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27/11/2013

PORQUE VIVER NESTA EUROPA, POLUIDA E AGITADA?


Hoje é difícil saborear a vida. A sociedade mergulha-nos numa torrente tão avassaladora de interpelações, seduções e tentações que perdemos de vista a simples vida comum. Habitar nas nossas cidades significa ser permanentemente solicitado, agarrado e percutido por ruídos de sirenes, de “buzinadelas”, pelos gritos de notícias, cartazes publicitários, discursos, mendicidade, manchetes, anúncios, concursos, ofertas, oportunidades, etc., etc.. Uma tal “enxurrada” de estímulos acaba por nos toldar a sensibilidade. Vivemos, como na era do “fast-food” intelectual, em que tudo é rápido e pronto como um hambúrguer. Não estamos, ou melhor, não temos tempo de elaborar as informações, nem a promover o raciocínio esquemático, a arte da pergunta ou o idealismo. Dão-nos agora uma informação, passados alguns segundos, já está ultrapassada essa mesma notícia. A intensidade de informações e intimações, que ultimamente, têm “bombardeado” os nossos Jornalistas e a todos nós, deixam-nos surpreendidos, boquiabertos, estupefactos. O frenesim, que ultimamente, tem vindo a “inundar” a redação da comunicação social, o entusiasmo da notícia, o alvoroço da publicidade, os folclores da política, a omnipresença do divertimento, até a extravagância da moda, constituem exigências permanentes sobre a atenção dos nossos distintos Jornalistas e repórteres, que não têm mãos a medir, para denunciar (a tempo e hora), diariamente, todos os seus leitores. É o cumprimento da sua missão: Informar!

Porque não criamos as bases de uma nova sociedade, uma nova maneira de ser e agir? Por que não saímos deste marasmo? Desta vetusta Europa, poluída, agitada e habitada pelos seus inimigos, e partimos para uma cidade distante, pequena, tranquila? Porquê, pertencermos a essa flagelada, retalhada e “vendida” União Europeia? A esta aberração da miséria, onde só se fala em falências, em desemprego, em dívidas, em corrupção e corruptos? Porquê vivermos como europeus, se nada nos traz de agradável e útil? Onde o poder compra bajuladores, mas não verdadeiros amigos; compra uma cama confortável, mas não o descanso; compra alimentos, mas não o prazer de comer.

Já pensaram em sair desta fábrica de ansiedade e de medo, serem amigos da paciência, andarem mais devagar? Fazerem as coisas passo a passo? Sentirem o perfume dos alimentos? Já imaginaram não sofrer pelo futuro, nem serem uma máquina de preocupação? Já pensaram em viver sem se preocuparem com os olhares sociais? Poderíamos contemplar a natureza, andar descalços na terra, ter tempo para conhecer as alegrias e as lágrimas uns dos outros. Vocês sabiam, que tanto ricos como pobres, são paupérrimos (miseráveis) no banco do tempo?

Banga Ninito 

2013

UM MUNDO DE DISSIMULAÇÕES E FINGIMENTOS!


A sociedade mediática em que vivemos leva-nos a admirar ou odiar personalidades a quem, de facto, nunca falámos. O mais ridículo, é que estamos realmente convencidos que compreendemos perfeitamente essas figuras públicas, que sabemos mesmo o que pensam ou querem, avaliando as suas opiniões e raciocínios. Se pensarmos um pouco, veremos que a única coisa que sabemos sobre eles, são os apontamentos dos jornais e o que nos diz a televisão. Mas a verdade é que esta sociedade mediática, nunca nos deixa tempo para analisar, pormenorizadamente, nem pensar sequer um pouco. Daí, despontar rivalidades, inveja, cinismo e ódio político. 

