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12/03/2014

O PRIMEIRO-MINISTRO E O SEU AMIGO SR. RELVAS!


Há muita coisa legal, mas do ponto de vista ético merece a nossa reflexão. Vem isto a propósito do Sr. Primeiro-Ministro, ter convidado o Sr. Miguel Relvas para a “encabeçar” a lista dos nove distintos elementos, para o Conselho Nacional (uma espécie de Parlamento) do PSD. Sobre este assunto, a Jornalista Ângela Silva do Semanário “Expresso” de Domingo (23.Fev.14), diz o seguinte: “…Se para uns isto prova que Passos não deixa cair os amigos, para outros não havia necessidade de recuperar alguém que até há poucos meses se tornou num polarizador de ódios e que contribuiu para um enorme desgaste do Governo”. Diz ainda a Noticiarista daquele periódico, que “alguns dirigentes nacionais não esconderam incómodo pelo facto de só terem sabido à última hora que Relvas era a escolha de Passos.” 

-“Não quero ser eleito para dar emprego aos amigos. Quero libertar o Estado e a sociedade civil dos poderes partidários”, assegurou o Sr. Primeiro-Ministro Passos Coelho, no dia 2 de Junho de 2011, em mensagem transmitida através da rede social “Twitter”. O então candidato a Primeiro-Ministro já tinha apontado no mesmo sentido, uma semana antes, ao fazer a seguinte promessa: “Não vamos nomear os amigos. Nomearemos com transparência aqueles que por mérito e competência merecerem ser nomeados.”

De 2000 a 2007, Passos Coelho foi consultor e administrador da “Tecnoforma”, uma empresa dedicada à formação profissional que “dominou por completo, na região Centro, um programa de formação profissional destinado a funcionários das autarquias que era tutelado por Miguel Relvas, então secretário de Estado da Administração Local”. Na sequência da publicação, entre Outubro e Dezembro de 2012, de uma série de artigos de investigação e Acção Penal (DCIAP) abriu dois inquéritos sobre as suspeitas de favorecimento da empresa “Tecnoforma” por parte de Relvas enquanto secretário de Estado com a tutela do programa Foral. No âmbito de um dos inquéritos, Helena Roseta, actual Vereadora da Câmara Municipal de Lisboa, foi ouvida em Janeiro de 2013 como testemunha. Na noite de 21 de Junho 2012, em directo na SIC Notícias, Roseta denunciou uma situação ocorrida com Miguel Relvas em meados de 2003. Numa altura em que exercia a presidência da Ordem dos Arquitectos (OA), Roseta terá sido abordada por Relvas com o intuito de a informar sobre verbas do programa Foral que poderiam ser canalizadas para cursos de formação promovidos pela OA, destinados a arquitectos de autarquias. Mas havia uma condição, e a condição era simplesmente esta: a formação tinha que ser feita pela empresa do dr. Passos Coelho. Eu fiquei passada e disse: “Desculpe lá, senhor secretário do Estado, mas nessas condições não há acordo nenhum”. E não houve! 

Aqui está uma prova irrefutável do que é uma Amizade! A Amizade, é um encontro entre iguais. Ainda que as suas condições económicas e sociais sejam diferentes. Eles poderão ser amigos se se encontrarem apenas como dois soberanos independentes, de igual poder e dignidade semelhante. Todas as coisas dotadas de valor, e portanto também a amizade, devem ter no seu âmago a passagem do nada ao tudo. Faz-se um voto porque se sente o desejo. No amor é a desesperação que se torna êxtase de exaltação. Aqui é o fazer de menos que se torna satisfação. Parabéns Sr. Primeiro-Ministro, o Senhor é um verdadeiro Amigo!

Cruz dos Santos

2014

EM PORTUGAL, HÁ MUITAS REFORMAS DE LUXO!


A pior pobreza não é material; é a pobreza de alma, a pobreza espiritual! Se a pobreza espiritual não existisse, cada pessoa saberia dividir o seu pão com o próximo, acabando assim com todas as formas de pobreza! O que é preciso não é melhorar a condição dos pobres, mas acabar com ela! Ou seja, saber partilhar o muito que têm, por aqueles que nada têm, principalmente acabar com estas miseráveis reformas de velhice. 

