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15/11/2013

BENFICA


JOSÉ ANTUNES GONÇALVES

Estimado Sócio nº 18530

Hoje assinalamos o 10.º aniversário da inauguração do Estádio da Luz, mas assinalamos 12 sobre o processo, difícil, muito difícil, que nos conduziu até lá. O dia 25 de Outubro de 2003 assinalou um final feliz numa caminhada cheia de obstáculos que poucos acreditaram ser possível de ultrapassar. Conto-me entre aqueles que sempre viram na construção do novo Estádio da Luz o ponto de viragem na recuperação do Clube, uma injeção de confiança e auto-estima absolutamente necessária para salvar um paciente em estado terminal.

Num tempo em que faltava tudo, havia muitas vozes que diziam ser uma loucura avançar para a construção de um novo estádio. Pois bem, eu era um desses “loucos” e orgulho-me de ter acompanhado um homem fundamental na história do novo Estádio da Luz e do Clube, Mário Dias. Teve a grande virtude de resistir e de acreditar sempre que era possível, e essa capacidade foi absolutamente notável. 

O Estádio da Luz foi uma batalha gigantesca travada em várias frentes. Sempre soube que o projeto era a única via de ressuscitar um clube que vivia amargurado e triste. Em tempos difíceis e de alguma descrença, espero que o 10.º aniversário do nosso estádio nos faça pensar um pouco de onde viemos e onde estamos, a forma estruturada como toda a recuperação do Clube tem sido feita. Ceder aos apelos populistas e demagógicos em tempos de dificuldades é comprometer todo o caminho percorrido.

Correndo o risco de esquecer alguém, não posso – por dever – deixar de agradecer o trabalho, a dedicação e a confiança de algumas pessoas sem as quais não teríamos razões para festejar esta data.

A Pedro Neto, Luís Seara Cardoso, Fonseca Santos, Tinoco Faria e Diogo Vaz Guedes, o meu obrigado por sempre terem acreditado que seria possível. Ao Mário Dias, o meu obrigado por nunca ter desistido! Ao Presidente Manuel Vilarinho, o meu obrigado pela confiança e apoio que sempre me deu as minhas decisões. A todos os benfiquistas e sócios fundadores um agradecimento especial pelo contributo que deram num momento tão decisivo na vida do Clube.

E, claro, à minha família, que também foi envolvida e autorizou o meu compromisso com a nova Catedral.



Luís Filipe Vieira

 25 de Outubro de 2013

Á QUEIMA ROUPA

Victor Silva, grande avilo dos tempos da Escola Industrial de Luanda, acaba o Curso de Aperfeiçoamento de Serralheiro no ano de 1969, vai estagiar, como serralheiro Mecânico na Manutenção das máquinas de manufatura do tabaco, integrando mais tarde o quadro de pessoal da Fábrica Tabacos Ultramarina ( F.T.U.).

Em Maio de 1973, com 20 anos casa-se com Maria João de 21 anos de idade, na igreja de Santa Ana no Bairro Popular nº 2, Maria João vivia na Rua de Loulé.
Costuma-se dizer quem casa quer casa, mas os nossos amigos vão viver para casa dos pais do Victor na Vila Alice, Rua Feliciano de Castilho.

Maria João trabalha na baixa de Luanda na Rua Pereira Forjaz num solicitador exercendo as funções de datilógrafa.

Maria João engravida e em Abril de 1974 nasce o Ruizinho.

Victor tem uma mota Honda 350 CB, e todos os dias vai de sua casa na Vila Alice, para o Bairro da Terra Nova para a F.T.U. 

Maria João desloca-se de machimbombo para a Mutamba.

Vivem felizes, os dois a trabalhar, o pimpolho enquanto vão trabalhar fica com a mãe do Victor, dona Esmeralda.
Já no ano de 1975, naqueles dias conturbados, com recolher obrigatório decretado, dos saques, e também de pessoas mortas sem se saber o porquê, Recordar o massacre do Pica-Pau em que no dia 4 de Junho, mais de trezentos militantes da UNITA, foram friamente assassinados e os seus corpos mutilados pelo poder popular do MPLA no Comité de Paz da UNITA em Luanda.