Comecemos pela rivalidade. Existe uma rivalidade má, que vemos não apenas entre concorrentes, mas também entre colegas. Pessoas que se tratam por tu, que parecem amigas, mas que, na realidade, lutam pela supremacia, pelo sucesso, pelo poder. Assim, quando uma destas pessoas adoece ou morre, outras há que, bem no fundo do seu íntimo, ficam satisfeitas por aquela ter saído de cena. A inveja, pelo contrário, nasce quando alguém as supera, quando alguém obtém mais reconhecimento que elas. Então, esforçam-se por convencer os outros, que aquela pessoa não tem valor e que não merece o mérito. Falam mal dela pelas costas, procurando dificultá-la nos seus afazeres e ficam extremamente felizes, quando ela falha, quando faz má figura, ou mesmo quando adoece. Há muita hipocrisia por detrás das celebrações e homenagens ditas oficiais.

Existe em seguida o cinismo, que se forma com o exercício do poder, com o hábito de tratar as pessoas como objetos, como meios para alguma coisa. E o hábito de decidir sobre o destino deles gera, muitas vezes, naquele que a dirige, uma espécie de indiferença face às alegrias, às dores, às esperanças dos outros. E, por fim, o ódio político. Bom, a política é luta, é “guerra”. Ninguém é imparcial (justo). Nos “nossos”, descobrimos virtudes maravilhosas. Nos adversários, defeitos e baixezas. O militante político, está pronto a vilipendiar, a insultar, a difamar, a liquidar (se for preciso) a pessoa mais nobre, o maior cientista, o poeta mais sublime, só porque não pertence às mesmas ideologias políticas. A piedade dos militantes políticos é unilateral. Choram os seus mortos, mas exultam (regozijam-se) quando o infortúnio e a morte se abatem sobre os seus adversários. Todos sabemos que os políticos só querem votos; os empresários são máquinas de fazer dinheiro e que os artistas buscam fama e proveito. No fundo, vemo-los como caricaturas, personagens de pantomina (mímica). Vivemos projetados… “Num mundo de dissimulações e fingimentos”, preocupados com coisas mesquinhas e sem interesse. Sobre elas, o que sabemos não passa de enredos de cordel gerados por mentecaptos “fabulosos”, produzidos por outros alienados, caducos e néscios. “Somos cada vez mais aquilo que queremos ver no mundo!”

Cruz dos Santos

2013


MALDITA CRISE !!!!


Todo o ser humano tem sonhos e desejam vê-los realizados, por isso estudam, trabalham, fazem sacrifícios para terem essa benesse esse seu sonho realizado.

Só que o resultado na vida de muitos tem sido a frustração ao ponto de irem ao desespero, pensando que não existe mais saídas para a falta de realização e também pelas dificuldades porque todos estamos a passar neste conturbado momento de nossas vidas. Muitos procuram apoio, mas não encontram ninguém, para os poder ajudar. Outros socorrem-se da família, dos pais e muitas vezes dos avós, quem ainda os tenha e os outros??????

Não são poucos os que assim estão, e diz-se que o pior ainda está para vir, é o vazio que trazem no seu intimo, que mesmo com tantas tentativas não encontram soluções para saírem do fundo do poço.

Sem trabalho, sem nenhuma perspetiva de vida é caso para amaldiçoar tudo e todos............ Maldita Troika, Maldito Governo, etc, etc,

Tenho um amigo o Artur Gomes que no ano de 2008, reformou-se, recebeu uma compensação generosa e ficou com uma razoável aposentadoria, e um dia em conversa sobre a vida e a sua saída da empresa disse-me:

Amigo Zé Antunes, tenho a minha reforma, o filho está a trabalhar, comprou uma casa com um empréstimo bancário, está casado e a minha nora também trabalha, deram-me uma neta que é a menina dos meus olhos, eu e a minha Celeste agora pudemos usufruir um pouco do bom que a vida nos dá.

Naquela época eu fui lhe dizendo:

Amigo Gomes, olhe que a crise já começou, ainda não se nota, mas ela está aí e vai piorar a nossa vida!!

Veja o seu caso! Não é por acaso que estão a mandar muitos trabalhadores para a Pré- Reforma e mesmo para a Reforma.

