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22/09/2013

MUSSULO

A ilha do Mussulo é, de facto, uma península e um conjunto de pequenas ilhas.
O Mussulo é um banco de areia com cerca de 30 km de comprimento formado pelos sedimentos do rio Cuanza, na costa sul de Luanda, em Angola.

A restinga do Mussulo abriga a baía do Mussulo que alberga três ilhas no seu interior, sendo a ilha dos Padres a maior e mais conhecida. Local de descanso e de relaxamento para luandenses e visitantes, as belas praias do Mussulo — onde se chega de barco, viagem de 15 minutos do ancoradouro de Luanda na Corimba — estão protegidas pela sombra de centenas de coqueiros. As águas calmas da baía favorecem a prática de desportos aquáticos.


















 Ancoradouro na praia da Corimba ( foto net )



 Embarque para a Ilha ( foto net )



Do outro lado da restinga, voltada para o Oceano Atlântico, há uma imensa praia de areia branca, praticamente deserta. ( net ).



O primeiro barco foi o Caposoka, depois o kitoco e mais tarde outro igual ao kitoco que era o kileva.
Que saudades dos acampamentos de fim de semana na Ilha do Mussulo. Tendas e mochilas, mais vezes só com mochila e uma toalha de praia, pois com o calor tropical as noites apesar de frescas eram agradáveis e dormíamos mesmo só em cima de uma toalha estendida na areia dourada.
Nas mochilas acomodávamos os bens comestíveis, á base e sempre de enlatados, para as bebidas transportávamos uma geleira, com alguma carne congelada e as bebidas, valia-nos muitas vezes pescadores que seguiam a sua navegação numa tarefa constante de apanhar o peixe dócil, e que nos roçava as pernas, vendiam-nos alguns e muitas vezes nós próprios pescávamos, havia sempre alguém do nosso grupo que se dedicava á pesca.


SAUDADES!!! “as garoupas, o Peixe galo”



Caposoka




No sábado logo cedo, mesmo ainda de madrugada, já estávamos no pontão á espera dos barcos que faziam as travessias da Corimba até à Ilha. Esses barcos eram o Caposoka depois o Kitoco e mais tarde outro igual ao Kitoco que era o Kileva.
Embarcava-mos e chegando á Ilha, procurava-mos uma boa zona para armar as tendas, e cuidar dos mantimentos.


SAUDADES!!! “aquelas águas “




Praia Paradísiaca

Muitos de nós já namorava-mos e algumas garinas também iam com os seus namorados, outras iam ter connosco na companhia de seus pais, normalmente iam só ao Domingo.

A rapaziada queria era mesmo um fim de semana na maior curtição.


Já havia alguma erva ( liamba ) a circular e muitos já fumavam o seu charro.

Á tardinha,  a ver o pôr do Sol, lindo maravilhoso, procurava-mos alguma lenha da vegetação existente, fazia-mos uma fogueira e já noite ali ficava-mos a ouvir alguém com dotes musicais, que levava a sua viola, tocava-se e cantava-se música da época até altas horas da madrugada.
Praia Paradísiaca



No domingo logo de manhã acordava-mos com o barulho da chegada de outros banhistas, que vieram também, para descansarem, pescarem, passarem um domingo nas paradisíacas águas da Ilha do Mussulo.



SAUDADES!!! “aquelas areias douradas“

 

O pessoal que esteve toda a noite acordada queria dormir mais um cochito, já não podia devido ao barulho, das cada vez mais pessoas que chegavam. Azar nosso que tínhamos que nos levantar e começar a preparar algo para se comer, preparar as sandochas á base de atum, queijo, fiambre, ovo cozido etc. etc.


Mas para nossa sorte havia sempre a mãe duma kivita nossa amiga que nos oferecia do seu almoço quentinho feito de madrugada / arroz de frango ) Rissóis. Pasteis de bacalhau e empadas de galinha.
Também nas brasas que se acendiam, alguns cotas ofereciam, ou frango no churrasco, bifanas, entrecosto, Também compravam aos pescadores e grelhavam postas de peixe Macoa que era o mais procurado, peixe que chega a medir até 1,24 metros e a pesar 32 kg. tudo bem temperado com o puro e genuíno gindungo.