Mas…os direitos humanos essenciais são violados, os apoios do Estado são uma fraude e a reinserção social uma ficção. A pobreza é constante no nosso dia-a-dia. Cada vez mais são aqueles que adotam as ruas como o seu lar. Pessoas como nós, com sonhos, esperanças, desejos e ambições, que por inúmeros motivos não têm possibilidade de os realizar. Velhos, que trabalharam uma vida inteira, a receberem míseras reformas de 160 a 360 euros! Qual a diferença entre Portugal e Suíça? É que na Suíça, ao contrário de Portugal, não há reformas de luxo para evitar a ruína da Segurança Social. Ou seja, aquele Governo fixou, o máximo que um Suíço (todos eles) pode receber de reforma: mil e setecentos euros (1.700 euros). Sobra assim dinheiro para distribuir pelas pensões mais baixas, garantindo uma reforma de velhice digna a todos. Ou seja, com casa, com uma boa alimentação, cuidados de saúde e até algum dinheiro para gastar, em vez de premiar com reformas de milhares de euros, quem já ganhou muito, durante a sua vida. É essa a primeira diferença em relação a Portugal, que aliás é uma regra essencial para proteger o sistema. É que se houvesse reformas ilimitadas, em função do ordenado, reformas de 15 a 20 mil euros, como acontece por cá, é óbvio que o lado financeiro poderia sofrer repercussões terríveis, talvez mesmo, a falência na Segurança Social. 

Outra regra, que existe na Suíça:, é que só há uma reforma para cada pessoa. –“Mas então, “não podem ter uma reforma como militar e como professor?” -Não senhor! Claro que vão examinar a renda, um montante para as necessidades diárias; verem se o beneficiário tem dívidas, pensão de alimentos, etc. O outro aspeto importante, é quem não pôde trabalhar por razões familiares, é recompensado. Nas pessoas que educaram crianças, há bonificações de taxa educativa, que são rendimentos efetivos. Esse é o primeiro elemento que irá permitir calcular a reforma e dar rendimentos a uma pessoa, mesmo que não tenha trabalhado. Outra diferença: as contribuições efetuadas durante o casamento, são divididas pelos cônjuges, antes da atribuição da reforma. Partilham os rendimentos dos dois cônjuges, durante o casamento. –“E em caso de divórcio?” 

Também! Na Suíça, os “PPR” (Planos de Poupança de Reformas), são obrigatórios e constituem um segundo pilar, que aí sim, quem mais descontar, é quem mais vai receber um dia. O importante, é que o Estado garanta o essencial aos Aposentados mais carenciados, evitando a pobreza na velhice. Um País, bem diferente do nosso, onde há homens, mulheres e casais, a usufruírem, mensalmente, verdadeiras e chorudas riquezas, catalogadas de “reformas de velhice”! E…sabem que mais? São os mais revoltados contra esta austeridade!


Cruz dos Santos

2014
 

07/03/2014

A SEPARAÇÃO

José Constantino cresceu e viveu numa aldeia perto Da Cidade de Chaves até aos 20 anos de idade, nesta altura foi à inspeção militar no ano de 1965, ficando apurado para todo o serviço militar, foi-se apresentar no Quartel de Lamego, para ter as primeiras instruções militares a chamada recruta e passados poucos meses é incorporado para Angola, deixando Pais, irmãos, família e a namorada a Maria Laurinda.


Embarca em Lisboa no paquete Vera Cruz e chega a Luanda em Junho de 1965, apresenta-se no Quartel em Luanda, passados dois meses é enviado para o Norte de Angola para a zona quente dos Dembos integrado numa companhia de Comandos. Em 1965 passa a funcionar, em Luanda, o Centro de Instrução de Comandos, criado por Decreto-Lei nº 46410 de 29 de junho de 1965. Durante 10 anos o Centro de Instrução de Comandos formou Companhias com destino a Angola e Moçambique, passa à disponibilidade no ano de 1969.

