 15 para 16 anos, quem não seguia os estudos empregava-se, outros seguiam os estudos, não dava tempo para ficar stressado, não existia "trabalho infantil " infrator, óbvio que com poucas exceções, pois como um dos moradores do bairro, acompanhei esses companheiros dos anos 1960, e sua transformação, esses moradores na sua maioria conseguiram êxito na vida com seu trabalho digno.

Ainda encontro nas ruas, muitos filhos e até netos dos moradores da época de meu pai, e a pergunta de sempre, e teu pai como vai? Ah, ele já faleceu há muitos anos, foi no ano de 1978, ah o meu também, esquecemos que já estamos na casa dos 60 anos e para os outros ainda somos novos, velhos são os outros, interessante, pois sou amigo de muitos de minha idade, crescemos juntos e meu pai foi amigo do pai desses amigos, essa foi uma das vantagens de morar-mos sempre no mesmo bairro e acreditem, muitos netos se identificam dizendo aos outros meninos, meu avô conheceu teu pai e assim por diante...

Vejo hoje essa malta dos anos 1960, quase todos reformados já com netos e na sua grande maioria tiveram bons exemplos. Quem sempre morou no mesmo bairro como eu e cresceu com ele, pode desfrutar e lembrar de como era, e esperando sempre que alguém mande fotos ou relate de como está o Bairro e mesmo aqueles que vieram embora para Portugal, e quando voltam podem verificar a transformação, com muitos deles nosso contato é constante e outros em menor escala, mas a conversa é sempre de saudade, antigamente o Bairro era assim, agora está doutra maneira ou melhor ou pior.

Alguns fatos interessantes que não é possível esquecer, era que nada acontecia de novidade na época no bairro, sempre aquela vidinha, escola para casa, trabalho para casa, às vezes íamos caçar passarinho, nadar nas linda praias da Ilha ou na Corimba e nos fins de semana futebol no campo do Clube do Bairro ou no Preventório, trumunos na Defesa Civil de futebol de salão.

Os divertimentos em casa era ouvir o jogo de futebol dos Campeonatos de Portugal, pelos profissionais da rádio, ou músicas do nosso tempo, ir ao cinema no Cine São João, ir a outros cinemas da cidade, Restauração, Império, Avis Tivoli, Miramar, Kipaca e outros sem pensar se era longe ou caro, tinha malta amiga, mais cotas que gostavam de contar histórias, e anedotas geralmente à noite, no muro do Matias ( alguém o batizou de Nosso Poleiro ).

Aos 15 ou 16 anos os pais já procuravam encaminhar os filhos para o trabalho e aí acabava as brincadeiras para muitos, escola só à noite. Muitos iam para a Escola Industrial, aprender mecânica, em tornos, engenhos de furar, fresas, época gloriosa financeiramente para quem era torneiro, fresador, hoje são apenas saudades, as máquinas computadorizadas tomaram conta de tudo, e assim como os desenhadores, hoje temos o CAD. (Desenho Assistido por Computador).

Os pais nos fins de semana ora trabalhavam em casa, pequenas obras, e depois iam beber uns finos ao Bar São João e conversar com os amigos. 

A vida era tão calma que parecia também que ninguém morria, lembro-me só uma vez de um velório, na antiga capela de Santa Ana, mas não fui ver, o pavor era grande, lembro-me que só entrei num cemitério pela primeira vez com os meus 17 anos, mais ou menos, em Santa Ana , em compensação hoje em dia vemos uma morte por dia no mínimo aqui em Portugal.

Nesse Cemitério a maioria dos sepultados era de morte por doença, de idade avançada e muitos jovens, de acidentes de moto..

Quando fui para o Bairro as ruas ainda eram de terra batida, mais tarde foram alcatroadas, as ruas projetadas eram na maioria paralelas, ruas com denominações de cidades de Angola e de Portugal.

Afinal, todas as cidades, começaram um dia como uma pequena Vila, com os seus moradores, e se hoje conhecemos, por exemplo, a história oficial ou oficiosa da cidade de Luanda, dos seus bairros, é por que alguém há 500 anos escreveu, fotografou sobre a vida na cidade. O primeiro padre, o primeiro morador, a primeira família, geraram o que somos e fazemos hoje, assim caminha a vida que depois se transforma em metrópole, mas nunca esquecendo dos verdadeiros heróis que foram os primeiros moradores, a razão de tudo e graças àqueles que têm a capacidade de passar para o papel esses fatos para eternidade. Penso fazer o que me compete, recordar o que foi a minha, nossa juventude e os belos momentos vividos.

ZÉ ANTUNES

1970