Neste ano de 2013, por casualidade encontrei o nosso amigo Gomes, já não nos via-mos a bastante tempo, depois de nos cumprimentar, ele foi logo dizendo:

Sabes amigo Zé Antunes, estava relativamente bem, e de repente, foi tudo por água abaixo, desabou tudo, caiu tudo como um baralho de cartas.

Respondi:

Então amigo Gomes o que de tão grave aconteceu?

E lá foi-me dizendo, com uma amargura na voz que fiquei deveras preocupado com a situação.

O filho ficou sem emprego, a nora “idem” “idem” “ aspas” “ aspas” orgulhoso não disse nada aos pais e a situação financeira deles degradou-se, ao ponto do Banco acionar a hipoteca da casa e vendê-la em leilão, a neta teve que sair do Infantário e são os avós que tomam conta dela.

Era eu e a minha Celeste, mais o filho, saiu o filho quando casou, ficamos os dois, com esta maldita crise na época eramos três, agora somos cinco e sou eu e a minha Celeste que governamos esta situação.

Maldita Crise!!!!!!

Pensei cá para com os meus botões, na situação deste meu amigo, devem haver muitos mais e com situações piores de frustrações e impotências, para solucionarem a CRISE.


ZÉ ANTUNES

 2013

 

19/11/2013

TORNEIO CUCA


Foi o Dr. Manuel Vinhas, grande industrial, e fundador da Companhia de Cervejas União de Angola, CUCA. Esse homem tinha uma grande visão no relacionamento das suas importantes empresas, com as populações. A Cuca e o Dr. Manuel Vinhas patrocinavam a realização do Torneio Popular de Futebol CUCA, com equipas dos vários Bairros da Cidade, que acorriam com muito entusiasmo. No final do Torneio, a CUCA oferecia um almoço a todos os atletas e Dirigentes das equipas participantes, onde havia muita confraternização. A cidade de Luanda tem uma dádiva de gratidão para com o Dr. Manuel Vinhas, pelo seu grande contributo pelo desenvolvimento industrial e social do país. Para além de fábricas de Cerveja em Luanda e no Huambo, tinha outras empresas, como a fábrica de Chapas de Zinco para cobertura de habitações e armazéns, Aviários para abastecimento de pintos aos outros aviários, etc., etc. Este benemérito merecia que o seu nome fosse dado a uma bela avenida na zona da Cuca.

Desde o ano de 1966 que estava no auge o Torneio organizado pela Companhia de Cervejas União de Angola ( CUCA ) Entre as várias equipas está o Perdidos da Bola Futebol Clube, que tinha sede no Bairro Popular e é nela que jogou o famoso Jacinto João que viria a notabilizar-se no Vitória de Setúbal.


Nos campos de distintos bairros de Luanda, a Académica Social Escola do Zangado, vencedora em 1968 do Torneio Popular Cuca, a mais importante competição extra - oficial do futebol angolano de então. Historia da Academica Social Escola do Zangado

Os 11 Perdidos da Bola, o seu maior adversário foi sempre o Escola do Zangado, de Joaquim Dinis, vulgo Man Dinas, Antoninho Parte os Cornos, Artur da Cunha, Lourenço Bento, Júlio Araújo, Firmino Dias, entre outras feras do futebol suburbano. Em 1966, durante a primeira edição do referido Torneio Cuca, em pleno campo da SIGA (Nocal), os 11 Perdidos da Bola Futebol Clube, com a sua principal estrela, Jacinto João, sucumbiu diante do Escola do Zangado, de Man Dinas, jogador que também se notabilizou no ASA e Sporting de Portugal. Porém, na época de 1972/1973, os 11 Perdidos da Bola Futebol Clube, com treinador principal Mestre Paixão da Escola Indústrial de Luanda, tal como um clarão de um relâmpago, iluminaram, se súbito, o cenário do futebol suburbano de Luanda e lançaram sobre os seus adeptos uma onda de incontornável euforia. Presença assídua no popular Torneio Cuca, o clube tinha sede no Bairro Popular e efetuava os seus jogos no campo da Fefa. 