Companhia de Comandos

Crachá

A passagem por Angola, muda as pessoas, muda as mentalidades, cidades bonitas, praias lindas, pessoas descontraídas.

Fica em Angola na Cidade de Luanda com emprego na Construção Civil começa a tratar dos papeis para casar por procuração com a namorada que ficara em Chaves.

A Maria Laurinda embarca no paquete Infante D. Henrique, chegando a Luanda onde a espera o José Constantino, vão residir para o Largo das Ingombotas.

José Constantino a trabalhar na Construção Civil como encarregado de Obras e a Maria Laurinda na Manutenção e limpezas de um Banco, a vida vai sorrindo ao jovem casal, e Maria Laurinda fica grávida e nasce o José Luís no ano de 1970.

Cidade de Luanda

Todos os natais recebem da família, que manda de Portugal um pequeno cabaz de Natal com um ( tantinho ) pouco de nozes, castanhas, figos secos, etc, etc.

A vida corre-lhes sem sobressaltos e estão integrados no quotidiano de Luanda, até que no principio do ano de 1973 dá-se a tragédia, depois de um convívio com amigos e com o chamado grão na asa, na Avª. Brasil com o seu automóvel um Vauxhall Viva, atropela dois indivíduos, o mais idoso fica com pequenas escoriações superficiais, o mais novo que era militar, chega ao Hospital de São Paulo já falecido.


José Constantino é preso e só sai da cadeia em Abril do ano de 1977.

Durante aqueles terríveis dois anos de 1973 a 1975 que Maria Laurinda sozinha, teve que tratar e educar o filho José Luís, trabalhava no Banco e á noite num Restaurante perto da Maria da Fonte no Kinaxixe.

Em 1975 na descolonização a Maria Laurinda veio na Ponte Aérea em Outubro, sem saber do José Constantino, que entretanto tinha sido transferido para uma prisão controlada por elementos do M.P.L.A no Bairro Palanca.

A Maria Laurinda e o filho, quando chegaram a Lisboa foram encaminhados pelo I.A.R.N. para o Parque de Campismo do Inatel na Costa da Caparica.

No ano de 1977 o José Constantino no mês de Abril é expulso de Angola e embarca para Lisboa e foi direto a Chaves, sua terra natal.

Maria Laurinda cansada de procurar no I.A.R.N. na Embaixada Portuguesa pelo José Constantino e de todos recebia a mesma resposta “ não sabemos nada das pessoas que ficaram em Angola”.

Desiludida e sem esperanças Maria Laurinda e José Luís que nunca conhecera o pai, conseguem ir para a Suissa a chamado de uma prima que já lá se encontrava á bastante tempo.

No ano de 1980 no Verão Maria Laurinda vem passar umas férias a chaves a casa de ainda alguns familiares e encontra o José Constantino que também não sabia dela, ele bem perguntava a todos mas ninguém sabia responder qual o paradeiro da Maria Laurinda.

Cidade de Chaves

Foi um encontro emocionante e assim o casal passados sete anos estavam de novo juntos e o José Luís já com 10 anos conheceu o pai.

Depois dessas férias a Maria Laurinda foi á Suissa e despediu-se, voltou para Chaves onde montou um negócio de hotelaria com as poucas economias que tinha e com um empréstimo bancário, José Constantino trabalha por conta própria numa serração de carpintaria e marcenaria.

Final feliz para este casal que conheci em Luanda ainda kandengue, eles eram amigos do meu falecido pai.

Nesse Verão de 1980, a quando da minha estadia em Mirandela, fui a Chaves e confraternizei com eles.

Nos dias de hoje José Constantino com 69 anos de idade, Maria Laurinda de 65 e o José Luís com 43 anos, nos vamos encontrando nos almoços de convívio que se vão realizando todos os anos, e ai nos vamos lembrando das recordações boas, e das saudades. 

