Nunca houve tanta riqueza e, simultaneamente, tanta pobreza como hoje. Há mais pessoas a passar fome, hoje em dia, do que nunca houve em toda a História da Humanidade. E o seu número tem vindo a aumentar. Hoje, somos cerca de 7,2 mil milhões de seres, a estanciar neste Planeta. Em 2050, seremos perto de 10 mil milhões! Os números são avassaladores e revelam bem as razões da exaustão de recursos da Terra que habitamos.
Comemos, bebemos, respiramos, consumimos energia, poluímos, ocupamos espaços, organizamo-nos cada vez mais em cidades, construímos e demolimos casas, dizimamos florestas - incendiando-as - abrimos estradas, construímos pontes, sacrificamos e matamos animais e matam-nos uns aos outros. Apatia, ilegalidade, acracia adoecem o nosso mundo. Com o poder, cresce a irresponsabilidade. Mais do que nunca, o "Caminho do Progresso" é indissociavelmente o "Caminho do Pior": mesmo sabendo disso, continuamos a avançar, criando desta forma, o abismo de todos os perigos.
Estamos a exaurir (esvaziar) este rico planeta de uma maneira tão sufocante, que nós próprios nos dividimos entre gente que não quer saber de tais assuntos, com medo de enlouquecer e gente obcecada com a visão inevitável de um Apocalipse. Reparem nas imagens "Infernais" e trágicas, que os canais televisivos nos transmitem diariamente: desde os acidentes mortais, a jovens mortos com armas químicas na Síria, ao flagelo criminoso dos incêndios que tem vindo a alastrar pelo mundo, à hipocrisia desses políticos causadores dessas mortes por negligência ou para servir ideologias de destruição. Destruição, mentiras e casos, são para eles "armas legítimas" para tomar o poder.
Há sempre, no meio de todas estas adversidades, dessas catástrofes, uma clara oposição de interesses, estratégias e alianças, que dividem e demarcam as posições, deste ou daquele país. Os interesses movem-se! No entanto, ninguém parece ter certezas sobre as consequências que poderão advir de todas estas divergências e, muito menos de uma guerra. Deus sabe como, na história e na pré-história, a "monstruosidade" pode prejudicar a Humanidade. Guerras mundiais, campos de massacre e morte de civis inocentes, de inúmeros deficientes, de...atrocidades horríveis.
Com o nosso Século, essa mesma "monstruosidade" também mudou de escala; é por milhões ou por dezenas de milhões que se têm de contar as vítimas. Os arsenais disponíveis podem, muitas vezes, arruinar a totalidade da terra, e nós trabalhamos sem parar em novas armas. Para satisfazer as necessidades sistematicamente renovadas e exacerbadas, destruímos a energia, sujamos a água, as espécies vivas, a matéria, o ar, os solos, prejudicamos os equilíbrios do nosso planeta e destruímos a saúde dos nossos filhos e netos.
Somos uns seres esquisitos, choramos as consequências, mas não somos capazes de averiguar as causas. Na verdade, não há causas sem consequências nem consequências sem causas.
Cruz dos Santos
2013
