10/09/2013
O FININHO
Conheci em 1972 Carlos Reis, mais conhecido pelo ”Fininho”, nasceu em Freixo de Espada à Cinta, na idade militar , apresentou-se e fez recruta nos Rangers de Lamego, depressa é incorporado para rumar a Angola, para Luanda, onde vai concluir o restante tempo de vida militar, vai para os Comandos, como furriel vai viver para o Bairro Popular nº 2.
Sempre que podia o “Fininho” aos fins de semana ia até aos clubes do Bairro Popular e ao Clube do Bairro Sarmento Rodrigues e naqueles loucos tempos não faltava a nenhuma farra, diga-se de verdade o nosso “ Fininho “ até era um bom dançarino, as garinas só queriam dançar com o madié.
Certo, certo é que encontrou o seu par, uma mulata toda bangona que até se ajeitava na dança, e era vê-los os dois sempre juntos nas fungutas ou no Clube do Bairro Popular ou no Clube do Sarmento Rodrigues.
De tanto dançarem e conviverem, foi-se criando uma empatia entre os dois que deu namoro.
Depois de acabado o serviço militar e ter passado a disponibilidade, junta-se ao pessoal das motos e compra uma Honda 350 CB, casa-se com Dulce e foram viver para a Terra Nova, continuando aos fins de semana, onde houvesse farra, ai estavam eles a dançar.
Dulce tinha um tio que era merceeiro no musseque Rangel, e um dia já em 1974, numa grande maka, que se gerou na mercearia do tio, Dulce que estava no local errado, e na hora errada, é atingida com um tiro no peito e vem a falecer no Hospital de São Paulo.
A partir dessa data, a vida acabou-se para o nosso Carlos Reis “Fininho” que em Julho de 1975, na Ponte Aérea que entretanto se organizou, vem para Lisboa e instala-se com outras pessoas numa habitação na Avenida da Liberdade.
Para ir ganhando a vida monta uma banca de jornais, revistas e cigarros.
Sozinho e com saudades da esposa, lá vai sobrevivendo naquele verão quente e conturbado ( politicamente ).
Mas em 1982 cansado resolve ir para a cidade que o viu nascer, foi ter com familiares, foi para Trás-os-Montes, para Freixo de Espada à Cinta, desde essa data nunca mais vi o Carlos Reis ” Fininho “ até que no ano de 2012 estava em Nabais – Seia, tinha ido almoçar mais a família e uns amigos a Folgosinho ao Restaurante do Albertino, e reparo num olhar fixamente para mim, e eu para ele, e disse aos presentes!
Conheço aquele individuo, não sei de onde, disse á minha esposa:
Vou lá falar com ele, parece que ele também me conhece.
Dito e feito, levantei-me e dirigi-me a ele, e quando me aproximava, deu-se um clique, ele levantou-se e ficamos os dois a olhar um para o outro, e a uma só voz dissemos:
Eu: “Fininho”
Ele: “Banga Zé “
Estava ali e dizia para os meus botões que te conhecia, ao qual me respondeu que também olhava para mim e dizia para si próprio que também me conhecia.
Encontro inesperado ao fim de trinta anos, desde que ele saiu de Lisboa.
Logo ali recordamos a nossa vivência, as saudades e os mambos da nossa juventude, principalmente as farras, troca de telefones e de mails e agora lá vamos recordando o que vivemos no antigamente, principalmente a nossa Luanda e aqueles sete anos que fomos vizinhos em Lisboa, principalmente aquelas bombas que rebentaram ao lado da sua casa.
Carlos Reis refez a vida tornando a casar, tem dois filhos, e trabalha num negócio familiar ( Oficina de Automóveis ).
Agora vamo-nos encontrando principalmente em Fátima, onde se reúne muita malta de Luanda.
ZÉ ANTUNES
1972
"IDÉIAS ÚTEIS PARA A "SALVAÇÃO NACIONAL"!