ZÉ ANTUNES

2014

OS NOSSOS MINISTROS, SÃO MUITO MAIS FINOS!


Eles, não têm culpa! Nunca ninguém lhes ensinou ou indicou um autocarro, um eléctrico, ou metro. O primeiro-ministro britânico. 



David Cameron

David Cameron, desloca-se quase sempre de metro e, muitas vezes não encontra sequer lugar sentado. David Cameron frequentou Eaton, colégio privado de rapazes, considerado o melhor de Inglaterra, onde andaram vários Primeiros-Ministros e os príncipes William e Harry. 

É formado pela Universidade de Oxford, sobejamente conhecida, não necessitando de adjectivos. É altamente qualificado, não lhe faltando mestrados. Tem sido um Primeiro-Ministro de mão cheia, batendo o pé a Bruxelas sempre que é preciso defender o seu povo e seu Pais! Tem punhos de ferro! ACHO QUE JÁ MERECIA UM CARRO e MOTORISTA! 

Como curiosidade, vem-me á lembrança que nos Países Nórdicos, os governantes e os deputados andam no meio do povo, nos transportes públicos e não têm nem metade das mordomias dos nossos queridos representantes parlamentares. Até o Rei Norueguês andava nos transportes públicos até há bem pouco tempo (até ao ataque que vitimou mais de 70 cidadãos)! O que vale é que nós somos ricos e enche-nos de orgulho o pagar todos aqueles carros (cerca de 250), viaturas “topo gama” e seus magníficos Motoristas. 

Queremos que os nossos membros do governo e deputados se desloquem confortavelmente e com a máxima segurança! Partilhem se acham que em Portugal os políticos deviam seguir o mesmo exemplo e digam-nos, por favor:

JÁ ENCONTRARAM ALGUM MINISTRO PORTUGUÊS, A VIAJAR DE METRO?

BANGA NINITO

2013

MAS… DE QUE GOVERNO PRECISA PORTUGAL?


Estamos todos endividados de uma forma preocupante, famílias, empresas, Estado e País; a economia desacelera, ano após ano, provocando todo esse mal-estar, em cada um de nós. E o caso não é pra menos! É que por essas contas e “derrapagens” que se têm vindo a registar e pelo clima depressivo que se sente no país e na vida política, não se vê como sair deste abismo económico. Os maus comportamentos, “pressentidos” e nunca confirmados pela Justiça, de alguns políticos, gestores e outros, no que respeita a dinheiros, públicos e privados, permite pensar que o “saque” está instalado e que, sendo arriscado o assalto a bancos ou a bombas de gasolina, aos autores de crimes de “colarinho branco” nada acontece. 

Por essas irregularidades e injustiças imputadas aos mais pobres, a Constitucionalista Drª. Isabel Moreira disse: “é incompreensível que o Governo insista em fazer uma correcção orçamental sempre sacrificando os mesmos”. Por outro lado, o distinto Constitucionalista, Prof. Dr. Jorge Miranda, declarou que “se trata de um imposto sobre os mais fracos, de uma medida inconstitucional (…) de uma violação dos princípios da proteção da confiança e da proporcionalidade (…), que há muito por onde cortar no Estado. O que é preciso é fazer um estudo objectivo sobre a tão falada reforma, para se perceber o que há a fazer. Seja em certas fundações ou mesmo instituições particulares de solidariedade pessoal, ou ainda na despesa com pessoal nos ministérios, há outras soluções, e a mim choca-me profundamente este tratamento desigual em relação a um grupo mais frágil". Por sua vez, a Presidente da direcção da Associação dos Aposentados, Pensionistas e Reformados (APRE) Drª. Maria do Rosário Gama, alegou que “esta decisão tem vindo a provocar um sobressalto constante aos reformados, que vivem na angústia de não saber o que vai ser o dia seguinte”, adiantando que os “Aposentados, pensionistas e reformados vivem permanentemente preocupados, desde que o Governou tomou posse e decidiu afrontar deste modo os pensionistas”. 

