TuneList - Make your site Live

10/11/2013

DIA DE SÃO MARTINHO

 
Dia 11 de Novembro, dia de São Martinho. Este dia é comemorado um pouco por todo o Portugal, junto às lareiras ou aquecedores. É o dia em que se vai à adega e se prova o vinho da última colheita.

Vinho Novo 

É um momento de convívio. Chama-se os amigos à adega, para beber um copo de "água-pé", e da bem afamada jeropiga, comer umas castanhas assadas num braseiro de pinhas, pondo muito sal por cima para estalar a casca da castanha e dar-lhe paladar algo salgado. É o popular Magusto. 

O Magusto de São Martinho comemora-se, celebrando-se o Outono, a chegada do tempo frio e a proximidade do Natal.

Castanhas assadas 

Provérbios e Frases de São Martinho 

"No dia de S. Martinho vai-se à adega e prova-se vinho." 

"Pelo S. Martinho mata o teu porco e bebe o teu vinho." 

"Pelo S. Martinho semeia favas e vinho." 

"Pelo S. Martinho, nem nado nem cabacinho." 

"Água-pé, castanhas e vinho, faz-se uma boa festa pelo S. Martinho." 

"Mais vale um castanheiro do que um saco com dinheiro." 

"No dia de S. Martinho fura o teu pipinho." 

"Do dia de S. Martinho ao Natal, o médico e o boticário enchem o teu bornal." 
"Pelo S. Martinho mata o teu porquinho e semeia o teu cebolinho." 

"Se o Inverno não erra caminho, tê-lo-ei pelo S. Martinho." 

"Se queres pasmar teu vizinho lavra, sacha e esterca pelo S. Martinho." 

"Dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho." 

"Dos Santos até ao Natal, é um saltinho de pardal." 

Lenda de São Martinho


"Num dia tempestuoso ia São Martinho, valoroso soldado, montado no seu cavalo, quando viu um mendigo quase nu, tremendo de frio, que lhe estendia a mão suplicante e gelada.

S. Martinho não hesitou: parou o cavalo, poisou a sua mão carinhosamente na do pobre e, em seguida, com a espada cortou ao meio a sua capa de militar, dando metade ao mendigo.

E, apesar de mal agasalhado e de chover torrencialmente, preparava-se para continuar o seu caminho, cheio de felicidade.
Mas, subitamente, a tempestade desfez-se, o céu ficou límpido e um sol de Estio inundou a terra de luz e calor.

Diz-se que Deus, para que não se apagasse da memória dos homens o ato de bondade praticado pelo Santo, todos os anos, nessa mesma época, cessa por alguns dias o tempo frio e o céu e a terra sorriem com a bênção dum sol quente e miraculoso, a que chamamos de Verão de São Martinho. 

 
ZÉ ANTUNES
 
2013

XI CONVÍVIO DE AMIGOS FERROVIÁRIOS DA Ex OFICINA DA BOAVISTA

 


Posto de Manutenção da Boavista ( Porto )


No passado dia 9 de Novembro, o pensamento dos antigos trabalhadores do Posto de Manutenção da Boavista era apenas um: dirigir-se atá à vila de Nine, para se juntarem aos seus amigos e companheiros no habitual encontro anual, que por tradição se realiza nesta época do ano. 

Desta vez o encontro dos trabalhadores das Ex-Oficinas da Boavista teve lugar no belo cenário que se avista do Restaurante “ Mélinha ” em Nine.

O encontro teve a organização do José Machado e do Arlindo de Sousa, tudo correu pelo melhor. Foi mais uma jornada onde as recordações e as memórias de cada um proporcionaram um regresso aos anos de 1980 e às imensas peripécias e acontecimentos daqueles saudosos tempos em que todos nós éramos rapazes com vinte e poucos anos e que nestas alturas estão sempre presentes.