A economia portuguesa vive, há mais de dez anos, momentos dramáticos, face aos muitos riscos que está exposta. Até quando, é que deixamos de depender da “Troika”? Ou seja, do afluxo dos “fundos internacionais” (externos), para satisfazermos as nossas “necessidades básicas”, como seja, o pagamento de salários da função pública e pensões? O impacto sente-se em toda a sociedade e todos temos casos dramáticos (uns mais que outros), porque todos, infelizmente, sentimos o peso desta “eterna” e maldita austeridade. E enquanto o país atrofia por causa das dívidas e da corrupção– uma vez que esta constitui a principal causa da crise em que nos sitiaram –os corruptos continuam impunes.
Portugal obteve, nesta década, o vergonhoso título de campeão mundial do aumento da corrupção. “Oitenta e três por cento dos cidadãos, acha que a corrupção aumentou nos últimos três anos e aponta como entidades mais corruptas o Parlamento e os partidos, justamente aquelas cuja missão deveria ser a de lutar contra o flagelo”. E é nestes “escombros” de suspeição, que a Justiça deve investigar e, com a competência que se lhe exige, perseguir os corruptores, para que o Estado recupere uma parte significativa do que estes “cavalheiros” roubaram aos portugueses. Como? Confiscando-lhes as fortunas, bem como as grandes “mansões” e luxuosas vivendas, automóveis “top-gama”, de grande cilindrada e outros bens.
Meus Senhores: estamos cada vez mais apreendidos por penhora. Não nos resta outra alternativa, senão pormos ideias criativas a funcionar, que nos forneçam, enfim, lucros financeiros, para pudermos amortizar os “pesados” juros que estes “amigos”(?) do FMI e do Banco Mundial Europeu, nos tem vindo a cobrar. Assim, se me permitem, aqui deixo algumas sugestões, para a “Salvação Nacional”: -o Parlamento poderia vender patrocínios.
Meus Senhores: estamos cada vez mais apreendidos por penhora. Não nos resta outra alternativa, senão pormos ideias criativas a funcionar, que nos forneçam, enfim, lucros financeiros, para pudermos amortizar os “pesados” juros que estes “amigos”(?) do FMI e do Banco Mundial Europeu, nos tem vindo a cobrar. Assim, se me permitem, aqui deixo algumas sugestões, para a “Salvação Nacional”: -o Parlamento poderia vender patrocínios.
O Governo também. Vender-se-iam sessões parlamentares, uma a uma, segundo os temas em debate. Assim como reuniões do Conselho de Ministros; as dezenas de convites de acordo, com o Sr. Presidente da República, incluindo “moções de censura”, ameaças de saídas “irrevogáveis” e outras “criancices” análogas ao “Big Brother”! E, num sistema de Justiça tão carente de meios, os julgamentos em folhetins ou episódios. Cada Juiz venderia exclusivos às televisões, podendo alargar-se, conforme os crimes, a outros sectores. Missas, enterros, casamentos e exames universitários, seriam igualmente apresentados, na RTP1, SIC, TVI, assim como no canal “CM”, em horários e dias alternados. E nem esqueceríamos as Polícias e as Forças Armadas. Sim! Porque “em tempo de guerra, não se limpam armas”!
Já pensaram, no impacto que teriam os tanques e os helicópteros a passearem-se por Cabo Verde, por Angola, Kosovo, Grécia e pela Bósnia, anunciando marcas e negócios, como: sardinhas em conserva e os populares “pastéis de nata”? Bem como telemóveis, sabonetes, baterias e vinho verde? Como nas corridas de automóvel, os próprios soldados inscreveriam, nas costas dos uniformes, mensagens publicitárias de “venda e compra Ouro” e dos “shampoos” para cabelos espigados. E que tal, colocarmos os submarinos junto à costa, para viagens – submersas – turísticas? Vocês não acham, que se trata de um “Alto potencial de negócios”, com benefício para todos nós? Basta, para isso, reduzir ainda mais, os padrões da honra.
Cruz dos Santos
2013
Cruz dos Santos
2013
OS POLITICOS ESCONDEM A VERDADE COM ESTRANGEIRISMOS!