Efectivamente, “sem” a economia conveniente haverá ainda mais desemprego, maiores desigualdades, mais pobreza, mais insegurança. É que se estão a acumular “danos sociais” e desequilíbrios financeiros, que prenunciam o aparecimento de perigosas tensões a médio/longo prazo, sobre a sustentabilidade financeira do País. Perguntamos: estarão ameaçadas a qualidade da saúde, o nível das pensões e dos diversos subsídios, a extensão e a qualidade do ensino? Como vamos enfrentar o crescimento da pobreza? Mas…então, de que Governo precisa Portugal? E de que estratégia?

Cruz dos Santos

2014

DECADA DE 70

No ano de 1971, eu era um kandengue que morava no Bairro Popular nº 2, tinha dezassete anos de idade. Estudava na Escola Indústrial de Luanda, e acabado o Curso, então não me restou outra alternativa a não ser começar a trabalhar para ter a minha independência, continuando os estudos á noite, para comprar a minha primeira motorizada uma Honda SS50Z, para levar a namorada ao cinema nos finais de semana, para beber uns finos, comer uns camarões e uma dobradinha nos Bares do bairro com os amigos, principalmente no Bar do Matias.


Tenho que agradecer aos meus Pais, muito obrigado Sr. Júlio e Dona Maria do Carmo, muito obrigado Luanda por darem-me a oportunidade de me tornar homem, responsável, destemido e acima de tudo um cidadão que aprendeu a amar Angola, a amar a cidade de Luanda, e continuando a amá-la até os dias de hoje.

Na década de 70, muitas novidades e fatos inesquecíveis aconteciam no mundo. Eu e muitos jovens na época ouvíamos as belas músicas dos Beatles, Bee Gees, Elton John, John Lennon, Pink Floyd, Yes, Supertramp, Roberto Carlos, Chico Buarque, Raul Seixas, Led Zeppelin, Deep Purple e tantos outros que faziam sucesso naquele tempo

Pink Floyd

Eu e meus amigos que residíamos no Bairro Popular nº 2, em Luanda, quase todos os avilos tinham a sua torraite e curtiamos as belas passeatas ao Porto Kipir, á Barra do Kuanza, ou na grande cidade de Luanda, ouvíamos os bons rocks clássicos, e também merengadas, rebitas, e dançávamos nos bailes, fossem em clubes ou na residência de alguém nosso amigo, nas festas de aniversário, casamentos, noivados ou qualquer comemoração. Foi uma época inesquecível, em que caminhávamos pelas ruas da cidade, principalmente nos seus musseques, em qualquer hora do dia, ou da noite, sem o perigo que se diz que se vive atualmente.

Quantas vezes atravessamos a Estrada de Catete, mesmo de madrugada, ou caminhava-mos pelas ruas do Sambizanga, Casa Branca, Rangel, Prenda Terra Nova, Cazenga, Palanca e tantas outras ruas de outros Bairros falando de alguma canção de sucesso ou mesmo conversando sobre os temas da actualidade, acompanhados de amigos ou mesmo das namoradas. 

Vivi na verdade o melhor tempo da minha Juventude. 

Bairro Popular nº 2 

Por onde será que estão atualmente os velhos amigos: Paquito, Zé – Tó, Minguitos, Luis Manuel ( Lili ) Zé Manuel, Zé Avelino, Carlos Barbara, Dativo, Moedas, Caroças, Tony Novo, Chico Maia, Nascimento, Seabra, Carlos ( Perninhas ) Nogueira, Zeca Dificil, Taúta, Barros, Manelito, Litó, Quim Costa, António Costa, Chico Teixeira, Cacito, Manuel João, Ninito, Zé Ideias, Soares, Sousa, Cacipita, Mano Meira, Soares, Faisca, Tony Sanguito, João da Lusolanda, Carlos Clara, Madruga, Mário Dias, e tantos outros? 

E as garinas Betty, Celina, Chú, Mila, Dina, Virinha, Leonor, Zeza, Crisanta, Teresa, Alice e Ivone, Goretty, Judite, Isabelinha, Lourdes, Florinda, Teresa, Rosário, Célia, Luisa, Marinha ( São ) minha namorada, e tantas outras. 