Nesse dia fatídico 4 de Junho, está uma manhã nublosa com algum cacimbo, Victor sai de casa direito ao trabalho, mas com a preocupação de seu filho estar doente, e que está internado no Hospital de São Paulo no Bairro do Marçal, perto das 15 h 00 com a devida autorização sai do emprego, dirige-se para o Hospital para ir visitar o seu filho.

Na estrada de Catete junto ao Cemitério Novo (Cemitério de Santa Ana) atropela uma mulher de raça negra, junta-se logo ali uma imensa multidão, que começam a gritar:

Matem o colono! Matem o colono!!

Sem se saber como, ouve-se um disparo e Victor fica ali a agonizar.

Chega a tropa portuguesa a multidão dispersa, desaparecendo, só ficou um kandengue de nome João Pequeno.

A tropa Portuguesa ainda tentou reanimar o Victor, mas ele já estava morto, sucumbiu á bala disparada à queima roupa, bala essa que se alojou no peito, junto ao coração

João Pequeno é interrogado e contou esta versão, que o Victor atropelou uma cota, se juntou pessoas e que se ouviu um tiro, que não sabia de mais nada.

Maria João estranhou a demora do Victor tanto no Hospital, onde o Ruizinho estava internado, como em casa, já era noite, e nada do Victor. 

Resolveu ir á 7ª Esquadra, saber informações sobre o paradeiro do marido, visto ela ter telefonado para a F.T.U. e lá lhe terem dito que ele saíra mais cedo para visitar o filho no Hospital.

Já com o coração apertado esperando o pior, na 7ª Esquadra dão-lhe a triste informação que o Victor Silva estava morto e era preciso que ela fosse á morgue e que reconheça o corpo.

Faz o funeral onde apareceram muitos amigos que a ajudaram naquela hora muito triste, seu filho melhora e em Junho de 1975 embarca para Portugal com o filho e com os sogros, seus pais ainda ficaram em Luanda.
Chega a Lisboa e vai viver para Viana do Castelo, onde tem familiares.
No ano de 1980 emigra para a Austrália onde tem família e amigos de infância que a acolhem e lhe dão emprego.

Casou novamente em 1983 com um Australiano e hoje já reformada vive com o marido, filho, nora e com o seu netinho.

Em 2012 Maria João esteve em Lisboa de férias e encontramo-nos e fomos jantar com alguns avilos amigos dela que não nos víamos á trinta e sete anos, foi uma festa, e um grande jantar, não nos esquecemos de guardar um minuto de silêncio pelo Victor.


ZÉ ANTUNES

1975

13/11/2013

SOCIEDADE, PROGRESSO E OBEDIÊNCIA!


Todos nós fomos ensinados a encarar a educação com seriedade. Disseram-nos que a educação molda e governa as nossas vidas. Disseram-nos que, se trabalharmos arduamente na escola e na universidade, havemos de colher os benefícios mais tarde.

O que nos disseram é verdade!

Mas não nos disseram, o preço que teríamos de pagar pelos nossos anos de educação. Nunca nos disseram o preço que a sociedade espera cobrar por termos as nossas vidas moldadas e formadas. Dividiram-nos! Estamos divididos em classes, regiões, gerações e grupos. Por essa razão, é que o ministro da Educação Nuno Crato, pretende ou já está a substituir o Ensino Público, por colégios particulares, “enchendo”, não só os cofres desses mesmos estabelecimentos, como de outros empresários. Não lhes serviu o exemplo das universidades privadas, que passavam diplomas a troco de chorudas benesses. Por outro lado, os Hospitais públicos estão – desavergonhadamente – a ser cambiados (trocados) por hospitais privados e casas de saúde, luxuosamente equipadas. É assim. Hoje, os ministros, em vez de governarem, estão a dividir os portugueses para, desta forma, poderem ser os “donos” deste falido País. É por essa razão, que no meio da maior crise de que há memória, o número de milionários (mais de 85) aumentou, sendo que a fortuna conjunta dos 870 que detêm esse estatuto ter crescido, este ano, cerca de 11% que vale 75 mil milhões de euros, quase metade do PIB anual do país. É coisa para nos deixar a todos abismados e preocupados. O Jornalista e Diretor da TSF Paulo Baldaia, pergunta: “Como é possível que menos de 0,01% da população tenha ficado cerca de oito mil milhões de euros mais rica, enquanto a maioria da população ficou bastante mais pobre? Onde estava o Estado? Onde estavam os senhores e as senhoras que elegemos para governar o País?” É verdade! Nós criámos um mundo e uma sociedade que agora nos controla a nós. Não temos poder sobre o nosso destino. O nosso presente e o nosso futuro, são controlados pela estrutura social que nós inventámos. Uma coisa é certa: a sociedade não está interessada na verdade nem em qualquer compromisso.
 