Os nossos políticos portugueses, ultimamente nos seus discursos defensivos, utilizam expressões em língua estrangeira, os chamados “estrangeirismos”, que além de dificultar não só a comunicação, também bloqueiam a interpretação desses mesmos discursos, deixando a maioria do povo cética e, simultaneamente, pasmada! Mas também há termos técnicos que não têm ainda uma tradução feita ou realizada para a nossa língua e que por serem específicos de uma determinada área (como a política) são usados pelos profissionais que a dominam. É que eles gostam de falar bonito e de “baralhar” o “Zé-Povinho”, como forma de exibicionismo e de esconder a verdade, nesta imensa floresta de epítetos, vocábulos, ditos conceituosos e prolóquios, cujo significado não se pode deduzir pelo simples e vulgar significado, independente dos termos, que constituem a frase. A interpretação à letra, levar-nos-ia a caminhos errados ou até mesmo ao vácuo. Estrangeirismos indiscriminados, que mais não são palavras importadas diretamente do léxico estrangeiraram, para exprimir noções que pela primeira vez surgem na cultura portuguesa ou para designar o nome de objetos. Tradicionalmente, temos chamado anglicismos às palavras de origem inglesa e galicismos às palavras de origem francesa. Certas palavras são aportuguesadas fonológica e graficamente (chapéu, sutiã) enquanto outras conservam-se nas suas formas originais (laser, catering). Essas mesmas “Estrangeirices”, são introduzidas na Língua Portuguesa através de fatores históricos, socioculturais, políticos, avanços tecnológicos, relações comerciais ou, simplesmente, por modismos. Assim, temos atualmente o uso indiscriminado de algumas delas, como por exemplo os“Briefings”, os “Swaps”, as “SCUTs”, as “off-swores” e tantas outras. Deste modo, os políticos quando confrontados com questões que lhes causam incómodo, refugiam-se no uso exacerbado de palavras a cujo significado não acede, de imediato, grande parte da população - que ainda os ouve - dando azo ao multiplicar de dúvidas que conduzem a mais e maiores incertezas que vão esboroando a esperança dos portugueses.
C. dos Santos
2013
06/09/2013
MARISCOS
Depois de alguns amigos que habitualmente se reuniam no Pingo Bar, tivemos o convite do Octávio Diniz, que no dia 09 de Outubro do ano de 1976, um sábado, estava a programar um jantar na sua casa, ali no Castelo de São Jorge onde esse grande amigo residia.
Nascimento fica encarregue da compra no mercado da Ribeira das Sapateiras e dos Camarões e outros Mariscos. O Octávio fica encarregue de se abastecer com as cervejas e com o vinho.
Dona Elvira esposa do Octávio sempre prestimosa e como boa cozinheira trata de confecionar um frango de fricassé como ela sabe.
Dos convidados para o jantar como lógico os donos da casa e o pai do Octávio o avô Diniz, Maria Augusta, José Manuel Mendes que estava de férias, vindo de Angola onde ainda trabalhava na Petrofina ( companhia de Petróleos que deu lugar à Sonangol), Nascimento , José Antunes, Carvalheira e um primo do Octávio que trabalhava na Companhia de Caminhos de Ferro Portugueses, nas Escadinhas do Duque ali no Rossio.
Nesse jantar também estiveram presentes a Marinha na altura minha namorada, mais o irmão Manel e a esposa filha do Octávio, a Nélita que tinham vindo de Guimarães.
Tudo preparado deu-se a degustação da mariscada que estava deliciosa e bem condimentada com aquela pitada de gindungo que só o Nascimento sabe.
Dona Elvira entretanto continuava a cozinhar o seu célebre frango de fricassé para depois se jantar.
Começamos a degustar os quitutes aí para as 18h00, terminando este saboroso pitéu pelas 21h00, Jantando de seguida, o que com a conversa que se entabulou, terminaria tão bela refeição perto da meia noite.
Depois alguns de nós ainda fomos á nova Cervejaria SANOZAMA ( lido ao contrário é Amazonas ), que havia sido inaugurada poucos dias antes e lá começaram a se encontrar muitos amigos de África, principalmente amigos de Luanda, cervejaria essa que era do nosso amigo, dono do Amazonas de Luanda, situado na Av. dos Restauradores, o Senhor Caldeira.