E há sempre uma história para contar, um acontecimento para recordar. Uns são encarados com alegria, outros com alguma melancolia e saudade. Nestes momentos não há lugar para a tristeza. Só para a saudade… saudade, sobretudo, daqueles companheiros que tiveram a mesma vivência que nós, sofreram as mesmas tristezas, sorriram os mesmos sorrisos, mas que infelizmente a inexorável lei da vida já os levou da nossa companhia, impedindo que também eles pudessem rumar até Braga ( Nine ) nesse dia 9 de Novembro de 2013.

Aqui ficam gravadas as imagens desse convívio que foi memorável.

Neste almoço teve como é habitual a convidada Paula Teixeira, filha do nosso querido chefe TEIXEIRA.

Os restantes convidados foram:

-José Machado – Arlindo Sousa – Zé Antunes – José Manuel – José Matos – Américo Joaquim – Orlando Mendes – David Faria – Joaquim Coelho – António Silva – António Leal – Alberto Dias – António Luis Silva – Inácio Santos – Domingos Santos – Amilcar Sevilha – Jorge Ferrer Dias – F. Azevedo – Fernando Teixeira – José Pinheiro – Artur – Fernando Fernandes – Faustino Gomes – Joaquim Figueiredo – Macieirinha – Aires – Luiz Cerqueira – Narciso – Álvaro Francisco – Jaime Pereira – Luiz Rocha – Miguel Barbosa – Carlos Lourenço – João Silveira – Joaquim Ferreira – Augusto Leal – Carlos Arménio – Gaspar – José Carvalho – José Vieira – Carlos Passos – Joaquim Pereira – José Tavares.

A concentração maior deu-se na Estação ferroviária de Campanhã, depois foram entrando em Ermezinde e na Trofa, chegados a Nine, encaminhamo-nos para o Restaurante “MÉLINHA” uns de boleia, pois o Restaurante ainda dista uns três kilómetros da estação ferroviária.

Eu e o Augusto Leal fizemos o trajecto a pé mostrando que ainda estamos em grande forma.

Estes encontros fazem melhor do que qualquer medicamento, encontros como este não podem acabar" Já é o 11º Almoço "Adorei o convívio! Para o ano cá estarei!"

Falámos assim! Escrevemos assim! E muito mais! .... UI , nem vos conto!!!!

É o sentir, o viver, o amar de todos e de cada um! Um misto de saudades e nostalgia

Foi lindo, muuuuito lindo! Ver os rostos contentes, desejando mais e mais!

CONTAGIANTE!!!!!

 Que entusiasmo! E dissemos SIM. Haverá Mais! Sempre! Queremos estar juntos! SEMPRE!

P´RO ANO CÁ ESTAREI

Contando o Percurso..... reunimo-nos todos à porta do "RESTAURANTE" .... para ainda ver chegar os últimos, era vê-los chegar! aos grupos! Que espetáculo!

Por entre os abraços, a contar as novidades em grandes cavaqueiras, lá entramos e sentamo-nos mos lugares previamente reservados.

NATURALMENTE, houve o momento de homenagear os que já partiram e que serão sempre lembrados, foi guardado um minuto de silêncio.

Depois foram as entradas .... dobrada com feijão branco, feijão frade, arroz de cabidela, pataniscas de bacalhau, e uns pastelinhos de bacalhau! huuuuuuuuuuummmmmmm! Rissóis, variadíssimos enchidos e alheira de Mirandela.

Foi de seguida servido o famoso bacalhau “á Melinha “, seguidamente uma carne assada, com batatinha assada no forno de lenha, ambas as iguaeias estavam deliciosas.

A refeição foi excelente, um saborzinho.....e então regada com o tradicional vinho à portuguesa ... ai, senhor , que bom! ( também havia suminhos e águas para os mais delicados , ih ih ih!!!)

Serviu-se a sobremesa que constava de Pudim caseiro, frutas da época, macã assada e peras cozidas em vinho e um famoso leite creme.

EEEE...

Entre a galhofa, a cavaqueira, o recordar, as fotografias, foi passando o tempo....... feliz!

Brindámos à saúde dos companheiros que estão neste momento com alguma fragilidade ( é a crise… é a crise ) que esperamos seja passageira, àqueles que não puderam estar, por estarem doentes.

Um agradecimento sentido à organização que tem a doçura de nos proporcionar estes momentos inesquecíveis.