E os avilos do conjunto , “Os Rubis“ que abrilhantavam as farras, tocavam nos clubes, Chico Leite, Claudino, e os Manos Bondosos? E os The Windies do meu amigo Beto Calulu.

The Windies

No almolço anual da malta do Bairro Popular nº 2, encontramos muitos avilos da nossa meninice do Bairro, e logo ali matamos as saudades, recordando esses tempos. 

Os bares do Matias, Tirol, Pisca Pisca, o Bar Cravo, e as cervejarias na Baixa de Luanda, que não existem mais? Ou será que existem!! 

Quando eu estudava na Escola Indústrial, tinha também colegas, do Bairro, o Pinguiço, o Guimarães, o Fernando Simões, o Camilo da Terra Nova, o António Gilberto do Sarmento Rodrigues, o António Rodrigues do Cazenga. 

Quando eu ouço as músicas daquela época, logo me vem à lembrança as calças á boca de sino, as camisas justinhas ao corpo, os sapatos de tacão alto, os cabelos compridos, das pessoas e dos lugares por onde eu passei. São boas lembranças e espero que todos os meus amigos e conhecidos estejam muito bem em suas vidas. 

Sei que alguns já faleceram, como o Litó, o Filipe Santarém, o Jaimito, o Carlos Capacete, o Machado, o Mikinho, o Fernando das Quarras, o Fernando Transmontano, o Pinguiço, a Alice ( Nixa ), que descansem em paz, no seu eterno sono. 

Na juventude, dos anos 1960 a 1975, íamos muito ao cinema, trabalhei no Bar do Cinema para poder assistir aos filmes, aos encontros de jovens da igreja de Santa Ana, ( J.O.C. ) com os amigos (as) e namorados ( as ). 

O cinema do Bairro Popular o cine São João, muito famoso na época, depois de assistir a um bom filme, iamos para o muro do Bar do Matias até altas horas da madrugada. Vida muito difícil, para nossos pais que trabalhavam, pagávam os nossos estudos, tínhamos que ser responsáveis desde muito cedo, diferente da juventude de hoje, onde os pais patrocinam os filhos, que demoram muito mais para serem independentes. 

Fazíamos passeatas, que iam sempre dar ao Largo da Mutamba, quase tudo acontecia nas Avenidas próximas. Nesta época, surgiu o moderno Edificio da Mutamba, foi desde sempre o ponto de encontro, para curtir, simplesmente deixamos de ir a Biker jogar bilhar para frequentarmos o Mutamba, ou para simplesmente ouvir os amigos, desabafar, rir em amenas cavaqueiras, enfim ser feliz.

Largo da Mutamba ( foto Mário Silva 1972 )

Foi muito bom viver cada momento, marcado por boas e más lembranças, que fazem a história de nossa vida, ainda hoje tenho saudades desse tempo. 

Alguns comentários: 

Do grupo de AMIGOS que cresceram felizes no seu Bairro onde a amizade se foi fortalecendo ao longo de horas infindáveis de confraternização e brincadeira como se de uma imensa família se tratasse numa sala de visitas imensa, o Largo e o Café do Matias onde a qualquer hora sabia-mos onde estavam os nossos Amigos. ( Moedas

Na rua de Loulé, que mais tarde em frente foi construída a Defesa Civil (era a rua de Transição para o Bairro Sarmento Rodrigues ), e como todos os moradores frequentei o cinema S. João, a Igreja de Santa Ana, e quando entrei para a escola primária fui estrear a referida escola denominada Escola Primária nº 176. Tenho recordações das professoras Dona Fernanda e Dona Amélia, recordações dos intervalos, e da venda de doçarias á porta da escola, confecionadas pelas "quitandeiras" como a paracuca, pirolitos e o doce de coco. 