AI UÉ SAUDADES!!! “dos quitutes“


Como bons rapazes agradecíamos e ficávamos até menos tímidos e entabulávamos logo ali conversa com as garinas e com os mais velhos 





Tenho SAUDADES!!! “desse tempo“



 ZÉ ANTUNES

1975




OS MADIÉS


O embarque para Angola, no cais de Conde de Óbidos, no paquete «Vera Cruz», deu-se a 30 de Novembro de 1970, com chegada a Luanda a 9 de Dezembro. Nessa viagem foram alguns militares e civis.

A viagem decorreu durante nove infindáveis dias, pela velha rota das caravelas, onde a rotina a bordo, era o ritual das refeições, passeios pelo barco, poses fotográficas, à noite cinema e convívios no bar, e muito jogo do quino ( hoje chamado Bingo ).

A bordo existiam três classes nos paquetes transatlânticos, sendo a primeira classe destinada aos oficiais, a segunda aos sargentos e a terceira às praças. Os civis viajavam ou em 2ª classe ou em 1ª classe.


Linha imaginária do Equador

Sei que às 20 horas a tripulação do navio fez a festa tradicional, que se faz em todas as embarcações que cruzam a linha imaginária do equador, a festa de Neptuno. A tradição disse que todo o barco que cruza esta linha tem que pedir permissão a Neptuno, o deus dos mares. Diz também que todos os marinheiros que cruzam o Equador pela primeira vez devem ser “batizados” e submetidos a um ritual de iniciação com festas e tudo mais.

Neptuno ( Poseidon ) - Deus das Águas

A passagem pela linha do equador também foi assinalada com uma festa a bordo, em que participaram vários militares e civis, com dotes artísticos. Havia acordeonistas, guitarristas, fadistas, enfim artistas para quase todos os gostos, foi também eleita entre os passageiros do sexo feminino, a rainha da viagem, enfeitou-se o convés do Paquete e foi festa até altas horas da madrugada.

Por do sol na linha imaginária do Equador

Nessa viagem conheci a Mary que nasceu em França, tinha 16 anos , viajava ela e a mãe, que iam ter com o pai que já estava em Angola na cidade de Cabinda e que trabalhava para uma companhia petrolífera, a Cabinda Gulf.

Viajava com ela também uma prima, que ficaria em Luanda.

Conheci também três madiés que viajavam sozinhos e que iam para Luanda, e para casa de um tio que residia no Bairro da Cuca. Engraçado é que eu e meus irmãos, três rapazes e uma rapariga, com eles os três e mais a Mary, fizemos a viagem sempre a convivermos, desde a piscina até ás festas, ou mesmo a jogar ao Bingo, ou ás cartas.

Esses avilos eram o Adriano, o mais velho de 19 anos de idade, o Luís com 18 anos e o Carlos com a mesma idade que eu, com 15 anos.

Como era a primeira vez que viajavam para Luanda e de Transatlântico e ávidos para saber tudo relacionado com Angola, e sabendo que eu e a minha família vivia-mos em Luanda, durante a viagem iam-me pedindo informações do que eu sabia, não lhes dava muitas informações pois também era kandengue e sabia pouco do que queriam saber, mas apesar dos meus 15 anos lá os ia informando.

Entretanto o Luís apaixonou-se da Mary, na festa da passagem da linha imaginária do Equador começaram a namorar.

Chegados a Luanda e passados alguns meses, Março de 1971, o Luís já estava em Cabinda, junto do seu grande amor.

Os outros irmãos ficaram com os tios que entretanto saíram do Bº. da Cuca e foram residir para o Bº. Da Vila Alice. O Adriano começou a trabalhar na F.T.U. ( Fábrica de Tabacos Ultramarina ), mas passados pouco tempo, em Janeiro de 1973 teve que se apresentar no Regimento Militar de Luanda para cumprir o Serviço Militar e foi fazer a recruta a Nova Lisboa, vindo depois a ser integrado nos Comandos, no Quartel do Cazenga.