A convite dele ainda fomos beber um digestivo á boite Noturno 76 de quem também já era proprietário.
Zé Antunes
1976
02/09/2013
TARIQUE
A morte de Tarique dos Santos Van-Dúnem Aparício deixou Luanda mais pobre. Com ele partiu a Luanda que tinha a capital no Baleizão, onde apoiou tertúlias de jornalistas e homens de letras ou desportistas. No adeus, familiares e amigos disseram que perderam uma parte importante das suas vidas.
Entre os que foram dizer adeus a Tarique estiveram o general Helder Vieira Dias “Kopelipa”, Aldemiro Vaz da Conceição, José Van-Dúnem, ministro da Saúde, general Roberto Leal Monteiro, “Ngongo”, Rui Mingas, José Tavares, presidente da Comissão Administrativa de Luanda, embaixador Kiambata, general Cândido Van-Dúnem, ministro da Defesa e muitas figuras da política, da cultura e do desporto.
Dor, luto e lágrimas marcaram ontem em Luanda o ambiente que envolveu as exéquias fúnebres do nacionalista e empresário Tarique dos Santos Van-Dúnem Aparício. Filho ilustre da Ilha do Cabo deixa órfãos os ilhéus e amigos que ao longo da vida com ele conviveram.
O cortejo fúnebre partiu do Quartel Principal dos Bombeiros para o Cemitério do Alto das Cruzes. O sentimento de dor era visível no rosto de familiares e todos os que tiveram o privilégio de conviver com Tarique e receber dele o seu amor, a sua amizade e a sua infinita bondade.
Seu amigo de longa data, o desportista e empresário Carlos Cardona afirmou que perdeu um grande amigo “um senhor que sabia respeitar a amizade e tinha um grande respeito pelos valores humanos”.
Cardona disse à nossa reportagem que “não lhe conhecia um inimigo e ele tudo fazia para atender todas as pessoas que lhe batiam à porta procurando de ajuda. Nunca recusou a mão a ninguém”.
Carlos Cardona recordou que um dia antes da morte de Tarique, ambos partilharam um convívio agradável: “gostava que o amigo fosse recordado como um homem do povo”. E concluiu: “este homem com quem estabeleci uma amizade de mais de 60 anos jamais virou cara aos pobres e oprimidos”.
Pensamento idêntico tem a ministra da Cultura. Com o rosto triste e parca em palavras, Rosa Cruz e Silva recordou Tarique como um “bom cidadão e patriota”.
Homem multifacetado e um verdadeiro mecenas da Cultura, ele inscreveu também o seu nome na lista dos membros fundadores da Associação Cultural Chá de Caxinde. Jacques dos Santos lembrou a homenagem que lhe foi feita há um mês pelo contributo prestado à instituição. Lamentou a sua morte e realçou que perdeu um amigo e irmão mais velho.
“O momento é de dor e de luto em memória de um amigo que deve ser um exemplo a seguir, sobretudo nos nossos dias onde o verdadeiro sentimento de amor ao próximo, a amizade e a solidariedade estão a desaparecer”, disse.
O comandante “Ingo”, figura lendária da luta de libertação nacional, lembra que Tarique, no desporto, tinha dois amores, um escondido e outro à vista de todos: “ele amava o Atlético. Saía de casa dizendo que ia para o Sporting mais juntava-se a nós no Atlético, onde deu os primeiros passos na luta anti-colonial”.
O caixão de Tarique Aparício foi à Ilha, parou em frente ao Quintal da Tia Guida, seguiu até ao Farol e regressou. Fez mais uma paragem em frente ao seu Baleizão, a cervejaria de Luanda onde eram fabricados os melhores gelados do mundo. Até à Independência Nacional, baleizão em Angola e até em Portugal era sinómimo de gelado. Tudo obra do Tarique. Além do dirigismo desportivo, Tarique também foi um dos fundadores da Academia do Bacalhau.
O Bispo de Cabinda, D. Filomeno Vieira Dias, rezou a missa de corpo presente. “Os que acreditam na ressurreição, a vida não termina por aqui” e realçou que o “momento é de comunhão com a família e de nos despedirmos do nosso querido irmão”.