A debandada foi acontecendo aos poucos.....

P´RO ANO CÁ ESTAREI

é um desejo forte ...robusto como uma locomotiva a vapor.... Não podemos deixar escurecer aquele colorido !!!!!!!

A todos, um forte abraço. Tenhamos, todos, dias lindos!

Até breve!  Para todos um grande abraço do Zé Antunes 


ZÉ ANTUNES 
2013








ALDEIA ONDE NASCI

Nos tempos em que o meu avô materno, que nasceu e sempre viveu na Póvoa de Penafirme, nesta pequena aldeia situada perto da Praia de Santa Cruz, pertencente á freguesia de A-dos-Cunhados. Foi nessa aldeia que nasceu minha mãe, e mais tarde nasci eu. Antes de ir para África, ali minha mãe viveu até aos 20 anos.

O meu avô vivia numa casa feita de pedra, com as divisões em alvenaria, sem casa de banho, só em 1970 é que construíram a casa de banho e mais um quarto para o meu tio Zé, não tinha eletricidade, nem água da rede, nem esgotos, não tinha nada. Era á luz de uma candeia a petróleo que os iluminava e iam buscar água ao poço da aldeia. A casa tinha ao fundo do quintal umas capoeiras e umas arrecadações. Comia–se praticamente do que se cultivava na horta e dos animais que se criavam.

Matança do Porco na Aldeia ( foto net ) 

Quando era feita a matança de um porco, as carnes eram conservadas nas salgadeiras (arca feita em barro ou pedra que levava sal grosso), as bebidas eram metidas num poço com água, para ficarem frescas. O pão que se comia era feito pelos cereais moídos no moinho do Tio Fernando Moleiro, e eram cozidos num forno a lenha. Raramente se comia peixe, apenas quando aparecia o peixeiro e era só o peixe mais barato, peixelim, carapaus e caras de bacalhau. 

Na loja do Ti André, uma mercearia que tinha quase tudo, era onde as mulheres ( minhas tias e primas ) iam ás compras. 
Perto da casa do meu avô estava o Zé Crispim (padrinhos de minha mãe), dum lado um mini mercado do outro uma tasca à antiga portuguesa. 

Durante o Inverno, o aquecimento era ao lume da lareira e este servia também para, numa panela de ferro, fazer a comida. 
Muitas histórias contadas pelo meu avô que trabalhava no campo de sol a sol, para poder sustentar a família. Como não tinham dinheiro, não havia luxos. Os sapatos duravam uma vida e ainda cortavam a biqueira para dar para mais tempo. Não é do meu tempo, nem me lembro mas contaram-me que muitas vezes, andavam descalços. Era na taberna do Tio João Lourenço “Canino” que se juntavam para jogar às cartas e combinar as caçadas ( os caçadores ) ou as vindimas (os agricultores), Era ai que eu ficava quando vinha da Escola á tarde, a ver os filmes do Bonanza, e do Agente Secreto 99.

Serie do Bonanza ( foto net ) 

Na loja da ti Maria do Carmo, era os correios, os telefones, havia sempre um jornal ou uma revista para se ler.

“Moderníssimo” telefone instalado na casa da tia Maria do Carmo 
( foto net ) 

Quando se estava doente, eram os mais velhos ( medicina popular) que nos receitavam uns chás de ervas do campo. Curaram a perna do meu irmão que estava com uma valente ferida na canela. 

O meu avô democraticamente obrigava os filhos a irem para casa antes do pôr-do-sol, não deixava as filhas saírem sozinhas, nem ir a festas. ( quatro meninas e um rapaz ). 

O meio de transporte mais utilizado era a carroça puxada por burros, pois só os mais abastados é que tinham mota ou carro. 

Para eu ir estudar para a Escola em Torres Vedras, viajava nas Camionetas dos Claras.


Autocarro do Claras ( foto net ) 

Até á instrução primária, estudava-se na Póvoa de Penafirme que também tinha o Seminário no Convento. 