A minha sogra era cliente da loja de confeções Confiança, do Sr. Novo, pois ela era modista e confecionava roupa para a maior parte da malta jovem do Bairro principalmente camisas bem justinhas. Na entrada do Sarmento Rodrigues havia uma mercearia cujos donos eram o Sr. Aníbal e D. Dulce, onde havia uma frondosa árvore, o Imbondeiro, era a chamada loja do Sr. Dias. 

Todos os anos por alturas do Natal visitávamos a Mutamba onde no Jardim da Camara Municipal de Luanda se montava o imponente presépio e esta zona estava sempre toda iluminada. O presépio era algo de maravilhoso com todas as personagens bem representadas. Penso que de ano para ano havia uma inovação na sua montagem, o presépio era lindíssimo. ( Tiza

Infelizmente, ou felizmente, a vida é como uma roda gigante: uma hora estamos no alto, noutra hora, estamos em baixo, mas o mais importante é que as lembranças ficam cravadas na parede da nossa memória. 


ZÉ ANTUNES 

1970

PRIMEIRO RELÓGIO


O meu primeiro relógio, tive-o quando passei para a quarta classe, em 1964 e foi-me oferecido pelo meu pai. Nunca me esquecerei daquela manhã de Julho em que nos dirigimos à ourivesaria de São Paulo em Luanda me colocou no pulso um relógio, com bracelete de couro, era um Cauny. Custou na altura 250$00. Para mim era uma fortuna imensa, nunca tinha recebido uma prenda tão generosa. Ainda guardo esse relógio religiosamente.


Relógio Cauny Prima


Muitos episódios de minha vida esse relógio marcou: os amores, as partidas, os encontros e desencontros. Marcou com seus ponteiros e seu passo suíço minha esperanças e conquistas, como também as perdas e os vazios. Foi muito mais que um relógio.



“RELÓGIOLANDIA” Uma história discreta ( net )

Os relógios Cauny carregam consigo uma história suíça como qualquer outra saída do país que é conhecido e reconhecido como a capital da relojoaria… ou talvez não.

Ainda hoje persistem dúvidas acerca da própria fundação da empresa Cauny – enquanto uns apontam para a data de 1889, outros afirmam que foi bem mais tarde, no ano de 1927, que se começaram a produzir os primeiros exemplares dos relógios Cauny. Certezas há duas: por um lado, a empresa tem, desde a primeira hora, o seu quartel-general na emblemática cidade de Le-Chaux-de-Fonds, berço da arte de relojoaria suíça e sede de inúmeras marcas famosas e internacionais. Por outro lado, a Cauny, mesmo que discreta, destaca-se pelo design de relógios únicos.

A filosofia que tem impulsionado o trabalho da empresa Cauny desde que entrou para o mundo relojoeiro é: criar timepieces excepcionais, quer em termos de beleza e apresentação, quer em termos de um rigoroso processo de execução e montagem, onde nenhum detalhe, por mais ínfimo que pareça, é deixado ao acaso. 

A segunda metade do século XX foi um boom para o mercado dos relógios, com a introdução da tecnologia quartzo. Para a marca Cauny foi mais um motivo para fazer mais e melhor e, como sempre, esteve à altura ao apresentar ao mundo a linha “Cauny Prima”, um verdadeiro ex-libris da marca e ainda hoje aclamada. 

Gozando de grande popularidade nas décadas de 50 e 60, quem possui um modelo Cauny dessa época, guarda-o religiosamente, até porque continua actual e fiável. 

Hoje, a Cauny faz parte de um restrito legado de especialistas na arte que é criar um relógio e todo o seu processo de produção é monitorizado segundo testes de controle, que exigem padrões da mais elevada qualidade. À qualidade, que é e sempre foi a sua grande bandeira, a Cauny junta elegância, precisão e prestígio. 

Com uma vasta gama de modelos para homem e mulher, que incluem relógios de bolso, cronógrafos, relógios em ouro, desportivos e de “fantasia”, o prestígio da Cauny revê-se ainda nos seus preços, que podem atingir os €4800! No entanto, a marca pretende chegar a todos, por isso, também pode ter um Cauny no pulso por apenas €60!

ZÉ ANTUNES

1964