O prelado falou sobre a capacidade de pensamento, do sentimento de fraternidade que deve prevalecer entre as pessoas e lembrou que a fé tem um princípio que transcende a vida.
“Para todos os que sentem a tristeza pelo desaparecimento do Tarique peço que rezem pela alma do irmão que partiu para o descanso eterno”, disse D. Filomeno Vieira Dias, que aproveitou a ocasião para citar uma passagem bíblica: “Quem crê em mim viverá”.
Sportinguista ferrenho, o clube do coração de Tarique, o Sporting que tanto amou também se associou às exéquias fúnebres. Na hora da despedida, um grupo de promessas do Sporting Clube de Luanda rendeu-lhe uma singela homenagem. A urna foi coberta com uma bandeira gigante do clube, um desejo que ele nunca escondeu.
“Foi para nós um pai e conselheiro, um verdadeiro amigo de todas as horas que vai sempre fazer parte das nossas vidas”, disse um jovem atleta do clube leonino. Foi até a morte o sportinguista número um. Desde 1975 que fazia parte da direção do clube, à qual presidiu muitos anos. Homem infinitamente bom, Tarique foi um grande empresário, mas também um nacionalista convicto e empenhado.
Percurso de uma vida, nascido em Luanda, no dia 30 de Maio de 1934, Tarique dos Santos Van-Dúnem Aparício, foi comerciante e industrial de grande mérito. Foi também um homem que se destacou no desporto. O seu rasgo como empresário fez do Baleizão o ex-libris da cidade de Luanda. Mas isso só foi possível porque o Tarique amava esta cidade como nunca ninguém amou. Ele dizia aos amigos: “só ama Luanda quem é capaz de viver as suas madrugadas”. Conhecia Luanda desde a primeira hora do dia à última noite. Descobriu todos os seus encantos, desde a sua bem amada Ilha do Cabo à terra vermelha dos musseques.
Ainda criança entrou para a escola do Grémio Africano. Nessa altura sua mãe, Madalena Inácio, e o pai, José Maria Aparício, viviam na Praia do Bispo. “Quando estávamos nos pioneiros do MPLA, levávamos grandes baldes de gelados para as crianças da Praia do Bispo. Era uma forma do pai Tarique recordar a sua infância”, recorda a filha Ana Maria.
Depois de ter concluído o ensino liceal, no Salvador Correia, decidiu ajudar o pai no Baleizão. Tinha 17 anos e os seus mestres vaticinavam-lhe uma carreira brilhante. Preferiu trabalhar para a família. Tomou conta dos negócios de José Maria Aparício e revelou-se um grande empresário.
Ao ler o elogio fúnebre, Ladislau Silva, assessor do Governo da Província de Luanda, destacou que “Tarique percorreu todos os caminhos da cidade e neles descobriu os mil afetos que o moldaram como homem infinitamente bom”.
Uma parte da velha cidade morreu com este homem que foi um dos mais ilustres luandenses.
Recebi do Walter Sério
2013
TEMOS DE AGIR JÁ, E...SEM MEDO!
Portugal precisa de conservar a coragem, que já demonstrou em épocas Históricas. Não tem que ter medo. Ninguém vai expulsar Portugal do euro. Portugal soube marcar bem as fronteiras em não aceitar todas as imposições. Porque quando chega a uma situação de elevado desemprego jovem e em que as pessoas não têm grande esperanças nem expectativas, estas, acabam por revoltar-se e, com razão! Nós portugueses, temos que reclamar! Ou seja, temos de pôr de parte as telenovelas, "mandar à fava" os "famosos" e os "craques" da bola e sair à rua para exigirmos justiça e igualdade para todos. Aquela mesma equidade, que é referida na Constituição da República, no seu Artigo 13º "Princípio de Igualdade". Portanto, não podemos permitir, que tudo se mantenha como até aqui. É preciso que os políticos tenham vergonha na cara, não só por deixarem o país neste estado, como deixarem de mentir ao povo, através de promessas eleitoralistas.