A malta nova frequentava muito, para beber o seu cafézinho e entabular umas conversas o Bar “Gaiato” 

Quando surgiu a luz elétrica na aldeia, minha avó para poupar só ligava a luz quando fosse preciso, meu avô gostava de tudo acesso e dizia que queria tudo iluminado pois tinha muito tempo de ficar no escuro quando morre-se. 

Era na taberna Perola da Póvoa do Manuel Custódio ( que é hoje a Churrasqueira da Povoa) onde se juntava mais pessoas, porque foi ai que instalaram a primeira televisão a preto e branco, e uma telefonia, para aos domingos ouvirem os relatos de futebol. Era ai que eu ia ler os jornais desportivos. E davam informações sobre os horário das carreiras dos Claras. 

A tasca do José Nogueira ficava numa transversal á rua principal e era onde os mais velhos iam jogar ás cartas e beber o seu copito. 

Ao lado da Serração do Albino havia a loja do Manuel Lourenço que vendia rações e algumas alfaias agrícolas. 

Mais tarde, depois do 25 de Abril de 1974, com a revolução em curso pavimentaram os acessos e ruas principais, hoje a Póvoa de Penafirme é uma aldeia modernizada, virada para a agricultura e para o turismo. 

Com a ajuda de todos foi fundada a “ COJOPE “ Comissão de Jovens de Penafirme, edificada ao lado da Padaria que cedeu os terrenos, para mais tarde as instalações serem ampliadas, e que existe até aos dias de hoje, e é onde as raparigas e rapazes, se divertem nos bailes, e onde todos os dias se convive. 

Aos domingos, todos com os seus fatos domingueiros, os habitantes principalmente os mais idosos, encaminhavam-se para o Convento onde iam assistir á missa.


Celebração da Santa Missa. ( foto net ) 

As festas em honra de Nossa Senhora da Graça, padroeira da Póvoa de Penafirme, muito venerada por um povo extremamente religioso, realizam-se no último domingo do mês de Julho de cada ano. 

Lembro-me ainda de uma oficina de bicicletas e motorizadas do José Luis que ficava ao pé da Maria do Carmo e mais tarde foi para a estrada nacional. 

Já nos anos 90, a Povoa de Penafirme teve um projeto para passar a freguesia. 

Perto da minha casa e na estrada que vai para o Vimeiro tem a moderníssima discoteca Faraó


Discoteca 

Esta é a minha aldeia onde vivi o ano de 1970 e depois de 1975, no meu regresso de Angola, e porque tenho lá família, e a casa da minha mãe, vou lá muitas vezes, passar os fins de semana. 


ZÉ ANTUNES 

1970

30/10/2013

“ARRE, QUE TANTA BESTA É MUITO POUCA GENTE”!


Disse o ilustre crítico e ensaísta literário Dr. Eduardo Lourenço: “Em que espelho se deve olhar a multidão de seres que perdeu o sentido de tudo, até mesmo o sentido do sentido? Se se olharem nos espelhos paralelos do seu próprio desespero sem finalidade, receberão na face a álea sombria e interminável de figuras gesticulantes e desatinadas como eles próprios”.

Estamos realmente a perder o sentido de tudo, num desespero de revolta e ódio, inimagináveis…porque estamos, constantemente, acusados de termos vivido acima das nossas possibilidades. Por isso cortam-nos no salário, e aumentam a idade da reforma. Acusam-nos de privilégios que nunca tivemos, metendo na gaveta “direitos adquiridos” porventura supérfluos. “Sacam-nos” os subsídios: férias e o décimo terceiro mês, flexibilizando despedimentos, rasurando feriados, aumentando impostos e rendas de casa, diminuindo o tempo de férias. Querem nos tirar agora os nossos fiéis Amigos - os nossos cãezinhos - pretendendo com isso roubar-nos a estabilidade emocional, impossibilitando-nos do convívio da sua presença e da paz, que estes seres, meigamente, nos oferecem. Que justiça é essa? Que mais facilmente condena um “pilha-galinhas”, do que um criminoso de colarinho branco. Cortam-nos na saúde, para garantir a saúde financeira dos bancos e as mordomias dos seus administradores. Mas está tudo bem! Como podemos justificar que está mal, se mais facilmente os portugueses se envolvem à pancada por causa de um jogo de futebol do que por este estado de coisas?
 