Ao princípio, ninguém reparou na equipa dos 11 Perdidos da Bola. As melhores formações eram as do Juba, Cazenga, Escola do Zangado e Benfica de Kalumbunzi. Com o decorrer do torneio, os 11 Perdidos da Bola, desmentindo o seu próprio nome, impôs o seu futebol, demolindo tudo o que lhe apareceu pela frente. A equipa cilindrou o seu eterno rival Escola do Zangado por 3-0, não havendo reticências na vitória. Pai II, mais tarde Tozé da TAAG, com o seu fabuloso pé esquerdo, “brincou” com os defesas do Escola, marcando dois soberbos golos. André Costa, uma pérola do futebol luandense e que também despontou no Atlético e Ferroviário, ambos de Luanda, confirmando as suas qualidades de goleador, marcou o outro tento da equipa, falhando, de seguida, um lance que poderia ter aumentado o score. Eu na altura torcia pelo Benfica de Kalumbunzi, mas depois que o mestre Paixão foi para Treinador, fiquei adepto dos 11 Perdidos da Bola, e a sede era ali no Bairro Popular. Bairro onde residia.

Em 1972 o “ Andorinhas” de Benguela, ganhou o torneio CUCA a nível de Benguela e foi disputar a final do célebre torneio Cuca, em Luanda, no campo do São Paulo contra as equipas do Benfica do Kalumbunzi, Escola do Zangado e Sporting do Calomanda do Huambo. 

Recorda-se as goleadas sofridas nessa final, de 1972. O Andorinhas ganhou à Escola do Zangado por 5 - 4 através da marcação de penaltys pois o resultado final foi de 0 – 0, e na final, o Andorinhas levou uma surra do Kalumbunzi. O Andorinhas perdeu por 5-0. 

Na altura existiam equipas de vários bairros de Luanda, com destaque para os 11 Perdidos da Bola , Benfica do Kalumbunze, Benfica do Kinzau, Juba, Académica do Ambrizete, os Palmas, Bravos do Prenda, Barreirense da Barra do Dande, Cazenga, Escola do Zangado, Bangú, eram das equipas mais fortes que disputavam entre si os lugares cimeiros do torneio Cuca na altura, o grande papão era o Cazenga.

O Cazenga apresentava bons jogadores que eram quase todos oriundos das tropas Portuguesas que prestavam serviço militar em Luanda.

Nessa época a revista de cultura e espetáculos "Noite e Dia", o jornal que noticiava todas as noticias sobre o Torneio Cuca, mas mais tarde o “Província de Angola” e o “Diário de Luanda” já divulgavam também noticias sobre o evento.


ZÉ ANTUNES

1972

OPVDCA

(Organização Provincial dos Voluntários da Defesa Civil de Angola) 

Corpo de voluntários de ambos os sexos. que prestavam auxílio às Forças Armadas e garantiam a defesa civil das populações. 
A OPVDCA constituía uma organização do tipo milícia, subordinada diretamente ao governador-geral ou governador da província. 
Em 1975, na noite de 2ª para 3ª feira de Carnaval, mais precisamente no dia 10 de Fevereiro. Tinham começado as lutas sangrentas entre o MPLA e a FNLA, o recolher obrigatório, a falta de alimentos e de bens essenciais...já se faziam sentir em toda a Luanda.


Este é o recorte, de um anúncio, que foi publicada num jornal de Luanda
em 8 de maio de 1974. ( net )


Começara entretanto uma verdadeira caça às armas e instalações da OPVDCA (Organização Provincial dos Voluntários da Defesa Civil de Angola) uma espécie de guarda rural criada no início dos anos 60, já durante a guerra, e que iria ser desativada. Diariamente chegavam informações de mais uma ocupação de qualquer um aquartelamento desta organização e o apresamento do respetivo armamento. 

No Bairro Popular passou-se o mesmo e a OPVDCA, a única organização que poderia lutar, foi sumariamente desarmada pela tropa às ordens de Rosa Coutinho. O que se seguiu foi a fuga aterrorizada da população branca. 