Meus Senhores, temos - todos juntos- que combater a corrupção, denunciando, sem medo, às Entidades Policiais e responsáveis destes crimes, todos aqueles que deixam de cumprir com as suas obrigações, porque com os níveis de corrupção elevados, que ultimamente se tem vindo a registar, estaremos definitivamente não só arredados dos caminhos de desenvolvimento, como nunca mais nos livramos desta maldita crise. Os culpados desse descalabro défice financeiro, deveriam ser chamados a explicar aos portugueses, onde foram gastos todos esses milhões, este brutal desperdício de dinheiro. Numa linguagem mais simples, mas igualmente rigorosa, nunca na história moderna do nosso país, tão pouca gente estragou tanto dinheiro em tão pouco tempo! "O combate à corrupção, é uma tarefa que deve ser iniciada já! É um combate colectivo e constitui uma maratona. É um exercício de resistência para aqueles que o abraçam". A intervenção ao nível dos efeitos sociais, económicos e políticos da corrupção, implica o funcionamento da Justiça, com a consequente punição dos corruptores, ou seja, dos "ladrões"! Mas também medidas, que permitam ao Estado português, recuperar os bens que nos têm vindo a ser "roubados" pela via da corrupção. Estes "mafiosos" de colarinho sujo, não podem estar a viver em grandes mansões luxuosas e a fazerem-se transportar em luxuosas viaturas "top-gama", à nossa custa!
Pensem nisso!
Cruz dos Santos
2013
Meus Senhores, temos - todos juntos- que combater a corrupção, denunciando, sem medo, às Entidades Policiais e responsáveis destes crimes, todos aqueles que deixam de cumprir com as suas obrigações, porque com os níveis de corrupção elevados, que ultimamente se tem vindo a registar, estaremos definitivamente não só arredados dos caminhos de desenvolvimento, como nunca mais nos livramos desta maldita crise. Os culpados desse descalabro défice financeiro, deveriam ser chamados a explicar aos portugueses, onde foram gastos todos esses milhões, este brutal desperdício de dinheiro. Numa linguagem mais simples, mas igualmente rigorosa, nunca na história moderna do nosso país, tão pouca gente estragou tanto dinheiro em tão pouco tempo! "O combate à corrupção, é uma tarefa que deve ser iniciada já! É um combate colectivo e constitui uma maratona. É um exercício de resistência para aqueles que o abraçam". A intervenção ao nível dos efeitos sociais, económicos e políticos da corrupção, implica o funcionamento da Justiça, com a consequente punição dos corruptores, ou seja, dos "ladrões"! Mas também medidas, que permitam ao Estado português, recuperar os bens que nos têm vindo a ser "roubados" pela via da corrupção. Estes "mafiosos" de colarinho sujo, não podem estar a viver em grandes mansões luxuosas e a fazerem-se transportar em luxuosas viaturas "top-gama", à nossa custa!
Pensem nisso!
Cruz dos Santos
2013
BOM DIA LUANDA
Bom dia, Luanda. Tu és rica. Ficas à beira mar, tens uma praia de areias brancas, és cheia de música e o teu clima é tropical. Os teus habitantes são orgulhosos e belos. Quando se vai passear, ao fim da tarde, pelas tuas ruas,
fragmentos do seu português misturam- se com a música que retumba algures de um altifalante. Para quem quer acreditar nos prognósticos económicos, vais ter um futuro próspero. Então, porque é que as pessoas não gostam de ti? Porque é que não te conhecem? Porque é que tratas mal os teus visitantes?
Porque é que não te compreendem? Efetivamente, não é fácil conhecer-te.
As tuas ruas estão cheias de poeira e, muitas vezes, também de lixo. Buracos nas ruas do tamanho dos pneus de um camião, tampas de esgoto sem qualquer proteção já alguma vez uma criança caiu dentro de algum desses buracos?
Os engarrafamentos permanentes nas tuas ruas acabam todos os dias com os nervos das pessoas. E ter que ficar horas e horas na fila da bomba de gasolina, apesar das enormes reservas de petróleo frente à tua costa, não facilita o gostar de ti.
fragmentos do seu português misturam- se com a música que retumba algures de um altifalante. Para quem quer acreditar nos prognósticos económicos, vais ter um futuro próspero. Então, porque é que as pessoas não gostam de ti? Porque é que não te conhecem? Porque é que tratas mal os teus visitantes?