Como podemos sequer supor que a injustiça social seja um facto, se mais facilmente os portugueses se excitam com tricas domésticas entre figuras públicas, do que com o assalto de que são diariamente vítimas? O arrivismo que recrudesce é proporcional ao caciquismo que se instala, com suas oligarquias cada vez mais protegidas por um poder económico absolutamente desligado da sociedade. Um povo que vê tudo isto e entra no sistema, pedindo favores a toda a hora e alimentando a máquina que tanto critica…

“…Arre, que tanto é muito pouco! / Arre, que tanta besta é muito pouca gente! / Arre, que o Portugal que se vê é só isto! / Deixem ver o Portugal que não deixam ver! / Deixem que se veja, que esse é que é Portugal! / (...) Arre! Arre! / Oiçam bem: ARRRRRE!”
Álvaro de Campos (heterónimo de Fernando Pessoa)

 
Cruz dos santos

2013

 

24/10/2013

ISTO VAI DE MAL A PIOR!


Por toda a parte se fala, permanentemente, no desemprego. Enquanto se diverte o “pagode”, há milhares de pessoas, incluindo chefes de família com crianças e pessoas idosas a seu cargo, desempregados, que não sabem como agir a tanta aflição; que não sabem o que vão comer amanhã. Multidão de seres que lutam, solitários ou em família, para não “cair em desgraça”, ou pelo menos só em parte, ou só a pouco e pouco. Sem contar, na periferia, com os que, incontáveis, temem cair nessa situação e correm esse risco.
 
É a chamada miséria envergonhada! O mais grave, não é o desemprego em si, mas o sofrimento, a inquietude, a obsessão da tragédia…que julgam puder vir a enfrentar, dum momento pró outro. Este problema é gravíssimo. Está no centro das preocupações de todos, porque se trata de um drama catastrófico, penoso e delirante! 
Com as dificuldades conhecidas do Estado Social e a necessidade, urgente, de dar respostas à crise económica, resta saber como vamos enfrentar o crescimento da pobreza? E não é em tais circunstâncias de angústia coletiva que podemos buscar respostas muito mais eficazes e mais adequadas, se verificarmos que a nossa economia está em queda, diria mesmo, em ruína, desde os anos 80; que há uma reduzida taxa de natalidade, e um acentuado envelhecimento (longevidade) demográfica; que temos um Governo “desarmado” de poderes de intervenção económica, uma vez que estes foram transferidos para instituições europeias; que o universo de beneficiários de prestações públicas, é enormíssimo; que a “carga fiscal”, já é insustentável com o nosso nível de riqueza “per capita”, incluindo também o muito elevado peso da despesa pública (que o Governo, não decide “cortar”) e que portanto, num Estado “sem” poderes de intervenção e com uma economia falida, descontrolada, vai ser difícil meus Senhores, sairmos desse “buraco”, ou seja, dessa angustiante tragédia. Vamos de mal a pior!

Perguntam os Portugueses, por essas gigantescas manifestações de revolta, sobre o tempo necessário para que Portugal se liberte do “garrote” da imoralidade a que hoje está a ser submetido? Os políticos…Falam, falam e Nada dizem! Que corja de burlões!