A sociedade precisa de progresso desenfreado para poder crescer. As instituições da nossa sociedade, têm um apetite insaciável pelo progresso. A política é como a publicidade. Tanto uma como outra, alicerçam-se em promessas que raramente são cumpridas. São concebidas para substituir liberdade por constrangimento. Elas obtêm sucesso, tornando as pessoas infelizes. A publicidade é o símbolo da sociedade moderna. Ambas alimentam tentações falsas, esperanças vãs, infelicidade e desencanto, e inspiram muitas vezes valores baseados no medo, na ganância e na avareza.
Cruz dos Santos 

2013

 

11/11/2013

TOURADA DE LUANDA

A praça de touros de Luanda recebeu touradas durante o Estado Novo. Após a independência passou a receber apenas espetáculos musicais. Agora, a praça de touros, obra que nunca foi terminada, vai ser requalificada e transformada num Palácio da Cultura. Um bom exemplo vindo de Angola onde os portugueses tentaram sem êxito impor a 'tradição' tauromáquica.

Em 1975 o "poder popular" inaugurou a era dos grandes assaltos, dos raptos, das buscas domiciliárias sob nenhum motivo, das violações de mulheres e raparigas, até de crianças, em plena via pública, e diante dos maridos e pais, das torturas, das mutilações, dos assassínios a sangue frio e só pelo prazer de matar, das casas incendiadas por desfastio, e das prisões. O MPLA possuía diferentes tipos de cadeias e felizes eram aqueles que escapavam às sevícias mais abjetas ou à detenção nos curros da praça de touros de Luanda, além de forte dispositivo bélico na Praça de Touros (onde a FNLA dizia que o MPLA prendia, matava e enterrava pessoas), torná-las alvo de violações sexuais ou outras, de maus tratos físicos e morais, obrigando-as a ingerir dejetos humanos tal como a alguns prisioneiros que foram retidos durante semanas na praça de touros, aparecerem mortas em qualquer lugar como sucedeu no quintal duma vivenda na Vila Alice onde foram encontrados quatro corpos esquartejados e enfiados numa fossa séptica ou darem-lhes sumiço nas densas matas onde os obrigariam a percorrer distâncias inimagináveis expostos a perigos de toda a ordem e por fim sumirem-nos sem deixar rasto.

 

Interior ( foto de 1985)

Esta história passou-se no Largo da Tourada, em Abril de 1975. 
Liliana Teixeira, estudava no Colégio “Moisés Alves de Pinho “, á data tinha 16 anos e era repetente do 5º ano ( hoje é o 9º ano). Muitas vezes fazia o trajeto do Colégio para o Bairro Sarmento Rodrigues, perto da Vala, na companhia do namorado o João Luiz, outras vezes na companhia de uma amiga a Maria Pacavira, por essa altura já tinha sido decretado o recolher obrigatório e existiam os conflitos entre os movimentos. 
O irmão da Pacavira, foi logo avisando a irmã que começava a ser perigoso virem por aquele trajeto, pois na tourada estava o M.P.L.A. e estavam a prender discriminadamente pessoas, que desapareciam sem se saber porquê. 

Liliana aceitou o aviso, e começou a vir pela estrada de Catete no machimbombo 22 para o Bairro Popular, ou esperava pelo pai que trabalhava no Porto de Luanda. 