Tratava-se duma corrida desenfreada entre os três movimentos que foi impossível travar. A Defesa Civil instalada no Bairro Popular não fugiu á regra, e foi entregue pelo seu Comandante à F.N.L.A..

Um dos dias marcantes da minha vida foi, depois da sua ocupação pelas tropas da F.N.L.A, estava um dia solarengo, fui trabalhar nessa manhã e como era habitual nos últimos tempos, vinha a casa almoçar, e depois ia beber o tradicional cafezinho ao Bar São João ( Bar do Matias ) estava a tarde toda programada, primeiro iria passar na Estrada de Catete, onde meu pai estava encarregue do Projeto da futura imprensa de Angola, na altura Boletim Oficial de Angola que tinha as suas instalações na Cidade Alta.

Preparava-me para me por a caminho, quando de repente, depois da trégua da hora do almoço como já era habitual, começaram os tiroteios intensos com morteiradas e bazucadas, o M.P.L.A. estavam a tentar desalojar a F.N.L.A. o que conseguiram, ocupando a Defesa Civil. umas das fações do M.P.L.A. instalou-se e confiscou tudo que lá estava.

Ficamos por ali no Bar do Matias enquanto o tiroteio decorria ora espaçadamente ora continuo, e sendo assim, demora-se sempre com esta indecisão se deveríamos ir embora ou não, fomos ficando e só já ao anoitecer o tiroteio acabou.

Ninguém sabe ou nunca ninguém quis divulgar quantas pessoas faleceram dentro do quartel da OPVDCA do Bairro Popular, mas dizia-se que muitas.


ZÉ ANTUNES

1975

A INTERNET E SEUS EFEITOS SECUNDÁRIOS!

O desenvolvimento da civilização até ao século XX esteve intrincadamente ligado ao progresso das máquinas, desde os cinco dispositivos básicos da antiguidade – a alavanca, a roda, a roldana, o calço, o parafuso – até à tecnologia de hoje, tão complexa e sofisticada. Desde o telefone (1876), à máquina de escrever (1879) até ao primeiro serviço comercial de fornecimento de eletricidade, em 1882. No centro desta revolução tecnológica, estiveram as invenções e inovações associadas ao computador (“Internet”(Net).

E hoje, o que acontece com o computador que o torna tão diferente e poderoso? Tão versátil, que pode acompanhar o trabalho de cientistas, técnicos, economistas e muitos outros profissionais, contribuindo simultaneamente para as horas de lazer de crianças e adultos? Por que razão, o computador que ajudou a levar o homem à lua, é hoje considerado uma ameaça para milhões de empregos? E há quem acuse mesmo, que a “Internet”(Net), é a maior coleção de insultos, mexericos, boatos e disparates, alguma vez reunida na história da humanidade. Qual a razão do facto? Podia dizer-se que a Net atrai pessoas de “mau carácter”, mas todos os sinais são contrários. É evidente que quem frequenta as novas tecnologias da comunicação, ainda pertence a uma elite favorecida, com mais formação e conhecimentos que a média. E por outro lado, na“ Internet”, também existem coisas excelentes, belas e grandiosas, com uma qualidade única e inovadora. Mas não há dúvida, que numa grande parte dos blogs, mensagens, e-mails, comentários e sites de debate, domina o pedantismo e a grosseria, maldade e despeito, vacuidade e a mais pura e pristina (primitiva) estupidez.