Cruz dos Santos

2013

18/10/2013

MISCELÂNIA POLÍTICA


Dizia Miguel Torga: “Oiço e leio esta inflação de discursos, entrevistas e comunicações que toldam a atmosfera política do país, e fico agoniado. Somos na verdade uma “cambada” de primários, de temperamento e paixões à medida da nossa testa. Só nesta “santa terra”, é possível encontrar gente com mentalidade para acreditar que uma ideologia é uma opção mimética capaz de anular a realidade e negar a própria biologia”.
É este o país que temos. Um país “inflamado” de técnicos Economistas e comentadores políticos, que além de subjugar, explorar nos actuais governantes, pelas actuações que todos sabemos e…dolorosamente sentimos na pele e nos bolsos, reaparecem armados em “salvadores da Pátria”, com argumentos de peso, moralistas, prometendo acção ou efeito de inovar nos costumes, na educação, na ciência, com maior aperfeiçoamento e novidade…enquanto a austeridade soma e segue, com a aplicação de novos cortes na despesa social e nas pensões de miséria. No fundo, a lógica é a mesma. O país é pobre! Será? Ou há pobreza a mais para tanta riqueza, e essa é que é a “pobreza”? A pobreza mediática absoluta em que vivemos - sinal máximo da corrupção ética de uma certa elite que despreza estrategicamente a imaginação - conduz à pobreza de espírito profunda, representada…serão após serão, porta atrás porta, café após café, numa omnipresente televisão. Uma televisão patética e boçal na ficção e no entretenimento, e néscia na forma como usa a informação para dar crédito às demais javardices.
A nossa geração qualificada está arredada do mercado de trabalho porque a economia é pré-histórica e os direitos adquiridos criaram a casta dos que têm emprego para a vida e os que não têm nada. O sistema tratou de expulsar os mais novos. O sol e o bom tempo não enchem a barriga a ninguém...”Estratégia” é uma palavra desconhecida no país. Os portugueses têm a porcaria de líderes que querem. Estamos perante um povo que elege e apoia criminosos condenados. Isto não tem grande volta a dar...Já lá dizia António Aleixo: “Tu que vives na grandeza, / Se calçasses e vestisses / Daquilo que produzisses, / Andavas nu, com certeza”.

Cruz dos Santos 
 
2013


DISCOTECA 2001







Vagueando por Luanda recordo as gostosas noites quentes de luar, das rebitas e dos merengues no Kussunguila, na ilha de Luanda, a voz de Elias Dia Kimueso, Teta Lando, Mamukeuno era presença frequente no Kussunguila, e tantos outros cantores Angolanos a cantarem no Kussunguila, as agitadas idas ás discotecas do Animatógrafo, recordo ainda o Flamingo, o Quatro, o Hotel Costa do Sol, e muitas outras casas noturnas da nossa bela Luanda. Mas onde me sentia bem era no Kussunguila. Depois foi a debandada para Portugal.

Conheci já em Portugal a Discoteca 2001 no Autódromo do Estoril


A mais famosa discoteca em Portugal, é mesmo o 2001, inaugurado em 1973 no Autódromo do Estoril. Fica aberto até às quatro horas da madrugada e é onde toda a gente vem parar ao fim da noite. Talvez seja o primeiro lugar democrático na noite da capital, pois para entrar basta pagar à porta. O porteiro também não torce o nariz aos que não vêm acompanhados. Ao contrário das outras boîtes da moda, quem quer atacar a pista não precisa de par. É aqui, na dança, que todos os géneros se misturam. Este é o tempo do rock contra disco, mas também dos pré-punks e da new wave, dos atinados, o dos prá-frentex, dos freaks contra os malaicos. A identidade maioritária dos grupos juvenis começa agora a definir-se na iconografia da moda, e os comportamentos moldam-se ao som do que se ouve... A liberdade já passou por aqui. 

Foi uma instituição da noite de Cascais, catedral dos aficionados do rock. Esteve fechada algum tempo, reabriu em 2007, para alegria de todos os saudosos do tempo em que nas pistas de dança não se dançava apenas ao som de música eletrónica. 

O 2001 foi a primeira grande discoteca do País.

Discoteca 2001 interior ( foto net )

Este ano de 2013, em Outubro fará 40 anos, só comecei a ir ao 2001 em 1975 a quando da minha vinda de Angola, estava na berra e então eu, e mais alguns avilos de Luanda íamos lá para na descontração, convivermos, e com as garinas dar-mos um pé de dança, passar um bom serão. Noites bem passadas.

Lembro-me das colunas de som nunca vistas, eram novidades, e aquela cabine que fazem as delicias de qualquer DJ (ah aquele piano de luzes...)