Uma certa tarde, como estava tudo calmo sem tiroteio, entendeu ir a pé para casa, estava sozinha, e foi andando, ao chegar ao Largo da Tourada, foi logo ali interpelada por um soldado do M.P.L.A. : 

- Como é garina, sozinha a esta hora, o que andas a fazer, para onde vais? 

Liliana com os seus 16 aninhos, cheia de medo disse: 

- Venho do Colégio “ Moisés Alves de Pinho” e vou para casa, moro já ai no Sarmento Rodrigues, ai depois da Vala. 

O militar das F.A.P.L.A.s esclareceu: 

- Não estás a ver o quanto perigoso é? Tão novinha e andas por aqui sozinha? E a mais está já a escurecer! 

- Liliana disse que costumava passar por ali, muitas vezes no fim das aulas, com os amigos, mas hoje a minha amiga não quis vir. 

O Militar com a sua arma empunhada, e aquele ar de superioridade falou: 

- Vai-te lá embora e toma cuidado. 

Liliana ao chegar a casa e ainda com medo estampado na sua cara, contou ao pai o que se tinha passado. O pai disse que o militar até foi gentil para com a Liliana, mas o certo é que acabada as aulas desse ano letivo, os pais da Liliana, o Sr. Teixeira, a esposa e a Liliana em Junho de 1975 embarcaram para Lisboa na Ponte Aérea.

Panoramica ( foto de 1985)

 
Vista exterior ( foto de 2005 )


ZÉ ANTUNES
1975



10/11/2013

DIA DE SÃO MARTINHO

 
Dia 11 de Novembro, dia de São Martinho. Este dia é comemorado um pouco por todo o Portugal, junto às lareiras ou aquecedores. É o dia em que se vai à adega e se prova o vinho da última colheita.

Vinho Novo 

É um momento de convívio. Chama-se os amigos à adega, para beber um copo de "água-pé", e da bem afamada jeropiga, comer umas castanhas assadas num braseiro de pinhas, pondo muito sal por cima para estalar a casca da castanha e dar-lhe paladar algo salgado. É o popular Magusto. 

O Magusto de São Martinho comemora-se, celebrando-se o Outono, a chegada do tempo frio e a proximidade do Natal.

Castanhas assadas 

Provérbios e Frases de São Martinho 

"No dia de S. Martinho vai-se à adega e prova-se vinho." 

"Pelo S. Martinho mata o teu porco e bebe o teu vinho." 

"Pelo S. Martinho semeia favas e vinho." 

"Pelo S. Martinho, nem nado nem cabacinho." 

"Água-pé, castanhas e vinho, faz-se uma boa festa pelo S. Martinho." 

"Mais vale um castanheiro do que um saco com dinheiro." 

"No dia de S. Martinho fura o teu pipinho." 

"Do dia de S. Martinho ao Natal, o médico e o boticário enchem o teu bornal." 
"Pelo S. Martinho mata o teu porquinho e semeia o teu cebolinho." 

"Se o Inverno não erra caminho, tê-lo-ei pelo S. Martinho." 

"Se queres pasmar teu vizinho lavra, sacha e esterca pelo S. Martinho." 

"Dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho." 

"Dos Santos até ao Natal, é um saltinho de pardal." 

Lenda de São Martinho


"Num dia tempestuoso ia São Martinho, valoroso soldado, montado no seu cavalo, quando viu um mendigo quase nu, tremendo de frio, que lhe estendia a mão suplicante e gelada.

S. Martinho não hesitou: parou o cavalo, poisou a sua mão carinhosamente na do pobre e, em seguida, com a espada cortou ao meio a sua capa de militar, dando metade ao mendigo.

E, apesar de mal agasalhado e de chover torrencialmente, preparava-se para continuar o seu caminho, cheio de felicidade.
Mas, subitamente, a tempestade desfez-se, o céu ficou límpido e um sol de Estio inundou a terra de luz e calor.