O Carlos foi acabar os estudos ao Liceu Salvador Correia, até ao ano de 1974, ia-mos tendo os contactos uns dos outros e ia-mos convivendo e vivendo a nossa juventude. Eu continuei os estudos na Escola Indústrial de Luanda. Nas farras de Luanda nos Clubes, encontrava-me muitas vezes com o Adriano e com o Carlos. Depois comecei também a trabalhar na Represental e a disponibilidade começou a ser pouca, mas de quando em vez lá nos reunia-mos e em bom convívio fazia-mos umas patuscadas principalmente no Bar Cravo e no Bar do Matias o São João.

Dá-se o 25 de Abril e começam os conflitos em Luanda, Luta Armada entre os três movimentos. Nunca mais vi os Madiés.

Ponte aérea em 1975 a quando da descolonização e tudo a regressar a Portugal e em Agosto encontro o Adriano que me diz que o Luis tinha falecido em Cabinda, no meio de um tiroteio, a esposa a Mary foi com os pais para a Venezuela, o Carlos foi para o Algarve, e o Adriano ficou por Lisboa, como todos à procura de trabalho, lá ia arranjando trabalho sazonal (esteve empregado na Feira Popular).

Até ao ano de 1978 ainda nos ia-mos nos encontrando ali na famosa Praça do Rossio, mas nessa data ele teve que ir para Aveiro, pois seu pai devido à sua avançada e idade e da doença que padecia ( diabetes ) tinha falecido.

O tempo foi passando, a vida dá muitas voltas, depois de tantos anos e através das redes sociais (facebook, Sanzalangola, Mazungue, etc. ) vão dizendo onde os nossos amigos se encontram. Foi o caso do Adriano, depois de tantos anos sem contacto um com o outro, eis que por mero acaso nos encontramos no Sanzalangola e logo de seguida se combinou uma grande almoçarada, no sitio do costume, no sitio do antigamente, ali na Praça D. Pedro IV, mas para quem veio de África é mais conhecida com Praça do Rossio.

Agora é só marcarmos encontros com outros avilos e estamos a conviver como antigamente, é certo todos um pouco mais cotas, mas com aquele espirito jovem que sempre tivemos.

ZÉ ANTUNES

1970



18/09/2013

FRANCAMENTE! VIVEMOS CADA VEZ MAIS POBRES!



Centenas de milhares de famílias não conseguem, hoje, pagar os seus compromissos bancários. O desemprego, tem “atirado”, com muitos portugueses, fora das suas habitações e levadas ao desespero. Esta tragédia, é o resultado da impreparação de muitos cidadãos (honestos e sérios), como da cobiça irresponsável e sem limites, duma Banca que se aproveitou de tudo e todos. Milhares de professores, que ficaram este ano sem colocação. Diversos serviços em hospitais públicos, que foram encerrados. 

Milhares de portugueses, que sofrem e morrem, sem dinheiro para medicamentos e à fome. Centenas de Jovens estudantes, que ficaram este ano sem bolsas de estudo, sendo coagidos a deixar o Ensino. Milhares de jovens licenciados e bem qualificados (o futuro deste país), a serem obrigados a emigrar, porque para este governo, só há lugar para os seus amigos e correligionários. Seguem-se as rendas de casa, deste parco país acorrentado pela Troika e FMI. Sobre este assunto polémico, diz o ilustre Professor catedrático de matemática e doutorado em Engenharia Industrial, Paulo de Morais, o seguinte (passo a citar): “…temos milhares de portugueses a viver em casas alugadas com rendas antigas e que, por isso, não abdicam dos alugueres baixos, de cinquenta ou até cem euros. De que outra alternativa dispõem, se não há mercado de arrendamento a preços aceitáveis?
 