Quando abriu, em 1973, muita juventude ficou com aquele vicio diário de ir àquela discoteca, valia tudo. De Lisboa, ia-se de comboio até ao Estoril e apanhava-se um táxi, ou ia-se de automóvel, sem qualquer preocupação no regresso, pois havia a certeza de ter sempre uma boleia de volta, nem que fosse apenas até à estação dos comboios.

Ainda me lembro de comer bons bifes pela madrugada ao som de David Bowie ou Lou Reed, nas caves de São José, ou no Pub o Barril, e lembro-me de quase todos, cada qual com a sua história especial, fosse uma nova namorada ou um record de velocidade na curva do Mónaco.

Quando penso, fico todo arrepiado, aquela reta final, a entrada do Autódromo e ao longe através da névoa das luzes que iam aumentando de intensidade, sair do carro e sentir a vibração nos ossos daquela música tão especial...Deep Purple, Van Zant, Asia, Nazareth, Dream Police, Rainbow, AC/DC, Aldo Nova, Ramones, e tantos, tantos outros..... 

Mas nem tudo se confinava aqui. A abertura política que se começa a fazer sentir nos primeiros anos da década de 70 rasga horizontes na juventude urbana, que se inquieta ao som dos Rolling Stones, Lou Reed, Peter Frampton e Roxy Music... também há o Reggae... e fuma-se erva, principalmente muita liamba. 

Depois ter que bater um coro ao Seixas, que alguns avilos já tinham mais de 16, e mesmo depois dos 18 ainda alguns terem que mostrar o B.I. por terem cara de kandengues ....QUE NERVOS....Os tickets de entrada a 30 escudos, que ganza. Os madiés sem kumbu.
Normalmente jantavamos no célebre PIC NIC no Rossio e com muitas amizades lá íamos, João da Lusolanda, Rui Machado, Paulo Alexandre, Luís Henriques, Zé Banqueiro, Zé Ideias, Resende, Fernando Transmontano e muitos outros sem contar obviamente com as namoradas que deixo incógnitas para evitar confusões. Apenas uma pequena menção á Manuela Pires ( Nela Peixeira ) e á Isabel Madruga ( Bé )....

...Tudo isto faz parte das nossas memórias dos anos 70 a 80.


Discoteca 2001 ( foto net )

Deve ser normal, pois tenho saudades de muita coisa do meu passado. Vivi fases boas e más, mas gostei sempre mais das fases em que vinha primeiro com a minha Mota 350 Honda, depois com o mini 1275, eu e o João da Lusolanda, e outros avilos ía-mos por aí fora, até onde queríamos. Hoje quando ouço as pessoas, a falar da suas vivências até me sinto um pouco desfasado, não sei. No entanto acho que vivi todas essas épocas da minha juventude de uma maneira intensa. 

"Puxar da guitarra" e dedilhar umas boas notas era a forma de exteriorizar o boomm que entrava pelo peito e batia forte na cabeça !!! Fazia-mos principalmente na praia de Carcavelos, como se estivesse-mos num pais tropical, como se estivesse-mos em Luanda, grandes noitadas na praia com umas garrafas de cervejas, e muita música. 

Ainda lá vou, de vez em quando, á discoteca 2001, matar saudades com amigos.

Festa da Cerveja em 2013

Depois, há sempre, grandes empreendedores que organizam, as festas que continuam a fazer da Discoteca 2001 um lugar memorável.

Festa do quadragésimo aniversário em 18 de Outubro 



Mensagem mandada por um dos responsáveis da 2001 postada no facebook

Em 1973, nasceram fantásticas bandas de rock, como os Cheap Trick, Journey, Ultravox, The Tubes, Quiet Riot, Television, Kiss, Bad Company, e…os incomparáveis AC/DC.

Nesse mesmo ano de 1973, foi lançado o álbum imortal, The Dark Side Of The Moon dos Pink Floyd, o Tubular Bells de Mike Oldfield, a Quadrophenia dos The Who, o álbum Aerosmith dos Aerosmith, Who Do We Think We Are dos Deep Purple, Billion Dollar Babies de Alice Cooper, ELO2 dos Electric Light Orchestra, Houses Of The Holy dos Led Zeppelin, Grand Hotel dos Procol Harum, Uriah Heep Live dos Uriah Heep.