Diz-se que Deus, para que não se apagasse da memória dos homens o ato de bondade praticado pelo Santo, todos os anos, nessa mesma época, cessa por alguns dias o tempo frio e o céu e a terra sorriem com a bênção dum sol quente e miraculoso, a que chamamos de Verão de São Martinho. 

 
ZÉ ANTUNES
 
2013

XI CONVÍVIO DE AMIGOS FERROVIÁRIOS DA Ex OFICINA DA BOAVISTA

 


Posto de Manutenção da Boavista ( Porto )


No passado dia 9 de Novembro, o pensamento dos antigos trabalhadores do Posto de Manutenção da Boavista era apenas um: dirigir-se atá à vila de Nine, para se juntarem aos seus amigos e companheiros no habitual encontro anual, que por tradição se realiza nesta época do ano. 

Desta vez o encontro dos trabalhadores das Ex-Oficinas da Boavista teve lugar no belo cenário que se avista do Restaurante “ Mélinha ” em Nine.

O encontro teve a organização do José Machado e do Arlindo de Sousa, tudo correu pelo melhor. Foi mais uma jornada onde as recordações e as memórias de cada um proporcionaram um regresso aos anos de 1980 e às imensas peripécias e acontecimentos daqueles saudosos tempos em que todos nós éramos rapazes com vinte e poucos anos e que nestas alturas estão sempre presentes.

E há sempre uma história para contar, um acontecimento para recordar. Uns são encarados com alegria, outros com alguma melancolia e saudade. Nestes momentos não há lugar para a tristeza. Só para a saudade… saudade, sobretudo, daqueles companheiros que tiveram a mesma vivência que nós, sofreram as mesmas tristezas, sorriram os mesmos sorrisos, mas que infelizmente a inexorável lei da vida já os levou da nossa companhia, impedindo que também eles pudessem rumar até Braga ( Nine ) nesse dia 9 de Novembro de 2013.

Aqui ficam gravadas as imagens desse convívio que foi memorável.

Neste almoço teve como é habitual a convidada Paula Teixeira, filha do nosso querido chefe TEIXEIRA.

Os restantes convidados foram:

-José Machado – Arlindo Sousa – Zé Antunes – José Manuel – José Matos – Américo Joaquim – Orlando Mendes – David Faria – Joaquim Coelho – António Silva – António Leal – Alberto Dias – António Luis Silva – Inácio Santos – Domingos Santos – Amilcar Sevilha – Jorge Ferrer Dias – F. Azevedo – Fernando Teixeira – José Pinheiro – Artur – Fernando Fernandes – Faustino Gomes – Joaquim Figueiredo – Macieirinha – Aires – Luiz Cerqueira – Narciso – Álvaro Francisco – Jaime Pereira – Luiz Rocha – Miguel Barbosa – Carlos Lourenço – João Silveira – Joaquim Ferreira – Augusto Leal – Carlos Arménio – Gaspar – José Carvalho – José Vieira – Carlos Passos – Joaquim Pereira – José Tavares.

A concentração maior deu-se na Estação ferroviária de Campanhã, depois foram entrando em Ermezinde e na Trofa, chegados a Nine, encaminhamo-nos para o Restaurante “MÉLINHA” uns de boleia, pois o Restaurante ainda dista uns três kilómetros da estação ferroviária.

Eu e o Augusto Leal fizemos o trajecto a pé mostrando que ainda estamos em grande forma.

Estes encontros fazem melhor do que qualquer medicamento, encontros como este não podem acabar" Já é o 11º Almoço "Adorei o convívio! Para o ano cá estarei!"

Falámos assim! Escrevemos assim! E muito mais! .... UI , nem vos conto!!!!

É o sentir, o viver, o amar de todos e de cada um! Um misto de saudades e nostalgia

Foi lindo, muuuuito lindo! Ver os rostos contentes, desejando mais e mais!

CONTAGIANTE!!!!!

 Que entusiasmo! E dissemos SIM. Haverá Mais! Sempre! Queremos estar juntos! SEMPRE!

P´RO ANO CÁ ESTAREI

Contando o Percurso..... reunimo-nos todos à porta do "RESTAURANTE" .... para ainda ver chegar os últimos, era vê-los chegar! aos grupos! Que espetáculo!