 Assim, ficam sentenciados a morar em casas, sem manutenção, se vão progressivamente degradando. Infelizmente, quando chegam ao fim de uma vida de trabalho, muitos portugueses, vivem em situação de insalubridade e até de insegurança. O congelamento das rendas, que aparentemente iria defender os inquilinos, revelou-se uma fraude. E as alterações legislativas dos últimos anos não resolveram problema nenhum”. Em contrapartida, são distribuídas casas e subsídios a uma "cáfila" de malandros - estrangeiros - que aqui se vem refugiar. Já lá dizia o Poeta António Aleixo: "Quem trabalha e mata a fome / Não come o pão de ninguém; / Mas quem não trabalha e come, / Come sempre o pão de alguém". 

Andam as crianças a ir para a escola sem tomar o pequeno-almoço porque há famílias que só têm dinheiro para pagar as rendas, para não dormirem na rua. Foram cortados os nossos subsídios (que tínhamos direito), para ajudar a pagar a dívida portuguesa ao estrangeiro. A agravar toda esta situação, há senhorios a viverem em grandes mansões (com duas ou três vivendas, casa de praia e campo); há outros, que vivem na miséria, a receberem módicas quantias de renda que mal chega para comer. Assim como acontece também com a maioria dos inquilinos, nomeadamente com a maioria dos idosos, que auferem reformas de miséria, e que se vêm agora confrontados com aumentos, que são um verdadeiro “roubo”, às suas parcas economias.
 
 A acrescentar a todo este descalabro, adiciona-se o aumento (dia sim, dia não), do preço dos combustíveis: gasolina e gasóleo; do gás e eletricidade; dos bens essenciais de consumo, a par do acréscimo de custos nos transportes públicos e da anulação dos descontos nos passes, para os idosos. Francamente! Resta-nos perguntar: como iremos sobreviver perante todas estas injustiças e dramas, cometidas por esta "Corja" de corruptos?

Cruz dos Santos

2013
 

IDÉIAS ÚTEIS PARA A "SALVAÇÃO NACIONAL"!


A economia portuguesa vive, há mais de dez anos, momentos dramáticos, face aos muitos riscos que está exposta. Até quando, é que deixamos de depender da “Troika”? Ou seja, do afluxo dos “fundos internacionais” (externos), para satisfazermos as nossas “necessidades básicas”, como seja, o pagamento de salários da função pública e pensões?
 
O impacto sente-se em toda a sociedade e todos temos casos dramáticos (uns mais que outros), porque todos, infelizmente, sentimos o peso desta “eterna” e maldita austeridade. E enquanto o país atrofia por causa das dívidas e da corrupção– uma vez que esta constitui a principal causa da crise em que nos sitiaram –os corruptos continuam impunes. Portugal obteve, nesta década, o vergonhoso título de campeão mundial do aumento da corrupção.
 
“Oitenta e três por cento dos cidadãos, acha que a corrupção aumentou nos últimos três anos e aponta como entidades mais corruptas o Parlamento e os partidos, justamente aquelas cuja missão deveria ser a de lutar contra o flagelo”. E é nestes “escombros” de suspeição, que a Justiça deve investigar e, com a competência que se lhe exige, perseguir os corruptores, para que o Estado recupere uma parte significativa do que estes “cavalheiros” roubaram aos portugueses. Como? Confiscando-lhes as fortunas, bem como as grandes “mansões” e luxuosas vivendas, automóveis “top-gama”, de grande cilindrada e outros bens. 

Meus Senhores: estamos cada vez mais apreendidos por penhora. Não nos resta outra alternativa, senão pormos ideias criativas a funcionar, que nos forneçam, enfim, lucros financeiros, para pudermos amortizar os “pesados” juros que estes “amigos”(?) do FMI e do Banco Mundial Europeu, nos tem vindo a cobrar.
 