Uma prova desse facto, é que muita gente põe em blogs e e-mails, coisas que teria vergonha de dizer ao telefone, escrever numa carta ou publicar em jornais ou livros. Aliás vê-se que, interpelado ou confrontado com o que escreveu, frequentemente o autor cai em si e admite ter-se deixado levar pelo meio. O que prova que existe algo nessa forma de comunicação que motiva o dislate. Ou seja, a “Internet” veio a revelar-se, em muitos casos, uma mistura entre carta anónima e jornal de parede, onde se podem proclamar – impunemente – as suspeitas mais implausíveis ou descarregar as irritações mais viscerais. Cada gestor de um blog / site, sente-se com autoridade de um diretor de jornal e capacidades de um estúdio de cinema, ambas reduzidas à estatura do seu ego. Isto cria “potencialidades” maravilhosas e muita gente faz coisas admiráveis. Mas também se pode expandir os preconceitos e ideias feitas, teorias mirabolantes ou “ódios de estimação”, tudo admissível porque aquele é o seu espaço, com regras por ele definidas. A enorme influência do meio só confirma essa atitude. Também todos os abusos são admissíveis, porque manifestam a suprema liberdade. Mas…a liberdade descontrolada e irresponsável, torna-se embriagante e destruidora. A liberdade só floresce, se apoiada no esteio dos valores e da cultura.

Serve-nos de aviso a afirmação de S. Bernardo: “Não há nada tão firmemente estabelecido na alma que a negligência e o tempo não enfraqueçam”. Pensem nisso!

 
Cruz dos Santos

2013

PARA QUÊ AS ORIGENS DOS JOGADORES? INTERESSA SÃO OS GOLOS!


Terminaram as eleições autárquicas, com nomeações e promoções, com vencidos e derrotados, como é óbvio. Foi uma “campanha alegre”, recheada de recados: centenas de SMS (mensagens) distribuídos pelos telemóveis, assim como E-mails; telefonemas, convites, cartazes gigantes, taipais coloridos, ostentado rostos embelezados dos nossos “famosos” (a maioria conhecidos), bem como panfletos e postais abastados de gente de todas as idades, distribuídos pelas caixas de correio, acompanhadas de muitas promessas programadas e outras ofertas ideológicas. Nunca em parte nenhuns como ali, a hipocrisia, a lisonja, a adulação e o afago, foram recebidos com tão curvada paciência e civismo, assim como o desmentido acolhido com tão sentida resignação. Bem hajam! 

Estivemos uns dias recheados de delírio da vida pública, sem sabermos ao certo se se tratavam de eleições Autárquicas ou se eram Legislativas, com novos pináculos de ridículo, mas…de muita alegria. “Pobretos, mas…Alegretos”, lá diz o Povo. No meio de todo esse “regabofe”, porém, ainda houve dúvidas sublimes, acompanhadas de discussões relevantes. Por exemplo, essa de se saber se o treinador do Benfica: Jorge de Jesus, vai ser castigado ou não, ou se vai ser multado e qual o valor da coima. 

Tem sido uma enorme preocupação para os Benfiquistas. Jesus, não era merecedor de tal injustiça! Quanto às Autárquicas, o prof. Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou na TVI, que: “Passos Coelho, tem sido um dos piores líderes do PSD e que se cumpriu a profecia da sua famosa frase: “Que se lixem as eleições”, pois, na leitura do comentador social-democrata as “eleições estão lixadas”. No entanto, o antigo líder do partido apela: “Ao menos salve-se o País”, senão “lixa-se tudo!” Entretanto Carlos Moreno, Juiz Jubilado do Tribunal de Contas disse que “Tem de se tornar obrigatória, antes de se gastar um tostão dos contribuintes, além do cumprimento das formalidades legais, uma justificação destas despesas”. Ou seja, na opinião desse Sr. Dr. Juiz Carlos Moreno, tem de se pôr o controlo interno a funcionar, porque não há, neste momento, um controlo interno e exaustivo digno desse nome a funcionar em Portugal. Acrescentando: “Os gastos têm de ser feitos de forma racional e explicados de forma compreensível para todos os cidadãos” 

É disto que é feito o País. O poder esvai-se…Voam os desmentidos. Fervilham as injúrias. Nos momentos mais serenos é a “graçola” e a troça. E das bancadas, o público assiste, ora indignado ora divertido, ao espetáculo sem igual. Não interessa a origem dos jogadores, mas a sua capacidade de marcar golos!




BANGA NINITO

2013