Porque é que não te compreendem? Efetivamente, não é fácil conhecer-te.
As tuas ruas estão cheias de poeira e, muitas vezes, também de lixo. Buracos nas ruas do tamanho dos pneus de um camião, tampas de esgoto sem qualquer proteção já alguma vez uma criança caiu dentro de algum desses buracos?
Os engarrafamentos permanentes nas tuas ruas acabam todos os dias com os nervos das pessoas. E ter que ficar horas e horas na fila da bomba de gasolina, apesar das enormes reservas de petróleo frente à tua costa, não facilita o gostar de ti.
Mesmo assim, tu consegues ser charmosa, consegues inspirar, relaxar, enfeitiçar.
Por exemplo, quando no centro da cidade, atrás de um dos teus gigantescos estaleiros, se entra no «A nossa Sombra », um pequeno jardim com uma esplanada-restaurante, para tomar um cafezinho e sentirmo-nos como num oásis.
Quando se está sentado na praia para ver o pôr do sol, a cidade nas costas, a música Kizomba no ouvido, o vento quente, levando consigo a pressão do dia, com a consciência de que algures, do outro lado do mar, está o Brasil.
Quando se vai de barco ao mar, ver os golfinhos deslizando na água. Quando se é convidado para ir a uma festa numa casa lá no alto, com vista sobre os telhados da cidade, observar as suas luzes a brilhar, não se quer estar em nenhum outro lugar do mundo.
Porque é que se sabe tão pouco de ti? Já tens 436 anos. Acabas de fazer anos. Em 1575, o comandante do navio português Paulo Dias de Novais veio com o primeiro grupo de colonos portugueses. Passaste por muita coisa desde então. Pela colonização portuguesa. Pelo fim do regime colonial. Pela guerra civil. Paz. Pessoas que fugiram. Pessoas que voltaram para construir o país e participar no boom económico. E hoje? Hoje as opiniões divergem. As pessoas ou te odeiam ou te amam. Dizem que és a cidade mais cara do mundo, reclamam contra a tua corrupção, e a maior parte das vezes só falam mal de ti.
Para te compreender e talvez até gostar de ti é preciso conquistar- te e descobrir-te. É preciso ir para o lado menos elegante da Ilha e comer peixe na Tia Luísa. Ela deixa marinar o peixe em sumo de limão antes de o pôr na pequena grelha encostada à parede, o quintal com telhado de zinco feito «restaurante », transforma o peixe no mais delicioso que alguma vez se comeu.
Sentar no parque ao lado da casa do Presidente no Miramar onde à tarde a rapaziada do bairro vem jogar basquetebol.
Ouvir a música do tempo antes da independência, em 1975, que os mais velhos voltam a tocar ao domingo à tarde no café. Abrir os olhos. Descobrir os azulejos dos letreiros das ruas do tempo dos portugueses. Divagar pelos teus cinemas ao ar livre que se podem visitar, mas que já não funcionam. Escutar o teu barulho.
Os pregões das peixeiras e o ronco dos motores, permanentemente ligados, dos carros estacionados para que os motoristas sentados lá dentro se possam refrescar no ar condicionado. Sentir o teu cheiro, o oceano e o aroma fresco da terra depois de um aguaceiro, tanto como o lixo presente em quase todo o lado.
Encontrar os teus habitantes e falar com eles. Os teus artistas, pensadores, pintores, poetas, atores, músicos. Ouvir as suas histórias e as suas vidas.
Luanda, precisamente. Cidade portuária. Cidade do petróleo. Cidade do boom. E logo depois de São Paulo e do Rio de Janeiro a terceira maior cidade lusófona do mundo. Tu mexes com as pessoas. Vale a pena o esforço de te conquistar.
Recebi via mail
Christiane Schulte
Diretora do Instituto Cultural Alemão /
Goethe-Institut Angola
2013
Subscrever:
Mensagens (Atom)