Assim, se me permitem, aqui deixo algumas sugestões, para a “Salvação Nacional”: -o Parlamento poderia vender patrocínios. O Governo também. Vender-se-iam sessões parlamentares, uma a uma, segundo os temas em debate. Assim como reuniões do Conselho de Ministros; as dezenas de convites de acordo, com o Sr. Presidente da República, incluindo “moções de censura”, ameaças de saídas “irrevogáveis” e outras “criancices” análogas ao “Big Brother”! E, num sistema de Justiça tão carente de meios, os julgamentos em folhetins ou episódios. Cada Juiz venderia exclusivos às televisões, podendo alargar-se, conforme os crimes, a outros sectores. Missas, enterros, casamentos e exames universitários, seriam igualmente apresentados, na RTP1, SIC, TVI, assim como no canal “CM”, em horários e dias alternados. E nem esqueceríamos as Polícias e as Forças Armadas. Sim! Porque “em tempo de guerra, não se limpam armas”!
 
 Já pensaram, no impacto que teriam os tanques e os helicópteros a passearem-se por Cabo Verde, por Angola, Kosovo, Grécia e pela Bósnia, anunciando marcas e negócios, como: sardinhas em conserva e os populares “pastéis de nata”? Bem como telemóveis, sabonetes, baterias e vinho verde? Como nas corridas de automóvel, os próprios soldados inscreveriam, nas costas dos uniformes, mensagens publicitárias de “venda e compra Ouro” e dos “shampoos” para cabelos espigados. E que tal, colocarmos os submarinos junto à costa, para viagens – submersas – turísticas? Vocês não acham, que se trata de um “Alto potencial de negócios”, com benefício para todos nós?
 
Basta, para isso, reduzir ainda mais, os padrões da honra.
 Banga Ninito

2013

17/09/2013

TRIPLA DESGRAÇA...!!

  

José Francisco, transmontano de Mirandela, naquele tempo depois de findar a 2ª grande guerra, as dificuldades eram tantas que só imigrando se conseguia trabalho, ele com uma carta de chamada de um conterrâneo seu, nos anos de 1950 vai para Luanda – Angola.

Primeiro vai trabalhar para uma mercearia, depois estabelece-se por conta própria com o seu negócio de carnes.

Monta um Armazém frigorifico e ao lado a respetiva loja de carnes verdes nos arredores de Luanda mais precisamente no Cacuaco.

A vida é-lhe abençoada e a custo de muito trabalho consegue dar os estudos Universitários ao seu único filho, o meu grande amigo Pedro José que entrando no Serviço Militar em 1967 e numa emboscada nos Dembos, fica com o braço direito paralisado e com estilhaços de granada, estando o braço morto. Vem a ser submetido a várias intervenções médicas no hospital Militar na Estrela, onde depois de muito tempo consegue uma aposentação por invalidez e ruma a Luanda onde estavam seus pais, e vai ajudando no que consegue, e pode.

Nos acontecimentos do 25 de Abril, de 1974, vão para a África do Sul, mas regressam a Lisboa em Setembro de 1975, sem dinheiro e sem roupas, com a ajuda de alguns familiares e amigos e com um empréstimo difícil de obter, mas consegue o tão desejado empréstimo, para a compra de uma Quintinha em Pontével no Cartaxo, e dedica-se á criação de animais ( cabritos , porcos e duas vacas leiteiras, assim como algumas aves), tem terreno também para se dedicar á vinicultura.

O filho o Pedro José vai com a esposa para o Brasil.

Meu pai amigo de longa data do José Francisco, eram vizinhos em Trás os Montes em Mirandela, meu pai da Aguieiras , o José Francisco da Bouça.

Em Outubro de 1976 é convidado a reparar o telhado da habitação e dos anexos, empreitada que vai até perto do Natal desse ano.

José Francisco vai trabalhando, a vida sorri-lhe apesar dos seus 58 anos, diz que com o que tem já pode morrer, pois Dona Esmeralda é mulher para continuar com o trabalho na Quinta, e que ele não precisa de trabalhar tanto.