Peter Frampton lançava o Frampton`s Camel onde pontificavam as faixas Lines On My Face e… Do You Feel Like We Do.

Os Nazareth lançavam os álbuns Razananaz e Loud`n`Proud, os ZZ TOP o álbum Tres Hombres com a inesquecível faixa La Grange e os Rolling Stones punham cá fora o álbum Goats Head Soup onde a faixa 5 do Lado 1, era nem mais nem menos do que Angie.

Ainda em 1973, entre outros, sairiam também, os álbuns Berlin de Lou Reed, Pin Ups de David Bowie, Sabath Bloddy Sabath dos Black Sabath, e Illusions On A Double Dimple dos Triumvirat.



Como se poderá verificar, 1973, foi um ano extraordinário, uma colheita de luxo, e não é por acaso que muitos o consideram o melhor ano da história do Rock, não bastasse para isso, apenas e só, o nascimento dos AC/DC.

Mas não se pense que o ano de 1973 ficava por aqui. O melhor ainda estava para vir.

Foi precisamente nesse ano, mais exatamente a 18 de Outubro, que nasceu o 2001.

Irreverente, rebelde, inovador, quebrou todas as regras, alterou costumes, impôs-se, cimentou raízes, e ultrapassou fronteiras.

Como a revista francesa Paris Match chegou a referir: “um fenómeno social”.

Ao longo de quatro décadas, aquela que é considerada unanimemente como a Catedral do Rock, constitui de forma indelével e inimitável – por muito que tentem imitar e copiar – um marco fundamental, o sustentáculo, e o verdadeiro baluarte do Rock.

No decorrer desta vida cheia e preenchida, destes quarenta anos incontáveis, onde as suas paredes se sentem e se respiram, onde a sua energia positiva transborda e contagia, têm acorrido em peregrinação, nobres e plebeus, ricos e pobres, fiéis de todos os credos e religiões, de todas as origens e proveniências, mas que ao transpor a porta do 2001, todos são iguais, todos têm os mesmos direitos e deveres, todos se unem numa comunhão perfeita, numa simbiose entre o sublime e o transcendental.

De geração em geração, de pais para filhos e para netos, todos guardam sem exceção, experiências únicas e inolvidáveis.

Inquestionavelmente, o 2001 faz parte das nossas vidas.
 
Quarenta anos volvidos e dobrados no tempo, mantendo inalterável – apesar de todas as dificuldades e vicissitudes – a sua traça e as suas raízes, a sua identidade e o seu carácter, o seu modo de ser e de pensar, o 2001, é muito mais do que uma Boite, uma Discoteca, um Rock Club, ou uma Catedral.

É reconhecidamente e sem qualquer dúvida, uma instituição, mas sobretudo, uma marca. Uma marca, que estes quarenta anos, solidificaram, fortaleceram e projetaram. Uma marca, que criou e potencializou, identidade, experiências emocionais, fidelização, confiança, capacidade de atração, sentimento de pertença, preferência, valor, fortaleza, notoriedade, capacidade de reconhecimento, cultura interna, posicionamento único no mercado, imagem, história, e por fim, missão. Em suma, uma marca de exceção.

Quando repetidamente se pergunta, qual o segredo do 2001, a resposta está aí.
Proteger, respeitar, e defender de forma firme e perseverante, se necessário com o sacrifício da nossa própria vida, a marca 2001.

Tudo isto, graças a todos vós. São todos vós, que estão de parabéns.

Quinta-feira a partir da meia-noite e sexta-feira, vamos comemorar os quarenta anos do 2001.

Uns, irão recordar e reviver velhos tempos, reencontrar amigos, ouvir e dançar as músicas que nunca esqueceram, e que legitimamente e por direito próprio só as sentem no 2001. Outros, irão viver o presente, com a alegria e o entusiasmo de todos os dias.
Mas todos, orgulhosamente e a poder dizer bem alto:

2001, SEMPRE!

Nani


ZÉ ANTUNES 
2013