Por entre os abraços, a contar as novidades em grandes cavaqueiras, lá entramos e sentamo-nos mos lugares previamente reservados.

NATURALMENTE, houve o momento de homenagear os que já partiram e que serão sempre lembrados, foi guardado um minuto de silêncio.

Depois foram as entradas .... dobrada com feijão branco, feijão frade, arroz de cabidela, pataniscas de bacalhau, e uns pastelinhos de bacalhau! huuuuuuuuuuummmmmmm! Rissóis, variadíssimos enchidos e alheira de Mirandela.

Foi de seguida servido o famoso bacalhau “á Melinha “, seguidamente uma carne assada, com batatinha assada no forno de lenha, ambas as iguaeias estavam deliciosas.

A refeição foi excelente, um saborzinho.....e então regada com o tradicional vinho à portuguesa ... ai, senhor , que bom! ( também havia suminhos e águas para os mais delicados , ih ih ih!!!)

Serviu-se a sobremesa que constava de Pudim caseiro, frutas da época, macã assada e peras cozidas em vinho e um famoso leite creme.

EEEE...

Entre a galhofa, a cavaqueira, o recordar, as fotografias, foi passando o tempo....... feliz!

Brindámos à saúde dos companheiros que estão neste momento com alguma fragilidade ( é a crise… é a crise ) que esperamos seja passageira, àqueles que não puderam estar, por estarem doentes.

Um agradecimento sentido à organização que tem a doçura de nos proporcionar estes momentos inesquecíveis.

A debandada foi acontecendo aos poucos.....

P´RO ANO CÁ ESTAREI

é um desejo forte ...robusto como uma locomotiva a vapor.... Não podemos deixar escurecer aquele colorido !!!!!!!

A todos, um forte abraço. Tenhamos, todos, dias lindos!

Até breve!  Para todos um grande abraço do Zé Antunes 


ZÉ ANTUNES 
2013








ALDEIA ONDE NASCI

Nos tempos em que o meu avô materno, que nasceu e sempre viveu na Póvoa de Penafirme, nesta pequena aldeia situada perto da Praia de Santa Cruz, pertencente á freguesia de A-dos-Cunhados. Foi nessa aldeia que nasceu minha mãe, e mais tarde nasci eu. Antes de ir para África, ali minha mãe viveu até aos 20 anos.

O meu avô vivia numa casa feita de pedra, com as divisões em alvenaria, sem casa de banho, só em 1970 é que construíram a casa de banho e mais um quarto para o meu tio Zé, não tinha eletricidade, nem água da rede, nem esgotos, não tinha nada. Era á luz de uma candeia a petróleo que os iluminava e iam buscar água ao poço da aldeia. A casa tinha ao fundo do quintal umas capoeiras e umas arrecadações. Comia–se praticamente do que se cultivava na horta e dos animais que se criavam.

Matança do Porco na Aldeia ( foto net ) 

Quando era feita a matança de um porco, as carnes eram conservadas nas salgadeiras (arca feita em barro ou pedra que levava sal grosso), as bebidas eram metidas num poço com água, para ficarem frescas. O pão que se comia era feito pelos cereais moídos no moinho do Tio Fernando Moleiro, e eram cozidos num forno a lenha. Raramente se comia peixe, apenas quando aparecia o peixeiro e era só o peixe mais barato, peixelim, carapaus e caras de bacalhau. 

Na loja do Ti André, uma mercearia que tinha quase tudo, era onde as mulheres ( minhas tias e primas ) iam ás compras. 
Perto da casa do meu avô estava o Zé Crispim (padrinhos de minha mãe), dum lado um mini mercado do outro uma tasca à antiga portuguesa. 