Numa bela noite de Verão do ano de 1987, Francisco José já com quase 70 anos de idade, e porque alguém andava a surripiar durante a noite as uvas e alguns frutos , e inclusive um Cabrito que desapareceu sem deixar rasto, o José Francisco andava de tocaia e a desgraça, veio nessa noite.

Um rapazito com 12 anos entrou na vinha, mas para fazer uma necessidade fisiológica, Francisco José dispara dois tiros da Caçadeira e baleia o miúdo que quando chega ao Hospital já está morto, o José Francisco logo ali vê a desgraça em que está metido, e só diz:

Eu só o queria assustar, eu só o queria assustar.....

Entrega-se à Guarda Nacional Republicana, vai a julgamento e o Juiz sentencia-o a 20 anos de prisão.

Dona Esmeralda sua esposa também já com 70 anos, não aguenta a solidão e em 1989 com uma depressão vem a falecer.

O Pedro José vem a Lisboa, com a esposa e dois filhos, ao funeral de sua mãe e tem um acidente de Viação em Santarém, que o atinge mortalmente, já no ano de 1990, sua esposa e filhos regressam ao Brasil

Francisco José com 7 anos de prisão efetiva, é internado no Hospital de Santa Maria, vindo a falecer em 1995.

Francisco José, Pedro José e Dona Esmeralda, pessoas de quem eu gostava, estejam onde estiverem, estejam em PAZ.

ZÉ ANTUNES

1995

16/09/2013

FESTIVAL DA SAPATEIRA









Há vários anos a esta parte, que no mês de Setembro em quase todos os Restaurantes, e Marisqueiras do Oeste concordaram entre si realizarem o Festival da Sapateira.

Todos os ano no mês de Setembro, os Empresários da Indústria Hoteleira, fazem em conjunto este Festival da Sapateira, para poderem escoar os seus produtos e conseguirem ganhar mais uns tostões, que a crise está ai e para ficar.

De 06 de Setembro a 06 de Outubro, realiza-se na zona oeste o Festival da Sapateira.

A 17ª edição do Festival da Sapateira está de volta à Praia de Santa Cruz, de 6 de Setembro a 6 de Outubro pode comer sapateira à discrição por apenas 15,50€ por pessoa.

Restaurantes aderentes:
Hotel Santa Cruz
La Fontana
O Navio
O Polvo
Saborear – Hostel Bar Esplanada
Vela d’ Ouro

Fim de semana de 14 e 15 de Setembro de 2013 na Praia do Navio, entre Santa Cruz e a Póvoa de Penafirme.

Sábado á tarde, calor de Verão, ainda estão muitos veraneantes de férias, ou então foram passar o fim de semana , é vê-los na praia a banharem-se nas águas frias do oceano Atlântico e a descansarem, nas toalhas estendidas nas areias finas e escaldantes.

Outros já estão todos nos Restaurantes, Cervejarias e Marisqueiras, os clientes por um custo tabelado, degustam quantas Sapateiras a sua barriguinha suportar, pede-se que não vale estragar, é o lema, as bebidas são pagas à parte.

O antigo Restaurante “ Navio “ na Praia do Navio, que era do conhecidíssimo na zona da Póvoa de Penafirme, o José Carlos da Póvoa de Além, estava velho, com mais de trinta anos, e por que não havia criatividade para cativar os clientes, foi com uma nova gerência que se fez obras, e o Restaurante “Navio” está todo modernaço, com uma arquitectura vanguardista, linhas direitas, arquitectura actual.

A sala do Restaurante enche-se depressa, todos querem ficar junto ás vidraças que dão vista para a esplanada e para a praia, onde ainda se encontram muitas pessoas, apesar de a noite estar a chegar bem depressinha, outros ainda ficam na esplanada porque estão a fumar.

No nosso grupo, constituído por 17 pessoas, só havia lugar para 13, os ouros 4 ficariam numa mesa á parte, sem sermos supersticiosos, mas ninguém quer 13 pessoas á mesa, dizem logo: para o ano seguinte morre o mais velho, logo se resolve o problema, a gerência providência mais duas mesas que são colocadas em fila.

Noutras mesas , sentadas há pessoas que em circunstâncias normais, andariam por estes dias à volta com a lista de livros e manuais escolares, e a escolherem as mochilas para os filhos, pois está ai o inicio de mais um ano escolar.

Por esse motivo, aproveitou estes dias para se deliciarem com as Belas Sapateiras e as boas imperiais ( finos ) da Sagres ou da Super Book.

 






















Que Bela Sapateira ( foto Marco )


Convívio ameno, Sapateiras deliciosas e cerveja fresquinha, deu que o convívio se prolongou por mais um pouco de tempo e começou a haver um pouco de ansiedade, pois muitos viriam para Lisboa, e por todos aqueles que por causa da condução degustavam a Bela Sapateira e ingeriam líquidos tais como Sumol ou Coca Cola, o que diga-se de verdade, não joga lá muito bem, mas ficou “contratualizado” que alguém seria os condutores das Viaturas ( se conduzir não beba ).

Os proprietários e os funcionários deste local aprazível, não tiveram mãos a medir, passaram o dia a servir todos, sempre com um sorriso, e elegantemente vestidos com os seus aventais impecavelmente limpos.

Terminado este dia da Festival da Sapateira, dirigimo-nos para nossas habitações na esperança que em 2014 nos poderemos reunir de novo e conviver de novo neste gostoso e saboroso Festival


ZÉ ANTUNES

2013


JULGAR A POLITICA




Mas…o que é a política? Consultado o dicionário da Língua portuguesa “Porto Editor”, este diz que é a “ciência ou arte de governar uma nação; orientação administrativa de um governo”, etc.. Bom! O termo tem origem no grego “politiká”,uma derivação de “polis” que designa aquilo que é público. O significado de política, é muito abrangente e está, em geral, relacionado com aquilo que diz respeito ao espaço público.

E nós, como cidadãos, como qualquer cidadão português – pagadores de impostos – temos a possibilidade de “julgar” a política, uma coisa que diz respeito a todos. Sabemos que existe uma conceção, a do realismo político, segundo a qual a política está para além da moral e que não pode ser julgado moralmente. O problema de uma ética pública racional, é apenas o de encontrar critérios publicamente aceites, para provocar esse juízo. 

O sistema político é uma forma de governo que engloba instituições políticas para governar uma Nação. Monarquia e República são os sistemas políticos tradicionais. Dentro de cada um desses sistemas podem ainda haver variações significativas ao nível da organização. Por exemplo, o Brasil é uma “República Presidencialista”, enquanto Portugal é uma “República Parlamentarista”.

 Os vários estudiosos puseram a ênfase sobre os vários aspetos da valorização moral em ética pública. Os “utilitaristas”, centraram a sua atenção sobre a utilidade coletiva. Os políticos, segundo eles, são avaliados em relação aos benefícios coletivos que produzem.

Os “Kantianos” defenderam, que os princípios de uma sociedade justa, apenas podem nascer do diálogo, da convergência de pessoas racionais totalmente motivadas e que se encontram na mesma situação à partida. Segundo esta perspetiva, uma sociedade igualitária apenas poderá nascer de um diálogo racional, entre pessoas que tenham assumido uma posição igualitária, imparcial, e que se empenharam – seriamente – para alcançar um acordo. 

Deve existir honestidade de intenções, sem egoísmos, condicionalismos, ameaças, fraudes ou enganos. A finalidade da política é, então, a de defender estes limites contra as invasões por parte dos outros indivíduos mas, sobretudo, por parte do Estado. 

O conceito de direito, foi elaborado como defesa contra o Estado totalitário, mas hoje também, como defesa contra a burocracia. É exatamente isto, que caracteriza a racionalidade moderna. O bom, não é aderir a uma outra “seita”, mas emerge da discussão racional, do pensar os critérios, do afrontar racionalmente os dilemas da vida pública.


C. Santos.

2013