Durante o Inverno, o aquecimento era ao lume da lareira e este servia também para, numa panela de ferro, fazer a comida. 
Muitas histórias contadas pelo meu avô que trabalhava no campo de sol a sol, para poder sustentar a família. Como não tinham dinheiro, não havia luxos. Os sapatos duravam uma vida e ainda cortavam a biqueira para dar para mais tempo. Não é do meu tempo, nem me lembro mas contaram-me que muitas vezes, andavam descalços. Era na taberna do Tio João Lourenço “Canino” que se juntavam para jogar às cartas e combinar as caçadas ( os caçadores ) ou as vindimas (os agricultores), Era ai que eu ficava quando vinha da Escola á tarde, a ver os filmes do Bonanza, e do Agente Secreto 99.

Serie do Bonanza ( foto net ) 

Na loja da ti Maria do Carmo, era os correios, os telefones, havia sempre um jornal ou uma revista para se ler.

“Moderníssimo” telefone instalado na casa da tia Maria do Carmo 
( foto net ) 

Quando se estava doente, eram os mais velhos ( medicina popular) que nos receitavam uns chás de ervas do campo. Curaram a perna do meu irmão que estava com uma valente ferida na canela. 

O meu avô democraticamente obrigava os filhos a irem para casa antes do pôr-do-sol, não deixava as filhas saírem sozinhas, nem ir a festas. ( quatro meninas e um rapaz ). 

O meio de transporte mais utilizado era a carroça puxada por burros, pois só os mais abastados é que tinham mota ou carro. 

Para eu ir estudar para a Escola em Torres Vedras, viajava nas Camionetas dos Claras.


Autocarro do Claras ( foto net ) 

Até á instrução primária, estudava-se na Póvoa de Penafirme que também tinha o Seminário no Convento. 

A malta nova frequentava muito, para beber o seu cafézinho e entabular umas conversas o Bar “Gaiato” 

Quando surgiu a luz elétrica na aldeia, minha avó para poupar só ligava a luz quando fosse preciso, meu avô gostava de tudo acesso e dizia que queria tudo iluminado pois tinha muito tempo de ficar no escuro quando morre-se. 

Era na taberna Perola da Póvoa do Manuel Custódio ( que é hoje a Churrasqueira da Povoa) onde se juntava mais pessoas, porque foi ai que instalaram a primeira televisão a preto e branco, e uma telefonia, para aos domingos ouvirem os relatos de futebol. Era ai que eu ia ler os jornais desportivos. E davam informações sobre os horário das carreiras dos Claras. 

A tasca do José Nogueira ficava numa transversal á rua principal e era onde os mais velhos iam jogar ás cartas e beber o seu copito. 

Ao lado da Serração do Albino havia a loja do Manuel Lourenço que vendia rações e algumas alfaias agrícolas. 

Mais tarde, depois do 25 de Abril de 1974, com a revolução em curso pavimentaram os acessos e ruas principais, hoje a Póvoa de Penafirme é uma aldeia modernizada, virada para a agricultura e para o turismo. 

Com a ajuda de todos foi fundada a “ COJOPE “ Comissão de Jovens de Penafirme, edificada ao lado da Padaria que cedeu os terrenos, para mais tarde as instalações serem ampliadas, e que existe até aos dias de hoje, e é onde as raparigas e rapazes, se divertem nos bailes, e onde todos os dias se convive. 

Aos domingos, todos com os seus fatos domingueiros, os habitantes principalmente os mais idosos, encaminhavam-se para o Convento onde iam assistir á missa.


Celebração da Santa Missa. ( foto net ) 

As festas em honra de Nossa Senhora da Graça, padroeira da Póvoa de Penafirme, muito venerada por um povo extremamente religioso, realizam-se no último domingo do mês de Julho de cada ano. 

Lembro-me ainda de uma oficina de bicicletas e motorizadas do José Luis que ficava ao pé da Maria do Carmo e mais tarde foi para a estrada nacional. 

Já nos anos 90, a Povoa de Penafirme teve um projeto para passar a freguesia. 

Perto da minha casa e na estrada que vai para o Vimeiro tem a moderníssima discoteca Faraó


Discoteca 

Esta é a minha aldeia onde vivi o ano de 1970 e depois de 1975, no meu regresso de Angola, e porque tenho lá família, e a casa da minha mãe, vou lá muitas vezes, passar os fins de semana. 


ZÉ ANTUNES 

1970